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Radcliffe: “Felton é realmente um bom amigo!”

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O ator Daniel Radcliffe, em entrevista, falou ao The Guardian que Tom Felton é realmente um bom amigo. Numa entrevista descontraída o ator revelou que além de Grint e Watson, o ator de Draco Malfoy também está em sua lista de amigos fieis.
Ele ainda comentou a dificuldade de sair em público. Nos diz sobre um acontecimento no show dos Red Hot Chilli Peppers e diz, mais uma vez, que desejaria fazer o papel de uma drag queen além de aconselhar aos outros se tranvestir para não ser reconhecido em meio aos outros.

Ainda nessa entrevista ele comenta sobre poesia, dizendo que é defensor ferrenho da métrica, sobre política e é especulado sobre os oito anos passados desde sua primeira aparição como O Menino Que Sobreviveu bem como sua vida familiar e amorosa.

Confira a entrevista na íntegra clicando em Notícia Completa.

DANIEL RADCLIFFE
Dan, o homem
The Guardian – Craig McLean
04 de julho de 2009
Tradução: Juliana Poli Bonil

Ele era um bruxo menino aos 11 anos e oito anos depois, Daniel Radcliffe já saiu de casa, arranjou uma namorada e cresceu. Com o lançamento do novo filme da série Potter este mês, ele conversa com Craig Mclean sobre poesia, política e sobre ficar bonito com maquiagem para olhos…

Se você é o adolescente mais famoso do mundo, a especulação em torno de você é frequentemente menos interessante que a realidade. Por exemplo, Daniel Radcliffe não é gay, mas se interessa por travestismo: “O conselho que eu daria para um ator é, se você quer sair na rua sem ser reconhecido, sem nem ao menos ser olhado, saia com um belo transexual de dois metros de altura”, diz ele com os olhos bem abertos, “ninguém repara em você. Especialmente se você medir 1, 65m. Eu adoraria fazer o papel de uma drag queen ou de um travesti, mas não só por causa do figurino. Espere aí, o que estou dizendo? Sim, por causa do figurino! Se o roteiro fosse bom – não o faria só para poder usar aquelas roupas. Embora eu deva dizer que fico bonito com maquiagem para olhos e eu não vou fazer um cara emo, então minha única outra opção é fazer uma drag queen.

Respondendo a um outro rumor: ele não mandou levarem cerveja feita por monges para o set de Harry Potter. “Não beber cerveja para mim é uma regra.” Ele prefere o drinque whiskey sour ou tequila. “Eu adoro tequila – é uma daquelas coisas, como Jägermeister, das quais você tem um tipo bem específico de embriaguez. Ele também não recrutou o SAS (Serviço Aéreo Especial) para passear com seus cachorros e nem cresceu vinte centímetros em dois meses (“bem que eu gostaria!”). E o melhor de todos: “Mandei fazer uma escultura de mim mesmo, nu, para colocar na minha sala. Não sei de que tamanho eles pensam que o meu ego seja.”

Não é nenhuma surpresa que Radcliffe, agora com 19 anos, seja alvo dos tablóides. Ano passado ele supostamente assinou um contrato no valor de 26 milhões e meio de libras para os dois últimos filmes de Harry Potter e foi considerado o adolescente mais bem pago do mundo, ao lado da estrela da Disney, Miley Cyrus. Se ele alguma vez teve de processar, ou ameaçar processar, a imprensa por difamação? “Tivemos problemas umas duas vezes”, ele diz cautelosamente, “mas nunca chegou ao tribunal. Tivemos de ser muito vigilantes.” Ele também deve estar atento a armadilhas, embora o fato de ele não ir muito a clubes ajude, ele prefere “pubs de homens maduros” e shows estranhos. (ele adora música independente, de Radiohead a Hold Steady.)

“Algumas pessoas tentaram me explorar. Há aproveitadores por aí que querem ganhar um dinheiro rápido, mas desde que você aprenda a reconhecê-los…a melhor coisa que eu aprendi foi que se você vai sair, nunca saia sozinho – você se torna vulnerável. Se você está com alguém em quem confia, eles percebem, tenha cuidado com esse alguém. Eu provavelmente confiava demais nos outros.”

Há algum tempo (ele acha que foi aos 14 anos, enquanto filmava o terceiro filme de Harry Potter), Radcliffe decidiu que definitivamente queria ser ator quando crescesse. “Quando se está na minha posição, se tem duas escolhas: você pode se esconder do mundo e não viver uma vida plena. Ou você recebe todo mundo em sua vida e, vez ou outra, alguém tentará tirar vantagem disso. E eu com certeza prefiro ser essa pessoa que deixa todos entrarem porque, como ator, as pessoas são meus melhores recursos.”

Esta é a razão de, na noite em que me encontro com Radcliffe – Dan, para todos que ele conhece – eu o encontro ocupado observando as pessoas. Ele chegou cedo para nossa entrevista, em um clube privado em Londres (seu assessor é membro, ele não) e ficou reparando na clientela, tentando não ficar pasmo com Christopher Biggins. “E havia esse cara fantástico lá em baixo que estava exagerando nos flertes com qualquer garçonete que passasse por ele. Foi muito engraçado de se ver. Um dia, quando estiver com 40, 50 anos, espero fazer esse papel. Me lembrarei disso.”

Apesar de toda a pressão, parece que Radcliffe está crescendo sensatamente. Normalmente até. Ele adora críquete, gosta de um drinque, de fumar às escondidas e de assistir a programas de TV ruins nas noites de sexta, só de cueca. Tem uma namorada que conheceu no trabalho. Comprou um apartamento perto da casa dos pais em Fulham e está morando sozinho há 18 meses. No geral está indo bem: mantém o apartamento bem arrumado, embora ainda leve as roupas para a mãe lavar. “Isso é vergonhoso?” ele pergunta. “Não é sempre! Mas, ás vezes, se é um lençol grande ou algo assim.” Ele não gosta de passar, como sua roupa amassada sugere. “O problema é quando você chega num zíper ou botão e pensa, ‘que diabo eu faço agora?’. Acontece que eu acho que as coisas ficam bonitas amassadas. Desleixado está na moda.” Ele diz, querendo acreditar. “Tábuas de passar são um exemplo clássico de algo que eu acho horrível na sociedade moderna: a incrementação, por falta de uma palavra melhor, das coisas comuns. Capas engraçadas para tábuas de passar – odeio isso.”

Radcliffe é um pensador. Se referindo aos filmes da série Potter, que desbancou James Bond como a série de filmes de maior sucesso da história, ele prefere uma comparação diferente. “Sabe do que eu mais me orgulho nesses filmes? Eles são os únicos desde a série Antoine Doinel de Truffaut que apresentam um personagem dos 11 aos 20 anos. Estar na companhia de Truffaut, isso me deixa contente.”

Ele também é um fã de arte moderna. Para seu aniversário de 18 anos em julho de 2007, quando seus protetores pais teoricamente lhe deram liberdade financeira, ele pensou em se dar um carro (nada muito chamativo – um Toyota Prius ou um Golf GTI); dois anos depois ele nem aprendeu a dirigir e muito menos esbanjou com um carro. Ao invés disso, comprou uma obra de Jim Hodges, artista radicado em Nova Iorque, e foi assim que ele conheceu o mundo dos travestis. “O marchand disse que eles queriam vender para um colecionador de maior prestígio e Jim ficou sabendo disso. E acontece que ele é um grande fã de Harry Potter e insistiu para que vendessem para mim. Desde então me tornei amigo de Jim e de Tim, seu colega fotógrafo. Eles são dois artistas gays em Nova Iorque e me apresentaram a essas pessoas maravilhosas, loucas, estranhas, extraordinárias. Fui imediatamente aceito pela comunidade travesti da cidade.”

A obra de Hodges, Mona D, Mary and me, é “basicamente um desenho com tinta azul em um papel branco. E as palavras ‘Oh for crying out loud’ (algo como “Oh pelo amor de Deus”) que é algo que sua mãe sempre dizia, e acho que todas as nossas mães provavelmente. E no meio do quadro “é estranhamente caligráfico.” O que o atraiu? “Acho que – sem querer fazer uma conexão com Harry Potter – é sobre encontrar algo mágico e fantástico numa frase comum. Isso que é legal nele.”

Ele também é um grande leitor e fala entusiasmado sobre um projeto em seu camarim, uma amostra bem montada dos “autores mais importantes dos anos 1.700, 1.800, 1.900 e alguns do século 21. Foi fantástico – Jo Rowling entrou e as primeiras pessoas que ela escolheu foram George Eliot e Joseph Comrad. E Nabokov.” Ele também é um poeta afiado, embora admita que se preocupava mais com a quantidade em seus primeiros versos – “Agora eu tenho sorte se escrever alguma coisa por mês ou a cada dois meses. Mas quando eu consigo escrever, é com muito mais qualidade. É mais pensado, mais conciso, tenho menos tempo para… a pretensão que tinha no início.”

Ele publicou alguns poemas usando um pseudônimo, e embora não me diga qual é, ele dá tantas dicas que até Dobby, o elfo doméstico, poderia adivinhar. Parece que é Jacob Gershom: Jacob é seu nome do meio, Gershom a versão hebraica de Gresham, sobrenome de solteira anglicizado de sua mãe. Poesia moderna e versos livres “me irritam”, ele diz, “Adoro pessoas como Simon Armitage. Ele tem um domínio imaculado de métrica e rima, se ele quisesse fazer poemas assim, ele poderia. Mas, ás vezes, o verso livre, na minha opinião, é para pessoas que não conseguem fazer uma estrutura. E quando eu não escrevo dentro de uma forma e de uma métrica, eu me torno intoleravelmente acomodado. É o que Robert Frost disse: verso livre é como jogar tênis sem rede.”
Por que ele gosta de escrever poesia? “Como ator, há espaço para uma certa criatividade, mas no fim você vai acabar dizendo as palavras de outra pessoa. Eu não acho que tenho a energia ou a habilidade para escrever um romance, mas eu gostaria de escrever contos e poemas porque essas são minhas duas paixões. Há uma arte dos contos. Adoro Raymond Carver e Chekhov – sem querer parecer mais intelectual do que sou!”, ele se vangloria, uma lembrança de que ele foi um aluno de boas escolas até os 17 anos. “Eu assisto ao Britain’s got Talent como todo mundo.”

Nós nos encontramos devido ao lançamento próximo de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, o sexto filme da franquia baseada nos livros de J.K. Rowling. Radcliffe assinou contrato para a série em 2001, aos 11 anos, e agora faltam quatro meses para começarem as filmagens, com duração de 19 meses, do sétimo e do oitavo filme ( o último livro da série, Harry Potter e as Relíquias da Morte, foi dividido em duas partes). Em Enigma do Príncipe, a saga Potter sofre a sua primeira perda de um personagem central, com a morte do professor Dumbledore, interpretado por Michael Gambon. Isso foi difícil de filmar? “O filme todo foi bem difícil, mas essa cena principalmente. Eu nunca havia sofrido uma perda até o final do ano passado, quando minha avó faleceu – antes disso eu nunca havia experimentado nenhum tipo de tristeza. Então foi muito complicado. Também é uma pressão enorme porque você sabe que muitas pessoas assistindo ao filme já sentiram isso. Tentei fazer de uma maneira quieta porque é assim que o Harry é.”

O filme também traz o segundo beijo de Harry, com Gina Weasley, irmã de seu melhor amigo, Rony. Foi agradável? “Foi bem estranho para mim porque eu conheço a Bonnie [Wright, que interpreta Gina] desde que ela tinha 9 e eu 11 anos. Muito estranho. Mas conseguimos. Foi bom. E causará uma certa comemoração dos fãs de Potter. Mas eu devo dizer que hoje eu vi a cena do beijo entre Rony e Hermione [do livro final] e é com certeza, do que filmamos até agora, o grande momento de todos os filmes,” ele diz com aprovação, “um grande beijo.”

Ele hesita quando pergunto se ele está feliz com sua performance. “O sexto é um livro bem difícil para se filmar porque ele é essencialmente uma ponte para o sétimo, mas isso não é desculpa. Acho que consegui ir bem. Eu sei que posso ser muito melhor do que nesse filme. E o que é legal é que eu fiz Equus em Nova Iorque entre o sexto e o sétimo. Sinto que evoluí bastante nesse período.”

A última vez que encontrei Radcliffe, em janeiro de 2007, ele estava prestes a iniciar a temporada londrina de Equus, peça dos anos 70, clássico de Peter Shaffer. Ele foi escalado como Alan Strang, um rapaz que trabalha em um estábulo e que cega seis cavalos durante um frenesi sexual e religioso. Ele também teve de ficar nu todas as noites durante quatro meses. No final de 2008 ele repetiu tudo na Broadway. Sua performance em Londres foi brilhante. Diferentemente das performances tagarelas e reforçadas por CGI ( imagens geradas por computador) exigidas dele em Potter, sua presença no palco era eletrizante e muito física – apesar da pouca estatura, a qual ele se refere várias vezes. O leve escândalo causado por sua nudez frontal (Harry mostra a varinha, etc.) e por esse herói cinematográfico das crianças interpretar um adolescente atormentado foi logo eclipsado pela constatação de que ele realmente pode atuar. Os críticos em geral deliraram. “Fui muito melhor em Nova Iorque,” diz Radcliffe. “Em Nova Iorque a peça foi melhor em todos os aspectos. Todos nos esforçamos para melhorar.”

Alan Rickman, Severo Snape nos filmes de Potter, foi de grande ajuda na Broadway. Ele encurtou um feriado em Connecticut para visitar Radcliffe e lhe dar algumas dicas sobre atuação no palco “que definitivamente me ajudaram nas últimas seis semanas da temporada” – como ficar parado, explorando sua “estrutura um tanto baixa e compacta”. Radcliffe diz que costumava “ter dificuldades” com Rickman: “Eu não sabia quando ele estava brincando ou não. Acho que levei muito do seu sarcasmo a sério. Mas recentemente me toquei disso e ele é realmente um grande cara.”

Gary Oldman, que interpreta Sirius Black nos filmes de Potter, é um dos vários atores mais velhos e membros da equipe que Radcliffe tem como um amigo próximo e mentor; Kenneth Branagh, que foi quem primeiro sugeriu a idéia de ele fazer Equus é outro. Oldman aplaude a “coragem” em aceitar o papel. “Se – sem querer fazer um trocadilho – expor. Não [apenas] ficar nu fisicamente, mas ficar vulnerável daquela maneira. Com todas as armas que poderiam ter atirado e o derrubado. Acho que por si só é um grande feito. Ele leva a atuação a sério.”

Equus foi bom para Radcliffe de várias maneiras. Foi como ele conheceu sua namorada, Laura O´Toole, uma colega do elenco, embora ele prefira não falar sobre ela. “Ela é apenas uma pessoa normal e não pretende ser outra coisa. O que é muito, muito bom. Acho que sou do tipo que tem relacionamentos duradouros. Na minha cabeça sou Byron difundindo o romance falido… Thackeray tem uma ótima frase, ‘Sim, eu sou um homem fatal. Inspirar a paixão irremediável é meu destino.’ Essa é a imagem que eu faço de mim mesmo [mas] esse não é nem de longe o caso. Eu som bem romântico.”

Foi importante também ser levado a sério como um ator de teatro. Filho único, era levado regularmente ao teatro por seus pais – Marcia Gresham, uma agente de elenco e Alan Radcliffe, um agente literário – e foi um encontro com o produtor cinematográfico David Heyman, amigo da família , em uma produção de Stones in his Pockets no West End, que o levou a ser escalado como Harry Potter. “Ele tinha uma curiosidade infinita e ambicionava esse ofício,” diz Heyman, “Uma das coisas que mais respeito nele é que ele se esforçou para conseguir aproveitar o máximo de cada momento de sua vida.” Isso inclui “tirar tudo o que pudesse dos diretores” nos filmes de Potter, dentre eles Chris Columbus (Esqueceram de Mim), Alfonso Cuarón ( E Sua Mãe Também), Mike Newell (Quatro Casamentos e um Funeral) e David Yates (Intrigas de Estado).

Heyman é parte de um grupo unido em torno de Radcliffe que o protege, aconselha e o ajuda a manter o equilíbrio. Seu assessor acompanhante de longa data não participa mais de todas as suas entrevistas, mas continua sendo uma figura chave, assim como seus pais – seu pai deixou seu emprego para se tornar, essencialmente, seu empresário. Ele também menciona Sue Latimer, uma agente e velha amiga de seu pai, como uma das “pessoas fantásticas ao meu redor” que se certifica de que ele não se perca no caminho como tantos atores mirins. “Eu conheço o filho da Sue, Freddie Highmore – que interpretou Charlie em A Fantástica Fábrica de Chocolate – desde quando éramos pequenos. Ela sempre se preocupa com o que é melhor para mim. E eu também tenho o pessoal do set. Aos 11 anos, quando comecei com Potter, eu lembro de dizer a todos, se eu me tornar arrogante vocês tem de me dizer. E eles sempre disseram.”

Um de seus melhores amigos é Will Steggle, um pai de quarenta e poucos anos que trabalha no departamento de figurino da série. “E por ser um homem cético, Will me tirou a pretensão em todos os momentos. É totalmente possível para um ator se envolver com a equipe e bater-papo com todo mundo, ser amigo de todos e depois ir e gravar uma cena. Assim deve ser o seu trabalho.”

Ele segue me falando das pessoas que ele “simplesmente adora” no set: Rupert Grint e Emma Watson. “Eles são, para todos os efeitos, meus irmãos.” E todos lá são grandes amigos? “Provavelmente não, simplesmente pelo fato de que não nos vemos fora das filmagens. Mas alguém como Tom Felton eu contaria entre os meus melhores amigos. Fui a um jogo de críquete com ele no domingo.”

Grandes eventos públicos podem ser perigosos. Em um jogo de críquete, um homem gritou, “cadê a sua varinha Harry?”, o quê Radcliffe nota que “não foi original nem engraçado. Afetuoso, um pouco.” Ele também teve uma experiência em um show dos Red Hot Chilli Peppers há alguns anos. Ele estava próximo ao palco e a notícia se espalhou. “Hyde Park, 10.000 pessoas cantando, ‘Só há um Harry Potter!’ É bom ser o rei.” Ele abre um grande sorriso. “O negócio é que, as pessoas não reparam que momentos assim, apesar de embaraçosos, também são muito legais.”

Ele suspeita que Watson sofra mais com isso. “Nem tanto com as pessoas, mas com os paparazzi. Generalizando, é muito mais difícil para as garotas. Homens são naturalmente preguiçosos e gostamos de ficar em casa, então não damos muitas chances para isso. Enquanto uma garota quer sair, socializar-se, conhecer pessoas.”

Mas Watson parece estar aproveitando todas as oportunidades de sessões de fotos e premières com tapete vermelho. “É, com certeza, mas ela tem muito mais facilidade com essas coisas do que eu. Ela leva muito mais jeito para falar com qualquer pessoa – eu fico muito nervoso nesses eventos. Ela foi fotografada para várias coisas [de moda], e acho que ela se interessa por esse mundo. Eu vi algumas das roupas que ela criou e são muito boas. Ela é bem esperta. Sabe os resultados dela no GCSE (Certificado Geral do Ensino Médio)?” Ele revira os olhos: “Eu fiquei entusiasmado com os meus – sete Bs, dois As e um A*. Acho que a Emma conseguiu três As e sete A*s – ela é incrivelmente acadêmica, é assustador. Eu e o Rupert, para todos os efeitos, paramos de estudar. Ela vai para Brown.” Ele balança a cabeça em admiração por Watson ter conseguido uma vaga na prestigiada universidade americana.

Após todas as inverdades sobre Radcliffe, aqui estão alguns fatos: ele não vai para a universidade, mesmo porque não irá fazer os A-levels (exames requeridos pelas universidades britânicas). Ele pretende seguir a carreira de ator, teve algumas reuniões em Hollywood e espera ansioso pelo dia, que logo chegará, em que ele não terá de recusar roteiros porque está preso a um hangar no subúrbio de Londres que foi transformado em um mundo de bruxos, trouxas e corujas. Há alguns projetos que devem deslanchar, mas o único sobre o qual ele quer falar é The Journey is the Destination, sobre o fotógrafo Dan Eldon, que foi assassinado aos 22 anos por uma multidão na Somália. Se o financiamento permitir, será seu segundo filme biográfico depois de sua bem recebida performance como o filho de Kipling no drama televisivo My Boy Jack. A paixão de Radcliffe pelo papel de Eldom vem do fato de que “todos ao redor dele foram fortalecidos e inspirados por seu espírito aventureiro – e também, é um personagem bem diferente de mim. Eu não sou assim tão aventureiro quando se trata de explorar o mundo. Eu não necessariamente tenho sua liberdade característica.”

Radcliffe não sabe andar de bicicleta e nem nadar, mas não, como você poderia imaginar, porque Harry Potter roubou sua infância, mas por causa da dispraxia. “É como a dislexia só que afeta a coordenação. Minha coordenação mão-olho melhorou muito. Fiz um teste de QI quando tinha uns sete anos e fui bem na parte verbal mas minha coordenação motora foi considerada bem abaixo da média. Me orgulho disso.”

Ele é judeu por parte de mãe. “Sou ateu, mas tenho muito orgulho de ser judeu. Significa que tenho uma boa ética no trabalho e tenho o humor judeu, posso contar piadas sobre judeus. Por exemplo: sabe como o fio de cobre foi inventado? Dois judeus brigando por uma moeda. E assim vai.”

A BBC Parlamento é um de seus canais favoritos da Sky: ele votou para o “policial gay”(Brian Paddick) na eleição para prefeito de Londres e para Arthur Scargill na eleição européia. Ele nunca conseguiu votar para os conservadores, mas diz, com um certo tom de lástima, que os “garotos elegantes” com os quais ele estudou logo estarão governando o país. Sem a camaradagem e as fraudes dos últimos governantes, ele espera: “Tenho muita fé na minha geração. Tenho de ter. Temos de desenvolver o nosso próprio código moral.”

E, finalmente, Radcliffe admite que como ator mirim ele teve “algumas mães bem sexy ao longo dos anos. Jamie Lee Curtis em [sua estréia no cinema] The Tailor of Panama e Emilia Fox [em David Copperfield]. Ambas ótimas,” ele diz entusiasmado. Ele pergunta se eu conheço a Rowling. Ela é extremamente atraente. Muito, muito bonita. E inteligente também, é assustador.”

Agora, nosso tempo está acabando e o menino bruxo tem de desaparecer. Vão buscá-lo ás 6 da manhã para começar ás 7. É apenas mais um dia no set de Harry Potter – a família Obama irá fazer uma visita.