#7: Severo Snape não é vilão nem herói, com Julianna Martins e Carlos Ferreira

#7: Severo Snape não é vilão nem herói, com Julianna Martins e Carlos Ferreira

Semanário dos Bruxos

Episódio 751min 44s29 de dez de 2020

🎙️ Episódio 7 · 51min 44s · 29 de dez de 2020

Severo Snape é o personagem mais discutido de Harry Potter, quer seja por fãs que o defendem ou por aqueles que o odeiam. É preciso lembrar, no entanto, que ninguém tem só luz ou trevas dentro de si. Neste episódio do Semanário dos Bruxos, os apresentadores Pedro Martins e Marina Anderi recebem Julianna Martins, redatora do POTTERISH, e Carlos Ferreira, criador do Twitter @TioSevero_, para discutir a índole do Príncipe Mestiço. 

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Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Semanário dos Bruxos. Eu sou Pedro Martins, editor-chefe do site. Eu sou Marina Ander, gerente de marketing. E hoje a gente vai falar sobre um personagem que talvez seja o mais discutido de toda a saga Harry Potter.

Quer sejam defensores do Snape ou não, os seus concordam, no entanto, que a vida dele foi tumultuada e foi repleta de desgraças. Então não é muito necessário ter afinidade pra ter empatia pelo seu sofrimento, não é mesmo, Marina? Há controversas, não sei se concordei com essa primeira frase. Exatamente.

Ao mesmo tempo em que o caráter e a validez das suas ações podem ser muito discutidas, né? É um personagem cheio de nuances, é um dos personagens mais complexos que o J.K. Rowling já escreveu. E é sobre isso que a gente vai falar aqui no episódio de hoje.

E pra discutir a vida e as mentiras, enfim, pra discutir Severo Snape, a gente recebe aqui hoje a nossa redatora Juliana Martins, que é a bibliotecária. Oi, gente. E o Carlos Ferreira, que é professor de biologia e, nas horas vagas, mantém a conta Tio Severo no Twitter. Tenho certeza absoluta que vocês conhecem essa conta no Twitter.

Se vocês não conhecem, correm lá, porque ela é fantástica. Até a Ju, que odeia o Snape, provavelmente segue essa conta. E o Carlos, ele basicamente criou essa conta, né, Carlos, há bastante tempo. Oi, eu sou o Carlos e o Tio Severo não é o Snape.

Apesar de muita gente achar que Tio Severo é o Snape, a gente optou por seguir uma linha do personagem. Então, a gente traz uma mistura de características do Snape com outras características que envolvem a minha própria personalidade, né, como criador de perfil. Tio Severo tá no Twitter desde 2010. Então, em dezembro, dia 26 de dezembro, a gente completa 10 anos.

E muita coisa mudou, né. A gente foi mudando o nosso comportamento e moldando também, conforme a gente ia percebendo o próprio personagem da saga, que é o Snape. Legal, legal. E acho que pra discutir o Snape, né, gente, o Snape, realmente, essa pessoa, nossa, esse personagem tão complexo e a gente tem que dividir essa discussão, né.

Então, acho que a gente tem que começar falando sobre a infância dele. Pra quem não se lembra, o Snape cresceu com um pai dentro de casa, que era trouxa, e a mãe, que era bruxa. O pai dele era uma pessoa bastante abusiva, não lidava bem com ele, não lidava bem com a mãe, não lidava bem com a magia dos dois. E a mãe dele, de certa maneira, era negligente essa situação toda, né.

Até que, é claro, ele conhece Lillian e vai pra Hogwarts e aí tudo começa a mudar, né, Marina? Sim, eu acho que uma abordagem que a gente pode ter do Snape é esse momento pré-Hogwarts, né, que a gente tem um pouco pelas memórias dele. Então, ele conhece a Lillian, que é essa pessoa que, de alguma forma, ele até apadrinha, né, tipo, ele apresenta ali, ó, esse daqui é o mundo bruxo, você aqui nem eu. E aí ele também tem uma hostilidade muito grande com a Petunia, que, até então, era só uma criança, não era uma pessoa que tinha alguma característica odiável, que nem, enfim, no futuro.

E parece muito pra mim que era muito uma reação dele a ela, era muito porque ela era trouxa. E o pai dele era trouxa, o pai dele era uma pessoa ruim, logo, todos os trouxas são pessoas que não devem ser confiáveis, algo meio assim. O que que vocês acham dessa infância dele, que trouxe, basicamente, que formou quem ele é no futuro depois? Inclusive, na segunda memória que aparece dele na infância, ele derruba um galho em cima da cabeça da Petunia, né, e a Petunia vai embora chorando e ele acha muito graça disso.

E ele só fica ofendido porque a Lillian ficou ofendida com ele, com essa ação. E tem também aquela cena em que ele mexe na correspondência da Petunia e fica chocado que ela teve audácia de escrever pra Hogwarts. Então, esse preconceito dele com trouxa sempre foi muito bem raizado, né, provavelmente por causa do pai dele, mas não foi uma coisa que mudou depois que ele conheceu, entre aspas, as propostas do Voldemort. Ele sempre teve isso dentro dele, desde pequeno.

É, porque eu acho que até tem uma questão de que não é necessariamente da pessoa. Por exemplo, ele não tem problema com a Lillian em si, né, porque ela tem magia, mas se alguém não tem magia… É, eu acho que ele alimenta um ódio ao próprio pai e manifesta isso na Petunia e todas as outras pessoas que aparecem ali. E isso vai irradiando pra todas as relações que ele tem com qualquer pessoa não mágica, né?

Sim. Eu acho que o Snape, desde pequeno, ele se odeia, né, porque o pai dele odeia ele, e ele não se enxerga enquanto um ser humano digno de estar ali, de existir, sabe? Errado ele não tava, né? Uma viga!

Começou! Sabe? E… Não, mas então.

E aí ele vai depositando nas outras pessoas, só que falta empatia, né, Tanto que a Marina comentou que ele só vai, ou a Juliana, que ele só vai se sentir mal, porque a Lily se sente mal também, ele não tem noção das consequências dos atos dele, porque ele não sabe, né? Não tem uma punição naquele momento, sabe? Só tem o aquilo, olha, machuquei alguém, quero a próxima de mim, não vou fazer de novo porque eu quero essa pessoa próxima de mim, né? Não é nem porque, não é nem porque ele, Ah, meu Deus, vou demonstrar um sentimento pela Petúnia, porque ela é irmã da Lily.

Não, é porque ele queria Lily perto dele. Eu acho que isso inclusive pauta muito das decisões dele enquanto adulto, né? Não querendo me adiantar na discussão, e não vamos nos adiantar nessa discussão, mas isso pauta muito também, né, a vida dele enquanto adulto. Sim, eu acho que talvez falte uma questão de que, tipo, que tipo de educação ele teve, afinal?

Ele teve algum tipo de educação? Tipo, porque o primeiro contato que a gente tem com o mundo, né, são os nossos pais e principalmente essas crianças bruxas, né? Que tipo, elas não vão pra escola, né? Geralmente pra gente que é trouxa, a gente vai pra escolinha, então a gente também começa a ser moldado pelos nossos colegas, pelos nossos professores.

Ele não tem isso, né? Tipo, ele tá ali e é ele por ele. Então, tipo, é meio difícil realmente também você criar um compasso moral a partir de um Lara que é bem complicado, né? Assim como o do Harry, né, um Lara abusivo, totalmente abusivo.

Total, o que mostra como as pessoas podem seguir caminhos diferentes apesar de terem origens parecidas, né? Uhum. Mas é um início bem difícil. Sim, eu acho que a diferença também um pouco é que o Harry, ele não tinha muito, ele não se espelhava, né, porque eu acho que é natural que a gente se espelhe muito, independentemente do quão próximo a gente é dos nossos pais, a gente se espelha muito, né?

A psicologia, inclusive, fala muito disso, Freud, alô, tá escutando a gente? Mas ali também o Harry, ele não via a Petunia e o Walter como espelho, né? Ele desde cedo sabia que era realmente, eles eram péssimos, né? O Snape, querendo ou não, era o pai dele, né?

Petunia e Walter não eram o pai do Harry, enfim. Eu acho que a mãe dele ter casado com um trouxa já mostra que ela com certeza não foi a pessoa que ensinou ele esse ódio aos trouxas, sabe? Ele já tinha isso enraizado nele por causa do pai, não por causa da mãe, não foi uma coisa ensinada a ele. E com certeza ir pra Sonserina e conviver naquele meio de pessoas todos eram sangue puros, influenciou, né?

Eu fico até pensando que, assim, a Sonserina não necessariamente é uma casa de pessoas que ficam, meu Deus, sangue ruins, meu Deus, sabe? Só que principalmente na época que ele foi pra Hogwarts, né? O Voldemort tava em alto. Sim, sim.

Então, tipo assim, a pior época pra uma pessoa tá na Sonserina, talvez querer se roubar a pessoa era ali, né? Porque todo mundo da sua volta era, tipo, os pais do pessoal que tava lá eram comensais, eram pessoas que iam virar comensais na futura. É, inclusive a Lily fala disso com ele, né, em uma das memórias dele, que os amigos dele já eram comensais e estavam torturando uma nascida trouxa e ele não fazia nada a respeito, então ele tava 100% inserido naquele meio. As convivências dele eram comensais da morte.

A única nascida trouxa que ele não odiava era que ele dizia amar, né? Essa questão da Lillian e do Snape, eles se conheceram basicamente aos 9 anos, né? E eles se tornaram, assim, eu acho que muito mais o Snape pra Lillian do que a Lillian pra ele. Ah, enfim, vocês entenderam.

Válvula de escape um do outro. E eles fantasiavam sobre essa vida maravilhosa que eles seriam em Hogwarts e tudo mais, mas foi eles chegarem no castelo que tudo isso desmoronou, né, gente? A Lillian foi selecionada pra Grifinória, como todo mundo sabe. O Snape foi pra Sonserina.

E, com o tempo, ele passou também a sofrer bullying por parte dos marotos, que eram os amigos da Lillian, da casa da Lillian, né? Especialmente do Tiago, que, enfim, depois virou marido dela. Então, meio que assim, acho que foi uma grande frustração, né? Hogwarts, na verdade, se mostrou ao contrário do que ele imaginava.

Os problemas da escola eram, sei lá, tão ruins quanto o que ele tinha em casa. E aí, enfim, ele ficou totalmente desesperançoso e buscou, talvez nos comensais, uma cura, entre aspas, pra esse sentimento de impotência que ele sentia sobre a própria vida, sabe? Porque ali, naquele grupo, de alguma maneira, ele se sentia incluído e valorizado, sabe? É, ele tava em busca de aceitação, né?

Porque a única pessoa que fornecia essa aceitação pra ele era a Lillian. E chegou uma hora que a aceitação só dela não era o suficiente. Ele queria mais dela e ela não tinha mais nada pra oferecer. E aí ele chamou ela do que chamou e…

bora. Porque ser adolescente, né? É, eu acho que você tem que ter uma noção de si muito forte pra não cair nessas armadilhas, né? De você andar com o pessoal muito errado só porque você quer pertencer e tal.

Quem sabe de si quando é adolescente, né? Obviamente não serveu para o Snape, né? Exato, mas é isso também, né? Tipo, a gente talvez se meter com o pessoal errado, o máximo que a gente vai fazer, sei lá, nossa, vou matar a aula com o ligado agora.

Ele é, vou matar trouxas. Exato, é o nível maior assim. Eu acho que quando o Snape vê que ela foi pra Grifinória, que ele foi pra outra casa, e eu acho que ele é selecionado pra outra casa como… É, não acho não, né?

É uma estratégia da própria J.K. Rowling criar essa dualidade. Mas assim, pensando na história, na própria personalidade do Snape a gente tem isso. Só que essa impotência que o Pedro traz, é justamente a necessidade dele ter poder sobre alguma coisa na vida dele.

E eu acho que esse poder sobre alguma coisa na vida dele, faz com que ele enxergue a Lily como uma propriedade também. Porque ele, na infância pré Hogwarts, ele não teve essa construção, né? E é na infância que a gente tem essa construção de o que é certo, o que é errado, de o que é racismo, de o que é outros tipos de preconceito. E aí, pensando o racismo na saga também, em relação ao sangue puro, injustiços, enfim, e trouxas.

E ele não teve nada disso. Tudo que ele teve foi uma mãe que sofria com o pai, e ele assistia aquele tipo de comportamento, aquelas atitudes que o pai tomava pra ele. Então eu acho que esse comportamento de posse, está muito relacionado também com a relação que o pai dele tinha sobre a mãe. E chegar em Hogwarts e se deparar que ele não era, ele não tinha controle sobre as coisas que ele queria, eu não vou justificar, não justifico o que ele fez.

Mas pode tender a ter esse tipo de comportamento. A gente reproduz os comportamentos que a gente encontra ali no… Olha eu aqui, porque ele é um pagatô na profissão errada, gente. Tem que virar psicanalista.

Mas é porque realmente, gente, eu acho que é um fato, assim, universalmente conhecido de que a gente reproduz comportamentos dos nossos pais, né? Aí que entra a terapia, assim, pra gente meio que, não, essa aqui a gente tá reproduzindo da gente aprendeu enquanto criança, mas mesmo que a gente tenha aprendido ali, não é legal reproduzir, sabe? É, o que me incomoda é que ele teve um exemplo ruim com o pai, só que aí depois ele conheceu a Lily, viu que nem todo mundo era igual ao pai dele, que os nascidos trouxas não eram todos daquele jeito, e a gente não sabe direito o que aconteceu nos primeiros anos dele em Hogwarts, como é que foi o contato dele com outros nascidos trouxas, e porque que ele decidiu fazer da Lily a única exceção, ao contrário de fazer o pai dele a exceção, entendeu? Ele podia ter falado, ok, meu pai é um trouxa bosta, mas nem todo mundo é assim, e o que ele fez foi o contrário, a Lily não é uma bosta, mas tirando ela ninguém mais presta.

É, que eu acho que é inserido total no contexto da Sonserina, né? O que ele ouvia em volta dele o tempo todo era sobre isso, não, porque esses caras não deveriam estar aqui, entendeu? Nada a ver, eles não têm a nossa origem, entendeu? E ao mesmo tempo ele tinha 11 anos, com 11 anos você ainda é muito imaturo, muito infantil, você ainda precisa de muito assim pra você poder até entender meio que o que é certo e errado do ponto de vista de vida e sociedade, sabe?

É, mas nem todo mundo da Sonserina virou o Comensal da Morte, né? Com certeza, com certeza. Mas assim, o ponto que eu fico pensando, né, tipo assim, lembrando a psicanálise, lembrando a minha própria infância, é que tipo assim, o nosso mundo quando a gente é criança é muito pequeno, né? E tipo assim, a gente aceita algumas coisas simplesmente como fatos.

Então eu lembro que quando eu era criança, meu pai dirigia, minha mãe não dirigia. Pra mim não existia uma questão de machismo ou nada do tipo, era tipo, pai dirige e mãe não dirige. Era isso. Aí quando eu vi uma amiga da minha mãe que era mãe dirigindo, eu fiquei, meu Deus, mas mães podem dirigir, porque era isso, tipo, era simplesmente o que eu via e eu aceitava que era isso, sabe?

E isso eu não sei como que, em que época aconteceu com você, mas pode ser, sei lá, os 6 anos de idade, mas também pode ser, sei lá, os 13, 14, sabe? Dependendo da realidade em que a pessoa vive. Não, eu tinha os 6 anos, não era tão… Achei a questão da Líria, que foi um ponto que o Carlos levantou que eu achei interessante, da questão da posse, de tipo assim, de que ali na infância, ali onde eles moravam, tinha os dois ali, só os dois, né?

Tinha petúnicas, as deixei o saco, mas tudo bem. Mas era isso, os melhores amigos, né? BFFs forever e tals. E o Snape tinha toda a tensão da Líria, né?

E aí ele tomou isso como a verdade absoluta, né? De que deveria continuar dessa forma pra sempre. E aí quando ele viu que não era bem assim, principalmente, porque mesmo que eles estivessem na mesma casa, já teria um afastamento pelo fato de que eles não estão mais sozinhos, né? É, o mundo deles cresceu, né?

Aí ela conhece novas pessoas, faz novas amizades, e ele se sente abandonado. E ele não tava preparado pra isso. Pra ter que dividir ela, né? Sim, eu acho que essa separação da J.K.

Rowling das casas é justamente pra reforçar isso, né? É assim, ela era a única, o único exemplo de amizade que ele tinha, o único modelo de amizade que ele tinha, né? Que aconteceu antes de Hogwarts, depois eles vão pra Hogwarts, eles vão pra casas diferentes. Aí, imagina, você só tem uma pessoa na sua vida, você não pode nem contar com seu pai, a tua mãe tá sofrendo.

E aí ela vai pra outra casa e faz outros amigos, e aí os modelos que você tem dentro da sua casa são pessoas que torturam, que matam, que, enfim, são comensais da morte. Eu fico imaginando que tipo de relação essa criança vai ter, né? Porque ela não tem nenhum modelo de nada na vida, além disso que ela mesma construiu. Então ele vê tudo caindo por terra.

E aí é bem importante reforçar que é uma criança mesmo, né? Uma criança é a 11 anos, 12 anos, enfim. Sim, sim. É, eu acho que a gente tem bem a resposta, na verdade, do que acontece com uma criança assim, né?

Pois é. Eu acho que eu particularmente eu consigo, entre aspas, defender o Snape nessa parte, assim, de criança, sabe? Até alguma certa idade. É que eu acho que chega uma certa idade da nossa vida, que a gente adquire uma maturidade, independentemente do meio que a gente cresceu, a gente adquire uma certa maturidade de saber, assim, exatamente o que é certo e o que é errado.

E assim, já não dá mais pra culpar tanto outras pessoas pelos nossos erros, sabe? Não dá mais pra eu, sei lá, com 17, 18, 19 anos, culpar meu pai abusivo por todos os meus erros, por uma vida inteira de, sei lá, sacanagem que eu tô levando agora, que no caso dele, enfim. Foi quando ele se formule em Hogwarts que ele realmente decidiu virar Comensal e realmente tá ali do lado do Voldemort, mesmo real oficial, sabe? Aí que eu começo a ter um pouco de problema, assim, sabe, com ele e eu não consigo mais defender muito, assim.

Pra mim tem um turning point, assim. Eu aceito, mais ou menos, entre aspas, tudo que ele faz até certo ponto de idade, assim. É, eu acho que o grande ponto de ruptura é de fato o momento, né, que ele chama Lily de sangue ruim, que é total pra mim, na hora, um negócio de mecanismo de defesa, né, porque ele tá sentindo, acho que muito humilhado, né, pelo que os marotos fazem ali com ele e tal, e depois chega a Lily pra defender. Acho que ele se sente muito humilhado e aí a forma que ele reage é chamada de sangue ruim, tipo, a única coisa que ele não podia falar.

Ele podia falar qualquer xingamento, cara, eu acho, mas aquilo ali não. E aí eu acho que é o grande momento mesmo, porque a partir do momento que nem a Lily ele tem mais, ele não tem mais nenhum motivo, né, ele já não é uma pessoa com, nossa, melhores morais do mundo, né, e ainda não tem a Lily pra dar uma segurada, que é aquela questão da culpa, né, tipo, não vou fazer isso porque a Lily vai ficar triste, não vou fazer isso porque a Lily, etc. Quando ele não tem mais ela por perto, aí que já era, né. Esse comportamento que ele tem de ódio ao pai, ele internaliza a ponto dele esquecer o que é isso.

Então, as ações que vêm depois, esse comportamento que vem depois, apesar de não justificáveis, tem raiz nesse trauma que ele incorporou, que ele deixou sobre consciente. Mas uma coisa que eu ia falar é que é interessante a gente notar a forma como ele xinga a Lily também, porque o único modelo de reação que ele tem é o modelo sonserino, que é o sangue ruim, que é o modelo de tortura. É aquela criança pré-adolescente, tanto faz, que quando ela não sabe argumentar, e ela não sabe argumentar porque ela é uma criança e muitas vezes elas não são assertivas, é usar uma característica física ou uma característica étnico-racial para poder ferir a pessoa, sabe. E eu acho que foi uma escolha muito bem feita da J.K.

Rowling trazer isso porque é uma análise que a gente, se a gente for olhar uma outra criança qualquer, ela vai ter esse mesmo comportamento, ela vai usar uma característica física para afetar a pessoa. É, o negócio é que a gente tá falando como se o Snape fosse toda uma vítima da situação no começo da história, como se ele fosse totalmente passivo, só que o Snape era uma das pessoas mais inteligentes daquele lugar. Ele, com 16 anos, tava literalmente criando novos feitiços, consertando, corrigindo o livro de porções do sexto ano, sabe. Inclusive, ele tinha tudo para ser um dos melhores professores daquele lugar, porque ele era muito inteligente.

E eu não acho que ele seja passivo em situação nenhuma, eu acho que todas as escolhas dele foram frias e calculistas, na verdade, depois de certa idade. 16 anos não é criança mais, quando ele tinha 11 anos e perdeu a Lily, entre aspas, pra Grifinória, ok, mas depois disso, quando ele via os amigos dele torturando nascidos trouxas, quando ele chama a Lily de sangue ruim, tudo isso ele já tava muito bem consciente da situação que ele se encontrava, de como o mundo bruxo tava na época e da inteligência que ele tinha pra aplicar nessa situação. Eu concordo plenamente. Eu acho que o ponto da virada é a entrega dos Potter, a entrega da profecia, na verdade.

Porque assim, eu acho que até os 16 anos eu consigo ter uma compreensão, não defender. Porque assim, ele continuou sozinho, ele continuou sem o modelo de… ele não teve nenhuma formação psicossocial ali, ele foi isolado por ele mesmo, praticamente, né, porque ele xingou a Lily e depois ele se isolou. E aí os outros amigos que ele tinha eram da Sonserina, talvez eles compactuassem um pouco com isso, isso já não posso afirmar.

É esperado que ele se tornasse inteligente, como você disse, porque ele ficou sozinho. O que você faz quando você não tem ninguém, sabe? Você vai achar uma válvula de escape, né, e a válvula de escape era justamente esse tipo de formação pra ele, que era a formação intelectual. Só que ao mesmo tempo ele continuou sem nenhuma formação psicossocial.

O que ele tinha no começo da adolescência, ele continuou tendo depois e foi internalizando esse ódio cada vez mais. É, eu acho que é exatamente isso, assim, que vai mudando tudo, né, como você disse, o ponto de virada é ali a profecia, realmente. Beleza, ele escuta a profecia e a partir do momento que… Ele se afilia ao Valdemort, digamos assim, a Lillian não aprova, mas ele não tá nem aí, porque foda-se a Lillian.

A amizade enfraquece ainda mais, mas a partir do momento que ele sabe que a Lillian tá em risco, ele, entre aspas, volta atrás. Só que assim, eu acho bastante interessante a gente discutir, a gente tentar entender o porquê ele voltou atrás, né? Ele voltou atrás porque ele realmente, enquanto pessoa, ele viu que aquilo que o Valdemort fazia, ele viu que, enfim, tudo que tava acontecendo era errado, ou ele voltou atrás simplesmente porque ele tinha um remorso, ou porque, enfim, por uma questão muito egoísta até, sabe? Ele não tava preocupado com o mundo bruxo, ele não tava preocupado com a população ali dos bruxos, sabe?

Ele tava preocupado com ele, no fim das contas, né? Isso é complicado. É, eu acho que, assim, como uma pessoa formada em cinema, falando em pontos de virada, seguindo uma coisa meio padrão de um roteiro, né, que você tem, basicamente, três pontos ali que a história muda de alguma forma. Então, pra mim, é isso.

O primeiro ponto de virada é quando ele chama a Lilian de sangue ruim e tem o rompimento da amizade deles, que até então a Lilian tentava, né? Mesmo o pessoal, tipo, meu, você tá andando com esse cara, etc. Ela tava tentando. Chama de sangue ruim, eles rompem, e aí, pra mim, ao que parece, ele ativamente começa a virar um comensal, né?

Aí, o segundo ponto de virada, que, como Carlos disse, é o momento ali da profecia, que ele decide que acaba mudando de lado, né? Seja por qual motivo que a gente vai discutir. E aí, o terceiro momento, que é o clímax do negócio, é quando ele revela tudo, né? E morrem ali pra, mais uma vez, pra conseguir salvar o Harry, pra passar as memórias pro Harry saber o que ele tinha que fazer da vida.

Então, pra mim, são esses três momentos que eu acho que são os mais cruciais, né? Da vida dele, enquanto os caminhos que ele seguiu, basicamente. Quer dizer, o terceiro ponto, o caminho que ele seguiu foi a mesma morte, né? Não teve mais nada depois daquilo.

Graças a Deus. Mas teve a memória, né? Que ele se tornou pro mundo bruxo e pro Harry. Esses três pontos, eu acho, basicamente.

Eu acho que essa relação do Snape entregar a Lillian, tá trilada a posse de novo. Acho que os três momentos em que ele ofende a Lillian, de alguma forma, é esse auto-sentimento, essa auto-indulgência que ele tem, né? No começo lá do galho, ele se sente mal, porque a Lillian se sente mal e a Lillian é uma propriedade dele. Depois, ele chama a Lillian de ruim, ela fica muito mal se afasta dele, ele se sente mal, porque ele fez alguma coisa errada e perdeu a posse dela de novo.

E no terceiro momento, ele percebe tudo que ele causou ali e ele entende que ele não vai ter ela de volta, porque o Lord Voldemort não tá nem aí pra isso. E eu acho que é esse o sentimento de putz, o que que eu fiz e como que eu resolvo isso agora pra eu ter ela de volta pra mim. E continua sendo egoísta, né? Porque, enfim, exatamente.

Eu quero resolver porque eu quero ter ela de volta pra mim, não é porque eu quero ajudar um mundo bruxo, nem nada. Sim. Inclusive, ele fala com o Dumbledore, tipo, se matar o Tiago e a criança, tudo bem pra mim. E aí até o Dumbledore fala com ele, que tem nojo da reação que ele tá tendo.

Porque a única coisa que ele queria que o Voldemort poupasse é a Lillian, né? A única, ele não ligou pra profecia, ele não ligou pro que significava, se outros trouxas pagariam a pena por causa daquilo. É, esse diálogo é um diálogo que, assim, eu até arrepio, assim, né? Porque o Dumbledore basicamente chega e fala assim, mas, meu, se ela significa tanto assim pra você, certamente o Voldemort vai poupá-la, não vai?

Você não poderia pedir pra ele misericórdia, já que a profecia fala só da criança e não da mãe? Aí ele, ah, eu pedi, né? Eu pedi a ele. Aí o Dumbledore, você me dá nojo, sabe?

Todos desprezando, assim, o Snape. E aí o Dumbledore literalmente vai lá e fala o que a Ju fala. Lembra, você não se importa com a morte do marido e do filho dela? Eles podem morrer, desde que você tenha o que você quer.

De novo essa questão da posse. E aí o Snape não diz nada, e aí ele meio que, ah, esconda os todos, então. Mantenha ela, gente, abre aspas, mantenha ela, eles, em segurança. Então, tipo assim, ele deixa bem claro que ele tá como o Carlos falou.

Ele quer a posse da Lillian e mais nada, sabe? Não é um ato benevolente na minha interpretação. É um ato de egoísmo de querer manter a posse sobre a pessoa que ele sempre achou que ele tinha posse. É um negócio muito, tipo, falta, não tem nem um tipo de empatia por nada, né?

Tipo assim, gente, o Harry é um bebê, é um bebê, tá ligado? Não tem nada a ver com isso, entendeu? Não tem nada a ver com história. Eu acho que inclusive tem até aquela imagem, né, que tem no filme que é de ele encontrando o corpo da Lillian morto, e aí ele abraça e tá chorando horrores, tá tipo o bebê atrás, né?

É, e depois ele vira as costas e vai embora, porque quem acha o Harry é o Hagrid, né? Sim. Eu sei que esse é o ponto mais debatível, mas pra mim todas as boas ações do Snape foram egoístas, ele não se tornou um herói em momento algum. Tudo que ele fez foi por ele mesmo, assim.

Até o final dele foi totalmente egoísta. Mas você não acha que essas ações egoístas só foram enraizadas? Se tem justificativa pras coisas que ele fez? Não, eu não disse isso, eu disse enraizadas.

Tipo do pai dele e tal? Lembra que eu comentei que essa falta de empatia vem da construção da infância, ele continua com essa falta de empatia internalizada. Ah, mas aí já é um quadro de psicopatia que ele mostra, né? Porque a única pessoa que ele diz amar, que na verdade ele não amou, ele tinha um sentimento de posse em direção a ela, que foi o que a gente já discutiu aqui, foi a única pessoa que ele se importou a vida inteira.

Se você não tem um sentimento bom a ninguém, aí já é um quadro de psicopatia. Aqui eu acho meio provável, né? É que assim, eu não gosto muito de tirar responsabilidade pelas ações das pessoas. Tipo assim, então o cara é psicopata, um sociopata, isso meio que tipo, ele é dessa forma, logo ele não tem capacidade.

É arrumar desculpa, né? É, tipo, não é necessariamente uma desculpa, mas é algo que tira um pouco da responsabilidade da pessoa, enquanto escolhas, né? O ponto principal, eu acho que tipo, ele era um comensal, entendeu? Ele estava ali matando, estava ali torturando, estava ali fazendo todo o rolê, em nenhum momento.

Ele não era uma pessoa só passiva, né? Que nem ele era quando ele estava na escola, que os amiguinhos dele estavam torturando e ele estava lá, não torturava, mas também não fazia nada, o que já é errado, mas não é tão ruim quanto. Porque ficar em cima do muro é tão malado, né? No fim das contas.

É, sim, com toda certeza, mas não era tão ruim quanto, né? Então você não está fazendo o negócio. E aí ele ativamente é um comensal da morte, aí vem a profe, se entrega para o Vaughn, eu acho que ele não sabia que era esse velho, ou seja, ele estava se importando que uma criança ia morrer. E bom, ele não se pode com a criança nem quando ela é filha da Lily, imagina ser uma criança aleatória, né?

Mas ele odeia o Harry porque ele é filho do Tiago também. Ah não, total. Ele odeia o Tiago com todos os esforços. Eu entendo muito o que o Carlos disse, mas ao mesmo tempo eu também, eu fico um pouco pendendo por lado do que a Marina disse, porque assim, se a gente for pensar em atos das nossas vidas e das vidas de pessoas que convivem com a gente da sociedade, não é porque você cresceu dentro de uma casa onde o seu pai, sei lá, o seu irmão era machista pra caralho, que você pode ser machista com os outros, entendeu?

É isso que eu falo, chega um momento da sua vida que você precisa de alguma maneira, com terapia ou simplesmente quebrando a cara, você precisa melhorar, sabe? E aí assim, ele não melhora. O foda é isso, ele não melhora nunca. Então parece que a partir de algum momento ele literalmente não queria melhorar, sabe?

Beleza, você vai ficar culpando o seu passado até quando, sabe? Você teve uma terapia ali? Tinha terapia em Hogwarts? Não tinha, a Madame Pumphrey provavelmente ia mandar ele pastar.

Mas assim, gente, até quando, até que ponto a gente pode usar isso assim pra ficar tentando entender esses atos de covardia, de ficar em cima do muro e não fazer nada, de ativamente fazer mal contra as outras pessoas e de quando vai fazer bem na realidade só tá fazendo bem porque quer manter um sentimento de posse sobre outra pessoa? Então até que ponto, assim, eu particularmente é isso. Eu queria saber de vocês. Eu entendo até adolescência, passou, virou adulto, meu, melhora, sabe?

Minimamente. Eu não entendo de forma alguma. Talvez se eu fizer muita força eu posso falar da infância dele, sabe? Mas pra mim não tem justificativa.

Inclusive depois que ele vira adulto, né? Quando ele é um professor e ele escolhe torturar crianças em que ele tem uma posição, uma posição de poder acima dessas crianças e ele escolhe torturar essas crianças, não tem nada no mundo que justifique. Então, gente, eu não tô defendendo o Snape, juro pra vocês, não tô defendendo. Não, não.

Fica tranquilo que a gente entende que no caso é a posição que você vai tomar porque todas as outras pessoas estão falando mal. É, e tem que haver um contraponto, né? Se não, a gente vai ficar aqui simplesmente, né? É porque eu defendia também até o início, agora eu já não defendo mais, agora eu fico só com você.

Beijos. Não, eu não tô defendendo. É mais assim, o meu entendimento é os atos da infância criaram condições pra que ele desenvolvesse outros atos na adolescência e outros atos na vida adulta. Não teve terapia, beleza, é psicopata, beleza.

É culpado? Com certeza. Tem que pagar? Com certeza.

Mas essa análise que eu tô fazendo com vocês, eu acho que eu nunca fiz antes na minha vida. Que é a seguinte, essa relação de posse, essa relação de poder que ele tinha sobre a Lily, depois ele vai exercer novamente essa relação de poder com os alunos. Eu acho que ele se vê nesse ciclo. E aí, essa minha necessidade de trazer esse aspecto desses marcos de consciência que ele tem e de traumas que ele vai desenvolvendo com ele mesmo, ou não sei se são traumas, mas enfim.

É uma construção do personagem, né? E é por isso que eu trago isso. Acho que se fosse uma pessoa da vida real, talvez eu não parasse pra falar assim ai, mas ele tinha tal coisa na infância, então ele não é culpado por isso, então ai, então ele tá agindo assim porque ele teve tal coisa na infância. Mas eu acho que a construção que a J.K.

Rowling traz pra ele, é justamente pra que a gente enxergue ele dessa forma, que a gente passe a odiar ele cada vez mais. E agora parando pra analisar, eu percebo quão bem ela foi construindo essa relação de anti-herói mesmo, de odeio, odeio para sempre. Ele tá ali pra poder, sei lá, dar um rumo indecente pra algumas situações, ou decente, ou enfim. É, acho que ainda mais porque o negócio é pelo ponto difícil do Harry, né?

E até o recurso que ela utiliza no primeiro filme, o Snape é muito bodyspiatório, né? Tipo assim, o Harry acha muito que é ele, então ele nem considera o Quill. Também que o Harry não é a pessoa mais dirigente do universo, né? Mas assim, ele nem considera outras pessoas, porque pra ele é muito claro que o Snape é o bad guy.

Eu entendo tudo isso que vocês estão falando em relação a narrativa e tudo mais, mas ao mesmo tempo eu consigo muito imaginar pessoas que teriam atitudes muito iguais e parecidas e semelhantes a do Snape, sabe? Então eu consigo interpretar ele de alguma maneira como… É que é estranho que a gente tá discutindo há 40 minutos um personagem, é como se fosse uma pessoa, no fim das contas, né? Tipo…

Eu não sei se é uma pessoa. Por quê? Porque assim, pra mim parece que a J.K. Rowling às vezes é quando ela pega tudo de ruim e bota numa pessoa só, sabe?

Uma coisa que eu percebo na escrita dela é que quando ela quer reforçar uma característica, ela faz de tudo pra reforçar essa característica. Não só no Snape, mas em outros personagens, principalmente secundários. Mas o que eu ia dizer é… O que eu vejo no Snape é uma racionalidade instrumental.

Que é esse agir… É o agir apenas pela razão sem entender o que é a emoção que tá envolvida ali, né? Porque ele não teve esse entendimento da emoção. Eu discordo um pouco.

Eu discordo um pouco no sentido… E aí, pra falar sobre isso, eu acho que a gente já tem que trazer essa questão do Snape enquanto professor, né? É… Enfim…

Snape escolheu a profissão errada, basicamente. Porque é isso que a Ju também já trouxe. Ele era a pessoa que basicamente zombava que tinha problemas com a auto-imagem, que era Hermione, né? O maior medo, gente, eu acho que isso é muito…

Isso diz muito sobre quem era o Snape enquanto professor. A gente pensar que o maior medo do Neville, um menino que não tem os pais e um menino que perdeu os pais basicamente sendo torturados, que chegaram à loucura, que estão lá internados no hospital loucos… Não sei nem se eu posso usar essa palavra, mas enfim, delirando. Talvez a palavra seja essa.

E o maior medo dele era o professor, sabe? Eu acho que essa cena, pra mim, resume toda a personalidade do Snape. Como que você não tem o mínimo de noção, beleza? Você não precisa ser a pessoa mais, assim, com a melhor infância, com os melhores backgrounds, mas, assim, é o básico, sabe?

Parece que ele faz… Parece não. Ele faz de propósito, sabe? Ele identifica as fraquezas de cada aluno e ataca.

É, tanto que se ele só maltratasse o Harry durante toda a saga, a gente ainda ia conseguir falar, ah, tudo bem, ele odiava o Tiago, é por causa disso. Se ele só tratasse mal a Hermione, a gente ia falar, ah, ok, ela nasceu trouxa, porque ele tem se raizado nele. E ela é amiga do Harry, né? É, mas o Neville, o que ele faz com o Neville, é absurdo.

Primeiro, o Neville é sangue puro, então ele não tem isso aí como desculpa. O Neville, ok, não é da Sonserina, mas nunca fez nada pra ir contra o Snape, nunca maltratou ninguém na casa dele pra ele tomar uma posição defensiva. Ele só odiava o menino e é isso aí. Porque era fácil, né?

Uma criança que já era super insegura, que já não tinha muita certeza que tava ali, tinha até dúvida se merecia estar na casa que tava ou não. É fácil, né? Gente, ele ameaça envenenar o sapo do menino, só porque o menino não tá indo bem na aula, sabe? Por favor, pelo amor de Deus.

Chamava o menino de idiota na frente dos colegas todos, sabe? Teve uma ocasião que inclusive na frente de um outro professor, se não me engano, Lupin, que ele falava, nossa, não, esse aqui você não conta com ele não, porque ele é um zero esquerda, sabe? Então assim, é complicado, né? Eu retomo num ponto, Pedro, que assim, eu concordo com você.

Ele não é um bom professor, e eu sou professor. Eu espero que seja um professor melhor que o Snape mil vezes. Ele não é um bom professor, mas não sei, né? A gente tem que ver por que ele tá ali como um professor.

E aí, eu volto naquele ponto que eu disse. É porque Deus quis, né? E Deus, nesse caso, é de K. Rowling.

Por que ela quis que ele fosse professor? Porque assim, não faz… Olhando, olhando, não faz sentido nenhum ele ser professor. Acho que nem ele teria escolhido ser professor.

A única coisa que eu tenho pra acrescentar, assim, é que eu acho que faz sentido ele ser professor justamente porque ele tem essa síndrome de poder e de posse muito grande nele. Ele tem essa vontade de controlar as pessoas, então faz sentido que ele tenha uma sala de aula na palma da mão. E não me parece que existe um curso de pedagogia, né? No mundo bruxo.

No sentido de que, tipo, ele é muito inteligente, né? Como a gente já falou, mas a pessoa saber fazer o rolê, não quer dizer que ela sabe ensinar, né? E as pessoas nesse mundo parece que elas não têm uma preparação além, né? De simplesmente saber o assunto, sabe?

Tipo, amá-los, licenciatura, né? Qualquer coisa assim. Hogwarts é uma escola problemática pra um caralho, né? Dumbledore, puta que pariu.

Moço, o senhor não estava olhando pra nada do que acontecia nessa escola. Nada, ele devia achar graça. É, devia achar graça, mas ao mesmo tempo… A gente ainda vai fazer o episódio falando sobre o Dumbledore, tá, gente?

Nos aguardem. Mas enfim, ao mesmo tempo, cara, eu entendo que, assim, muito provavelmente o Dumbledore queria ele como professor, independentemente do que ele achava, do que o Snape achava, porque ele queria ter o Snape ali do lado dele, porque ele não confiava no Snape, no final das contas. Sim. E ele precisava do Snape pra poder, enfim, se infiltrar no rolê do Voldemort.

E isso realmente fez muita diferença, né? Entre aspas, né? Porque, enfim, no final das contas… Quem descobriu lá o negócio da Zer Crux e tudo mais não foi o Snape.

Enfim. Mas o ponto, eu acho que, assim, o Snape, ele era muito inteligente, ele era muito capacitado, tecnicamente falando. Então, assim, se ele não quisesse ser professor, ele com certeza teria os melhores noms e nians possíveis pra ser o que ele quisesse ser no Ministério da Magia, enfim. Então, assim, eu entro um pouco naquilo, né?

Uma coisa é você trabalhar com o que você não gosta quando você não tem essa possibilidade. Isso acontece muito no nosso mundo real no dia a dia. Mas o Snape, pelo que eu entendo do mundo bruxo, basta você ser bom e tirar uma boa nota que você escolhe o que você quer fazer. Então, assim, ele tinha escolha pra fazer outra coisa, né, gente?

É. Eu acho que pega mais forte essa questão mesmo de que o Dumbledore aquele por perto e não confiava. Então, assim, é isso, tipo, ele deu a vaga de professor pro Snape, mas não deixou ele ser professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, quem ele já ficou. Aí já é demais, né?

Aí eu acho que já é. Já é o nível aqui do bar. Torturar aluno, ok. Agora ser professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, não.

Exato. Torturar aluno em aula, né, pelo amor de Deus. É. Envenenar o bicho do menino no meio da aula, ok.

Mas ensinar eles a fazerem um patrono? Jamais. É, e aí, ao mesmo tempo, né? Mesmo que você esteja ali, assim, a gente vê muito pessoas que são muito infelizes com o próprio trabalho.

Até que ponto justifica, assim, sabe, que, enfim, aparentemente não existia processo no mundo bruxo, né? Nenhum. Mas, assim, até que ponto justifica, né? E não só com os alunos, né, gente?

Ele ali enquanto professor, enquanto funcionário de Hogwarts, ele era uma pessoa horrível com outras… Com outros funcionários, né? Então, por exemplo, ele basicamente entregou a alicantropia do Filch. Meu Deus, não adiantou, gente.

A alicantropia do Filch. A alicantropia do Lupin, meu Deus. Spoiler de Cursed Child Part 2 aqui. Então é isso, tipo, ele era péssimo dentro de Hogwarts, sabe?

Não só com os alunos. É, eu acho que essa coisa da alicantropia do Lupin, né? Tipo, assim, que é uma questão que era o segredo mais bem guardado da vida dele, né? Tipo, o cara sempre viveu ali meio reclusão em uma coisa, assim.

E aí o Snape, tipo, simplesmente… Acho que uma coisa principal do Snape é que ele não consegue superar as coisas, tá ligado? Tipo, assim, cara, eles eram adolescentes, os marotos, eram escrotos, né? O Lupin não fazia nada, mas assistia e deixava, sim, continuava sendo escroto.

Mas assim, cara, quantos anos faz isso, tá ligado? Todo mundo é adulto. É, e como se você não tivesse assistido seus amigos torturar os outros e ficasse lá em cima do muro igual o Lupin ficava com você, né, nesse caso? Exato, e aí você vai lá e você vai liberar pra imprensa que o cara é um dos homens, sabendo, sabe, a consequência que isso tem, tipo, assim…

Nossa, isso é uma coisa que eu acho que eu tinha até esquecido de colocar na pauta, mas é muito absurdo, sabe? Tipo, meu, supera as coisas pelo amor de Deus, cara. Por falar em superar as coisas, o patrono dele tá aí pra provar que ele não consegue superar nada, né? Essa questão do Lupin, inclusive, Marina, vale lembrar que foi esse emprego de professor em Hogwarts, foi o único emprego que o Lupin conseguiu na vida inteira.

Porque a gente, às vezes, não se toca, né? Mas licantropia no mundo bruxo, ela seria… Não vou nem fazer comparações porque isso não é justo, isso não é legal, mas o ponto é, seria uma coisa muito forte no nosso mundo, sabe? Tipo, é muito, muito, muito forte, sabe?

Pro cara não conseguir nenhum emprego na vida inteira. Aí o único emprego que ele consegue é o Snape vai lá e destrói, revelando que ele era um lobo, um lobisomem. Um bosta, um bosta esse homem. Pra…

na minha cabeça, ele tinha esse ódio alimentado pelo Lupin, enfim, da época de infância, que é isso que a Marina falou mesmo, o homem não supera, né? Tanto que o patrono dele é o patrono dele, enfim. Mas ele também queria a vaga de professor de defesa do cargo. É contra as artes das trevas, né?

Querendo ou não, ele queria essa vaga também. Ou seja, além de cruel, antiético. Ele era o ego, era a questão do egoísta mesmo. Tipo, é…

eu preciso disso, eu quero ter isso, sabe? Tipo, é um comportamento. Por isso que eu falo que quando a J.C. Rowling coloca uma característica assim, ela reforça até onde não dá mais.

E eu não consigo dissociar isso dela, porque eu não consigo… Eu não consigo fazer essa relação que vocês trazem, sabe? Tipo, ai, podia ser uma pessoa real. Na minha cabeça, tipo, é um personagem construído pela J.C.

Rowling. E aí eu vou tentando entender por que que ela foi colocando esses tipos de comportamento. Não justificar o ato dele em si, mas justificar por que que ela colocou isso na história. Ai, mas ele não se ajuda, né?

Não, com certeza. Eu acho que essa questão do ranço, né? Comentando essa questão do ranço. O Harry tinha muito ranço realmente do Snape, e ele incentivava esse ranço.

Aí vocês poderiam me dizer, inclusive, ah, mas o Snape tinha que fingir pra todo mundo que ele não gostava do Harry, que ele odiava o Harry, que ele tava tentando atrapalhar o Harry dentro de Hogwarts, porque fazia parte do papel dele, do teatrinho dele. Nossa, eu vejo muito o pessoal fazendo essa justificativa, velho. Só que é num nível que exagera, sabe? É num nível que assim, não tem ninguém olhando, ele quer ser cruel com o menino porque ele quer, sabe?

Então eu acho que na realidade, ele aproveita que ele tem que ser, entre aspas, essa pessoa que usou a Ana com o Harry, e aí ele aproveita o ranço que ele tem pelo Thiago e desconta mais ainda, sabe? Porque ele sabe que o Dumbledore vai deixar ele descontar porque faz parte do jogo, entendeu? Inclusive, gente, eu vou falar uma coisa assim, então se livres pra me corrigir. Mas pra mim, ele nem precisava ser cruel com o Harry.

Primeiro que quando o Harry chegou em Hogwarts, ele nem sabia que o Voldemort ia voltar. Ele não confiava nisso. E aí, quando o Voldemort voltou, já tinha anos que ele tava maltratando o menino, se ele tivesse sido bom pro menino durante esse tempo todo, porque ele era o filho da Lily e tal, e aí o Voldemort ia falar, aí, Snape, tá tratando bem o menino por quê? Ah, mestre, porque eu quero que ele confie em mim.

Voldemort ia falar, beleza, isso aí, valeu. E ele fez, ele tomou o caminho contrário, entendeu? Ele escolheu ser mal porque ele não gostava do menino. Ele não deu nem chance.

E não dá nem pra falar assim, nossa, mas o Voldemort como um excelente, enfim, leitor de mentes leria a mente dele. Não que o Snape também manja muito disso, né? Então, daria pra passar tranquil… Como ele passou, né?

Ele tava enganando, o Voldemort passava. Inclusive, de toda essa conversa aqui, se a gente adicionar o fato dele ser um bom legilimens, tipo, muda o tom de tudo isso, porque ele tava super consciente do Neville, super consciente do Hermione, super consciente da Lily, ele tava super consciente de todo mundo enquanto ele fazia essas coisas. Mas ele não tava super consciente da relação emocional. Ele não tem, gente, ele não tem essa relação emocional.

Não é certo, mas por mais que ele estivesse consciente, ele não entende o que o outro sente. Falta empatia, falta alteridade. Na racionalidade mais pura do mundo, seria possível entender que aquilo que ele tá fazendo é muito ruim, né? E mesmo assim…

É. E eu não acho que ele… Eu acho indefensável falar que ele tava sendo mal com o Harry, porque era o papel dele, não sei o que lá é. Tava fazendo mal com o Harry, porque ele não gostava do Harry, nunca gostou do Harry, queria o Harry morto.

O Harry lembra muito o Thiago, e enfim, eu acho que aí é o outro motivo pra explicar por que ele defende o Harry durante todos esses anos, mas… E aí a gente entra num ponto muito interessante, né? Que quando ele descobriu que o Harry teria que morrer, ele ficou assim, abismado, né? Mas oxi, por quê?

Você nem gosta do menino, Phil. Eu acho que ele só ficou assim, meu Deus, a Lily morreu em vão. Não era por causa do Harry em si. É, então, morreu em vão, e também acho muita questão de tipo assim, meu, eu tô aguentando esse moleque, tá ligado?

Há seis anos, sei lá. Tô protegendo ele pro que for. E aí é pra ele morrer no final? Não acredito que eu perdi o meu tempo suportando esse menino que eu odeio.

Entendeu? Pra ele morrer. Se fosse assim, morria logo, né? Pra outra pessoa ter a honra de matar ele por mim.

É, não acho que ele chega tanto, mas aí eu acho que é meio uma frustração, tá ligado? E é o que ele fala, o grande momento, né? De várias tatuagens, enfim. E ele fala, você se afeiçoou pelo menino?

O Dumbledore pergunta. Ele fala, não. E aí vai lá, faz o feitiço, Always, não sei o quê. E pra mostrar, tipo, o ponto é a Lilian, cara.

Tipo, sempre foi a Lilian, vai continuar sendo a Lilian. Não tem empatia por esse moleque não, Deus me liga. Sou obrigado a ter empatia. E o moleque ainda vai lá e coloca o nome dele no filho, né?

É, não, eu acho que a Juliana trouxe a explicação excelente, e a Marina ainda fez as pessoas se arrependerem de ter tatuado o Always no braço, né? Eu acho que é isso, gente. Nesse momento não tava claro, porque é o ponto de vista do Harry de perdão, personagem que tem que ser arrebatador, né? Mas faltou esse entendimento.

Ele queria você morto o tempo todo. Você não morreu no começo, ele teve que proteger você até agora, agora você vai morrer. Por que não morreu você lá no começo e a Lily ficou viva? Ou seja, egoísta mais uma vez.

Né? Gente, pra mim, o único defeito da Gina foi ter deixado o Harry escolher o nome desses crianças. Isso leva a gente a um ponto muito importante, Ju. Porque como justamente é pelo ponto de vista do Harry que a gente enxerga toda a história, e o ponto de vista do Harry basicamente ele perdoa o Snape, né?

Não só perdoa, como homenageia o Snape, dando assim o nome pro filho, né? E aí eu acho que o que acontece um pouco é que muita gente, muitos leitores, com esse perdão do Harry, por serem, entre aspas, influenciados pelo ponto de vista do Harry, passam a enxergar o Snape como um herói, do nada. Se sentem validados pra perdoar também, né? Sim.

Gente, por favor, melhorem. Não, e aí eu acho que isso que traz a questão que o Carlos tá levantando, que eu acho que é o principal e que a gente talvez tenha que ver se é um erro ou não. Não sei se erro é a palavra certa, mas é o seguinte. Ok, a gente odeia o Snape durante todos os níveis e aí no final tem as memórias, tem que ter seu nome em redenção, o Harry se sente muito grato, perdoa ele e homenageia ele, né?

Dos homens mais corajosos que ele conheceu. Então, isso não é um questionamento. A J.K. Rowling, enquanto autora, acredita que o Snape se retomiu, então?

Porque ela tá levando o leitor a querer isso, né? Sim, e tanto que naquela série de tweets que ela fazia todo aniversário da Batalha de Hogwarts, em uma ela pediu desculpas por ter matado o Snape, né? Então, na minha… E ela já disse alguma vez, se eu não me engano, não lembro quando, que pra ela o Snape não era nem herói nem vilão.

Então, acho que ela deu uma perdoada aí, deu uma passada de pano bacana. É, porque o que me preocupa, tanto nessa questão do Snape quanto o Dumbledore, é que é isso, é que parece que ela acredita que, no fim, eles são merecedores de homenagem. Sim. Tipo, você colocar nome em rua, nome de general, sabe?

Nome de torturador de ditadura. É, exato. Não, é, exato. Mas eu também não vejo o Snape como herói nem vilão.

Eu sempre vi ele com a mão de herói, mas eu vejo ele como um ponto necessário pra narrativa. Por isso que eu tento entender os comportamentos que ele tem, que a J.K. Rowling escolheu pra ele. Mas realmente, eu não sei porque que ela, no final…

Talvez ela precisasse desse arrebatamento, mas eu não sei se ela fez muito bem, assim. Não questionando as habilidades descritas dela, porque eu não teria feito nem metade do que ela fez em uma página, mas olhando agora não faz sentido. Mas é que eu acho que não dá pra fazer bem feito, né? Eu acho que é muito interessante, assim, né?

Porque você falou assim, a J.K. Rowling é uma pessoa que foi lá e ficou fazendo o Snape ser essa pessoa que reforçava as questões ruins dele, mas aí, no final, ela vai lá e elogia ele e batiza o menino e fala no Twitter que ele pede desculpa pela morte. Então, assim, eu fico pensando… Peraí, a J.K.

Rowling, eu acho que, na real, ela é meio fanzinha do Snape, sabe? Ela é Snape fan. Ela compra essa história toda. Então, pra mim, me parece meio que ela acredita nisso também, sabe?

Se ela fez todas as coisas meio que tornando ele, né? Tipo, se não um herói é uma pessoa que se sacrificou tanto e tal… Um mártir, né? É um mártir, com certeza.

Ela perdoou e a managiou e, tipo… Enfim, até então, a gente não sabia que a J.K. Rowling tinha uma moral tão questionável. Eu fico meio preocupada, entendeu?

Pensando. Agora, tudo tá explicado. Tudo faz sentido. Pra defender o Snape, tem que ter uma moral questionável.

É, sei lá, tipo, dela achar… Por que é isso, mano? O Harry… Porque eu consigo entender o ponto de vista do Harry, porque o Harry não é uma pessoa muito inteligente.

Ele é limitado. Sim. Obrigado. Então, por ser limitado, então eu entendo dele ver aquilo e falar, meu Deus, esse cara é legal.

O nosso Dumbledore, que cara legal. Esqueci de mim. Me criou como porco para bate, etc. Ele esquece.

Ele só fica aí que é uma pessoa bacana, né? E aí ele vai lá e eu homenagei, sabe? Meu Deus, isso é muito a cara do Harry. Então eu entendo.

Só que o ponto é que, como é pelo ponto de vista do Harry, né? E quem tá escrevendo é a J.K. Rowling, então parece pra mim que ela meio que concorda com isso, porque é a mensagem que fica. Eu, quando criança, pelo menos quando eu li, eu super comprei.

Aí só depois, quando eu cresci e amadureci, esse ponto foi sendo levantado, que eu parei pra pensar de que, na real, a cara continua sendo uma pessoa ruim. Mesmo que os seus atos serem bons, não significa que você é uma pessoa boa. Total. Eu acho que a J.K.

Rowling se envolveu tanto na história, mas ela é a típica cristã que acredita na verdade e na salvação, né? De alguma forma. Eu nem sei se ela é cristã de verdade, mas na minha cabeça ela é. E acredita na verdade e na salvação.

Então o entendimento que o Harry tem pra perdoar o Snape é o que ela vai construindo na série toda e acha que a gente vai comprar e analisando todo o podcast. Agora a gente acabou não comprando, né? Porque assim, é aquela coisa que eu venho batendo aqui. Falta de empatia, relação de poder, relação de posse, sofreu.

Tudo isso tá atrelado à infância que ele teve também. Aí quando o Harry enxerga tudo isso, ele acha que é perdoável, porque tá justificável de alguma forma. Então os fins justificam os meios, ou os começos também, nesse caso. Mas, entendeu?

Então é muito nesse sentido, é bem maquiavelico, não sei. É o príncipe, né? Total. É o príncipe.

Ai, nem me deixa começar sobre o príncipe. O príncipe mexista. Meu Deus, que homem que se acha. A gente fica falando coitado.

Nunca teve nada na infância. Usava aquelas roupas véia. E aí ele, ô príncipe. Ah, mas aí nesse caso ele só fez uma piadoca, né?

Tipo, já que a mãe dele é a príncipe. Eu não achei graça nenhuma na piadoca dele. E era a única coisa que ele tinha também, né, gente? O nome, né?

É. A única coisa que ele tinha era o nome bruxo. A única riqueza. Por isso que ele se vê assim, meu Deus, príncipe.

Que era? E era um príncipe, né? Porque era filho único. Tem essa questão de nunca teve ninguém pra brigar.

Não teve nenhum irmão pra brigar. Ai, faltou um irmão pro Snape, né? Basicamente, assim. Pra dar uns tapas na cabeça dele, né?

Tipo, igual teve, sei lá, sabe? Os blacks tinham, eles eram irmãos. O Ciro tinha o irmão dele, enfim. Então faltou, assim, né?

Basicamente, faltou. É o pé… Gente, se o Snape tivesse um irmão, pronto. Teria resolvido.

Aqui. Exato, não precisa de terapia. Ah, mas o Dumbledore, o Alvo tinha… O irmão dele quebrou o nariz dele e ele ainda cresceu pra…

Transformar crianças em porco pra bate, né? Então, tudo é questionável aí. Foda. Então é isso, gente.

Eu acho que depois dessa longa explanação e dessa longa discussão que a gente teve, nada mais justo do que a gente simplificar essa discussão toda, extremamente complexa, numa resposta de sim e não, né? Então, assim, gente, depois de tudo que a gente discutiu, depois de ler Harry Potter dez mil vezes, enfim, vocês acreditam na redenção do Snape, vocês curtem o Snape, ou vocês são haters do Snape. Vamos simplificar bem ao máximo, assim, começando por mim. Não suporto.

Pra mim, o melhor acontecimento da saga foi a morte dele. Foi tarde. Que pesado! Próximo.

Sem palavras, gente. Eu culpo o Snape, mas acho ele necessário pra série. E, Pedro, você tá na minha lista a partir de agora. Não, é isso.

Não perdoo, não tenho paciência, mas é legal que a gente sempre pode discutir e passar raiva, né? Então é isso bacana. É, um personagem bem escrito, só é… Suportável.

Né? Que bom, né? Que pelo menos ele rendeu a gente um podcast inteiro e um podcast muito bom. É isso.

Obrigado, Snape, por ser escroto e render nos um podcast… Mas ser escroto, mas ao mesmo tempo que faz coisas ali, entre aspas, boas, pra render um podcast pra gente, né? Tudo. Quase falei ícone, só que não.

Mas, assim, lembre sempre, né, de que não sou obrigado a ter empatia com você, então… Gente, então é isso. Agradeço muito pela presença de vocês. Ju, pro pessoal que escutou aqui o nosso podcast, quer trocar uma ideia com você, quer te jogar hate, quer falar que concorda, juíco, né?

Como que as pessoas podem te encontrar? Gente, por favor, não denuncie a minha conta, tá? Mas é JupsDias em todas as redes sociais. Tudo.

E você, Carlos? Deixa eu escrever a underline no Twitter e no Instagram a gente vai chegar em breve. Fiquem expertos lá no Twitter. Hmm, legal.

E você, Marina? Minhas redes sociais são todas Marina Anderle. Marina A-N-D-E-R-I. Legal.

As minhas são todas também. I.M. Pedro Martins. No Twitter, no Instagram, enfim, em todos os lugares.

E, claro, as redes sociais do Poteiriche, né, gente? Muito importante vocês seguirem o Poteiriche também. O Poteiriche em todas as redes sociais, com exceção do Instagram, é arrobaPoteiriche. Aí o nosso Instagram é arrobaPoteiricheOficial.

E tem também, claro, o site. Se você quiser ficar por dentro de todas as notícias, de entrevistas, de matérias, de joguinhos, entra lá no Poteiriche.com que tá muito legal. Exato. E aí, gente, uma coisa que eu descobri recentemente e vou contar pra vocês.

Eu tava falando em todo episódio, aí, deixem seu comentário, né, seu review. Isso só dá pra fazer no Apple Podcasts, no resto não dá. Então deixe seus comentários nas redes sociais mesmo, se você não usar Apple, tá? É isso que eu tenho que dizer.

Mas salva aí o episódio, né, pra você sempre receber quando a gente lançar um episódio novo, toda terça-feira. Isso. Você pode dar o feedback onde você quiser. No YouTube também dá pra comentar, porque a gente coloca o podcast no YouTube, né?

Então, assim, faça o seu feedback, valeu e faça o seu feedback chegar até a gente. Um beijo e até a próxima. Tchau, gente. Tchau, gente.

Beijo. Beijo, gente.

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