#34: Como é o Quadribol da vida real?, com Philipi Daniel
Vocês sabiam que o Quadribol saltou às páginas de Harry Potter e caminha para se tornar um esporte completamente independente dos fãs da série, com regras próprias e que pode até mudar de nome no futuro? O jogador Philipi Daniel, da Seleção Brasileira de Quadribol, apresenta a Pedro Martins e Marina Anderi, apresentadores do Semanário dos Bruxos, o futuro do Quadribol.
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Sejam muito bem-vindos ao Semanário dos Bruxos, o podcast do Foterich, que vai ao ar toda terça-feira nas plataformas de streaming. Eu sou o Pedro Martins, editor-chefe do site. Eu sou a Marina Anderi, gerente de marketing. No episódio desta semana, a gente vai falar sobre uma coisa muito legal.
Eu, particularmente, não era tão fã assim, mas enfim, acho bastante interessante, que é o quadribol, gente. O quadribol, que é um esporte muito popular em Harry Potter, com uma configuração meio peculiar. Os jogadores, como vocês sabem, as bolas são todas encantadas. E as partidas podem durar até meses, né?
E no mundo trouxa, gente, mesmo sem magia, esse esporte tem uma versão adaptada, que todos nós podemos jogar, mesmo sendo trouxas, né? E é um esporte que vem ganhando cada vez mais popularidade, e inclusive vem se separando um pouquinho de Harry Potter, enfim. A gente vai conversar um pouco mais sobre isso depois. Você gosta de quadribol, Marina?
Gosto, assim, nas duas versões. Na versão mágica e na versão trouxa. Né, assim, acho que na versão mágica é meio, tipo, é muito mais legal nos filmes, porque você vê a ação, fica lendo aquilo, e eu não consigo visualizar nada, né? É, eu acho que é mais difícil, mas tudo bem.
E no mundo trouxa, assim, desde que eu descobri, fui atrás, até já joguei um pouco. Eu acho o esporte bem interessante, bem, pelo menos pra mim, um pouco fora tradicional, porque o que eu já joguei é, tipo, futebol, joguei vôlei, né? Nunca tinha jogado um esporte de contato, tá ligado? Assim, contato mesmo.
Então eu acho bem interessante e acompanho, acho bem legal. E pra falar sobre quadribol trouxa, enfim, vamos falar, agora a gente vai adotar só quadribol, gente, quando a gente fala quadribol, vocês sabem que é o quadribol do mundo trouxa, né? A gente convidou o Filipe Daniel, ele que é jogador de quadribol, né, bicampeão brasileiro e campeão sul-americano de quadribol. Ele joga como artilheiro pelo time Minerva, do Rio de Janeiro.
Seja muito bem-vindo, Filipe, obrigado por aceitar nosso convite. Oi, de nada. Então, Filipe, pros nossos ouvintes que não sabem muito sobre o esporte e no formato que você joga, você poderia explicar um pouquinho como que ele funciona? Então, quadribol é uma mistura de rugby, queimado e handball, né?
Tem um pouco também da luta greco-romana na parte do pomo e funciona assim de forma, são quatro bolas tirando pomo. No caso, no quadribol real ou trouxa, como vocês dizem, são três balaços, não são dois, são três. Tem a goles também e tem o pomo de ouro, que no caso a gente chama de pomo corredor, né? E ele vale, em vez de 150 pontos, ele vale 30 pontos.
Pra não encerrar o jogo, eu imagino, né? Isso, exatamente. Então, a primeira diferença, eu acho que pegar o pomo de ouro, que pra vocês é uma pessoa correndo, realmente, com alguma coisa presa, as costas, talvez. Isso.
Esse pomo, enfim, se pegar não acaba o jogo, diferente de Harry Potter, né? Então, depende, né? O pomo, se ele for pego nas regras atuais, se ele for pego com um placar igual, com um placar próximo, dentro desses 30 pontos de diferença, ele pode encerrar o jogo. No caso, se for 20 pontos de diferença, encerra o jogo.
Se for 30 pontos de diferença, empata e vai pro prorrogação. E se for mais de 30 pontos de diferença, nas regras atuais, ele soma na pontuação e o jogo continua. E como foi que você começou a jogar o quadribol, assim, Filipe? Então, eu comecei a jogar, que na verdade eu fui chamado pra fazer cosplay de Ron, na época, um grupo chamado Armada Cosplay.
Então, eu conhecia algumas pessoas do grupo, faziam parte de um time de quadribol, jogavam. E a primeira vez que eu vi, eu achei esquisito, muito esquisito, não demorei muito pra jogar. Já fazer cosplay, que teoricamente era esquisito na época, mas eu tinha vergonha de jogar, porque na época também era uma brincadeira e porque eu achava esquisito demais. Então, demorou, acho que uns seis meses, eu vendo acontecer, depois eu comecei a jogar.
Isso lá na Quinta da Boa Vista, aqui no Rio de Janeiro. Então, a primeira vez que eu joguei foi em 2015, né? Tipo, eu joguei mais por brincadeira, né? Quis voltar a jogar de novo em 2016, mas como era mais uma brincadeira, tipo, o time tava tentando crescer o cenário, eu acabei só treinando algumas vezes e não joguei de fato.
Em 2017, de fato, eu comecei a treinar na teoria profissional, né? Uhum, tem alguns aninhos já, então. E na realidade, enfim, você tava contando pra gente que você sempre também curtiu muito outros esportes, né? É bem disso, eu amo esportes, só que eu sou ruim na maioria deles.
Eu adoro futebol, mas eu sou muito ruim quando eu jogue mais, porque eu gosto mesmo, mas sou péssimo. Gosto de usar esportes como rugby, vôlei, handball, mas nem se compara com quando eu jogo quadribol. Legal, legal. E aí, eu acho que é uma coisa interessante, né?
Acho que pras pessoas que não conhecem, elas ficam, sei lá, também tendo esse olhar um pouco de que é brincadeira, mas assim, o quadribol tem uma associação internacional, que é Ikea, né? I-K-A-I, imagina o que se fala, que regula o esporte pelo mundo. E aí, no Brasil, a gente tem a BRQ, que é a Associação Brasileira de Quadribol, que representa o esporte no país. No site da BRQ, inclusive, tem várias informações legais sobre o quadribol no Brasil, enfim, se vocês tiverem interessados.
E é ela que regula os campeonatos nacionais, né, Felipe? Quais torneios a gente tem atualmente? Então, no Brasil a gente tem o Campeonato Brasileiro, que é organizado pela BRQ. Tem os campeonatos Paulista e Carioca, que é mais organizado pelos times, porém a BRQ também faz parte de uma forma meio que indireta, né?
Mas é só esses mesmos, é o Carioca, o Paulista e o Brasileiro. E também tem a Copa do Sul, que é disputada por times do Brasil também, né? Só que, nesse caso, é de toda a América Latina. E a BRQ também faz parte da organização.
E tem também as Copas Mundiais, né, Felipe? Isso, a gente tem também a Copa do Mundo, né? Os torneios de seleção que o Brasil faz parte é a Copa do Mundo e os Jogos Panamericanos. A gente ainda não conseguiu participar dos Jogos Panamericanos, mas tem esses também, tem, no caso, no futebol se chama Eurocopa, mas também tem o torneio lá europeu de seleções lá, tem o torneio europeu de clubes.
Acho que de continental tem o da América Latina, que é a nossa Copa do Sul, tem da Europa, acho que nos outros continentes ainda não, na África não tem. Na América do Norte será que não tem, nos Estados Unidos? A América do Norte tem. No caso lá, eles jogam mais a Major League, né, no caso que envolve Canadá e Estados Unidos.
E aí a cada quatro anos acontece a Copa Mundial, né? Não, há quatro anos não, desculpa, é dois anos. Ah, e quando que foi a última, você lembra? Então, a última foi em 2018, era pra ter rolado a de 2020, mas por conta da pandemia foi adiada pra 2021, foi adiada pra 2022 e agora a gente já não sabe mais.
E por aí vamos, né? Acabou de dois ver pra quatro anos, né? Tá parecendo filmes de animais fantásticos, rinsos sendo adiados toda hora. Infelizmente.
Não, e aí é interessante, né, assim, ver que já tem uma organização, já é um pouco também dessa forma meio autossuficiente, né? As pessoas foram lá e foram atrás de ir fazendo no campeonato estadual, os times do estado que mais se organizam, meio que pra ir atrás, né? Assim, não é que nenhum esporte que a gente já conhece há muito tempo, que é o Olimpico, todas essas coisas, que você vai atrás de começar a jogar um negócio que já tá muito organizado e que já existe uma instituição muito bem estabelecida, né? Parece que cada jogador até ajuda a organizar e fazer parte, realmente fazer funcionar, né?
Essa observação que vocês deram é bem importante. No caso, o que faz o quadribol acontecer realmente é quem pratica, né? Porque acho que tem poucos jogadores que não estão envolvidos em times, então os campeonatos, eles são arbitrados pelos próprios jogadores que na maioria dos casos estão jogando nos campeonatos, então você vai jogar um jogo, tem árbitros de vários times optando. A organização, a BRQ no caso, são vários membros, né?
A maioria faz parte de algum time ou outro, então ainda tá muito novo, né? E também tem estrutura de cada time. São poucos os times que têm estrutura, no caso considerada grande, no meio do quadribol, né? Pra que alguém comece a jogar e já caia em um time com uma boa organização, mas são pouquíssimos, na maior parte os times estão aprendendo, são novos ainda.
Todos estão aprendendo, mas tem muito time que você entra que quase ninguém sabe jogar ainda, os times estão sendo formados, e é mais disso mesmo. Eu acho bastante interessante, inclusive, que essa questão de você falar que quem faz acontecer o quadribol são os jogadores, assim, mesmo, né? Eu lembro que a gente, inclusive, entrevistou o Filipe uma vez, quando ele tava indo pra Copa, a última Copa de 2018, que aconteceu na Itália, como ele tava contando, e vocês foram todos assim, vocês se organizaram, a seleção brasileira se organizou pra ir por conta própria, bancando a própria viagem, enfim. Isso, grande parte do Brasil ir mal naquela Copa foi esse que foi um dos motivos, na real.
A gente foi em poucos jogadores, a seleção foi em três, enquanto as outras seleções tinham elencos de 21 pra cima, as seleções fortes, no caso, porque também tinha seleções na mesma situação que a gente, ou até pior, que era o caso da Islândia. Mas até agora, e provavelmente a próxima Copa, ainda vai ser desse, a gente vai estar se bancando pra viajar, talvez surja algum patrocínio ou outro que alivie, mas é bem complicado, principalmente pra participar da Copa do Mundo, pra participar da seleção brasileira, como 24. É um pouco aquele pagar pra trabalhar, né, assim. Exato.
Porque acaba que, até nessa próxima questão aqui que a gente vai fazer, de que, enfim, tem as associações dos jogadores, e aí todo mundo vai se organizando e dando um jeito, vendendo camiseta, fazendo vaquinha, tá indo pro próprio bolso mesmo, pra poder ir pros campeonatos que são, né, você tem que se locomover e tudo mais. Mas a ideia, né, da associação dos jogadores é que o quadribol se profissionalize, permitindo patrocínios em que as pessoas possam viver do esporte. Mas pra isso parece que vai ser necessário se afastar de Harry Potter e até mudar de nome. É isso mesmo, Felipe?
É, tem bastante conversa, sim, em relação à troca de nome, né. Afastar de Harry Potter já é uma coisa natural, que tá acontecendo naturalmente. Tem muitos jogadores hoje que não gostam de associar o quadribol nosso com o quadribol de Harry Potter, porque, querendo ou não, atrai bastante fãs de Harry Potter e acaba treinando alguns jogadores, só que também traz também pro esporte um, como se fosse uma brincadeira de fã, né, e não é, então tem muita essa, tentando se desvencilhar por causa disso. Em relação à troca de nome, é porque a Warner tem direitos nos termos do quadribol, né, no nome quadribol, balaço, enfim, todos os nossos termos usados na maioria dos casos.
Então tem essa conversa também, eu não sei ao certo se vai acontecer e se for acontecer, quanto tempo que isso vai levar pra acontecer, mas é uma coisa que acaba sendo ruim, né, porque o nome ajuda muito a gente, principalmente os times, a crescerem, né, que é uma forma de divulgação. Mas também acho que se mudar, talvez não atrapalhe, porque a gente vai continuar usando o nome pra explicar pras pessoas, né, fazer o quê. É, exato, né, oficialmente vai chamar, sei lá, qualquer outra coisa, mas falar, ah, então, sabe o quadribol de Harry Potter? É adaptado disso.
Exato. Que eu acho bem interessante de que, do que eu consigo pensar aqui, né, do que é igual ao quadribol, enfim, que a gente vê nos livros, nos filmes, tem, enfim, o cano de PVC entre as pernas, que seria a vassoura, né, e tem os três aros, né, aí obviamente você tem o mesmo número de jogadores, o nome das bolas e mais ou menos o mesmo número de bolas e tals, mas de resto eu achei muito diferente quando eu joguei, assim, porque eu sempre fui como goleira, né, quando joguei futebol, quando joguei handball e tals, por muitos anos eu sempre fui goleira, então na minha cabeça eu falei, quadribol eu vou ser goleira também, né, tipo, acho que é a lógica é essa, só que aí é muito, né, como ele tem do rugby, ele é muito de contato e as pessoas no geral elas não, né, obviamente elas jogam a bola pros aros, mas no geral, tipo assim, elas podem por a mão dentro do aro, né, você chega como goleiro ali e tenta derrubar a pessoa, fazer alguma coisa, então não tem esse espaço, né, de tipo dar bola até chegar no aro, que tem no futebol, que tem no handball, assim, e aí eu não conseguia, né. Não tem gol impedido, né, digamos assim. É, né.
A habilidade que eu tinha como goleira de futebol não me preparou pra ser goleira de quadribol, então, tipo, isso é bem interessante, assim, que é o jogo que você tem que estar muito atento nisso, né, roubar bola, não só, enfim, dar soquinho e tirar, mas às vezes fazer esse tackle, né, que é o nome, enfim, do futebol americano, no rugby e tals, e tá muito atento, né, porque aí tem os batedores que se a gente adaptar, pensar aquilo que a gente conhece, são como jogadores de queimada, que aí você joga o balaço e se atinge a pessoa ou ela tem que sair do campo e voltar, então, o artilheiro tá lá pra fazer o ponto dele, o gol dele, chega o balaço, né, já era, tem que voltar. Então, eu acho isso muito interessante, de que, tipo, as coisas foram adaptadas de uma forma que se você souber na quadribol de Harry Potter, na verdade, não significa quase mais nada, né, porque é muito diferente. É, realmente, principalmente parte do goleiro, né, mas, em relação a que no quadribol tem enterrada, né. Isso, exato.
Esse é o nome. E se, claro, se os batedores, se o time der brecha na defesa, a gente entra e faz a enterrada, que é um, como é no basquete, é um lance de maior chance de ponto, né, então, você fica colocando a mão lá dentro. Mas, provavelmente, foi porque você também jogou aqui no Brasil e é pouco usado, hein, na verdade, tá começando agora a ser usado ao remesso de longe, né, mas tem muito no quadribol ao remesso de longe, principalmente pra poder jogar contra os batedores, né, porque senão eles queimam você antes de fazer uma enterrada. Se um time é muito mais forte que o seu, é difícil de fazer uma enterrada, porque sempre vai ter um batedor pra te queimar bem na hora que você tá lá chegando perto dos atos.
Aí tem também os lances de goleiro de futebol, de handball, mas só nesses casos mesmo. Ah, entendi, mas que a minha experiência foi muito ali, não, total, né, era muita gente, como até o Filipe falou, né, a gente chegou lá pra aprender a jogar. Então, obviamente, a gente não ia ter estrutura pra conseguir pensar, né, de não deixar a pessoa chegar, né, que não era tão difícil, assim, chegar na área do goleiro. Então, eu só fiquei meio, eita, acho que talvez uma outra posição pra mim.
Inclusive, você pode explicar como é que funciona o rolê do pomo de ouro, o pomo de corrida, assim, ele entra depois de tantos minutos, né, e aí como é que funciona, assim, pra pegar ele? Então, ele entra depois de 18 minutos. Se não me engano, é 17, né, 18 entre os apanhadores, né, pra poder pegar ele. É só os apanhadores que pegam ele, mesma coisa do filme.
E, no caso, ele tem uma bola presa no… uma bola de tênis dentro de uma meia, presa no shorts, o nosso pomo de ouro, né. E ele pode fazer praticamente tudo com você, né, ele pode te empurrar, te derrubar, puxar seu bastão no caso da vassoura, e se ele tira seu bastão, você tem que voltar no aro do seu time pra um rolê. Então, ele é bem chatinho, e geralmente tem vários estilos de pomo, né, tem os magrinhos que coem pra caramba, aí tem os mais fortão, que ficam mais parados.
Pra mim, esses são os mais difíceis, inclusive, quando o pomo é muito forte e fica parado. Quando você pega, tem aquele negócio, né, que você pode empatar o jogo. As regras foram atualizadas recentemente, recentemente, antigamente, podia se tindo pegar o pomo, se o time estivesse perdendo de 90 pontos, diferença é lá. 90 a 0, você pegava o pomo, acabava o jogo no 90 a 30, então não compensava você pegar.
Agora compensa, né, se eu não me engano, nas regras novas, você pega o pomo, fica com 30, e o jogo acaba a 120. Acrescenta 30 pontos a mais nos gols, e aí vai funcionando dessa forma, aí o pomo entra de novo, se eu não me engano. Mas é basicamente assim que funciona o pomo. Uma coisa que me chama bastante a atenção, né, eu nunca joguei o quadribol da vida real.
Tem interesse, assim, nunca fui muito de esporte, mas tem interesse, acho que, pelo menos pra ver como é que seria. Mas tanto você quanto Marina falam que é um esporte muito de contato, né, isso significa que, enfim, pode rolar empurrão, pode rolar… O que que pode rolar, de fato, assim, pra você prejudicar um outro jogador e ajudar o seu time, assim? O que que é permitido, o que que não é?
Então, como o quadribol não é igual ao basquete, o hand, o futebol, no caso, principalmente o basquete que kica a bola, ou no futebol que a bola não fica presa no seu pé, né, você tem que ir dominando ela, no quadribol você segura a bola, você segura a gola, e ela não é 100% cheia, né, ela é, sei lá, 80, 70% cheia. Então, dá pra você firmar ela na mão, se você tiver a mão grande e tiver força pra apertar ela. Então, a única forma de você parar um jogador que tá vindo com ela e tá vindo pra te amassar, pra te enterrar a bola no seu ar, ou é tacliando, né? E o teco tem muita, muita, muita mesma regra de contato.
Esse tacliar que vocês falam seria o que, assim, mais ou menos? Derrubar. O outro jogador. Isso, você derruba o jogador adversário, porém, você só pode derrubar ele se ele tiver com a bola na mão.
Entendi. Aí, no caso, você tem que derrubar ele, você tem que iniciar pela frente, né, tem uma explicação pra… pra os jogadores entenderem o que que é frente, o que que é costas, né, porque tem a lateral, o movimento lateral também não é falta, mas se for mais pras costas é falta, aí tem uma forma de explicar. Não sei se vou saber explicar por aqui, mas usam a linha do umbigo.
Eu costumo explicar pro jogadores que eu treino que se o seu umbigo estiver vendo o umbigo do adversário, não é falta, se ele não estiver vendo, é falta. É a maneira que eu acho mais didática de explicar. Dá pra entender, eu consigo, assim, imaginar. Então, aí, no caso, só pode pegar do ombro pra baixo, né, e do joelho pra cima.
Tirando isso, a falta, lembrando também que o quadribol é esporte misto, então tem muito o negócio do acesso de força. Geralmente, é bem agressivo, porém, tem falta de acesso de força, que aí vale de cada árbitro, né, identificar o que que foi, se muita força usada é necessária. Eu fico pensando assim, é permitido nessa questão de tacliar, de tentar derrubar o outro, você jogar o corpo em cima da pessoa, você dar soco, enfim, o que que dá, o que que pode fazer, assim, sei lá, né? Essa é uma das coisas que entra o acesso de força, por exemplo, se o cara atacou a bola, eu corri pra cima dele, e ter aquele impacto, já é considerado falta.
Por isso que, geralmente, quando você vai iniciar um teco no quadribol, você tem que, primeiro agarrar a pessoa pra depois, tentar derrubar ela, porque se você usar a força do seu, no caso da sua impulsão, pode ser considerado falta. Aí é como se fosse uma luta mesmo. Praticamente, é parecido com um teco do rugby, mais do rugby do que de futebol americano, só que também, eles são mais agressivos do que no quadribol, o teco no quadribol é um pouco menos agressivo. Aí tem outro ponto, se o cara que tá com a bola vier te atropelar, ele pode, você não pode atropelar ele porque você tá sem bola, mas ele pode atropelar se ele estiver com a bola.
O que não pode é ele começar, sei lá, te atropelar e usar só a ponta do ombro, porque aí no caso, isso é falta. Ou ele usar o cotovelo, que o que tá comendo deu de cotovelo em você. O que não pode é usar uma parte pontuda do corpo para atropelar a pessoa, usar como impacto. Tem isso também.
Tem muita regra. São muitas regras, eu tô, assim, chocado. E nisso até diminui um pouco, para assim dizer, a violência do esporte, o fato de ter o cano de PVC. É, o bastão.
Tem que estar ali, entre suas pernas, você precisa estar com a mão nele, mas geralmente você fica, porque vai que cai, enfim, essas coisas. Então, na hora que você vai fazer um teco ou alguma coisa assim, uma disputa de posse, essas coisas, acaba que você não consegue usar os dois braços, né? Então, isso acaba diminuindo o quanto você pode fazer. E eu confesso assim, a primeira vez que eu fui jogar, eu falei, gente, tudo aqui não vai dar certo.
Esse cano aqui, sabe? Isso não faz sentido. Mas, tipo, depois de jogar, sei lá, uns 10 minutos, eu já tava, tipo, parecia que fazia parte do meu corpo. Eu achei isso muito interessante.
É, o bastão, ele impede bastante de ficar mais violento, né? E também tem o ponto de que não pode usar teco de duas mãos. Mesmo que você trava a vassoura no meio das pernas, você não pode usar o teco de duas mãos. Então, é uma mão só.
E aí, o bastão, ele acaba fazendo com que o jogo fique menos violento, realmente. E essa questão que você comentou sobre ser um esporte misto, assim, eu acho que é muito diferente de outros esportes, né? Tem alguma regra para misturar metade de mulher, metade de homem? Como é que funciona essa mistura?
Então, no quadribol tem uma regra chamada regra de gênero. Porém, ela não é igual à do coffer ball, se você que conhece o coffer ball, você entende que… E também tem essa… É uma regra parecida, porém, na regra do coffer ball, é a regra de sexo mesmo, né?
Masculino, feminino. No quadribol é a regra de gênero, o que é uma opinião, acho que talvez seja um pouco polêmica, o que na prática ela tem falhas, né? Porém, na teoria é uma coisa muito bonita e muito legal. Do quadribol, né?
Que… Como que funciona? Você pode usar no máximo quatro jogadores de um gênero, ou seja, no máximo quatro, mulher e cis, ou no máximo quatro, homem e cis, e por aí vai. Só que também no quadribol entra o não binário, o não binarismo, que abrange os outros gêneros.
Então, quando você tem um não binário, né? Nascido, homem, e ele se identifica com algum gênero, algum dos gêneros do não binarismo, ele pode entrar junto com os outros quatro homens cis. Então, tem times que abusam dessa regra, isso no mundo todo, no Brasil também, também já teve em muitos casos. E aí acaba que, em vez da regra incluir, acaba excluindo, porque os não binários, nascido homens, eles acabam entrando num lugar de mulheres, porque na regra de gênero é permitido.
É interessante, porque isso muda muito, de alguma maneira, a dinâmica do jogo. Exatamente. Aí, no caso, acaba dando um pouco de vantagem para o time que utiliza isso da forma errada, na minha opinião. Mas no quadribol, principalmente no quadribol americano, australiano, belga, que são países mais avançados no esporte, eles realmente colocam sempre para jogar os dois gêneros biológicos equilibrados, no máximo quatro de um, três do outro, para que o jogo seja realmente para que usam.
Eu não sabia dessa questão, então não tem muito como eu opinar, além de tipo… Enfim, estou pensando nisso agora. Mas é interessante, primeiro a proposta de que vamos aqui separar por gênero e não por sexo. Dessa forma, a gente consegue incluir mais gente.
E também, até pela ideia de que eu acredito que, pensando em esporte, principalmente tendo coisa de força no meio, enfim, o homem, no geral, leva vantagem, o homem cis, se não tivesse isso, então o time estaria… Só teria homem, no fim das contas, é misto, mas sem ter mulher, tá ligado? E aí, mas tendo essa questão do bidonominarismo, entra em um aspecto que é mais complexo, de tipo assim, qual é a vantagem ou a desvantagem dessa pessoa em relação às outras. E acaba que sempre vai ter gente mal intencionada e vai usar dessa forma.
Mas, no geral, de fato, é muito legal que é inclusivo e que a pessoa não tenha que ficar se identificando com algo que ela não se identifica só pra poder jogar. Exatamente. É uma das coisas que se impede, na minha visão, o esporte de crescer quando se trata, no caso, de olimpíadas ou algum patrocinador muito grande, é uma das coisas que também atrapalha, além do nome, na minha visão. Mas é uma coisa que eu acho que, infelizmente, talvez acabe um esporte pra que ele se adapte a ser um esporte olímpico, um dia, enfim, esse tipo de coisa.
É porque todos são separados como masculino e feminino, então quadribol ser misto, putz, que droga, né? Não, na verdade, eu não sei se, talvez, impeça de ser misto. Eu acho que vai continuar sendo misto, só que pra definir melhor, eu acho que eles devem definir por gênero biológico, que não tenha brecha, no caso. É que tá uma grande polêmica, atualmente, sobre até, no caso, se pessoas trans podem jogar.
É uma coisa muito recente, tá rolando internalmente agora, em discussão pras olimpíadas que estão chegando. É realmente um tema que, quem sabe, no processo do quadribol se profissionalizando, talvez mudando de nome e tal, até isso já esteja resolvido e fique mais fácil, né? Ninguém tem que ser excluído. Sim, sim.
Uma coisa que eu acho interessante também, Filipe, bom, talvez, não sei se estou errado, mas, por ser esse esporte que exige muito, fisicamente, você tem que andar ali com um bastão entre as suas pernas, você tem que tacliar, você tem que, enfim, entrar de alguma maneira em luta corporal com outro jogador. Isso é assim que a gente pode dizer. Os jogadores de quadribol, eles precisam ter um preparo físico muito claro. Se estiver num time amador, que está todo mundo só conhecendo, todo mundo está despreparado, beleza, mas um time mesmo, as pessoas precisam se preparar muito pelo que eu estou entendendo, né?
Sim, isso é um assunto legal. Vou fazer dois comparativos. Aqui no Brasil, tem muito disso de times que têm jogadores de um alto nível, já são atletas, bastantes de jogadores que já estão familiarizados com os esportes, têm jogadores que vêm do esporte de contato. E no caso, acho que a diferença é bastante quando um time, um time que disputa títulos, disputa um jogo contra um time mais amador que não leva o esporte a sério a ponto de vencer campeonatos e sim de só divertir mesmo e estar lá pra curtir mesmo.
Então nessas horas tem uma, é um jogo mais pegado, e acaba tendo lesões, acaba tendo muito mais, é diferente. Isso também tinha muito na Copa, porque eu jogava aqui no Brasil em 2017, em 2017 o esporte nem se compara com o era hoje. Chegou na Copa, eu nunca apanhei tanto na minha vida, e lá também tem essa diferença, tem uns países que vão pra Copa, a Islândia, por exemplo, foi com 9, a gente foi com 13, e aí depois tudo pra cima, joga mais jogadores que a gente, as outras seleções, se não me engano. Então tipo, quando o Brasil pegava uma seleção forte, quando a gente jogou contra os Estados Unidos, por exemplo, eu tomei teco de, foi o jogo que eu mais tomei teco na vida.
Aqui no Brasil, se eu tome um teco em jogo é muito. Claro que tem a diferença do meu nível pra cá mudou, mas lá eu tomava teco o tempo todo. Eu acho que eu tomei uns 5 tecos em um jogo só, e detalhe, desses 5 tecos, mas eu acho que 4, eu não lembro, só sei que 4 desses tecos foram de mulheres. Então é bem diferente quando eles se preparam, porque a seleção dos Estados Unidos é ainda mais diferente daqui.
Todos são atletas, todos têm um preparo físico altíssimo, então precisa de se preparar. Só que aqui no Brasil não é todos os times, e mesmo os times maiores, não são todos os jogadores que têm esse preparo. Nossa, ligando a isso, eu tenho uma pergunta que pode até só um pouco polêmica, até porque enfim, a gente tinha um podcast de Harry Potter, mas de alguma maneira eu sinto que talvez toque essa impressão. Talvez entre jogadores, não só do Brasil, não só vocês aqui mesmo, entre jogadores profissionais que realmente são atletas, que se preparam fisicamente, que treinam, que tem o card preparado, tem a musculação preparada.
O pessoal que joga realmente, tipo, eu sou muito fã de Harry Potter, eu vou jogar, e tipo só meio que isso. É meio mal visto, talvez, porque quem realmente quer que o esporte seja independente, vire um esporte olímpico, enfim. Porque são objetivos muito diferentes, né? As pessoas parecem que jogam com objetivos muito diferentes, né?
Então, esse é um ponto bem importante que você falou. Depende, depende muito da onde essa pessoa esteja, né? No caso do time que eu treino para outros times que eu já joguei, tem times que realmente dão mais importância para para jogadores que são atletas, para jogadores que têm o pensamento de atleta, de chegar, competir, vencer, enfim. E tem também os times que acolhem essa galera, mas que só quer lá jogar e pronto.
No caso do time que eu treino, que é o Minerva, no momento a gente tenta priorizar sempre o ponto inicial, da pessoa conhecer, e dela ver a seriedade, não é da seriedade, como que é lá dentro, né? Como que a gente pensa, porque o que acontece no quadribol, no geral, em toda a minha experiência, ele transformou pessoas que não eram atletas ou que odiavam o esporte, nunca se sentiram bem fazendo esporte em atletas. E a gente tenta focar o máximo nisso, dar essa oportunidade dessa galera. Claro que se não acaba absorvendo essa seriedade, essa responsabilidade que o time cobra, a gente indica para outros times que pensam, talvez, mais nessa galera em realmente só tipo se divertir e curtir, e não exijam tanto.
Mas a gente tenta fazer essa pessoa pensar como atleta e dar essa seriedade para o esporte e acaba funcionando. Quando a pessoa gosta, às vezes ela nem gosta de esporte, mas ela gosta do quadribol, não sei porque exatamente, mas as pessoas gostam. Eu não sei se é porque mistura muito esporte em um só. Então, tem muita gente que vê assim, ah, eu quero só brincar, quero só conhecer, quero só porque eu tenho que fazer isso para falar que eu sou fã de Harry Potter.
E não acaba ficando, acaba se tornando atleta. Ou seja, profissionalmente, tem muita gente que joga quadribol, enfim, com esse espírito mais competitivo de atleta que não é fã de Harry Potter. Tem, tem bastante. No meu caso, é mais tipo eu fazia cosplay e tal, mas eu fazia mais por gostar de fazer cosplay mesmo.
Mas eu sou do tipo de fã de Harry Potter que só assistiu os filmes mesmo. E não era tão fã. Se for para falar do que eu sou fã, eu sou fã de Percy Jackson, que eu li os livros, que eu realmente era muito fã. Harry Potter eu gosto muito, mas o que me fez ficar próximo de Harry Potter de verdade foi o quadribol, as pessoas do quadribol.
Mas tem muita gente que chega, não liga, não se importa, às vezes nem assistiu todos os filmes. Eu só acho legal porque o pessoal do quadribol acha legal. Tem gente que acaba virando fã de Harry Potter depois que gosta do quadribol também. É, acaba que é isso.
São vias de acesso, a pessoa precisa começar em algum ponto e não tem como, no geral, acho que não tem como a pessoa começar já sendo incrível, já sabendo tudo, né? Então acaba que ser fã de Harry Potter facilita a pessoa ter talvez mais curiosidade do que ela teria normalmente. Mas também tem as pessoas do outro lado que só vem no esporte e encontram alguma forma e ficam, nossa, quero. E é isso, né?
Tipo, se tem muito fã de Harry Potter, acaba influenciando e a pessoa até fica legal e tal, mas não é o ponto, né? É mais realmente, tipo, uma coisa que tá ali aclopada, mas não é necessária, né? É o segredo dessa galera que não é fã, na real, é muito mais do, ah, namorado, o amigo, a amiga, levou pra quis conhecer o negócio e aí essa pessoa foi junta e chegou lá, jogou. Inclusive, tem um amigo próximo que joga no time de São Paulo chamado Kimera, que ele foi muito nessa, a namorada dele gostava de Harry Potter, quis ir pra conhecer ela, se tornou jogadora.
Ele ficou um mês pra jogar porque achava esquisito e aí começou a jogar, mas nem liga pra Harry Potter, só joga. E hoje em dia é um jogador que tem foco em participar da seleção brasileira, esse tipo de coisa, sabe? Ah, isso é muito legal, cara. Eu sempre gostei de esporte, mas nunca levei a sério, nenhum dos que eu pratiquei.
O meu futuro, eu não sei se eu vou conseguir, talvez, viver de quadribol sendo jogador, né? Eu sonho em viver de quadribol pelo menos como treinador ou outra coisa, mas todo o meu futuro praticamente foi decidido por causa do quadribol, né? Antigamente eu não sabia que faculdade seguia, hoje já tenho muito claro na minha cabeça que eu quero fazer educação física, então influencia muito. Em relação a todos os títulos, eu ganhei todos esses títulos porque eu sempre tive um pensamento diferente que eu tento impor pros meus jogadores, pros times que eu jogo, de pensar como atleta, né?
Não é porque você tá jogando quadribol, que é um esporte ridicularizado pela maioria que não conhece, não é porque você tá fazendo esse tipo de esporte que você não tem que pensar como atleta. Eu sempre pensei como atleta desde que eu cheguei, né? Principalmente pelo ponto de que eu cheguei, gostei e me senti bom em alguma coisa, né? Então tipo, nossa, que legal, eu sou bom nessa aqui, peguei de primeira, então é isso que eu quero fazer, sabe?
E aí foi só crescendo o amor pelo quadribol. Então tipo, eu sempre pensei como atleta, eu me alimento como atleta, eu treino muito como atleta, faço academia, faço treino de cardio, treino muito com meu time, exijo o mesmo deles. Principalmente depois que eu vim da Copa, depois de jogar com a galera de lá, eu já pensava, já tentava incorporar uma rotina de atleta, mas não tanto quanto eu faço hoje comparando o pessoal à Copa, porque também uns meus sonhos também é ganhar a Copa do Mundo com o Brasil. Putz cara, assim, muito legal mesmo.
Que legal que você conseguiu, sabe, encontrar isso, tipo, conhecer algo e isso definir a tua vida. Um pouco como eu sendo com o Harry Potter mesmo, enfim, de outra maneira, mas, pô, que legal, cara. E agora na pandemia, como é que tá essa situação toda, Filipe, assim, vocês estão conseguindo treinar, não estão, como é que ficou o futuro, né, de alguma maneira assim? Então, na pandemia, a maior parte dos times estão parados, tem alguns times que treinam, mas muito pouco comparado a quando as coisas estão normais, de uma forma muito mais limitada, mas a maior parte dos times maiores tentaram manter uma rotina de treino online, de, pelo menos, tático.
Tem muitos jogadores que, agora, com a liberação das coisas, aqui no Rio até mais, mas muitos jogadores estão tentando focar em academia, enquanto isso, e é mais disso. Muitos jogadores estão desmotivados, não estão treinando direito, porque não tem campeonato, e o que motiva é os campeonatos, e tá basicamente dessa forma. Tem times também que estão sentindo um baque grande, porque tem gente desanimando, talvez pare de jogar, tem gente se aposentando, porque tá passando muito tempo, acho que quando voltar não vai voltar bem, e eu não sei de casos, não tem como entrar muito a fundo, mas já teve rumores, isso já chegou até mim, de times que talvez acabem, por causa da pandemia, porque não eram times bem, não eram consolidados, e a pandemia deu uma freada no crescimento deles, que eles estavam começando, principalmente os times que estavam começando, e aí chegou a pandemia. Ou times que estavam já passando por dificuldades para se manter antes da pandemia, e agora deu mais freada, não sei como vai ser quando voltar.
É um momento complicado para várias coisas, mas principalmente tudo que depende, de você estar com a pessoa no mesmo lugar, de que uma coisa que reúne bastante a pessoa, não tem como não afetar, complicado, vamos ver, espero que, enfim, dê certo, que as pessoas continuem, que novos times surgem, também a partir disso que acabar. Eu acho que as coisas, quando o quadribol voltar, vai voltar com tudo, eu só não sei dizer dos times novos, que estavam se formando, dos times que estavam com uma situação complicada já, mas ano de 2022, eu espero que 2022 já esteja normal, vai ter os campeonatos, e o nível de rivalidade no quadribol, talvez nunca tenha sido tão grande, quanto no próximo ano, porque deu uma subida, antigamente, em 2019, a gente teve times, no caso do Dragões, que é o que eu estava jogando em São Paulo, é um time muito forte, só que naquela época, a gente tinha muito poucos times, que batessem de frente, então, em 2019, a gente teve um aperto, outro, mas não foi tão difícil ganhar os campeonatos assim. A CS foi a mais difícil, porque a gente estava jogando contra os melhores dos outros países, mas mesmo assim, também não foi tão difícil assim, a gente jogou com o Alguim, que é o melhor jogador do mundo, ele jogou como empréstimo da gente, a gente também jogou com outros empréstimos, quero 3 jogadores daqui do Brasil, e jogar em outros times, foi jogar de empréstimo. Então, 2022, provavelmente, vai ter muitos jogos bons para assistir, porque o nível está muito equilibrado, então, se vocês quiserem assistir jogos bons em 2022, com certeza vai ter, mesmo com a pandemia, dando essa travada.
Ah, isso é legal, então, quer dizer que vai começar a voltar, digamos assim. Sim, é uma coisa que foi adiada, teve a minha saída do Dragões, aumenta também o nível no cenário, e os outros times se reforçando também, com os jogadores mudando de times, times novos surgindo, surgindo de jeitos legais, times que já jogavam, ganharam experiência, então, quando as coisas voltarem, vai ser bem legal, porque tem muita coisa que, na hora de acontecer, não aconteceu, porque foi pré-temporal, todos os times se prepararam, todos os times com tudo preparado, e agora não teve, mas quando tiver em 2022, com certeza, eu acho que vai ser bem legal o cenário de acompanhar. E é um movimento interessante, até isso, por exemplo, a pessoa ir mudando de time, que é o que acontece normalmente no esporte, você não fica no lugar, porque eu comecei ali, e eu fico, você vai vendo o que funciona mais pra você, o que é a logística, acaba ficando também, tipo, uma coisa interessante, que vai mostrando o crescimento do esporte. Sim, sim, vai muito da individualidade de cada jogador, assim como no esporte no geral, tem jogadores que saem de um time pra buscar um time mais forte, pra ter mais chances de títulos.
O meu caso de mudar de time, eu mudei de time, no caso, duas vezes, eu era do Minerva, saí do Minerva, fui pro Dragões, depois do Dragões vim pro Minerva. Joguei de empréstimo pelo Griffiths, mas era empréstimo, então, teoricamente, não foi uma transferência. Mas eu sempre busquei lugares em que eu me sentisse desafiado, que eu joguei a Copa, e eu tô sempre buscando, mesmo que o busco é mais difícil que no Brasil, eu não acho, mas eu tô sempre lidando com isso, pra que eu aumente o nível pra Copa. O meu caso de mudar de time foi mais por isso, o Minerva era uma potência em 2017, 2018, ninguém ganhava, em casos que tinha jogo que a gente fazia 15 gols, tomava dois, né?
Então, eu saí, fui pro Drags, na época, aí formou um time do zero, a maioria começando a jogar, depois o Dragões se tornou uma potência, por ter muito influencer lá dentro, ter começado dentro de um projeto de patrocínio, e aí também cresceu muito rápido, aí deu eu saindo de novo, voltando pro Minerva. Também pela parte de ser no Rio e eu morar no Rio, facilitou bastante, não dava mais pra ficar viajando pra São Paulo direto, pra treinar, competir. Ah, entendi, esse tempo todo, então, você não morou em São Paulo? Não, eu morei em São Paulo até os 15 anos, mas todo quadribol eu tava morando, aqui no Rio, a diferença é que eu fico muito em São Paulo, por causa do meu pai que trabalha em São Paulo, então eu ficava muito tempo lá às vezes com ele, às vezes ficava um mês, ou ficava 15 dias, mas ficava uma semana no Rio, depois voltava de novo, mas mesmo assim sempre foi difícil e me prejudicou bastante em diversos momentos.
Ah, entendi, eu imagino realmente um deslocamento muito frequente, né? Não é perto, mas nem tanto. É, era mais pra ter uma desculpa pra ver a família, ver minha mãe, enfim. E uma pergunta agora, né, ô Felipe, talvez pelo momento pós-pandemia, eu não sei como é que tá agora, mas enfim, se alguém que tá ouvindo aqui o podcast seja mais porque realmente quer conhecer o esporte, mais porque quer jogar enquanto fã de Harry Potter, ou realmente porque quer ter essa seriedade de atleta, é possível?
Os times normalmente fazem seletivas, essas seletivas são anuais, semestrais, como é que funciona normalmente? Então, depende do time, né? Tem times que são muito abertos a receber jogadores, mas cada time funciona de um jeito diferente, né? Tem times que são abertos a receber interessados no esporte, mas é difícil de você virar um jogador, um atleta, caso você não seja, dentro de alguns times, porque a instrução ou o foco não seja pra você que não seja atleta ainda, sim pra alguém que já chegou bem.
Tem times que são fechados, o caso do Dragões, eles são fechados, eles têm poucas seletivas, e por já ser um time muito cheio, e por ser um time bem estruturado, são bem fechados. Aí tem times como o Kimera, no caso do São Paulo, que é um dos times que eu treino, eles também são bem abertos, eles tentam focar bastante na galera que não conhece o esporte, ou que não é atleta, porque o time nasceu dessa forma, tem o Gryphos também que funciona mais ou menos parecido com o Kimera, mas também é um time que faz seletivas, mas faz bastante, e aí eles tentam focar ou focar o recrutamento nessas seletivas, mas também é um time que é aberto, caso você chegue lá e peça pra treinar. O Mineva é um pouco diferente dos outros, porque é um time também aberto a interessados, porém é um time que leva mais a sério a questão da responsabilidade, então, por mais que você chegue, seja muito bom, você não fica no time caso você falte, ou caso você chega atrasado, porque no time a nossa seletiva é um pouco diferente, ela não é diária, não é um dia que chega lá, a gente avalia os melhores e pronto. Ela acontece durante um período de x de treino, que cada jogador vai se capacitando, ou sendo não aprovado, então depende muito mais da responsabilidade.
É, exato, tem a ver com a habilidade que a pessoa vai desenvolvendo, óbvio, mas também com o comprometimento, com as questões. É, a habilidade na verdade é o de menos, a gente mal avalia isso, porque eu pelo menos gosto muito de trazer a galera nerd, a galera que não é boa nos esportes, que já foi meu caso em diversas vezes, para que essa galera se torne bons jogadores, e para que depois no final a gente tenha aquele resultado de mais gente se capacitando no esporte, em um esporte diferente, em vez só do futebol ou o vôlei aqui no Brasil. Além desses times que o Felipe citou, atualmente a gente tem 13 times ativos no Brasil, a gente não sabe como é que vai ficar exatamente depois da pandemia, como o Felipe falou também, mas eu vou mencionar eles aqui, gente, e aí, enfim, vocês vão dar uma pausa aí, então, para quem mora no Rio de Janeiro, tem o Axel Quadribol, é Axel mesmo, né? Isso, era Axel, mas a gente não tem notícia dele, estão meio que nativos no momento.
É isso, vocês vão dar uma procurada aí, gente, tem os grifos de Guanabara, também tudo no Rio, o Rio Ravens e o Minerva, que é o time do próprio Felipe. Em São Paulo tem o Dragões da Tormenta, tem os Kelps do Warium, os Panteras Paulistas e o Kimerad Delos. E aí, assim, dá para ver que realmente há uma concentração mais em São Paulo, Rio de Janeiro, mas também tem por outros lugares, em Niterói, do lado do Rio de Janeiro, tem o Harare Bowl de Quadribol, em Belo Horizonte, em Minas, tem o Libertas Quadribol, em Brasília, no Distrito Federal, tem o Distrito Knox, em Fortaleza, tem a Fênix Flamejantes, e em Maceió, tem o Tetascorp Quadribol. Eu acho que, enfim, tem bastante time, não é ainda em toda a cidade, mas tem bastante time, acho que quem tem interesse pode dar uma procuradinha e entrar também no site da Associação Brasileira de Quadribol, enfim, procurar.
É isso que eu ia falar, eu acho que o site da Associação Brasileira é onde tem mais informação ali, tanto dos times, porque você, tipo, clica, já vai ali para o Instagram, ou para um site, para alguma coisa, quanto mais informações sobre o esporte, eu acho que é um ponto ali bem legal para quem estiver interessado para entender melhor. É isso, nesse momento, enquanto estamos aqui ainda presos em casa, é mais difícil. Não sabemos quando esse pessoal vai ouvir, quando você está ouvindo o podcast, vai que você está ouvindo daqui três, quatro, uns. Exato, mas vai dar uma coisa, entra lá no site da BRQ, que aí você já consegue ver o que está ativo e ficar de olho caso você queira participar de alguma coisa.
Eu, assim, é isso, o que eu joguei, eu achei muito legal o esporte mesmo, eu sempre fui uma pessoa que jogou muito esporte, então para mim foi legal, porque depois na faculdade eu não fiz nada disso, então achei muito interessante. Era realmente porque é isso, eu precisava de um comprometimento que no momento eu não podia, sabe assim? Eu tinha acabado de começar um trabalho novo, eu estava muito cansada, era um negócio que era toda semana, eu acabei tendo que escolher, tipo, olha, acho que nesse momento não vai dar para me dedicar o quanto que eu gostaria e o quanto que o time merece, eu participei do Kelps do Orion ali brevemente, mas eu achei um esporte que eu acho muito legal e que é isso, quando rolava o campeonato eu estava acompanhando, quando voltar, voltarei a acompanhar. É isso, eu particularmente nunca joguei, tenho muito interesse, e quem sabe no futuro, né?
Amigo, você está tudo fitness agora, quem sabe? Nossa, é, está treinando todos os dias, de segunda a segunda. Olha lá, vou chegar já com um preparozinho assim. Meu Deus, seu futuro.
Se quiserem time para treinar, aproveitem para treinar lá com o Quimera, porque eu vivo treinando lá com eles quando eu vou para São Paulo. Eu vivo treinando com a gente, com Minerva. É isso, então vamos para dar rolê. Tô combinado.
Filipe, então, assim, para o pessoal que quiser eventualmente conversar mais com você sobre quadribol, até, enfim, você treina, né? Não sei se você treina as pessoas também online, se você dá aula, como que as pessoas podem entrar em contato com você nas redes sociais? Quais são os seus arrubas, enfim? É só pesquisar Filipe Daniel, né?
O Filipe é com P-H-I-L-I-P-I, tudo aí. Se procurarem Filipe Daniel no Instagram, Facebook, me acham, pode mandar mensagem, eu sempre respondo, principalmente quando o assunto é quadribol. E é isso. Legal.
Então é isso, gente. Se vocês quiserem conversar com o Filipe, podem conversar, ele já está se colocando à disposição. As minhas redes, a gente sempre fala as minhas redes da Marina aqui no podcast. Vamos lá de novo.
As minhas redes são IEM Pedro Martins em todo lugar. E as suas, Marina? São todas Marina Anderi. Marina, A&R, I, Twitter, Facebook, TikTok, Instagram, tamo lá.
É isso. E as redes do Poteiriste, pra gente encerrar, quais são? É arroba Poteiriste Oficial no Instagram e arroba Poteiriste no Twitter, Facebook e TikTok. E aí, pras últimas vezes de Harry Potter, teste, quiz, artigo, óbvio, né?
Poteiriste.com. É isso, gente. Filipe, muito obrigado pela conversa. Acho que o pessoal deve ter curtido muito escutar você falando sobre o quadribol e deve ter trazido, com certeza, até pra gente, pra mim, pra Marina, que já conhecíamos, de alguma maneira, o quadribol.
Eu já até provisei reportagem sobre o quadribol, trouxe conhecimentos novos, interessantes. Então, muito obrigado aí, viu? Nada, obrigado pela oportunidade, gente, de deixar a gente expandir ainda mais o conhecimento do esporte. E tão convidados aí pra aparecer com a gente no Quimera, no Minerva, que são os times que eu sei que eu posso chamar.
Passa, passa. Então é isso, gente. Um beijo e até semana que vem. Tchau, tchau, gente.
Beijo.







