#24: Por que morrem tantos personagens em Harry Potter?, com Beatriz Masson

#24: Por que morrem tantos personagens em Harry Potter?, com Beatriz Masson

Semanário dos Bruxos

Episódio 2452min 24s27 de abr de 2021

🎙️ Episódio 24 · 52min 24s · 27 de abr de 2021

Harry Potter passa longe de Game of Thrones, mas também tem muitas mortes – e a maioria delas têm motivos válidos para ocorrem, por mais triste que nos deixe. Os apresentadores do Semanário dos Bruxos, Pedro Martins e Marina Anderi, recebem a professora Beatriz Masson, mestre em teoria literária pela USP, para discutir os significados e simbolismos da morte no Mundo Bruxo.

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Sejam muito bem-vindos ao Seminário dos Bruxos, o podcast do Poteirist, que vai ao ar toda terça-feira nas plataformas de streaming. Eu sou o Pedro Martins, editor-chefe do site. Eu sou a Marina Anderi, gerente de marketing. E este podcast dessa semana vai estar muito triste, vocês se preparem.

E também vai estar meio polêmico, porque, enfim… Vamos lá, pera aí, vamos contextualizar. Este podcast, gente, vai ser sobre as mortes de Harry Potter. E aí, por que eu falei que vai ser polêmico, né?

Você consegue imaginar por que eu falei que pode ter algum trecho polêmico, Marina? Não, eu não sei. Snape, amiga. É um momento que não é triste, né?

É um momento de comemoração, é isso? É um momento de comemoração, exatamente. O Pedro, ele chega para ir atacando já, assim. Esse é o estilo dele.

Eu já abri abrindo, né, gente? Porque, assim, a pessoa vai começar a escutar o podcast, ela fala assim, ah, será que esse podcast hoje vai estar meio murno? Não, não vai. Não vai, não.

Já mais. Mas o ponto principal, no caso, né, assim, a gente pode falar mal de uma ou outra pessoa, não direi quem, mas a questão principal é a gente discutir, né, porque realmente tem umas mortes consideráveis aí em Harry Potter, né? São sete livros, aí o negócio só vai aumentando, né? Vai tendo um bom número de pessoas que morrem e é discutir um pouco como que isso tem impacto na história, né?

De que forma funciona, por que as pessoas morrem, além do fato de, tipo, ah, é uma guerra e tem gente que precisa morrer. Ok. Mas por que essas pessoas, especificamente, né? Exatamente.

E para falar sobre as mortes de Harry Potter, a gente recebe a pesquisadora de Harry Potter, Beatriz Masson, que é mestre em teoria literária pela USP. Muito obrigado por ter aceito o convite, Bia. Muito obrigada pelo convite, Marina e Pedro. É um prazer estar aqui com vocês para conversarmos sobre este assunto, que eu acho que vai, como vocês sabem, vai render, vai ser polêmico, tem umas mortes polêmicas, estou ansiosa.

Vai ser triste, vai ser feliz, vai ser tudo. Sentimentos mistos, sentimentos mistos. Sim, sim. Então é isso, né, gente?

Harry Potter é, antes de tudo, uma história sobre a luta entre o bem e o mal. Conforme o Harry vai crescendo, os livros vão tomando um tom mais sombrio e, com isso, personagens queridos, importantes, e outros tão queridos assim, vão morrendo, né? Isso acontece, como Marina disse, não só por uma questão de verossimilhança, já que sendo uma guerra comum que as pessoas morram, mas também porque cada morte tem um propósito narrativo, seja para demonstrar algo, seja para criar uma metáfora, ou para impactar diretamente no andamento da trama. A primeira morte que acontece em Harry Potter, ou pelo menos a primeira morte que o Harry, né, que a gente está acompanhando a história ali pelos olhos dele, que o Harry está ciente, é a do Cedrico, né, que foi assassinado pelo Pedro Pettigrew, logo antes do Voldemort retomar seu corpo, né, seu corpo físico, ali no cemitério, no final de O Cálice de Fogo.

E existe uma simbologia nisso, né, de acontecer uma morte quando está acontecendo um renascimento, né? Eu acho que é uma morte muito simbólica, assim, para a série, né? Desde o começo, esse tema da morte aparece de forma muito bem trabalhada no primeiro livro, no segundo livro, no terceiro livro, várias representações de morte, até a gente chegar a uma morte que o Harry de fato presencia, né, que é a morte do Cedrico. Eu acho…

O que eu acho interessante, assim, a respeito da morte do Cedrico, é porque o personagem, ele tem um crescimento muito legal no Harry Potter e o Cálice de Fogo. A gente vai vendo que, assim, ele tem valores que são valores muito bonitos, né, os valores da Lufa-Lufa. Ele representa esses valores da Lufa-Lufa, da lealdade, né? Ele trabalha duro, do esforço.

Ele é um cara muito bacana. E a gente, eu acho que se afeiçoa a isso. O Harry presencia, né, vivencia o Cedrico, enfim, colocando tudo isso que ele tem para oferecer para jogo. E por isso que a morte dele acaba sendo tão brutal.

Quando um personagem que tem toda essa carga de símbolos dentro da história é morto, sangue frio, a gente já fala, pera, calma, olha aqui. Essas pessoas aqui, o Rabicho, está cumprindo ordens, mas o que morreu ali não foi só o Cedrico, não. Foi uma morte simbólica de tudo que o Cedrico representa também, né? E além disso, em Harry Potter e o Cálice de Fogo, se a gente analisar bem a trajetória do Harry, o Cálice de Fogo é um livro que demarca muito a transição de um Harry mais puro, mais inocente, para o Harry mais combativo, mais consciente, que a gente vai ver a partir da Ordem da Fênix.

E esse salto de personalidade do Harry também não teria acontecido se não fosse pela morte do Cedrico. Então é o renascimento do Lord Voldemort, mas de certa forma é a, entre aspas, a evolução do Harry para o sujeito que ele vai se tornar nos livros seguintes e muito claramente no quinto livro. Mas foi uma morte que eu senti muito, que me deixou muito impactada numa primeira leitura. Sim, porque eu sinto que é totalmente inesperado, né?

Assim, a gente tem uma certa noção de que pelo primeiro capítulo de Cálice, que está havendo uma articulação para o Voldemort e tals, mas essa questão principal da Tassa ser um portal, do Cedrico junto… E é uma coisa que, tipo assim, me parece que o Voldemort volta e a impressão que passa para a gente é tipo, é com os dois pés na porta, entendeu? E tipo, o Cedrico não tem nada a ver com a história, ele não é uma pessoa que, sei lá, pegando o meu futuro, ele não está na D e foi junto para alguma briga, né? Tipo assim, ele não se voluntariou por participar disso, ele simplesmente estava no lugar errado, na hora errada, isso é muito trágico, né?

Uhum. E aí, em A Ordem da Fênix, com o Harry todo… Depois a gente ainda tem que lidar um ano inteiro com essa crise de imagem, provocada pelo profeta diário, pelo fã de… Mas enfim, aí a gente tem a morte do Sirius, gente, que foi morto pela prima, pela Bellatrix Lestrange, e no livro não é especificado qual feitiço atinge o Sirius, né?

Ele é atingido por um feitiço, e aí ele cai por um véu, né? Que até tem ali no filme, mas no filme eles realmente colocaram o feitiço, uma vada-quedavra que é a maldição da morte que a gente conhece, né? Isso inclusive causou dúvida na época, né? Que não tinha ainda o sexto livro, o sétimo, nos leitores, sobre se ele de fato havia morrido ou não, né?

Por que é que vocês acham, antes de a gente discutir o que que essa morte representa, né? Essa curiosidade. Por que que vocês acreditam que não houve o avada-quedavra diretamente, e sim essa passagem pelo véu, assim? Eu acho muito bonito que a morte do Sirius aconteça nessa forma de travessia, sabe?

O capítulo que ele morre se chama Paralém do Véu. E o véu, em várias culturas, né? Cultura de países orientais, a cultura de alguns países ocidentais também, o véu tem essa simbologia de evocar a dissimulação das coisas secretas ou de revelar as coisas escondidas. E eu acho, assim, tão impactante que a morte dele seja retratada como uma travessia para um outro lado que está logo ali, mas a gente não vê.

Está ali! O Harry escuta, a Luna escuta. Se você quiser ver o que tem do outro lado, basta você atravessar o véu, atravessar o arco, que foi o que o Sirius fez. É uma linguagem que eu acho, como que eu posso dizer?

É uma linguagem muito sensível para falar a respeito da morte. Ele não morre e cai duro no chão. Ele vai para um outro lugar, né? É uma morte que é, entre aspas, inaberta.

Por isso que tanta gente eu acho que ficava em dúvida. Será que o Sirius morreu? Será que o Sirius não morreu? Mas na verdade ele só atravessou o véu, né?

E eu acho que a morte dele tem que ser encarada como essa travessia mesmo. Existem muitas mortes simbólicas em Harry Potter. Eu acho que a do Sirius é uma das mais simbólicas dela. Justamente porque não mostra a morte como um fim em si mesma, sabe?

Existe uma continuidade em algum outro lado que em determinado momento podemos ver ou não podemos ver. Que o Harry vai poder ver ou não vai poder ver. Mais para frente a gente sabe que ele se encontra lá com o Sirius. Num rolê metafísico também.

E eu acho ainda mais bonito o Sirius atravessar o véu com afeição que ele atravessa o véu. Ele estava se divertindo por estar num duelo. Ele estava fazendo o que ele gosta de fazer. Ele estava em ação.

Então é uma morte muito triste, muito triste. Mas a meu ver bem menos trágica do que a do Cedrico, por exemplo. Claro, claro. Ele está muito mais ciente da situação, obviamente.

E ele estava ali sediando a Ornida Fênix, mas preso. Sem poder fazer missão, sem poder fazer nada. Então essa é uma oportunidade. E pela frase, por uma mente bem estruturada, a morte é apenas a aventura seguinte.

Cabe muito aqui, né? Eu acho que cabe e concordo total com o que você disse, Bia. Além disso, eu também acho que traz um aspecto surrealista. Um aspecto meio diferentão.

E traz a dúvida para o Harry mesmo, né? Tipo assim, depois da morte do Sirius, ele fica tipo… Mas será mesmo? E aí ele fica, dá pra ver o desespero dele, assim, dá muita dó.

Primeiro quando ele lembra do espelho, né? Que no desespero dele ele esqueceu completamente que ele poderia ter falado com o Sirius pelo espelho. Lembrando que ele vai, o AD ali, os seis ali, vão para o Ministério da Magia atrás do Sirius. Porque o Harry acha que o Sirius está sendo atacado, né?

Que ele está em perigo. E também acho que quando ele encontra o Nick, né? Que ele pergunta, tipo, ai, mas ele não pode voltar como fantasma, né? Tipo assim, será que ele não pode ficar aqui?

Não tem algum jeito, meu Deus. E tem a conversa com a Luna, né? A fatídica conversa com a Luna. Que tudo o que é nosso acaba retornando pra gente de alguma forma.

Eu acho que dialoga com essa passagem, sabe? Essa morte do Sirius que é uma passagem. Que de fato, eventualmente, o Harry se encontra com o Sirius, né? Quando eles têm esse encontro, o Sirius está jovem, está feliz.

Como o Harry nunca o conheceu sendo, né? Exatamente. É, a morte do Sirius significa muito pro Harry, né? Significa, mas vejam como ele lida muito melhor com essa morte do que com a morte do Cedrico.

Total. Eu acho que muito disso tem a ver com a conversa com que ele tem com o Dumbledore no fim da Ordem da Fênix. Que é a conversa ultra reveladora de que, olha então, no final nenhum pode viver enquanto o outro sobreviver. O Harry passa por uma série de eventos aí na Ordem da Fênix, que eu acho que vão dando muita estofa pra ele, sabe?

Vai deixando ele muito… Criando uma casca muito grossa. O que faz com que, ao final desse livro, ele seja muito autoconsciente do que ele deve fazer e de quem ele é. E eu acho que ele lida melhor com a morte do Sirius por conta disso.

Foi tanto tiro, porrado e bomba em Ordem da Fênix, que mesmo o Sirius sendo uma presença muito mais importante na vida dele do que foi o Cedrico, por exemplo, a morte é encarada de uma outra forma. A morte do Padém pelo Harry. Uhum. Ai, espero que ninguém me ache muito crápulo por dizer isso que eu vou dizer agora, mas a morte do Sirius também precisava acontecer pro Harry ter um salto de madurecimento aí, né?

Assim como foi no livro anterior, né? Com o Cedrico. Sem dúvida. E aí, ligando o príncipe na gente, a gente tem a morte do Dumbledore, né?

Que é o grande mentor do Harry, né? Ele é essa figura central na jornada do Harry que passa vários ensinamentos pra ele. E parece ser aquele ser inalcançável, né? Imortal até quase, porque até o Voldemort tem medo dele, né?

Então por isso eu acho que a morte do Dumbledore é um baque muito grande, né? Ele e o Harry estavam ali voltando de uma viagem, né? Pra recuperar o medalhão de Slytherin, que eles achavam que era uma horcrux e depois eles… E depois eles descobrem que não era, né?

Era falso. E aí Hogwarts está sendo invadida, né? E o Snape mata o Dumbledore. Que significado vocês enxergam no Dumbledore ser morto enquanto o Harry assiste?

Literalmente petrificado. Assim, claro, no filme ele não está sob efeito de nenhum feitiço, né? Porque no livro o Dumbledore lança um petrífico totalos nele, né? Então ele assiste, entre aspas, assim, mas ele não pode fazer nada de fato.

Só que no filme não. No filme ele literalmente fica assistindo ali de boa, meio que, tipo, assustado, mas sem fazer nada. Primeiro de tudo, vocês acham que isso foi uma boa escolha do filme? Ou isso muda muito o significado de como o Harry lida com essa morte?

Tudo o que foi escolhido para o filme de Anima do Príncipe foi um erro, né, gente? Começando a doer. Desculpa, mas é verdade. Não perdoo, não perdoo.

Porque o Anima do Príncipe é meu livro preferido. Assistir o filme foi uma decepção muito grande. Vi o Snape fazendo sinalzinho de chill para o Harry ficar quieto enquanto tudo aquilo estava rolando lá na TV de Astronomia. Não me conformo.

Sou me conformada com esse filme. Falo mal sempre que possível, mas respeito a fotografia. É, é isso. Mas assim, eu acho, Pedro, que quebra.

Sim, o filme quebra totalmente o impacto do Harry ter sido petrificado para poder assistir tudo aquilo que ele assistiu. Quando a gente lê o livro pela primeira vez, né, quando a gente lê o Anima do Príncipe sem saber o que vem depois dele, eu acho que a morte do Dumbledore é uma morte que choca demais, né? A gente não entende porque que o Harry está petrificado. O discurso do Draco dá uma angústia do caramba.

A gente fica muito angustiado vendo o sofrimento daquele menino ali, né? Entre meu Deus, eu mato, eu não mato, o que que eu faço? E o Dumbledore lá de boa. Como assim, não tão de boa, né?

Mas fazendo suas considerações filosóficas de Dumbledore até no momento da morte. Então assim, a cena dessa morte, sem a gente saber qual que é o desenrolar dela mais pra frente, é uma cena que ela, sem saber o que que vai acontecer na frente, não dá pra gente analisar ela, eu acho assim, analisar ela por si só. É uma cena que causa angústia, ponto. E o Harry está ali petrificado, assistindo petrificado, é a própria, sei lá, é a angústia incorporada numa situação ali no personagem.

Personificação da angústia, o Harry ali. Mas quando a gente entende o propósito da morte do Dumbledore, aqui eu também tô com medo, gente, eu tô com muito medo das pessoas mexerem muito megera, porque nossa, a Bia só vai falar de que as mortes têm funções? Sim, só vou falar disso. É o ponto mesmo, né?

É, quando a gente entende que a morte do Dumbledore tinha um propósito, que foi uma morte arquitetada, a gente vê que as coisas estão acontecendo ali justamente porque elas precisavam acontecer. Por que que o Harry tinha que estar petrificado ali naquela hora? Ele precisava ouvir o que o Dumbledore e o Draco estavam conversando. O Dumbledore queria que ele ouvisse, queria que ele entendesse, queria que talvez o Harry tivesse usado um pouquinho mais de interpretação de texto pra entender o tom de súplica do Severo, por favor.

Que na hora o Harry não entende, e a gente também não. Ainda mais no livro, né? Tipo, meu Deus. E se o Harry não entende, a gente também não entende, a gente acompanha os passos do Harry, né?

Um narrador que tá colado no Harry, e a gente só vai junto com ele e embarca na emoção. Depois, quando isso é explicado lá nas relíquias, no capítulo da memória do Príncipe, eu acho que fica muito claro, assim, entender o porquê dessa cena acontecer do jeito que ela acontece, e principalmente entender que o Dumbledore tem essa aura de mago sábio, esse arquétipo do mago sábio, o arquétipo do mago cabeludo, barbudo. Todo mundo pensava que o Dumbledore seria um Gandalf, que talvez ressurgisse como Dumbledore o branco, e as relíquias da morte, o que não acontece, já ouvi esses relatos. Mas a forma como a morte se dá humaniza muito ele.

Claro que outros eventos também vão humanizar muito o Dumbledore, mas ele sabia que ele ia morrer? Ele diz que ele preferiria que essa morte viesse pela mão do Severo, pela mão do Snape, não pela mão do Draco. Ele tinha essa preocupação… De não tornar o Draco um assassino, né?

É, de não corromper a alma do Draco. E o tom dele, o tom de súplica que o Dumbledore usa, o pedido pela morte, é uma consciência muito grande da humanidade dele. Ele está pedindo para morrer. Tem coisa mais humana do que morrer?

Não existe, é isso que marca. A nossa humanidade, né? E ele cai no chão, ele despenca da torre de astronomia. É uma morte que leva ele para o chão.

Ele não está mais ali, alçado. De uma altura muito alta, simbolizando o quanto ele tinha de… Simbolizando a queda dele, da moral dele que a gente vai ver nas relíquias da morte também. Mas é uma morte que eu acho que prepara a gente para conhecer uma face do Dumbledore que até então não tinha sido apresentada, né?

E que vai ser apresentada nas relíquias. Porque eu acho que a morte do Dumbledore é muito importante, né? É além disso, né? Ele está no morto, a gente consegue, o Herod consegue ter um afastamento maior para conseguir descobrir a história dele, né?

E atrás de fones, atrás de coisas, né? Se o Dumbledore estivesse vivo, isso seria muito mais difícil. Com certeza. Também eu acho que leva o Harry realmente a ter que cair de cabeça nisso, entendeu?

Tipo assim, não tenho mais esse cara para me guiar, para me proteger. É isso, acho total, né? Que da de… Simboliza a queda de Hogwarts, a queda da segurança.

Como diria… Como é que… Não lembro exatamente se é a Nicole Balls, enfim, mas naquela entrevista com a Marília Gabriela, um divisor de águas. Um divisor de águas.

Sempre com as melhores referências. E aí ali, né, gente? Como sempre, né, aparentemente sempre uma morte ao final de cada livro para poder marcar o encerramento de um negócio partindo para o próximo, né? Começa as relíquias da morte, só que dessa vez de uma maneira muito diferente, né?

Porque a gente tem muita morte, é uma grande chacina, basicamente. Desde o início, diferente, né? Aí você vê que o negócio do bicho pegou mesmo. Enfim, já começa com a morte da Edwiges, né?

Durante a transferência do Harry para Toca. E por que que ela morreu, gente? A gente tem que seraligar para a Luisa Mel, assim? Não, não, não.

Os maus tratos, né? Nossa, gente, olha. Eu acho que a Edwiges, a morte dela simboliza a perda de inocência, a perda da pureza mesmo, né? Porque nesse episódio aí que a Edwiges morre, o Harry está tentando combater os Comensais com um bendito do Expelliarmus.

E é o feitiço padrão dele, um feitiço de um bruxo muito, sabe… Limitado? Não limitado, não acho que é limitado, Pedro. Eu acho que ele é muito puro de coração.

É menos agressivo, né? Porque a Expelliarmus é para você desarmar, né? Só a desarmar, ele não quer atacar ninguém, né? E aí é justo nesse capítulo que a Edwiges morre que o Lupin vira e fala Olha, então, colega, a partir de agora a gente não está mais interessado em desarmar, não.

Tem gente querendo matar a gente, a gente também tem que tentar matar os outros, né? Eu acho que mais do que simbolizar qualquer outra coisa, a Edwiges quer esse meio de conexão com o mundo mágico, né? É uma coruja que foi dada de presente pra ele no aniversário dele, né? De conhecimento aí do mundo bruxo e tals.

Eu acho que simboliza muito mais a perda da inocência, a perda da segurança, a perda da pureza, que ele vai ter que abrir um pouco a mão, né? Abrir a mão disso pra se envolver na guerra. Porque ele aprende, o Harry aprende a durar as penas, que numa guerra aí tem que, se preciso for, usar maldições imperdoáveis, né? E aí é isso aí, né?

Mas na verdade eu acredito que é meio isso que a J.K. Rowling fala, né? Da perda da inocência mesmo. E de, pra gente, coitada, né?

Mas também o Harry ia ficar levando ela junto, talvez? Não sei. Eu acho que também representa de alguma maneira que, tipo, agora você pode estar sozinho real, sabe? Você não vai ter nem a coruja.

Não, é… E assim, com quem ele vai precisar se comunicar, né? Era… Também tem um pouco essa parte prática.

Quem ele sempre se comunicava tá junto com ele ali na viagem. Então assim, tá tudo bem, gente. A Edwiges morreu, mas tá tudo bem. Mas continua a viver em nossos corações.

Continua a viver em nossos corações, vamos erguer nossas varinhas pra Edwiges. É… Significa a perda da inocência, pode significar. Significa…

Teve uma questão prática envolvida, também pode ter sido isso. Então tá tudo bem. É isso. E aí tem a morte do Moody, né, gente?

Nessa mesma transferência dele, enfim. O Moody morre, só que a gente não vê a morte dele, né? É o Guy, o irmão do Ronny, que informa pro pessoal, quando já tá todo mundo ali na toca, que ele morreu. E ele é outra figura, né?

Que assim como o Dumbledore, com propósitos muito diferentes, é claro, mas que parecia também intocável, né? É um auror com muita experiência, que já tinha prendido e matado muito o Comensal da Morte, né? É aqui que acho que fica um pouco claro pro leitor que, olha, o bicho está pegando, né? Tipo, nem o Moody deu conta.

É, eu acho que fica claro que, assim, os grandes guerreiros também caem. Não é todo mundo intocável, não. Acho que a morte do Moody representa muito isso. E muito perto da do Dumbledore, né?

Junta muito, assim, né? Junta, junta bastante. Mas o Moody, a gente tem mais esse conhecimento da fama dele. Claro, a gente vê a construção dele como personagem na série, né?

Como todo. Mas eu acho que chega muito a gente essa fama dele, né? De durão, de vigilância constante. Mas numa situação de guerra, assim, quem a gente imagina ser o forte, a representação máxima de resistência também pode cair, né?

Eu acho que tem um pouco a ver com isso. É, e a cena do 7 Potter, né? É um negócio que… É um plano, né?

É um plano muito engenhoso e muito arriscado que envolve muitas pessoas, né? E que, assim, logo não dá certo, né? Assim, tipo, tem vários disfarçados de Harry, então isso causa uma certa confusão. Mas era um plano que tinha tudo pra dar errado, né?

É, não, exato, é muito arriscado, de fato, né? Fazer toda essa transferência do Harry e tal. E tinha isso, tinha polissuco, tinha chave de portal, né? Nossa, várias duas.

E já era meio que planejado, né? Pra ele ficar lá enquanto o Moody mesmo, porque sabiam que iam atacar. Todo mundo sabia que ele ia ser o mais atacado, que iam pensar que o Harry verdadeiro ia estar com ele, porque ele era mais experiente, né? Exato, exato.

Então, assim, eu sinto até que é um momento meio, tipo, assim… Ah, o Moody morreu, aí todo mundo fica meio… Bom, a vida que segue, meio, tipo, assim… Que mais a gente vai morrer, né?

Sim, é a primeira grande baixa, né? E aí, né? Chegando, né? Depois tem um longo período, assim, daquela grande road trip que o Harry faz com o Rony, Hermione, e depois só com a Hermione, e depois volta a fazer com o Rony, enfim.

Mas aí, no fim dessa jornada, né? Eu acho que até pra poder marcar ali, olha, agora acabou a calmaria. Não que eles tavam em calmaria, né? Mas, enfim…

Tem a morte do Dobby, né, gente? Ali durante a fuga da mansão Malfoy, o Dobby é atingido pela adaga da Belatriz, né? Assassina. Logo quando ele tá desaparatando com o Harry e os amigos ali pra fora da mansão.

E o Dobby é essa figura frequente, né? Desde a primeira aparição dele, em A Câmara Secreta, ele tá ali pra ajudar o Harry, né? Quando o Harry precisa, com muita lealdade. Ele surge na história exatamente pra ajudar, né?

O objetivo principal dele desde o início era esse. E o Harry, portanto, fica muito abalado com essa morte, né? Ele chega a cavar a cova do Dobby sem magia, né? Porque ele achava que aquilo simbolizaria, enfim, que era uma coisa especial, assim, né?

Até porque esse último ato do Dobby foi uma continuação do que ele já fazia, né? Zelar pelo bem do Harry, enfim. E por que o Dobby precisou morrer, gente? Ah, gente, bichinho, né?

Essa é uma das mortes que, assim… Foi uma das que eu mais senti quando eu li o livro pela primeira vez. Assim, gente, eu acho que Dobby precisou morrer também por uma questão de mostrar ali que numa situação de guerra, almas puras também sofrem baixas, né? O Dobby é um personagem que é muito puro.

Muita gente acha ele muito irritante, e de fato, ele é muito irritante. Mas ele sempre avisou o bem do Harry, sempre protegeu o Harry, sempre salvou a vida do Harry em inúmeros episódios, assim. A forma com que ele morre é uma forma extremamente cruel. Ele é morto pelas mãos de uma personagem que é extremamente cruel, que é a Belatriz, que, assim, ela representa tudo de ruim que existe ali no mundo bruxo.

Tipo, ela é preconceituosa, ela é maldosa, ela é cruel demais, ela é injusta, né? Sei lá, é contrastante, né? Na mão de quem que o Dobby morre, né? O Dobby sendo uma figura tão pura, ser morto na mão de uma personagem que tem uma alma tão corrompida, sabe?

Que seja tão ruim. Eu acho que isso que causa muito pesar, assim, na gente, quando a gente entra em contato com essa morte, assim. É que eu acho que, além de tudo, é uma grande fatalidade, né? Eles vão lá, eles desaparatam, e aí a faca, a daga que ela lançou, atingiu ele, foi junto, tá ligado?

É uma coisa que você fica bravo, entendeu? Tipo, meu Deus, sabe? Se fosse um segundo antes, se fosse um pouquinho pro lado, sabe assim? São elas fatalidades que você fica puto, mas isso talvez podia não ter acontecido, né?

Eu acho que é uma aposta da Belatriz, sabe, Marina? Ela taca aquela faca no vácuo pra pegar alguém. Exato, quem for foi. Quem for foi pra ela, tá bom?

E ela é meio louca, né? No sentido de que, assim, cara, aí você pega no Harry, por exemplo. Ah, mas ali, né, assim, a sanidade passou longe. Nem aí.

É. Mas é muito triste que a daga perfure justamente o Dobby, que tinha acabado de ser tão fofo e bonitinho, tirando todo mundo de dentro daquele porão. E também porque o Dobby, ele é pequeno, né? Então, uma daga tem mais chance de pegar um órgão vital dele, né?

Assim, daquela probabilidade. Daquelas, né, que vão arrumar as justificativas, né mesmo? E tem também o fato, né, gente? A gente tem que marcar ali um ponto de virada na narrativa.

Sim, com certeza. É um momento realmente, né, até o final, né? Que é escolhido pra ser o final de Relíquias, né, parte 1. Esse enterro do Dobby, né?

Aqui já é Dobby, um elfo livre. Dobby está feliz aqui, né? Destaque seu amigo Harry Potter. Estou acrimejando.

Meu Deus, olha, até começa… Gente, bichinho, ele é muito fofo usando o tenezinho dele. Ai, sabe? Ele usando o tenezinho, né?

O tenezinho não é nem de cadarço, é tenezinho bem de criança, né? Ai, gente, imagina, a gente fica puto, né? A gente sempre fala nos episódios sobre como que, enfim, o espectador que é só dos filmes não sentiu a morte do Dobby, né? Imagina se você é o cara que criou o tenezinho do Dobby.

Gente… Imagina se você é o cara que criou o visual do Dobby pra ele não ser usado nos filmes, sabe? Se você é o cara que criou o tenezinho do Dobby, por favor, mande uma mensagem pra gente que diga como você se sentiu ao ver aquele tenezinho tão fofo. Por fazer essa grande obra de arte, cara.

Obrigado por tudo aí. Ai, sim. Também é isso que o Pedro falou, né? Tem esse objetivo aí também de ser um ponto de virada, porque o Harry, ele…

Assim, as atitudes que ele toma logo após a morte do Dobby foram tomadas enquanto ele fazia todo o serviço manual de cavar o túmulo e coisa e tal, né? Essas reflexões do que fazer atrás das relíquias e atrás das horcruxes e aí ele escolhe um lado muito baseado ali no serviço manual que ele tava fazendo e que ele valoriza tanto justamente por o Dobby ter feito tanto disso por ele, sabe? Não, cara, os caras vão de estar em barraca no meio de florestas pra invadir um dos bancos mais seguros, tá ligado? Um dos lugares mais seguros do mundo bruxo.

E fugir em um dragão. Exato. É um salta, né? Acaba sendo inspirador, né, obviamente, pra ele.

Eu acho que é legal, né, no fim, o Harry ter essa raiz do mundo trouxa, né? Que eu acho que realmente é um momento importante. Você tem que se deixar sentir as coisas, né? A morte, o luto.

Realmente, um trabalho manual, esse momento ali sozinho fazendo o rolê ajuda muito, assim. E pra mim também, o último ponto sobre o Dobby é pelo fato de que por muito tempo ele foi um servo, né? Na mansão dos Malfói. E aí ele volta lá, justamente, como o rebelde, uma quebradeira, tirando o pessoal de lá.

Acho que é um ato legal, assim. Em uma outra posição, né? Exato, os Malfói olhando pra lá e falando, vixi, tá ligado? Dobby não tem mestres.

Ai, que homem, né, gente? Meu Deus. Ai, um beijo pro Dobby, onde quer que esteja. Ai, eu amo.

E aí depois, né, gente, na batalha de Hogwarts, aí é tiro por ralibombo, né, como diria a nossa grande poeta contemporânea balesca, Popozula. E ali a gente tem várias mortes, né, gente? Num curto espaço de tempo, assim. Primeiro é o Fred, quando ele tá lá, enfim.

Aí uma parede cai em cima dele, enquanto ele ainda tinha um sorriso no rosto. Gente, eu não tenho trecho do livro aqui, mas assim, eu lembro que é pesado. É, eu li recentemente e, assim, essa morte do Fred é a única que eu não consigo achar nenhuma explicação racional. É a morte que, junto com a do Dobby, foi a que eu mais senti quando eu li o livro pela primeira vez.

E tipo assim, ele morre enquanto ele tá ali conversando de boa com o Percy, né, o irmão recém-perdoado. Tipo, e ele ainda dá uma tirada no cara e ele fala assim, não acredito que você pediu demissão, né, do Ministério, porque eu acho que o Percy tá duelando contra o Ministro, coisa e tal. E aí pá, muro de pedra cai e morre. E aí não sei lidar.

Essa foi uma morte, na minha opinião, narrativamente falando, um pouco desnecessária. É, porque isso já teve outra morte ali pra mostrar que fatalidades acontecem, né, que é a do Dobby, que foi ali pouco, né, recente. Então, mas é que assim, com a morte do Fred eu sou bastante racional, mas eu acho que tem uma função narrativa de quebrar um pouco. Não que os Weasley sejam uma família perfeita, não é isso, eles não são uma família comercial de margarina, mas eles são muito felizes juntos, muito felizes juntos.

E é muito doído que eles tenham que passar, né, por essa questão, assim, ver ali a família inteira comovida pela morte do Fred, principalmente o Jorge, né, o gêmeo e tal. Então eu acho que existe um pouco essa função de, olha, leitor, tá vendo? Vai deixar uma cicatriz dentro de uma família, enfim. E acontecem em todas as famílias, nas melhores famílias, nas famílias mais legais, sabe?

Com pessoas muito legais. Guerra desmantela famílias, né? Justamente. É que é isso, que os Weasley, é como se fosse nossa família, entendeu?

É o pessoal muito legal, muito bacana, eles acolhem o Harry, né, e como você vê pelo lado do Harry, você vê como é um lar amoroso. Assim como toda a sua família tem os seus percasos, os seus problemas, né, mas é um lar muito legal. É uma coisa que o Harry sonha, né, tipo, caramba, se eu tivesse crescido aqui. Não à toa vira família dele, né, também.

Exato, vira família dele futuramente, assim, de papel passado, assim. Pô, o impacto emocional do leitor é muito grande, entendeu? Porque é isso, assim, eu fiquei pensando assim, por que o Fred foi o Weasley escolhido pra morrer? E aí, tipo, assim, a minha conclusão é, de que tipo?

A Dick Arland disse até que considerou matar o Ronny, mas aí seria por outros motivos, a morte do Ronny teria um impacto muito maior do que só, tipo, ele é um Weasley, né? Sim. Aí é isso, o Gui, ele já tinha sido atacado pelo Weerbeck, já teve um momento dele, assim, e também não, é, tipo, estava casado, mas acho que ele tinha uma trajetória. Não era tão próximo do leitor também, né?

Exato, o Carlinhos, se o Gui não é próximo, mas imagina o Carlinhos, né? O Percy, se morresse, a gente dava graças a Deus. Ai, que horror! Brincadeira, mas assim, ninguém ia ligar, né, assim, ah, que triste, mas não ia ser um grande momento, né?

O cara também já ficou tão afastado por tanto tempo, né? Tipo, não ia fazer tanta diferença, assim, esse impacto, né, o leitor? E aí sobra o Fred e o Jorge, que além de tudo isso, são gêmeos, é uma dupla, você não vê um sem o outro. Você não só desmantela uma família, mas uma dupla também, né?

Exato, tipo, assim, é aquela coisa básica de, tipo, assim, né, aquelas várias histórias de fanart, de que quando o Jorge se olha no espelho, ele só lembra do que ele perdeu. Nossa, que pesado! Ai, eu não acho que… bom, não vejo o futuro do Jorge sendo muito esse, não, não sei.

Não, não quer dizer que ele supera, ele, né, enfim, a vida segue em frente, ele se casa, inclusive com a ex-namorada do irmão, que é meio esquisito, mas também, é, né, tem filhos, a vida que segue, né, mas assim, não deixa de ser uma lembrança de que ele sempre teve alguém do lado dele e que era idêntico a ele, né? Ele sempre teve isso e agora a única vez que ele vai ver alguém idêntico a ele seria no espelho, né, tipo assim. Que é uma coisa normal pras pessoas, mas pra ele não era, né? Acho que faz sentido o Fred ser o Weasley escolhido, sabe?

Ele tem um impacto grande, porque é um personagem querido, mas não tão grande quanto se fosse o Rony, por exemplo, então fica no meio termo. Gente, eu esqueci de um Weasley que é a Gina, que é apenas a minha personagem favorita. Mas é porque ela não podia, né? Não, exato, ela é a mãe do Ava Severo, se não fosse, ela não teria corretado.

Mas ela também teve um momento de provação dela, ficou bem próxima da morte. Claro, é a primeira, né? E depois tem o quê? Tem o Rony envenenado e tem o Gui atacado por lobisomens.

O Percy, ele não tem nenhuma questão física que o acometeu, mas ele tem um desvio de caráter que é horroroso. Então, né, o Jorge perde a orelha. Então o senhor Weasley atacado pela cobra. Acho que o único ali que a gente não sabe de muita coisa é o Carlinhos mesmo, né?

Então o Fred é o que acaba ali sobrando. E é muito bonito, por exemplo, que a senhora Weasley não, ela enquanto personagem, não tenha sido acometida por nenhum tipo de provação. Porque no fim das contas, ela é a grande base que sustenta a provação ali de todos os outros membros da família dela, né? Não à toa, o maior medo dela é que os filhos dela se machuquem.

Putz, então. E ela é uma grande lutadora, né? Ela é responsável por uma das minhas mortes preferidas em Relíquias da Morte, que é a morte da Belatriz. Por pura defesa aos filhos, assim.

Exato, ela já tá por aqui, né, cara? Tipo assim… Minha filha não, sovaca. É bem bonito que a senhora Weasley tenha essa representação, sabe?

Sim, então. E aí a gente tem também a morte do Snape, né, gente? Feliz, assim. Bom, quem escuta o podcast já sabe que a gente não gosta do Snape fazer o quê, então é isso aí.

Mas ó, não desliguem o podcast, tá? Tá bom, o Snape morre atacado pela Nagini, o Harry encontra em seus últimos momentos, tempo suficiente pra pegar as lágrimas dele, blá blá blá, e aí descobriu a paixonite tóxica dele pela Lílian, que ele chamava de amor, mas a gente sabe que não era, que era uma possessividade… Era cilada, não era amor, era cilada. Exatamente.

Vocês acham que sem estar à beira da morte o Snape revelaria os segredos dele ao Harry? Ah, gente, eu acho que sim, né, porque o Dumbledore pediu. Não, mas assim, esse segredo sim, mas o segredo da vida em si dele, o que diz respeito só a ele. É verdade, né, porque o ponto é, o que o Harry precisava saber é que ele precisava morrer, né?

É, mas eu acho… Não sei se o Harry teria um entendimento tão grande do sacrifício que ele mesmo tem que fazer, se ele não soubesse do sacrifício que vários outros personagens também fizeram. E o Snape, ele fez, assim, pode ter o desvio de caráter que for, mas ele fez um sacrifício, a escolha dele de abdicar do lado das trevas e ser o espião do Dumbledore foi um ato de amor à Lílian. Não estamos aqui agora pra falar de que amor foi esse que ele sentia por ela, mas foi um ato de amor, só que foi uma coisa extremamente custosa, né?

O Harry também entende ali que a morte do Dumbledore foi sacrificiosa pro Snape. Tem uma pergunta, né, tipo assim, o Dumbledore fala, né, tipo assim, ah, eu não quero que o Draco me mate, eu não quero corromper a alma dele. E aí o Snape fala, e a minha tudo bem. É, aí o Dumbledore joga pra ele e fala, olha, se você acha que a sua alma tá sendo corrompida, ia com você, tá bom filhão, mas você vai tá poupando aqui um velho, vai ficar tudo, né?

Pense por esse lado, você tá poupando aqui um velho de muita dor de sofrimento, então tá tudo bem. É, mas eu acho que assim, de fato a única forma que eu penso realmente que faz sentido o Snape passar todas essas coisas pro Harry é pelas memórias, sabe? Porque eu não consigo ver o Snape sentando na frente do Harry contando tudo, tá ligado? Se abendo, ficando vulnerável, né?

E tem a questão também do Harry compartilhar a mente com o Lord Voldemort e o Harry não saber o Clumência, né gente? É, é. Não, de fato. Mas é isso, mesmo que o Harry não dividisse a mente com o Voldemort, sabe?

Ficar vulnerável ali pra receber o julgamento de tudo que aconteceu é difícil, é melhor ter as memórias mesmo, fazer a montagem, fazer um vídeo no movie maker. E jogam. Também faz parte, né, do ethos do Snape lançar uma dessa, olha, Harry, senta aqui, vamos conversar. O Snape não é esse tipo de personagem.

Mas aí a gente tem outros personagens, né gente, que morrem na batalha de rogo. A gente tem, por exemplo, o Colin Creven, né, que é um personagem que a gente não vê mais com tanta frequência, depois de Câmara Secreta, em que ele é petrificado, mas ele morre durante a batalha de Hogwarts. E aí, qual é o efeito da morte dele, pra que que serve? Eu acho que é tipo, gente X também morre.

Justificando tudo, né? É mais aquela coisa de, ah, eu lembro aquele menino, sabe assim? É, gente, eu não sei se eu tenho uma interpretação a respeito do Colin. Eu acho que ele é outro personagem tão puro quanto o Dobby, por exemplo, sabe?

É a memória dele, né, que a gente tem. É, eu acho que é mais nesse sentido, é tipo ver a Lila, tudo bem que a Lila, ela não está morta no livro, no filme, sim, mas a Lila, ali, toda mordida pelo lobisomem, coisa e tal. São personagens que tiveram alguma relevância e que também estão sofrendo consequências desse embate, né? É, e qual a linha esse personagem, né gente?

Que a gente vê o corpo dele ali no salão principal, né, de Hogwarts. Assim como a gente vê também, muito próximo ali, né, no mesmo momento, os corpos de Tonks e de Lupin, né? A gente não viu eles morrendo, no filme, inclusive, tem uma cena muito bonita, né, que eles dando a mão, assim, e quando o Harry vê os dois, né, vê o casal ali, ele pensa imediatamente no Ted, né, que Tonks e Lupin morrem deixando um filho, né, do qual Harry é padrinho, em um movimento cíclico, né, que remete à morte dos próprios pais do Harry, né, que tinha o Sirius como padrinho, que morreu também. É uma releitura meio que cíclica da situação toda, né?

A primeira Guerra Bruxa gerou isso e a segunda também está gerando, né? É, eu acho que a gente volta sendo cíclico no próprio episódio pro que a Bia falou lá no início, né? Tipo, se a história de Harry Potter acontece por causa dessas mortes, né? Se não fosse isso, a gente não teria história, a gente não teria nativa, se o Harry não tivesse ficado órfão, se o Voldemort não tivesse tentado atacar ele, né?

E aí a gente tem esse momento agora, nessa batalha final, que é final, né, é a última, a gente tem esse mesmo momento também, meio espelhado, né? E é um momento meio espelhado, mas eu acho que ele também traz outras reflexões, outras questões, né? O Lupin ali é o fim, o resquício de qualquer coisa que existia dos Marotos, né, não existe mais, inclusive, Perpetru não foi morto citado, mas é aqui, mas é um personagem que tem uma morte que eu considero bastante simbólica, né? Ele morre pelo momento dele ali de hesitação e de…

Ah, de péssima consciência mesmo, né? Então morre o Perpetru e agora morre o Lupin, não existe, né, mas esse passado de Hogwarts, que era muito próximo dos pais do Harry, e todos os Marotos morrem de certa forma protegendo o Harry, né? Sim, todos eles morrem de certa forma protegendo o Harry, né, o Lupin tá ali mais a campo, vamos dizer, mas também tava na luta por conta dessa situação toda aí que o Harry tava metido. E o Lupin também tem essa questão de ser uma outra figura paterna pro Harry, uma figura de mentoria, né?

Eu acho que especialmente depois da morte do Sirius, né, ele mesmo se coloca nesse lugar de como se ele fosse meio que um segundo padrinho, né? É, e ele teve uma relevância muito grande na educação do Harry, com a coisa do Patrono, né, de ter relembrado mesmo, quem traz à tona essa história dos Marotos é o Sirius, mas principalmente o Lupin, né? Ainda falando em figuras paternas, ainda bem que não perdemos o Hagrid, porque senão daí ia ficar muito, muito, muito chateada. E com a morte deles tem essa coisa, né, do futuro que poderia ter acontecido, que nunca vai se cumprir, mas que ao que tudo indica, o Harry vai ser um padrinho mais presente do que o Sirius foi na vida dele, não por opção do Sirius, claro, né?

Com certeza, né, eu acho que… Porque a questão é que a Primeira Guerra Bruxa, ela acabou numa ilusão, né? O Voldemort não tinha morrido, então eu acho que até uma interpretação de tipo assim, agora, né, tem essa situação espelhada, né, ou a Tom que o Lupin morre e deixa um filho com o Harry padrinho e tal, mas vai ser melhor, porque o Voldemort de fato vai ter sido derrotado, né? Não vai mais voltar.

E o Harry vai ter isso, não vai estar numa prisão, não vai estar… Ele vai ter plena capacidade de ajudar na criação desse menino, que também tem família viva, né, ele tem uma avó. Sim… Uma avó que ama a filha, que ama a família, né, não é?

O Harry que tinha os fios vivos que, né, ficaram com a criança por obrigação e tal. Então é tipo uma versão… Obviamente é horrível, né, que os pais do Teddy morrem, mas estando ele meio que na mesma situação que o Harry, é uma situação melhorada, né? E Marina, se você me permite fazer uma comparação com uma outra situação espelhada, eu acho que sim a morte do Pindatonx é de alguma forma um reflexo da morte dos pais do Harry, mas eu acho que a, entre aspas, morte do próprio Harry, é uma situação espelhada da morte dos pais dele, por conta de toda a questão do sacrifício, né?

E na verdade, ele se entrega pra morte sozinho, pra defender as pessoas que ele ama. Então, no sentido de sacrifício, eu acho até que essa semi-morte, se eu posso colocar assim, do Harry, ela é mais espelhada na morte dos pais dele, até do que a morte da Tonx e do Lupin, né? Enfim, uma reflexão que eu fiz rapidinho. Pô, eu concordo totalmente, assim, porque até pegando ali, né, esse momento da morte do Tiago e da Lilian, pô, o Tiago vai no socão, né, com Voldemort, ele não tá com varinha.

Qual é o xinto dele de proteger o filho? E a Lilian também, tipo, ele fala, sai da frente, que o Voldemort falou, beleza, vou tentar poupar ela aí, né? Tipo assim, não fez uma grande questão de poupar, mas ele deu chance, se ela não, ela não, aí vai morrer, morro protegendo meu filho, entendeu? Morro fazendo o que é certo.

E o Harry, ele não tá indo batalhar, né? Não, ele tá se entregando, né? Exato, os pais dele, eles tentaram, de uma forma ou de outra, fazer algo, né? Não, o Harry realmente tá indo assim, né?

Tipo assim, a varinha na mão, mas tá do lado, não tá fazendo nada, sabe? É realmente aceitar, beleza, vou morrer, mas vou morrer pra ele nas pessoas que eu amo. Se esse é o necessário, tamo aí, né? É realmente um ato, assim, altruísta muito grande, que realmente reflete muito o que os pais dele fizeram e o que a maioria das pessoas ali tá fazendo, né?

Todo mundo tá ali, pelo, né? Convadição pelo bem comum. Todo mundo tá se sacrificando ali, todo mundo sabe que o risco é muito grande, né? Principalmente porque já morreu muita gente.

Sim. E aí, por fim, gente, a gente tem a morte do Voldemort, que é uma morte muito diferente no filme e no livro, né? No livro, ele morre de forma convencional, né? O corpo dele, enfim, humano, cai no chão, representando talvez um pouco da humanidade, que, enfim, de que ele não é imortal e tudo mais.

Acho que tem um simbolismo muito diferente. Mas do filme, não, né? No filme, ele vira lá várias partículas pretas, enfim, uma cena que é muito interessante, inclusive quando você assiste o filme IMAX em 3D, mas que perde toda a simbologia, né? É…

E a morte do Voldemort no cinema dele virando partículas foi o precursor da estética do estalo do Thanos. Sim. Todo mundo vira pó. Foi bem assim, né?

Exatamente. Eu não gosto da morte dele no filme, não, da forma com que é representada. Inclusive, eu gosto muito do duelo que tem no livro. Acho o duelo muito explicativo, muito necessário pro leitor se situar, a respeito do que tá acontecendo ali.

E o fato dele morrer, de catarem o corpinho dele, põe em outra sala… Fala assim, filhão, isso é normal. Que cria uma aura de como se ele fosse algo a mais do que os outros que morreram ali, né? É, ele passou ali sete livros.

Ah, eu sou imortal, tô criando horcruxes, não sei o quê. Morre igual todo mundo no livro. A morte dele é uma morte igual de todo mundo. Quando ele vira pó, isso continua um pouco na caracterização não humana dele, sabe?

E eu não acho isso legal. Vai completamente contra o que a autora que usa no livro, né? Meu Deus. É, porque eu acho que…

Fim das contas, eu acho que talvez é que o filme não dê contexto. Justamente pra ter todo esse rolê de que no fim das contas ele era só tipo um cara. Porque é isso, essa conversa que a Bia fala, nesse momento que eles ficam girando o salão principal, né? E conversando, debatendo.

O Harry tá chamando o Voldemort de Tom, velho. Inclusive adoro o Harry afrontoso, amo. É, exato, ele tá chamando o Voldemort de Tom, tá ligado? Tipo assim, você é o Tom Riddle, né?

Fica usando esse nome aí. Não, cara, seu nome é esse, entendeu? Então tipo assim, eu acho que tem toda uma sambologia junta. O filme não tem essa conversa, tá ligado?

Então, no fim, eu acho que talvez o caminho mais fácil era esse. Tipo, como a gente não vai ter tempo, sei lá. Uma escolha de roteiro, né? É, foi uma escolha, assim.

É que eu acho meio zoado. Um glitter preto, tá ligado? Tipo, acho estranho, assim. E eu acho que mais estranho ainda se a gente juntar com o rolê da Belatriz, né?

Que não foi uma morte que a gente mencionou aqui. Precisamente porque a gente queria falar meio junto, né? Dessa história, né? Que ela é morta ali pela mole e tals.

E ela também vira essas partículas. Gente, aí não faz sentido. Aí já perdeu, tipo, ela não fez o horcrux. Ela é corrompida de maldade, né?

Mas não tem a alma corrompida ou qualquer coisa assim, sabe? Se fosse assim, então todos os começais tem que morrer desse jeito, né? Tipo assim. Aí acho que viajaram um pouco.

E é isso, eu acho que… Pelo amor de Deus, será que era um prelúgio de Cursed Child? Como os dois eram iguais, e aí eles… Ah, pai eterno, não.

Verro. Mas, Marina, sabe o que eu tô lembrando aqui? De uma coisa que eu aprendi muito recentemente também com um meu amigo que é crítico de cinema, o Bruno. Ele faz a mediação do Clube do Livre junto comigo.

Ele mencionou recentemente que, assim, se fosse uma morte muito ensanguentada do voo da morte da Belatriz, ia ter que subir um pouco ali a classificação indicativa do filme, né? Então essas mortes mais explosivas, menos sangrentas, mais simbólicas têm a ver com uma adequação de público também. Embora não faça sentido pra gente que conheça a história. É que, na verdade, mais ou menos, assim.

Porque, tipo assim, a classificação de cinema é uma das coisas mais idiotas, assim, que existe, tá ligado? Você tá de boa, você tá fazendo tudo que você quer, mas não tem sangue, aí tá tudo bem. Tem uma gota de sangue, meu Deus, mais 18, assim. Então, tipo, isso continuaria não tendo, tá ligado?

A Vada Kedavra, ali, não é sangrento, né, na maioria das vezes, assim. Entendi. Mas eu acho que a explosão, ela infantiliza de uma forma que não beneficia o filme, né? Gente, é o maior vilão morrendo ali, cara.

E aí ele explode, eu acho que a reação de todo mundo foi tipo, o quê? Sabe? Como assim? Podia ser outra coisa, talvez.

Ele poderia ter caído em cinzas, por exemplo. Aí talvez seria mais interessante, tá ligado? Ele e o corpo dele se desmantelando em cinzas. Aí eu acho que é mais legal, por exemplo, se você vai seguir por esse caminho.

Agora, explodindo e tendo partículas pretas caindo pela tela, era pra mostrar o 3D, gente? Eu acho que era, porque a cena fica legal. Enfim, é esse grande momento, né? No fim das contas, que o Harry dura de relíquias, ele se corrompe um pouco, né?

Ele usa impérios, ele usa crucios, né? Mas, no fim, é a lavada contra o espelharmos. E é isso, e dá tudo certo, né? Ele consegue, com seu único feitiço, vencer o cara, tá ligado, assim.

Entre várias funções, né? O Voldemort estava fraco. Ele era o quê? Um oitavo de alma?

E tava com uma varinha que não era dele, né? Então… É, tava ali num nível máximo de invulnerabilidade. Ele fez escolhas erradas, né?

Tão louco pelo poder que ele foi… Ele se precipitou ali, ele se colocou em desvantagem. É, ele cavou a própria cova. De forma resumida, é isso.

É isso então, né, gente? A gente espera que com esse episódio vocês tenham refletido um pouco sobre… Porque eu acho que as mortes de Harry Potter sempre já eram muito, né… Às vezes, ah, não, isso aqui foi maldade pura, não precisava.

Ou não que a gente queira justificar todas, apesar de que, sim, a gente justificou todas praticamente. Mas que tenha sido uma reflexão interessante para vocês. É, exato. Narrativamente, o que significou.

Acho que é legal pensar nisso. Por mais que a gente pensa, poxa, mas esse personagem aqui, tão querido… O tênis do Dobby, etc. Rest in peace, tênis do Dobby.

Mas, gente, as mortes, elas fazem parte das histórias da literatura, desde que a literatura é literatura. Então, tá tudo bem. A gente ama esses personagens e eles vivem nos nossos corações. É isso que importa.

E é só começar a reler, né? Se você começar a reler, ele tá vivo ainda. A não ser que seja o Thiago e a Lílian aí, não. Ai, meu Deus do céu.

Sim, mas é isso, gente. Se vocês quiserem trocar mais alguma ideia com a Bia, Bia, onde as pessoas podem te encontrar? As pessoas podem me encontrar no Instagram, arroba BiaLendoHarry. Eu faço posts recorrentes por lá sobre Harry Potter, sobre os personagens de Harry Potter, inclusive.

Tá tendo uma série sobre os personagens. Faço uma série de lives. As pessoas também podem conhecer o meu Clube do Livro, vocês são reservadas. Sempre tem muitas ações relacionadas a ele lá no meu perfil do Instagram.

E é isso. Arrasou, o conteúdo perfeito. E as suas redes, Marina, quais são? São todas, né?

Instagram, Twitter, TikTok, Facebook. É arroba Marina Anderi. Marina, A-N-D-E-R-I. E agradecendo, gente, por todos que me apoiaram na minha campanha de chegar aos mil seguidores.

Faltavam cinco, sabe? Aí eu consegui. Ah, é tudo. Então, assim, muito obrigada por realizar esse sonho.

Vamos dobrar a meta agora. Agora eu já posso fazer pubs muito caros. Gente, as minhas redes sociais são todas arroba IEM Pedro Martins, Instagram, Facebook, Twitter, TikTok, que eu não uso, mas, enfim, é isso. E tem, claro, as redes sociais do Poteiriche, né, Marina?

Arroba Poteiriche Oficial no Instagram e no Twitter, no Facebook, no TikTok, etc, etc. Arroba Poteiriche, né? Exato. E aí, né, para notícias do mundo bruxo, testes, artigos, inclusive, em breve saiu um com a Bia, né?

Fiquem ligados. Ah, sim. Poteiriche.com. Um beijo, gente, e até a próxima.

Tchau, tchau. Beijo.

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