#21: A vida trágica e heroica de Remo Lupin, com Renata Ventura

#21: A vida trágica e heroica de Remo Lupin, com Renata Ventura

Semanário dos Bruxos

Episódio 2135min 25s6 de abr de 2021

🎙️ Episódio 21 · 35min 25s · 6 de abr de 2021

A licantropia de Remo Lupin, uma metáfora do mundo bruxo para preconceitos do mundo real, fez dele um dos personagens com a história de vida mais trágica e heroica de Harry Potter. Também fez dele o melhor professor de Hogwarts e o que mais inspira seus alunos – e leitores, consequentemente. Os apresentadores do Semanário dos Bruxos, Pedro Martins e Marina Anderi, recebem a escritora Renata Ventura, da saga A Arma Escarlate, para discutir a trajetória de Lupin.

Ouça o Episódio

Transcrição do Episódio

A transcrição abaixo foi gerada automaticamente e pode conter pequenos erros.

Ver transcrição completa

Sejam muito bem-vindos ao Semanária dos Bruxos, o podcast do Poteiriche, que vai ao ar toda terça-feira na sua plataforma de streaming preferida. Eu sou o Pedro Martins, editor-chefe do site. Eu sou a Marina Anderi, gerente de marketing. E o tema do podcast dessa semana é sobre ele, ele que é o melhor professor de Hogwarts, ele que é perfeito, ele que sofreu muito, mas continuou sendo resiliente.

É sobre o Lupin, esse personagem que não é meu favorito, mas poderia ser. Adorei! Enfim, já deu pra perceber, gente, que é um podcast totalmente imparcial, né, assim, realmente a gente tá aqui pra julgar todas as ações do Lupin. Não, mas total, ele é muito legal.

Eu acho que ele é um personagem, dos personagens adultos, né. Ele é um que, realmente, você olha e fica, meu Deus, esse cara é bacana, eu queria que ele fosse, tipo, meu professor, eu queria que ele fosse amigo do meu pai, pra a gente ficar conversando e comer chocolate junto. Uhum. E pra conversar sobre o Lupin com a gente, a gente convidou a Renata Ventura, ela que é escritora, autora de um livro, de uma série de livros, na realidade, que vocês que são fãs de Harry Potter, com certeza vão adorar, chama Armes Carlat.

A gente vai falar um pouquinho sobre os livros dela também depois. Seja bem-vinda, Renata, obrigada por aceitar o convite. Oi, gente, eu que agradeço pelo convite. O Lupin é seu personagem favorito de Harry Potter, Renata?

Sim, totalmente, sim. Ele, pra mim, é o cara mais legal da série, é o personagem mais complexo, mais assim, que dá pra se identificar mesmo, dá pra entender tudo que ele sofre e tudo que ele passa e… Cara, eu adoro professores legais, sabe? Eu acho que…

eu admiro muito professores legais, que fazem os alunos ficarem inspirados e quererem aprender, e principalmente esses professores que são amigos dos alunos, né? Que entendem os alunos. Então, o Lupin pra mim é perfeito, assim. Melhor personagem.

Que homem, né? E a primeira questão interessante sobre o Lupin, assim, a meu ver enquanto personagem, é que, ironicamente, ele tem todas as características dos lobos, né, Renata? Mesmo quando ele tá na forma humana. Sim, apesar dele detestar, né?

Ser lobo-homem, obviamente. Ele, enquanto lobo, ele tem as características da fúria, né? Da violência, da agressividade. Mas o lobo é um animal muito social.

Então, eles gostam de estar em grupo, eles são extremamente protetores, eles ensinam os filhotes do grupo, eles são inteligentes, gentis, generosos, eles se sacrificam pelos outros. Bem Lupino. Ah, legal. Ele tem as características negativas, mas eles também tem as positivas, né?

Antes de ser uma pessoa. É que Lupin, né, é assim, o nome dele já diz um pouco sobre, né? Eu acho que uma coisa engraçada, interessante de Harry Potter, é que, em inglês, os personagens têm, é quase que infantil, até, né? Tipo, Severo Snape.

E alguns nomes são traduzidos, outros não, né? Por exemplo, Sprout, por exemplo, a professora Germinar, né? Não é traduzido, obviamente, mas o Lupin, se a gente for interpretar, eu não sei exatamente qual que é a raiz, se é uma raiz latina, latina no sentido de latim, obviamente, né? Ele tem isso já no nome, né?

Depois que a gente descobre que ele é lomisomem, eu me senti uma idiota, porque tá no nome dele desde o início do livro. É óbvio, né, assim? É, praticamente ele se chama Lobo Lobo. Não, Lupin é de lupus, né, que é lobo latim, acho.

Ele tem aquela inspiração mesmo na lenda, né, na lenda… Isso, Rémo, Homely Rémo, que foram criados por uma loba. É tudo lobo. A gente não é de idiota, lendo o livro inteiro e precisou da Hermione falar pra gente que ele era lomisomem.

Exato. E um fator que eu acredito ser determinante, assim, na personalidade do Lupin, né, do Lobo, é a baixa autoestima dele, né? Já que a licantropia sempre foi vista no mundo bruxo como algo negativo, né? Era, segundo a própria J.K.

Rowling, a autora de Harry Potter, uma alusão a como o vírus do HIV, causador da AIDS, era encarado na década de 70 pelos trouxas, digamos assim, né? O preconceito que existia contra a licantropia era tão grande que os diretores, mesmo de Hogwarts, antes do Dumbledore, não aceitavam o Lupin no castelo, né? E essa autoestima baixa influencia… Influenciava, né, porque infelizmente morreu o tadinho.

Influenciava demais o comportamento dele, né, gente? Tanto pro bem quanto pro mal. Sim, sim. Ele sofreu tanta discriminação, tanto preconceito por ser lomisomem, desde que ele era criancinha, que ele se acha um lixo de pessoa, né?

Às vezes ele acha que ele não merece nada, não merece que ame ele, não… Ele acha que ninguém vai gostar dele. Então ele tem essa baixíssima autoestima e que influencia tudo que ele faz, como ele age, como ele pensa. Ele tem tanto medo que as pessoas não gostem dele, que aí qualquer chance que ele tem de ser gostado, ele agarra.

Eu acho que isso faz dele o melhor professor, porque ele quer ser gostado pelos alunos, sabe? Isso também ajuda. Simplesmente ele tava no lugar errado na hora errada e foi uma fatalidade. Ele tem que viver com isso pelo resto da vida, sabendo que ele tem que se esconder, porque se ele falar, a maioria das pessoas não vão aceitar.

A gente menciona num episódio do Rony, que o Rony fica, meu Deus, andando lomisomem, meu Deus. Mesmo que, pô, o cara tenha sido professor dele o ano todo, nunca tenha feito nada. Mas o que vem do Rony é o que foi passado pra ele por toda uma sociedade. Como ele não tem contato com lomisomens, o primeiro instinto dele vai falar, meu Deus, tinha que ficar longe desse cara, porque ele é um assassino, né?

Então é uma sociedade toda, não são nem indivíduos, né? Realmente dá vontade de fazer o que ele fez, né? Que foi se zoar. Porque você se arriscar dessa forma, as pessoas se verem como uma pessoa má, quando você não é, tipo, é bem pesado.

Nossa, fiquei emocionada agora, tadinha. Não, é ele. E ele mesmo acaba acreditando nas palavras que são ditas pra ele. Então ele se acha horrível, ele acha que ele não merece nada, e ele se odeia, às vezes.

E ele não devia se sentir assim, porque ele é corajoso pra caramba e ele tem enormes qualidades. E eu acho que tem muito, isso fala muito também da intolerância na nossa sociedade, né? Porque você, por causa de uma característica, você já julga a pessoa e você acaba não conhecendo aquela pessoa incrível que ela é. E acaba deixando ela de lado.

Eu acho que essa é uma característica, inclusive, muito atual, né? Porque a J.K. Rowling, quando ela construiu o looping, ela pensou na questão realmente do vírus do HIV, que as pessoas, na década de 70, às vezes não queria chegar perto, não queria beber no mesmo copo, não queria usar o mesmo garfo, que era um negócio muito forte mesmo, muito mesmo. Mas hoje em dia é isso que você falou, né?

A gente tem essa situação hoje que não é exatamente com uma coisa específica, mas é uma coisinha que já a pessoa já te generaliza por tudo aquilo. Enfim, é bem complicado mesmo. Sim, e a pessoa não consegue viver, né? Às vezes.

É tão forte esse preconceito que não consegue viver. O looping ficou preso na pobreza, né? Que ele não conseguia nenhum emprego que fosse primeiro do nível dele, do conhecimento dele. Então ele tinha que aceitar aqueles empregos menores e ele ficava alguns meses nesse emprego, até que descobriam ou desconfiavam que ele era lobisomem, porque todo mês tinha problema.

E todo mês ele ficava doente, entre aspas. Que coincidência, toda lua cheia, né? Isso acontece. É.

E aí ele tinha que mudar de emprego. Então a pessoa não consegue viver, né? E aí é engraçado, inclusive, o episódio não é sobre o Snape, né, gente? Mas nunca vamos esquecer que o cara é um cara que a gente tem esse backstory por tudo que a gente tá falando aqui.

E o primeiro emprego que ele conseguiu e que ele sabia que ele não ia ser demitido por conta disso, apesar de ter medo, que foi de professor em Hogwarts, o Snape foi lá e acabou com o emprego do cara, né? Falou pra todo mundo que ele era lobisomem, falou pros pais, falou pros alunos, enfim. Que pessoa maravilhosa, né? E uma coisa, gente, esse backstory todo, como sempre a gente menciona isso, muita coisa não está nos filmes.

Muita coisa do looping não está nos filmes. Eu acho que até essa questão de como Dumbledore aceitou ele em Hogwarts, né? A Casa dos Gritos foi construída basicamente pra que ele pudesse se transformar, a passagem, né? Eu não lembro se a passagem do Salgueiro Lutador já existia ou se foi construída real assim pra ele, só pra ele, né?

Pra que ele pudesse chegar até lá. Enfim, isso tudo acabou não entrando nos filmes, né? O backstory dele. Sim, é uma pena isso.

A vida do looping ao longo da série vai acontecendo, mesmo quando o Harry não vê, né? Então a gente fica sabendo que o looping gosta da Tonks, que a Tonks gosta do looping, a gente fica sabendo que eles se casaram, aí de repente a Tonks, ela está grávida. Gente, caramba, as coisas vão acontecendo. A gente até menciona isso no episódio sobre os erros do filme de Harry Potter, que assim, essa é uma das questões mais aleatórias do mundo, né?

A Tonks aparece, ela surge grávida assim, né? Do nada. É, eu acho que no livro, pelo menos, tem uma questão de fato da gente descobrir conforme o Harry descobre, né? Sim, tem gente que nem reconhece a Tonks de um filme pro outro, então fala assim, quem é essa pessoa que tá com o looping?

O cabelo faz bastante diferença, né? A cena, a cena no livro de a gente descobrindo, do Harry descobrindo esse rolo do Tonks com o looping, eu li umas dez vezes assim, de seguidas, que eu adorava, que eu adorei essa cena. A cena é perfeita no geral, né? Assim, tipo, a Fleur falando, tipo, eu sou bonita o suficiente por nós dois no rolê com o Gui, nossa, tipo assim, acabando com a Molly, tá ligado?

Tipo, que tava sendo bem escrota com ela, sem motivo nenhum, né? Assim, só realmente mais uma questão, né? A Fleur, ela sofre do preconceito por ser bonita, né? Então, meio esse rolê, e aí nisso a Tonks se aproveitando, ela tá vendo, ela não se importa.

E o Harry fica, meu Deus, como assim, gente? Eu não tava sabendo. Ai, gente, é perfeita, cara, essa cena. Ah, e eu fico, ai, que fofo, porque, né, o personagem favorito, quanto mais do looping aparecer, melhor.

Exato. Inclusive, deixa eu talvez dar o backstory então, pras pessoas que estão ouvindo, né, que não leram os livros, né? Então, basicamente, em Enigma do Príncipe, tem um momento mais pro final, quando o Harry retorna ali da caverna, e que o Dumbledore é assassinado, que os Comensais, eles invadem Hogwarts, e aí dá uma treta, tals, e o Gui, ele é atacado pelo Greyback, né? Isso aparece no filme, no Part 1, né, o personagem fala.

E aí, tem uma discussão, né, a Molly fala, ai, meu Deus, ele ia casar, etc. E a Fleur fica, não, mas ele vai casar, eu não me importo, porque eles têm essas marcas e tudo mais. E aí, a Tonks tá lá junto com o Loopy, e aí a Tonks vira pro Loopy e fala, ó, tá vendo, ela não se importa. E o Loopy fica, não, mas é diferente, ele tem as marcas, mas ele não é o lobisomem, não é o negócio.

E ali fica muito claro, assim, como o Loopy gosta dela, mas ele tá se segurando, né, ele acha que ele não merece o amor dela, ele acha que ele não vai fazer bem a ela, e como a Tonks ama ele, tá continuando a lutar por isso, né? Tipo, quantas vezes ele deve ter rejeitado ela, quantas vezes ela continua indo atrás, porque ela sabe que não é porque ele não gostava dela, né, por essa questão da autoestima, né? Uhum. E também pelo medo, né, medo de machucar ela, né, de alguma forma.

E também o medo do estigma pegar nela também, né, o estigma de ser casada com um lobisomem, namorar com um lobisomem, e ela também ser estigmatizada. Uhum. É uma autoestima muito baixa, né, em geral, assim, né. E essa autoestima foi o que eu disse, né, às vezes na construção do personagem ela surge para o bem ou para o mal, que para o bem é o fato do professor, né, ele enquanto professor, eu acho que talvez o fato dele ter sido o awkward, né, o diferente, o estranho, o que sofria bullying, o que, enfim, isso fez dele um professor muito humano, né, não que as pessoas precisam sofrer para serem humanas, pelo amor de Deus, mas eu acho que isso de alguma maneira moldou o caráter dele nesse sentido, né?

Sim, ele é um professor que compreende muito os alunos dele, né, que protege, que ensina mais do que precisa ensinar, né, que vai atrás do aluno, tipo, quando o aluno está precisando, fora de sala de aula, vai e ensina coisas e vira o mentor do Harry, faz o Harry ser alguém melhor do que ele era, né. O Harry, antes do looping, ele não ligava muito para, sei lá, defesa, né, depois do looping ele empolga tanto as pessoas que o Harry vira, né, no quinto livro ele já é o professor, ele age… Ensinando os outros, né? Isso, e ele age inspirado no looping, com certeza.

É, ele empolga, né, as aulas dele eram, assim, as mais empolgantes para todo mundo, né. Sim, ele entendia, né, os alunos, os sofrimentos dos alunos, ele pega também o Neville, ajuda o Neville a superar os medos dele. É, a gente chegou a mencionar no episódio do Neville, né, a questão de que, tipo, o Neville ter passado por bullying, ter passado por várias questões, também das de estima, deve potencialmente treinar ele um bom professor, porque aí ele é empático, ele entende, consegue reconhecer os alunos estão com problema também, né, e aí, total, o looping deve ser também ter sido uma influência para ele, né. E, tipo, eu tive esse professor aqui que me compreendeu, que foi atrás e que me mostrou que eu podia, tipo, ir mais ou menos bem, né, apesar de não estar usando a minha varinha, estar usando a varinha do meu pai, então era complicado, mas total, deve ser uma inspiração.

Mas então, gente, aí tem o lado mal, né, o lado mal, gente, aí tem o lado ruim, né, dessa baixa auto-estima, entre aspas. Um dos principais questionamentos que eu acho válido a gente fazer porque ele não agia contra o bullying, né, ele não fazia nada em relação ao bullying que os amigos dele, o Sirius, o Thiago, enfim, especialmente, praticavam contra outros alunos como o Snape, né, tem a ver com um pouco dessa questão da baixa auto-estima, né. Ah, ele tinha pavor de perder os poucos amigos que ele tinha ganhado, né, foi tão difícil conquistar algum amigo que desse valor para ele que ele morre de medo, então ele… Parece que ele até tenta uma vez, meio que fala, não, gente, vamos parar com isso, mas assim que ele vê que não dá certo, ele fica na dele, tipo, não quero decepcionar esses caras que gostam de mim.

Estão de prioridade, né, tipo, assim, realmente é isso, né, nunca tive amigos na vida, agora tenho esses caras que são super populares e super descolados, nem sei como eles são meus amigos, né, então, assim, vou tentar fazer que eles parem, tentei uma vez, não deu certo, acho que tá de boa, porque vai que eu forço mais isso da problema, né. E passa pano para os amigos do mesmo jeito, né, não vamos jogar o Lupin por isso, né, gente. Pô, ele também tá numa situação super delicada, né, em tipo, assim fica até sem graça, né, por exemplo, depois que os amigos vão lá e viram animagos para poder acompanhar ele no rolê de quando ele vira lobisomem, tipo, assim, qual que cara você vai enfrentar essas pessoas, sabe? É realmente difícil, eu acho.

Até questão do próprio Peter Pertigrew, né, ele, eu acho que assim, eu não sei se isso tá cravado nos livros, né, Renata, mas parece que ele entrou para o grupo por conta do Lupin ter sido gente boa com ele, né. E assim, mesmo que não esteja cravado nos livros, eu acho que é uma coisa que dá muito para a gente tomar como headcanon, né, como, enfim, uma suposição que a gente sabe que foi assim mesmo, né, no fim das contas. Imagina a culpa que ele deve sentir depois, né, então, se foi por causa deles que o Pedro virou amigo. Nossa, é, então, eu nunca tinha parado para pensar que ele deveria ter ficado muito se culpando, assim, né, tipo, ah, e foi eu que trouxe esse cara para dentro, né.

E aí todos os meus amigos morreram em 24 horas, morreram ou foram presos e ficaram, sei lá quantos anos, em Azkaban, e depois morreram. Eventualmente, morreram. Não, é, é uma vida muito sofrida, né, eu acho que sim Hogwarts, ele já não tinha uma vida tão fácil, né, e antes de Hogwarts, tampouco, mas depois de se formar, parece que piorou muito mais, né, ele não encontrava emprego, como a gente já discutiu, porque as pessoas tinham preconceito contra a licantropia, e para gravar a situação ali no ápice do poder do Voldemort, ele perdeu todos os amigos em dois dias, né, Tiago e Lílian foram mortos pelo Voldemort, Sirius foi preso em Azkaban, o Pedro Pettigrew supostamente teria morrido, né, enfim, foram muitas perdas, assim, fora, claro, já era um ambiente muito complicado, muito hostil, porque ele já devia estar perdendo muitos amigos, né, tipo, sei lá, Frank e Alice Longbottom, né, que foram torturados e isso, era todo um ambiente muito problemático, né, e aí os amigos mais próximos foram todos em dois dias, de que maneira vocês acreditam que essas perdas, assim, impactaram a vida dele, assim, naquele momento? E não só isso, mas como ele perdeu todos os amigos que ele tinha, né, nesses 24 horas, e o resto do mundo bruxo comemorando, né, porque, assim, o resto do mundo bruxo feliz da vida que acabaram com o Voldemort, e ele lá, tipo, sozinho de novo, com todo mundo morto que ele gostava, que os marotos tinham sido na vida dele, de bênção, né, na vida dele, que tiraram ele do isolamento e botaram ele no grupo legal e não sei quê, e ele começou a florescer, acabou tudo naquele momento, enquanto o mundo inteiro…

Aquelas 24 horas. Isso, enquanto a Europa inteira tava lá feliz, ele foi cavando o buraco dele de novo, depressão, tudo, voltou todo o problema, né, até o Dumbledore chamar ele pra ser professor de Hogwarts, e aí tudo melhorar de novo por um ano só, depois voltou tudo de novo. É, depois voltou tudo ao mesmo, mas eu imagino que esse período dele, assim, de logo após a queda do Voldemort, até ele ser chamado pelo Dumbledore, são, tipo, 13 anos, basicamente. Na verdade, 12, é o tempo que os filhos ficam em Azkaban.

Deve ter sido, assim, a gente não sabe exatamente o que ele fez, né, não fica muito claro, mas deve ter sido, cara, uma década onde ele não conseguia emprego, onde ele não tinha amigo, onde ele não tinha um relacionamento amoroso, olha, tipo, deve ter sido um período muito, assim, depressivo até, enfim, muito bad, né, tipo, extremamente bad, assim, sabe, e ele também não se identificava com outros lobisomens pra que ele pudesse viver junto, né, então era, não tinha ninguém, uma década, assim, sem ninguém, basicamente, né. Ah, inclusive, se perguntam, ah, por que que ele ficou esse tempo todo sem ir falar com Harry, sem conhecer o Harry, já que era o filho do amigo dele que morreu, mas deve ter tudo a ver com isso, o baixo autoestima, que ele não quer atrapalhar o Harry, deixa o Harry lá, quietinho, na dele, pra que que ele vai querer um lobisomem do lado? É, não, ele devia ter noção também, mais ou menos, da relação da Leigh-Anne com a Petunia, então, uma vez o Harry estando com os tios, nossa, tipo, não ia dar certo ele ir lá. Uhum.

Então, realmente, é melhor ficar de boa, mas total, assim, porque eu imagino, né, parece do que a gente consegue entender, que como a sociedade bruxa toda tá ali em Hogwarts, né, a futura sociedade bruxa tá ali, então você conhece todo mundo, né, que você vai continuar, então, acho que por isso que muitas pessoas, né, casam com aqueles namoraram em Hogwarts, são amigos pra sempre, de que eles conheceram em Hogwarts. Uma sociedade muito pequena, né? É, uma sociedade muito pequena, então, pô, o Lupin tava lá, ele tinha feito os amigos deles, já tinham saído de Hogwarts, continuavam amigos, super próximos, não sei o quê, então, acho que pra ele já tava estabelecido, essa aqui é a minha galera pelo resto da vida, né? É esse pessoal aqui.

E aí, pô, é isso, dois dias, tudo isso foi pros Ares. Eu acho que também é muito mais fácil de entender, mais ou menos, o que o Pedigrew, como um cara mais medrosinho, né, aparentemente, né, seria o cara que, no fim das contas, dudaria os Potter. Mas, por 12 anos, o Remus pensou que foi o Sirius, né, que fez isso, que eu acho que deve ter ficado muito justificável na cabeça dele, tá ligado? Tipo assim, o Sirius, velho, cara que, sabe, fugiu da casa dos pais pra morar com Tiago, porque ele não aguentava mais, foi expulso, mas também porque ele desafiava os pais, que eram bem, né, puro-sangue, bem sonserino, o cara que virou animago, né?

Como que eu vou chegar nesse menino e falar, tipo, eu tava nessa galera que traiu os seus pais, né, tipo, fazia parte do grupo? É, muito estranho, acho, deve ter sido. Sem contar que ninguém conta nada pro Harry, né? Tipo, ele tá sempre no escuro, assim, junto com o leitor, né?

Então, no fim das contas… Gente, faz bastante tempo que a gente não fala da Taylor aqui no podcast. When you are young, they assume you know nothing, né? Quando você é jovem, eles assumem que você não sabe de nada.

O Harry, ele teria sido tão melhor preparado se falassem as coisas, né? Claro que você fala com cuidado, né? Se brifassem ele, né, a gente tá num período enquanto a gente grava esse podcast de Big Brother, onde, enfim, as pessoas se acostumaram com o termo briefing, né, dos assessores de imprensa. Se brifassem o Harry antes de entrar em Hogwarts, né?

Aqueles 10 minutos ali… Fiquei imaginando agora, falando, então, Harry, criancinha, você vai ser criado como um porco no abate. É, mas calma que não é bem assim. Essa daí talvez não, mas realmente complicada a situação.

Faltou briefing, faltou briefing do Dumbledore, gente. Não seria um bom assessor de imprensa se o Harry fosse pro Big Brother, enfim. Mas essa jornada dele, do looping, sofrida, né, de tantas perdas e tantas dores, fez também do looping um personagem, às vezes, exageradamente preocupado, né? Quando o Sirius morre, ele passa a se sentir como o principal adulto responsável pelo Harry, né?

Ou pelo menos o principal adulto que tinha uma conexão afetiva com ele, talvez um pouco mais profunda, até porque ficou muito tempo ali em Hogwarts, né? Claro que tinha ali os Weasley que gostavam muito dele, mas era uma relação diferente, né? Claro que era uma relação diferente. Então ele meio que se torna, acho que pelo menos na cabeça dele, quase que como um segundo padrinho do Harry.

Afinal, é pra se imaginar que se o Tiago e a Lilian não tivessem escolhido o Sirius, provavelmente teriam escolhido o looping, né? Depois que o looping descobre ali que o Voldemort sabia, né, dos planos, né, do set potters, ele começa ali a hora que todo mundo chega na toca a suspeitar de tudo e de todos, né? Como se alguém pudesse ter traído o grupo. Eu, na minha cabeça, foi o Hagrid que deu a língua nos dentes, né?

Pra mim foi isso, mas enfim, aí outros clientes. Mas enfim, ele agiu de uma maneira até tão grosseira assim, sabe, com as pessoas que estavam lá, tão agressiva, que foi preciso até o Harry intervir e pedir que ele se acalmasse, paraça de duvidar dos próprios aliados, né? Essa preocupação dele, essa preocupação gigante, impacta muito a vida dele, né? Não só ali naquela situação, mas enfim, né?

Essa féria familiar, né? Essa féria amorosa, enfim. Impacta todo a vida dele, né? É o lobo dele, o lobo protetor.

Do catéia. Mas é, eu não achava ele chato nessas cenas, não. Qualquer preocupaçãozinha que ele tinha com o Harry ficava, uai, que fofo! Eu acho que tipo, ele tava na razão dele, né?

Como a gente acabou de discutir, realmente ele confiava muito ali naqueles três amigos, imagino também que com o pessoal da Ordem, no geral. E aí o Pedro foi lá e traiu o rolê todo, e foi tipo, não adianta… Medo de acontecer de novo, né? É, medo de acontecer, da história se repetir, né?

O que geralmente é o que acontece, inclusive, né? Então, pô, é complicado, porque você sabe que você vai lá, você faz o melhor plano possível, e o Set Potters foi super ambiciosa, né? Ah, é porque Polissuque, chave de portal, ir para vários lugares, não sei… Pô, foi mó lesão.

Ainda assim deu merda, o Mood morreu, né? E tals. Aí Divígios também, né? Pedi, né?

Pera um momento, sofrendo. Então, tipo assim, ainda assim deu problema, então ele sabe que tipo, cara, basta uma pessoa falar uma coisa que já era, então… O Harry tá com as próprias preocupações dele, que não são poucas, né? Naquele momento ali, ele sabe o que ele vai ter que fazer, do rolê dos Júlio Cruz e tals.

Ele não queria que as pessoas tivessem já arriscado daquela forma por causa dele, né? Ele fica muito preocupado com isso e tals, então ele meio que fica tipo, meu, sabe? Não, calma, essas pessoas aqui eu sei que eu posso confiar. Acho que o Harry, ele é um pouco também meio ingênuo, né?

Ele não passou pela situação que o Lupin passou. É, eu acho que nesse caso do Lupin eu falei que ele soa chato, assim, entre aspas, mas é muito entre aspas, né? Até pelo fato de que dá pra entender, né? O Lupin, quando ele dá as mancadas dele, quando ele não vai lá e bate de frente com os marotos, quando ele vai lá e soa até um pouco hiperprotetor, enfim, superprotetor, dá pra entender o motivo disso, né?

É muito justificável, né? Sim. Inclusive, a minha cena favorita dos livros é uma dessas aí, né? Uma mancada do Lupin, que é no sétimo livro.

E eu sabia, quando eu li o livro, eu falei, essa cena não vai aparecer no filme, infelizmente. Eu já sabia todas as cenas que iam aparecer e quais não iam. Minha cena favorita da série inteira, que é quando o Lupin chega pro Harry, pro Hermione, pro Rony, querendo ajudar eles na busca das horcruxes, e aí o Harry dá uma albronca nele quando ele percebe que, na verdade, o Lupin tava fugindo da Tonks. Tonks tava grávida e ele tava apavorado, tava com medo que o filho fosse nascê-lo bisomem, não queria estar perto pra não ferir o filho também, que ele tava fugindo.

E aí o Harry dá a maior bronca no Lupin, e eu acho essa cena incrível. Além de ser minha personagem favorita, eu acho muito legal quando tem essa inversão de papéis, quando o aluno dá uma bronca no professor, e o professor ouve e aí ele fala, tá, eu vou voltar. Foi a cena que o Harry, pra mim, ficou adulto. Tipo, de repente, ele deixou de ser…

O estudante passou a ser o adulto da situação. Pra mim, é cena importantíssima, mas eu sabia que não ia aparecer no filme. Com certeza, né? Acho que principalmente porque…

Acho que o Harry tinha que ser a pessoa a fazer isso mesmo, ele é a única pessoa que tinha intimidade com o Lupin pra virar pra ele e falar, meu, você tá fazendo merda, entendeu? Agora você aí, nesse momento, né, você tá lutando, você é um aliado poderoso, mas você tem uma família, entendeu? As pessoas, elas estão fazendo o que elas podem e você tem uma família agora, tá criando isso, você não pode abandonar a sua esposa, velho, enquanto ela vai ter um filho, sabe? Enquanto, tipo assim, eu não tive pais e foi uma merda.

Então, se você tiver a opção ou não, manda no seu filho. Enfim, no fim… Acabou que não rolou, né? É, não, exato, mas aí pelo menos foi um rolê.

Pô, eles estavam ali lutando pelo futuro do mundo bruxo e pelo futuro do Terry, e aí eles morreram. É melhor do que fugir, né? Claro, com certeza. Não, e essa questão é, o Lupin tem essas vaciladas, né, mas ele é muito corajoso, né, gente?

A gente até não falou sobre isso ainda, mas eu acho que um dos pontos importantes é que ele não foi selecionado pelo Chapéu Seletor para participar da Grifinória à toa, né? O Chapéu Seletor tinha muita razão. Ser corajoso, ser Grifinório, não é necessariamente não ter medo, mas ter o medo e, no fim das contas, enfrentá-lo, né? Decidir enfrentá-lo, assim, né?

Esse era um grande medo para ele. E ele enfrentou? Então, assim, Grifinório? Sim.

Ele passa um tempão lá com os lobisomens, isso também não aparece nos meus filmes, porque o Dumbledore manda ele lá para os lobisomens tentar convencer cada um deles a vir para o lado do Dumbledore. Algo perigosíssimo, né? E eu acho que ele não gosta muito de lobisomens, né? Por que será?

Então é muito corajoso da parte dele também fazer. Inclusive, ele pegava as missões mais perigosas. É, eu acho que quando se trata realmente de, tipo, assim, se arriscar pelo bem das pessoas e tals, ele não hesita, não, tá ligado? Ele vai e é isso, assim.

Porque é essa questão mesmo, né, de ele e a Tonks terem ido lá para Hogwarts, para a batalha e tals. Foi muito de tipo, cara, a gente precisa ajudar da forma que a gente puder e bora lá, entendeu? Deixa o filho em casa com a avó e vamos, né? Porque a gente está aqui lutando por tudo, por ele, pelo futuro de outras pessoas, pelo nosso futuro e tals.

E, enfim, eles morrem e é um sacrifício muito grande, né? E é outra coisa que os filmes perdem, por não mostrar toda essa história, não mostrar que o Lupin tem um filho, não mostrar que o Harry é o padrinho, não mostrar nada disso, essa relação do Lupin com a Tonks. Quando a gente vê o Lupin lá, assiste o filme, se a gente não lê os livros, a gente vê o Lupin lá na batalha, a gente nem sente nada demais. Enquanto que no livro…

É, não, exata. A gente, a cena da mãozinha, né, assim, que é linda a cena das mãos dele se cruzando, mas ao mesmo tempo é isso. Os filmes é totalmente assim, né? A Morte do Dob, enfim, tudo, tudo, tudo.

É assim. É Yates, né, gente? É David Yates, que homem, meu Deus. E, às vezes, é simplesmente como a gente discutiu no nosso primeiro episódio, que são os maiores erros dos filmes, não só é uma situação de, às vezes, você não sente a emoção que você deveria sentir, como, às vezes, cria incongruências, cria falhas, né, de roteiro, no sentido de, tipo, quando o Harry vai pra floresta pra ele morrer e ele começa a ver todo mundo, o Harry pega e fala pro Lupin, né, ah, e o seu filho?

Os espectadores, que filho? Que filho? Tipo, oi? É muito…

Nossa Senhora, meu Deus do céu. Não, sendo que essa parte do Harry virar o padrinho do filho do Lupin, isso é circular, né? A história fazendo um full circle. Então, o Harry, que era o afilhado dos signos e perdeu os pais, agora vai ser o padrinho de alguém que perdeu os pais.

É uma coisa tão poética, tão legal, e nos filmes tem nada. Nossa, em Cursed Child também, né? Bom, não que Cursed Child salve alguma coisa, mas eu fiquei meio chateado que o Ted não tem lugar, assim, aparentemente, né, em Cursed Child. Marina, que leu recentemente, ele é muito x, assim, né?

Parece… Eu nem lembro, ele não é mencionado. Porque, assim, no epílogo de Harry Potter, no livro, tem aquela cena que o Thiago, né, Sirius, ele fala, tipo, ah, nossa, o Ted toca Vitor, não sei o quê, meu Deus, kkk. É isso.

Essa cena não tem em Cursed Child. Ele não tem esse comentário. Então, o Ted não existe, basicamente. Sendo que, cara, pelo menos da minha concepção, né?

Tipo, assim, é muito um Red Cannon, né, que eu vejo muito em Flamfica e tals. É que, tipo, véio, o Ted é praticamente o primeiro filho do Harry, né? Assim, beleza, ele foi provavelmente mais criado pela avó, mas o Harry era muito presente, tava lá. Harry deve ter acompanhado muito, né?

Exato. E aí, tipo, tem que pensar que a Dromeda já era mais velha, já era sozinha. Então, o Harry deve ter ajudado muito. E aí, então, ele casou com a Gina, a Gina também devia.

E aí, tipo, eles tiveram um filho, o Ted era o irmão mais velho. Entendeu? Tipo, que tava ali e tals. Então, realmente, na estrutura familiar, eu acho que faz muita diferença, né?

Acho que eles só não quiseram botar muitos personagens na peça, porque já ia ficar meio confuso, né? Ah, é Cursed Child fazendo merda. É… Com certeza foi mais por isso, mas ainda assim, ué, se você tá fazendo uma história que é das histórias dos filhos, né?

Tem a próxima geração, você não pode simplesmente ignorar um personagem importante, né? Fazer uma história original, né? Não pega o que já existe. Ai, meu Deus, é isso.

E o Lupin, né, Renata? Você tava me contando aí nos bastidores da gravação, como se a gente tivesse todo mundo junto, né? Sonho, enfim. Que ele inspirou você a criar alguns personagens na sua série, né?

Nos seus livros. Sim. Não é, meu personagem favorito tinha que… Eu tinha que…

Com certeza eu ia criar algum personagem que parecesse. Tem dois personagens, principalmente, que são o professor Gaúcho Atlas, que é o professor favorito dos meus leitores. Ele é uma mistura do Lupin e do Cílius. Então é aquele que são os meus dois favoritos.

Ele é aquele professor, assim, mais legal e, ao mesmo tempo, é… Marcado por um passado muito trágico, né, enfim. Também. E é aquele professor amigo dos alunos, que estão existendo o Lupin, e tem também um pouco da irresponsabilidade do Cílius.

E o Kapi, que é o personagem favorito dos leitores, ele tem um pouco do Lupin quando era jovem. No meu livro tem um grupo de alunos que são os Pixis, que são um grupo mais rebelde, que quer mudar o mundo. E eles são, tipo, uns marotos, só que eles têm uns objetivos legais. Só que sem ser escrotos.

É, exatamente. Eles têm uns objetivos legais. E aí o Kapi é o filho do zelador da escola. O zelador piasco da escola.

Em casa, o Harry Potter é aborto, né? Então, ele é filho do aborto, que é o zelador da escola. Então ele tem essa um pouco de tímido, e aí os Pixis vão e adotam ele. E aí ele começa a crescer, é.

Os extrovertidos adotando o introvertido, né? Isso. Então tem isso do Lupin também. Mas é claro que, assim, eu não fiz isso de propósito.

Eu gostava tanto do Lupin que aconteceu. Surgiram esses personagens e depois eu pensei, caraca, olha só, o Lupin tá aqui, eu acho. Tá aqui e tá aqui. Ah, legal.

Aliás, Renata, Bom, a gente encaminhando pro nosso encerramento, né? Mas antes de encerrar, aproveitando o gancho dos seus personagens, apresenta pra gente o seu livro. Apresenta pra mim, no caso, não, porque eu já li. Inclusive amo.

Apresenta pra Marina, que talvez ainda não tenha lido, pros nossos ouvintes. Não, mas eu li o primeiro, lerei os outros. Bom, eu escrevi Arme de Carlate em 2011. Ele foi inspirado em Harry Potter, né?

Eu ficava lendo Harry Potter e pensando como é que seria a comunidade bruxa no Brasil. E como a J.K. ainda não tinha pensado nisso, nessa parte, ele não tinha falado pra gente nada, eu falei, cara, eu vou criar. Eu vi uma entrevista com ela, em que um fã norte-americano perguntava se ela um dia ia escrever um livro sobre uma escola de magia nos Estados Unidos.

Aí ela disse que não, mas que se ele quisesse, ele podia escrever o dele. Aí eu, perfeito, né? Porque eu já tava pensando em como é que seria aqui. Então eu resolvi fazer a minha versão, tipo o meu universo paralelo de como seria o Brasil do ponto de vista de uma brasileira.

E aí eu tive essa ideia da Arme de Carlate, que iam ser cinco livros, cada um deles, e iam se passar em uma das cinco escolas de magia do Brasil. Afinal de contas, o Brasil é grande demais pra ter simplesmente uma escola, Castelo Bruxo, que abrigaria a América Latina inteira, pessoas que falam três línguas diferentes. Puta que pariu, né, J.K. Rowling?

Acho que você começou a desandar quando você criou Castelo Bruxo, vamos ser sinceros. É um Brasil paralelo dela, eu acho legal ter os dois, assim. Mas é… É, eu pensei isso, o Brasil é muito grande, a Grã-Betanha é do tamanho do sudeste brasileiro, né?

Então eu falei, uma escola em cada região, cada uma delas é diferente, uma da outra, né? Eles ensinam magias diferentes. Arquitetonicamente, né, em questão de ensino e tudo, né? Tudo.

E aí tem o Hugo, que é o personagem principal, ele é meio que um anti-herói. Eu lembro que eu ficava pensando como é que seria Harry Potter se fosse do ponto de vista do Malfoy ou do Snape, ou alguma coisa assim. Aí eu resolvi, não, vou fazer um personagem, assim, que fica entre os dois lados. Então eu criei o Hugo, que é uma carioca, né?

Bem malandro, né, no início. Ele é um personagem muito interessante de acompanhar, porque, enfim, ele vai desde o início, né? Ele tem um arco, assim, nativo, que ele vai passando por muitas transformações, enfim. Ele falha muito, e ele aprende com os erros, e tá sendo inserido ali naquele universo, e eu acho muito interessante, assim, a jornada dele, até onde eu acompanhei aquela.

Obrigada. É uma realidade muito diferente, né? O que leva o Hugo a aprender magia é completamente diferente do que leva o Harry. Sim, ele tá sendo ameaçado pelos chefes do tráfico, e aí ele foge com o objetivo de aprender magia o suficiente pra voltar lá e acabar com o bandido que tá ameaçando a família dele.

Então, desde o começo, ele, assim, ele não enxerga a varinha dele como uma ferramenta, ele enxerga como uma arma, tanto que a arma escarlate. E ele, desde o começo, encara como uma arma. Cara, eu vou aprender tudo o que eu puder de magia, porque eu quero voltar lá e acabar com aqueles caras, e salvar minha mãe e minha avó. Ele tem um pouco disso, dessa agressividade, no início, principalmente, de não confiar nos outros.

E aí os Pixies, que são esse grupo, né, adotam ele também. Uhum. E o resto é história, né? O resto, vocês vão ter que comprar o livro, aqueles.

Já tem três, né? É a arma escarlate, que é o primeiro, a comissão chapeleira, que é o segundo, e o Dono do Tempo, né? Que é o terceiro, que foi dividido em dois volumes, né? Isso, exatamente.

É o terceiro, o terceiro se passa na Amazônia, então são tantas lendas folclóricas e tanta cultura que precisou de ser dividido em dois livros. Eu recomendo muito a vocês, que estão escutando a gente ler os livros. Não é porque ela tá gravando, porque ela aceitou o nosso convite, não, tá gente? Eu realmente gosto, tá?

Obrigada, obrigada. Mas me conta, Rê, onde as pessoas, além dos livros, é claro que as pessoas vão achar nas livrarias, né? Onde as pessoas podem te encontrar nas redes sociais e falar com você, trocar uma ideia, sobre o looping ou sobre essa série, enfim. Pode no Facebook, no Instagram, meu Instagram é renata__ventura__escarlate.

Eu tenho usado mais o Instagram agora, porque aparentemente ele comunica melhor do que o Facebook com os leitores. Então, mas podem falar também no Facebook comigo, por inbox, qualquer coisa, eu adoro conversar. Também tem meu site, que é renataaventura.com.br. Ah, e os personagens, depois que vocês leriam os livros, se vocês forem ler, os personagens têm Facebook, então vocês podem fazer amizade e conversar com eles.

Immersivo, amei. É, o universo é a parte. Enfim, e as suas redes, Marina? Caso o pessoal queira falar com você, caso queira te perguntar sobre o que você achou de Arma Escalate, ou queira falar sobre você, ou queira falar sobre o looping, onde te acham?

É arroba marinandelli, marinandelli, em todas as redes sociais, se você não procurar, é marinandelli. Exato, e as minhas, como sempre também, como sempre digo, são arroba im pedromartins, no Instagram, no Twitter, no Clubhouse, enfim, tudo quanto é lugar que vocês quiserem, eu vou estar lá como im pedromartins. E tem as do Poteriche, não é Marina? Sim, é arroba potericheoficial no Instagram e arroba poteriche no TikTok, no Twitter e no Facebook.

Além do site, é claro. Poteriche.com, para as suas listas, artigos, notícias do mundo broncho, entrevistas, tudo de melhor. Então é isso, gente, ficamos por aqui hoje e a gente aguarda você de volta na terça-feira que vem, com mais podcast terça-feira, para vocês lembrarem de colocar na agenda. Um beijo aí para quem escutou e até a próxima.

Beijo, tchau. Beijo.

Ouça em