#15: As falhas e virtudes de Rony Weasley, com Kajila Finori

#15: As falhas e virtudes de Rony Weasley, com Kajila Finori

Semanário dos Bruxos

Episódio 1544min 59s23 de fev de 2021

🎙️ Episódio 15 · 44min 59s · 23 de fev de 2021

Rony Weasley muda da água para o vinho em Harry Potter. No início, é machista e preconceituoso com diversas minorias sociais do mundo bruxo, mas sua postura muda no final, o que faz dele um exemplo de como as pessoas são capazes de mudarem para melhor, aos poucos e gradativamente. Os apresentadores do Semanário dos Bruxos, Pedro Martins e Marina Anderi, recebem a videomaker Kajila Finori, do BadCast, para discutir a jornada do nosso ruivo favorito.

RESUMO DO EPISÓDIO

  • A insegurança de Rony impulsiona seu comportamento preconceituoso?
  • Os preconceitos de Rony são reflexo da sociedade bruxa?
  • Como ser o caçula de cinco irmãos, seguido da Gina, impacta a vida de Rony
  • Como Rony evolui impulsionado pelos sermões de Hermione

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Transcrição do Episódio

A transcrição abaixo foi gerada automaticamente e pode conter pequenos erros.

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Sejam muito bem-vindos ao Semanário dos Bruxos, o podcast do Poteirist, que vai ao ar toda terça-feira nas plataformas de streaming. Eu sou o Pedro Martins, editor-chefe do site. Eu sou a Marina Anderi, gerente marketing. E o episódio de hoje é um pouco polêmico.

O episódio de hoje é sobre o Rony, esse personagem que muitas pessoas amam de paixão, que algumas outras pessoas, como eu, não amam tanto assim, né? Tem alguns problemas com ele, não consegue perdoá-lo. Enfim, como é que você lida com o Rony, Marina? Eu acho engraçado porque eu nem sei se as pessoas entrando nesse episódio consideram polêmico.

Tipo, porque ele não é os negros, né? O Dumbledore não é uma coisa que… Eu acho que tem muita gente que nem para pra pensar e nem debate, né? Perto do que a gente já gravou aqui, realmente, o Rony, né?

Exato, exato. Porque, diferente do Sábado da Petunia, ele não é uma pessoa. Não tem nada disso. É mais uma questão de que ele tem algumas atitudes meio questionáveis, sabe?

Eu percebi, ouvindo nossos podcasts, que a gente acaba com frequência falando mal dele. Então, esse episódio é justamente pra isso, só pra falar… Mentira, não é exatamente só pra falar mal dele. Então, mas é sem querer, é que acaba vindo o Rony, entendeu?

Não, mas então, hoje a gente tá acompanhado da videomaker Kajla Finori, que é a participante, a comentarista do podcast Badcast. Se vocês pesquisarem, vocês vão encontrar aí nas plataformas de streaming. E a Kajla, ela não tem tanto ranço assim do Rony, né, Kajla? Nem um pouco.

Inclusive, eu ouso dizer que o Weasley é o nosso rei. Olha só, meu Deus! Já chegou assim, dois pés na porta. Eu cheguei pra falar que sim, gente.

Eu vim aqui mostrar um pouco do meu ponto de vista de quem seria o Ron Weasley. Aos olhos de uma fã eterna. Temos um advogado do Rony aqui hoje, aqueles, né? Não, o pessoal vai falar, porra, esse menino defendeu a Petunia e vai falar mal do Rony, né?

Mas enfim… Cada um tem o advogado que merece. Exato, finge que vocês não escutaram o podcast da Línea e da Petunia, mas enfim… A primeira coisa que eu acho legal a gente discutir sobre o Rony é que ele cresceu, né?

Em meio a uma expectativa de ser melhor ou pelo menos igual aos irmãos mais velhos. Só que isso, às vezes, eu sinto que não vem tanto dos pais dele ou dos próprios irmãos. Vem um pouco dele, né? Não é como se tivesse sido imposto isso em cima dele.

Eu acho que sim. É uma coisa que não é imposta, mas que tem ali… Ele tem essa insegurança. Eu acho…

Vocês têm irmãos? Eu não. A herança é só minha. Oi.

Sou o mais novo. Não, meus irmãos diriam que sim, que eu fui muito paparicado, porém eu diria que não. Ah, claro, ninguém vai admitir, né? Que é o filhinho da mamãe, que é o…

Mas o que me fez, assim, primeiramente, ter essa empatia pelo Rony, foi justamente esse diálogo de abertura do personagem no livro. Quer oi? Eu sou a Rony Weasley, como você pode ver. Eu tenho irmãos e eles são incríveis e eu…

É, sou meio que isso daí. Porque eu sempre me vi desse jeito também. Eu sou a mais nova, só que os meus irmãos são muito, assim… Do mesmo jeito que o Ron vê os irmãos dele como super legais, eu também via a minha irmã assim.

Então eu ficava, meu Deus, eu nunca vou ser tão legal quanto ela. E nunca vou ser legal tão quanto o meu irmão. E eu sinto que isso vem do Ron. Assim, ele tem essa insegurança de que nunca vou ser tão legal quanto os meus irmãos.

E aí nasce a Gina, né? Que acaba sendo o bibelô da família, porque é a única filha. E ele fica, pô, não vou ser o mais mimado por ser o mais novo, porque eu não sou o mais novo. Então ele fica meio que nem vocês falaram aqui.

Esquecida no churrasco, sabe? Tipo, não sou o pior filho, mas também não sou o melhor filho. Eu sou isso daí. É porque ele tinha realmente muitos exemplos, né?

No sentido de que, assim, ele tinha, sei lá, o Carlinhos, que aparentemente era uma pessoa muito inteligente. O Percy, que era muito determinado, enfim, também muito inteligente. Tinha os gêmeos, que apesar de dar trabalho para os pais, dentro de Hogwarts eles eram muito admirados, né? Então, assim, era vários tipos de gatilhos, assim, digamos, se ele puder.

Com certeza. É assim, um monte de gente que ele pensava, eu tenho que ser, no mínimo, igual a essa pessoa, assim, tão incrível quanto a essa pessoa, tão popular ou tão inteligente. Só que ele nunca foi um bom aluno, assim, não tão inteligente. Então, eu sinto que é uma insegurança que ele coloca por ter esses bons exemplos, mas que às vezes a família dele dá uma reforçada nisso, sabe?

Naquele momento ali, quando ele está no trem, logo no primeiro livro, e ele fala, tipo, Pô, minha mãe nem lembrou que eu não gosto aqui desse sabor. Mas tudo bem, ela tem cinco filhos, não sobra tempo para ela lembrar o que cada um gosta de comer. Então, eu acho que essas pequenas coisas, sabe, também acabam reforçando essas nóias, sabe? Tipo, por menor que seja essa nóia, qualquer coisinha ali já vira uma gasolina.

E depois a gente vai acabar debatendo como o Ron é extremamente inseguro. E eu acredito que, além do fato dele ser preconceituoso, essa questão da insegurança dele, é assim, características de Ron Weasley, sabe? Insegurança. Com certeza.

É, eu acho que às vezes é isso, né? Tem a expectativa dele, tem a expectativa dos pais, que não é algo proposital, né? Mas que acaba rolando, você tem muito grau de comparação, é muita gente, né? São sete filhas.

Então, tipo, invaravelmente você vai esperar a coisa deles, e aí, se todos são bem sucedidos, você vai esperar que os outros também sejam de alguma forma. Sendo que eu acho que às vezes fica até difícil, com tantos filhos. Bom, às vezes com um filho só, a pessoa não consegue ter a visão de que cada um é a sua própria pessoa, né? De, tipo, você não tem como mudar seu filho para o que você quer.

A sua medida de sucesso não é exatamente o que é sucesso para o seu filho, sabe? Então acaba sendo potencializado porque é muita gente na família, né? Com certeza. Acho que também junto um pouco com essa questão de que eles são pobres, né?

De, tipo, assim, não existe uma noção muito de individualidade enquanto pertences, né? A varinha dele era a do Carlinhos, tá ligado? Tudo, né? De ele…

Eu, gente, isso também foi uma coisa que me ligou muito no Ron. Quando eu conheci aquele personagem quando eu era jovenzinha, uma criança, eu vi ele sendo, tipo, irmão mais esquecido, a pessoa que sempre ganha as coisas usadas, sabe? Dos outros irmãos, eu fiquei… Story of my life, sabe?

Eu conheço isso daí. E isso é chato, sabe? Você se sente muito sem identidade. Além de inferior, realmente sem identidade.

Eu nunca tinha parado para pensar nisso, né? Mas uma coisa que eu acho interessante é que, apesar de ele se inspirar nos irmãos, na Gina, ele não se inspira, né? Na Gina, na realidade, ele simplesmente, enfim… Ele vê ali, né?

Em pedra filosofal, ele no espelho de Ojozé como monitor, assim como foi o Percy. Ele se vê segurando a taça das casas, assim como outros irmãos o seguraram. Mas ele tenta se afastar da Gina, né? A partir de Câmara Secreta, em Enigma do Príncipe mesmo, ele acaba criticando, né?

Que ela tá beijando outro cara, enfim. Eu acho estranho, assim. Desculpa que você falou beijando outro cara, parece tipo outro cara além dele, tá ligado? É, ficou um lance meio Game of Thrones, né?

É… Não, mas eu acho isso bastante intrigante, assim, sabe? Realmente, isso que me incomoda, real, assim, sabe? Não, eu super te entendo.

Eu ouvi algumas coisas sobre isso, assim, em alguns podcasts, algumas pessoas falando o que elas acham que aconteceu. Por exemplo, ele não tem essa proximidade com a Gina, mas eles tinham tudo para ter essa proximidade, se a gente for parar para pensar. O trio podia ser um quarteto, justamente porque eles têm esse leque de idade muito baixo, sabe? Uhum.

Eu com a minha irmã, a gente tem dois anos só de diferença, então, assim, chega uma época do ano que a gente tem um ano de diferença só, sabe? Que eu tô com, tipo, 25, ela tá com 26, porque ela só faz 27 no fim do ano. Então, assim, isso era muito legal, só que entre muitas aspas, porque rolava um ciúme dela com a minha irmã mais velha de não querer que eu interagisse com os amigos dela. Então, hoje em dia eu vejo o Ron muito dessa forma.

Uma pessoa que tem ali os amigos e aí tem a irmã, que inclusive já é super mais querida que ele dentro de casa, assim, ele projeta que a mãe dele tem uma feição, assim, maior por ela. E aí ele pensa, meu, vai se aproximar dos meus amigos? Vou ser ofuscado aqui também, sabe? Tipo, mais uma vez na minha vida.

Então, eu acho que é uma, assim, mais uma coisa do Ron Weasley que é esses ciúmes que ele tem, sabe? Ele afasta bem a Gina dessa questão da amizade deles, porque ele tem um ciúmes grandíssimo do Harry e da Hermione também. E ela tinha tudo, assim, pra estar ali com eles. Tanto aqui, mais pra frente, né?

Nos livros ela acaba sendo, assim, uma peça fundamental pra tudo dar certo, ali na comunicação deles, eu vejo, sabe? A partir do momento que eles saem da escola, assim, meu, fundamental. Eu acho que o Harry e a Hermione é a única coisa que o Ron tem que é só dele, né? O que acaba, no caso, ele também acaba tendo ciúmes do Harry com a Hermione e da Hermione com o Harry, né?

Sim, total. Isso me lembra um pouco o meu pai. Meu pai tem ciúmes de mim com a minha mãe e da minha mãe comigo. Que é meio complicado, porque, tipo, não tem como separar, né?

Bota-se com sua filha dela. E também de, tipo, assim, se você entrar aqui nessa jogada, talvez eu não consiga ser eu mesma, sabe? Eu acho que existe uma questão de performance com a família que todos nós temos, sabe? Mas, principalmente, uma família grande como a dele.

Eu cheguei a mencionar, na verdade, a Gina, né? Que é isso. Não é um corteto por causa dele, porque ela é muito próxima da Hermione e depois, eventualmente, ela se torna muito próxima do Harry, né? Sim.

E aí é com ele que torna esse embate, eu acho que fica muito mais pisado conforme eles crescem, né? Porque aí elas tornam popular, né? Ela já era a queridinha dos pais, né? Já era a única menina.

Mesmo ele tendo nascido antes, ela era desejada e aí ela ainda vira popular na escola, cara. Tipo, assim, ele não consegue lidar. Ele sente muito ciúme dela, na verdade, né? Muito, cara.

Sim, gente, não basta tudo. Ela ainda é perfeita, maravilhosa, sabe? Tipo, joga quadribol, é gata, se dá bem com os meninos, sabe? Enquanto ele nunca beijou na boca, ela já tá, tipo, destruindo corações.

Ele é muito, tipo, atrás. E eu acho que, enquanto uma construção, né? De tanto de personagem, mas de história, é muito interessante isso, porque se ele não tivesse esse rolê de se afastar porque quer ter o rolê só pra ele e tals, não teria rolado o que rolou em Câmara Secreta, né? Tipo, se a Gina tivesse próxima, alguém teria percebido, né?

Mas não, ela tava ali completamente isolada, né? Então foi o que deu espaço pro Tom Riddle possuir ela e tals. Então, tipo, se não fosse essa construção, é muito inteligente. Mas eu acho, sim, que o Ron sempre subestimou a Gina.

E eu acho que, assim, o Ron, ele é um personagem que ele tem muitas nuances erradas, assim. Ele é um personagem muito humano, sabe? O ser humano é faro e ele é. E ele acaba reparando e aprendendo e vendo com os próprios olhos, com muito tabete, assim, que a Gina dá na cara dele, falando pra ele.

E ele acaba vendo que, sabe, ela é uma mulher por si só, ela não é, sabe, posse dele, sabe? Ela não é a irmã dele, ela não é a filha da mãe dele. Ela é a Gina, uma mulher livre que é muito boa em muitas coisas, porque eu penso também que essa relação doméstica que ele tinha com a mãe dele, por ela ser também uma pessoa do lar, vamos por assim, se a gente for pensar na nossa vida real de trouxas, ninguém valoriza muito a mulher que é do lar, sabe? Então, como a gente vai…

Vamos pensar como é que o Ron via a mãe dele até então. Como é que ele vai ver a próxima mulher da vida dele, que seria a Gina, até chegar a outra mulher da vida dele, no caso, a Hermione, assim. Teve uns momentos assim, que eu acho que ele também tem muita admiração, muito respeito pela Fleur, mas vamos focar aqui, tipo, na mãe dele e na irmã dele, sabe? Como é que essa criação dentro de casa acaba refletindo nos nossos padrões e parâmetros?

Não, com toda certeza. É que é isso. O mais próximo de interação familiar que a gente consegue ver, de fato, é os Weasley. A gente consegue entender de alguma forma que a sociedade bruxa é bem conservadora, né?

Sim. Tem umas nuances que você consegue perceber isso. E tem um rolê, eu não lembro exatamente, mas eu lembro que tem um rolê de, tipo, de os meninos não parem fazendo nada e a Gina ser chamada pra fazer alguma coisa, entendeu? Ela aparece vários momentos fazendo tarefas domésticas, pelo menos nos filmes, né?

Assim, tipo, secando ali um pratinho lá atrás, assim, sempre ajudando a mãe e os meninos você vê que eles estão sempre aprontando, sabe? Sempre sobra muito tempo pra menino se divertir. Sempre. Isso é uma coisa que, inclusive, né, o Ronnie foi entendendo isso aos poucos, que a Gina era uma pessoa independente dele, coisa que os roteiristas do filme não entenderam nem nunca, nem no último filme.

A gente discutiu bastante sobre isso no nosso episódio sobre a Gina, depois vocês vão escutar, gente. E eu acho que o Ronnie leva não só a tabete da Gina, como a gente estava falando dela, mas também muito tabete, assim, do próprio Harry, né? Porque ele, na realidade, ele é pintado no filme como simplesmente o melhor amigo do Harry, né? Sim.

E nos filmes ele é um alívio cômico, enfim, ele é emburecido, a gente já falou isso também naquele episódio sobre os erros dos filmes, que foi o nosso primeiro episódio, mas ele é uma pessoa, né, a parte do melhor amigo do Harry, e ele sente muito ciúme do Harry, né? Começa ali em Carte de Fogo e fica bastante incisivo em Relíquias da Morte. É muita insegurança, né, gente? Muita insegurança.

O garoto é um posto de insegurança, sim. Eles já sentem desde pequeno que ele tem que ser igual, superar os irmãos, já tem essa pressão aí de quem que ele vira melhor amigo? Adivinha! Harry Potter, tá ligado?

Simplesmente tipo o menino que sobreviveu, justamente tipo a maior celebridade do mundo bruxo. O adolescente mais incrível, sabe, gente? Sério. Nossa, véi, tipo olha quem ele escolhe, véi.

E aí vira junto do amigo da Hermione, que é inteligentíssima, entendeu? E eu acho que assim, gente, o que acaba gravando a questão do Ron que é outra coisa realmente que também me fez despertar essa atenção pra ele e pensar, pô, meu, eu gosto de você. É que, cara, além de tudo, ele é super desastrado, sabe? Tipo, ele acaba tipo se metendo em confusões, sabe?

Tipo, pô, não basta ser o filho mais ou menos, ainda tem que fazer cagada pra levar brunca dos pais. E não basta ser o mais zoado, blá, blá, blá. E tem que quebrar a varinha e ficar vomitando lesma pra depois virar chacota. Não basta, sabe?

Várias coisas aí inventa de ser goleiro. Não consegue ser um bom goleiro justamente por causa da própria insegurança e vira chacota. Então eu acho que Ron tem muito isso, sabe? Ele é super inseguro e ainda acontecem muitas situações com ele que deixam ele mais inseguro ainda.

E a própria Hermione fala isso, né? Quando lá no cálice, ele fica todo recalcado com o Harry porque ele acha que o Harry quer mais fama ainda, sabe? E a Hermione fala, tipo, Harry, você tem que entender que, tipo, ele aguentou todos esses anos, todo esse tempo a super fama que você tem, tipo, calado. Em algum momento ele ia ter um cara que inveja, sabe?

Mas depois, assim, como eu já falei aqui, ele é um personagem que você vê ele aprendendo. Quando ele se toca, que não, cara, o Harry não colocaria a vida dele em risco, sabe? Perigo de morrer por mais glória, sabe? Tipo, por mais dinheiro.

Aí ele fica, tipo, não, realmente, Harry. Desculpa, eu fui uma idiota. Se você parar pra olhar pros desejos do Harry e do Rony, o Rony queria ser o Harry, o Harry queria ser o Rony, né? Total.

Tipo, assim, o Harry, meu Deus, ele só queria ter uma família e ficar de boa, entendeu? E ter vivenciado essa vida de bruxo, né? Eu tô relendo toda a saga agora, graças a vocês. Ah!

Porque a Marina falou que ela leu Harry Potter em inglês, eu fiquei, meu Deus, esse desafio eu quero pra minha vida. A primeira impressão que o Harry tem do Rony no livro é, cara, queria muito ter vivido os 8 anos da minha vida que nem esse menino viveu. Enquanto o Rony tá tipo, nossa, eu queria ser famosa, eu queria ser incrível que nem você, ele tá, meu Deus, que inveja. Enquanto eu tava lá presa com os meus tios, você tava aí sendo bruxo, apenas sendo bruxo.

A tal da grama do vizinho, né? Total. Com certeza. E a própria relação dele com a Hermione, né, gente?

A Hermione, no caso, fica no meio dessa dupla, né? É que também, é que é isso, sabe? Eu entendo tudo, eu entendo o porquê dele ser assim, só que me incomoda, eu também tô relendo, diferente da Cádila, eu tô escutando os livros, me incomoda muito que, por exemplo, no primeiro livro, quem faz a maior chacota da Hermione, de maneira machista e de maneira a afastar os colaguinhas da Hermione, não é o Harry, né, é o Rony. Não é nem os outros meninos, enfim, é ele que incentiva aquela chacota toda em cima da Hermione.

Então, assim, eu entendo muito isso, o porquê dele ser assim, só que, sei lá, me incomoda demais, demais, demais, sabe? É aquilo que não justifica, né, tipo assim, com certeza ele tem as questões dele, isso não faz com que ele tenha o direito de fazer outra pessoa se sentir mal, né? No caso, assim, eu acho, sim, que o Ron, ele tem uma questão assim, quase um bullying, sabe? E eu vejo muito isso, não sei se vocês tiveram essa sensação, mas a primeira vez que eu li Harry Potter, eu conheci o pai do Harry, eu fiquei que vagabundo, sabe?

Não gostei desse personagem. E, às vezes, eu consigo traçar muito esse paralelo entre os dois. Por essa forma do Ron se expor, sabe, se posicionar, não é a primeira vez que ele faz chacota com alguém, né? Tipo, ele faz com a Hermione, assim, de primeira vez, mas aí depois ele vai continuar e faz com o Conflute, vai falar mal de outras espécies, enfim.

Mas, no caso da Hermione, pode ser uma passação de fã, não? Mas, como eu estou realmente relendo e chega essa parte onde eles se conhecem no trem, e ficou muito marcado pra mim uma coisa, que é a última fala do Ron quando ela sai ali e ela fala que ele está com a sujeira no nariz. Ela sai e aí ele fala um bagulho tipo, olha, eu não sei que casa essa menina vai estar, mas espero que não seja na minha. E ela é muito chata, eu não gosto dela.

Já não gosto dela por causa de todo aquele lance que rola ali na cabine. E, assim, ali naquele momento, eu achei a Hermione muito chata, tipo, ai meu Deus, menina, sério? Não, eu concordo, assim. Ela é prepotente, com certeza, sabe?

Então, eu pego muito isso, sabe? Eu não gosto dessa menina e ela, pra mim, é uma chata. Nossa, olha ali como ela é uma chata. Ha ha ha, que chata.

Até que ele vê que… Não, cara, não é isso. Ela é legal, ela é incrível. Tipo, o que você está fazendo não é legal, cara.

Os seus comentários estão fazendo a menina chorar. Ela literalmente ouviu ele comentando e foi chorar. E aí, quando ele percebe que isso é errado, ele muda o posicionamento dele. E isso é uma coisa que a gente vai ver o Ron fazendo muito.

Fazendo coisa errada, falando coisa errada, sabe? Tendo, assim, atitudes muito duvidosas, mas, assim, espera. Que três livros na frente, ele vai mostrar que ele aprendeu. É, então, justamente isso, entendeu?

Eu entendo ele achar errado e não gostar da prepotência da Hermione, mas, na realidade, ele também é muito prepotente, né? Total. Ele tem essa coisa do orgulho grifinório, do lequeado familiar. Ele é realmente o típico grifinório do grupo, né?

Ele incentiva o Harry para a primeira encrenca naquela batalha, naquele duelo com o Malfoy, né? No meio da noite, em pé da filosofal, no início do livro. E, assim, parece que ele gosta de ser, ele tem orgulho de ter essa prepotência, sabe? Então, tipo, ele pode ser prepotente assim, sabe?

Só que a Hermione ser prepotente incomoda. Sim, ele é uma pessoa que bate muito de frente com a Hermione. Eles estão sempre batendo de frente, né? E ela não tá errada, na maioria das vezes, sabe?

Esse que é o problema. Não, não tá errada. Mas eu acho interessante isso, né? Que em alguns momentos eles estão, tipo, simplesmente discutindo.

E tem um momento do livro, eu não lembro em qual livro que o Harry fala, sabe? Que ele simplesmente não se mexe, né? A discussão dos dois, porque eles podem ficar dias e dias vendo quem tá certo, quem é isso e quem é aquilo. Eu acho que uma exemplo muito legal é quando eles estão treinando lá na armada.

No filme ficou uma porcaria, né? Que o Ron vai lutar contra a Hermione e ele fala pros meninos, tipo, ah, isso daqui vai ser tranquilo, vai ser de boa. E ele é desarmado pela Hermione e depois ele fica, ai, eu deixei ela fazer isso. No filme foi assim, mas no livro ele vai lá, né?

E eles fazem o duelo e beleza. E aí eles saem, tipo, debatendo, sabe? Discutindo. Ele fala, tipo, nossa, realmente, você é incrível, mas você viu que eu consegui, tipo, te desarmar, cara?

Eu te desarmei três vezes, você viu? Tipo, nem eu acredito que eu ia conseguir fazer isso. E ela fica, nossa, você chama aquilo de desarmar, sabe? Tipo, então eles têm muito essa coisa, sabe?

Eu sou cabeça dura, você é cabeça dura, mas a gente vai ficar debatendo e não vamos chegar num acordo. Em vários momentos a gente vai sentir meio que isso, né? A gente é muito casalzinho, né? Ai, gente.

Tinha tudo pra ser, né? Embora assim, eu não gosto muito dessa questão do, ah, o menino tá te maltratando, então ele gosta de você. Eu acho que isso é uma interpretação muito errada das coisas. Mas se você ler os livros, você consegue ter essa diferença, sabe?

Em ver até que ponto o Rom, ó, que ele tá realmente sendo machista, que ele tá sendo escroto, não. É que ele tá tendo uma conversa de igual pra igual com a Hermione. É, eu acho que é isso. Eu acho que, obviamente, ele tem situações machistas e tals, e tem esse início, né, em que ele fica falando mal dela.

Mas a partir do momento que eles criam a amizade, tirando em momentos muito específicos, é realmente isso. É de igual pra igual, é de ele discordar dela e de ela discordar dele e eles estarem discutindo. O ponto também é que, tipo, se eles não se respeitassem, eles nem estavam ouvindo um ao outro, né? Com certeza.

Então eu acho que é mais isso, assim, e de, cara, pra você discutir desse tanto, você tem que gostar de discutir um com o outro, sabe? Ah, ou você tem que gostar apenas de discutir, assim, sabe? Não, mas tem gente que não dá pra discutir. É, então, ou simplesmente porque você não aceita estar errado, sabe?

E os dois são assim. Não acho que, enfim, especialmente no início, eu não acho que… Cara, em Cálice de Fogo, ele simplesmente chega lá e fala pra ela, tipo, nossa, você é uma menina, sabe? Tipo, é foda, né?

Aham. Não, então, mas é que é isso. Eu acho que são duas questões diferentes, entendeu? Eu acho que, assim, conforme eles vão discutindo, isso vai.

Chega um ponto ali que vira um flirt, basicamente, né? Eles estarem discutindo, é tipo, é quase isso, assim. Mas, assim, se a gente for pegar o Rony enquanto… Agora, pegando o fato da Hermione ser uma mulher, né?

Ele tá discutindo com ela. Isso é entre ação, com certeza, em Cálice, de, meu, gente, ela escolher óbvia, né? Pra chamar pra ir pra um date, tá ligado? Mas é que ela não é tradicionalmente bonita, né?

Sim. Pelo que é descrito. E o Rony, ele chega a comentar, ele vira pro Harry e fala assim, não, porque a gente tem que conseguir date, né? Conseguir par, antes que as bolas não estejam mais disponíveis.

E eu ia comentar em cima disso, que você consegue ver que o Rony, ele tem um gosto, assim, padrãozinho. Então, tipo, realmente, sabe? Ele deixa a Hermione como última opção, porque ela não é um padrão. Eu acredito que também porque ele vê ela muito como amiga.

Mas também muito porque ele ainda não entendeu, né? O que que tá acontecendo. Quando começa a lidar com essa questão amorosa, é que o negócio pega mais, entendeu? Uhum.

Acho que até então, quando um tá lidando com as expectativas, com o relacionamento, até que fica de boa a relação dele com a Hermione. Eu acho que ela reconhece que ele é um cara imaturo e que tem vários problemas, tá ligado? Mas acho que tá ok. Mas aí, por exemplo, em Enigma, tá ligado?

Que, né, tem a situação que o Pedro já citou da Gina, né? De ele chegar, né? Ele e o Harry chegarem no corredor, ela tá se pegando com o Dino, que é o namorado dela. E se não fosse também, foda-se.

Sim! E aí ele começa a falar, e não sei o quê. Aí ele chama ela de Scarlet Woman, né? Tipo de vadia, basicamente.

E aí ela joga umas verdade na cara dela, porque é muito absurdo, tá ligado? Não pode nem se pegar com seu namorado, que seu irmão vai encher seu saco, entendeu? Basicamente, amigo, estou aqui pegando com o meu namorado, o Harry já se pegou com a Cho, a Hermione se pegou com o Vitor, e você tá aí chupando o dedo. Exatamente, você é um perdedor.

Então vai fazer algo da sua vida, entendeu? Vai lá perder seu bebé, porque eu tenho mais coisa pra fazer. O problema é justamente esse, entendeu? Ele não é machista e preconceituoso só no primeiro, ou só no segundo, ou só no…

Ele é no quarto, e ele vai ser até o final, assim, sabe? E eu entendo que na vida real as pessoas são assim também, entendeu? Sim, sim. Mas é porque, tipo, é que são questões novas pra ser machista, entendeu?

É, eu penso justamente isso. É uma questão nova essa questão amorosa. Eu penso que é uma falta de maturidade, assim, que todo mundo tem nessa época da vida, eu acho que, assim… Eu já chamei muitas meninas de vadia quando eu tinha 14 anos, sabe?

Eu parei chamar as meninas de vadia pelas pessoas que elas ficavam, ou pelas roupas que elas usavam, com 17 anos. Então eu acho muito assim… Por que eu vou ficar cobrando que um homem, sabe, gente? Pelo amor de Deus.

Longe de mim, esperar muita coisa de homem, sabe? Eu não vou esperar que um personagem seja, tipo, mega desconstruído, ainda mais sendo homem. Se eu não me engano, a Molly fala isso da Fleur também, né? Sim.

Ela chega a dar umas ensinuadas também, então tipo de educação que ele teve em casa, principalmente da mãe. E lembrando, gente, eu tô passando o pano aqui nesse momento, porque eu sei que ele melhora depois, porque se ele melhorasse eu não estaria passando o pano, entendeu? Com toda certeza. Mas assim, piora que piora, né?

Tipo assim, não é só esse momento que ele tá aí gritando com a Gina e tals, é que ele vai nisso, nessa bíblia ele vai na Molly lá, que é odiada injustamente, ela não tem culpa, vei. É que eu acho que o filme deixou ela muito… É tipo, um personagem chato, no sentido que, ai, você fica, meu Deus, que menina irritante, pelo… Afetada, né?

Tipo, exagerada. É, então, pelo jeito que ela fala, aí você fica, meu Deus, e o Ron te faz ter essa sensação de que ela é muito grudeita, tá? Mas vamos lá. Eu acho que, assim, sobre a Gina tem essa questão também que ele é um homem que, por si só, já vai ser machista por ser um homem criado na sociedade onde a gente vive.

E tem muito essa questão, sabe, de proteção com irmãs. O cara sempre vai ficar, ai, minha irmãzinha, não toque na minha irmãzinha, blá, blá, blá. Eu acho que isso também rola um pouco, com o Ron, sabe? Mas aí é enquanto posse, não é enquanto proteção.

Porque, tipo, em nenhum outro momento ele se preocupa com a Gina. Vai se preocupar agora? É, em Câmara Secreta mesmo ele tá cagando, né? Na Câmara, assim, ele pode não se importar, mas no final, cara, ele fica muito, meu Deus, a minha irmã.

Ah não, total. Mas é que, tipo, o ponto é, o momento de se preocupar é antes de acontecer o rolê, não, que a tua irmã tá quase morrendo. Ah, meu, mas vamos dar um desconto. Antes disso, eles estão todos…

Eles, né, entre muitas aspas, gente, que eu acho que muitas das coisas que acontecem são justamente porque são vozes da cabeça do Ron, sabe? Ele tem essa possessão, ele tem essa insegurança. Então eu sinto que ali, no início da história, ele tá muito, tipo, com essa inveja e esses quase ciúmes da Gina e meio que querendo isolar ela. Aí depois ele fica, tá bom, beleza, você é minha irmã, só que você é minha irmã, sabe?

Minha Caps Lock, irmã. Então tem totalmente essa questão de posse. É, então, eu acho que é posse. Eu tô meio assim, não acho que a culpa do negócio da Câmara não é dele primeiro, que é a culpa do Tom Lido, mas assim, tinha outros três irmãos em Hogwarts, né?

Assim, né, tinha o Percy, tinha o Fred e o Jorge. Ninguém, ninguém ali pensou atenção. Aham. Então essa questão também não foi só o Ron, né?

Ele não tinha essa responsabilidade completa e tals. Mas é isso, eu acho que puxa de tipo, obviamente você se preocupa, que a partir desse momento que você percebe o que aconteceu e tals, nossa, realmente, caralho, que foda, fica preocupada, etc. Mas assim, no dia a dia não é isso que é visto, entendeu? Principalmente enigma ali, então já se passaram quatro anos do rolê, sabe?

Então ele em nenhum momento, ele tá sabendo, ele não sabe da vida dela, ele não é amigo dela. Total. Ele descobre por outras pessoas que ela tá namorando o Michael Connor, o Dino, ela fala meio de passagem, sabe? Então, tipo, ele não tá na vida dela pra poder, entendeu?

Querer interferir em alguma coisa. É. E ali, gente, ele já tem, tipo, ele já tem o quê? 16 anos.

16, é. Então, assim, começa a ter um pouco, deveria ter, né? Não que na realidade a gente veja isso, mas enfim. É assim, com um processo desse, de Arnione ali, todo mundo tentando ensinar, ele vivendo, a própria Gina dando as patadas nele.

Cara, ele demora muito, assim, pra poder melhorar, sabe? É, é porque eu acho que é isso, é tipo assim, só fechando a questão dele lá, que assim, eu concordo que ela é irritante e tals, mas ele tá no relacionamento com ela por que quê? Aí que tá. Eu acho que a questão dali lá foi muito assim, uma bosta que ele fez, no sentido que eu vou ficar com essa menina aqui só pra provar que a minha irmã tá errada, pra fazer um ciúmes pra Arnione e não, sabe?

Virou um relacionamento, sim. Sim, sim, ele se mete numa burrada, né? Só que o ponto é que ela não tem culpa disso, né? Total.

Só que ele é covarde demais pra chegar nele e falar. Olha, não. Mas eu também não cobro muita coisa justamente por ele ser imaturo, nesse sentido, não só por ele ser imaturo, mas assim, Arnione também chega um momento ali que ela tá fugindo do Córmaco porque ele quer ficar com ela, sabe? Então tipo, eu sinto que tem uma…

Todo mundo uma hora foge de um crush na vida, sabe? Então, mas é diferente, uma coisa é Arnione e com o Córmaco pra festa do Slogorn. Outra coisa é estar namorando a pessoa, entendeu? Tipo assim, tá namorando e tá fugindo dela.

Não acho que a Nilá fica traumatizada pra sempre, não acho que é abusivo, não é nada disso. É um relacionamento de adolescente, entendeu? Então, é justamente por isso que eu não peso nada nele, porque eu acho que é um relacionamento de adolescente assim. Tá certo, não.

Nem um pouco certo. Eu acho que ele foi super escroto, sim, e que ela não merecia, ela não tem nada a ver com, sabe? Ninguém tá ali pra ser usado de instrumento de ciúmes ou pra provar nada pra ninguém, sabe? Tipo, não tá certo.

Mas eu acho que é mais uma falta de maturidade mesmo, sabe? De conseguir lidar com essa situação. Não porque ele seja uma pessoa ruim, sabe? Então, eu entendo isso, mas o problema é que assim, com aquela idade, especialmente naquela situação, ele já…

Beleza, ele era maturado, mas assim, ele já sabia na cabeça dele bem claramente que aquilo era errado. Sim. E mesmo assim, ele foi lá e fez, né? É foda isso.

Só puxando pra questão do machismo, entendeu? No sentido de que tipo assim, ele não tem nenhum relacionamento com nenhuma menina, tipo a Linda Hermione, né? Tipo assim, ele interage com a Gina, ele interage com a Luna. Como você já falou bem de longe, né?

Com a Gina, ele zoa a Luna, não respeita a Luna. Exato. E aí ele tem uma crush na Flã. É isso.

E a mãe dele, né? A mãe dele também existe. Então, esses são os relacionamentos dele, entendeu? E aí a próxima pessoa que ele se relaciona, mulher, ele lá, e ele trata desse jeito.

Ou seja, é um objeto, entendeu? Cara, total. E na aula de astronomia, é que em português isso não pegou, gente. Mas a hora que ele tá na aula de astronomia, eu não sei se é em ordem na fênix, enigma do príncipe, mas ele chega tipo Lavender.

Can I see Uranus? Tipo urano, né? Mas em inglês fica Uranus. Cara, que escroto, sabe?

Tipo, ele seria aquele menino do grupo de escrotice máxima da sala, sabe? E de novo, ali ele não era criança, sabe? Ele já era mais… Não, ele era um adolescente, assim, se comportando como um adolescente total.

E eu acho que até por isso, Oni-Armione é um dos maiores slowburns do universo, né? Tipo assim, para quem não sabe, slowburn é um relacionamento que demora muito para as pessoas ficarem juntas. E tipo, nossa, é muito tempo. Mas eu acho que é justamente porque…

Primeiro que tem o desencontro, tem a insegurança também. Eu acho que a Armione não tem muita certeza, né? Se ele gosta dela ou não. Mas assim, tem a partir de um certo momento que fica meio claro.

E ainda assim, eles não ficam juntos, né? E eles só vão ficar juntos no momento que eu acho que ela percebe que ele amadureceu, né? Que ele não tá olhando, além de tudo, só para o próprio Bigo. Com certeza.

O que fica, assim, para mim, muito significante nessa questão do que que a Armione vê é que ela repara que ele acaba mudando e se importando com as coisas que ela fala, sabe? É ali naquele momento que eles estão em Hogwarts tentando matar… Terminar com a última Horcrux e… Aquela fuzuê de Hogwarts.

Mano, você pensa, é nesse momento que vai acontecer um beijo? Não é. Não sei como eles conseguiram… O Harry fica putaço.

Sim, gente, quando eu li aquilo ali… Eu juro para vocês, eu li aquela página, tipo, quatro vezes. Porque eu fiquei… Como meteram um beijo nessa situação de…

Hermione chapou-lhe um beijo na boca. Essa é a tradução incrível de Julia Weiler. Chapou-lhe. É assim, ó.

É um plaque, sabe? Tipo… Ah, eu queria lembrar como é que é o trecho em inglês. Porque chapou-lhe realmente.

Mas eu lembro que ela tem esse estalo, sabe? Então, realmente, em todos esses anos, ele estava prestando atenção no que eu estava falando. Que ele fica… Não, vocês são loucos.

A gente tem que ir lá na cozinha pegar… Quem está trabalhando lá. Tem elfos trabalhando lá. A gente não pode deixar eles morrerem.

Não pode deixar eles para trás. E aí, Hermione fica, tipo… Mano, justamente você que achava que, tipo… Elfos nadinhas, sabe?

Que não estava nem aí. Não acredito que você está realmente prestando atenção no que eu estou falando. E está mudando. Então, eu acho que é muito o que a Marina falou.

A partir do momento que ela vê a mudança e, tipo… Vê, sabe? Que ele respeita ela e as opiniões dela. E ela faz ele refletir e ela fica…

Não, realmente. Sim. É, inclusive essa questão dos elfos puxa a gente para uma outra situação, né? De que o Ronin não é uma pessoa…

Ele não é apenas machista, né? Ele é preconceituoso com muita coisa. Quando ele descobre que o Lupin é o lobisomem, a primeira reação dele é gritar para sair perto do Lupin, né? Sendo que o Lupin estava na sua forma humana, gente.

Nunca tinha feito nada contra ele e nem nada contra ninguém que ele conhecia, sabe? Ele zoava muito o Filch. Beleza, Filch era um escroto do caralho. Mas, enfim, zoava o Filch por ser um aborto, né?

Que eu acho que é um termo que, inclusive, está na tradição oficial de Harry Potter. Hoje não sei se usariam, mas, enfim. Ele se importa demais quando o Harry descobre que o Hagrid é um meio gigante. Ele justifica a escravização dos elfos domésticos como Ah, eles gostam.

Então, assim, ele é muito bosta nesse sentido, sabe? Sim. Mas eu acho muito, assim, que ele é uma criatura do meio. Total.

Do trio. Ele é a única pessoa que tem uma educação bruxa. Então, assim, pro Harry, pra Hermione, realmente a questão de lobisomem, a questão de aborto, a questão de gigante, a questão de elfo não vai ser nada pra eles, tá ligado? Porque, tipo, são coisas que eles estão entrando em contato agora.

É, eles não vão achar, sabe, horrível, estranho, feio, o que eles gostam. Eu acho justamente o que a Marina falou. O Ron puxando também um gap lá do começo. O que que ele é no Harry Potter?

Ele é a lealdade, sabe? Ele é um amigo leal, mas ele também tá ali pra mostrar o que que seria um bruxo. O que que é a visão de um bruxo. Assim como no nosso mundo, existem preconceitos, existem histórias, existem boatos, no mundo bruxo também tem.

Nesse momento que ele descobre que o Hagrid é meio gigante, ele fica, vish! E o Harry fica, meu, como assim? Aí ele fica, não, Harry, peraí, deixa eu te explicar. E o Harry fica, mano, como assim?

É o Hagrid, né? Tipo, foda-se, é o Hagrid. É, ele fica justamente, meu, como é que você pode estar achando que uma pessoa que sempre me ajudou, uma pessoa que você gosta, uma pessoa que você conhece, é alguma coisa ruim? Aí ele fala, então, Harry, é que assim, eu cresci a minha vida inteira ouvindo que os gigantes, eles matam, eles comem as pessoas, eles destroem cidades.

Então é isso que eu sei. Quando alguém me fala de um gigante, essa é a primeira coisa que eu penso. Aí o Harry até fica, tá, mas o que que aconteceu com eles? Aí o Ron fala, tipo, justamente eles desapareceram por causa dessa, entre aspas, natureza selvagem deles.

O Ron fica, meu Deus, por que que o Hagrid é uma pessoa boa sendo que a natureza dele, entre muitas aspas, né, gente? Sendo que, tipo, ele é feito pra fazer o mal. Então é uma questão de preconceitos que ele traz, porque as pessoas ao redor dele estão falando isso, sabe? É bem aquilo de geração pra geração, sabe?

Assim como o racismo é uma coisa que tá acompanhando a gente desde sempre, esses preconceitos bruxos eu sinto que também são coisas enraizadas. E a partir do momento que a gente entende que o Ron é essa pessoa no trio, que é o referencial do que que seria um verdadeiro bruxo, a gente consegue sentir isso bem, sabe? Esse preconceito enraizado dos bruxos também. Sim, é, eu acho que é isso, sim.

O Ron, enquanto um personagem, né, eu acho ele muito interessante. Pra mim, esse é o ponto principal, entendeu? Tipo, acaba que a gente acaba usando muito ele enquanto exemplo negativo de certas coisas, ele fez isso, ele fez aquilo, mas enquanto construção, é muito importante que tipo, né, o Harry é protagonista, mas o Ron e a Mione são personagens muito importantes, estão ali presentes o tempo todo. E é muito legal ter no meio disso um personagem que erra muito, que é muito preconceituoso, e aprende, né?

Tipo, assim, ele vai passando pras situações em que ele tem que lidar com esses preconceitos, com essas coisas que ele tinha estabelecido na cabeça dele, porque é isso, apesar dos Weasley aparentemente terem simpatias com trouxas e de serem uma família pobre, é uma família tradicional bruxa, até puro sangue ali, tá ligado? Então, tipo, todas as tradições, todos esses preconceitos também foram passados. Principalmente essa ideia, por exemplo, de que os elfos estão aí pra servir e eles gostam, sabe? Pois é, eles falam há um tempo que eles não têm dinheiro, entendeu?

Mas assim… Com certeza. Mas é que é isso, tipo, aí obviamente cada filho vai lidar de um jeito, as pessoas são diferentes, né? Tipo assim, o Percy lida de forma muito pior que o Rony, né?

O cara tá ali do lado da Umbridge, tá ali no Ministério, ele vai se arrepender lá nos 48 do segundo tempo, tá ligado? Então, tipo assim, eu acho que é aquela frase, né? De o mundo não se divide entre pessoas boas e começais da morte, né? Tipo assim, o Rony, se a gente pensar moralmente falando, ele está do lado certo, ele não quer que ninguém morra, ele tá ali na luta contra o Voldemort e tal, ele arrisca a sua vida, né?

Várias vezes, mas ele tem os seus problemas, eu acho que assim, Relíquias da Morte é o grande baque. Ele, obviamente, ele tava lidando com várias questões já, ele já tinha melhorado algumas coisas, mas assim, Relíquias da Morte é um momento, assim, que ele explode de um jeito, assim, estúpido. E, sabe, se perde e se fode, e realmente, eu acho que é um momento que ele realmente acorda pra vida, assim como eu acho, como a Kajla fez o paralelo antes, né? Que provavelmente o James acorda ali na época da guerra, né?

Quando a ameaça do Voldemort fica muito real, ele fica, eita, né, talvez aqui no meu lugar de privilegiado, eu possa ser alguma coisa além de um bunny, né? Uhum. Eu acho que o Rony acorda ali, sabe? Quando ele volta, ele finalmente se reencontra com o Harry e a Hermione, ele tá muito mais, tipo, sóbrio, tá ligado?

Muito mais ciente dos rolê, porque ele ficou sozinho, né? E, além de ficar sozinho, com o peso de ter abandonado os melhores amigos dele em uma parefa, tipo, mortal. Com certeza. Então é isso, né, gente?

Fica muito claro pra gente que este episódio vai se chamar em defesa de Rony Weasley, aqui. É que eu nem sei se os fãs de modo geral enxergam todos esses problemas que a gente tá discutindo aqui do Rony, né? Ele é muito querido por muita gente. Quando você fala mal dele, inclusive, as pessoas querem te matar.

Mas eu acho que é bastante importante até pra gente, enquanto fã, enquanto leitor, identificar todos esses problemas do personagem, não reproduzi-los. Com certeza. Aprender com ele, né? Assim como ele aprendeu.

Exatamente. Aprender. Uma coisa principal que eu acho que talvez… Geralmente eu não tenho uma intenção com o episódio, na verdade.

Mas acho que nesse específico é dessa questão de, tipo assim… Eu acho que no episódio geral a gente fala mais mal do Rony do que bem, né? A gente aponta vários problemas dele. Mas, tipo assim, de mostrar que o ponto narrativo é justamente ele.

Ele ser uma pessoa bem falha e com vários problemas, apesar de ter um bom coração, entendeu? E dele aprender a se desconstruir e ser uma pessoa melhor, sabe? O ponto é esse. Porque, tipo, é diferente do Snape, entendeu?

Pelo menos a conclusão que a gente tem no episódio do Snape, por exemplo, ele não se torna… Tem um arco de atenção que não faz sentido em cima do que tem ali. E que aí eu acho que hoje em dia eu, de fato, considero um erro dos livros e tals. Ele, de fato, ele não se torna uma pessoa melhor.

Ele faz tudo por motivos egoístas, entendeu? Agora o Rony, de fato, se torna uma pessoa melhor, entendeu? E, na verdade, não é… Em nenhum momento ele é uma pessoa ruim, sabe?

Ele só é uma pessoa bem falha e ele vai aprendendo com os erros dele. Total. Eu acho que ele é um personagem muito humano, sabe? A gente acaba tendo mais a visão boa da Hermione.

Sim, ela é uma personagem incrível. Vocês já falaram bastante de pontos falhos da Hermione. Mas eu sinto que, no geral, a gente fica muito assim como… A Hermione é uma personagem extremamente inteligente.

O Harry é incrível em tudo, afinal, pro antagonista. E o Ron, você tem essa pessoa, sabe, falha, com nuances. Então eu acho que é um balanço muito legal que a gente acaba tendo. Mas que pode acabar sendo visto com maus olhos, sabe?

Justamente porque você tem dois personagens que acabam parecendo sem falhas. E aí te joga um personagem que tem falhas. Então você acaba pensando, meu Deus, ele é ruim. Sinto que não.

Eu acho que as pessoas, no geral, não param muito pra refletir sobre o Ron. Pelo menos muitas pessoas que eu conheço nem, na verdade, nem essa reflexão tem. E eu acho que esse episódio, mais do que outro, seria legal. Tipo, o teu feedback de todo mundo.

Seja nas redes sociais, seja nos comentários do YouTube, nas coisas assim. De ver, tipo, nossa, o que vocês acham a partir disso, né? Tipo, se vocês já tinham pensado essas coisas que a gente tá trazendo, se não… Que não existe, tipo, ah, cê conta, cê é a favor do Ron.

Nem é nem isso, mas é essa construção de personagem que eu acho muito interessante. De ser analisada, né? Exato. E sem falar que é um ponto que a gente nem discutiu porque não tem muito ponto assim, mas a função dele, entre aspas, né, dentro do trio, é tipo, ele é muito estrategista.

Extremamente. Ele é a pessoa que consegue ver ali e ver à frente, sabe? Assim, não apenas no racional, né? Com certeza.

Então isso também, ele não é gente. Como a gente já falou no nosso primeiro episódio, muitas falas inteligentes da Hermione são do Ron, tá? Os filmes também atrapalham bastante essa reflexão, né? Eu falo isso porque eu sei que a maioria dos nossos ouvintes já leram os livros várias vezes, mas a gente também tem, gente, ouvintes que estão começando agora.

E é bastante interessante que realmente essa discussão pode até nem fazer sentido se você tiver realmente só a visão dos filmes, né? Então por isso também que é tão interessante ler os livros, porque realmente é pra fundo nesse nível, assim, saber um personagem que ganha uma discussão de uma hora num podcast. Total. É um personagem cheio de camadas que tem um desenvolvimento muito legal.

Sim, com certeza. Então é isso, gente. Desejo que vocês compreendam o Ron, assim, como estamos tentando compreender. Acho que a mensagem que fica realmente é essa, né?

De que todos temos luz e trevas dentro da gente. O lado certo é o que a gente escolhe fazer, né? Não sei exatamente a frase do Sirius, mas e o Ron, no final das contas, ele escolhe agir pelo lado bom, né? Isso que é importante.

Muito obrigado pela participação, viu, Kajla? Se o pessoal quiser te acompanhar, enfim, o que você produz, o seu podcast, faz o jabai. Como é que o pessoal pode te encontrar na internet? Primeiro, eu queria agradecer pelo convite, gente.

Espero que os ouvintes gostem e tenham um carinho pelo Ron, assim, como eu tenho. E que vocês também tenham aberto a… Obrigada. Abra a porta pro Ron entrar.

Always leia nosso rei, gente. Pra você, né, que não leu os livros, por favor. Leia os livros que você vai conhecer outro personagem. Se quiserem me encontrar, eu tô no Instagram, nas redes sociais como Arroba E você pode ouvir o Bad Cache aí, onde você gosta de ouvir seus podcasts e falar com a gente no Instagram também.

Legal. Como é que se escreve o Hokage? É com K, é com C, enfim, só pra o pessoal saber. É H-O-K-A-J-I-S.

É tipo Hokage? Exatamente. É uma brincadeirinha com o Hokage. Além de tudo, eu sou naruteira, gente.

Perfeita. E os seus, Marina? Os seus redes sociais, vai. A gente fala todo podcast e vamos continuar falando.

Exatamente. Até todos nos seguirem. Mas então, meu Instagram, Twitter, TikTok, Facebook. E nossa, e Clubhouse, gente.

Eu tô com o Clubhouse agora. Nova rede social. Eu sou muito maneira. Legal.

Eu ainda não estou no Clubhouse, tá, gente? Pode ser que eventualmente… Eu te chamo, amigo. Eu te chamo, eu te chamo.

Então, pode ser que quando vocês estiverem escutando eu já esteja. E se eu estiver muito provavelmente, meu usuário vai ser o mesmo que de todas as redes sociais. Twitter, Instagram, Facebook. Talvez Clubhouse, que é E as redes sociais do Pateriche.

Marina, faça as honras da casa. E tem do site, né, gente. Onde vocês podem entrar pra ler todas as notícias do mundo bruxo. Dos atores, lista de personagens.

Enfim, conteúdo bem legal que é o Pateriche.com. É isso. Muito obrigado pela participação, viu, Kajla? Obrigado, Marina.

E obrigado a vocês que escutaram a gente. Um beijo e até a próxima. Valeu, gente. Até mais.

Beijo.

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