#26: Alvo Dumbledore, mentor e manipulador, com Igor Moretto, do Animagos

#26: Alvo Dumbledore, mentor e manipulador, com Igor Moretto, do Animagos

Semanário dos Bruxos

Episódio 2641min 06s11 de mai de 2021

🎙️ Episódio 26 · 41min 06s · 11 de mai de 2021

Dumbledore desperta fascínio entre os fãs de Harry Potter desde sua primeira aparição. Ao longo dos livros, porém, conhecemos outras facetas dele que põe em xeque nossa admiração. Os apresentadores do Semanário dos Bruxos, Pedro Martins e Marina Anderi, recebem Igor Moretto, do fã-site Animagos, para discutir a trajetória do personagem, além da abordagem de sua homossexualidade em Harry Potter e Animais Fantásticos.

Ouça o Episódio

Transcrição do Episódio

A transcrição abaixo foi gerada automaticamente e pode conter pequenos erros.

Ver transcrição completa

Sejam muito bem-vindos ao Semanária dos Bruxos, o podcast do Poteiriche, que vai ao ar toda terça-feira nas plataformas de streaming. Eu sou o Pedro Martins, editor-chefe do site. Eu sou Marina Beli, gerente de marketing. E o tema do episódio dessa semana é sobre ele, ele que tem um nome tão gigantesco que nem eu sei se eu vou conseguir lembrar, porque, enfim, eu não coloquei na pauta.

Alvo Percival Vulfrake Brian Dumbledore. O episódio dessa semana, gente, é um episódio complicado, assim. Confesso que, nossa, discutir o Dumbledore, né? Que personagem complexo.

Um dos mais complexos, tirando o Snape, talvez o mais complexo atrás dele, enfim, não sei o que você acha, Marina. Que é complexo, isso é meio subjetivo, mas, pra mim, eu acho o Dumbledore mais complexo que o Snape, assim, em questão de construção de personagem. O Snape é muito extremo, né? As pessoas o amam, o odeiam e tal, mas o Dumbledore eu sinto que ele fica meio numa área cinza.

Tipo, obviamente, tem gente que ama e tem gente que odeia. Mas ele não dá pra negar que ele fez coisas muito boas, ao mesmo tempo que não dá pra negar que ele fez coisas muito ruins também. Na minha cabeça mesmo, fica um certo conflito. Exato, né, vilão nem mocinho.

E pra discutir o Dumbledore com a gente, a gente recebe aqui o webmaster do Animagus, um fan site de Harry Potter, assim como o Potterish. Igor Moreto, que também apresenta o podcast Chacasa Elefante, que é uma releitura comentada, capítulo a capítulo, de Harry Potter. Seja muito bem-vindo, Igor. Oi, gente, obrigado.

Estou de volta. Dessa vez pra defender, coincidente, o menino Alvo. O Igor participou de um dos primeiros episódios do Semanário dos Bruxos, né, o episódio sobre a Petunia e a Lilian. Mas vamos lá.

O que você acha do Dumbledore, Igor? Assim, em termos gerais, porque a gente vai se aprofundar, é claro. Mas, enfim, vilão ou mocinho? Aqueles que estão falando que não dá pra colocar ele como vilão ou mocinho, já vai lá e pergunta, enfim.

Eu acho o Dumbledore um personagem que depende muito da forma como você lê Harry Potter. Você chega a uma conclusão sobre ele. Eu acho que quando a gente lê pela primeira vez da forma linear, do primeiro ao sétimo, nas ordens tudo certinho, eu acho que a gente segue a mesma opinião do Harry. A gente fica com ódio dele durante o sétimo livro inteiro.

E no final a gente meio que fala, mas não tinha o que fazer, né? Então é isso aí. E aí eu acho que quando a gente para de ler na ordem, quando a gente volta a ler algum livro separado e tal, a gente sempre fica com o sentimento do Dumbledore bonzinho, né? O Dumbledore que só faz coisa certa, que nunca errou.

E aí isso meio que entra em conflito com aquela nossa ranço que a gente teve quando a gente lê o sétimo e a gente fica meio assim, mas o é o que aconteceu e tal. E por isso eu acho que o Dumbledore é o perfeito exemplo do ser humano complexo, sabe? Aquele que não é porque fez uma coisa errada, que a gente joga tudo que ele fez no lixo, não é porque ele fez uma coisa boa que ele também nunca errou. É importante, é uma das coisas mais importantes da saga, assim, eu acho.

A gente aprender e dar de cara com personalidades que não dá para se encaixar em caixinhas simplistas, sabe? Claro, com certeza. E sobre o Dumbledore, né, comecemos do começo. É claro, o jovem, jovem Dumbledore, né?

Enfim, o jovem Dumbledore, antes dele ser o jovem de fato Dumbledore, que cresceu em um lar complicado e logo na infância viu sua irmã Ariana ser atacada por três trouxas que a viram fazendo magia, o que deixou, enfim, depois desse ataque, ela toda traumatizada para o resto da vida. Depois desse ataque, né, como a gente aprende nos livros de Harry Potter, não tem nada no filme como sempre, enfim, mas não vou falar mal do filme agora. Está muito cedo ainda, enfim. Depois do ataque, o Percival, que é o pai dele, ele caçou e atacou esses três trouxas, que o colocou em Azkaban, onde ele morreu de velhice.

Isso foi um escândalo para a comunidade bruxa, fulvoqueira, que devia ser, claro. E a mãe dele, Iskandra, decidiu levar toda a família para Godric's Hollow, né? E foi aí que começou a dar tudo errado, na minha singela opinião, porque o Dumbledore virou amigo da Batilda Backshot, aquela estereadora que escreveu, enfim, todos os livros de história usados em Hogwarts. Mas além de escrever esses livros, ela era também a tia de Gallard barra Gerardo Grindelwald.

E a gente sabe que foi ali, em Godric's Hollow, que eles se conheceram, né? Mas a gente também sabe muito pouco sobre esse período. Apesar de a gente ter tudo isso, isso é muito pouco, no fim das contas. A gente não sabe exatamente como que se deu a relação ali, em Godric's Hollow, né?

Como que vocês acham que se deu a paixão, assim, entre os dois, assim, ou melhor, será que só o Dumbledore era apaixonado pelo Grindelwald e o Grindelwald não, enfim? O que que vocês acham sobre essa relação? Eu acho que, analisando a obra, depois que a gente ficou sabendo que o Dumbledore era gay, dá pra entender um pouco mais de homoafetividade ali na relação dos dois. Eu não sei se existia gente que já acreditava na homossexualidade do Dumbledore, mesmo sem a declaração da Rowling, né?

Mas eu vejo hoje que tá bem claro, assim, lá no livro, que o relacionamento deles não era só de amizade, né? Era uma amizade muito exagerada ou um relacionamento amoroso. Eu lembro de que quando eu fiquei sabendo, né, quando eu ouvia de Rowling falar que o Dumbledore era gay, automaticamente eu pensei, ah, beleza, então ele e o Grindelwald se pegaram. Tipo assim, foi meio agentivo, assim, depois que eu tive essa referência, eu já peguei nisso, assim, porque me parece que era uma relação a isso, muito próxima e muito intensa, né?

O Dumbledore tinha o quê? Os seus 18 anos? E, tipo, o Grindelwald perto disso? Parece muito, tipo assim, aqueles romances de verão, sabe, que tudo é muito intenso, e tudo é muito grande, de pouquinho tempo eles já estavam planejando altas coisas e altos planos, tá ligado?

Ah, que bonito. Eu sinto, então, que era um negócio, assim, bem intenso. Eu não sei a que nível o Grindelwald tinha ciência do que ele mesmo ia fazer, tipo, do quanto ele já tinha planejado na cabeça dele. Porque até ele se tornar o Grindelwald, né, esse bruxo das trevas e tudo o mais, tem um tempo ali, né?

Tipo, quando ele tá ali começando a ser uma grande ameaça e foi preso algumas vezes num sei quê, é uns 20 anos depois. Então, eu não sei até que ponto, sabe? Pode ser que tenha sido genuído no momento, né? Não sei que nível também o Grindelwald é psicopata ou não, sabe?

Talvez isso seja mal. Eu acho que aquela carta que tem, que a Rita consegue, e exclusivamente publica no livro dela, entre o Dumbledore e o Grindelwald, meio que dá a entender que o Grindelwald, ele já era meio fascistinha e que tinha algumas coisas que o Dumbledore não concordava. Porque lá na carta, eles estão meio que deixando claro, assim, qual é o limite que a gente vai chegar. O que pra mim dá a entender que o Dumbledore não concordava 100%, mas como ele tava lá apaixonado, ele queria mesmo assim, sabe?

É uma coisa muito interessante sobre isso, né? Eu tava conversando com uma amiga, uma amiga que inclusive já participou do Semanário dos Bruxos também, a Mariana Moreira, e a gente tava conversando que, enfim, o Dumbledore, ele apoiou o Grindelwald por acreditar nesse bem maior, né? E esse bem maior, enfim, a gente ficou com essa coisa do bem maior como uma coisa negativa, claro. Mas, assim, ele acreditava que alguns sacrifícios iam ser necessários pro que eles queriam fazer, mas no final das contas, eles alcançariam o bem maior, que era a comunidade bruxa viver sem se esconder e tudo mais, né?

E que eu acho que é uma coisa que deve de alguma maneira impactar ele também, porque enfim, ele viu o que é viver se escondendo, né? Por conta da irmã dele, que precisava se esconder e tudo mais, enfim. O Dumbledore achava que isso realmente parecia razoável, né? Afinal, enfim, os bruxos abriam mão de muitas coisas pelos trouxas, pelo Estatuto de Sigilo, né?

Mas o que o Dumbledore não percebeu no início é que esse caminho não tem limites e nem volta, né? Foi o que a própria Mariana me disse, assim, eu concordo com ela. Porque uma vez que você decide que os bruxos são melhores que os trouxas, o próximo degrau é dizer que os bruxos, por sangue, são melhores que os nascidos trouxas e mestiços. E o próximo degrau é hierarquizar os próprios bruxos, entre os mais capazes e os mais poderosos, enfim.

E onde a Ariana estaria nessa hierarquia, né? O próprio Grindelwald, na realidade, meio que trata ela como uma bruxinútil, assim, sabe? E aí eu acho que ele foi percebendo isso, né? Que isso era perigoso, que era uma ideologia muito perigosa, né?

Mas aí, como o Igor disse, estava apaixonadinho já, né? A gente também não tem muito acesso às conversas dos dois, né? Talvez isso mude agora com o Animais Fantásticos. Então a gente não tem como saber se o Grindelwald, ele mentia, né?

Se ele manipulava o Dumbledore, dizendo assim, não, calma, eu não estou querendo matar trouxas. Ou se era essa cegueira do amor mesmo, né? Também tem uma questão muito de admiração, sabe? Tipo, além da questão de dar paixão e tal, tem a admiração de que o Dumbledore se via meio que numa via, assim, saída ali, né?

Ele era um bruxo muito inteligente, se formou em Hogwarts, e tal. Só que aí ele tinha, ele ficou preso, né? A mãe dele morre, ele fica preso. Então, tipo assim, devia ser muito frustrante, ele devia ter muitos planos pra ele mesmo.

E aí ele se vê meio que virando um chefe de família, por assim dizer. Aí, tipo, nisso, eu acho que o Grindelwald é tipo, pai, é a única pessoa aqui que me entende, é a única pessoa com o mesmo nível intelectual que eu. Então ele começa a levar a opinião do Grindelwald muito em conta, né? Porque é a única pessoa ali com que ele se identifica.

O Elifazdod lá no obituário do Dumbledore, ele diz que na escola o Dumbledore era um dos alunos mais brilhantes, né? Que todo prêmio que tinha pra ganhar, o Dumbledore ganhou. Eu imagino que quando o Dumbledore conheceu o Grindelwald, viu que ele era também uma pessoa muito inteligente. Ou pelo menos sabia manipular muito bem a sua inteligência, né?

Que ele transpassava. Eu acho que ele ficou maravilhado mesmo, assim. Porque ele tinha essa amizade com o Elifazdod na escola, né? Mas aí quando ele virou amigo do Grindelwald, eles meio que se afastaram.

E eu acredito que seja mesmo uma questão de ter um sentimento de que finalmente eu encontrei a minha cara metade. Porque a vida do Dumbledore foi uma tragédia grega, né? Então se encontrar alguém que possa te completar de alguma forma deve ser bem reconfortante. E isso leva a gente a uma questão muito importante, né?

Sobre a abordagem da sexualidade do Dumbledore. Primeiro em Harry Potter, né? Vocês acham que a J.K. Rowling disse que o Dumbledore era gay por querer biscoito e Pink Man, e etc?

Ou vocês acham que enfim era outra questão? Como a gente já conversa bastante, né? Nós três já conversamos bastante sobre tudo isso. Pra gente é até meio repetitivo abordar isso.

Mas eu acho que é importante deixar bem claro marcado na gravação, né? No podcast. Acho que como a gente discute mais profundamente no episódio de fãs de Harry Potter seriam menos preconceituosos e tals. Era uma outra época, né?

Tipo assim, o conceito do queerbaiting, né? De você fazer algo parecer gay pra poder ganhar dinheiro. Do pick money, né? Que esse dinheiro gerado através dessas histórias queerbaiting.

Ou de você realmente só colocar alguém ali LGBT pra poder ganhar grana. Isso é um conceito, né? Tipo dessa década aí, a partir de 2010 e tals, mas pra frente. Na época que ela falou, foi muito assim, não foi gratuito, né?

Teve duas ocasiões, né? Uma em que um fã perguntou. E outra em que o Steve Clovis queria colocar em Enigma do Príncipe o Dumbledore falando de uma namorada que ele teve. E ela vira e fala, não, ele é gay, kkk.

Então é isso. Como ela sabe das 20 famílias originais de Puro Sangue. Como ela sabe de várias coisas, várias histórias. Como ela deu o background de muito personagem depois que Harry Potter acabou.

Sabe, é coisa que ela tem na cabeça dela, entendeu? E aí ela falou. Mas não acho que era com esse intuito, não era um conceito que existia na época. Ela não tinha nada a ganhar, né?

Ela tinha muito mais a perder em 2007 falando sobre isso. Ela tinha muito a perder revelando isso. E talvez isso seja até o porquê de não estar, entre aspas, explícito no texto, sabe? O fato de talvez a editora ter falado alguma coisa.

Ou dela ter medo de isso enfurecer ainda mais os fundamentalistas e tal. Eu acho que naquele ano ela não estava falando isso pra biscoito. Porque biscoitos não existiam ainda. Exatamente, assim.

Mas eu acho que na obra é que o Dumbledore é uma pessoa excêntrica, né? Independente da sexualidade dele, assim. Ele é uma pessoa excêntrica. E eu acho que tem também uma questão de que ele é, tipo, muito velho.

E a gente não sexualiza idosos, tá ligado? É, o que poderia até ser um problema no sentido de que a idosa não pode viver nada. Mas o ponto também é que o próprio Dumbledore, segundo a J.K. Rowling, o que faz muito sentido na minha cabeça.

E já começa a fazer mais sentido ainda, conforme eu vou assistir no Animais Fantásticos. Ele quase que viveu uma vida de celibato, né? Depois que ele teve todo esse rolê com o Grindelwald. E ele meio que, tipo, não confiava nele próprio no que diz respeito ao amor, né?

Na onde ele poderia chegar, o que ele poderia chegar a fazer por conta do amor, né? Eu acho algo triste e mostra como a relação dele com o Grindelwald foi impactante, né? Depois que a irmã dele morre, porque ele teve um embate ali com o Grindelwald. E com o irmão dele, o Aperforfer, a irmã dele morre.

E aí o Grindelwald vai embora, etc. E não confia mais nele mesmo. Eu, apaixonado por alguém, eu não posso confiar nas minhas ações. Então, não vou me envolver com ninguém.

Tipo, é muito radical, né? Assim como sempre, a tal da terapia seria bem importante. Mas também é bem triste, né? Que ele realmente nunca mais teve uma ligação com ninguém, por não confiar em si mesmo.

Aí ele estende essa falta de confiança nele mesmo. Não só o fato dele se apaixonar, né? Mas também o fato dele ter o mínimo de poder em mãos, né? Ele nunca quis ser ministro, ele nunca quis nada além da posição de diretor dele da escola.

Porque ele tinha muito medo do que ele era capaz, né? Aí a gente vai discutir um pouco mais por frente sobre essa questão da relação dele de poder. Mas é uma coisa muito complicada pra ele, né? Mas ainda nessa questão da sexualidade, a gente tem Animais Fantásticos, né?

A gente tem dois filmes de cinco que têm sido alvo de críticas, né? Porque muita gente acha que, enfim, que já tinha que estar explícito a essa altura que ele é gay e tudo mais. Eu acho importante, né? O Igor, quando a gente estava escrevendo essa pauta, o Igor trouxe um ponto interessante que é no DVD Bônus de Os Crimes de Grindelwald, né?

Dentro de um especial que chama Distintamente Dumbledore. Que inclusive eu acho esse nome péssimo. Talvez em inglês ele fizesse sentido, mas traduziram literalmente. Aí ficou Distintamente Dumbledore.

A J.K. Rowling diz, abre aspas, gay, hétero, ou qualquer rótulo que coloquemos nele. E aí, enfim, essa declaração dela aqui, assim, a meu ver, ela deixa um pouco claro que, assim, se for pra ter alguma coisa, tipo, sei lá, um beijo, alguma coisa, vai ser flashback. Óbvio, até porque nessa época eles já não se trombavam mais, né?

Mas ainda assim, realmente é uma coisa um pouco, fica até difícil de entender meio que, realmente, o que a gente pode esperar ou não, né? Ah, mas eu não acho que ela tá falando que não vai ter, não. Eu acho que ela tá querendo dizer que ela não tá interessada no lado sexual no sentido de putaria, sabe? Acho que ela tá interessada no lado do relacionamento, que são as complexidades de um relacionamento amoroso, sabe?

Exato, tipo, ah, eles transavam? Transavam, ok. Mas o ponto principal é que o Dumbledore era apaixonado pelo Grindelwald e acreditava que o Grindelwald era apaixonado por ele. Se o Grindelwald era ou não, é outra questão.

Que, no caso, a gente não tem resposta ainda. É, exatamente. Mas, enfim, com essa declaração em mente, vocês acreditam que haverá espaço pra explicitar a sexualidade dele nos próximos filmes? Eu imagino que sim.

Eu não sei exatamente como, mas eu imagino que sim. Tem que ter. Não tem desculpa, gente. Tem que ter.

É a base, a complexidade do relacionamento deles vem por isso. De eles terem essa relação muito intensa, esse relacionamento amoroso muito curto, mas muito importante, não sei o quê. O Dumbledore confiar muito nele e tals, e de terminar numa tragédia e depois eles só vão se ver de novo quando eles vão se enfrentar. Que o Dumbledore vence e tals.

Inclusive, enfim, no meio de tudo eles fizeram um pacto de sangue. Seja algo que signifique isso, mas por enquanto significa que eles não podem enfrentar um ao outro. Pô, é muito importante. Eu acho, inclusive, eu não sei vocês, gente, mas eu não fico tocando a mãozinha assim com um amigo meu.

Então acho que ali já tá implícito e será mostrado mais. É impossível contar a história de Dumbledore sem mencionar isso. Eu acho que se ficar na entrelinha como fica nos livros, vai ficar faltando um pedaço pro público. E eu acho que não há a menor necessidade de deixar nas entrelinhas, porque o público sabe já.

A coisa que todo mundo sabe, o público geral, mesmo quem não lê os livros sabe que o Dumbledore é gay. O maior conhecimento comum de Harry Potter, eu acho. Então não tem nem porquê querer fugir disso, eu acho. E é isso, velho.

Uma vez escolhendo, né, a gente falando, ai, de blockbuster e de estúdio, tipo assim, essa seria a primeira vez que num blockbuster teria um personagem principal, né, não protagonista, mas um dos principais, não só sendo gay, mas explicitamente gay. Então assim, é um passo bem grande dentro da indústria. Se você não está disposto a fazer, então não começa a contar a história. Uma vez que começou…

Vamos lá voltar um pouco antes, voltar um pouco pra infância dele. Também Godric's Hollow, né, a Kendra, que é a mãe dos Dumbledore, ela escondeu a Ariana dos vizinhos, né, que também deviam ser fofoqueiras pra um caralho, como os da vizinhança anterior, da qual ela estava fugindo, né, por medo de que a Ariana contasse sobre a situação, né, algo que fazia os Dumbledore ter medo de que o Ministério da Magia internasse nos Samungos, né, com medo de que ela revelasse essa identidade bruxa pros trouxas e tudo mais, já que ela teve até um incidente anterior. E isso deve ter um impacto muito grande em como o Dumbledore passou a lidar com as pessoas ao redor dele, né, gente. No sentido de que, assim, a gente naturalmente age de maneira muito parecida com os nossos pais, com as mães, enfim, irmãos, com a nossa família, né.

E ele cresceu numa família onde ele era meio que, de alguma maneira, incentivado a não explicitar muita coisa pra ninguém, né, enfim. Também isso me traz uma questão, né, a Ariana tinha que viver escondida. E aí o Grindelwald devia chegar e falar pra ele, assim, nossa, você não vê que a sua própria irmã tem que viver escondida? Sabe?

Não sei. Muitas questões. O Aberforth fala, inclusive, que o Grindelwald não gostava do fato da Ariana estar lá, né, e ele piorava a doença, entre aspas, dela. O irmão do Dumbledore, né, não gostava muito de ver o Alvo com o Grindelwald, né.

Imagino que ele não curtia porque, na cabeça dele, né, o Alvo acabava negligenciando a Ariana, né. Mas, enfim, na cabeça dele, afinal de contas, o plano do Dumbledore era levar a Ariana junto com eles, né, com o Grindelwald debaixo de uma capa de invisibilidade, né. Olha que coisa tão, enfim… Foi então que num dia trágico, os três, né, o Grindelwald, o Dumbledore e o Aberforth, começaram a discutir num duelo violentíssimo e uma audição que sabe-se de lá, de onde veio, da varinha de quem matou a Ariana, muito pesado.

De que maneira vocês acreditam que esses problemas com a Ariana, todos, né, mas acho que especialmente a morte, impactaram a vida do Dumbledore pós-infância, gente? Pega muito de certas coisas que a gente discutiu, né. A questão do celibato, a questão dele se afastar de coisas de poder, eu acho que ali ele chegou num limite. Eu acho que só uma situação dessa, talvez, que levaria ele a perceber aqui, pera, acho que talvez esse daqui não seja o caminho.

Porque ele é um peso que ele leva pelo resto da vida dele, gente. Ele fica, com certeza, ao que ele vê no Spirit of the Dead, ele, pô, sabe que o Anel dos Grounds, lá em Enigma, é um horcrux, e ainda assim, ele usa, porque é a Pedra da Resurreição, ele quer ver a Ariana, e quer pedir perdão, ele fica implorando, né, perdão pra ela, quando ele tá ali tomando a água da caverna, né, no horcrux. Então, tipo assim, é um peso que ele carrega pelo resto da vida dele. Nunca vai embora.

Um fardo muito grande. Sim, mas eu acho que o choque que ele teve quando ele viu a irmã dele morta ali, e o Grindelwald fugindo, é o que faz ele se apegar a esse medo que ele tem dele mesmo. Eu acho que isso é muito, muito importante pra o desenvolvimento dele como pessoa na vida, e como personagem na obra. E, véi, não saber de onde veio o feitiço, né?

Posso não ter matado, mas eu posso ter. Mas é difícil, e eu acho que a questão do Aberforth, eu acho que… Enfim, ele não tem uma boa relação com o Dumbledore, tipo, nunca, né? A gente nem sabe que ele tem um irmão.

E também, nossa, o cara tem, tipo, um bar, nem Hogsmeade. É, em Relíquias a gente vê que ele é bem rancoroso, né, com o Dumbledore, ele tem muitas mágoas. Enfim, é isso, né? O Dumbledore é desse cara muito inteligente, ganhava vários prêmios, que devia, né?

Eu imagino que os pais… Pais sempre fazem isso, né? Tinha muito orgulho de falar, meu Deus, mas olha o seu irmão, sabe assim? E, aparentemente, o Aberforth não era do que a gente sabe, e não era no nível do Dumbledore, né?

Não quero dizer que ele não era inteligente ou que coisa assim, mas ele não era nesse nível. Viver as sombras do Alvo deve ser difícil. Sim, mas eu nem sei se é uma questão de inveja, mas eu acho que é no sentido de tipo, assim, O Alvo se sentia superior à situação que ele tava vivendo, né? Ah, eu tenho que ficar em casa pra cuidar do meu irmão e da minha irmã, porque meus pais não estão aqui, sendo que eu sou um gênio.

Ele se sentia superior à sua situação, achava que ele merecia muito mais que ele tava vivendo aquilo. E eu acho que o Aberforth ficava puto com isso, meio tipo assim, sabe, a gente é sua família, então eu acho que o Aberforth ficava bravo mesmo, tipo, cara, a gente é sua família, entendeu? E aí você achar que é uma perda de tempo estar com a tua família, Acho que ele não aceitava isso muito bem. Na conversa que ele tem com o Harry no final do livro, ele fala que a Ariana gostava muito dele, então pra ele também deve ter sido um momento muito complicado, a morte dela.

É isso, depois disso ele falou de… Nossa, não teve mais contato com Dumbledore direito, sabe? Tipo, não tem pra quê, assim, depois dessa situação. É, tem um buraco aí, né, na narrativa, a gente não sabe muito bem o que aconteceu entre a morte da Ariana e o Harry chegar em Hogwarts, mas a gente vai descobrir, graças a Deus.

Exatamente, né, isso que eu ia perguntar, assim, né, que a parte da sexualidade que a gente já discutiu no início do episódio, o que vocês acham que Animais Fantásticos está trazendo, e claro, vai trazer ainda, pra que a gente possa entender melhor, né, a vida, as motivações e os caôs do Dumbledore, né? Esse período que Animais Fantásticos está cobrindo, né, que é um período pré-Harry Potter, pré-Voldemort, é essencial pra gente compreender a jornada dele. Eu não sei se essencial, porque eu acho que a gente já sabe de várias questões que é o suficiente pra gente estar aqui fazendo episódio. Acho que a gente já consegue desenhar bem quem ele é, enquanto personagem, enquanto pessoa.

E até Animais Fantásticos a gente já vê uns paralelos de, tipo assim, ele era assim e ele é assim, né, tipo, esse rolê de, no fim das contas, o Harry tinha que morrer por Voldemort ser derrotado, e ele não conta pro Harry, usa o menino. E aí, ele faz basicamente a mesma coisa com o Newt, né? O Newt, obviamente, é um adulto, né, tá mais ciente das coisas, mas ainda assim, ele se utiliza de uma pessoa, tipo, o Newt não tá ciente do tamanho da treta que ele tem com o Grindelwald, tá ligado? E ele envolve o cara mesmo assim.

É a coleção de porcos do algo. Mas então, eu acho que a gente já tem um desenho suficiente pra entender mais ou menos quem ele é, entendeu? Ou melhor, pra entender bem quem ele é. Não, mas eu concordo super com a Marina, eu acho que tá suficiente, assim, eu acho que não é essencial.

O que a gente não sabe não pode ser essencial, porque se não tá no livro, não tem como ser essencial. Eu acho que talvez o que a Rowling tá aproveitando é o fato de que os filmes excluíram isso, os filmes de Harry Potter. Ela tá aproveitando pra recontar um pouco algumas coisas do livro pra esse público do filme. E aí eu acho que ela vai aproveitar pra colocar mais algum tipo de problemática no meio, que nem esse negócio do pacto de sangue que ela criou aí e talvez alguma outra narrativa.

Mas eu também espero que ela dê uma explorada nessas coisas assim, de tipo, por que o Dumbledore e o Grindelwald queriam levar a Ariana junto? Por que não deixar ela com a B-Ford? Será que o Grindelwald sempre esteve querendo um Obscurus pra si, caso esse for o caso? É que tem uma cena do Crimes de Grindelwald que o imbecil do David Yates cortou, que o Dumbledore conta pro Newt que o Grindelwald há muito tempo teve uma visão de que um Obscurus ajudava o Dumbledore a derrotar o Grindelwald.

Então acho que seria interessante saber se essa visão vem dessa época, se a Ariana tá envolvida com essa história. Mas isso traz pra gente um ponto importante sobre essa questão de usar de certa maneira as outras pessoas, né? Que um dos ápsis, a gente pode dizer que a carreira do Dumbledore enquanto professor, um dos ápsis dela, para o bem ou para o mal, foi ter descoberto, resgatado e criado a cobrinha do Tom Riddle, né, gente? Que depois se tornou, enfim, o maior bruxo das trevas de todos os tempos.

Poxa, Dumbledore. Isso mostra como ele parece ter uma certa feição por bruxos das trevas, mas na realidade não é uma feição pela magia das trevas, né? Ele tem uma feição muito grande pelo poder. Sim, ele atrás ali do Tom Riddle, ele tá fazendo um pouco do papel dele ali na época, ele não era diretor, né?

Ele era professor de transfiguração, tá bom, gente? Então assim, ele foi lá com o papel dele ali pra falar com o menino, pra explicar quem ele era, convidaria pra ir pra Hogwarts e tudo mais. Pouco que o Hagrid faz com o Harry, né? Então assim, nesse momento ele tá fazendo o papel dele e aí ele vê que o menino tem um potencial.

Eu acho que ele fica interessado nisso, pelo menos nesse primeiro momento enquanto professor. Tipo assim, nossa, realmente parece aqui que a gente tem uma joia a ser lapidada, então bora lá. Eu acho que o Dumbledore foi enganado pelo Tom Riddle, assim como todo mundo. As pessoas não viam essa maldade no cara, né?

Tipo o Slughorn, por exemplo, também foi enganado até de uma forma pior, né? Por causa do horário dos horcruxes e tals. As pessoas elas não veem o que elas não querem ver. E ninguém procurava maldade nesse menino, sabe?

Isso era, ai meu Deus, muito educado, muito inteligente, sabe? Tem um grande futuro, etc. Mas eu acho que também ao mesmo tempo que quando o Dumbledore começa, se ele percebe algumas coisas, ele não poda aquilo. A mesma forma que ele não poda o Harry, gente.

O Harry vai lá e vai o rolê até da pedra filosofal, o rolê da câmera secreta. Tipo assim, beleza, no fim das contas deu tudo certo, ele salvou, foi bem, mas assim, não quer dizer que ele não quebrou 30 mil regras e que ele não fez, sabe, coisas erradas. Só que ai o Dumbledore, em vez de repreender, ele elogia, né? Ele premia.

Então, que tipo de mensagem isso passa? Eu acho interessante pensar que, assim, ele foi enganado, claro, como todo mundo, mas ele parece que sempre é enganado por pessoas muito poderosas, né? Tipo enganado pelo Grindelwald, depois enganado pelo mini Tom Riddle que virou o Voldemort. Sempre ali com essa questão de uma pessoa muito poderosa que interessa ele e as vezes ele acaba caindo em silados por conta disso, né?

Ele é muito atraído pelo poder, assim. Gente, mas ele foi enganado pelo Tom Riddle. Eu sempre tive a impressão de que ele sempre foi desconfiado do Tom. Nossa, eu não.

Lembra no texto da Minerva? Eu acho que tem uma parte que fala que ele confidenciava com ela as preocupações dele sobre o Tom Riddle na época que ele tava na escola. Eu não sei se ele foi totalmente enganado, não. Eu acho que sim, com certeza.

Quando ele tá lá no orfanato e ele sabe que o Tom Riddle foi lá e escondeu coisa de amiguinho. Amiguinho, né? Tentou matar os outros. Exato.

Ele sabe que ali, esse é um negócio suspeito. Eu acho que ele só pensa, tipo, beleza, é uma pessoa que a gente pode guiar e fica tudo bem. Mas também é meio isso, assim. Ele pode ter as desconfianças e angústias dele, mas ele não faz nada, de fato.

É que eu não sei, sim, se seria muita responsabilidade do Dunlur, sabe? Ele era só mais um professor. Mas existe esse nível de quem é responsável, quem não é responsável quando a gente tá lidando com uma pessoa, um potencial bruxo das trevas, cara? Eu acho que, tipo, velho, se você sabe, você faz algo sobre isso.

E outra, você poderia tentar alertar outros professores, você poderia tentar levar isso ao diretor da casa, ao diretor da escola, enfim. É que a gente não sabe se defide isso ou não, mas eu imagino, tenho pra mim que não. Então, mas é porque por isso que eu digo que ele foi enganado, que não é que ele não tinha suspeitas dele, mas eu acho que se ele entendesse aquilo como uma ameaça real, ele teria feito algo, entendeu? E ele não fez.

Só ficou na suspeita. Mas eu acho que é isso, assim, de alguma maneira. Eu volto a dizer que, enfim, ele tá sempre muito relacionado com o poder e isso já fez ele sair muito mal, assim, né? A própria questão da varinha das varinhas, enfim, sempre foi, de alguma maneira, uma ambição e o Harry conseguindo ela por um puro acaso, né?

É realmente assim, eu acho que ele tinha uma relação complicada, né, com o poder, até o ponto de, enfim, acabar vivendo em celibato, porque não confiava em si mesmo, enfim. Parece que tudo permeia muito essa questão do poder, assim, pra ele. Eu acho que outra questão que tem a ver com o poder é que, como ele tava ali preso na escola e o único poder que ele tinha mesmo era esse, assim, de cuidar das crianças, talvez ele tenha se saído, assim, passado um pouco do limite, sabe? Ah, eu vou criar aqui o menino Lupin.

Ah, eu vou criar aqui o menino Tom. Vou criar aqui o menino Harry. É o jeito que ele tá tendo pra usar esse poder dele, que ele não tem outro lugar pra usar, talvez. Não, é exatamente isso.

Se a gente for analisar o Dumbledore enquanto diretor, né, ele era o diretor que deixava os alunos se matar, enfim, que contratava os professores meio bosta. A gente tem um episódio só sobre Hogwarts, né, Hogwarts é uma história em que a gente discute mais a fundo todos os pontos negativos e positivos da escola e, consequentemente, do Dumbledore. Mas, em linhas gerais, enfim, o Dumbledore enquanto diretor tem umas atitudes no mínimo questionáveis, né? É, eu acho que sim.

Eu não acho que é mal intencionado. Eu não acho que ele é intencionalmente negligente, mas ele é negligente. Essa questão, realmente, dos professores, sem comprovar as habilidades dele. Se ele tivesse feito um teste com o Gilderoy Lockhart, ele teria percebido que o cara era um bosta.

Mas nesse quesito eu passo pano. Vou passar meu pano, porque na Câmara Secreta, já, o Hagrid fala assim, nossa, o Dumbledore tem muita dificuldade de arranjar professores defesa com o Lars Dastré. Ah, não, com certeza. Mas eu acho que é uma escolha ruim.

Tipo, você pedagogicamente, você está contratando uma pessoa para ensinar e o cara não sabe o que ele está fazendo, entendeu? Então, isso é complicado assim. Mas é que é isso. Eu não acho que é proposital.

E eu acho que é isso. Eu acho que ele passa a mão na cabeça do Harry, do Tom também. Eu acho que ele está focado no rolê dele. Porque é isso.

Ele sabe que o Harry é uma peça muito importante para derrotar o Voldemort. E ele sabe que o Voldemort não morreu, né? Ele não tem completa noção do Queer Crux, mas ele entende o que é, né, mais ou menos. Ele já pegou o conceito.

Ele entende que se ele ficar repreendendo o Harry, ele vai afastar o menino. Então, ele prefere deixar ele mais próximo. Mas isso é isso. Tipo, você favorecer um aluno em detrimento dos outros é um negócio meio esquisito, assim.

Tem um certo ponto que ele está focado, realmente, nessa história, que é muito importante, obviamente, ao futuro do mundo bruxo. Mas enquanto diretor, uma pessoa que comanda uma escola, não parece uma grande preocupação da vida dele, sabe? Tipo, é o trabalho dele, mas ele não está muito… Nossa, sabe?

Uhum. Eu acho que a negligência e o fato das coisas parecerem tudo uma bagunça enorme no mundo bruxo é uma questão de estrutura mesmo, sabe? Eu li uma vez um artigo sobre a educação no Reino Unido nos anos 70, que coincide com a época em que a Rowling estudou, né? E falava muito sobre isso, sobre negligência, sobre como os alunos eram deixados, assim, à própria sorte e tal.

E eu cheguei até a enxergar alguns paralelos entre Hogwarts e o sistema público do Reino Unido de educação. Então talvez seja uma crítica até que a gente não seja capaz de pegar por causa da nossa vivência, né? E ao passo que há muitas críticas a serem feitas à gestão dele, né, gente? Há também que se reconhecer que ele deu espaço para muitas coisas que talvez na mão de outros diretores não tivesse chance nenhuma de acontecer, né?

É o caso, por exemplo, do Lupin estar em Hogwarts. Um bruxo excelente, muito importante para a jornada do próprio Harry, que não fosse o Dumbledore ter adaptado a Casa dos Gritos para que ele pudesse se transformar em uma bisoma e etc. Ele provavelmente nunca teria ido para Hogwarts. Então no saldo geral…

No saldo geral que nota vocês dão, assim, para a gestão Dumbledore, gente, de Hogwarts. Preciso dizer, porque isso, por exemplo, que ele faz pelo Lupin é muito legal, entendeu? Nenhuma outra pessoa antes teve essa preocupação de adaptar um espaço para que um aluno possa estudar, a dar esse acesso à educação, tá ligado? Tipo, isso é muito legal.

Agora, em questão de administração pedagógica, eu acho que tá faltando um pouco. Eu daria nota 10. Tiraria o meu chapéu pro Dumbledore. Só que eu acho que a negligência tira aí uns três pontinhos, então vai ficar com 7.

O professor diretor Dumbledore. É, eu daria 7 de 10 também. Eu vou dar 6 de 10, gente. E por fim, né, a gente precisa falar para encerrar nossa discussão sobre o Dumbledore bom velhinho, né, gente?

O Dumbledore é esse personagem ao qual a gente é, desde o início, incentivado a gostar, por ser a perfecionificação do exemplo de coragem, de bravura, que homem, né? Mas aos poucos, suas falhas vão sendo reveladas ao Harry e a nós, leitores, consequentemente, né? E tudo muda, né? Ou vocês continuam sendo cadelinhas do Dumbledore, mesmo depois de tudo.

É, perfeita e não é, né? Eu acho que esse é o ponto, sabe? Eu acho que o que a Rowling quis fazer aí, tanto no Dumbledore, quanto no Snape, quanto em vários personagens que têm a moral cinza, ela conseguiu, sabe? Que é fazer a gente não conseguir chegar numa conclusão preto no branco mesmo.

Pra mim, pesa mais pro bom. Se eu vou falar superficialmente, eu falo, não gosto do Dumbledore. Mas se eu parar pra discutir, fica mais complicado, né? Como eu falei lá no início do episódio.

Porque a gente descobre ali no final de Relíquias de que ele sabe que o Harry é um Crux, que, portanto, ele vai ter que morrer para que o voo da morte… Pelo bem maior. É, exato, pelo bem maior, exato. Eu acho que pro Dumbledore, os fins justificam os meios, entendeu?

Obviamente, existe uma linha pra isso. Ele não vai fazer nada muito extremo, não é no nível, tipo, vou assassinar pessoas, não é nisso. Metade do universo, né? Não é o Thanos do rolê.

Exato. Mas eu acho que ele sacrifica outros, o bem-estar ou qualquer coisa assim, porque ele sabe que no fim vai resultar em algo. Então, por exemplo, eu acho que o Harry, né? Na infância dele, com os Dursley, pela ligação de sangue com a Lillian, né?

Porque ela morreu pra salvar ele e tals, ele tá mais seguro nos Dursley. Só que, assim, o que esse menino sofre nessa casa, né? E o Dumbledore sabe, porque ele tem a Senhora Fig que tá ali reportando pra ele e tals. Então, assim, ele sabe disso.

O Voldemort não tava de volta ainda, sabe? Talvez não valeria o esforço de colocar o Harry com alguma outra família, com alguma, sei lá, não sei, arranjar alguma alternativa e deixar ele bem protegido. Mas eu acho que ele pensa, não, eu tenho certeza que ele vai estar seguro nesse local, então, ele vai ficar aqui, porque ele é muito importante pra riscar. Eu entendo esse ponto dele.

Mas, ao mesmo tempo, eu também fico, tipo, poxa, mas olha, tô usando de trauma na vida do Harry por causa disso. Porque, no fim das contas, foi decisão do Dumbledore colocar ele na casa dos Dursley. Ele consegue ser bastante frio, a questão é essa, né? É, não foi a justiça que falou o Harry vai ficar com a família mais próxima.

Foi o Dumbledore. Então, por isso que eu digo que pra ele, os fins justificam os meios. Tipo, não é que ele não tá indo, nossa, mas ele faz algumas coisas duvidosas. Essa questão, então, por exemplo, do Harry só descobrir no final que ele tem que morrer me soa muito manipulador.

Eu ia ficar puto, gente. Ah, mas o Harry fica puto, então tá… Não, ele fica, fica. Poxa, eles passaram o Enigma do Príncipe todo fazendo milhares de reuniões e falando de várias coisas, entendeu?

Não é que não seria pesado pro Harry, seria, mas, gente, o Harry é a pessoa mais nobre do universo, cara, assim, realmente altruísta. Ele não quis arriscar o Harry saber fugir. Ele preferiu guardar a informação até o último minuto pra falar na hora que, meu, é tudo ou nada, beleza, vou morrer. É, eu não concordo que ele tava com medo do Harry fugir.

Porque eu acho que, tipo, ele contar pro Harry antes podia ser um risco, ou do Harry fugir, ou do Harry ficar desmotivado e não fazer nada, entendeu, assim? Na cabeça dele podia ser. Eu acho que é um risco, porque qual que é o outro motivo de você não contar antes pro menino? Porque você escroto apenas?

Não tem qual. Eu acho que ele não contou antes, porque… Inclusive, ele deixa isso claro lá nas memórias do Snape, que ele queria que ele soubesse das horcruxes todas e que já tivesse destruído pelo menos sete das oito, sabe? Que ele não sabia que eram oito, mas eram seis, né?

Mas cabe ao Dumbledore decidir isso sobre a vida de outra pessoa? Exato. Entendeu? Quando tem a ver com a pessoa se matar.

Essa aqui é a questão, entendeu? Tipo, assim, ele tem muitas informações, eles têm muito meios. Mas é que ele não tinha certeza. Não, tá.

Mas o ponto é que, tipo, não acho que cabia a ele decidir isso. Ele não joga as claras, entendeu? Isso me incomoda. Ele não sabia o que ia acontecer.

Eu acho que ele imaginava que o pior poderia acontecer, que era o caso do Harry ter que se sacrificar para o Voldemort poder morrer, porque essa é uma das possíveis interpretações lá da profecia. O que ele não pensou e que foi o que aconteceu é que a interpretação da profecia foi que enquanto o Voldemort estava vivo, o Harry não poderia ser morto. Então eu acho que foi uma boa jogada ele não contar porque ele não bateu o martelo, assim, sabe? Tipo, o Harry, você vai ter que morrer para ele morrer.

Eu acho que é interessante o Harry ter descoberto isso sozinho. Pera, na verdade, é os dois, né? Não é só enquanto o Harry esteve vivo, o Voldemort não pode morrer, mas o Voldemort não pode morrer também enquanto o Harry estiver vivo, é os dois, né? A profecia fala uma coisa muito estranha, que é…

Enquanto um viver, o outro não poderá sobreviver. É que também é tipo assim, como se as outras interpretações, né? Tipo, o Harry não dá para ter uma vida normal se o Voldemort não estiver morto, né? Essas questões assim.

Mas a questão para mim é isso, tipo, eu não acho que estava no poder dele fazer isso, entendeu? Eu acho que é questionável, sim. Mas é que é isso, é muito uma questão de opinião, de interpretação, sabe? Eu acho que…

Porque sei lá, né? São várias variáveis, assim, tipo… Se o Harry não encontrar seu Snape quando o Snape morreu para dar as memórias, e aí? Ah, mas aí era o problema do Snape, né?

Que o Dumbledore já tinha morrido, ele tinha deixado o Snape nessa função. É tudo muito ali, deu certo, porque aparentemente tinha Merlin, assim, lá em cima, mexendo os pauzinhos, que se não… É meio difícil, né, essa separação? Mas tipo assim, acho que narrativamente construído é muito interessante, entendeu?

Mas se a gente vai julgar o Dumbledore enquanto pessoa, kkk. Porque assim, né, o Dumbledore, ele é o arquétipo do mentor, né? Que tem na jornada do herói e tal. Ele é essa figura desde o início, pro Harry.

Ele sempre é o sábio, é sempre a pessoa que sabe mais e que é um guia. Tem um pouco de quebra aí, senhor, da Fênix, que é bem frustrante pro Harry e pro leitor, né? Que o Dumbledore está afastado, porque ele não quer envolver o Harry nascido com o Ministério. Ao mesmo tempo, o Harry pode ser uma porta de caminho pro Voldemort, quando já começa e tal.

Enfim, então ele tem esse papel de mentor. E eu acho que a construção que é feita dele, que é muito legal, é que dá pra mostrar que é isso. Ele nem sempre soube de tudo. Ele já fez muita merda na vida dele.

E ele nem sempre necessariamente tá certo. Então, isso eu acho uma construção muito legal. Mas enquanto julgar ele enquanto pessoa, eu não acho que é uma atitude legal, principalmente o Harry que teve uma vida, né, tipo perdeu tanto e se sacrificou tanto e teve anos de bosta na casa dos tios e depois, em Hogwarts constantemente sofrendo perigo e aí não saber disso, sabe, que eu acho que é tão importante. É isso que quando eu paro pra pensar que eu entro nesse conflito, entendeu?

Ele manipulou o Harry o tempo todo? Não, tudo isso importa, vendo que tudo deu certo. De que é isso, eu não consigo gostar do Dumbledore, achar nosso cara maneiro. Mas, né, tipo, ele é o mentor, ele é o arquétipo do mentor, entendeu?

Tipo assim, ele é extremamente necessário. Ele é uma pessoa com atitudes complicated. A gente pode, eu acho que o interessante é justamente a gente discutir, né, sobre as escolhas dele. E por isso ele se torna um personagem tão interessante, assim como o Snape e os personagens complexos, que é justamente a gente poder conversar sobre.

Mas pra mim, o Dumbledore, ele acaba com esse saldo positivo porque o Harry o perdoa. Então ele defender o Dumbledore e o perdoar e colocar o nome, etcétera, pro filho dele e tal, ele com certeza tenta, isso guia um pouco mais o leitor, pra ter uma visão positiva do Dumbledore assim como do Snape, né? Só que eu acho que o do Snape é muito mais difícil, eu acho que ele tem situações muito mais complicadas do que o Dumbledore no sentido de coisas ruins que ele fez, né? Apesar de o Dumbledore também não sair leso.

Porque a gente passa sete livros odiando o Snape, né? O Dumbledore é só um. É, então eu acho que tem isso. Mas é uma coisa que eu não vejo tanto.

Tipo, eu vejo muita gente na internet odiando o Snape, mas eu não vejo muita gente odiando o Dumbledore. E eu não tô falando que é pra você sair do episódio odiando o Dumbledore, não é isso. Mas acho que é legal pensar um pouquinho assim. Questiona de forma inteligente, gente.

Façam leituras profundas. Não se satisfaçam com frases e slogans. Dumbledore era manipulador, kkk, RT. Não, vamos conversar.

A graça é a conversa. E é exatamente isso, né, gente? Se vocês quiserem continuar essa discussão com a gente, estamos disponíveis, não é mesmo, gente? Quais são suas redes sociais, Igor?

Twitter, eu sou o Igor Zetes, mas eu dei uma sumida de lá, porque é tóxico, odeio o Twitter, pior lugar do mundo. Também sou o Igor Zetes em todas as outras redes sociais, mas sigam o meu podcast, a Casa Elefante, e o site Animados. Casa Elefante tem episódio todo domingo às 8 horas da noite sobre um capítulo de Harry Potter. A gente tá leindo em ordem, a gente já está em cálice de fogo.

Então corre lá ouvir a gente. E as suas, Marina? São todas Marina Anderi. Marina A-N-D-R-I.

É isso. E as minhas são I.M. e Pedro Martins. Também estou disponível em todas as redes sociais.

E tem também, é claro, as redes sociais do Animagus e do Poteiriche. Igor, quais são as redes do Animagus? Do Animagus, no Twitter e Facebook é a site Animagus. No YouTube, no Instagram é a Animagus Brasil.

E da Casa Elefante é a Casa Elefante em todos os lugares. E fala as do Ixe aí, Marina. No Instagram é a Arroba Poteiriche Oficial e no TikTok, Twitter e Facebook, Arroba Poteiriche. E aí, claro, para as notícias do mundo bruxo, artigos, listas, quiz, poteiriche.com.

Gente, obrigado pela companhia. Espero que vocês tenham gostado e até a semana que vem, terça-feira, em todas as plataformas de streaming. Beijos. Beijo.

Beijo.

Ouça em