Análises


Magicamente humanos

//Por Pedro Martins - sexta-feira, 02 de dezembro de 2016 às 22:48


Por Clarice Freire

Editado por Pedro Martins

Animais Fantásticos e Onde Habitam chega aos cinemas cerca de 15 anos depois da minha primeira ida ao cinema para ver algo sobre o Mundo Bruxo de J.K. Rowling, e lá vou eu assistir. Teria muito a dizer, mas preciso falar sobre o Credence. Prefiro me deter no quanto aquele personagem me chamou atenção.

Credence (Ezra Miller) é um jovem assustado, estranho, “esquisito”, praticamente mudo. Trêmulo, de olhar baixo, é completamente oprimido pela mãe adotiva que nutria um medo e ódio devastadores contra “bruxas” e queria exterminá-las “para a segurança de todos”. Credence, em segredo, queria apenas fazer parte daquele mundo mágico. Queria aprender, pois guardava dentro de si um “Obscurial”, uma enorme força parasitária concentrada. Ela veio de jovens bruxos que, ao longo dos séculos, foram forçados a esconder sua força, a rejeitá-la, implodi-la, e o seu poder devastador mata em poucos anos quem a estiver hospedando. Atenção para a profundidade desta metáfora que pode passar despercebida.

O personagem de Ezra Miller tenta ser aceito por todos os lados, mas quando não dá às pessoas ao seu redor o que esperam dele, não serve. Não tendo força para reagir, recua cada vez mais. Credence é obviamente uma criatura mágica, mas não sabe como sê-lo. Não sabe na verdade nem quem é, nem o que pode causar com sua força contida. Tão contida, tão tolhida, tão escondida, que fica obscura e o mata lentamente por dentro. Quando a situação chega ao limite, Credence se percebe usado e explode. O Obscurus dentro dele é revelado em toda a sua potência e sai matando, destruindo a cidade, iniciando uma guerra: uma devastação nele mesmo e em tudo o que está ao redor.

Saí do cinema pensando nas milhares de vezes que, em minha própria vida, implodi minha luz simplesmente porque o mundo não a entenderia, não a aceitaria. Eu queria fazer parte de um mundo inventado. E na inutilidade disso, porque ela sempre explode e isso é, de fato, devastador. Algumas vezes libertador, claro. Mas nunca é agradável.  Pensei nas tantas outras pessoas – conhecidas e estranhas – que passaram por isso de maneira muito mais drástica.

Pensei nas vítimas de perseguição, preconceito, opressão, por milhares de motivos, espalhadas pelo mundo. Infelizmente, a lista é interminável.  A “magia” que Rowling retrata é, para mim, claramente essa força contida dentro de cada um de nós. As vezes em que reprimimos nossa luz porque o mundo espera diferente. A ansiedade e a depressão são cada vez mais comuns: é preciso ser, é preciso ter, é preciso corresponder, é proibido fracassar, é terrível decepcionar e, claro, não esqueça de postar. Mostre. O mundo on-line é um prestador de contas constante, presente, como Grindewald encurralando o rapaz na parede: mostre-me, o que você fez? O que conseguiu? Mostre-me que você serve para alguma coisa.

A mensagem de Credence é séria, é triste, mas é um alerta.

Em uma frase, eu diria: somos todos magicamente humanos.

Somos extraordinários e isso não pode ser abafado. Nossa magia mora na unicidade: você é único e isso tem uma potência inimaginável. É perigosíssimo implodir uma força! Deixemos a magia explodir livremente, “para a – verdadeira – segurança de todos”.

Onde habitam os seres fantásticos? Dentro de mim, de você e daquele estranho ao seu lado.

Não deixe

a magia contida.

Que ela brilhe forte,

imensa, sem morte,

cheia de vida.

Clarice Freire é escritora e publicitária por formação. Fez sua primeira viagem à Lua em 2014 com Pó de Lua, sua poesia desenhada em forma de livro. Seguida por mais de um milhão e meio de pessoas nas redes sociais, com dois best-sellers publicados pela Editora Intrínseca, ama a magia das palavras de Rowling desde a infância, por achar que o melhor lugar do mundo é a imaginação.

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Um tributo à imortalidade

//Por Pedro Martins - quinta-feira, 14 de janeiro de 2016 às 17:23


Em homenagem ao falecimento do ator Alan Rickman, o nosso eterno Severo Snape, o editor-chefe de colunas do Potterish Luiz Guilherme Boneto escreveu o que intitulamos um tribulo à imortalidade.

“Alan Rickman não é o tipo de pessoa que morre. Ele deixou um longo e extenso legado, e nós tivermos sorte: foi ele o intérprete de Snape, um dos personagens mais queridos e corajosos do mundo bruxo.”

Juntem-se a nós lendo e compartilhando esta singela homenagem na extensão da notícia.

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A magia se perdeu?

//Por Luiz Guilherme - sexta-feira, 04 de setembro de 2015 às 16:00


Desde o lançamento de Harry Potter e as Relíquias da Morte, em 2007, todos nós nos sentimos um pouco órfãos. Novos livros e séries vieram e se foram, mas nutrimos o sentimento de que, no fim das contas, nenhuma obra é como Harry Potter.

Nosso novo colunista Joaquim Rodrigues estreia hoje no Potterish com uma análise contundente a respeito da maneira como as séries que chegaram após Harry Potter não conseguiram fazer sucesso parecido. Você concorda com ele? Leia e deixe seu comentário!

“Em meio a toda essa modernidade vejo tudo parecer tão superficial… Não, não estou falando de Harry Potter. Estou falando da literatura pós J. K. Rowlling. Olho para o trabalho de nossa querida autora e vejo o fim de uma era. Parece que a literatura fantástica entrou em crise”

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O que faz de Rabicho um grifinório?

//Por Luiz Guilherme - sexta-feira, 28 de agosto de 2015 às 16:00


O Chapéu Seletor costuma selecionar os alunos para as quatro casas de Hogwarts com base em determinados critérios. Para a Grifinória, que é decerto a casa mais amada pelos fãs, costumam ir os estudantes “corajosos” e “destemidos”.

Ao mesmo tempo, o detestável Pedro Pettigrew costuma ser lembrado pela covardia que condicionava seus atos. Você já se perguntou, portanto, o que levou o sábio Chapéu Seletor de Hogwarts a colocá-lo na Grifinória, ao lado de Tiago Potter, Sirius Black e Remo Lupin? Confira a análise da nossa nova colunista Laura Zacca e dê a sua opinião!

“Todos sabemos que o Chapéu Seletor jamais erra ao escolher qual casa de Hogwarts um aluno deverá ficar. Ele próprio, durante a seleção de casas do quarto ano de Harry na escola de magia, afirma em sua canção: ‘Até hoje ainda não me enganei’. Ora, se até hoje ele ainda não se enganou, o que o fez selecionar Pedro Pettigrew, provavelmente o personagem mais covarde criado por J.K. Rowling, para a casa dos corajosos, a casa de Godric Gryffindor? “

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O diabo veste rosa

//Por Luiz Guilherme - sexta-feira, 21 de agosto de 2015 às 16:00


Você, que aguardou por meses a publicação de “Harry Potter e a Ordem da Fênix” no Brasil, deve ter analisado com grande minúcia a forma como Dolores Umbridge pode ser odiosa. Manipuladora, cínica e extremamente maldosa, Umbridge tornou-se uma das vilãs mais influentes da saga porque ela é adoravelmente detestável.

Nosso novo colunista Kaio Rodrigues decidiu inaugurar seus textos no Potterish com uma análise a respeito de Umbridge e dos motivos que o levaram a amá-la odiando. Não se esqueça de ler e comentar!

“Sua maldade surge aos poucos, diluída em decretos, castigos e torturas direcionados aos estudantes de Hogwarts, e que, aos poucos, vão fazendo-a galgar postos até assumir a direção da escola.”

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Sirius Black: culpa e castigo

//Por Luiz Guilherme - sexta-feira, 14 de agosto de 2015 às 17:30


As nossas colunas estão de volta, pessoal! Nossa equipe agora conta com membros novos, cujas colunas você poderá acompanhar a partir da semana que vem, todas as sextas-feiras!

E para retornar com todo o gás, nossa veterana Juane Vaillant escolheu analisar a fundo um dos personagens mais queridos dos fãs: Sirius Black. Nossa colunista buscou elementos ao longo de toda a série para compor o texto que você vai ler hoje. Aguardamos os seus comentários!

“O julgamento é o caminho mais fácil. E Sirius é um prato cheio. Imprudente, arrogante, com fortes tendências a quebrar as regras. Quem vai duvidar? Até que lhe dão voz, para ele sair do posto de vilão e se tornar um dos personagens mais amados da saga. Alguém que passou doze anos preso por um crime que não cometeu. E suas características de ‘vilão’, logo passam a ser vistas como as de alguém que está quebrado por dentro.”

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O que está exposto nas entrelinhas?

//Por Luiz Guilherme - domingo, 01 de março de 2015 às 16:02


É fato sabido que nos últimos anos, J.K. Rowling lançou outros três livros totalmente externos ao universo de Harry Potter. O primeiro deles foi “Morte Súbita”, e certamente que as comparações da saga com os novos lançamentos são inevitáveis – talvez este seja um dos motivos que levaram Jo a publicar (ou tentar publicar) “O Chamado do Cuco” sob um pseudônimo.

E hoje a nossa colunista Juane Vaillant trata de algumas dessas comparações e das confrontações feitas entre o universo de Harry Potter e o de “Morte Súbita”. Você concorda com ela? Leia a coluna deste domingo e não se esqueça de nos contar!

“Se tirarmos a magia que envolve Harry Potter, o livro ainda assim será extraordinário”.

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Pseudotradução e profundidade cultural em Os Contos de Beedle, o Bardo

//Por Luiz Guilherme - domingo, 25 de janeiro de 2015 às 21:24


Os Contos de Beedle, o Bardo é uma obra publicada, porém inteiramente inserida em Harry Potter. Foi, inclusive, importante para os desdobramentos da história no último livro, como todos os que leram necessariamente se lembrarão.

Na coluna coluna deste domingo, Natallie Alcantara prossegue a reflexão da semana passada e trata do aspecto da pseudotradução, a notável forma utilizada por J.K. Rowling para abordar esse trecho da série. Não deixe de ler e registrar seu comentário!

“Este livro [Os Contos de Beedle, o Bardo] é uma pequena amostra do que J.K. Rowling fez em sua obra inteira: a criação de um mundo completo com lugares, aspectos locais e nuances culturais próprios. Ela não só cria mitos e lendas, mas faz os personagens interagirem com eles”.

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Os Contos de Beedle, o Bardo enquanto pseudotradução

//Por Luiz Guilherme - domingo, 18 de janeiro de 2015 às 18:53


As colunas do Potterish estão de volta, pessoal!

E para retornar com força total, nossa colunista Natallie Alcantara traz hoje uma análise sobre a abordagem de J.K. Rowling em “Os Contos de Beedle, o Bardo”, abordagem que prosseguirá na semana que vem em outra coluna! Não deixe de ler e registrar seu comentário!

“A autora, ao transformar Hermione Granger em tradutora, assume o papel de mera editora do livro”

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Sua mãe é tão gorda que o patrono dela é um bolo

//Por Luiz Guilherme - domingo, 29 de junho de 2014 às 14:31


Não nos cansamos nunca de lembrar os fatores que tornam Harry Potter uma obra peculiar e não-convencional. Há quem se dedique, mesmo em obras acadêmicas, a tentar descobrir fatores psicológicos que levaram uma simples série de livros a conquistar toda uma geração.

Gabriela Lutfi não escreveu uma tese sobre, contudo, arrisca um palpite na coluna de hoje: a imensa quantidade de sentimentos que J.K. Rowling inseriu em sua obra. Amizade, amor, escárnio, drama, tudo isso está presente na série que todos nós amamos, e graças a essas sensações, rimos, choramos, ficamos com raiva (lembram da Umbridge?). Não se esqueça de dar a sua opinião ao finalizar a leitura!

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