Filmes e peças ︎◆ O Enigma do Príncipe

Revista espanhola Cinemanía traz reportagem de EdP

Potterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling Revista espanhola Cinemanía traz reportagem de EdPPotterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling Revista espanhola Cinemanía traz reportagem de EdP
Faltando 76 dias para o lançamento de Enigma do Príncipe nos cinemas brasileiros, não param de surgir novidades relacionadas à adaptação cinematográfica. Agora, o filme é capa da espanhola Cinemanía, que traz em sua edição atual grandes novidades.
Além das divagações do próprio periódico, a matéria traz trechos de conversas com o diretor David Yates, o produtor David Heyman, os integrantes do trio principal e Tom Felton, que encarna Draco Malfoy.

Sobre a volta do quadribol às telonas, Heyman disse que será “a melhor partida que já vimos”, enquanto Yates comentou:

“A tecnologia avançou, então introduzimos muitas melhoras. Muitas vezes me indagava sobre o quanto o quadribol poderia chegar a ser violento, com os jogadores se movendo nessa velocidade, se batendo uns nos outros… É parecido com o futebol americano.”

O protagonista Radcliffe, por sua vez, divagou sobre a adaptação da história do livro para um roteiro de filme:

“O sexto foi o livro mais difícil de levar às telonas. É um grande livro, muito animador, mas com certeza também funciona como uma introdução para o sétimo. Também temos que indagar e explicar muitas coisas, mas do jeito que fizeram está ótimo.”

Nossa equipe já se encontra traduzindo o artigo. Enquanto isso, você pode conferir neste álbum de nossa galeria, os scans da revista, liberados pelo Blog Hogwarts.

Atualizado: Você já pode conferir o extenso artigo traduzido pela nossa equipe, clicando aqui ou em notícia completa. Boa leitura!

HARRY POTTER E O ENIGMA DO PRÍNCIPE
O fim está próximo

Cinemanía ~ Matthew Leyland
Maio de 2009
Tradução: Renan Lazzarin

A volta do menino-bruxo será a aposta para um verão no qual também ficaremos loucos com ‘Exterminador 4’, ‘Transformers 2’, ‘Up’…

Beijos, revelações e bagunça das grandes em Hogwarts. Em ‘Enigma do Príncipe,’ encontramos um Harry Potter mais épico que nunca. Conversamos com exclusividade com os intérpretes principais do sexto filme enquanto tomam impulso para o final da saga.

Acaba um longo dia de filmagens externas na sexta película de Harry Potter. Estamos conversando com o atual diretor residente da franquia, David Yates, numa das tendas que estão usando como vestiário. Do nada, surge a escuridão. Um dos membros da equipe está recolhendo a iluminação usada durante a gravação. A metáfora certamente serve para uma saga que está se tornando mais obscura a cada novo episódio, não?

Pois bem, a questão é que o humor depressivo não é a única coisa na qual nos concentraremos em Enigma do Príncipe, o sexto filme da história do menino-bruxo. “Para mim, este é um filme mais quente, mais rápido que Ordem da Fênix,” diz Yates, refletindo sobre seu primeiro trabalho no universo Potter. “Adorei a intensidade do quinto, mas esta carga de angústia adolescente fez com que ele se tornasse horrivelmente sério, enquanto esta parece mais uma comédia romântica… Bem, até que as coisas ficam feias na parte final…”

Logo voltamos a isso. Entrementes, os hormônios esquentam em Hogwarts: Harry gosta da irmã mais nova de Rony Weasley, Gina; Rony tem uma namorada (uma tal de Lilá Brown) e Hermione está irritada. Com ciúmes, convenhamos… “A relação de Hermione e Rony precisa de muito protagonismo”, disse Emma Watson, envolta numa manta durante o descanso. “E ficou bom, porque tivemos a oportunidade de fazer um pouco de comédia. Hermione tinha ficado muito séria nos dois últimos filmes, então foi divertido fazer umas quantas cenas engraçadas com Rupert Grint, com quem me dou super bem.” Entretanto, nas cenas de amor, isso fica meio estranho. “Tive um beijo com Jessie [Cave, que interpreta Lilá] que me deixou um pouco envergonhado”, confessa Rupert Grint. “Quando gravamos essa cena, ainda não conhecia muito bem a Jessie e tinha um bocado de gente ao redor; é depois da partida de quadribol e estou em cima de um pequeno pedestal, então também não foi aquela coisa muito romântica…”.

Partida de quadribol? Sim. Depois de tirar umas férias em Ordem da Fênix, o super-esporte e vassouras e bolas retorna. “A tecnologia avançou, então introduzimos muitas melhoras”, conta Yates, sorridente. “Muitas vezes me indagava sobre o quanto o quadribol poderia chegar a ser violento, com os jogadores se movendo nessa velocidade, se batendo uns nos outros… É parecido com o futebol americano.” Durante semanas, a equipe realizou testes com especialistas se chocando em pleno voo com paredes e caindo das escovas de alturas enormes, filmando tudo com câmera lenta, a fim de encontrar a estética da colisão. O resultado, como nos promete o produtor David Heyman, é “a melhor partida de quadribol que já vimos.”

Mas nem tudo são amassos amorosos e jogos coletivos. Na verdade, Enigma do Príncipe serve de aquecimento para a grande batalha final entre os bruxos bons e maus. “O sexto foi o livro mais difícil de levar às telonas”, reflete o alter-ego de Harry, Daniel Radcliffe, com um visual oposto ao de seu personagem: informal e sem óculos. “É um grande livro, muito animador, mas com certeza também funciona como uma introdução para o sétimo. Também temos que indagar e explicar muitas coisas, mas do jeito que fizeram está ótimo.”

Como sempre, o filme está muito próximo do romance de JK Rowling, embora certas licenças sejam permitidas. No romance, os acontecimentos do mundo exterior, que mostram como o cerco maligno de Voldemort se fecha cada vez mais, são geralmente relatados através do jornal O Profeta Diário. Nas telas, são menos relatos e mais ação. Por exemplo, Rowling menciona de passagem a queda de uma ponte trouxa. No filme, tal fato se tornou uma grande cena de abertura: enorme, estrondosa e ambientada em Londres. “Digamos que a ponte Millennium não fica muito bem parada,” brinca o produtor David Barron. Entretanto, tiveram que modificar um detalhe no roteiro por requisição expresa de Rowling. “Havia um momento, num diálogo, no qual Dumbledore se referia ao sexo oposto de uma forma romântica,” explica Heyman. “Mas, depois da primeira leitura, Jo Rowling nos disse que não fechava com o espírito do personagem. Então, tivemos que mudar isso…”. A sexualidade do diretor de Hogwarts não é questionada no filme, apesar de Dumbledore ter um papel de protagonista em Enigma, em que treina Harry para sua luta contra o Príncipe [ISH: corrigindo, Voldemort], enquanto se encaminha ao seu próprio encontro com o destino. “É um grande filme para ele”, diz Heyman enquanto elogiava o compromisso de Michael Gambon com o papel que herdou do defunto Richard Harris. Contudo, como acontece com o personagem que ele interpreta, existem certas revelações sobre o ator veterano que ainda não chegar aos ouvidos do público. “O segredo de Michael Gambon é que, apesar do grande respeito que tenho a ele, é um dos atores menos profissionais do mundo”, assegura Radcliffe. “Nunca leva nada a série, por isso é tão divertido trabalhar com ele”. O ator começa a lembrar de quando Gambon lhe bombardeou com pedras de mentira (e reais) no set. “E eu devolvia. Foi totalmente infantil. E tem o título de Sir, não é? ‘Sir’ Michael Gambon, nem vem!”.

Apesar de se dar bem com Gambon, Radcliffe sente saudades de outras figuras paternas da série: Gary Oldman, cujo Sirius Black bateu as botas em Ordem da Fênix. “Foi triste gravar sem Gary pela primeira vez”, suspira. “Era uma espécie de mentor que sempre me dizia se o que eu fazia era uma meleca ou se estava bem. Os atores não costumam ser as pessoas mais generosas do mundo, então quando alguém como ele diz ‘Isso foi muito bom’ a um jovem ator como eu, é incrível. Senti muitas saudades dele”. Ainda assim, ambos mantêm contato e, além disso, há outros companheiros que não foram embora, como um dos veteranos da saga, Tom Felton. No papel do retorcido Draco Malfoy, Felton se manteve em segundo plano durante os últimos oito anos, mas, agora, o arqui-inimigo de Harry na turma se encontra, enfim, no centro da cena. “Este é meu filme favorito”, diz Felton. “É a primeira vez que trabalho desde o início até o final”. O grande momento de Felton chega quando Radclife e ele se veem envoltos numa aventura que parece tirada das sagas de Bourne ou Bond. “Foi muito bom,” diz Felton entusiasmado. “Passamos uma semana gravando num set úmido como uma banheira, nos batendo na água e metidos em todos os tipos de briga. A sequência é maior que no livro”. Tem sangue… mas também são mostrados algumas intimidades. “Meu personagem enfim se desenvolve mais neste filme”, diz. “Pudemos explicar por que é um perfeito cretino, e não é porque sim”.

Uma reta final menos obscura

Este não é o único exemplo de desenvolvimento de personagens que encontramos. Também veremos um jovem Voldemort, conjurado pela arte da magia por Dumbledore, como parte do treinamento de Harry. Buscar um ator para interpretar o malvadíssimo vilão quando criança não é tarefa fácil. “Levamos um tempo”, lembra Heyman. “Discutimos muito sobre o quanto deveria ser parecido com o Voldemort adulto, Ralph Fiennes”. No fim, se decidiram pelo sobrinho de Fiennes, Hero Fiennes-Tiffin, como o futor Lorde das Trvas; enquanto que Frank Dillane (filho do ator britânico Stephen Dillane) se ocupa dos anos da adolescência. “Ambos têm uma aura inquietante de escuridão”, assegura Heyman. “Frank projeta uma espécie de arrogância, se mostra muito superior, sempre parece ter o controle absoluto sobre a situação. E com Hero, como com Ralph, funciona o silêncio… ele evoca Voldemort de uma forma assustadora”.

A ambientação do filme também desempenha um papel na hora de criar a atmosfera de mistério. “A escolha dos ângulos, os planos muito curtos, o ritmo das cenas”, conta Heyman antes de elogiar o diretor de fotografia Bruno Delbonnel, o francês responsável pela esplêndida paleta de O Fabuloso destino de Amélie Poulain. Enigma do Príncipe busca um aspecto tão realçado quanto, o que ocasiona um giro de 180 graus em relação à ambientação escura e fina de Ordem da Fênix. “Tem muitas dissimulações, está muito elaborada”, diz Yates antes de revelar que o número sete (Harry Potter e as Relíquias da Morte) terá um ar mais naturalista, com um montão de cenas gravadas à mão. “Gosto de dar uma volta nas coisas cada vez que entro neste mundo, experimentar novidades”, diz o diretor, conhecido antes de Ordem da Fênix pela versão, da BBC, de State of Play. Agora, toda a sua reputação se baseia num Harry Potter sobre o qual ostentará o mando até 2011, quando estreia a segunda parte de Relíquias da Morte (a primeira parte está programada para o fim de 2010). Antes, Hogwarts tinha conservado três diretores (Chris Columbus, Alfonso Cuarón e Mike Newell), então por que Yates decidiu se comprometer com um prazo tão longo? “Foi quando estávamos terminando Ordem…”, diz o diretor enquanto contempla uma floresta coberta de neblina artificial. “Tomei gosto pela coisa. É um mundo genial do qual não dá mais para sair. Você tem todos os meios de contar as histórias, o pessoal é brilhante e o estúdio lhe dá o apoio. Me apaixonei pela combinação de todas essas coisas e queria que fosse eu a levá-lo até o final”.