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Seção Granger: Cinder, de Marissa Meyer

O tema da Seção Granger deste domingo, 21, é Cinder, o primeiro livro da série As Crônicas Lunares, de Marissa Meyer.

“Enquanto Cinderela sofria por estar numa família que não a queria, o dilema de Cinder é maior, porque além de tudo ela vive à margem da sociedade por possuir partes robóticas em seu corpo. É um tema bem interessante sobre um lugar que valoriza tanto robôs e a própria tecnologia, mas rejeita humanos que tenham alguma parte biônica.”

Para ler a resenha crítica na íntegra, acesse a extensão do post.

Cinder, de Marisse Meyer
Resenha crítica por Marina Anderi

Cinder, como o próprio nome sugere, é uma releitura do clássico conto de fadas Cinderela. A história se passa no Japão, no futuro, onde robôs são ótimos recursos para tornar a vida dos humanos mais prática. Em meio a isso está Cinder, uma ciborgue. Ela foi adotada por um homem que logo faleceu e a deixou aos cuidados de, adivinhem: sim, uma madrasta má.

Cinder é uma ótima mecânica, mas isso é explorado por sua madrasta como forma de renda. Nem trabalhando ela tem independência. Enquanto Cinderela sofria por estar numa família que não a queria, o dilema de Cinder é maior, porque além de tudo ela vive à margem da sociedade por possuir partes robóticas em seu corpo. É um tema bem interessante sobre um lugar que valoriza tanto robôs e a própria tecnologia, mas rejeita humanos que tenham alguma parte biônica.

Para dar o tom de distopia, ainda há uma doença que assola todo o mundo para a qual não encontraram a cura mesmo após extensiva pesquisa. Os testes são feitos nos infectados ou em ciborgues “voluntários” que, por serem considerados propriedade, vão pela vontade de seus donos.

Aí, claro, há o príncipe que não sabe da origem de Cinder, mas que se apaixona e não entende o motivo do distanciamento dela. O relacionamento deles não cai no clichê e, como sempre é bem-vindo e até esperado de releituras, os papeis de gênero não são impostos aqui. O problema é bem mais o social.

A protagonista em si é fascinante. Inteligente, certa de si, do que é, dos direitos que devia ter, independente do que digam. É isso que a torna capaz de seguir de cabeça erguida em um mundo que a vê literalmente como um objeto. Ela ainda teve recursos, por ter sido adotada, mas muitos de seus iguais vivem numa situação de escravidão.

É um debate que pode até ser trazido à realidade, acerca dos aparelhos biotecnológicos que cada vez mais ganham espaço no mercado. O uso da tecnologia como substituição de alguma função do corpo humano causa uma artificialidade robótica que desqualifica o humano que a usa? Cinder acha, sabe e vive para provar que não.

448 páginas, Rocco Jovens Leitores, publicado em 2013.
Título original: Cinder.
Tradução: Maria Beatriz Branquinho da Costa.

Marina Anderi é gerente de marketing do Potterish e estudante de Cinema da UFPE.