#4: Por que nos dedicamos tanto a Harry Potter?, com Thiego Novais
Mais de 20 anos após o lançamento de Harry Potter, fã-clubes, canais de YouTube e fã-sites como o Potterish continuam tão ativos como sempre. Afinal, muita coisa mudou, mas a magia não acabou! Os apresentadores do Semanário dos Bruxos, Pedro Martins e Marina Anderi, recebem Thiego Novais, do canal Observatório Potter, para relembrar suas jornadas no fandom e revisitar velhas tretas, além de discutir o presente e tentar prever o futuro dos fãs do Mundo Bruxo na internet.
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Sejam bem-vindos ao Semanário dos Bruxos, o podcast do Potteriche. Eu sou o Pedro Martins, editor-chefe do site. Eu sou a Marina Anderi, gerente de marketing. E hoje a gente está aqui para falar justamente sobre o nosso trabalho, sobre o que leva a gente a produzir conteúdo para o Potteriche, como que funciona o nosso trabalho, como vocês podem até fazer parte do nosso trabalho junto também, porque a gente trabalha de maneira voluntária.
Também a gente quer falar, fazer um resgate histórico, de como que começou a produção de conteúdo de fãs na internet, o quanto isso é importante. E para isso a gente recebe, neste episódio, o Tiego Novas, do canal Observatório Potter. Fala, galerinha. Então a primeira coisa que eu queria saber, e eu acho que o Tiego poderia começar contando, foi como que vocês entraram no fandom de Harry Potter.
Eu entrei bem novinho. Eu tinha os meus 11 anos lá, vi o primeiro filme do cinema. Eu acho que existem dois tipos de fãs de Harry Potter. Aquele que começou a consumir antes, que os livros chegaram e leu antes, e os que conheceram por causa dos filmes.
E eu fui um dos que conheceu por causa do primeiro filme lá em 2001. E você, Marina? Eu demorei para entrar no fandom, apesar de também de quando eu lançou o primeiro filme, meu Deus, eu não faço ideia de quanto eu tinha assistido há 6, 7 anos. Eu gostei muito, já fiquei muito aficionada pelo rolê, já queria o próximo filme e tudo mais, mas ainda não tinha nenhuma participação efetiva em fandom.
Eu não sabia que existia esse mundo, que as pessoas estavam lá conversando e escrevendo coisas, e que tinha sites. Isso eu não estava ligada ainda. Mas isso rolou quando eu comecei a ler os livros. Eu li os livros no dia 12 anos.
Então a partir dali que eu realmente comecei a procurar informações na internet e entrei de fato com o fandom de Harry Potter. Ah, o meu caso é um pouco parecido, mas na realidade, como eu sou um pouco mais novo que vocês, eu tenho 21 anos. Então o que aconteceu? Quando lançou o último livro de Harry Potter, eu tinha 8 anos.
Foi ali que eu comecei a ler os livros e foi ali que eu comecei também a pesquisar Harry Potter na internet, porque eu tinha os filmes desde quando eu tinha… Nossa, gente, o primeiro filme lançou quando eu tinha 2 anos. Então eu tinha os filmes desde sempre, desde quando me entendo por gente. Eu lembro de eu assistindo Harry Potter, com muito medo inclusive de Câmeras Secretas especificamente.
Eu tinha muito interesse em saber novidades dos próximos filmes, porque me diziam, eu tinha primos que me diziam, não acabou aqui, vai ter mais não sei quantos e não sei o que lá. E aí ficava querendo saber qual que vai ser o próximo, quando vai sair, onde vai sair. Não sabia nem que tinha cinemas a abusar na época, sabe, gente? E aí eu comecei a pesquisar Harry Potter na internet e até que eu achei os fonsites.
Aí eu consumi os fonsites por muito tempo, até que em 2013 eu entrei no Potterish, né? Entrou no ano bom. Exato, foi o ano que foi anunciado Animais Fantásticos, né? É, eu entrei no Potterish em 2010.
Eu ia falar que foi quando eu de fato comecei a produzir pro fandom, mas antes disso já, no ano que eu vi os livros, eu comecei a escrever fanfic. Então ali eu já produzia também. Se alguém quiser ler, você chama de um jeito diferente, você pode achar no fanfiction.net como Marininha Potter, tá? E aí você pode ler lá.
Adorei o nome. Mas aí com 14 que eu entrei pro Potterish, eu entrei como tradutora, assim. Olha, eu falei que eu vi o primeiro filme no cinema, eu tinha 11 anos, coincidentemente a idade do Harry. Aí eu parei de consumir.
Não sabia que tinham livros, eu saí do cinema apaixonado, mas eu parei um pouco de consumir. Foi só quando eu peguei o primeiro computador em 2004, que a primeira coisa que eu fiz foi começar a acessar fansites também. Isso eu tinha 14 anos em 2004. O primeiro site que eu entrei foi o Potterplanet, assim, aficionado por essa ideia de achar um site que eu pudesse já começar a escrever notícias o mais rápido possível.
Eu tava nessa pilha, sabe? Era uma coisa que eu queria muito fazer. E aí eu comecei traduzindo notícias e postando logo isso em 2004. Ah, que loucura!
Então você já foi, tipo, nessa ideia, né? De querer fazer, de querer produzir pra algum lugar específico, assim. Nossa, eu tava maluco. Pedro é jornalista e vai me entender essa coisa de você postar e ver a reação das pessoas.
Isso sempre me pegou muito. E eu ficava louco com essa ideia de postar algo que deixasse uma galera felizar se pulando de alegria. Me deixava maluco. A chance de trazer pro fã brasileiro de Harry Potter essa possibilidade de traduzir a notícia e chegar ela prontinha pra você.
Porque eu não tive essa experiência de cobrir Harry Potter filmes nem livros, né? Porque eu entrei em 2013 e já tinha acabado os filmes em Chile. Mas Animais Fantásticos eu peguei desde o anúncio até hoje, né? E aí sai um trailer de Animais Fantásticos e todo mundo até dentro do próprio grupo de WhatsApp da equipe do Potteriste fica lá surtando, né?
E a gente, o que é que é isso? O que é que é aquilo? O que é que é aquilo ou outro? E eu fico, tipo, gente, foi eu que postei a notícia mas eu ainda não assisti ao trailer.
Porque assim, eu tenho que garantir que a notícia foi postada que ela tá nas redes junto com Marina, claro. E aí, assim, as pessoas ficam lá discutindo horrores e eu fico só preocupado em fazer o que eu tenho que fazer pra prestar esse serviço pra fandom, sabe? É exatamente isso. É ao mesmo tempo que você quer assistir e você tá preocupado em mostrar pro fandom.
Então eu acho que essa é a parte mais importante daquilo que a gente faz. Eu acredito nisso, sabe? Tipo assim, a gente é fã e a gente presta um serviço pro fã e ao mesmo tempo também a gente não é a Warner a gente não é uma empresa mas a gente também é importante pra eles que a gente divulgue isso. A gente fica ali no meio, né?
Fazendo essa comunicação. Você se sente nessa responsabilidade de espalhar todo o conteúdo? Sim, exato. E, por exemplo, assim, antigamente, né?
Vocês vão até lembrar um pouco mais disso do que eu. Os trailers quando saíam, eles não saíam direto já legendado ou dublado. Saíam só em inglês. E aí as equipes de site tinham que legendar.
Eu lembro que o primeiro teaser de Animais Fantásticos no primeiro Animais Fantásticos e Onde Habitam ainda teve alguns que foi assim. A maioria não. Já saía direto legendado, a versão oficial. Mas sei lá, aquele teaser, por exemplo, do Lumos Maxima.
Aquele do dia, eu lembro, 15 de dezembro de 2015 que a gente ainda ficava, mano, quem é a voz dessa pessoa? Parece a voz da Minerva. Vocês lembram dessas discussões? No final, né?
Mr. Scamander, eu lembro. E era da Tina. E eu lembro que aquele teaser estava muito surtando.
Só que a gente tinha que legendar. E eu lembro que ele saiu, era tipo 8 horas da manhã, sabe? Aí a gente montou toda uma equipe de plantão, pra gente, né? Pessoas pra traduzir, pra revisar, pra legendar, pra editar o vídeo.
E eu lembro que assim, cara, eu já tinha decorado as falas do trailer. Porque, né? Tava ajudando a traduzir, a legendar e tudo mais. Só que eu ainda não tinha nem visto direito o vídeo.
Porque eu tava mais preocupado em traduzir o que tava sendo dito pra legendar do que, enfim. E aí eu fui poder ver o trailer mesmo com calma só, tipo, horas depois, né? Quando já tinha sido tudo postado, enfim. Announcement trailer, nunca vou esquecer.
Meu, até hoje, até esse trailer agora de Hogwarts Legacy, o trabalho foi isso, o negócio foi anunciado, eu peguei e aí eu comecei a traduzir, ouvindo o trailer e traduzindo o que estavam falando, pra mandar pra revisar, pra poder postar certinho a minha notícia, né? Pra todo mundo que não entende inglês poder entender o que eles falavam no trailer. Porque a gente sabia que daqui a pouco ia lançar o legendado, então não valia a pena legendar em si. Mas era importante que as pessoas pudessem ler.
E eu só parei pra poder ver o trailer, de fato, horas depois. Porque eu tava só ouvindo, escrevendo, mas… É uma loucura. Realmente tem esse delay, né?
Assim, hoje é muito, entre aspas, fácil, porque a notícia mesmo se espalha num Twitter da vida, né? Mas antigamente, quando a gente falava em postar no site, imagina você é fã e você fica dando F5 ali no site que você gosta, porque não tinha um Twitter, né? Você meio que tinha, mas não usado com tanta frequência. Mas a pessoa tinha que dar F5 pra ver as novas notícias, e acho que essa era a parte legal.
Os fãsites eram as homepages do navegador de muita gente. Isso, colocava os favoritos pra ler. É, e os sites até caíam, né? Porque era um pico de acesso muito grande.
Ah… O poderista era uma versão light, quando tinha muito acesso. Eu lembro disso, eu lembro disso. Pra vocês terem uma ideia, meu, derrubava um site, a galera ia em peso, e aí a gente sabia que a notícia era boa quando os sites caíam, ficava lentão.
Eu lembro, né? Quando eu comecei a olhar esses sites antes de fazer parte e tals, que o que eu queria muito era os posters de Enigma do Príncipe, porque eu sabia que na época da Ordem tinha saído os posters na Recreio. E o que eu fazia antes? Toda semana eu olhava a revista Recreio na banca pra poder saber se ia ter poster.
Aí quando eu descobri os sites, eu falei, bom, se tiver alguma coisa eles vão avisar. E aí eu comecei a sempre olhar eles esperando isso. Depois eu vi, obviamente, que tinha outras notícias e tals. Nunca saiu poster de Enigma do Príncipe na Recreio.
Era diferente a mídia de hoje em dia, né? Entende que o Harry Potter dá acesso. Hoje tem os canais oficiais também da série, né? Você tem no Twitter, no Instagram, você tem no Facebook as páginas oficiais.
Também, é verdade. Antigamente a única coisa oficial que a gente tinha, antes do Pottermore, claro, era o site oficial da J.K. Rowling. Era a única coisa que o fã tinha de forma mais oficial.
E ela mesmo fazia interações lá na época do lançamento dos livros. Era uma festa nesse sentido. Exato, eu acho que a gente não tinha muito acesso, né? Isso era o site de J.K.
Rowling e os próprios fãsites. O G1 não ia dar a notícia, entendeu? A Rolling Stone não ia. Quando eu comecei a postar notícias, 2004, Azkaban tinha lançado.
E aí ia começar a filmagem de Cálice de Fogo. E era uma época muito legal. Aí eu fui pra outro site, né? Eu saí daquele Potter Planet.
E aí eu fui pra um site chamado Veritaserum, que era um site americano. E ele tinha a versão brasileira dele, lá dentro daquele mesmo site. Tipo, a versão traduzida. Eu achava as notícias do site americano e já traduzia pra página brasileira.
E eu tinha isso, essa era a minha alegria. Era pegar a notícia americana, traduzia ali pra parte brasileira do site. E tudo na raça, né? Porque assim, você imagina que com 14 anos, assim, não tinha o inglês que você tem hoje, sabe?
Não, com certeza. Foram 7 anos traduzindo como tradutor e news poster, né? Que a gente chama news poster. E cara, foi nossa, como evoluir nessa época.
Foi muito legal. A escola de inglês foi ali, né? Foi, super. E o meu inglês melhorou na escola.
Quando eu menos percebi, as aulas de inglês já estavam fáceis pra mim. Nunca tive assim tanta dificuldade em inglês, porque eu amo inglês. Mas a partir do momento que eu comecei a traduzir as notícias, eu cheguei na escola e eu percebia que a aula já tava tranquila. Aí eu vi o quanto eu tava melhorando.
Nossa, isso é muito real. Nosso trabalho, né? Como fãs que produzem conteúdo pra fãs. É realmente acabar sendo uma escola.
Profissionalizando, assim, sei lá. Porque eu lembro que quando eu comecei a fazer parte do Poteiriste, na realidade eu comecei a fazer parte do Clube do Livro Poteiriste, que era um site de livros do Poteiriste. Aí eu fiquei um ano e depois eu fui pro Poteiriste. Mas o ponto era que assim, eu já tava em escola de inglês há bastante tempo, entrei com bem criancinho, acho que 10 anos.
Só que assim, era aquele rolê tipo kids, sabe? Eles chamavam de kids. Então era, sei lá, cores, isso, aquilo. E aí cheguei no Poteiriste e eu queria, mesmo que eu não tinha capacidade, eu queria ajudar.
Então assim, eu queria traduzir, eu queria transcrever. Gente, transcrever é uma coisa muito difícil. É bom dar o contexto que na época eu era chefe de tradução, né? Aí chegou aquele menino de 13 anos que não sabia direito que ele ia traduzir, eu falei, vai, meu Deus.
Não, Pedro, revisa. É, então. Não, e como se eu tivesse capacidade, não conseguia nem traduzir, que só revisar, né? Mas aí ela tinha essa ideia de que, não, pelo menos a gente faz certinho, aí ele só revisa, né?
Eu acho que foi uma época muito boa nesse sentido. Porque assim, se vocês vão concordar comigo que agora a geração de Harry Potter vai crescendo junto com a série. Então, naquela época, você tava falando de, sei lá, é uma geração que hoje tá tudo na minha casa, nos 30, 35 anos, já teve filho, nessa época do Orkut, de traduzir notícias. Isso é bizarro, eu acho isso muito daora.
Sim, total. Porque a gente é muito fansite, né? Hoje em dia a gente tem alguns, mas não era, acho que, não era na quantidade que tinha antes, e também acho que… Nem na rivalidade.
Nem na rivalidade, exato. E também muitos foram criados por agora, né? Tipo, eu acho que o Potterish é o único mesmo que vem desde 2002 e tá vivo, tá ligado? Não, o Potterish é super idoso da turma.
O Potterish tá, meu, 18 anos. É muita coisa. É. Acho que é importante dizer, então.
Pode ser um pouco óbvio, talvez, mas como eu tenho 24 anos e o Peter tem 21, não foi a gente que criou o Potterish. A gente não é super dotado, sabe? Tipo… Quantos anos você tinha quando o Potterish foi criado, Marina, em 2002?
Eu tinha 6 anos. 6? E você, Pedro, tinha quantos? Eu tinha 3.
Sai daqui, sai daqui. Você já nasceu com o computadorzinho lá, falando o Potterish, a primeira palavra. É, então. Ai, gente, meu Deus.
Eu tinha 12, eu tinha 12. Tá vendo, ó? Já tava mais próximo de poder criar um site, né? Pô, a gente fazia coisa muito estranha com 12 anos, né?
Porque uma criança de 12 anos não… Não. É, realmente… A gente que era não, a gente ultrapassava muito o que se esperava de crianças, de pré-adolescentes, né?
E de, enfim… Meus pais, eles começaram a aceitar muito melhor eu ficar tempo todo na internet quando eu comecei no Potterish. Porque aí era só falar que eu tava traduzindo. E eles ficavam assim, tinham de orgulho.
Eles tinham de orgulho. E deixavam eu ficar lá. Às vezes eu nem tava traduzindo, na real. Mas…
Quantos anos os fundadores do Potterish tinham quando fundaram o site? Você sabe dizer essa informação? Olha, a gente não sabia exatamente. A gente pode até…
Mas é que assim, o Potterish foi fruto, né? De duas universitárias de Campinas. A Carmen e a Luciana. Que estavam de férias, assim, da faculdade.
Não tinham nada pra fazer. E assim, naquela época, né, gente? Não tinha nem… Sei lá, acho que era ICQ, se abusar, 2002.
ICQ e MSA, né? Pois é. É, acho que nem MSA nem tinha. Então, tipo assim, as coisas eram muito diferentes, né?
As pessoas tinham muito mais tempo livre, enfim. E aí essas duas universitárias que sabiam muito, muito bem inglês sabiam programar. Uma delas era da área de design, a outra era da área de programação. E aí resolveram fazer um site.
Nenhuma da área de comunicação, especificamente. Nenhuma jornalista, enfim. Mas resolveram fazer um site pra informar os seus brasileiros. Harry Potter não era mainstream do jeito que é hoje.
Então, assim… A Folha de São Paulo não ia dar no Harry Potter toda semana, todo dia, sabe? Ia dar quando lançava. Mas assim…
Harry Potter não ia sair na Veja, na época, na Super Interessante, toda semana. Então era meio que tipo… E os fonsites que existiam eram todos ingleses. Então era meio que justamente pra dar acesso aos fãs brasileiros que sabem só português, dar acesso a essas notícias, né?
Foi basicamente assim que surgiu. Então eu imagino que elas tinham por volta de uns 20 anos, 20 e pouquinhos, assim, sabe? É, então hoje elas estão próximas dos 40, né? É, muito previamente.
E na época bombava muito… Eu acredito que tinha o Magonet e o The Leaky Cauldron, que na época eu lembro que eles estavam bombando, assim, de uma forma. Não, é… Na época, acho que no fandom brasileiro, que aí eu posso falar mais ou menos da época que eu entrei, né?
Eu sei que antes, quando eu entrei no fandom, já tinha o Hogsmeade antes. Muita gente do Hogsmeade, inclusive, foi com o Potterish. Eu tava falando com um amigo hoje, o Flávio, né, Flávio Bessa Jr. E aí eu tava perguntando pra ele, porque eu tinha ouvido que o Potterish e o Hogsmeade tinham treta, mas na real não era.
Ele disse que era só tipo uma… A treta era com o Clumense, é que eu fazia parte, eu acho. Exato, exato. Era uma competitividade saudável, assim.
O O Clumense e o Potterish não era nada saudável? Não nada saudável. Gente, olha aqui, até eu conhecer o Tiego, de fato, enquanto pessoa, assim, enquanto de vida… Já tinha aquele ódio.
Eu já tinha ouvido, nossa, eu já odiava ele há muitos anos. Isso foi faz pouco tempo, né? Feito em 2016, 2015. É, isso, uns cinco anos atrás, provavelmente, uns quatro anos, cinco anos.
É. Na época de animais fantásticos, estreia essas coisas. Não, é, foi isso, porque antes eu só ouvia falar, entendeu? Não, não só o Tiego, ele não era o único inimigo, não.
Mas era de tipo, que o O Clumense, aí, não sei o quê, que era isso, porque, ó, basicamente os sites eram Potterish, O Clumense, Scar Potter. Pomo de ouro, tinha um pomo de ouro, mas eles não duraram muito tempo também. Mas eu lembro do Scar Potter também, pode crer. Parte da equipe do Scar Potter hoje virou animagos, né?
Algumas pessoas, assim. Entendi. E o Clube do Slug, né? É o Clube do Slug, só que o Clube do Slug surgiu um pouco depois, né?
Ou eles existiam há muito tempo. Eu acho que eles surgiram um pouco depois, mas mesmo assim, eles vieram com potencial. Mas eles foram bem importantes. E existiu uma rivalidade muito grande entre Potterish e O Clumense.
E era um negócio, assim, e eu nem, eu não sei o quanto estava na nossa cara. Eu acho que todo mundo se odiava, mas era meio na cabeça, não existia muitos embates, de fato, né? É porque vocês eram todos crianças, né? Hoje, eu acho que rola um pouco, não rola disso, mas de uma forma saudável, aquela coisa de, é, hoje eu tenho o canal, você quer postar o vídeo primeiro, certo?
Quando sai uma notícia muito bombástica. Então, você quer ter que a sua notícia tenha mais comentários. E aí, a rivalidade, eu acho que ela é saudável, mas até certo ponto. Eu acho que pra mim, a rivalidade do O Clumense e do Potterish já não era saudável esse negócio, porque você odiava as pessoas mesmo sem conhecer as pessoas.
Isso que me dá, né? Você odiava a pessoa por quê? Porque, ah, ela postava notícia primeiro, ou tinha aqueles boatos com um mordezinho que chegava no ouvido, mas que não tinha acontecido nada disso. Era uma coisa totalmente bizarra.
É porque eu acho que junta, como a gente já falou antes, era um monte de criança, você tem nada pra fazer, velho. E que provavelmente ninguém tinha amigo também, né? Pois é. E aí, velho, tipo assim, é isso.
Eu perdi horas brigando, por exemplo, eu perdi horas brigando com quem chipava Harry e Hermione, por exemplo. Muito, eu perdi muito tempo da minha vida. As famosas discussões antigas do fandom. É, eu perdi muito tempo da minha vida fazendo isso.
Então, tipo, meu, o tempo também dedicado a falar mal dos outros, assim, eu lembro em 2009, acho que foi… Não, não, mentira, 2010. Era final do ano, teve um evento da Hog Friends que eu fui. E aí, você tava lá com uma camiseta do Clumência, e aí a gente sentou numa mesa.
Tinha o pessoal lá, a gente sentou numa mesa pra conversar, e com o pessoal do Sky Potter também, pra conversar sobre um evento que seria de todos os fansites, alguma coisa assim. E aí, eu acho que foi a primeira vez que eu te vi pessoalmente, assim. E eu sabia que você não ia saber quem eu era. Nossa, eu já tava com a camiseta do Clumência todo se achando.
Eu ainda ia com as camisetas do Clumência em evento, nossa. Não, é. Não, exato. A gente ficou, nossa, olha que ridículo.
Nossa senhora. Mas era, hoje parando pra pensar, talvez fosse mesmo. Mas é que é muito bom pensar, porque realmente, tipo, era um negócio vindo do nada. Ai gente, mas esse negócio de camiseta de site, até pouco tempo atrás, rolava, né?
Tipo… Não, até no canal mesmo, eu tenho hoje no Observatório, eu tenho camiseta, mas… Mas sei lá, na época, em um evento que… Ai, é engraçado.
Era estranho, né? Não, não é como se a gente do Poteiriche não estivesse lá com um crachá do Poteiriche, né? Então tipo… É, então, exato.
Gente, eu lembro que não era só a camiseta. Eu tinha uma camiseta do Clumência e atrás tava escrito TIEGO. Porque assim, hoje… Mas deixa eu explicar.
Porque assim, hoje o canal, a minha imagem tá aparecendo, tá exposta. Então quando eu vou em evento todo, é muito mais comum as pessoas me reconhecerem, que a minha imagem tá aparecendo no canal. Mas como a gente só escrevia textos, escrevia notícia, a galera me conhecia como TIEGO NOVAIS, do O Clumência, e não com a minha cara ali. Então eu tinha aqui no evento escrito TIEGO NOVAIS atrás da minha camiseta, senão a galera não reconhecia.
Ai, o cara que postava, nossa, velho. Não, pra você ver o quanto que as pessoas prestavam atenção, né? Tipo, as pessoas sabiam… Sabia o rosto da pessoa, mas sabia que, ah, TIEGO NOVAIS foi o cara que escreveu essa notícia, essa, essa, enfim.
Meu, sim, sim. E tinha uma pegada de… Ah, eu adorava os textos do TIEGO, as colunas, que eu adorava fazer o fã de Harry Potter chorar nessa época. Ai eu escrevi umas colunas e eu acabei ficando mais famosinho no O Clumência, porque eu fazia essas colunas, essas notícias nostálgicas, eu adorava fazer o fã chorar.
Construiu, né? A fanbase. Pois é. Não, isso é muito legal, porque assim…
Acho que aconteceu um negócio no Pateriste que, acho que o TIEGO tá um pouco diferente, né? Porque ele começou a produzir um conteúdo ele e só ele, né? Agora no Pateriste a gente continuou sendo um site, continuou trabalhando, basicamente, do mesmo jeito, né? Com colaborações, enfim.
E aí o que rolou foi que muita gente cresceu, né? Muita gente, sei lá, se formou na faculdade, muita gente começou a ter outras prioridades na vida e quem trabalha com áreas que não são relacionadas à comunicação acaba não tendo muito tempo de dedicar ao Pateriste e tudo mais. Então a equipe mudou muito, né? A equipe do Pateriste de hoje é uma equipe muito diferente da equipe de 2010, 2008, 2011, sabe?
A gente mantém contato com a maioria das pessoas ainda, mas é gente muito diferente, né? As coisas mudaram, parece que, ao mesmo tempo, né? Tipo assim, o Harry Potter acabou os filmes e aí as coisas foram mudando, né? O jeito de fazer as coisas mudaram também ao mesmo tempo.
A produção de conteúdo na internet, né? Exato. Eu acho que acredito que rolou uma transição. Quando o último filme de Harry Potter foi lançado, lá em 2011, eu acho que assim, algumas pessoas decidiram, ó, beleza, agora eu já contribui pro fandom que eu tinha que contribuir, agora eu vou buscar outras aspirações.
Já outras ainda se sentiam muito presas àquele sentimento, que foi o meu caso, de você não conseguir largar a mão, assim, da série tão fácil, mesmo quando o último filme foi lançado. Antes, as pessoas, como a gente falou antes, elas entravam lá no site e ficavam fazendo F5, passando o rolê. De repente, elas não entravam mais de site nenhum. Elas leiam manchete e se a notícia fosse chegar a ela, ia ser através das redes sociais.
Ela ia olhar no Twitter, ela ia olhar no Instagram, ela ia olhar no Facebook, ela não ia mais atrás. Então as coisas mudaram justamente nesse período, né? Esse período dormente em que não tinha filme, não tinha livro lançando, foi justamente o período em que a internet mudou. Mas assim, então, tipo, todos os lugares, né?
Todos os sites tinham rede social, mas não era uma coisa muito importante. Era bom, óbvio, mas não era essencial. De repente virou, assim, acho que… Tanto que eu acho que o cargo que eu tenho hoje em dia de gerente marketing só é possível hoje em dia.
E imagina que pra você, Diego, foi acho que mais radical ainda, né? Que era você, não era um site, ou era o Diego Novais, o youtuber, né? Harry Potter tinha acabado pra mim em 2011. E eu não fazia ideia que ia anunciar dos novos filmes de Animais Fantásticos, o que for.
Ah, eu falei, meu, eu vou criar um canal aqui pra relembrar os livros, falar um pouquinho de cada capítulo, papapá. Nunca achei na minha vida, de verdade, junto com vocês, sendo sincero, que ia crescer da forma que cresceu. Pra mim, eu ia chegar lá, sei lá, nos meus 5 mil inscritos e ser feliz, ia continuar estabelecendo a minha imagem, porque eu não conseguia largar o osso. Assim, pra mim, Harry Potter tava sempre ali no meu coração, eu não conseguia parar de falar sobre.
E o canal contribuiu com isso. E assim, né, gente, a gente ficou uns 2, 3 anos ali sem absolutamente nada, não tinha filme, não tinha peça, não tinha livro, não tinha… Tinha o Pottermore, né? É, só.
É, o meu trabalho no Potterish era traduzir o Pottermore, era isso. A produção de conteúdo pra fãs, assim, na internet, ela se profissionalizou muito, sabe? A equipe do Potterish hoje tem muito publicitário, tem muito marqueteiro, tem muito designer. A nossa equipe de design, por exemplo, todos são designers profissionais.
A nossa equipe de tradutores, não todos, mas assim, pelo menos uma metade ou mais são de pessoas que trabalham, tipo, com tradução, ou de livro, ou de legendagem, ou de duplagem, ou de técnico, sabe? Ou trabalham com inglês, são professores, enfim. E naquela época, né, 2010, 2008, não, eram adolescentes que gostavam muito de alguma coisa específica que tava lá fazendo, assim, sabe? É claro que a gente ainda tem hoje pessoas que, sei lá, são pessoas que no Potterish são repórteres e que na realidade são, sei lá, advogados, por exemplo.
É um caso de um dos nossos repórteres que mais colaboram e tudo mais. O Rodrigo, ele é advogado. A nossa editora de notícias é uma pessoa que é formada em química. A gente ainda tem isso, só que mudou bastante, sabe?
A maioria da equipe hoje em dia é mais profissionalizada, assim, e eu acho que isso também influencia muito pra próprio fã, né, que o fã acho que acaba… ele nem percebe, mas a gente tá oferecendo um conteúdo de qualidade melhor, assim, né? Hoje o fã tem meio tudo mastigadinho ali, tudo explicado, tudo… É muito fácil ser fã de Harry Potter hoje em dia, fã brasileiro, né?
É muito fácil. Você não precisa se esforçar um segundo, porque você acha tudo que você quiser, responde suas dúvidas, você tem curiosidade dos filmes, tá tudo ali. Nossa, é muito fácil ser fã hoje em dia. Não precisa entrar no Google Tradutor pra traduzir o que você não entendeu de, sei lá, de um site gringo, ou sei lá o quê, sabe?
De um jornal gringo, enfim. É assim, é… Hoje em dia, com as notícias, tudo do Animais Fantásticos 1 e 2, eu acredito que o Brasil é hoje um dos países que tem mais criadores trabalhando pela série. Eu tenho certeza absoluta sobre isso.
Com certeza. São muitos fansites, são muitos fc's de Twitter, são muitos criadores de conteúdo youtubers, todo mundo falando sobre a série. Muitos fanclubs, né? Fazendo eventos no Brasil inteiro.
Enorme a força de Harry Potter no Brasil, é que a gente não se dá conta, mas, meu, dois canais brasileiros no YouTube batendo um milhão de inscritos, cara. É bizarro isso. Em que momento, Diego, você acha que você percebeu que o observatório era algo sério? Tipo assim, tipo, agora, de fato, pode ser uma profissão isso aqui.
Foi em 2016, né? Quando o primeiro Animais Fantásticos ia ser lançado. O que acontece, eu tinha emprego até então, eu trabalhava como analista de mídias sociais numa empresa. Aí, o que aconteceu?
O observatório com o Animais Fantásticos, o novo trailer, tudo, começou a ter muita view. O que eu ganhava de YouTube já era legal, assim, já batia com o salário que eu tinha da empresa na época. E a minha empresa, olha a coincidência que legal, a minha empresa anunciou que ela ia fechar. Então, pra mim, não é boa notícia, no meu caso, pros donos da empresa, né?
Quer dizer que a empresa não deu certo. Mas pra mim foi uma coincidência enorme que bem na época que eu ia postar no YouTube, eu tive essa sorte, entre aspas, de estar livre no mercado, né? E aí, eu comecei a me dedicar completamente ao canal. Juntou as duas coisas, né?
É todo desempregado mesmo, né? Então… Pois é, eu não tenho nada, tô fazendo nada. Aí, foi isso, velho.
Em 2016 até 2020, agora, só de canal, publicidade e tudo, né? Uma coisa interessante é que a gente, a gente mantém contato com fansites, também, de outros lugares. É porque, assim, essa questão de youtuber de Harry Potter é uma coisa, como o Tiago disse, muito brasileira, né? Lá fora você tem alguns criadores que também abordam o Harry Potter, mas são criadores de cultura pop, em geral, né?
Não é específico de Harry Potter. Eu conheço muito bem, assim, a produção de conteúdo de fã da França, da Itália, do México, tipo, de vários países, assim. Os grandes mesmo são brasileiros e os que, enfim, não dá pra falar que eles são americanos ou britânicos, porque tem gente do mundo inteiro, todo mundo que fala inglês, né? Então, por exemplo, Todas essas ações grandes, assim, Tiago já participou, Marina já participou, eu já participei.
Por exemplo, quando eu fui pra visitar o set de Animais Fantásticos do segundo, lá era um grupo de jornalistas, de veículos de cinema, de veículos gerais, assim, sabe? E aí tinha, sei lá, o pessoal do Leaky Cauldron. Um beijo, inclusive, são maravilhosos, se estiverem ouvindo. Uma menina do Magão Net, e uma menina do Snitseeker.
E o Patriche, tipo, não tinha ninguém de outro país, assim, sabe? E eu acho que a oportunidade que o Tiago foi também, as oportunidades, né, são muito assim, tipo, os veículos de fãs de outros países não acabam não recebendo oportunidades, né? Porque eles são menores do que a gente, assim, né? A gente é muito grande, a gente quebra um pouco esse padrão, né?
De como que eles trabalham com fãs. Eu fui no negócio de Nova York, lá, e aí você via que eles levaram, sei lá, 50 influenciadores. Mas nenhum tinha um canal do YouTube que falava só de Harry Potter, isso que era engraçado. Eu era o único ali que tinha um canal focado só em Harry.
E a galera, como você falou, era focada mais em entretenimento num geral. Quando eu fui pro Orlando também, era isso, era Snitch, Magonet, Leake e imprensa geral. Tipo de um pessoal do wall, do Adoro Cinema, vários lugares de turismo. Mas realmente, a presença dos outros.
Eu acho que também é isso. O Brasil é muito grande em bater em Harry Potter. Eu acho que nos últimos anos, a Warner Brasil tem batalhado muito pra conseguir a oportunidade pra gente, porque eles sabem o potencial, sabe? Galera da Warner, se tiver ouvinte, um beijo!
Eles sabem que a gente consegue, com uma notícia, com um tweet, movimentar o fandom inteiro. Isso que é da hora. Eles sabem onde fazer a comunicação com o fã direto. Esses canais, portais, tudo ajuda demais.
Sim. Mudou a estratégia de marketing. Eu acho que em Harry Potter, por exemplo, era uma estratégia. E aí, como vocês mesmos disseram, mudou a internet, mudou tudo.
E hoje em dia, a gente faz parte. A gente tá ali incluído. Então, vai visitar o set do filme, vamos colocar um veículo de fãs também. Seja o Observatório, seja o Caldeirão Furado, seja o Poteiriche, enfim.
Sempre vai ter alguém representando os fãs. Isso é muito da hora. Isso é muito, é enorme. E eu acho que puxando um pouco para a questão da carreira, foi meio isso.
Acho que o Poteiriche, assim, tinha a Karmia Luciana, depois elas se ocuparam com a vida. O Marcelo entrou, que é o dono do site até hoje. E aí, depois de um tempo, entrou o Dan. Teve outros abimastas, é que eu não consigo falar aqui, porque eu não tenho…
Eu não tive a vivência. Nossa, o Dan, gente. Nossa, o Dan é aquele que… Ele passava os anos, ele tava sempre igual.
Um abraço pro Dan, se ele tiver ouvindo também. Eu lembro dele. Exato, é novinho, né? Cara de novinho.
Eu ia falar agora, que se você é uma pessoa que é leitura do Poteiriche há muitos anos, você vai conhecer o Dan que a gente tá falando. No caso, Daniel Melman, com um texto para quem não… O Dan, a gente chamava ele de Dan Boss. Hoje em dia ele é formado em enfermagem e mora na Alemanha.
Gente, que legal. E ele foi uma pessoa muito importante ali pro Poteiriche. E aí teve uma hora que ele também seguiu em frente. E aí entrou o Pedro, entrou eu como, na época que a gente usava webmaster e webmistres, não tinha nenhum nome pra você mostrar direito o que você fazia, né?
Era bem geralzão. Muita coisa de fã, né? A gente ia escrever pras empresas e colocava lá webmaster. E aí as empresas calavam, tipo, as agências de assessoria de imprensa, tipo, o que é webmaster, tá ligado?
Obviamente, sempre levei o Poteiriche muito a sério, sempre foi algo que… Sempre tive muito amor por Harry Potter e pelo Poteiriche, assim. Mas foi um momento que a gente percebeu, isso é sério aqui, se a gente quer manter. E aí depois, pô, o Pedro já queria ser jornalista, entrou pra faculdade de jornalismo e aí o nível, né, das notícias subiu bastante por causa disso, por ter uma pessoa, realmente, que entendia.
E aí eu, né, tipo, a gente teve um momento que a gente sentou e falou, quais são as suas funções aqui, né? E aí ficou definido que o Pedro seria editor-chefe, que é cuida do site em si, é o gerente de marketing, que é cuidando da imagem do site, redes sociais e tals. E aí eu fui fazer cinema, né? E aí pra produção de coisas e tudo mais, eu ganhei muito conhecimento em cima disso.
Então é muito louco, tá ligado? Como os caminhos levaram… O Poteiriche me levou a certas coisas que depois eu trouxe de volta pro Poteiriche, que eu acho que… Mesma coisa com o Pedro, mesma coisa contigo, né, Tiago?
Isso é muito legal. É estranho porque, por exemplo, agora a gente tá produzindo esse podcast, né? E aí, na minha faculdade, eu tô estudando produção de podcast. Acaba que o Poteiriche me leva a adiantar um pouco as coisas, sabe?
Sempre tô adiantando o que eu vou ver na própria faculdade. Adianta o processo, né? Exatamente. Ah, isso é muito legal.
E eu sempre fui mais daquela coisa de… Porque assim, quando eu fiz jornalismo, eu sempre fui daquela coisa. Será que eu quero ser redator, né? Ficar ali dentro de uma redação, escrever minhas notícias, ou quero ser repórter e apresentador.
Eu tinha uma pegada assim. E aí eu sempre fui mais… Quando eu criei o canal, eu sempre fui mais aparecido. Não adiantava.
No começo eu queria aparecer e tudo. Então eu sempre tive essa coisa de querer minha imagem aparecendo. Então acho que o YouTube me ajudou nesse sentido, porque é como se fosse um apresentador ali mesmo, só que de Harry Potter. E fazendo o papel de jornalista quando sai notícia, através do meu Twitter e tudo.
Não, assim, total. Eu acho que, por exemplo, a gente começou, né? Eu e Marina, a gente ia dar um pouco mais as caras nas redes sociais do Paterix, até no canal, enfim. Por volta de 2016, 2017.
Quando eu era uma pessoa muito tímida, né? Hoje, risos. Meio lembro que você era mais tímido mesmo. Exato, é.
E aí, assim, quando eu fui ter aula de… E quando eu entrei na faculdade de jornalismo, eu ficava, gente, eu tenho vontade de ser repórter. Eu me disse assim, repórter de internet, repórter de jornal, repórter de revista. E ainda tenho muita vontade de fazer isso.
Mas assim, eu falava, meu Deus, quando chegar a hora de fazer TV, e aí pra quem tá escutando, gente, a gente na faculdade de jornalismo acaba fazendo TV um pouco mais pra frente, assim, a partir do terceiro ano, enfim. E aí eu falava, meu Deus, como é que vai ser a hora que eu chegar a fazer TV? Eu não vou querer aparecer em frente à câmera. E aí hoje, enfim, tipo, eu sou completamente…
Dar o microfone e não vou largar mais, sabe? Hoje eu me imagino na faculdade se eu colocasse uma câmera na minha frente agora, porque, nossa, é a coisa que eu mais tô acostumado no mundo. Seja apresentar eventos, apresentar um vídeo. Então, essa é a coisa mais natural do mundo.
Não, é o dia a dia, né? Porque hoje eu vejo o canal e aí eu sempre gosto de pensar nos meus próximos anos da vida, assim, os próximos, sei lá, 5 anos. O que eu quero tá fazendo. Por mais que eu ainda que…
Exclusivo aqui pro podcast do… Pode ser de mentira, gente. Mas por mais que eu tenha, assim, planos e tudo, a gente quer sempre evoluir. Não que o YouTube não seja algo o meu trabalho, mas eu quero ir além.
Se for, sei lá, pra trabalhar justamente com a marca de Harry Potter mais profissional, trabalhar com a marca mesmo. Sei lá, é sempre um passo à frente, né, gente? A gente nunca sabe dia a dia amanhã. Eu queria continuar trabalhando com o Harry Potter, mas ao mesmo tempo não sei se o YouTube vai ser algo que eu vou levar pra sempre, assim.
Eu acho que o YouTube vai ser algo que eu nunca vou acabar definitivamente, obviamente. Um canal de um milhão de inscritos vai tá chegando. A gente quer sempre mais. Mas o que eu quero dizer, assim, é…
Talvez focar essa minha paixão, tudo, de Harry Potter de outra forma também, mais profissional ainda. Hoje você tem essa responsabilidade, ainda mais a época que Harry Potter vive atualmente, às vezes com algumas polêmicas, você acaba tendo que encontrar o jeito certo de informar e você tem que ter a noção e responsabilidade que você tem uma base enorme que te acompanha e a forma que você vai dar essa notícia. Não, é até estranho, assim, né? Porque, por exemplo, o Tiago, esse realmente virou o trabalho fixo dele e ele se dedica 100% do tempo dele a isso, né?
Eu e Marina, a gente ainda tem outros trabalhos, né? Eu tenho meu estágio na área de jornalismo mais tradicional. Marina tem o trabalho dela. E só que, assim, muita gente fala, porra, como é que você se dedica tanto, assim, a um projeto que nem te rende dinheiro, sabe?
E realmente, até rende, mas é muito pouco e muito de vez em quando, sabe? Mas a gente tem um compromisso que, cara, não tem hora, né? Tanto que a gente já pensou várias vezes em, tipo… Não, a gente vai decidir as coisas do poderista em horário comercial.
Porra, mas aí é duas horas da manhã, eu tô pegando o celular, pegando o celular, assim… Marina, olha, então, é o seguinte… E fica lá duas horas mandando áudio, ela me responde, enfim… Então, tipo, a gente se dedica muito, assim, sabe?
E é aquela coisa, a gente gosta muito de fazer… É até difícil explicar, né, gente? Por que a gente se dedica tanto, assim, né? Essa é uma boa pergunta, sabe, Pedro?
Hoje eu vejo, assim, que… Quanto a minha vida eu dediquei a isso? É muita coisa, é muito tempo dedicado, são muitos anos de postar notícias pelos fãs, de gravar vídeos correndo. Meu, essa pergunta que você faz agora, eu acho que é a resposta de tudo, sabe?
Por que a gente faz tudo isso? Por que a gente ama fazer parte dessa comunidade? Sim, e eu acho que acontece que é isso. No fim das contas, parece que o resto é bônus, né?
Assim, tipo, assim, pô… A gente faz isso, a gente consegue ver a reação das pessoas… E eu adoro, cara, tipo, assim… Eu percebi de mim mesma que eu gosto de produzir conteúdo qualquer que ele seja.
Fazer um podcast, um conteúdo de uma rede social, um vídeo de postar e ver as pessoas reagindo e curtindo. É uma recep… É muito bom. Eu tenho minhas dúvidas se eu estaria no trabalho que eu tenho, que eu tô hoje em dia, se não fosse o Poteiriche.
O Poteiriche é a experiência de trabalho que eu tenho, sabe? É uma escola, né? O nosso total. E que escola, viu?
Nossa… As primeiras entrevistas que eu fiz, as primeiras matérias que escrevi foram todas pro Poteiriche, sabe? Eu acho que eu não teria feito jornalismo se não fosse o Poteiriche, sabe? É o que eu amo fazer na minha vida, é só o que eu amo, é só o que eu amo.
Na realidade, eu não consegui me ver fazendo outra coisa, mas quem me mostrou que eu gostava tanto disso foi o Poteiriche, sabe? A mesma coisa aqui, exatamente a mesma coisa. Eu descobri que eu era apaixonado pelo jornalismo fazendo o que eu faço hoje, que é postando notícias e tudo mais. É, exato.
Não, e assim, gente, vocês que estão ouvindo aí, se alguém tem algum interesse em fazer algum trabalho voluntário com o próprio Poteiriche, a gente precisa de equipe, a gente precisa sempre, né? Não é que a gente tá precisando agora, a gente sempre precisa de ajuda pra fazer mil coisas, porque, apesar de, enfim, Harry Potter já existia há 23 anos, muito antigo, a gente sempre tem muitos projetos novos, como este próprio podcast. Então, seja você de qualquer área, se você quiser ajudar de alguma maneira, entra lá no site do Poteiriche.com, procura vagas abertas, ou, enfim, manda um e-mail pra mim, pedro.poteiriche.com, marina.poteiriche.com, que a gente dá um jeito, e é isso, assim, sabe? A gente sempre precisa de mais gente.
Eu acho que é isso, né? A gente sempre cria lá uns projetos, cria novas coisas, porque é isso, tipo, a gente também sempre busca crescer, como o Tiago falou. Isso é muito legal, nossa. E tem uma galera esperando você hoje.
Meu, eu acho isso mais incrível. A galera espera você comentar a notícia, espera a sua opinião sobre a notícia, espera a forma que você vai dar a notícia. Isso entra muito no Poteiriche, entra muito comigo também. Hoje, a notícia de Harry Potter sai, mas a galera entra nas redes sociais das pessoas que comentam o Harry Potter pra ver o que elas falaram sobre a notícia.
Isso é muito incrível. Mas, assim, eu acho que tem horas que é bom também, mas tem horas que é muito ruim, tem horas que eu queria curtir uma notícia só como fã mesmo. Existe esse lado também. Às vezes você quer só curtir a notícia, mas a galera existe que você se fale, se posicione, se fala alguma coisa, mas você só quer, sei lá, ficar na sua também.
E a galera tem essa coisa também, mas acontece pouco, acontece pouco. Mas quando acontece é meio chatinho também. Ué, eu quero, como for, simplesmente sentar aqui na minha cama e analisar o trailer mil vezes comigo mesmo, mas aí você tem que… Não, não, eu preciso analisar, mas é porque eu preciso produzir um conteúdo sobre isso.
Exemplo perfeito. Às vezes eu quero curtir um trailer e assistir o trailer 100 vezes, mas eu lembro que a primeira vez que eu tenho que assistir ele é agindo lá no canal. Mas às vezes eu só queria, entendeu? Um lado meu, obviamente, entende a responsabilidade, mas o outro só queria curtir o trailer junto com todos os fãs ali no Twitter, como eu fazia, sei lá, antigamente, você curtia e tudo.
Mas vale a pena, compensa. Então, gente, o papo tá muito legal, enfim, ficar falando sobre como é produzir conteúdo de Harry Potter, rendir horas. Toda vez que a gente se encontra, evento final, saudade, pandemia, a gente fica discutindo isso. Vez ou outra no WhatsApp, enfim, mas eu queria saber, assim, como que vocês enxergam o futuro de Harry Potter, assim, sabe?
Especialmente desse ponto de vista de criadores de conteúdo para fãs de Harry Potter. Eu enxergo bastante, eu fico animada pensando quais outras redes sociais devem surgir e de que forma elas podem melhorar o conteúdo que a gente faz. O que eu fico pensando é isso. Agora tem o TikTok, que tem muitas possibilidades, que tem várias pessoas aí, fazendo um conteúdo sobre Harry Potter, mas ninguém faz especificamente, no geral, né?
Então você abrir um outro perfil, fazer outra coisa, ver qual que vai ser seu tipo de conteúdo ali. Eu acho isso muito interessante de pensar. E pensar também os outros projetos que devem vir, né? Desse Wizard World, dessa marca agora, né?
Que engloba o mundo de Harry Potter. Como que a partir disso pode chegar mais fãs, né? Que parece que Harry Potter tá em todo lugar e atinge muita gente, mas pode atingir tanto mais. Isso é muito louco de pensar, né?
Da gente atingir novas pessoas e produzir novos conteúdos. E acho que quanto mais conteúdo pra gente discutir, melhor, né? Afinal, agora a gente criou o podcast, a gente tem que ficar discutindo por um bom tempo. O básico, né?
E você, Diego? O futuro de Harry Potter, pra mim, muito vai se dizer agora com Animais Fantásticos 3, que vai ser pela primeira vez um filme no nosso universo de Harry Potter no Brasil. Então eu acho que isso vai dar uma movimentada muito legal no fandom. E a galera vai sentir uma nostalgia muito grande.
E assim, tem também toda a questão de Harry Potter é algo muito incerto no sentido de anúncios. A qualquer dia, semana, pode anunciar alguma coisa, uma série nova. Agora o futuro também pra mim é muito streaming, séries de streaming. Então acho que, querendo ou não, logo logo o Harry Potter vai ter a sua série.
Não sei o que vai abordar. Mas são imensas possibilidades, gente. Mas eu vejo um futuro muito bom, assim, com o jogo de videogame, agora Hogwarts Legacy. E Harry Potter é isso.
A galera ama e eu tenho certeza que daqui 10, 20, 30 anos vão continuar falando sobre também. Sim, com certeza. E eu acho que muita gente questiona até, né? Ah, porra, já faz 23 anos que lançou o primeiro livro.
Já faz sei quantos, sei lá, quase uma década que lançou o último filme de Harry Potter. O Animais Fantásticos já faz o quê? Dois anos. Como que vocês continuam aí, sabe?
É óbvio que o universo de Harry Potter é um universo finito, né? Só que assim, ele é tão rico em detalhes que mesmo depois de tanto tempo a gente consegue criar conteúdo dando abordagens diferentes pros assuntos, né? Então aqui no Semanário dos Bruxos mesmo é um projeto que a gente quer muito fazer isso. A gente já passou, assim, não sei se esse episódio já vai ter saído ou não quando sair este aqui.
Mas a gente passou horas discutindo a Lilian e a Petúnia. A gente vai discutir a English Snape, a gente vai e assim, por incrível que pareça, ainda dá pra poder, dá pra poder discutir Harry Potter e produzir conteúdo de Harry Potter de maneiras diferentes, assim, sabe? Propondo reflexões diferentes. É promissor, é promissor o futuro.
Sim, com certeza. E bom, caso alguém aqui não conheça ainda, acho muito difícil, até porque se vocês estão escutando esse podcast vocês devem ter muito interesse, então vocês devem conhecer. Mas, Tiago, quais são as suas redes sociais? Como que é o seu canal?
Alguém queira entrar em contato com você e assistir o seu conteúdo. Como é que faz? Vamos lá, gente. Pra quem não me conhece, meu canal é Observatório Potter.
Minhas redes sociais, tanto no Instagram, Twitter e TikTok, é TiegoNovaes com T-H-I-E-G-O, Novaís com I. Fiquem à vontade pra me seguir. Agradeço muito, muito mesmo. Pedro e a Marina já são amigos meus, mas agradeço o convite por participar.
Pra mim é uma honra. É o que eu sempre falo e vou sempre falar. O Potterist tem uma importância gigante dentro do fandom de Harry Potter no Brasil. Eu agradeço, principalmente, por toda essa rivalidade que a gente brinca do Oclumense Potterist.
Mas vocês são gigantes. Eu quero que vocês lembrem sempre disso e vocês têm uma história muito bonita pros fãs de Harry Potter do Brasil. Então, parabéns por isso. Ai, gente, tô quase chorando.
Muito obrigada, Tiago, por participar, realmente. Quando a gente pensou em nomes pra, pelo menos nessa primeira lévia que a gente tá gravando agora, quem chamar, com certeza, seu nome não podia faltar. E é isso, muitos anos de história dentro do fandom e uma importância muito grande. Você teve antes do canal e agora com o canal.
Isso é muito louco, né? Que você acompanhou muito tempo. Eu me orgulho muito também do trabalho que eu tenho feito pelo fandom, a de Harry Potter. Acho que a gente tem que se orgulhar mesmo.
Foram 16 anos trabalhando com a série com o fandom e eu não me arrependo e não trocaria um dia dessa história. Exato. Vocês ainda vão ver muita gente por aí, viu, gente? O Potterist, o Observatório.
Também tem certeza que o Caldeirão, enfim, os outros são sites animados. A gente vai continuar ainda por muito tempo. Com certeza. E bom, caso vocês tenham chego ao Semelário dos Bruxos pelo Twitter do Tiago, pelas redes sociais do Tiago e queira conhecer o Potterist.
Eu acho que Marina pode fazer as honras da casa, né? Apresentar o Potterist. É, o Potterist é um fansite de Harry Potter, né? A gente está no ar desde 2002.
É muito tempo. A gente tem vários conteúdos. Tem o MakePedia. Tem os conteúdos do Pottermore.
E é isso, o Potterist.com. Lá você consegue encontrar tudo. Nossas redes sociais é arroba Potterist no Twitter, no TikTok e no Facebook. E Potterist oficial no Instagram.
É isso então, gente. Muito obrigado pela participação. E você, ouvinte, se você gostou desse episódio, não se esqueça de seguir o Potterist no Spotify, no Deezer, onde quer que você esteja ouvindo pra você pegar os próximos episódios, ficar ligado nas nossas redes sociais. E é isso.
Obrigado, viu, gente, pela participação. Não esquece de classificar também. Cinco estrelinhas aí. Agradeço também, gente.
Brigadão. Beijo, até mais. Um beijo e até a próxima.







