#3: Como é ser figurante de Harry Potter e Animais Fantásticos, com Danielle Salmoria e Marianna Graf

#3: Como é ser figurante de Harry Potter e Animais Fantásticos, com Danielle Salmoria e Marianna Graf

Semanário dos Bruxos

Episódio 343min 55s1 de dez de 2020

🎙️ Episódio 3 · 43min 55s · 1 de dez de 2020

Participar de um filme do Mundo Bruxo é o sonho de muitos fãs. As atrizes brasileiras Danielle Salmoria e Marianna Graf tiveram esta oportunidade ao serem figurantes de Harry Potter e Animais Fantásticos. Em conversa com os apresentadores do Semanário dos Bruxos, Pedro Martins e Marina Anderi, Danielle e Marianna contam como conseguiram e quanto ganharam pelo trabalho, dão dicas a quem quer trilhar o mesmo caminho, e revelam curiosidades e segredos do dia a dia nos bastidores!


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Sejam bem-vindos ao Semanário dos Bruxos, o podcast poteriche. Eu sou Pedro Martins, editor-chefe do site. Eu sou Marina Anderi, gerente marketing. Marina, eu não sei você, mas eu, quando eu assistia aos filmes de Harry Potter, quando a gente tinha DVD ainda, enfim, eu sempre ia na loja, eu queria comprar o DVD duplo, pra poder ver os bastidores das gravações dos filmes, enfim.

E aí, ver o pessoal gravando, assim, aquela coisa toda diferente, ver como que a magia do cinema acontece, foi uma coisa que me deixava muito fascinado, assim, sabe? Ah, eu também, com certeza, principalmente quando eu fiz cinema, né? Então, muito acho que me incentivou a estudar isto, a estudar filme e tals. Foi ver o bastidor de Harry Potter, né?

Ver como tudo tava rolando. Sim, sim. E no episódio dessa semana do Semanário dos Bruxos, é justamente sobre isso que a gente vai falar. A gente vai conversar com duas fãs brasileiras de Harry Potter, que participaram das gravações de Harry Potter e de animais fantásticos como figurantes.

A gente recebe aqui hoje a Daniele Salmória. Oi, pessoal, tudo bem? E a Mariana Graff. Olá, tudo bem?

E a primeira coisa que eu queria saber de vocês, assim, é como vocês conseguiram um trabalho de figurante. Hum, então, eu fiz figuração há bastante tempo, eu não fiz de animais fantásticos, né? Eu fiz das Relíquias da Morte, parte 1. E foi uma época que eu tava morando em Londres, eu já era formada como atriz aqui no Brasil, e eu fui pra lá pra estudar mais, pra fazer especialização, no Teatro Musical Shakespeare, e comecei a entrar nas agências pra trabalhar como figurante.

Mas eu tinha essa agenda específica de fazer figuração de Harry Potter, porque quando eu cheguei, fiquei na casa de uma senhorinha, era a minha host family, e ela tinha um neto, e o neto dela era chamado direto pra fazer figuração, e no Príncipe Mestizo, acho que era na época, e ele nem dava bola, assim. E eu, gente, preciso, daí ele foi me dando umas dicas, e demorou um pouquinho, eu me candidatei, tive que esperar a próxima janela de seleção daquela agência específica, aí vai, faz todas as medidas, teste, não sei o quê, e aí fiquei cadastrada na agência, e aí é só sentar e rezar e esperar. Me chamaram pra fazer essa figuração em abril de 2019, nossa, faz muito tempo. Então foi assim que eu entrei.

Legal, e você, Mari? O meu, eu também fui pra Londres com a intenção de ser atriz, de estudar por lá e tal, e aí eu tinha uma amiga que ela era atriz também, ela me falou, ah não, eu fiz essa seleção, e eu tô tendo esse, todo dia, na próxima semana, ensaiando com David Yates, não sei o quê. E eu nem me toquei que eles tavam fazendo Animais Fantásticos, eu fiquei, ah legal, sabe aquela amiga que é meio exibida, assim, que fica falando assim, e eu, ai, massa, assim, eu nem sei o que te dizer. E aí depois eu me toquei, eu, caralho, ela tá falando de Animais Fantásticos, ela, tipo, eles tão gravando aqui, e aí eu peguei e fiquei, não, então tá, como é que faz?

Aí ela me falou, né, porque era o do Animais Fantásticos, o primeiro, tá, uns anos 20, ela falou que eles tavam procurando gente com cabelo curto, e eu tinha acabado de cortar meu cabelo, ai, meu Deus. Do que eu vi era muito, muito pelo look, assim, era muito pelo seu visual. Então, eu me cadastrei em todas as agências, coloquei lá, e aí eles me chamaram, não era nem a questão de você ser atora, era muito mais pro, ah, você tem cara de que você é dos anos 20, você tem cara de bruxo. Eu acho que eu trabalhei em 2016, eu trabalhei de outubro até fevereiro do outro ano, mas assim, não é você trabalhando direto, eu peguei vários dias picados, assim, e eu fiz também, acho que foi em 2018, não lembro, não lembro as datas, mas aí eu fui o do segundo, que eu trabalhei muito menos, eu só fiz uma semana que foi naquela samba do circo.

Legal. Ah, eu queria saber, né, então vocês foram muita com essa, po, quero ir pra Londres, quero estudar, aí realmente, eita, tem Harry Potter aqui no meio, vou tentar, quanto tempo demora entre você fazer o cadastro e ser chamado? Nossa, eu não vou lembrar quando que eu fiz o cadastro, só que eu peguei o final das filmagens, assim, de Harry Potter mesmo, né, da franquia original. Então, eu não sei se eu já tinha gravado outros filmes, não lembro se foi antes ou depois, eu fiz vários, figuração em vários filmes, né, em várias franquias diferentes, mas Harry Potter eu gravei em abril de 2009, mas claro que quando a gente chega num país novo, demora, eu sou lerdinha, assim, e um pouco tímida, então eu devo ter demorado até conversar com as pessoas, fazer contar e fazer os testes nas agências, mas eu fiquei nessa expectativa, assim, eu vou dizer, no mínimo, sei lá, uns seis meses, mas se a gente parar pra pensar, eu tava na expectativa há muitos anos, né, porque toda a minha ideia de ir pra Londres era estar mais pertinho, participando minimamente disso tudo.

Entendi, foi muito, né, tipo, realizar o sonho de fã, né, acho que todos nós, em algum momento, a gente fica, cara, queria, mas ninguém pensa que, nossa, o negócio pode se realizar, né, de uma forma. Que é possível, né? Sim, pra mim era um negócio surreal, assim. Entendi.

E você, Mari, quanto tempo foi entre fazer, né, os testes e tals e ser chamada? Assim, eu não cheguei a fazer nenhum teste, eles só tiravam as minhas medidas, cê botavam as fotos e eles te mandam mensagem, eles vão te mandando e-mail. A gente tá procurando alguém pra fazer a cena tal, é, você tá disponível? E aí depois desse tono em um to, eles te falam que você tá penciled, que é meio que tipo, ah, você tá meio que selecionada, mas não é nada garantido.

E aí você fica esperando até eles confirmarem, na maioria das vezes eles não confirmam, aí você fica muito triste porque você quase conseguiu. E aí às vezes você dá sorte, né, e eles confirmam. Eu não lembro, mas acho que foi mais ou menos… Eu já morava em Londres sem saber dessas coisas, que nem ela falou, mas assim, deve ter sido um mês, mais ou menos, até eles chamarem.

Mas é muita sorte, depende muito, assim, porque eu conheci pessoas que queriam fazer também, eu tinha uma amiga que ela era alemã e ela era muito parecida comigo, até, e ela se cadastrou e nunca foi chamada, é muito tipo, meio que sorte, assim. Acho que depende muito das suas medidas também, das roupas que eles vão ter disponíveis, do quanto tempo você tem disponível. Se você tem muitos dias disponíveis, você tem muito mais chance de ser chamada. Agora, se você trabalha, se você tem um trabalho assim, ah, eu trabalho tais dias, normalmente eles…

é muito mais difícil eles chamarem. Quanto que ganha, normalmente, um figurante, assim, por diária, por filme, como é que funciona isso tudo? Então vamos lá em ordem cronológica, né, os meus valores são de 10 anos atrás, a Mariana vai ter valores muito mais recentes, mas eu tenho aqui, nas minhas mãos, o meu Autist Salary Voucher, então é exatamente quanto eu ganhei por essas duas diárias, digamos, do Deathly Hollows, foi 118 libras e 127 libras por diária. Entendi, mas aí tem uma variação, né, uma pequena variação de um dia para o outro, você sabe dizer porquê?

Sim, é o Overtime. O que seria isso, senhor? Olha só, um dia padrão, era 79 com 59, tá? E acrescentando, não só o Overtime, mas por exemplo, se aparecer o meu rosto mais em close, era outro valor.

Se você tivesse uma fala mínima, que eu cheguei a ter, mas em produções bem menores, aí é outro valor. Mas esse aqui, o meu do Harry Potter, especificamente, o que eu acho que aumentou mais, foi porque era de madrugada. Ah, sim. Porque o Overtime é 7 libras, então sim, cada meia hora a mais, a noite eles tinham que me pagar…

Ah, é, a noite era 9 libras, ó. Então, vai. Tem uma diária X, e se você, como a Mari falou, vai aumentando muito para cada meia hora extra. Mas vocês têm que lembrar que, tipo, 10 anos atrás, o usuário mínimo em Londres era 6 libras por hora, 7 libras por hora.

Então era um valor bem bacana. Nossa, que incrível. E hoje em dia, né, Mari? Quanto que foi para você?

É que nem eu vou, depende muito do dia. Hoje, assim, eu acho que a diária é 89 libras se você for gravar de dia, e umas 100 libras se você for gravar à noite. Só que para você ganhar dinheiro mesmo, você tem que torcer para você ficar muito tempo. Teve uma noite, por exemplo, que eu gravei Mulher é a Maravilha, e a gente ficou gravando 15 horas.

Nessa noite eu ganhei 280 libras. Meu Deus. Tudo. Porque assim, é que, como ela falou, a cada meia hora você ganha um dinheiro a mais.

Só que também a cada meia hora o dinheiro que você ganha aumenta. Então, sei lá, se na primeira meia hora você ganha 7, na próxima meia hora você ganha 8, na próxima meia hora você ganha… Entendeu? Vai aumentando.

Isso. A diária, quantas horas tem a diária fechada? São… Ah, depende.

Tem uma coisa que eles falam que é o broken lunch, que é quando você não consegue ter uma pausa para o almoço. E aí são… A partir de 8 horas, eu acho, eles começam a contar o overtime. Porque aí você tem…

Como você não teve tempo para almoçar direito, eles já contam antes. Ou até menos, eu não lembro. E aí tem o do dia normal, que eu acho que são 9 horas. E aí depois disso começa a contar o overtime.

Se você trabalha de madrugada e muitas horas, e você começa, por exemplo, se você começa a filmar antes das 6 da manhã, você ganha um aumento também. São várias regrinhas que mudam o valor. Sim, aí se você corta o cabelo, o homem normalmente tem que fazer a barba, para os cabelos, eles sempre ganhavam dinheiro para cortar o cabelo. Se você tem que cortar muito o cabelo, eles te param mais.

Se você tem que andar de bicicleta, você ganha mais. Se você tem que fazer alguma coisa diferente, sei lá. Teve uma cena que eu fiz que… Vocês lembram daquela cena do ano mais fantástico, que eles molham todo mundo para pagar a memória da galera?

No primeiro filme do Pássaro Trovão, você fala? Isso, eu fiz aquilo. Então, para eles molharem a gente, eles davam um pouquinho a mais também. Apesar de que não valeu tanto que eles pagaram, porque eles…

foi no inverno. Devia estar frio, né? Cara, foi no inverno que eles gravaram aquilo, tipo, em fevereiro, tá ligado? Então, imagina.

Nossa! E eles estavam muito mais preocupados com as roupas do que com a gente, né? Então, eles… Mas que ano que você gravou, Mariana?

Só para eu ter uma noção de… O primeiro eu fiz em 2016, mas eu morei em Londres, acho que cinco anos, e eu comecei a fazer isso no meu primeiro ano. Então, acho que eu parei de fazer, já era… Da última vez que eu voltei de Londres, no passado, foi a última vez que eu fiz filme.

Mas, assim, depende muito da época, né? Tem época que tem muita coisa sendo filmada, tem época que não tem, tem época que eles chamam muita gente, tem época que eles não chamam. E, assim, hoje em dia, eu não sei como é que era antes. Eu acho que antes era um pouco diferente nesse sentido.

Como tem muita gente chegando em Londres, isso meio que virou um mercado, assim, de… Ah, é descartável. É, assim, eles chamam a galera, aí vem uma próxima galera, então, assim, eles não… Eles estão pagando menos, até em algumas produções, porque sempre tem gente.

Tem gente que vai fazer qualquer coisa, entendeu? Para estar num filme grande desse. Pois é, eu estava pensando nisso, né? Foi uma diferença de, sei lá, seis anos aí, sete anos, mas não aumentou muito, né?

Pois é. Às vezes, é essa coisa que a gente estava falando, né? De ter umas experiências que são meio ruins, meio bizarras e… Até nos animais fantásticos, assim.

Eu lembro que a gente gravou tudo no inverno. A água dos figurantes para lavar a mão era gelada. E a gente lavava muito e ficava tremendo. E você ia no banheiro do crew, que é diferente, que é tudo separado, né?

Pelo menos hoje em dia. Eles tinham sabonetinho e creminho, e o lugar aquecido era completamente diferente do que o dos figurantes, tá ligado? É uma coisa totalmente separada. Não, a minha experiência com o Harry Potter foi…

Foi só alegria, assim. Eu morri de frio, mas foi porque eu quis. Não, é porque eu podia ir com um figurino… Às vezes, eles colocavam um figurino na gente específico, né?

E eu ficava até impressionada com a dedicação que eles tinham para a figuração. Sei lá. Mas tem outros, por exemplo, esse do Harry Potter, eu poderia ir com a roupa que eu quisesse. Só tinha algumas instruções.

E o meu namorado na época, que gravava muito o Harry Potter, falou, você vai passar frio. Não vai com essa roupa. Mas é óbvio, né? Que na off chance lá, se por acaso eu viesse aparecer no filme, eu queria estar…

Perfeito, né? Maravilhosa. Então eu fui com um vestido, gente, de alcinha maravilhosa. Sei lá, que a minha mãe tinha usado, tinha feito para ir no casamento da minha tia.

Tinha toda uma história. Seria como uma luva, assim, era lindo no corpo. Mas eu tinha que ficar com um casacão por cima e toda vez que os caras falavam, gravando, eu tirava o casaco e a menina segurava. Porque sem condições, período desgraçado.

Eu acho que… Eu acho que foi experiência diferente um pouco, né? A sua e a da Mari. Porque eu ia até perguntar para vocês agora de quais cenas vocês participaram, né?

Porque no caso da Dani, ela está dizendo que ela podia meio que escolher a roupa dela. Mas no caso da Mari, como era anos 20, acho que não era muito, né? Ela não escolhia muito, né? Assim, porque eu não sei se vocês conhecem a figurilista, devem conhecer que vocês são poteristas, né?

Ela é uma pessoa super… Já ganhou 50 milhões de Oscars. Ela já me chama de cabeçuda. Gente, como assim?

Ai, gente, foi a minha primeira vez, assim. Já foi traumatizante logo de cara, tá ligado? Eu cheguei e, tipo, a gente foi vestir e tal e ela me deu um cara… Ela, ai, você vai ficar com essa jaqueta aqui, mas cuidado porque ela tem 100 anos.

Um jaquetão de couro, assim, naquela cena que é do pessoal chegando em Nova York e também a cena que eles estão indo embora. No navio? Uhum. É…

Nossa, aí eu fiquei com muito medo, porque muita responsabilidade, né, velho? Mal bebi a água, assim, com medo de derrubar alguma coisinha na roupa. E aí ela estava tentando achar um chapéu para mim, tentando achar e ela não achava um chapéu com o Bessy. Aí ela, nossa, você é muito cabeçuda, eu não estou conseguindo achar nada para você.

Gente, que escrota. Eu, tipo… Me desculpa. Ela falou num tom escroto, tipo…

Foi uma escrota. Ela disse, ai, I can't find anything for your big ol' head. Ela é bizarra. Gente, todo mundo tinha medo dela.

O pessoal do figurino é uma coisa assim, a galera, eu acho que, eu concordo com ela, tem muita atenção para o detalhe, assim. É uma coisa bizarra. Até o brinco que você usa, você vai ficar um… você vai ser um blur, assim, lá no fundo e eles estão super preocupados.

Exato. Até porque se dá errado, né, de quem vai ser o negócio do figurino, não é isso aí, né? Tipo, a pessoa só repara quando dá errado. E tem 350 milhões de extras, tudo certo?

Mas se um aparecer na câmera com o relógio novo, já se tracou a experiência, vai aparecer os outros zoados na internet para o resto da eternidade. Bizarro a minha primeira experiência, assim. Eu sai chorando de lá, com medo deles não me chamarem. Só que me chamaram, eu trabalhei pra caramba, mas assim…

Mas foi uma grosseria gratuita de um dia, como provavelmente ela deve fazer com várias pessoas, né? Sim, mas assim, você não sabe, né, véi? Você está lá a primeira vez… Mas aí uma pergunta, Mari.

Quando ela ganhou o Oscar, você ficou puta? Então, me diga. Tempo que ela era uma escrota, mas que ela mereceu o Oscar, ela mereceu. Entendi, entendi.

Uma boa profissional, pelo menos. Exatamente, assim. Mas eu acho que ter um budget, né, um orçamento gigantesco, tá, é uma grande responsabilidade, mas não há desculpa, né? Porque é muito pelo contrário.

As pessoas estão numa situação muito confortável. O que diziam lá na agência, que eu não tenho a menor condição de dizer se é verdade ou não, era que o budget de Deathly Hollows, do filme 7, no momento em que saiu o 6 e teve uma boa repercussão, esse budget, ele saiu de X, que era, para ilimitado. Aconteceu de gente ser transportado pra uma locação X e helicóptero e não sei o que, e fica lá a noite inteira e não ser usado, entre aspas, não gravar nada, sabe? Tá, tem uma tensão pela responsabilidade, mas quando você tem um conforto financeiro, você não tem tanta pressa de tempo, tá, agora pensando em indústria, sabe?

Eu acho que vai muito da personalidade das pessoas. A minha experiência foi, os caras foram uns amores, eles colocaram todo mundo sentado. A cena que eu gravei foi uma cena super complexa pra eles. Qual cena foi a que você gravou, Dani?

Então, a cena que eu gravei é a cena em que o pessoal, o trio, né? Eu gravei, imagina, gente, eles estavam, na época, hyper, hyper, hyper, Emma, Daniel e Rupert, na cena, e era a cena que eles saem do casamento do Guy e da Frere, e eles têm que ir aparatar, em Lowe, eles saem correndo, porque os comensais invadem o casamento, né? Então, eles aparatam no livro, né? Eles aparatam em Totten Court Road, mas a gravação foi feita em Picadilly Circus.

Eles, na época, fizeram uma operação meio de casamento real, assim. Eles fecharam muitas quadras do centro de Londres, porque tinha a imagem aérea e tal, e eles contrataram entre 400 e 500 figurantes pra essa cena. Porém, cerca de 30 figurantes ficaram na quadra mesmo, em que o trio aparata. Eles aparatam e eles quase são atropelados por um ônibus Double Decker vermelho, vocês lembram dessa parte?

Que eles dão um pulinho pra trás. Sim, sim. Tá, e daí eles começam a correr apressados pela rua a andar, aquela galera caminhando. Esse pessoalzinho que ficou mais próximo deles não foram tantos figurantes.

Mas tinha gente assim, ó, se você olha de longe, todo tinha um ônibus vermelho que circulava, assim, ao longe. No segundo dia de gravação, que eu me dei conta que aquele ônibus não era um ônibus real, quer dizer, era um ônibus real, mas estava sendo dirigido e povoado por figurantes, entendeu? Todo mundo que aparecia na cena, a distância de quadras era figurante. Então, eu imagino que devia ser bem tenso, e ainda assim, eles foram o tempo todo extremamente gentis.

Eu lembro na primeira noite que eles sentaram a gente e disseram, pessoal, botaram um pouco de pressão, disseram que era um negócio muito sério, que não podia sonhar em tirar foto, em gravar nada, que era pra ser uma locação secreta, entre aspas, né? Só que, óbvio que vazou, não tem como. No centro de Londres, como, né? Exato.

Se interditou tudo. Isso, exato. Então, mas assim, as barreiras, as grades, estavam bem, tinham um perímetro bem bom. Ainda assim, no outro dia aparecia, eu lembro, na capa de um jornal, a Emma, com o vestidinho vermelho, aquele, como se ela tivesse posado pro cara, como se o cara tivesse, assim, colado na gente.

Mas ele não tava, ele devia estar muito longe. Aquelas câmeras poderosas. Então, eles botaram essa pressão, mas ao mesmo tempo rolou um papo, assim, tipo, sejam bem-vindos à família Harry Potter, não sei o quê, a família Warner, sabe? Eu achei muito legal, né?

Eles fecharam o McDonald's que tem ali, na Strand, tinha sopa de abóbora, tinha coisinhas pra gente, sabe? Eu dei muita sorte, porque eu fui uma, tipo, das 20 ali, que passaram a noite inteira, eles passavam por mim, assim, os três, tava indo e voltando, era só isso que eu fazia. Ia e voltava, ia e voltava. E frio, muito frio, e além de tudo…

Imagina, eu era uma figurante idiota, que não tinha sido vestida adequadamente, e as meninas ainda foram gentis de ficar, assim, no início não, mas uma hora elas viram que… De lá vai desmaiar. Elas ainda faziam essa gentileza de ir no… Antes do action, segurarem meu casaco, sabe?

Eu achei bem legal. Sim. Nossa, que perfeitas. Tinha aqueles atores stand-in, que a gente chama.

Tinha uma menina, que se você olhasse de gostas, ela era a Emma. Emma até já fez várias coisas com ela, várias matérias aí e tal. Ela tinha umas três, eu acho, cada um deles tinha uns três. São atores mais ou menos da mesma altura, com a mesma cor de cabelo, tudo igualzinho.

E eles fazem a marcação para o ator principal, para o ator não ter que se desgastar. Eles não aparecem em cena nenhuma. É diferente de um ator stand-by, que substitui um outro ator no teatro quando precisa. Esse ator ele não vai aparecer, mas ele recebe um valor bacana também, porque toda a marcação de luz, de câmera, é feita com ele.

Para que a Emma não se sata ficar desmaiando de frio, duas no madrugadas, entendeu? Até está tudo direitinho para valer a mesma gravação. Foram dois dias de gravação? Foram dois dias para esta cena só.

Que durou, não sei, né, gente? Dois segundos no máximo. Esses dois segundos ali, acredito que na primeira noite eles deviam ter testado muito, porque eu lembro que nós gravamos algumas horas com os stand-ins ao invés dos atores mesmo, até os atores chegarem. Entendi.

Nossa, é que pelo menos aqui no cinema brasileiro, a gente chama de dublê de corpo, é literalmente dublê de corpo. Porque você precisa do corpo da pessoa, né, para poder marcar a luz e perder um negócio e tals. Marcar foco de câmera, né, eu imagino. Perfeito, é isso aí.

É isso, eu não sabia como chamava isso. Realmente é uma coisa bem usada, porque é muito cansativo você gravar a cena enquanto ator, né? Sim. E aí, além disso, antes disso você ainda tem que ficar fazendo teste de luz, aí, pô, você é uma produção que tem mais dinheiro, aí contrata alguém só para fazer isso mesmo.

E você conseguiu se ver na cena, Dani? Não, eu não me vejo. É muito triste. Eu tenho amigas que juram, que me viram, porque lá em Londres tem um IMAX, que é bizarro, é ridículo a tela, e teve uma exibição, um negócio que era tipo um director's cut, deve ser tipo essa coisa do DVD, que o Pedro falou no início, né, que tem os extras e tal.

Eu sou uma péssima pessoa. Eu sou uma péssima artista. Nem as coisas que eu fiz que eu tinha falinha e tal, eu nunca fui atrás, eu nunca pedi gravação para BBC. E esse filme, claro, eu já assisti o filme algumas vezes, né, mas eu nunca fui ver se tem uma persiga estendida ou alguma coisa assim.

Sei que algumas amigas disseram que me viram, amigas lá de Londres, tá? Não sei se elas imaginaram, porque tem um cara, tem um cara punk que aparece na cena, tá? E esse punk, ele tava do meu lado. E o punk não tem como não ver o punk, gente, é o punk.

As coisas que vocês verem vocês vão lembrar de mim. E o punk, era para eu aparecer do lado do punk. Só que a pessoa muito inteligente, eu fui com aquele vestido lindo, maravilhoso, só que ele era azul marinho, para gravar de noite, eu de cabelos, castanha e escuro, sabe? Assim, não sou um super destaque, né?

Se fosse hoje, eu ia com o chapéu amarelo. E é rápido e eu nunca vi em slow motion. Mas assim, eu até, eu não me vi. E a única coisa que me consola é que eu nunca tinha ido no museu, né?

No museu lá em Leavesden. Porque eu voltei de Londres em dezembro de 2011, o museu inaugurou em março de 2012. Esse ano eu fui agora em março para lá e fui no museu. E aí tem um filme de fãs, de pré-estreias e tudo mais, da saga em si, que aparece logo quando abre, assim.

Quando você entra, né? Antes de abrir a porta do salão principal, não é? Isso. E eu apareço bem nesse vídeo.

Deu, ah, tá bom, obrigada. Destino me compensou. Ah, lembra de alguma coisa, né? Mas assim, eu tenho um amigo com uma história mais trágica ainda, porque ele gravou uma daquelas cenas do tribunal.

Parecia na cena, tinha até uma falinha e a cena foi toda cortada. Puts, triste. Meu Deus. Ah, deve ter versão estendida, pelo menos.

Mas gente, assim, totalmente. Só assim, quando eu vi aqueles atores, quando eu vi os três passando por mim, assim, sério, por mim, se eles soubessem que eu teria pago para fazer isso, eles não estavam terminando. E é engraçado que teve gente que não percebeu quando saíram os dublês de corpo e entraram os atores. Vocês acreditam?

Tipo, quem são esses três aí? Nossa, é outro mundo esse pessoal vive, né? Porque, meu Deus, imagina. Eles estavam lá pelagrando, imagina.

Três da madrugada, estavam ali, sabe, semi dormindo. Não sei que ação, não sei que ação. E eu lembro direitinho, porque não foi avisado para a gente. Ok, pessoal, agora.

O Radcliffe está entrando. Não, para a gente não vinha essas informações. Eu não sabia quando é que o ônibus lá recebia ação. Era bem segmentado.

Cada ação eu ia e passava por aqueles três. Daqui um pouco eu estou andando e a pessoa que passa pelo meu lado não é mais o Joãozinho, que tem o cabelo igual o deles, era ele, tipo assim, sabe, mas é uma ótima, meio que deu uma roçada no meu ombro. Gente, o que é isso? Você nunca mais lavou o ombro.

O que eu faço agora que eu sinto, choro, tiro uma foto, saio correndo, vou ser presa, mas foda, não sei. Não sei o que passou na minha cabeça, mas eu era tão cagona, assim, que eu obedeci e fiquei ali só aproveitando os meus momentinhos em silêncio. Rolava assim um tipo… Sorry, sorry, excuse me.

Porque, imagina, eles passavam e eles precisavam voltar todo o caminho para caminhar de novo na mesma direção, entendeu? Então ela falou, ela pediu desculpa para você. Isso. Daniel, a Emma não pediu desculpa.

Ela estava com muito frio, eu acho. O pessoal falou que ela era antipática. O pessoal, eu digo os outros segurantes que estavam gravando lá. Eu só acho que ela estava quietinha na dela, porque os guris eram mais simpáticos, né?

Então tinha esse contraponto. Não, mas se você pensar no vestido que ela estava usando, né? Exato. Você falou que você estava com frio também.

Sim, gente, eu consigo super entender. E assim, ela não foi rude, não empurrou ninguém. Ela só não ficou ali de papinha, assim. Ninguém ficou de papinha com a gente, né?

Era só na passada mesmo. Até porque não dava tempo também, né? Honestamente, assim. Isso, era só assim, ah, thank you.

Oh, excuse me, sabe? E deu. Entendi. E você, Mari, como é que foi, assim, a sua experiência gravando Animais Fantásticos?

Foi muito bacana, assim. É meio inacreditável, assim. Porque eu sempre quis trabalhar com cinema. Então você vê um filme tão grande, assim, um filme que fez parte da sua infância.

Sendo feito e, sabe, você está lá e assistindo as pessoas. Mesmo que você não faça nada. Você pode só ficar no cantinho sem fazer nada. Só de poder assistir, assim, já é uma experiência sensacional.

E foi o meu primeiro filme grande, né? Antes do Animais Fantásticos, eu só tinha feito filme de Bollywood. Foi, assim, teve as coisas ruins. Porque eu acho que eu trabalhei muito também, né?

Quando você fica muitos dias, você começa reparando as coisinhas ruins. Mas também… Tive as partes legais. Tiveram as partes legais, no caso.

Sim, e assim, eu acho que o mais legal é você sentir que você fez parte daquilo, assim, sabe? De alguma maneira, né? Exatamente. Assim, não pra gente não faça parte com o fã, né?

Porque não seria nada, assim, os fãs. Mas também poder ter visto de perto é muito… É um privilégio muito legal, assim. Você ver, assim, como foi feito é muito massa.

E quais cenas que você participou, assim, na gravação de Animais Fantásticos? Você participou dos dois, né? Então, eu imagino que você tenha participado de muitas cenas. Mas assim, das cenas mais memoráveis, assim, que ficaram na sua memória, quando você lembra desses dias.

A primeira cena que eu fiz é aquela que eu falei, né? Do barco deles indo e voltando. Que ele abraçava ela, ela chorava, sei lá. Eu tava dentro do barco.

Dá pra me ver por meio segundo. Se você pausar, assim, bem na hora certa, você vê um borrinho. Oi, sou eu, né? E nem fui eu que me achei.

É engraçado, né? Que eu contei pro amiga e ela pegou e achou. Aí eu, ah, meu Deus, não acredito que você fez isso por mim. Que eu não consegui me achar.

A maior parte do que eu fiz foi correndo na rua do Obscurus. E eu fiz as cenas também deles sendo molhado e apagando a memória. Isso no primeiro filme, né? Isso no primeiro filme.

O segundo filme, a única coisa que eu fiz foi a cena do circo. Eu estava dentro do circo fingindo que era francesa. Ai, que tudo. Porque no primeiro filme eu fui trouxa.

Aí no segundo era uma bruxa, porque eu fiquei muito feliz. Você tinha varinha? Não, eles não tinham varinha. A gente tinha só um completo.

Ah, fech… Inclusive… Não, não vou contar isso. Ah, não me conta, na verdade.

Não me conta, né? Porque é do… É um crime que eu fiz. Eu tenho um panfletinho até hoje que uma amiga minha roubou e me deu.

Ah, tudo. Ah, entendi. Ah, foi só amiga que fez o negócio. Não foi você.

Tudo bem. Não, eu ainda estava no set quando ela me deu. Eu nunca teria coragem de pegar a mesa. Ela pegou e…

Toma, Mariana! Toma, Mariana! Ai, meu Deus, não sei o que fazer. E aí eu fiquei comigo.

Mas foi legal. Pelo menos uma lembrancinha. Aliás, sobrança questão assim, né? Como é que vocês recebem orientações assim pra lidar com o sigilo das gravações, né?

A Dani, no caso, ela estava gravando no centro de Londres, mas a Mariana estava em Leavesden, né? Que lá é uma fortaleza de segurança e tudo mais. Como é que funciona essas orientações de sigilo assim? Então, eu acho que sim.

No primeiro… No primeiro Animais Fantásticos, quando eu cheguei, eles estavam inclusive pegando o seu celular. Você tinha que entregar o seu celular na hora que você chegava e você só podia pegar supervisionado na hora do almoço, alguma coisa assim, ou na hora que você estava indo embora. Senão, eu pedia ficar com o seu celular durante o dia.

Tem uma menina que também é brasileira, que era minha amiga, que inclusive foi a que me falou do filme. Quando ela estava filmando, ela falou em algum momento assim, Ah, imagina isso aqui no Brasil. Eu sou jornalista e ia ser uma história enorme. E aí alguém da produção ouviu isso e ela foi retirada do filme, porque achavam que tinha uma jornalista infiltrada…

Meu Deus! …entre os extras. E isso virou uma lenda, assim. Eu ouvi essa história completa porque eu conheci a menina.

Ah, eu comentei com ela. Ah, então, parece que aconteceu isso. Ela não, era eu. E aconteceu tal e tal.

E eu, como assim? Eu estava lá. Eu era a caneta da Rita Skeeter. Exatamente.

E aí ela virou uma lenda, assim. Tipo, ah, instalaram que ela é uma jornalista portuguesa que tinha se infiltrado. E tipo, a menina brasileira, assim, virou uma coisa entre os extras. Mas aí tinha essa coisa com segurança, assim.

Eles eram bem. E eu acho que em todos os filmes que foram filmados nessa época, começou a entrar muita gente nova. Começou a fazer os filmes, assim. Eles começaram a ter problema de gente divulgando foto, de gente contando e tal.

Porque eu acho até bizarro não ter vazado mais coisas sobre o Animais Fantásticos. Tinha muita gente. Nossa, a dependez do Pedro tinha vazado tanto coisa de Animais Fantásticos. Mentira, gente.

Nossa, eu lembro que eu contei tudo. E aí eu fiquei, meu Deus, eu não vou me prender. Depois que contou, rolou o medo. É, você vai falar, meu Deus.

Até hoje eu fico meio… Ai, meu Deus, eu vou… Não, no meu caso, eles apelaram por duas vias, assim. Primeiro, é porque tinha que…

Sétimo filme, né, gente? Tipo, o final da franquia. Era muita pressão. Tinha um negócio de roubo de script, não sei o quê.

Então, a gente assinava um contrato. Cada um nos responsabilizando. Mas, como eu falei pra vocês, rolou um pep talk, assim, meio de… Vocês agora fazem parte da família Warner.

Vocês fazem parte dessa família bruxa, de Harry Potter. Eles pediram com carinho e amor. Tentaram que você se sentir na pele deles, né? E, por outro lado, eles também faziam você assinar um negocinho ali que tinha…

Não lembro qual era o teor, se valia, se não valia. Mas que dava uma boa assustada, assim. Tipo, se eu tirar uma foto aqui, acho que eu vou ser presa e deportada. Então, acho que não.

Era bem, bem sério, assim. E você ficava com o seu celular, diferente da Mari. Ai, cara, eu não consigo lembrar, sabe? É porque era uma outra época também, assim.

Em 2009, os celulares eram outros. Não tinha as redes sociais, não era essa coisa toda. Acho que as pessoas não eram tão obcecadas, assim. Não, gente, mas era.

Era assim. Eu lembro direitinho que, tipo, eles estavam com muito medo. Porque não só nesse filme, mas vários outros filmes. Às vezes se tirava o celular pra olhar as horas e o pessoal falava de cara, sabe?

E esse negócio dos fotógrafos, o que eles tentaram fazer? Então, eles organizaram tudo. Era pra ser segredo, mas como era dois dias, né? No outro dia já todo mundo sabia.

Eles botaram uma barreira muito longa, mais distante ainda do local de gravação. Para que aí se alguém fosse tirar foto, teoricamente a foto não era pra ficar tão boa, tão de boa qualidade, assim. É, mas câmera super zoom tá aí pra isso, né? Aquelas câmeras de paparazos são gigantescas, né?

Ridículo. Parecia que… Não, gente, quando eu olhei eu desacreditei. Parecia que a Lema tinha parado e pousado.

Sim, só dó pra ver que ela não tinha pousado, que ela não tava sorrindo. Mas assim, é muito clara a foto, eu tinha que ter claridade. Mas tinha muita pressão e a galera vazava também. Nossa, na época já celulares era complicado.

É, acho que mesmo que não fosse smartphone na época ainda, né? Já tirava foto. Pior que fosse qualidade, qualquer coisa, meu. Você dava um jeito ali, enviava.

Mas eu acho que no caso dos Animais Fantásticos tinha a questão de que ninguém conhecia direito a história. Que tinha esse medinho, assim, do que ia acontecer. Ah, é verdade também, né? Ninguém, tipo, relíquias, as pessoas já tinham lido livro, né?

Por mal, então. Tinha um hype maior, mas também as pessoas já sabiam o que ia acontecer, né? É igual a Mari falou, assim, com a gente, por exemplo, do Potterish, né? Eu tive a oportunidade de ir visitar o set de filmagem dos crimes de Grindelwald.

A gente assina um termo mesmo, né, de confidencialidade. Se comprometendo a não divulgar nada até que a Warner permita. Só que eu lembro que eu fiquei com o meu celular, assim, sabe? E, tipo, todos os jornalistas estavam com os seus próprios celulares, assim.

Eu lembro que eu tava, tipo… Bom, a gente assina um termo de confidencialidade. Mas é óbvio que, entre algumas pessoas da equipe, né, por exemplo, a Marina. Eu trabalho coordinando o Potterish junto com a Marina.

E não tem como a gente não comentar uma coisa com outra, assim, né? Então eu lembro que eu tava ali no set, assim. E aí, tipo, meu Deus, eu descobri que o Nicolas Flamel vai aparecer, sabe? E eu não podia surtar.

Eu mandava mensagem pra Marina. Marina, Nicolas Flamel… sabe? Surtava um com o outro, ficava ali mais no sigilo entre os dois.

Mas imagina se eu não poder contar nada pra ninguém? Não dá, velho. Não, e por anos, né? Anos não, mas assim, por mais de ano, né, Marina?

Foi um ano e meio. Foi bastante tempo. Foi um ano e meio, assim. Eu lembro que eu fui um pouco depois da Mari ter terminado as gravações dela, eu acho.

Fui em outubro, se não me engano, de 2017. E aí, enfim, acho que foi um ano e pouquinho depois que pôde começar a contar as coisas publicamente, assim. E eu lembro que, por exemplo, a cena que eu assisti sendo gravada, mesmo quando caiu em barbo de confidencialidade, eu não podia contar. Porque ela não entrou na versão de cinema do filme.

Ela tá só na versão estendida. Então, eu fui assistir a cena que eu vi sendo gravada lá esses dias, assim, sabe? Bizarro. Aí, assim, em relação às cenas que vocês fizeram, né?

Vocês chegam a ler o roteiro? Pra mim foi só orientação. Eu acho que é muito difícil uma pessoa ter o roteiro completo quando eles estão no set. Eles tinham até papeizinhos de cores diferentes, assim, que alguém me disse que era porque não dava pra copiar direito.

Aí tinha… é também por causa das diferentes versões. Os extras, não. Eles ficam…

são pessoas diferentes que vêm. Até porque eles não querem que fiquem muito repetidas. Você não quer a mesma cara aparecendo em todas as cenas, né? Assim, se você aparece muito em uma cena toda que aconteceu comigo no segundo ano, é mais fantástico.

A minha cara apareceu muito porque todo mundo que tava na… Naqueles que… era um lugar muito pequeno. Então, as pessoas que estavam lá, todo mundo apareceu muito.

Então, depois daquilo, eles não chamaram mais a gente. Eles só chamaram pessoas diferentes pra fazer as cenas. Mas você também nunca teve roteiro na mão, nada. Sempre orientação mesmo na voz.

Às vezes eles não te falam nem o que tá acontecendo na cena, assim. Até porque, às vezes, eles estão fazendo só um… sei lá, sabe aquelas… Ah, esqueci a palavra que eles usam.

Pegando só a frente do ministério, coisas muito pequenas, a galera passeando, ou só os extras andando de um lado pro outro, pra ter esses pick-ups, assim, pra usar na edição. E aí você nem sabe. Às vezes você nem sabe o que tá acontecendo, até porque é muito grande, né, cara? Às vezes é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

A galera é muito ocupada, cada um com o seu departamento. Mas nessa cena do circo, eu imagino que vocês devem ter tido alguma orientação, né? Enfim, entender o que tava acontecendo. Sim, foi um set um pouquinho menor, assim.

Eles foram mais legais. Teve mais essa coisa que ela falou do Harry Potter, que era… Obrigado, vocês são mais em parte agora e tal. Eles falavam as instruções, tipo, ah, grita em francês, que agora vai…

Vocês estão achando que… Vocês não estão gostando do que aconteceu, esse negócio do tatá. E aí vocês fazem bu, não sei o quê. Aí depois acontece uma coisa, vocês ficam impressionados.

Teve uma hora que a gente fugiu dos bichinhos. Grita em francês, assim. E se você não sabe francês, assim, como é que você fala? Ah não, era só quem era francês, assim.

Tipo, eles até falavam. É tipo cries in Spanish, né? Não, acho que era só quem… É porque a maioria das pessoas que estavam lá falavam francês.

Eles botavam uns aleatórios, mas muita gente falava francês. Eu não podia falar nada. Entendi. Posso eu fazer uma pergunta pra Maria, né?

Claro. Pode, claro. Não, é que eu só queria saber, por curiosidade mesmo. Se você viu bastante o Eddie Redman por lá, como é que ele era?

Se você chegou a ter alguma interação, imagino. Não, mas talvez, não sei. Eu conseguia ver, né? Porque como eu peguei as cenas que eles estão correndo, que a gente está correndo do Obscurus, tem todo mundo.

Então eu via o Eddie Redman… Eu esbarrei no Eddie Redman, porque eu fiquei com muito medo deles me esforçarem também nesse dia. Porque eles te botam em duplinhas ou em trios, eles te colocam, falam uma historinha, né? Pra você meio que não só ficar andando, que nem um zumbi do lado pro outro, né?

E aí eu tava com um menino que queria muito aparecer na câmera. E ele, uma hora, me puxou pra frente de onde estava o Eddie Redman. E ele me esbarrou, assim, eu quase derrubei o cara no chão. E eu fiquei, cara, meu Deus.

Vocês vão me dar um sermão aqui, vai acontecer alguma coisa. E aí também você nunca mais tomou banho. É, eu fiquei tipo, velho. Eu caí numa poça, né?

Porque eu tava andando, tava muito frio. E eu escorreguei e caí na poça. E ele ficou, nossa, você se machucou aí. Meu Deus, ele me reparou.

Ele reparou em mim. Ele se importa comigo. Sim, ele perguntou se eu tô bem. Vocês estão frio muito, menina.

É o inverno. Não, mas foi legal. Você fala, nossa, eu acho que eu trouxe meu pé. Me ajuda aqui a levantar.

Não, por mim foi engraçado. Porque galera que faz figuração é bem fofoqueira também, né? Porque é sempre o mesmo pessoal que faz os filmes. Ah, eu amo.

Mas eu descobri a história inteira do blog Mais Fantásticos do Primeiro. Por causa disso, que eu ficava fofocando com todo mundo. Assim, ah, você fez aquela cena, tá? Me conta o que acontece naquela cena.

Aí você vai meio que pesquisando. Foi montando o quebra-cabeça do roteiro, né? Sim, aí eu, ai meu Deus, ele é… O Azul Miller é o Obscurus.

O que é o Obscurus? Eu não sei. Vou pesquisar na internet, não tem nada. Não, é muito interessante mesmo, né?

Acaba… Realmente faz sentido a ideia de ter o jornalista infiltrado, né? Porque dá pra descobrir tudo, basicamente. Realmente.

Ah, gente, muito legal, né? Basicamente, então, a Dani não tomar banho desde 2009 quando a Emma Watson esbarrou nela. A Mari também não toma banho desde que o Eddie Redmayne esbarrou nela. Então é isso, né, gente?

Esbarros, né? Todo mundo economizando água. Mas é uma experiência muito legal, assim. Eu acho, no geral, nossa, farei de novo com certeza.

Sim, é bacana. Legal, hein? Pra gente encerrar, gente, eu queria perguntar pra vocês, assim, sabe, o que é necessário pra conseguir um trabalho configurante? Precisa de DRT?

Eu acho que nem existe DRT lá fora, né, enfim. Que dica que vocês poderiam dar, assim, pra pessoas que estão escutando a gente e têm interesse nisso? Precisa ser ator e não precisa? Não, não precisa, não.

Tem que ir nas agências certas, assim, tipo, Raynard, 2020 Casting Collective, assim. Depende de onde você tá. Não sei, a Mari pode ter mais algumas, assim. Eu pelo que entendi, a Mari ainda teve que fazer o cadastro dela online hoje em dia.

Tipo, na minha época, eles iam e você tirava as fotos no estúdio lá com eles. Mas se for online, o que eu diria é pra investir nums hard shots bem, bem legais. Mas não vai em agência que te vende casado, assim. Tipo, a minha primeira agência em Londres foi ridícula.

Foi, ai não, a nossa agenciamento é de graça, mas você precisa fazer este book com a gente, este portfólio, que custa sei lá quantas libras. Não, sabe, não existe isso. A agência não vai te obrigar. Ela pode te exigir fotos em boa qualidade, mas não vai.

Não precisa ter com um fornecedor específico, muito menos especificamente com eles. Então, pra mim, a melhor dica é pegar a dica com quem tá naquela praça, naquele momento, fazendo isso. De que lugares e quais as agências que estão com aquelas produções, porque como a Mari falou, os projetos grandes às vezes é mais de uma, né? Mas basicamente isso, e se você entrar, ser muito pontual, muito responsável, porque é isso que eles querem, eles querem que você não incomode, sabe?

E eles vão te dar um cafezão super bom às seis da manhã, pra você ficar com a barriga cheia o dia inteiro, geralmente te tratar super bem, assim. Você não pode ser um fã louco, né, atrapalhar o trabalho das pessoas ali. Mas pra entrar, acho que é só ser responsável, pontual, e procurar as agências bacanas e responsáveis. É, como a Mari falou, tem que ter muito cuidado com os scams mesmo, porque tem muita gente querendo tirar dinheiro da flora, assim, porque nós somos meio vulneráveis, né?

As pessoas vão pra lá com esse sonho e tal, e não sabem direito o que fazer, e aí vem alguém te vendendo essa ilusão, e não, assim. É muito difícil você, como figurante, conseguir um papel muito grande num filme. Então, assim, é uma coisa legal você fazer parte de uma produção, mas também não se lude, assim. Vai ser bacana, mas…

Eu achei todas as agências que eu trabalhei na internet mesmo e me cadastrei online, tem algumas que te chamam mesmo pra você ir lá, mas nem todas. Acho que depende da qualidade das fotos que você põe inicialmente, né? Essas fotos precisam ser de rosto, como é que funciona? Depende da agência, eles têm uma lista, assim, eles botam a surpresa de um de rosto, tem o casting collective, hoje você tem que botar uma de rosto, uma com você, com roupa de profissional, uma roupa normal, de corpo inteiro.

Você tem que, qualquer coisa que você saiba fazer, é bom você colocar, você saber quanto mais fios diferentes você tiver, você tem mais chance. Tipo, dirigir, andar a cavalo, cuspir fogo, qualquer coisa, cuidar de criança, ter intimidade com bebês, sei lá, umas coisas aleatórias. Palavra traz línguas, talvez. Caso você precise gritar em francês e cries in French language, né?

Exatamente. Nossa, nesse caso eu imagino que eles vão procurar, né, por Animais Fantásticos 3, que vai se passar no Rio de Janeiro, eles vão procurar brasileiros, né? Ah, amens. Provavelmente eles vão fazer muita cena com extra nesse momento por causa do Covid.

Ah, sim. Então muito cuidado com isso também, por causa do Covid, porque se eles forem fazer cenas muito grandes com muita gente num bar, provavelmente não é uma produção certificada, porque a regra geral desse momento lá é de não fazer filmes com muitos extras ali, por causa do perigo, né? Eles vão precisar de um tempo a tempo para voltar ao normal. Tudo se tornou muito mais difícil agora, né?

Mas provavelmente só por um tempo curto, né? Se Deus quiser vai ficar tudo bem e eles vão voltar a fazer. Londres é muito bom. Se você tiver o visto de trabalhar lá, ou um passaporte europeu e conseguir poder ter essa experiência, é uma graninha boa.

Não é uma coisa muito estável. Não tenta fazer isso como sua profissão, porque é muito difícil você conseguir saber quando você vai ser chamado. Depende muito do que está sendo feito, depende da época do ano. Então é bom você ter um outro emprego também.

Mas assim, é uma experiência sensacional você trabalhar nesses filmes. Às vezes você não faz nada e é pago no mesmo jeito. Então foi isso, gente. A gente adorou bater um papo com vocês sobre esse assunto.

Eu particularmente, para mim, é um universo completamente novo e diferente, assim, né? E eu acredito que o pessoal que está escutando a gente também, talvez tenha pessoas que trabalhem com artes cênicas e que tenham interesse. Então muito obrigado por estar para falar com a gente, esclarecer todas essas dúvidas. Dani, onde o pessoal pode acompanhar você?

Eu sei que você também faz tradução simultânea. Você está super envolvida com projetos como a Comic Con Experience. Como o pessoal pode entrar em contato com você? O pessoal foi um prazer falar com vocês.

É sempre um prazer. Sou grande fã do trabalho de vocês há muitos anos. Sempre li muito Potterish. Muito obrigada.

Então quem ficou com vontade de conversar mais sobre teatro, sobre a interpretação simultânea, sobre o mundo geek aí, pode me chamar no Instagram. É Dani, Underline Saumoria, que é tipo Saumora, mas com I a mais na última sílaba. E para quem não sabe, a gente fez uma versão do musical desta aqui, de AVPMB, que é a Harry Potter Musical Brasil, que está na íntegra no YouTube. E você, Mari, como é que o pessoal pode entrar em contato com você?

Se alguém ficou com alguma dúvida em relação à figuração, ou quiser trocar uma ideia. Sim, eu fico mais no Instagram. O meu é Mariana, com dois Ns. Graf, GRF.

Ou a Allery, que é do Curujal, como você fala o Curujal em inglês, que é a minha produtora. Que a gente tem essa coisa de fazer projetos colaborativos. A gente quer falar com gente que está começando a fazer cinema agora. Nós temos essa perspectiva de ensinar cinema, de fazer coisas juntos.

E de trazer, fomentar o cinema no Brasil, porque com o governo que a gente tem, é importante a gente tirar a energia da gente mesmo para tentar investir nisso, porque não vai ter investimento vindo de outros lugares. E se vocês gostam de produção, vocês vieram aqui ver sobre figuração, e tiver vontade de se envolver, fala lá com a gente na Allery. O-W-L-E-R-Y, Productions, de produção em inglês. E é isso.

Eu também sou da área de cinema, e está cada vez mais difícil. O melhor que a gente pode fazer é se unir, e tentar produzir coisas, e tentar ir atrás, porque se depender do governo, infelizmente, não vai rolar nada. E a gente vai deixar o link de todo mundo aqui na descrição, então fiquem tranquilos, caso vocês não tenham conseguido anotar tudo. Os links vão estar aqui embaixo, é só pegar depois.

Muito obrigado, Vilmar, por participar com a gente. Então, gente, é o seguinte, eu também estou nas redes sociais, o meu arroba tanto no Twitter quanto no Instagram é o mesmo, que é im.pedromartins. As minhas redes sociais também são as mesmas, tanto no Instagram quanto no Twitter, é marinaanderi, marina, a-n-d-e-r-i. Sigam também o Poteiriche nas redes sociais, claro.

No Instagram é poteiricheoficial, no Twitter, no Facebook e no TikTok é poteiriche. E aí, óbvio, se você quiser, sempre estar em dia nas notícias do mundo bruxo, poteiriche.com é o nosso site. Não se esqueçam de seguir aqui o podcast, de deixar os comentários também. Eu imagino que esse episódio vai surgir várias dúvidas, várias coisas.

A gente ficou muito empolgado gravando. Espero que vocês tenham curtido. E também não se esqueçam de classificar, né? Cinco estrelinhas seria muito bom pra gente.

É isso, gente, muito obrigado, viu? Tchau, tchau. Um beijo pra vocês e até a próxima. Tchau, obrigada.

Beijos e até a próxima.

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