#40: Relendo Harry Potter e o Cálice de Fogo
Os apresentadores do Semanário dos Bruxos, Pedro Martins e Marina Anderi, discutem como O Cálice de Fogo é um divisor de águas entre os livros de Harry Potter, ao apresentar mais personagens e se aprofundar nos que já haviam sido apresentados, abordar temas mais densos e políticos, além de tornar a narrativa mais sombria. Lançados mensalmente, os episódios de releitura trazem novas percepções sobre os livros, que, mesmo tanto tempo após terem sido lançados, ainda são capazes de nos surpreender.
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Sejam muito bem-vindos ao Semanário dos Bruxos, o podcast do Poteiriste, que vai ao ar toda terça-feira nas plataformas de streaming. Eu sou o Pedro Martins, editor-chefe do site. Eu sou a Marina Anderi, gerente de marketing. E no episódio desta semana, a gente continua a nossa discussão sobre os livros de Harry Potter, que como vocês devem estar acompanhando aí, e se não está acompanhando, volta um pouquinho aí no tempo, a gente está relendo os livros de Harry Potter e comentando em detalhes o que a gente tem achado, né Marina?
Sim, tem sido… Cara, tem sido muito legal, assim. Acho que não só está releando depois de um bom tempo que eu não relia, mas também como a gente está fazendo, né, por causa do podcast, eu estou muito ligada, muito prestando, acho que muito mais atenção do que eu prestaria normalmente, sabe? Tem sido uma experiência muito positiva e, enfim, as conversas aqui em casa, né, já que eu moro com outros dois Potterheads, assim, e a gente está o tempo todo falando de Harry Potter, porque eu trago alguma questão.
Está pautando a discussão em casa. Exato, e aí nossa, realmente teve dia desde que a gente foi dormir quatro horas da manhã, porque a gente não conseguia parar de discutir Harry Potter. Então, aquele dia eu estou cansada de discutir e não vou falar nada nesse episódio. Perfeito, é isso.
Inclusive, essa questão, né Marina, a gente, quando a gente vai fazer o roteiro para este podcast agora, que a gente vai falar sobre o Caduce de Fogo, né, a gente teve que deixar muita coisa de fora, gente, porque o livro começou a ficar grande, né? Ele tem mais de 200 páginas a mais em comparação ao terceiro, que já deu uma crescidinhas. E aí, assim, tem muita coisa que a gente queria colocar, que inclusive seria a continuação de coisas que a gente começou a abordar nos livros e podcasts anteriores, mas assim, não cabe, gente. A gente teria que fazer duas partes ou um episódio de três horas, que a gente sabe que vocês não escutam.
Então, a gente teve que cortar umas coisinhas, assim. A gente não vai falar, por exemplo, sobre a família Dursley aqui, a gente não vai falar sobre, sei lá, foreshadowing, né, que essas coisas que são mencionadas em livros anteriores ao que realmente importa, né, e tudo mais. Então, tem algumas coisinhas que a gente tem mencionado e que a gente vai deixar de fora dessa vez porque não cabe. Foca no que há de mais interessante.
Exato, e vocês também sempre ficam livres. Se tiver alguma questão que você considera muito importante que a gente não abordou, é só chegar tanto no nosso Instagram pessoal quanto no Poteiriche e trazer, a gente conversa, né? Não vai ficar sem discutir isso só porque a gente não falou aqui no episódio. Exatamente.
Apesar de a gente ter falado um pouco sobre como o Prisioneiro de Azkaban muda bastante a narrativa de Harry Potter, né, é em O Cálice de Fogo, ao meu ver, que há de fato uma mudança, uma mudança de verdade, né? O livro fica maior, como eu já acabei de comentar, ele tem 200 páginas a mais do que Prisioneiro, e a gente tem mais histórias paralelas à história principal, que é a do Torneio Tribruxo, né? E são histórias que não necessariamente contribuem com esse plot principal. Parece que é no Cálice de Fogo, na realidade, que a gente começa a entender de verdade como funciona o mundo bruxo.
E lendo um livro atrás do outro, como que foi assim pra você, Marina, acompanhar essa mudança? Nossa, eu achei incrível, assim. Acho que eu terminei Prisioneiro num dia e no dia seguinte eu comecei Cálice. E, obviamente, Prisioneiro é um livro incrível, mas é porque Cálice, como tem essa mudança, parece um sopro de vida, sabe?
Me deu uma empolgação muito louca lendo, assim. Por exemplo, tipo, no capítulo da Copa Mundial, tem uma hora que eles vão passando por barracas e aí na narração vai comentando, ah, vestes assim, barracas que tinha isso, que tinha aquilo. Tinha um detalhe que eu achei muito interessante, assim, que era de uma criança com uma vassoura de brinquedo que fica ali, acho que a um metro do chão. E aí eu achei, cara, que interessante isso, de que existe todo mundo bruxo que a gente não conhece.
Afinal de contas, a gente acompanhou o Harry, né, que cresceu achando que era trouxa, que não tem muito contato, além dos Weasley, acho, com o mundo bruxo. Então, tem um mundo ali que tem muita coisa que a gente conhecia ainda e esse detalhe que não faz diferença pra plote nenhuma vassoura que, né, voa ali a um metro de altura, mas acho que dá essa noção de como é um mundo muito maior e acho que dá até espaço pra você imaginar como devem ser certas coisas, sabe? Aham, é isso, né? A questão ali da vassoura, eu achei fofo, assim, né?
A criancinha brincando na vassourinha. E assim, ali são duas, três linhas do livro, então não é grande coisa, mas você começa a colocar essas duas, três linhas ao longo do livro todo, isso faz diferença no tamanho do livro no final das contas. Isso é porque a gente tá falando de um detalhe besta, mas assim, tem plots reais, assim, de capítulos inteiros, né, nesse sentido, que supostamente não acrescenta nada a trama principal, mas acrescenta muito em torno do universo e eu acho que é muito por conta disso que a gente, afinal de contas, por que a gente ama tanto esse universo, né? Essa riqueza com a qual ele foi construído, né, que incentiva muita gente a gostar de Harry Potter, eu acho.
Sim, sim, a gente descobre, né, que existem bruxos em outros países, outras escolas. Eu gosto, inclusive, que isso é justificado no livro, que não é simplesmente falado. O Harry fala, nossa, real, eu nunca tinha considerado o que diria pessoal e aí o Rony também não sabe muito direito, a Hermione que explica mais, porque ela leu algumas coisas, né, sobre essas escolas, sobre como é e tudo mais, meio que essa diversidade cultural, por assim dizer, né? Eu gosto que faz parte da narrativa do livro que eles estão descobrindo assim como a gente tá também.
Não é um diálogo aleatoriamente expositivo, né, vamos expor como é que é o mundo bruxo, não tem todo um lugar construído pra que isso entre, né? Exato. Aliás, eu acho que essa questão da Copa Mundial de Quadribol, eu falei no episódio anterior, não do podcast, gente, o episódio anterior dessa série de releituras, de prisioneiro, que quando eu li Cálice pela primeira vez, ali quando eu tinha acho que, sei lá, 9, 10 anos, eu assim, a primeira vez que eu tentei ler Cálice, na realidade, eu parei, e parei assim meses, e fui voltar depois, desde o começo, porque essa copa, ela me travou na leitura, eu não consegui passar dela, primeira vez que eu li esse livro. E, sei lá, não sei gente, eu não sei se é porque eu era muito novo, e o livro tava ficando realmente muito maior pra uma criança de 9, 10 anos, talvez.
Não sei, porque dessa vez eu achei tão fácil passar a parte da copa, assim. Nossa, uma delícia de ler, cara. É, e assim, essa coisa toda da riqueza cultural, da riqueza do universo, nossa, me conquistou tanto, assim. É porque acho que talvez eu, enquanto uma criança de 9, 10 anos, eu não tava muito interessado em como existe uma riqueza de detalhes.
Eu queria saber da narrativa no seu propósito mais simples de todos, uma trama com começo, meio e fim, assim, sabe? Sem as paralelidades de tudo isso. Não, é justo, e faz sentido que a sua perspectiva mude sobre certas coisas, né? Seus interesses, a coisa que você presta atenção, que você prioriza.
Acho que faz todo sentido, e aí tem detalhes muito legais, que a gente, é isso, ó. Quando eles tão vendo, né, a partida de quadribol e tals, tem o N-óculos, por exemplo, né, que é esse binóculos que eles usam, que eles conseguem ver em câmera lenta, que eles conseguem voltar um lance, que tem a descrição, porque eles estão falando, pô, esse aparelho é muito legal. E o que é muito da hora, ao mesmo tempo em que, é isso, aumenta o tamanho do livro, o que é bem legal aqui, mas o que eu tenho medo, receio, de que, em A Ordem da Fênix, isso passa do ponto. Não sei, vamos ver.
Eu acho que, assim como fala no final do livro, o Hagrid fala, não precisa se preocupar, entendeu? Quando acontecer, você lida. Então, por enquanto… Sabe?
E uma coisa que é válido mencionar também, gente, é que o primeiro livro, que o primeiro capítulo, o Harry não tá de fato presente, né. Em Pedra Filosofal, ele tá ali bebê, né, é quando ele é entregado nos Dursley, mas a gente começa esse quarto livro com o Frank, né, com o jardineiro ali, dos Weedle, que tá ali, que acaba, enfim, cruzando o caminho do Voldemort morrendo. É um capítulo, eu acho, muito sinistro, logo, de início, tá ligado? Assim que eu começo, acho que é uma quebra já muito grande.
Primeira coisa, não é eles nos Dursley. É ali, nessa mansão, você não sabe o que tá acontecendo, você tá acompanhando o ponto de vista de um trouxa. Você não sabe quem ele é, e aí, aos poucos, você vai juntando as peças de que o Voldemort tá ali, que tem uma cobra que conheça, é a Nagini, que você conhece ela ali, né, e tem o Rabicho. Tipo, já é um início muito sinistro, né.
E não é à toa, né, porque o livro, eu acho que ele vai ficando mais sombrio, conforme a gente vai descobrindo as coisas. É uma quebra que vai ocorrer em outros lugares. Também tem enigma, também tem relíquias, são capítulos que não são um ponto de vista do Harry, exatamente. Eu acho que, na realidade, esse capítulo, além de ter essa quebra, de, olha, tudo tá ficando mais sério, tudo tá ficando mais sombrio, tudo vai ficar mais pesado.
Eu acho que isso mostra muito como a J.K. Rowling, enquanto narradora, enquanto escritora, começa a se permitir mais, assim. Eu achei, assim, de uma maneira um pouco mais técnica mesmo, pensando em como isso mostra essa mudança dela enquanto escritora, assim, sabe. É muito criativo da parte dela, ela abrir o livro dessa maneira.
Que é isso, serve a dois propósitos. Além da questão toda de mudança de tom, é o contexto todo do livro inteiro, assim, sabe. É um grande abre muito bem feito que vai percorrer o livro todo. Tipo, acho que é a primeira vez que ela faz isso, né, na realidade, comparado aos livros anteriores.
Eu acho que mostra como ela começou a ficar mais criativa enquanto escritora, sei lá, eu achei fantástica, assim. Depois que eu li esse capítulo olhando de um ponto de vista um pouco mais técnico a respeito de narrativa, de escrita, eu achei fantástico, assim. E é interessante justamente essa questão que você falou, ali, a Copa Mundial, quando eu era mais novo, eu achava, nossa, muito chato. Eu, o primeiro livro de Harry Potter que eu tentei ler foi Cálice de Fogo e eu não consegui.
Eu acho que na época já tinha saído o filme de Prisioneiro de Azkaban, eu peguei Cálice de Fogo na biblioteca da escola pra ler e eu não consegui passar desse capítulo, porque eu não tinha contexto nenhum do que estava acontecendo, eu fiquei muito confusa, tipo, gente, o que é isso? Quem que eu estou acompanhando? Quem são essas vozes? Sabe, tipo, então, foi uma escolha muito errada ali, porque eu não tinha o background de nada, né?
E aí eu não consegui ler. Assim, é um livro, pô, incrível, maravilhoso, mas eu quando tinha, sei lá, não lembro quando eu tinha, acho que talvez eu tinha 7 anos na época, eu fiquei muito confusa, tadinha. Não, total, eu acho que começa aí, a gente começa aí a entender que, assim, já não é mesmo um livro infantil, sabe? É, não é mesmo um livro que uma criança consegue, não que não consegue, mas que tem dificuldade.
Você teve, eu tive, isso porque eu tinha lido um atrás do outro, certinho, então, assim, realmente muda tudo, né? Mas, enfim. A partir da expansão, né, do nosso conhecimento sobre o mundo bruxo, que a gente está falando justamente agora, outra coisa interessante de notar é que a gente passa a ter mais interação com os outros personagens, além do trio, né, do Harry, do Rony, do Hermione, e dos amigos principais deles, né, que isso a gente tem ali em todos os livros, mas aqui a gente começa a ter, por exemplo, o Fred e o Jorge, que, apesar de fazerem parte da nossa história desde o primeiro livro, eles aparecem muito pouco. É também o caso do Simas, da Angelina.
No filme, por exemplo, a Angelina mal aparece, de qualquer maneira, enfim. A gente vai tendo crescimento dos personagens, né? Eu, particularmente, eu acho que isso é muito importante, mas ainda é pelo seguinte fato. A gente tem alguns fatores-chave que explicam o sucesso de Harry Potter, né?
Além da criatividade da Rowling para criar este universo, das histórias de aventuras serem muito cativantes, né, a gente tem os personagens. Para mim, os personagens, eu acho que é um fator, assim, muito, muito, muito chave para isso tudo. Porque conforme a gente vai conhecendo mais personagens, ou até mesmo nos aprofundando sobre os que a gente já conhece desde o início, isso tudo aumenta a chance de mais leitores se identificarem muito com o personagem ou o outro. Então, por exemplo, ah, eu não me identifico muito com Harry, nem com Rowling, nem com Hermione.
Isso talvez fosse um problema no primeiro livro, no segundo livro, no terceiro… Aqui já começa a mexer, porque, beleza, você não precisa se identificar só com um trio. O personagem que eu mais gosto, por exemplo, aparece só no quinto livro, é a Luna, sabe? E aí você vai criando mais possibilidades de fãs terem essa identificação com personagens diferentes.
E eu acho que isso leva muito as pessoas a serem fãs de Harry Potter também, sabe, os personagens. Não, total, com certeza. Pois é, e ao mesmo tempo também a gente tem contato, a gente conhece um pouco melhor personagens que a gente nem gosta tanto, né, gente? Tipo o Percy.
Cara, a questão do Percy eu acho muito interessante. Primeiro que eu falava Percy, e por algum motivo hoje em dia eu falo Percy, eu acho que é por causa de Percy Jackson. Mas enfim… O Percy é muito interessante, porque ele é muito presente em todos os livros.
Sabe assim, do primeiro que é quando ele já vira monitor, né? E aí é sempre mencionado que ele é arrogante, que ele é pomposo, que ele dá muita importância a si mesmo, que ele se leva a sério, que ele tá ali ilustrando, né, quando ele consegue virar monitor-chefe, ele fica ilustrando o distintivo dele, tá ligado? Ele acha que ele vai capturar as coisas sozinho, em câmara, por exemplo, ele dá uma importância muito alta pra ele mesmo, e aí nesse livro ele tem um rolê, né, de estar no ministério. Gente, o Bartholomew nem sabe o nome dele, fica chamando ele de Walter B, que inclusive não faz sentido, porque ele conhece o pai dele, né?
É o Weasley. Mas enfim, e ele imagina, ainda assim ele quer fingir que ele é uma pessoa muito importante, que ele tá chegando em algum lugar, que ele vai ser melhor que o pai dele, ele tem uma vergonha da família bem clara, assim. Isso já é desenvolvido, não é surpresa nenhuma então, que quando a gente chegar no livro que vem, ele vai ser o Weasley que vai trair a família, né, que vai virar as costas pro pessoal ali, e vai ficar do lado do ministério. Isso é muito louco, porque é um personagem tipo, pequeno, né, mas ele sempre é mencionado, sempre que dá, sempre que ele aparece, é sempre isso, é sempre arrogante, é sempre pomposo, não sei o quê.
Então faz sentido narrativamente, até tem uma fala do Rony, né, quando a gente descobre sobre o Buttercrown, de ele ter entregado o próprio filho, não sei o quê, o Rony fala, nossa, o Percy faria isso com a gente 100%, assim. Ele já sabe bem quem é o cara, e de fato, né, assim. Mesmo a gente sabendo que no futuro ele se arrepende, é uma pessoa que deixa o poder, ou o desejo de poder. O desejo, né, porque poder, de fato, zero.
Exato, exato. Mas pra cima, as ambições dele, tá acima da família dele, cara. É, e aí volta naquilo que a gente falou, pra este livro específico, foda-se, não tem importância, mas vai ter importância pros próximos, né. É, então, na verdade eu talvez nem diria isso, eu diria que é importante justamente porque aí você vai criar uma verossimilhança quando ele fizer isso, né.
Exato, é importante pros próximos, exatamente. E esse rolê dos personagens, eu acho que ele torna o universo mais real, porque é óbvio que você tem as pessoas mais próximas de você, que é quem você conversa mais, que você desabafa, tals. Mas tem um monte de gente em volta de você que você interage casualmente, né. Você não precisa ser o nosso grande amigo e tudo mais.
Mas são pessoas que estão ali presentes, e aí, tipo, tem esses personagens que são mencionados, mas agora tem umas interações maiores, né. O Harry conversa levemente um com o outro e tals. A Angelina, por exemplo, no livro que vem vai ser capitã de quadribolos, vai ter bastante interação, tals. Então, tipo, é legal que você já consegue ter esses personagens mais presentes, e eu acho que também dá vazão pra AD, né.
Muitas dessas pessoas vão estar na armada de Dumbledore, e aí você precisa entender também porque de toda uma sociedade, de toda uma escola que tá duvidando o Harry, essas são as pessoas que ficam do lado dele, né, que ficam também do lado Dumbledore. Nada é por acaso, né. Essa construção toda, esse aprofundamento todo dos personagens não é por acaso, né. Com certeza, e aí eu acho que a gente tem o Neville, por exemplo, que é um personagem que, enfim, a gente tem um episódio só sobre ele, né, se você tiver interesse de ouvir e tudo mais, mas observando aqui a narrativa dos livros, ele é muito mencionado, gente, de todas as aulas.
É pra dizer sobre como ele não tá conseguindo fazer algo geralmente, com certeza, e que é uma coisa que a gente também vai ter explicação, sobre o rolê da varinha dele, que na verdade é a varinha do pai e tudo mais, mas é uma coisa que sempre tá presente, então é tipo, aí, nesse livro tem várias vezes, aí não, porque o Neville teve que ficar mais, porque ele não conseguiu fazer a transfiguração de tal negócio, aí o que o Neville fez foi tal. Ele é mencionado, e a gente sabe que ele vive com a vó. E aí quando você descobre que os pais dele foram torturados à loucura e tudo mais, o Harry meio que se questiona, né. Tipo, meu Deus, eu nunca aparei pra pensar nisso.
E aí quando você encontra um leitor que provavelmente também não pensou nisso, se você tá lendo pela primeira vez, você fica, meu Deus, esse personagem que é super presente, e você não tinha parado pra pensar como ele tem uma história trágica. Isso é, nossa, é muito interessante, é muito bem construída. É isso, cara, pra mim a J.K. Rowling é personagem.
Como você falou mesmo, assim, ela constrói o personagem muito bem. Com certeza. E isso acontece também com o próprio Harry, né, gente. Assim, por exemplo, a segunda tarefa, né, que é a tarefa em que eles têm que ir lá pro lago, é pra mim uma cena que é muito importante pra gente conhecer o Harry.
Foda essa tarefa, assim, tipo, no caso. Porque aquela tarefa, o jeito que o Harry faz aquela tarefa, mostra pra gente quem ele realmente é, mostra pra gente a índole dele. Resume ele, assim, no sentido de que ele é um cara que, pra salvar quem supostamente nem deveria ser salvo, né, por ele, ele age de maneira intempestiva, ele, de maneira, enfim, né, ele arrisca a própria vida. E eu acho que isso, acho que nenhuma cena de todos os livros, pra mim, mostra, resume tão bem o Harry quanto essa, assim, sabe?
É que é isso, é um exemplo muito grande de coragem, de altruísmo, mas também de burrice, né? Tipo, acho que esse é o ponto, é um cara muito bem intencionado, né? É um cara realmente que se importa muito com o bem-estar de todos, quer ele conheça a pessoa, quer ele não conheça. Mas ele não mede as ações dele direito, né?
Ele não mede direito, não para muito pra pensar antes de fazer. E aí, acabou fazendo umas decisões meio burras, né? Meio coisa assim. E eu acho que isso é interessante pro desenvolvimento, porque a gente sempre fala sobre como, em ordem da Fênix, ele é insuportável e tals.
Mas, em caso de folga, ele já dá indícios disso também, né? Assim, ele não tá totalmente, mas ele se precipita, ele fica puto quando fala pro pessoal dele nos arriscar. Porque é isso, ele não tá se importando com o bem-estar dele, ele quer resolver, ele quer dar um jeito, e as pessoas ficam preocupadas e ele não consegue entender isso. Ele não mede, né, a gravidade das coisas, e ele é grosso com quem não merece.
Tipo, acho que tem aquela cena de Kermione, né? Perguntei, e ele, ai, Mione, nossa, nesse saco, falta mó tempo ainda. Tipo, amigo, ele tá tentando te ajudar, você pode só responder. Então, de boa, você precisa de um dia eu te falo, né?
Você não precisa ser grosso. Então, tipo, já tá dando esse indício, ele não muda do nada, só intensifica, né? Além do fato de que ele vai ter 15 anos e adolescentes, né? Uhum.
E aí, eu só queria falar sobre uma coisa que, enfim, quando a gente tá lendo o livro, a gente geralmente anota em algum lugar, e no meu tá notado assim, sinto falta da Gina, é anotação, e tipo, nossa, cara, tipo, é isso, é muito pessoal, tá ligado? Mas é porque realmente eu tô muito, tipo, meu Deus, ainda bem que vai chegar no The Fênix, porque não é à toa que eu escrevi uma fanfic em que o Harry e a Gina ficavam juntos desde o início, justamente pra ela poder aparecer mais, pra ela poder fazer mais parte do rolê. Porque é isso, acho que ela é a minha personagem favorita, ela é meio parecida, acho que, com o Pedro, o ponto é que a Luna nunca apareceu antes, né? Uhum, faz sentido que ela não apareça até então.
Sim, agora a Gina tá lá desde o primeiro livro, só que não aparece direito, né? Muito breve, mesmo com toda a importância dela em Câmara e tals, é só naquele momento, no final e tals. Então, nossa, gente, que saudade da Gina. É isso que eu tenho a dizer, que loucura, né?
Que você tem personagens que são tão incríveis que você tá relendo os livros e você sente falta deles enquanto eles não chegam. Uhum. Era isso que eu queria falar. E, enfim, né, por falar em personagens, né, essa discussão toda sobre os personagens, é uma discussão bem ampla, na realidade, bem longa, sobre esse livro, mas é porque realmente é o livro em que a gente começa a ter realmente isso muito forte, né?
O crescimento dos personagens. Outro ponto que eu percebi muito foi as brigas entre o Rony e a Hermione, né? Que elas se tornam ainda mais frequentes em O Cálice de Fogo. Agora, inclusive, elas não se restringem mais a estudos, né?
Não é mais a Hermione ralhando com o Rony por causa de dever de casa. Eles começam a discutir, por exemplo, por causa de garotas. Começa a discutir por visões diferentes sobre a sociedade bruxa. No caso da militância, ele der miônio em relação aos efos domésticos.
Eu acho que isso não só significa que eles já se gostavam, porque parece que, assim, é bem premeditado algumas brigas, sabe? Deixam implicar, porque eu quero chamar a atenção do outro, assim. Não sei se você concorda. Eu não sei se é premeditado.
Me parece implicância. Tipo assim, acho que outros comentários que eles deixariam passar antes, agora eles não deixam mais. Eles ficam implicando. Exato.
O Rony é penteiro. Ele fica tentando fazer. Que agora eu não estou lembrando exatamente o que que ele fala, mas é porque, tipo, tem momentos que ele realmente fala só pra encher o saco dela. É, e aí, assim, eu acho que isso, no caso, é uma pessoa que quer chegar, mas, assim, não sabe, barra tem vergonha, barra, enfim.
E aí fica dando um jeito de chamar a atenção, assim, sabe? E eu acho que isso, assim, além de a meu ver mostrar que eles realmente tem interesse um pelo outro, isso mostra que eles são um casal que eles reconhecem. Meio que indiretamente, mas, assim, reconhece as suas diferenças e, pouco a pouco, vão se superando, assim, né, pra acabar juntos. Aí, de mim, que sou romântico.
Apesar disso, não acho que eu teria a mesma paciência da Hermione, por exemplo, pra suportar o Rony. Ah, o Pedro muito shipper, né? Assim, tipo, esse momento que eles estão, que o Rony tá insuportável, que eles estão brigando todo, ele já tá pensando no futuro pra poder pensar, aí não, mas ele supera. É isso.
Não, cara, o Rony tá muito idiota. Assim, se você me segue no Twitter, tá eu falando mal do Harry do Rony o tempo todo, porque que bando de imbecil. Meu Deus, difícil, assim. E eu acho que o pior é que a Hermione parece já gostar dele, né?
Eu fiquei um pouco na dúvida se ela tava só, tipo, puta, porque ele não reconhecia ela como garota, que é uma coisa que eu ficaria brava, independente de ter interesse amoroso na pessoa ou não. Mas ela fica até em ciúme da Flur, por exemplo, né? Quando eles interagem, ela fecha a cara e tudo mais. Não acho que seja nosso, amor da minha vida, mas já é um crush, né?
Eu acho que ela já tá afim. E o Rony não percebeu ainda que ele gosta dela, apesar de ele tá ali implicando e tal, tipo… O Harry comenta isso até, kkk, né? Quando eles brigam ali no final do bar de inverno e tals, que a Hermione fala, tipo, aí, então você já sabe o que você tem que fazer na próxima vez.
Você me chama antes de outra pessoa pensar a atenção em mim, né? E aí o Rony fala, aí, nossa, ela fala isso, quer dizer que ela não entendeu nada. Aí o Harry pensa, né? Pô, acho que isso mostra como o Rony não entendeu nada, tá ligado?
Tipo, nem ele tá sacando porque ele tá com tanto ciúme, assim, do crum. Ele tá inventando outras coisas porque ele ainda não compreende os sentimentos dele. E eu acho que é um pouco o ajunado do Rony, né? Acho que, assim, é a grande quebra que a gente tem entre ele e o Harry nesse livro também, antes, né, de relíquias.
Porque, né, ele acha que o Harry se escreveu no cálice mesmo, sabe? E ele fica, assim, muito… Com muito ciúme e para de falar com ele e tudo mais. E sendo que, tipo, isso é totalmente…
Ele tá sendo cegado pela própria insegurança, né? Porque ele conhece o Harry, gente. O Harry jamais feria isso. Tipo, a Hermione não tem dúvida nenhuma que o Harry não escreveu o recorde, não tem dúvida nenhuma.
E o Rony, eu acho que ele fica… É o que a Hermione fala. Em algum momento, ele meio que entra no limite dele, né? Ele sempre é o segundo, né?
Ele sempre é a pessoa que não presta atenção. E aí eu acho que ali foi o ápice para ele. Fiquei bom que depois cai em si, mas muito estúpido, né? Total, não, total.
Mas, enfim, o fala em si, né, gente? É um movimento que, no fim das contas, ele é só um recurso narrativo para a gente rever o Dobby, né? E o Dobby, consequentemente, ajudar o Harry na segunda tarefa. Não que ele não tenha importância, mas, enfim, no livro ele é inserido para isso.
Como no filme, a gente tem o Neville fazendo o papel do Dobby, não cabia muito mesmo, né? O fala em si, né? Talvez a questão do ativismo de Hermione em relação aos elfos cabia em outras situações, até em outros filmes, talvez. Mas o fala em si não cabia muito, eu acho.
É, e também porque eles excluíram a Wink, né? No filme. Então, tipo, ter o fala realmente não ia servir para nada ali, além de, sei lá, falas positivas de Hermione. Acho que ia ficar muito difícil de encaixar, porque eu acho, inclusive, no livro, eu não sei se é ruim, eu acho que eu não iria tão longe.
Mas eu acho que acaba ficando meio raso. Eu acho que ajuda muito a desenvolver a Hermione e com outro personagem, que é assim que ela fica sabendo do rolê da Wink, né? Porque eu acho que ela não conhecia, né, essas coisas de elfo. O Rony, mesmo, nunca tinha visto um elfo doméstico, né?
Porque isso é de gente muito rica e tal. A partir do momento que ela fica sabendo disso, ela já fica muito incomodada e ela já começa a ver maneiras, né? Ela passa muito tempo na biblioteca, lendo, tentando pensar em como mudar isso e tal. A partir do momento que ela vê aquilo e vê como é absurdo, que pra ela é escravidão, né?
Tipo, ela vem do mundo trouxa e tals, então, tipo, vê aquela situação, ela fica, gente, como assim, né? Então, ajuda a desenvolver ela, quanto, enfim, o caráter dela, enquanto uma pessoa obstinada que ela é, que ninguém tá do lado dela e ela tá, mesmo assim, tentando, né? E mesmo assim, assistindo. E é isso, a gente vê o Dobby, vê a Wink, vê que como a Wink tá destruída por ter sido, enfim, demitida pelo Bartel Crown e tals, mas leva algum lugar o Falle?
Não. Eu acho que existem dois pontos, talvez, que levam. No futuro, o Rony falar que… Ah, e os Elfos na cozinha, e aí a Hermione beijar ele, e uma coisa que é pós-livro, que a gente sabe que ela foi no Departamento de Leis Mágicas, e aí ela deu umas direitos aos Elfos.
É, por isso que eu falei que, assim, esse ativismo dela poderia estar no filme, em outros filmes e em outros momentos, assim, sabe? Exato, mas aí é isso, tipo, eu não acho… Acho que devia ter sido desenvolvido melhor, entendeu? Tipo, acho que se fosse…
Pra colocar isso, acho que tinha que resultar em alguma coisa, tinha que levar algo, sei lá, os Elfos, ajudaram a derrubar o Voldemort. Porque mesmo no livro não leva, né? Exato, no livro não leva. Eu acho que talvez seria…
Talvez minha única crítica é a Harry Potter. Não sei. Por enquanto. Bom, só uma questão, né?
A Wink aí, sim, a Wink eu acho que deveria estar no filme, sim, porque a Wink é uma personagem perfeita, eu amo, sabe? E a gente se identifica no amigo. A gente se identifica demais, assim, né? O alcoholismo, então acho que isso realmente foi uma grande falha, assim, não dá, sabe?
Mesmo que não levasse a nada, tinha que ter o Wink ali. Mas enfim, relevemos. Erros. Ai, amo.
Mas enfim, ainda nessa discussão sobre os personagens, veja só, gente, tá vendo? Esse episódio tem muita coisa dos personagens, já falei. Toda a narrativa por trás do Snape fica muito mais clara em Um Cálice de Fogo, né? Não muito, assim, ao mesmo tempo, né?
Porque ele se força pra ser um escroto com o Harry o tempo todo, como de costume. A gente tem ali, por exemplo, quando o Harry encontra o Kraut e vai atrás do Dumbledore, e o Snape tenta impedi-lo de falar com o Dumbledore, né? Ao mesmo tempo a gente descobre que, apesar de ter sido um começal da morte, ele foi um espião do Dumbledore. É uma dicotomia muito louca, né?
Pro Harry, por outro lado, isso não muda nada, né? Ele continua sendo motivo de suspeita e de ter cuidado. E eu entendo o Harry, acho que é bastante compreensível o Harry não mudar, sabe? Porque a gente acompanha o Harry em tudo, enquanto leitores, e então se a gente ver o Snape sendo escroto com ele e tá do momento, eu vou pelo mesmo lado do Harry, assim.
Como assim, sabe? Um cara que supostamente tá do meu lado tá tentando me tombar o tempo inteiro, entendeu? É. Então, eu tendo, na verdade, a ir pro lado do Dumbledore.
Eu entendo a biga do Harry com o Snape, né? É totalmente justificado, o Snape é um escroto com ele. Mas o Dumbledore, ele se mostra muito sábio e capaz até ali, sabe? E aí, considerando o que o Harry é.
Que ele é precipitado, que ele é burro. Eu acho que o Dumbledore é uma pessoa mais confiável, sabe? Eu acho que eu sico… A impressão que eu tenho ali é que realmente o Harry tá mantendo essa suspeita porque é uma coisa que tá muito forte nele, porque o cara trata ele mal, entendeu?
Mas eu acho que a fonte principal ali tem que ser o Dumbledore. Tipo, é o cara ali que tem mais experiência com toda essa história. Que, na parte do julgamento, ele levanta e fala olha, o Snape foi, mas ele ficou do nosso lado, ele se arriscou muito, não sei o que, não sei o que lá, sabe? Eu concordo com você, tendo essa visão já da série toda, de tendo lido e assistido 10 mil vezes.
Mas eu acho que se eu estivesse lendo pela primeira vez, e aí, enfim, considerando que são vários livros até então e várias cenas em cálice do Snape sendo escroto, e uma fala do Dumbledore só, eu não sei. Mesmo assim, eu acho que eu consideraria, eu continuaria, assim, do lado do Harry nesse sentido, sabe? É, é porque é isso. Tipo, eu tô falando porque quando eu li antes de saber, eu também fiquei do lado do Dumbledore.
Eu também, tipo assim, confiava no Snape e começava. Tipo, eu falava, gente, alguma coisa tem aí, não sei o que é, mas eu não acho que nesse ponto específico ele esteja treinando o Dumbledore, até porque é isso, né? Tipo, tem esses vários momentos ali no final, quando eles capturam o Mood, que é o Buttercrouch, não sei o que, que o Dumbledore meio que dá direcionamentos, Minerva, faz isso, Severo, faz isso, traz essas coisas. Eles fazem, eles meio que são quase soldados do Dumbledore, né?
Tipo, pra fazer essa tarefa, são as pessoas que ele mais tem confiança ali. A Minerva, que é a vice-diretora, que tipo, a gente sabe como ela é incrível e justa, que é a diretora da Grifinória, e o Snape. É. Tipo, ele não tá chamando outros professores, são os dois.
Então, eu acho que tem um pouco disso, sim, que eu acho que eu confio mais e, inclusive, eu queria até comentar como o Dumbledore toma essa frente, essa postura de liderança, né? Tipo, acontece essas coisas no final do livro e ele já tá tipo, Podemos contar com você, Molly? O Arthur pode falar com o pessoal no Ministério? Ele já tá organizando ali a Ordem da Fênix, já tá tipo, assim, bora.
Lançando a Braba. Que homem. É, eu acho que é isso, assim, sabe? Como eu, acho que esse livro é um livro que, como apresenta muita, muita coisa, muita informação, muita construção, muito…
Enfim, eu entendo o que você disse, mas eu acho que fica um pouco ainda questionável. Mas, enfim, sigamos em frente, né? No Cálice de Fogo, a gente também tem uma progressão que eu acho muito interessante sobre a abordagem dos diferentes tipos de preconceitos que a gente vai ver em Harry Potter, né? Além da questão dos elfos domésticos, que a gente já sabia desde a Câmara Secreta, e dos lobisomens que a gente tinha visto em O Prisioneiro de Azkaban, agora a gente descobre como a sociedade bruxa tem preconceito contra gigantes, né?
O Hagrid admite que é um meio gigante, como um segredo para a Madame Maxime, que nega também que é uma, né? Uma meia gigante. Enfim, e aí foi começando, será que ela tá errada? Aí eu chego à conclusão, acho que não, porque talvez a gente possa comparar essa negação da Madame Maxime a como muita gente nega suas sexualidades por um tempo, e às vezes pela vida inteira, sei lá, e tipo, meio que tá tudo bem, né?
Cada um tem seu tempo, enfim. É, exato, eu acho que é triste, sabe? Mas eu acho que, pô, tem um motivo, é um medo de ser julgado, de as pessoas tiverem diferente, de perder seu espaço na sociedade, e cada um tem seu processo, né? Você não pode, kaká, arrancar as pessoas do armário, né?
E, tipo, a Madame Maxime, pô, ela não tá errada de ter receio, porque o fã de tá ali suspeitando dela quando o craxo desaparece, tá ligado? Total. E ela não fez nada, ela nem tava… Nada, nada, sabe?
Então, tipo, acho que… Eu não sei se esse foi o ponto da J.K. Rowling quando ela escreveu a questão dos gigantes e tals, mas, tipo, essa questão da sexualidade é meio, tipo, por isso que existe o orgulho de quando você se assumer, o orgulho de ser homossexual, de ser bi, enfim, porque justamente porque é um processo que você passa de aceitação e de se arriscar, né? Tudo diz, se você falar isso é um risco, mas se você tá ali se marcando, sabe, politicamente e marcando a sua esposa sociedade, tipo, eu existo, sabe?
Uhum. Eu acho que essa questão do Hagrid, né, se assumir um… Olha, veja bem a palavra que a gente usa, se assumir um meio gigante, a questão da Madame Maxime não se assumir esse meio gigante no início, acho que é aquilo, né? A J.K.
Rowling tava pensando em sexualidade, acho muito difícil. Honestamente, acho muito difícil. É, na época, né? Ainda mais em 2000 e…
2000 quando ela escreveu esse livro, sabe? 2001, sei lá, não sei quando ela começou a escrever esse livro. Mas é aquela coisa do livro, quando ele é lançado, ele não é mais do autor, ele é do leitor, entendeu? E eu acho que isso pode ser uma alegoria, ainda que não direta, não explícita, pro que o leitor sente, pros problemas do próprio leitor, enfim.
E por isso que a Harry Potter foi esse lugar de acolhimento pra tanta gente, sabe, e ainda é. Uhum. Isso é um exemplo muito claro de um negócio que provavelmente não foi o que a autora pensou, explicitamente não tem nada a ver, mas a interpretação do leitor, de muitos leitores de Harry Potter, eu tenho certeza que é essa, assim, sabe? Mesmo que ele nem saiba fazer essa ponte do jeito que a gente tá fazendo aqui.
Mas no subconsciente, acho que ele interpreta dessa maneira, sabe? Sim, então, porque eu acho que uma coisa que na minha cabeça é meio comparável é quando a gente reclama de celebridades que não se assumem. A gente talvez seja… Se a gente reclama disso, a gente é meio Hagrid, né?
Que fica puto. Como assim essa pessoa tá aí? Todo mundo sabe por que que não fala, por que que não dá nome, por que… Sei que, porra, a pessoa tem uma carreira, né?
A pessoa tem várias coisas ali que ela sabe que oportunidades que ela vai perder se ela se assumir. Então eu acho que ela tem o direito de decidir ou não. É uma escolha política, obviamente, é uma coisa que pode trazer um bem social se a pessoa se assumir, porque é mais um exemplo, né? É mais uma pessoa ali, mas também pode prejudicar essa pessoa e vai prejudicar ela pessoalmente, não vai prejudicar os fãs, sabe?
Exato. Então, eu realmente… É uma coisa que na hora veio na minha cabeça. E é isso, é muito…
O que eu tô relacionando a minha realidade. E isso é legal também de reler, né? Porque assim, sei lá, eu feito essa relação agora nessa releitura mais recente, em releituras anteriores, sei lá, quando eu li com 9, 10 anos, eu fiquei tipo… Ah, sabe?
É muito aleatório, assim. Eu acho que… Níveis de profundidade de interpretação que você tem da obra. E interpretação que, às vezes, não é…
O livro não te diz isso, o autor não te diz isso, mas você tem. E eu acho isso muito legal. E aí, ainda nesse aspecto, acho que dá pra fazer paralelos, a maneira como a questão… Olha, eu ia falar a sexualidade.
A maneira como a condição do régulo já é revelada à sociedade, né? Porque, na realidade, não é ele que decide por conta própria fazer isso. É o profeta diário, através da Rita Skeeter, que expõe isso à sociedade bruxa, né? É o Léo Dias.
É o Léo Dias do mundo bruxo, gente. E com isso, os livros começam a construir uma base também pra crítica à imprensa sensacionalista que a gente vai ver com muito mais força a partir do quinto livro, né? Quando o profeta diário, basicamente, molda a maneira como a sociedade bruxa vê o retorno do Voldemort, ou seja, uma ameaça iminente ali, muito forte, a princípio, né? Eu acho que isso é a base pra essa crítica toda.
E, enfim, é isso, né? É, eu fico muito chocada como as pessoas acreditam em tudo. Por isso que é tão fácil de manipular, entendeu? É só você escrever ali uma coisa mais ou menos embasada, com mais ou menos uma fonte, sabe?
Dizer que alguém disse, mesmo sem provas disso, que as pessoas acreditam, porque não passa um pensamento na cabeça, né, gente? Faz eco, né? Ninguém para pra refletir, pra questionar, pra nada. Se tá ali, é verdade, né?
Você não vai buscar a fonte, você não vai atrás de nenhum lugar, entendeu? A pessoa recebe por WhatsApp a informação e não para, acha absurdo, e não para pra pensar, será que é falso, sabe? E, pô, a gente tem… Até a senhora Weasley, que, gente, eu amo ela, mas ela sabia que escrito ela falando merda sobre o marido dela.
E, ainda assim, ela acredita no rolê do Hermione, né? Quando a vítima era outra pessoa, né? Tudo bem. É, gente, tipo, o quê?
Tipo assim, amiga, é só você fazer uma ligação. Se a Rita Skeeter estava mentindo sobre o meu marido, será que ela também não está mentindo sobre outras coisas? Pois é. Não, e assim, o que eu acho interessante é…
Harry Potter, gente, ensina a gente muita coisa, né? Inclusive, é como ler, assistir, é escutar jornais com senso crítico. Porque foi o que a Marina falou. Ela só recebe ali no WhatsApp hoje em dia e nem sabe, né?
Claro que a gente tá falando de um nível muito, muito, assim, terrível de fake news. Mas eu vou além, sabe? Não é porque tá num jornal… E olha só, gente, eu sou jornalista, sabe?
Eu tô fazendo uma meia culpa. Não enquanto jornalista, porque eu não faço isso, kkk. Mas, enfim, enquanto… Aos coleguinhas, assim, sabe?
Não é porque tá num jornal que, né? É um super jornal, super grande, super reconhecido que é verdade, sabe? Você tem que saber, mesmo que aquela informação não esteja no WhatsApp, esteja num jornal, no maior telejornal do Brasil, no maior jornal impresso do Brasil, no maior rádio do Brasil, não é por isso que é verdade, né? Então, assim, acho que Harry Potter ensina a gente a ter um pouco mais de cuidado, assim, sabe?
Total. E no fim deste livro, inclusive, a gente tem o fã de negando, né? O retorno do Voldemort, como eu disse, o que pode ser um paralelo muito grande a tempo de crises em diversas sociedades, em tempos diferentes. O mais recente, eu acho que, pra gente brasileiro, é como o Bolsonaro nega a existência do coronavírus, né?
Gente, assim, eu tava lendo essa parte do food agora, né? Porque eu falei, vou terminar o livro ontem, não terminei porque eu fiz outras coisas, e eu falei, vou terminar agora. E aí eu tinha… Eu tinha combinado com meus amigos de assistir um filme com eles, então eu tinha, tipo, meia hora pra terminar o livro.
E só que eu não sou uma pessoa que lê rápido, né? Então eu tava meio lendo na correria, e aconteceu essa parte do food, e eu queria fechar o livro e me jogar da janela. Mas eu não podia fazer isso, sabe? Mas eu tava com muita raiva, eu falei, gente, que imbecil!
É imbecil em muitos níveis, tá ligado? Tipo, assim, o de ir com o dementador junto com ele, sabe? Pra interrogar o Bartok Crouch Jr. E ele não interroga porque o dementador vai lá e mata o cara, tá ligado?
Tipo, ou seja, era muito importante, olha o cara que comentou todos esses crimes, e ele tá, não, mas não precisa de, sabe, não precisa de nada, o cara matou todo mundo porque é louco, sabe? Aí o Dumbledore, não, mas o Voldemort voltou. Não, mas nada a ver! Você vai acreditar no Harry, esse menino que tá delirando?
O Harry fala, você tá lendo Rita Skeeter, você tá acreditando nela? O fã, tipo, e se eu tiver acreditando? Ai, que ódio, velho! E é isso, tipo, eu realmente não consigo ler nesse momento da minha vida sem precisar no Bolsonaro e no coronavírus, entendeu?
Tipo, não tem como o negócio tá no nariz do cara, e por burrice ou por maldade, o cara se recusa a reconhecer que aquilo tá acontecendo, entendeu? Tipo, nega mesmo, porque é isso, o que o Dumbledore fala, o Dumbledore faz um pano de governo, ó, faz isso, isso, isso, que show! E o Fudge se recusa, entendeu? Pra que que eu vou me preparar pra essa crise se eu posso fingir que não tá acontecendo?
Ai, depois as pessoas que morram, né? Depois os trouxas que percam suas varinhas. Não, e assim, eu acho que não só o Fudge, né? Uma coisa é um outro personagem, assim, que me marca muito nesse livro, e veja bem, a gente vai ter um episódio na semana que vem, o nosso próximo episódio vai ser justamente sobre isso que eu vou falar agora, é o Berta Crouch, né, gente?
Como ele representa essa figura da justiça, né? Ele é um personagem muito abordado e muito desenvolvido nesse livro. Ele tem, né, ele representa literalmente a justiça. Tem um capítulo ali, que é o capítulo da Penseira, que mostra como ele meio que quase que virou ministro da magia, sabe?
Ele era o candidato a virar ministro da magia. Essa figura, né, meio Sérgio Moro, que a gente tem no nosso país, que, enfim, agora caiu, mas enfim, já foi muito popular. E é isso, assim, sabe? Outro paralelo muito forte, assim, com a realidade que a gente pode fazer atual.
Sim, sim, eu acho que, tipo, nesse momento que a gente vê os julgamentos, né? Olha como que funciona aquele rolê, tá ligado? As pessoas tão simplesmente, elas nem conseguem falar nada direito, e já tão levantando pro júri falar alguma coisa, entendeu? Se o Ludu Bagman não fosse super popular pra ser um jogador de quadribol, ele tava preso.
Porque o que foi, todo mundo ficou, meu Deus, todo mundo ali mandando beijo pra ele, batendo palma, né, assim? É porque as pessoas gostavam muito dele, achavam ele muito simpático. E de fato, ele era inocente, beleza, sabe? Mas se ele não fosse inocente, se ele não tivesse só dado informação, né, sigilosa por uma pessoa que ele achava que era do bem e, na verdade, era do mal, se ele tivesse falado de verdade, passado as informações, ele estaria livre, entendeu?
Uhum. Sendo que não deveria, mas ele só… Não teve julgamento ali, foi só popularidade. Então, tipo, assim, é um negócio ridículo.
E esse cara aí ganhou essa popularidade por tá mandando gente pra acabar sem julgamento injusto, sem dar tempo de nada e… Totalmente ridículo e que vive em torno da reputação dele, né? Uma reputation precedes me, né? Exatamente.
E o ponto dele é reputação, ele tentou viver a vida da forma mais certinha pra conseguir acender no ministério. Ele perde tudo isso porque o filho dele é um começou da morte. E é o filho dele ser um começou da morte, ele tá tão preocupado ainda assim com a reputação dele, que ele, tipo assim, sabe, prende o filho, tá ligado? Tipo assim, foda-se.
Não tem o filho é o que ele diz, né? É, pra poder continuar, enfim, nessa escalada dele é o que Sérgio Moro faria se tivesse um filho criminoso, não duvido. Só pra continuar. Hoje não, porque hoje ele tá impopular, mas, enfim, antigamente que ele faria, né?
Tenho certeza que seria uma coisa muito parecida. Então, e essa coisa, né, de, por exemplo, hoje em dia a gente tá comparando ele ao Moro com alguma coisa assim, é porque existem sempre peguras na história que são desse jeito, né? Exato. Só que nesse momento a gente tem esse exemplo mais atual, mas, tipo, sempre tem isso.
Então, nossa, eu acho que essa parte do julgamento, pra mim, é tipo uma das melhores, não temos nada de capítulos do livro. Porque eu fiquei muito vidrada, achei muito legal a gente ver três julgamentos seguidos, justamente dessa época, né? E tudo mais, é, tipo, o nível das coisas, né? Ver o Karr, quando foi o desespero dele, a tal da delação premiada, ver o Ludo ali no meio, que então, por isso que o Bartol não gosta dele, e também o Kraut, os Lestrange, né?
E o que a gente já mencionou um pouco antes, dos pais do Neville, né? Que eu acho que é a coisa mais, eu geralmente esqueço disso, que eu acho que é a coisa que é mais pesada de tudo. Não só que eles estão vivos, mas não reconhecem o filho, enlouqueceram, né, e tudo mais, mas de que foi feito depois que o Voldemort caiu, né, cara? Foi depois, não era nem na época do terror, o cara tinha sumido e aí os caras acharam que o Frank sabia onde ele tava, não sei o quê.
Tipo, meu Deus, que nível de crueldade, né? Coitado o Neville, coitado os pais. Não, total, eu acho que é justamente isso, assim, você falou dessa questão, tipo, a gente tá fazendo paralelo, não, com o Bolsonaro e o Coronavírus, o Sérgio Moro, enfim. Mas, gente, isso vai acontecer, sabe?
Igual quando lançaram Animais Fantásticos e foi bem na semana que o Trump tinha ganhado, sabe, a eleição. Então, tipo, não é um paralelo ao Trump, sabe? Mas, enfim, que esses paralelos acontecem, sabe? E eu acho muito legal como Harry Potter, né, supostamente uma obra super despertenciosa pra quem tava ali comprando, dando esse livro pros filhos, traz pensamentos, assim, traz reflexões pra gente tão profundas, assim, sobre o sistema judiciário, sabe?
Enfim, mais sobre isso no próximo episódio, semana que vem. Sim. E aí eu acho que, por fim, tem uma discussão ainda que eu acho bem interessante. É claro, né, ali no fim do livro a gente tem o Cedrico morrendo, Voldemort retornando.
Mas, enfim, a morte de Cedrico, né, é a primeira morte que a gente vê, né? A gente sabe que morreram outras pessoas, né, ao longo dos livros, mas é do Cedrico a primeira que o leitor testemunha, né? A primeira que ele vê, de fato. E eu acho que isso tem um peso muito grande.
Acho que isso afeta o leitor de uma maneira muito, muito, muito grande. E eu tenho meu palpite de que afeta, porque, mesmo que inconscientemente, a gente sabe, enquanto leitor, enquanto espectador, que o Cedrico é uma pessoa que não tem nada a ver com a briga do Harry, né, contra o Voldemort. E acaba morto mesmo assim, né? Acho que isso mostra pra gente que em guerras não tem vencedores, não tem não vou me envolver.
Só de você tá ali perto, você naturalmente se envolve e pode acabar se ferrando, né? Sim, cara, é que é isso. Porra, o Cedrico, entendeu? Que é esse menino que, sei lá, fala a segunda tarefa pro Harry, porque ele ajudou ele na primeira, entendeu?
Então é porque o Harry é um cara muito nobre, muito bom, e aí o Cedrico também retribui isso. Bom, o menino popular, o menino que todo mundo gosta, entendeu? Tipo, cara de boa. A personificação da Lufa-Lufa.
Exato, exato. Um bom exemplo de Lufano e tals. E aí, pô, coitado, ele tá no lugar errado, na hora errada, e como se fala no inglês, kill the spare, né? Mate o resto.
Nossa, eu não lembro como é que ficou isso em português, mas… Então, em português, na verdade, tipo, mate o outro, alguma coisa assim. Não é a mesma coisa, né? É, menos pesado.
Porque tipo, spare é tipo, assim, é o… Não sei, não sei qual que é a tradução do spare, mas é isso que você falou, sabe? É o, sei lá, o lixo que tá aí, sabe? Tipo, ele não tem nada a ver, mas ele não pode ficar vivo que ele vai…
Sei lá, não é pra ele tá aqui nesse horário. Então, já que não é pra ele tá aqui, vamos matar, sabe? É por isso que o Harry se sente tão culpado, né? Tipo, ah, eu falei pra ele pegar a taça comigo e tudo mais, porque é isso, o Cedrico morreu porque ele tava ali junto com o Harry.
Se ele não tivesse, não tinha acontecido. E aí, é uma coisa que é isso. Como é que você vai dizer que um livro desse é infantil, né? Tem um ritual, um cemitério, pra reviver um assassino.
Gente, a primeira vez que eu li essa cena, e assim, veja bem, quando saiu o Cálice de Fogo foi em 2004, né, o filme? Então assim, eu já tinha assistido ao filme, eu já conhecia essa cena, já conhecia a história, e eu tinha, quando eu assisti pela primeira vez, eu tinha 5 anos, eu fiquei com medo dessa cena, claro, até porque essa cena no filme, acho que é a melhor cena do filme, né? É, com certeza. Na realidade, não só a melhor, como meio que a única que presta.
Enfim, a gente ainda vai fazer episódios sobre os filmes. E aí eu fiquei muito assustado, mas eu consegui ficar mais assustado ainda. E isso é muito forte, porque veja bem, um filme você tem o negócio gráfico ali, sabe? Você tem a imagem, você tem o som, e eu consegui ficar mais assustado, quando eu tinha li 9, 10 anos, lendo o livro.
É muito pesado. É, então, é pesado, mas sabe por que isso acontece, Mico? Porque a nossa imaginação é muito pior do que a realidade. Então, por exemplo, um dos filmes mais famosos do tempo, o Tubarão, do Steven Spielberg, por muito tempo você não vê o Tubarão, e isso dá muito mais medo.
Você não vê, você sabe que é uma ameaça crescente, mas você não vê, você não sabe como é. Quando se consuma isso, né? É, aí você está lendo, e você vê a descrição do Voldemort, você tem a descrição do cemitério, mas sua cabeça preenche as nacunas, entendeu? E aí o negócio fica muito mais tenso.
E quando a sua cabeça preenche, assim, vira um negócio mais… É, porque no filme você está vendo a interpretação de alguém, né? E que não só é uma interpretação de alguém, mas é uma interpretação com limitações técnicas, até, para se fazer tudo, né? Não, é óbvio.
Tanto que, por exemplo, o Voldemort no filme não tem olhos vermelhos, porque eles falaram que ficou muito assustador, sabe? Então eles decidiram, não, deixa ele aqui, bem cobra, mas vamos ficar de boa. É difícil, inclusive, a gente ter uma imagem do Voldemort que não seja dos filmes, mas, assim, ali fica muito claro que não conseguiram transportar o Voldemort para os filmes como ele realmente é descrito, né? Que eu imagino o Voldemort ali, por essa descrição, como uma coisa muito cobra, assim, muito ofídica.
E mesmo, ainda que ele tenha a nariz, assim, com essas fendas e tudo mais, não chega no mesmo nível, assim, sabe? A voz dele, né, também. Não que eu tô falando que seja mal feito no filme, não é isso, mas é que no livro, por não ter limitações, né? Sim, eu acho uma interpretação interessante, eu acho a interpretação do filme muito legal dele, sabe?
Eu acho que é só diferente, que acho que, de fato, no livro é mais assustador o jeito que o Voldemort é descrito e eles tiveram que tomar uma escolha na hora de fazer o filme. Mas, cara, é muito louco como de totom, né? Do negócio, assim, tipo, gente, ferrou, o livro aí já começa com essa cena, a primeira cena já é ali bem tensa, e aí, né, você vê essa ameaça mortal, você vê alguém perseguindo o Harry, já tem uma coisa meio assim, meu Deus, que, por exemplo, né, o Sirius, né, que é uma figura bem presente pro Harry, é a primeira vez que ele tem um certo guia, né, uma certa pessoa que ele pode contar essa figura paternal e tal, o Sirius fica preocupadíssimo, que ele fica, meu Deus, o cara tá fugido, foragido e volta, porque ele fica, mano, o que que tá acontecendo? O menino tá com dor na cicatriz, foi colocado nesse torneio, alguma coisa vai dar errado, sabe?
E dá, né, e dá muito errado, e eu acho que talvez esse seja o primeiro livro que a gente vai ter, ou um livro seguinte que é a consequência direta, né? Porque no primeiro, o Tépado Filosofal acabou, o segundo, o Té, Câmera Secreta, acabou, o terceiro, a consequência é que o Sirius agora está livre, o Harry tem um padrinho, mas não tem nada além disso. É, se parasse ali também, tudo bem, agora já, realmente, eu acho que é onde a J.K. Rowling podia assumir o risco de, olha, já é um puta de um sucesso, então eu vou poder fazer a continuação, então eu vou deixar esse cliffhanger, né?
Sim, e é isso, porque o Dumbledore, no discurso final dele, o Cedrico Diego morreu, quem matou ele foi o Lord Voldemort, vocês têm que saber disso, Voldemort voltou, tá ligado? E aí o próximo livro que, tipo, não, eu li fanfics da época, né, que, tipo, eu fui indo pra trás, eu li fanfics que eram antes de Ordem do Lançar, e as pessoas achavam que, apesar do rolê do Fudge, eles acharam que as pessoas iam acreditar que o Voldemort tinha voltado, que ia ser uma outra coisa, sabe? Que já ia começar então em Enigma do Príncipe, basicamente. Exato, só que não.
E aí você vai pra um próximo livro que é isso, que é a consequência do Dumbledore juntar essas pessoas, que é a Ordem da Fênix, né? Você tem o Ministério aí negando horrores, interferindo em Hogwarts, e o Harry totalmente desacreditado. É a consequência direta de um livro pro outro, né? É diferente dos outros, isso é muito legal.
E também assustador, gente, tipo, mano, ficou, o bagulho ficou sério agora. É, eu acho que Cálice de Fogo é um livro que tem cenas mais pesadas do que Ordem da Fênix, por exemplo, pelo que eu lembro, assim. Não li Ordem da Fênix ainda, mas eu acho que tem cenas graficamente mais pesadas, tudo mais. É, não, eu acho, mano, o Voldemort voltar ali, o rabicho de ser põe na própria mão.
Sim, pesadíssimo. É um negócio tenso. E, gente, né, vamos comentar sobre como o Voldemort é um cara totalmente, também, prepotente, que se acha que quer se amostrar pros seguidores, né? Tipo, amigo, mata logo o Harry, véi.
Fica nessas firulas, olha o que aconteceu. Exato, exato, e não aprende, né? Não, pois é, nossa, amigo, já é a segunda vez que você, terceira vez que você não consegue, né? Já teve pedra, não rolou, câmera, não rolou, agora de novo.
Tipo, amigo, ele queria muito se amostrar. Olha, viram como eu sou poderoso e como eu voltei, como o Harry Potter ganhou de mim por sorte. E aí, o que acontece é que você não consegue botar o Harry de novo. Exato, eu amo.
Tipo, nossa, se não ficasse o discursinho, né, caramba. É isso. É isso, gente. Este foi o nosso episódio sobre o Cálice de Fogo.
Eu espero que vocês tenham gostado. Eu espero que quem, né, tenha gostado tanto que simplesmente está escutando por escutar, quem está relendo junto com a gente, enfim, e está sendo bem interessante. Passamos da metade, passamos da metade. Meu Deus, que loucura.
Em número de páginas, não. É, em número de páginas, não, mas em número de páginas não está nem perto da metade, né? Mas em número de livros, sim. Sobre isso, em número de episódios também, né?
É isso, gente. Se vocês quiserem trocar mais ideias com a gente, a gente agora vai passar nas nossas redes sociais. As minhas são todas IEM Pedro Martins, né? As da Marina são como, Marina?
Todas Marina Anderi. Marina, A, N, D, R, I. Gente, no Twitter, principalmente agora, eu estou lendo as coisas e estou comentando, sim. Sempre alguns comentários meio tipo assim, tem dias que a gente está só o Wink, né, mores?
Então, sempre comentários muito sábios. Vale a pena seguir. Keeping up with Marina Anderi. E tem as redes sociais da Poteiricha, claro, que é a Arroba Poteiricha Oficial no Instagram e Arroba Poteiricha no Twitter, no Facebook e no TikTok.
Isso podem seguir lá, além de nosso site, www.poteiricha.com, para ficar por diante das principais notícias do mundo de Harry Potter, que, vamos confessar, não são muitas, né? Nunca estivemos num período de seca tão grande, mas está lá, né? É definitivamente um site que existe. É isso.
Gente, um beijo e até semana que vem. Beijo.







