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Jason Isaacs fala sobre seu trabalho em Harry Potter

A algumas semanas da estréia de Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte: 1, o ator Jason Isaacs, intérprete de Lúcio Malfoy na série de filmes, concedeu uma entrevista ao Hero Complex na qual falou sobre seu trabalho na franquia.

[meio-2]Na entrevista, Jason falou sobre trabalhar com os outros atores da série, seu personagem e sobre a queda que ele sofre nos dois últimos capítulos da história.

Eu li como você leu os quatro primeiros livros de “Harry Potter” no período de três dias. Você é um grande fã de literatura infantil ou de fantasia?
Não, de forma alguma. Na verdade eu estava um certo desdenhoso sobre esses livros. Não entendia porque algumas pessoas da minha idade estavam rindo sobre eles e perguntando se eu os tinha lido. Eu ando muito de trem na Inglaterra e adultos – pessoas que bebem e se voluntariam para o exército e em idade de casar – estavam lendo livros de crianças. Eu fiquei um pouco cheio dos livros até que mergulhei neles. Eles são tão belamente escritos, você se transporta. Há um valor grande ali. Eles são perceptivelmente um escapismo belíssimo. É como sentar-se em um tapete voador quando assim que você vira a capa.

A tradução da entrevista na íntegra se encontra em notícia completa. Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte:1 estréia dia 19 de novembro.

Para mais informações, fiquem ligados no Ish.

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE
Confissões sobre a peruca de Malfoy: Eu passei de Pamela Anderson à Lady Gaga

Hero Complex ~ Patrick Kevin Day
30 de outubro de 2010
Tradução: Bruna Thalenberg e Antônio Kleber

UM MÊS DE MAGIA: O Hero Complex está contando os dias até 19 de Novembro, data de lançamento de “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” – o penúltimo filme da franquia histórica “Potter” – com entrevistas, fotos, vídeos e relatos do set. Hoje: Nosso Patrick Kevin Day conversa com o ator Jason Isaacs e discute a vilania de Lucio Malfoy e o atual paradeiro de sua longa peruca loira.

Você disse adeus para os filmes de “Harry Potter”?
Eu cheguei ao fim da linha no último natal. Em algum ponto de dezembro, eu acho. Eu tentei demorar o máximo que pude com um pouco de dublagem e publicidade e coisas do tipo porque eu não consigo dizer adeus. Eu acho que nenhum de nós consegue.

O que é que você não consegue abandonar – as pessoas, o personagem, a história?
Tudo isso e mais. Tem muito que se amar em “Harry Potter”. Todas as coisas que você normalmente passa durante a gravação de um filme, é exatamente o oposto. O set é um lugar muito feliz e reconfortante. A maioria dos sets são lugares com um medo latejante, de que todo mundo está fazendo o trabalho errado na hora errada. De que ninguém vai assistir ao filme, de que ninguém gostará da história, ninguém irá trabalhar de novo. Os atores normalmente passam por cima disso, mas com “Harry Potter”, as coisas são muito diferentes. Você sabe que está fazendo uma história que você ama fazer parte e com a qual pessoas são obcecadas. É a diferença de fazer uma festa e se perguntar se alguém virá, e fazer uma festa aonde as pessoas tem que esperar para entrar. Tudo parece certo. E isso é só na parte da história. Ainda tem a parte dos meus colegas de trabalho. Eu ainda me belisco depois de uma década, não consigo acreditar que eu trabalho com o tipo de pessoas que eu trabalho. Na maior parte de filmes com muitos efeitos especiais, você reclama de ficar sentado esperando por uma grande quantidade de tempo, enquanto em “Harry Potter” não havia tempo suficiente para ficar sentado esperando, já que você está sentado esperando com Maggie Smith e Alan Rickman e Bill Nighy e Jim Broadbent e Imelda Staunton e por aí vai.

Parece que hoje em dia, estar no elenco de “Harry Potter” é visto pela comunidade de atores inglesa como ter vindo da Royal Shakespeare Company.
É, eu concordo. Deixando de lado o prazer de estar no elenco, que é uma coisa mágica de que nunca vou me esquecer, eu tenho pena das pessoas que não conseguiram entrar nesse clube durante esses dez anos, porque agora as portas se fecharam. Tem um número finito de nós. Tem essa sensação de se juntar às nossas fileiras. Quando há um filme novo, tem umas duas ou três pessoas que se juntam ao elenco. Eu tenho uma enorme quantidade de amigos que estavam na lista de espera e agora não irá acontecer.

O fato da série de livros chegar ao fim – e saber desse fim – mudou a sua interpretação do personagem em filmes anteriores aos livros?
Sim, eu me sinto sortudo porque Lúcio, na verdade, teve uma jornada. Há uma série de personagens que não mudaram muito, mas Lúcio começou sendo um [imbecil] arrogante , um fanático monstruoso e racista que eu estava esperando que ele teria seu castigo em algum momento. Mas eu não imaginei que eu seria tão humilhado e diminuído publicamente. Lúcio achou que ele estaria do lado de Voldemort e que tombaria com ele. Ao invés disso, eu fui completamente emasculado por ele e rejeitado por todos, e como um ator isso é uma coisa tremendamente interessante de se fazer, não interpretar o mesmo papel o tempo todo. Então, depois de toda aquela arrogância, eu acho que é extremamente satisfatório para mim e para a audiência vê-lo tão acabado.

Você guardou sua peruca de Malfoy?
Não. Mas eu pedi para ficar com ela. Haviam muitas perucas. O estilo mudou durante os anos – parecia mais com a Lady Gaga na última encarnação. Ela começou como Pamela Anderson, eu acho. Haviam milhares delas e eu não sei aonde elas estão – formando uma banda ou algo do tipo, eu acho.

Você teve alguma inspiração do mundo real para sua interpretação de Malfoy?
Quando eu fui chamado para o elenco e dei uma olhada no primeiro filme, eu vi Alan Rickman, que é o melhor homem mau do mundo e era brilhante como o sinistro Snape, e eu pensei, “O que diabos eu vou fazer? Como eu vou fazer que seja diferente em alguma maneira?”. Tudo o que eu tinha que fazer era olhar em volta. Eu não sei o que vocês têm nos Estados Unidos, não estou familiarizado com seus políticos de direita, mas nós temos bastante pessoas na Europa que se manifestam e falam o tipo de coisa que Lúcio fala sobre a separação racial e manter a raça pura e não é forçado e nem nada. Lúcio parece ter sido recortado de uma manchete de jornal diário. Esse senso de arrogância e superioridade é algo que você vê em qualquer jornal da Europa em um dia comum.

Você diria que Lúcio é o pior vilão que você já interpretou?
Não, ele não é o pior. Ele é um covarde. E no fim, ele nem chega a fazer muitas coisas. Ele late muito, mas não morde. Se ele fosse capaz de fazer alguma coisa, ele poderia estar entre os mais perversos e as consequências seriam calamitosas. Mas ele está muito mais preocupado com como ele parece e soa para o espelho e estar no jornal do que ele está com fazer alguma coisa. Eu acho que Voldemort está certo sobre ele ser viciado em seu status e ficar andando no meio das pernas dos outros, e que ele passa tempo demais no alfaiate e não afiando sua varinha

Quem você diria que é pior que Malfoy?
Cel. Tavington em “O Patriota”, aonde ele matou todos aqueles prisioneiros e crianças. Isso é um comportamento relativamente imoral, dependendo do seu ponto de vista. Eu também vivi um personagem monstruoso em um filme chamado “Tennins, Anyone…?” que foi escrito e dirigido por Donal Logue e não foi visto por muitas pessoas. Meu personagem se chamava Johnny Green e te deixava completamente enojado. Eu não acho que eu tenha interpretado muitos vilãos. Há “O Patriota” e alguns outros papéis, mas de algum mostro esses outros papéis que ficaram esquecidos na consciência do público e eu não me importo nem um pouco.

A série “Harry Potter” durante o período de oito anos te permitiu ter mais chances quando você não os estava fazendo?
Sim, me permitiu. Definitivamente me permitiu. Significou que colocar o meu nome em coisas bem menores faz com que elas sejam mais favoravelmente financiadas. Significou que eu posso ser ligeiramente preguiçoso também. Ocasionalmente posso fazer coisas que acho que são divertidas ou interessantes, tanto no palco quanto na tela, que podem não ter um público. Mas pelo fato de saber que eu consegui um outro trabalho bom, grande, razoavelmente bem pago e de primeira linha para onde voltar, posso fazê-los.

Eu li como você leu os quatro primeiros livros de “Harry Potter” no período de três dias. Você é um grande fã de literatura infantil ou de fantasia?
Não, de forma alguma. Na verdade eu estava um certo desdenhoso sobre esses livros. Não entendia porque algumas pessoas da minha idade estavam rindo sobre eles e perguntando se eu os tinha lido. Eu ando muito de trem na Inglaterra e adultos – pessoas que bebem e se voluntariam para o exército e em idade de casar – estavam lendo livros de crianças. Eu fiquei um pouco cheio dos livros até que mergulhei neles. Eles são tão belamente escritos, você se transporta. Há um valor grande ali. Eles são perceptivelmente um escapismo belíssimo. É como sentar-se em um tapete voador quando assim que você vira a capa.

Há tantos grandes detalhes nos livros.
Eu não tinha filhos quando eu consegui o trabalho em ‘Câmara Secreta’. Eles tem sido generosos com nossos horários para permitir que eu e outors atores façam outras coisas. Mas uma coisa que eles fizeram foi programar meu horário em torno do nascimento da minha filha em ‘Câmara Secreta’. Então subsequentemente eu li uma quantidade absurda de livros para crianças. Não somente me diverti com os livros de ‘Potter’ na época, em retrospecto, vejo somente o quanto eles são bem sucedidos em apelarem para diferentes idades. E eles significam coisas diferentes para crianças em idades diferentes. Estou, na verdade, na primeira rodada de leituras de Harry Potter agora para a minha filha de cinco anos e me pergunto em que ponto devo parar. Ela fica querendo ir pro próximo livro e fico pensando em que ponto eles ficam muito adultos. Mas ela ficou absolutamente fanática por eles e não vai amolecer. Ela já viu os dois primeiros filmes. Acho que eles ficam muito assustadores depois disso para ela nessa idade.

É estranho para sua filha vê-lo como o cara mau em uma história na qual ela está muito envolvida?
Eles não me vêem realmente nela. Meus filhos gotam também de “Peter Pan,” que eu acho ter sido um filme lindo, um filme de P.J. Hogan no qual estive. E eles não me vêem de fato. Não sou de fato eu na telinha. Parece um pouco comigo, mas eles esquecem em cinco segundos. Estou feliz por eles realmente não entenderem. Eles estiveram no set de “Harry Potter” algumas vezes e eles podem ver que isso gera um frisson entre os amigos, mas pra eles é só o trabalho do papai e eles se divertem mais no trailer. É uma coisa estranha, ter interação de fã. Quando as pessoas aparecem pedindo uma foto ou um autógrafo é algo que eu detesto fazer quando estou com as crianças. Porque é uma dinâmica surreal demais pra que eles embarquem. É como se o mundo mudasse para eles. É como se eles deixassem de ser pelos minutos que eu interajo com os fãs e sou muito legal e educado e tiro fotos e assino coisas. E então eu me viro pra eles e eles voltam à vida. É como se houvesse uma parte no mundo na qual eles preferem não estar envolvidos. Então eles simplesmente vivem em negação acerca disso. E prefiro assim do que eles se envolvam demais. Não parece uma coisa saudável. Prefiro que eles gostem de assistir “Peter Pan” porque eles gostam de Peter Pan e de sereias e eles gostariam de voar. Eu quero que eles gostem de Harry Potter porque eles gostam de Harry e Dobby e é acidental o fato do cara loiro parecer com o papai.

Você não quer seus filhos o associando a um homem mau na tela.
Não, não acho que eles iriam. Embora quando minha filha Lily tinha apenas um ano e meio eu estava nadando num oceano na Austrália e fui levado por uma onda e eu estava lá, balançando pra cima e pra baixo esperando e na esperança de que eles pudessem me ver, e balançando as mãos pro alto, sabendo que me afogaria em um minuto, pensei comigo mesmo: eu deveria ter deixado mais vídeos meus falando como eu mesmo porque estou deixando pra eles um monte de coisa de ‘cara mau’.

E o que vem pela frente?
Estou falando com você de Edimburgo, onde estou filmando uma série para a BBC. Quando acabar, vendi uma idéia pra um canal americano. Então estou tentando desenvolver isso. Na verdade, estou ligeiramente cansado de viajar pelo mundo. Uma das muitas coisas boas sobre “Harry Potter” é que normalmente você não se importa de forma alguma com o filme – o resultado final, se as pessoas vão assistir. Gosto do processo de realização do filme. Não posso dar um passeio com bruxos, mas posso dar um passeio com policiais, que eu acho fascinantes. É a realização do filme que eu gosto. É o que todos nós gostamos de fazer. Tirando “Harry Potter.” Há algo sobre o prazer que ele dá ao mundo que o faz uma alegria pra se estar por perto. Há também a questão de se trabalhar em casa. Saber que você trabalha em Londres e uma vez a cada dois anos você pode dormir na sua própria cama. A maioria das pessoas que não usam suas vidas na estrada e em quartos de hotel não apreciam o que isso significa. Eu tive muitos anos em que pude me divertir em hotéis e aeroportos e me tornar zilionário em milhas de vôo. Mas procurei fazer bem mais televisão ultimamente porque gosto de ver meus filhos todo fim de semana. Porque sei que um dia serão chaves do carro e reabilitação, e agora é biscoitos e patinação no gelo e estou tentando apostando na parte boa.

Sobre o que é a série da BBC?
É baseada numa série de romances de crime escritos por uma mulher chamada Kate Atkinson que é bem popular por aqui. Jackson Brodie — ele é um detetive bem diferente. Ele realmente não detecta nada. O que ele faz é muito mais ituir e enfatizar. Ele é um cara interessante. Estranhamente eu venho evitando ser o detetive uase que durante toda a minha carreira. É um dos estereótipos da atuação. Eu fiz os audio livros dos romances de Kate Atkinson, e interpretei todos os personagens. Interpretei centenas deles. Então quando eles vieram a mim perguntar se eu gostaria de interpretar o personagem principal na televisão pareceu sincronia.