Filmes e peças ︎◆ O Enigma do Príncipe

[ATUALIZADO] The Guardian libera enorme set report de EdP!

Potterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling [ATUALIZADO] The Guardian libera enorme set report de EdP!Potterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling [ATUALIZADO] The Guardian libera enorme set report de EdP!
Em abril do ano passado, um representante do The Guardian visitou os sets da adaptação de Enigma do Príncipe. Para o nosso deleite, faltando poucas semanas para o lançamento de dito filme, o jornal britânico hoje libera um excepcionalmente extenso set report da visita.
Além das corriqueiras descrições dos cenários, o artigo contém, no decorrer de suas 6 páginas, entrevistas interessantes com os jovens atores Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Tom Felton, Bonnie Wright, o aclamado Jim Broadbent, o diretor David Yates e os produtores David Heyman e David Barron.

Sobre as atuações no novo filme, aliás, o diretor disse:

“Você não tem boas atuações tratando os atores como fantoches. E os atores geralmente confiam em mim. À medida que as crianças crescem, se torna mais divertido lidar com elas. Elas me impressionam a todo momento. Apesar do fato de que elas estão no centro deste extraordinário evento popular-cultural, são realmente centrados, equilibrados, perceptivos, engraçados. São verdadeiramente fabulosos.”

Como bônus, o artigo também trouxe uma nova imagem dos bastidores. Desta vez, podemos ver Evanna Lynch empunhando a varinha de sua personagem, Luna, e conversando com o protagonista Radcliffe. Você já pode conferir a imagem em nossa galeria, clicando aqui.

No que concerne a entrevista, nossa equipe de tradutores está trabalhando a todo o vapor para trazer a vocês o texto traduzido na íntegra o mais rápido possível. Aguardem!

Atualizado: O enorme set report já pode ser lido completamente traduzido em notícia completa!

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
Por dentro da máquina Potter

The Observer via The Guardian ~ Amy Raphael
21 de junho de 2009
Tradução: Renan Lazzarin, Daniel Mählmann, Thais Teixeira Tardivo e Adriana Couto Pereira

Nalgum lugar de um estúdio de 50.000m², Emma Watson está dizendo um palavrão. “Ah, droga,” ela diz, zangando-se. “Errei a fala.” Ela esquadrinha o roteiro com desdém. “Podemos repetir?” Ela olha para baixo na Torre de Astronomia em direção ao diretor David Yates. Ele gentilmente a guia pela cena na qual sua personagem, Hermione, está conversando com Harry Potter sobre a alma de Voldemort. Harry parece muito sério. “Não vou voltar, Hermione… tenho que terminar o que Dumbledore começou.”

A ação para novamente. Watson se foca no script. Yates e Daniel Radcliffe discutem o estado de espírito de Harry. Radcliffe pode ter feito sua estreia em Harry Potter e a Pedra Filosofal em 2001, quando tinha apenas 12 anos, mas, ao que parece, ainda está encontrando seu caminho para o personagem. Yates conversa com ele sobre isso. “Neste momento, Harry está num lugar frio e escuro, mas tem mais cautela que melancolia… você tem que se assegurar de que não esteja pesado, mas fluido, liberto.”

Era poucos dias depois da Páscoa de 2008 e os estúdios Leavesden, em Hertfordshire, sediam as gravações de Harry Potter e o enigma do Príncipe, o sexto numa série de oito filmes. A Torre de Astronomia fora construída num dos estúdios-miríade, neste hangar repleto de metal. Leavesden, que costumava ser uma fábrica de motores de avião, já foi lar de 007 contra GoldenEye, Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma e Batman: O Cavaleiro das Trevas, mas agora é exclusivamente a casa dos filmes Potter.

É um lugar tão enorme que o elenco e a equipe têm bicicletas para pedalar de uma locação para a próxima. Em algum lugar daqui está o maior tanque cinematográfico da Europa; Radcliffe passou seis meses aprendendo a mergulhar par auma cena embaixo d’água em O Cálice de Fogo. Quando estou indo por conta própria por um minuto ou dois ao oficial hiper-vigilante da imprensa, pergunto-me se eu nunca vou encontrar um caminho para fora de Hogwarts. Mas o oficial de imprensa rapidamente retorna e continua a visita guiada da sala de estar mofada, fria e escura dos Weasley (que cheira, curiosamente, a roupa lavada), passa por pilhas de tapetes e edredões antigos e enrolados para o Salão Principal.

Embora nada que tenha a ver com Harry Potter seja em pequena escala – para dar um exemplo aleatório,a sua criadora JK Rowling ganhou mais de £5 por segundo no ano passado – o Salão Principal ainda é de tirar o fôlego. É de verdade, um salão escolar profundo que serve boa comida durante a filmagem, porque é a forma mais barata e realística de fazer isso. As mesas longas foram encomendadas em linda madeira maciça e, em seguida, degastada pelo departamento de adereços em nome da autenticidade.

Noutro lugar, novas poltonas são rasgadas com navalhas pela mesma razão. Em um determinado momento, cerca de 1.200 pessoas estão trabalhando nos sets. No extenso departamento de arte, mesas são decoradas com modelos do Salão Principal, dos dormitórios e de Hogwarts. Em um canto, um monte de pessoas está fazendo adereços para uma loja que, provavelmente, vai apenas aparecer rapidamente em Enigma do Príncipe.

É impossível não ficar impressionado com o mundo de Potter. É, em parte, a mesma escala dele – quase sete milhões de cópias de O Enigma do Príncipe foram vendidas na América dentro de 24 horas de sua publicação; os primeiros cinco filmes conseguiram $4.5 bilhões na bilheteria – mas também é o positivismo interminável do elenco e da equipe Potter. Memso David Heyman, o co-produtor de todos os filmes Potter, admite que é incomum. “Eu pareço, de qualquer forma, parte de algum culto quando falo sobre os filmes, mas todos os envolvidos são simples e incrivelmente… legais. Isso nunca vai acontecer de novo, esta pequena ilha de cinema onde a única pressão é aquela que nós exercemos em nós mesmos.”

O escritório em Leavesden de Heyman é decorado com cadeiras e sofás de couro branco, uma desenhada mesa de café e um enorme Mac. Vestido casualmente em camiseta, jeans e botas de couro, ele não mostra nenhum sinal óbvio de riqueza – ainda assim, aqui está o homem que levou o primeiro livro Potter à Warner Brothers. Embora A Pedra Filosofal tenha sido colocada em uma gaveta de baixa prioridade, a secretária de Heyman levou o livro para casa durante um fim de semana e retornou ao trabalho emocionada cmo ele. “Eu o li e me cativou”, diz Heyman. “A escrita era tão vívida e os personagens tão fáceis de se relacionar: Harry, o estranho, Hermione, a estudiosa, Rony de uma grande família, a batalha entre o bem e o mal. Eu fui a uma escola como Hogwarts, mas sem a magia.”

Heyman apresentou o livro à Warner Brothers e as negociações cmoeçaram. Ele não se encontrou com Rowling até o acordo estar quase finalizado. “Eu nunca vou esquecer o almoço que tivemos em Alastair Little [em Soho]. Jo tinha ido a uma festa da editora na noite anterior e ela estava ,literalmente, de uma tonalidade verde. Ela claramente teve uma boa noite fora, e comer peixe era a última coisa que tinha em sua mente. Ela era exatamente a mesma que é agora: engraçada, irreverente, compassiva, gentil, generosa. Muito discreta e privada. Maldição! Ela é difícil de encontrar furos…”

Falou-se de Steven Spielberg, Alan Parker ou Terry Gilliam dirigindo o filme. No final, os quatro primeiros Potters foram dirigidos por Chris Columbus (que fez dois), e Alfonso Cuarón e Mike Newell. O quinto Potter, Ordem da Fênix, foi dirigido por David Yates – e é o Yates que estará à frente dos três últimos filmes. O livro final, Relíquias da Morte, está sendo lançado como um filme de duas partes em 2010 e 2011: as filmagens vão terminar no próximo mês de abril, e Yates vai gastar um período de 18 meses edirando, adicionando música e aperfeiçoando os efeitos visuais.

Que Yates acabou fazendo os filmes de Harry Potter não é nenhum pouco assombroso – e um perfeito exemplo da ambição de Heyman. Em 2003, Yates dirigiu a brilhante minissérie de TV “State of Play” e um ano depois ganhou um Bafta pelo comovente e crítico “Sex Traffic”. Depois de encontrar o homem de Merseyside várias vezes, eu nunca o imaginei sendo atraído pelo mundo dos magos, mágicos e na tecnologia CGI (Common Gateway Interface). Um cineasta de princípios, político e independente entrando no mundo corporativo dos sucessos de bilheteria apenas não parecia fazer sentido. E mesmo assim Heyman viu o contrário: um fã de “State of Play”, ele queria que Yates não só explorasse a história política passada de Ordem da Fênix, como também fizesse o filme nervoso e emocional.

Yates o viu como um desafio que não podia recusar. “Eu gosto da infra-estrutura de fazer um blockbuster; é como ter um grande ferrorama”. Seus critérios cinematográficos para Harry Potter estende-se de ‘Loucuras de Verão’ (American Graffiti) a perspectiva épica de David Lean, os dramas sociais de Ken Loach à astúcia imaginativa de Scorsese. Ele insiste que Harry Potter é uma experiência teatral; na verdade, ele se propõe a fazer filmes “ricos, grandes e ardilosos”. Ainda assim, ele é também irresistívelmente honesto, perguntando-se sobreo impacto de Potter sobre a indústria cinematográfica. “É uma coisa boa que um filme dessa escala aparece de tempos em tempos? Isso significa que todo mundo está sempre procurando por essa escala de evento? Eu não tenho certeza. Mas fotos de eventos, que existem desde “Tubarão”, são parte do cenário agora. Nós provavelmente teremos que apenas aceitar isso”.

Ao lado da sua determinação para constantemente questionar, uma ótima habilidade de Yates como diretor é levar os atores para outro nível – ele fez isso com o jovem com cara de bebê James McAvoy em “State of Play” e novamente com Anamaria Marinca em “Sex Traffic”. E ele acha que pode ter feito isso de novo com Frank Dillane, filho do ator Stephen, que faz sua estreia em Enigma do Príncipe como Tom Servolo Riddle. “Eu tive uma sensação estranha com James e Anamaria e eu tive isso com o Frank, também. Ele é muito especial”. Yates acha que as melhores performances acontecem quando o elenco se sente seguro. “Você não consegue boas interpretações tratando os atores como marionetes. E os atores geralmente confiam em mim”. Rupert Grint, que interpreta Ron Weasley, vê isso de forma mais simples: “David é ótimo. Muito legal”.

Embora Yates não seja de todo afetuoso, ele acaba soando como se estivesse em um culto imaginário de Heyman quando discute seu círculo social com os jovens atores. “Conforme as crianças crescem, é mais divertido estar perto delas. Elas sempre me impressionam. Apesar de estarem no centro desse extraordinariamente popular evento cultural, são realmente centradas, seguras, perceptivas, divertidas. Na verdade, elas são fabulosas.”

Embora eu apenas tente apertar a mão de Emma Watson enquanto ela vai cortar o cabelo (ela é a única atriz principal que não tem tempo para conversar, seja porque esteja ocupada tirando três As nos estudos ou porque esteja filmando), seus companheiros de fato parecem, se não fabulosos, ao menos crescidos. Rupert Grint, cujo teste para Potter mostrou-o cantando um rap, é amigável e bem disposto, enquanto Bonnie Wright (Gina Weasley) não é tão empenhada, mas extremamente profissional. Ela diz que o beijo que deu em Harry no Príncipe Mestiço foi embaraçoso, mas ela “apenas seguiu adiante”. Tom Felton, que faz o vigarista Draco Malfoy, disse que depois de anos aprimorando seu trabalho, ele fez um voto de curtir os filmes restantes. “Vou tirar muitas fotos e tentar manter contato com todo mundo…”

Não deveria surpreender que o mais interessante dos jovens atores seja Daniel Radcliffe, que já provou suas credenciais de ator sérios subindo aos palcos com o bem recebido Equus. Heyman diz que eles têm muita sorte com o elenco, então indica que o maior crédito se deve a seus pais. “Alan, o pai de Dan, abandonou o emprego para cuidar de seu filho, para ser um agente. Inicialmente, ele cuidava de Dan diariamente, repassando suas falas, conversando sobre o papel. Conforme Dan cresceu, ele começou a dar mais espaço para ser ele mesmo. Os pais de Dan também programaram um regime estrito para o set: eles garantiram que o filho teria suco pela manhã, todas as vitaminas que precisasse e sono o suficiente.”

Vejo Alan Radcliffe passando por um corredor, mas ele não está com o filho e parece mais interessado em papear com a equipe. Quando encontro Daniel, ele confessa que ficou na cama até as 5 da tarde do dia anterior, levantando apenas para assistir o criquet. Isso não é nenhum tipo de ator decadente, mas apenas cansaço: ele acabou de concluir duas semanas de cenas noturnas, nas quais chegou aos estúdios antes das 4 da tarde para sair após as 5 da manhã. “Lá pelas 3 da manhã é a hora retardada, em que rimos de tudo. Era quando eu começava uma comédia stand-up porque as piadas mais sem graça levavam a gargalhadas.”

Apesar de seus horários de sono estar perturbados, ele teve sonhos estranhos? Ele já sonhou com Harry Potter? “Eu possivelmente já sonhei com ele quando era mais novo, mas atualmente meus sonhos mais comuns são sobre saltar de prédios sobre trampolins, o que é muito divertido. Eu costumo ter um sonho recorrente onde mato pessoas e sou morto depois. Não sei o que meu subconsciente está tentando me dizer…”

Pergunto sobre a postura de Yates de evitar cuidadosamente a melancolia quando Harry e Hermione estão na torre de astronomia e Radcliffe ri. “O Príncipe Mestiço é mais divertido que os livros anteriores, o que me dá o direito de ser um pouco mais estúpido. Mas eu realmente prefiro fazer o lado mais sombrio das coisas. Não sou muito bom em ser divertido. Um dos trabalhos de David Yates neste filme é me fazer ver que a cena nem sempre é sombria; tenho em minha cabeça que a personalidade sombria em um personagem é sua credibilidade, e claro que nem sempre é verdade.”

Embora o Príncipe Mestiço tenha sido adiado de novembro passado para julho deste ano – aparentemente para garantir à Warner Brothers um melhor desempenho de seu blockbuster – não houve divulgação para a imprensa até o início de julho. O estúdio diz que não tem nada a ver com a qualidade do filme (filmes arriscados são frequentemente divulgados no último momento) e tudo a ver com pirataria. Então não dá para dizer se Radcliffe deixou a melancolia para trás. Yates insiste que sim. “Dan tem um senso de humor muito seco, então ele é na verdade muito bom como um comediante leve. O Príncipe Mestiço é muito mais leve que Ordem da Fênix, é muito mais como uma comédia romântica.”

Harry Potter, uma comédia romântica? Yates ri. “Sim, absolutamente! É uma romcom¹ de tipos. É um olhar delicioso sobre as políticas amorosas dos adolescentes, na verdade. Pode terminar com uma batalha apoteótica de morte, mas começa como uma romcom. Acho que o público precisa sentir que eles não estão tendo as mesmas experiências dessa vez.” Ele se divertiu dirigindo os Potters? “Oh Deus, sim. Tive tanta… Tive muita diversão. E esse último terá uma tonalidade diferente. Será mais mágico, mais brincalhão, mais emocionante. Estamos muito excitados com ele.”

Embora cada um dos livros de JK Rowling tenha cativado milhões de leitores pelo mundo, nada garante que os filmes continuarão fazendo o mesmo. Yates não sente que há um perigo dos filmes começarem a soar cansativos? Ele chacoalha a cabeça enfaticamente. “Há três coisas que impedirão que Potter fique cansativo. Sou incansável e não vou me deixar abater. A fonte de material de Jo Rowling é infinitamente envolvente e o livro sete, o último livro, é um passeio incrível. Não posso me sentir cansativo porque uma boa história é uma boa história. Em terceiro lugar, o que sempre manterá o frescor dos filmes é o fato de que os atores estão crescendo em tempo real.”

É realmente fascinante ver o jovem elenco crescendo na tela – veja as antigas entrevistas no Youtube e você poderá notar seus pés balançando nas cadeiras – e Yates também superou o problema em potencial de fracassar com o elenco existente, colocando no filme rostos conhecidos de atores com quem ele já havia trabalhado. Uma das melhores coisas sobre os filmes de Potter é que sempre aparecem tesouros da atuação nacional como Timothy Spall, Imelda Staunton, David Thewlis e, no Príncipe Mestiço, Jim Broadbent.

Perguntei a Broadbent sobre sua experiência ao fazer Horácio Slughorn, o professor de Poções e diretor da Sonserina em Hogwarts, e parece que ele também foi contaminado pela febre Harry. “Foi algo extraordinário de se participar. Os sets principais parecem tão permanentes, estão lá desde o início, o que quer dizer que é muito fácil entrar no mundo de Hogwarts. É mais assustador dividir o set com todos esses jovens atores; poderia facilmente ser um pesadelo, uma vez que os cinco filmes anteriores foram imensos sucessos. Mas os jovens se revelaram maravilhosos. Não há nenhum comportamento arrogante ou estrelismo, comportamento de Fame Academy, eles apenas vão em frente.”

E talvez esta seja a chave para o sucesso dos filmes: os produtores David Heyman e DAvid Barron criaram o que mais tarde foi descrito como “nossa realidade”. O jovem elenco nunca pôde desenvolver atitude. Cada novo diretor tinha que se manter nos perímetros do mundo tão cuidadosamente desenhados por Leavesden; assim, não havia lugar para nenhum diretor individual sair viajando. E a continuidade de elenco e equipe também é impressionante; embora Radcliffe houvesse assinado inicialmente para os primeiros dois filmes e depois pensasse seriamente ao assinar para o terceiro e o quarto, ele finalmente se comprometeu até o fim.

Ele diz que é por que “seria muito estúpido ir embora tão perto do final” mas eu imagino que a remuneração não foi irrelevante. Há rumores que dizem que ele começou com 60.000 libras por filme e agora dispõe de 6 milhões de libras. Ele ri. “Aparentemente. Eu não sei. Eu não tenho interesse. Eu não estou dando valor a isso – eu sou muito, muito sortudo pois eu posso fazer seja lá o que eu escolher pelo resto da minha carreira. Eu posso ser muito seletivo, o que será uma alegria. Mas eu não tenho indícios sobre o lado financeiro das coisas. Assim que você começa a prestar muito atenção no dinheiro, as suas prioridades começam a ficar confusas”.

Se Radcliffe decidiu focar-se na atuação em vez de na riqueza pessoal, então a Warner Brothers também tem sido muito cautelosa para não alienar os fãs fanáticos de Harry Potter com muito comercialismo e propaganda exagerada. Já em 2001, o presidente da Warner Brothers Alan Horn falou em querer “maximizar essa franquia de todas as maneiras e isso significa que precisamos também ter certeza que as crianças e os pais que amam as histórias não sintam que nós exageramos.”

De acordo com todas as pessoas que conversei no Leavesden, Warners ficou consideravelmente de mãos vazias. Foi só quando Yates começou a ficar artístico demais em Enigma do Príncipe que o estúdio teve algo a dizer. “A única grande discussão que tivemos desde que comecei foi a respeito do visual desse filme. Nós tínhamos grande negociação sobre esse visual. Bruno Delbonnel, que foi também cineasta em Amélie Poulain, fez-o parecer muito distinto e diferente dos Potters anteriores usando todas essas lavagens monocromáticas. O estúdio queria que mais cores fossem adicionadas e nós obedecemos. E, na verdade, ele não é menos artístico com a nova grade; parece mais bonito, mais convidativo. Quando você envia 28.000 cópias ao redor do mundo para Deus sabe lá quantas culturas, você precisa de um espetáculo que te atraia”.

Eu sinto que, enquanto alguns dos jovens atores poderiam ficar com alegria em Hogwarts para sempre, outros está se preparando seriamente para a vida pós-Potter. Radcliffe, que prestou o AS-levels mas não o A-level², tem um professor particular ensinando-o poesia Anglo-saxônica e outros deleites – ele quer ter certeza que quando terminar de filmar Potter ano que vem e completar 21 anos, ele não será destacado pelas graduações da Oxford e Cambrigde.

Eu perguntei a Yates se ele se lembrará como fazer um pequeno filme independente e a face dele se ilumina. “Oh, companheiro! Pode apostar! Eu vou enfileirar uma dúzia de dramas populares, todos para a BBC4. E cerca de três pessoas irão assistir. Mas eu não vou ligar! Eu irei para o trabalho em um miniônibus com uma equipe pequena. Apenas para me livrar de todos os hábitos que adquiri fazendo filmes Hollywoodianos multimilionários. Será bom para a minha alma…” Ele faz uma pausa, perdido em seus sonhos. “Mas o meu comprometimento com Potter é absoluto. Primeiro de tudo é o meu trabalho garantir que nós teremos sucesso e, como os americanos diriam, fazer um espetáculo”.

Ele está sendo chamado de volta ao set de filmagens com urgência. Então ele dá um firme aperto de mão, sobe em sua bicicleta e vai zunindo de volta à torre de astronomia para ensinar a Daniel Radcliffe como fazer a primeira entrada de cena.
Harry Potter e o Enigma do Príncipe estreia no dia 17 de julho.

Notas do Tradutor:
1. Abreviação para Comédia Romântica.
2. AS-Levels (Advanced Subsidiary Levels) é uma prova aplicada no Reino Unido durante o penúltimo ano do Ensino Médio, em alunos com 17 anos. Essa prova faz parte do A-level (Advanced Level), que é necessário para o ingresso em uma Universidade.