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JK Rowling: ‘OdF é o livro mais sombrio de toda a série’

Potterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling JK Rowling: 'OdF é o livro mais sombrio de toda a série'Potterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling JK Rowling: 'OdF é o livro mais sombrio de toda a série'
A autora do livro Harry, A History, Melissa Anelli, fez uma série de entrevistas com JK Rowling e tem revelado alguns trechos em seu website desde agosto. Agora ela publica outro excerto, desta vez, comentando o final de Ordem da Fênix.
Nele, Jo diz que não há uma resolução nítida no final deste livro e que, pela primeira vez na série, a relação custo-benefício não é muito boa: Harry de fato impede Voldemort de conseguir informações sobre a profecia, mas, por outro lado, perde Sirius. Ela também comentou sobre o clima do quinto livro:

“Eu acho que é o livro mais sombrio de toda a série devido ao que Harry está vivenciando internamente. Porque você sempre vê o mundo através dos olhos dele, mesmo não sendo uma narrativa em primeira pessoa. O humor dele, sua atmosfera interior, afeta tudo.”

O isolamento vivenciado por Harry nos últimos livros, também foi abordado no decorrer da entrevista:

“Estávamos falando sobre o sentimento de culpa de quem sobrevive e os sentimentos complicados e bagunçados que ele tem para com Cedrico e o horror do isolamento. Porque Rony e Hermione são as pessoas que melhor lhe entendem, mas eles não são O Eleito, eles não têm a cicatriz.”

Você pode conferir a tradução completa do artigo na extensão. Muito obrigado, Praty, pela dica!

JK ROWLING
A Ambivalência do Livro Cinco

Harry, A History ~ Melissa Anelli
16 de dezembro de 2008
Tradução: Fabianne de Freitas
Revisão: Renan Lazzarin

Como aqueles que já leram Harry sabem, Ordem da Fênix não é o meu favorito na série de livros. Eu acho difícil apreciá-lo da mesma forma que os demais. Jo e eu começamos a falar sobre isso durante a entrevista, e, com o nosso hábito de sair-do-assunto-e-entrar-na-realidade, essa se tornou uma longa discussão sobre a trama, as armadilhas e a quase-resolução daquele livro. Eu espero que vocês gostem!

JKR: Depois daquele final em [Cálice], que final viria a ser bom o bastante para o cinco? Eu sabia os grandes finais que eu tinha preparado para o seis e sete! [risos]. Essa foi outra dificuldade no cinco.

MA: Não existe um vencedor claro [em Fênix].

JKR: Não há uma resolução nítida. Não há. Pela primeira vez, você acaba ficando bem para baixo. Digo, Voldemort retornando é uma reviravolta horrível, mas Harry retorna, Harry sobrevive. No cinco, [o final] é muito mais sombrio, para acompanhar o mesmo tom de todo o livro. Nós ganhamos ao impedirmos Voldemort de receber toda a informação – mas perdemos Sirius. Então, pela primeira vez, nós temos na balança – você faz uma análise de custo-benefício e não foi muito bem. O resultado realmente não foi tão bom.

MA: Você ficou preocupada sobre como os leitores iriam reagir?

JKR: Eu definitivamente sabia. Eu acho que é o livro mais sombrio de toda a série devido ao que Harry está vivenciando internamente. Porque você sempre vê o mundo através dos olhos dele, mesmo não sendo uma narrativa em primeira pessoa. O humor dele, sua atmosfera interior, afeta tudo. Então uma vez que ele luta no seis, é como se o Sol se expandisse, e mesmo que o mundo ao redor dele seja difícil, ele está agora preenchido com esse espírito entusiasmado, então eu acho que o humor dele melhora imensamente.

Eu não me preocupei, pela razão de que eu nunca me permiti preocupar-me. Essa é uma fria pela qual eu não entro. Eu só penso “Eu tenho que escrever o que eu quiser escrever”. Você não deve ser afetado pela popularidade ou impopularidade nesse sentido. É errado. Você tem que escrever o que quer escrever, contar sua estória. E eu sempre quis que Harry passasse por uma fase na qual… ele tivesse que se questionar, sozinho no escuro. Por que eu? Por que tem que ser eu? Eu me perguntaria. Qualquer um se perguntaria. É claro, em vários sentidos seria incrivelmente implausível que ele chegasse onde chegou sem ter tido um colapso grande.

Eu me lembro de falar sobre isso com Dan Radcliffe. Estávamos falando sobre o sentimento de culpa de quem sobrevive e os sentimentos complicados e bagunçados que ele tem para com Cedrico e o horror do isolamento. Porque Rony e Hermione são as pessoas que melhor lhe entendem, mas eles não são O Eleito, eles não têm a cicatriz. Estar totalmente sozinho…

[risos] Taaaaalvez alguns dos meus sentimentos sobre a minha situação possam ter vazado para Harry nesse ponto, me ouvindo falar, mas não tenho certeza. Eu sempre planejei que ele cairia nessa dúvida sobre ele mesmo e nessa raiva e depois ele se reergueria para o seis. Porque o seis e o sete estão tão intimamente relacionados, acho que vocês podem ver isso agora. Você termina o seis e realmente entra direto no sete. Eu não acho que exista uma grande mudança emocional entre Harry no seis e Harry no sete. Você concorda?

MA: Até a parte final do sete.

JKR: Sim, aí então tudo absolutamente desmorona e Harry é o guerreiro solitário, o que eu acho que esperamos pela tradição dessa literatura, não é? Nós esperamos que chegue um momento em que todo o resto desmorona.

Uma outra coisa interessante no 5 é que é o único livro que Harry se mantém cercado de pessoas até o fim. Isso foi proposital porque ele se sente isolado desde o começo e aí no final – e eles fizeram isso muito bem no filme – chega esse momento em que ele percebe que essas pessoas permanecerão com ele, então, pela primeira vez, a cena da batalha é com ele cercado pelos outros. Essa foi uma inversão intencional. Antes, ele era uma pessoa bem mais feliz em continuar sua missão sozinho. Dessa vez ele precisava de apoio e o recebeu. Mais uma vez isso pode ter, levemente, enfraquecido o final, porque é tão satisfatório ver o herói completar a sua missão sozinho.