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A Ordem da Fênix

Yates comenta OdF – entrevista completa

O diretor do quinto filme, David Yates, deu uma entrevista em que ele fala sobre os temas que Ordem da Fênix aborda, qual a sensação que ele tem ao dirigir um filme único como esse, o trabalho dos atores, o processo que ele e Daniel fizeram para entender a morte, e a personalidade em formação de Harry.

Editado: a segunda parte da entrevista já se encontra disponível e traduzida. Para lê-la, clique aqui.

Thanks GeekMonthly and Mugglenet.

Diretor David Yates comenta Harry Potter e a Ordem da Fênix

A chegada de Harry Potter e a Ordem da Fênix trará consigo o quarto diretor da série de filmes, com David Yates seguindo as pegadas criativas de Chris Columbus (Harry Potter e a Pedra Filosofal e Câmara Secreta), Alfonso Cuáron (Prisioneiro de Azkaban) e Mike Newell (Cálice de Fogo). Pelo caminho, ele está tentando trazer seu próprio estilo para o filme enquanto ajuda a orquestrar o próximo estágio da evolução de Harry.

GEEKMONTHLY.COM: Foi muito desafiador pra você entrar no meio dessa série?
DAVID YATES: Eu tinha acabado de filmar um drama adulto um tanto complexo chamado Sex Traffic e eu recebi a ligação. Eu li o livro e, obviamente, é muito difícil não estar intrigado e interessado quando te oferecem a chance para se envolver, porque o mundo é muito rico e fantástico e alguns dos temas nessa história em particular são incrivelmente obscuros e adultos. Era muito difícil não querer entrar, sendo desse modo. Apesar da franquia dos filmes estar indo por quatro filmes agora, a atitude dos produtores era realmente para ser gentil e aberto a novas idéias e novos modos de empurrar as coisas levemente mais centralizadas, numa direção mais emocional. O que é, é claro, um bom reflexo da onde o livro cinco está de qualquer jeito e o que Jo J.K. Rowling criou, pra começar. Então você tem vários dos benefícios e várias das vantagens de entrar uma franquia como essa tendo uma produção de infra-estrutura funcionando.

GM.COM: E lidar com as crianças continuando a ficarem mais velhas deve ser uma verdadeira vantagem de um cineasta.
DAVID YATES: É um momento realmente empolgante estar em Hogwarts, porque, como você disse, os personagens estão mais velhos e eles estão lidando com coisas realmente complexas. O elenco está mais interessado em se esforçarem e serem obrigados a se esforçarem como atores. É o melhor de dois mundos. Você ainda sente que está fazendo um filme único e é seu filme, e é uma história que só acontece uma vez na vida, mas ao mesmo tempo você recebeu essa tremenda reserva de recursos se você precisar.

GM.COM: Quais você diria que são alguns dos temas de Ordem da Fênix
DAVID YATES: O trabalho de Jo é cheio de coisas temáticas realmente interessantes. Em nossa história, Harry está tendo que lidar com toda a questão se ele foi ou não corrompido e se tornou mau pela conexão que ele tem com Voldemort. É clássico. Qualquer um que passou por esses turbulentos e difíceis anos adolescentes onde você se encontra crescendo com raiva e frustrado sabendo que são de extrema formação, vai conseguir se identificar. Esses são os anos que podem às vezes te definir como pessoa. Algumas pessoas podem pegar isso e desenvolver de forma positiva, e algumas pessoas começam uma rota que no final os guiarão para anos difíceis.
E para isso que esse filme e essa história parcialmente olham – a época muito emocional e turbulenta em que você está crescendo e está de repente questionando tudo sobre o mundo. Você também está descobrindo que o mundo é um lugar um tanto complexo e complicado, e todos os adultos ao redor de você não têm necessariamente todas as respostas; eles mesmos podem estar se descabelando em relação a como lidar com os problemas que os ameaçam constantemente. E você descobre o quão complicado você é dentro de você mesmo. O que Jo é brilhante em fazer, no final das contas, é explorar essa verdade universal sobre a transição para a idade adulta nesse universo mágico.

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David Yates sobre dirigir Harry Potter e a Ordem da Fênix – Parte 2

David Yates, o comandante de Harry Potter e a Ordem da Fênix, é o quarto diretor a se juntar a série dos filmes mágicos. Na segunda parte da nossa entrevista exclusiva com Yates, nós exploramos a política do Ministério da Magia, a evolução de Harry e como foi pra ele entrar no quinto volume da série.

GM.COM: Ordem da Fênix também está lidando com elementos políticos, não está?
DY: Sim, especialmente a política do Ministério da Magia, que é uma instituição poderosa que esta lidando com essa ameaça externa do potencial retorno de Voldemort, e ao invés de uma resposta estratégica construtiva, eles acabam fechando e no final sufocando a comunidade bruxa por pegar medidas liberais e transforma-las em medidas conservadoras. Uma idéia interessante na história é como o medo às vezes pode fazer as pessoas fazerem coisas terríveis contra sua própria comunidade e sociedade. Nós não estamos tentando traçar um paralelo com nada, nós estamos apenas tentando ver o que o medo faz com as pessoas e como às vezes isso afeta as pessoas de autoridade com responsabilidade de liderança. O livro de Jo, o quinto livro, é simplesmente cheio de coisas ricas e adoráveis e nós tentamos refletir isso.

GM.COM: E, é claro, você continua lidando com aqueles elementos da angústia adolescente.
DY: Por um lado, eles [os atores] estão passando por isso nesse exato momento, dos 14 aos 17 anos. Eles são adolescentes como nós éramos e eles têm todas aquelas pressões de serem adolescentes e também as mudanças físicas. Então não é difícil explorar esses temas. E só o Dan como ator é incrivelmente intuitivo e emocional, e eu digo isso num bom sentido. Eu até ousaria usar a palavra “sensitivo” ao invés de emocional, porque ele é bem estratégico com relação a sua empatia pelas pessoas e coisas. E eles são todos radiantes e intuitivos, então fazer eles lidarem com alguns desses temas na história não foi nem um pouco difícil.

GM.COM: Quando você entrou pro filme, como você entrou no clima com o elenco?
DY: Bem no começo, você sempre tem esses ensaios com os atores que você trabalha. Com Dan, em particular, que teve que passar por essa complexa jornada. Nós nos sentamos para conversar vários meses antes do começo das filmagens. Nós nos encontrávamos toda semana e conversávamos sobre o que Harry estava lidando. Uma das coisas que fizemos, e isso soa meio intenso para um filme de família, é que trouxemos uma conselheira de perda para falar conosco sobre como Harry Potter lidou por ser testemunha da morte de Cedrico [Diggory]. Essa mulher veio para falar com nós dois sobre como as pessoas lidam com experiências um tanto emocionalmente intensas e perturbadoras. Ela lida com pessoas na polícia e nos services de resgate que todo dia presenciam trauma e morte, e ela meio que nos mostrou como as pessoas processam isso e lidam com isso e o que isso faz com elas. No começo da nossa história, e isso meio que fica pendurado sobre a história como uma sombra, Harry está tendo que lidar com o que ele testemunhou, a tragédia que ele viu e que o afetou. Dan foi capaz de usar pouco a pouco muito do que elas nos mostrou e o que ela presenciou falando com pessoas. Isso foi meio que útil e ajudou no tipo de desenvolvimento da jornada de Harry em nosso filme. E a verdade é, você nunca pára de falar. Todo dia. Eu amo trabalhar com atores e amo as interpretações de personagens deles. Mesmo no dia da filmagem, você nunca pára de falar. É um diálogo constante.

GM.COM: A impressão que você tem é que há uma chance de que Harry poderia ir para o lado negro da Força, por assim dizer.
DY: Você quer esse sentimento de que ele poderia. Ele é corroído para possivelmente se tornar mau. Na nossa história você vê Voldemort tentando influenciá-lo, tentando molda-lo. É parte de toda nossa história e de como ela evolui. É um tema perpétuo – Star Wars e além – e eu acho que é especialmente pertinente no estágio da vida em que você faz escolhas. Subconscientemente você faz escolhas em seus anos de adolescente e você começa a moldar a pessoa que você será pelo resto da vida, então é bem apropriado para essa história e esse mundo.