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Jason Isaacs fala sobre próximos filmes e relação com fãs

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Em uma entrevista nessa semana ao jornal britânico The Guardian, o ator Jason Isaacs que interpreta o malévolo Lúcio Malfoy, comentou sobre sua relação com os fãs e sobre seus próximos projetos no cinema.
Jason Isaacs tem o tipo de face que é difícil de se lembrar, e isso é um elogio. Ele não é aquele tipo medíocre – ele não é (devem ser aqueles olhos azuis pálidos) – mas de alguma forma, parece desaparecer em cada um dos papéis que interpreta.

Jason também contou como conseguiu salvar a sua carreira de artista e como os filmes da série Harry Potter contribuiram para isso.

“Me senti da mesma forma quando fui para a universidade. As pessoas se lembram de mim como alguém confiante, possivelmente arrogante, mas na verdade eu estava terrificado. Estava rodeado por todos aqueles rapazes e garotas das escolas públicas, que eram muito confiantes.”

Confira a entrevista traduzida em notícia completa.

Merci, Univers Harry Potter.

JASON ISAACS
“Meu filme fracassara e Hollywood não queria saber de mim”

The Guardian – Emine Saner
10 de janeiro de 2008
Tradução: Adriana Couto Pereira

A despeito do grande sucesso dos filmes de Harry Potter, Jason Isaacs se via rejeitado pela indústria cinematográfica. Ele fala para Emine Saner como ganhar um papel na série dramática americana Brotherhood salvou sua carreira.

Jason Isaacs tem o tipo de face que é difícil de se lembrar, e isso é um elogio. Ele não é aquele tipo medíocre – ele não é (devem ser aqueles olhos azuis pálidos) – mas de alguma forma, parece desaparecer em cada um dos papéis que interpreta. Não acho que ele fique ofendido quando digo a ele que nunca ouvi falar dele (sim, eu sou encantadora). Ao invés disso, o que eu me lembro são seus personagens. Um dos mais extraordinários, em 2006, foi Chris em Scars, um filme de baixo orçamento do Canal 4 onde Jason interpreta um criminoso violento verídico. Ou o malvado coronel britânico em O Patriota. Ou o deliciosamente esnobe Lucius Malfoy nos filmes de Harry Potter. Ou o embaixador britânico cuja ética se vê desafiada no drama da BBC The State Within, que o fez ser nomeado para um Globo de Ouro. O evento foi recentemente cancelado por causa da greve dos roteiristas, mas como muitas outras estrelas, Isaacs diz que não teria tentado atravessar o piquete dos grevistas.

A greve também garante que o futuro de sua série televisiva, Brotherhood, é incerto. Isaacs, 44, interpreta Michael Caffee, um gangster que volta para sua vizinhança irlandês-americana em Providence, Rhode Island, depois de dez anos fugindo, enquanto seu irmão vê sua carreira de policial começar a crescer. A segunda temporada estreou recentemente no Reino Unido, mas na América, a greve dos roteiristas ainda significa que a terceira temporada permanecerá no limbo.

Isaacs ganhou o papel em Brotherhood após ir a Los Angeles para “salvar minha carreira”. Ele apareceu no filme Peter Pan, de 2003, que fracassou, embora Isaacs declare ainda acreditar que é o melhor filme que ele já fez. “Eu estava na ‘prisão de Hollywood’ – ninguém me tocava porque estivera no centro de um fracasso muito caro”, ele diz. Enquanto esteve ali, ele obteve um pequeno papel em um par de episódios de The West Eing. “Eu fiz e adorei. Então me ofereceram o piloto [do Brotherhood] e estava otimamente escrito e, francamente, eu me sentia rejeitado pelo mundo do cinema”. Com sua família morando em Londres, ele teria pensado nas implicações de assinar com uma série de TV americana de longo prazo (foi contratado para seis temporadas)? “As pessoas me avisaram para pensar nisso cuidadosamente. Mandei um e-mail para um amigo que está em uma série americana de grande sucesso” – não, ele não disse quem – “e ele escreveu de volta, dizendo, ‘não faça isso. Vai arruinar seu outro trabalho, dividir sua família, as pessoas na Inglaterra vão esquecer de você, outros projetos não o aceitarão mais…”

Ele concorda que foi uma bênção meio estranha. Brotherhood é uma série inteligente com grandes escritores, e ele foi muito bem pago por isso, mas também significa passar cinco ou seis meses por ano em Rhode Island, e sua filha mais velha, que tem cinco anos, entrou na escola há pouco tempo, em Londres. Quando perguntei sobre o segredo por trás de sua relação com a esposa Emma Hewitt, que conheceu na escola de teatro – eles estão juntos há 20 anos e têm duas filhas – ele disse que tenta não ficar separado por muito tempo. “Tenho que experimentar grandes extremos em minha vida profissional”, ele diz. “Estou assassinando, amando, salvando, explodindo, soluçando, lutando. Então eu amo a simplicidade de ensinar minhas crianças a fazer omeletes e ler histórias para elas. Não preciso de excitação em minha vida pessoal.” O outro segredo, ele disse, é que os dois são “insanamente apaixonados pela vida de pais. Poderia ser errado dizer que não tenho mais ambições não cumpridas, mas eu não tenho ambição alguma que não seja para o benefício delas”. Profissionalmente ao menos, Hewitt, uma documentarista, é a que faz os sacrifícios. “Ela decidiu abandonar uma carreira de muito sucesso e me seguir e viver, sem nada mais para fazer, nesses lugares longínquos, e não integrar realmente a equipe, para ficar grávida”, ele disse. “Isso levou um tempo e fizemos IVF [Fertilização In vitro], que funcionou muito bem na primeira vez, em ambos os casos”. É sua esposa, ele diz, que sempre o mantém crescendo. Começamos a falar por que há tantas bichonas (sim, palavra dele, mas não, ele não disse quem é) na indústria cinematográfica, e eu perguntei por que ele não parece ser um. “Minha esposa iria me matar”, ele ri.

Se Isaacs tem um forte desejo de cultivar e manter sua família feliz, não precisa ser um psicólogo para adivinhar que sua própria infância tem muito a ver com isso. Ele nasceu em Liverpool, o terceiro de quatro garotos, perto da comunidade judaica. Sua mãe criou os filhos enquanto o pai, que havia abandonado a escola aos 14 anos para se tornar um aprendiz, trabalhava em ourivesaria. “Não havia atmosfera artística na minha vida”, ele diz. “Não estou dizendo que fomos privados. Íamos ao teatro uma vez por ano, tínhamos um estéreo na garagem onde podíamos ir ouvir música. Mas ninguém tocava instrumento algum; tínhamos uma coleção de clássicos com capa imitando couro que ficava em uma estante e que nunca abríamos. Não era uma opção se tornar artista”.

Ele diz que não se lembra da infância com alegria. “Não que alguém tenha sido cruel comigo; é provavelmente algo interno. Todos fizeram seu melhor, mas eu não acho que era uma casa particularmente alegre. Havia motivos. As coisas estão diferentes agora, mas não acho que meus irmãos e eu somos gentis uns com os outros. Foi só quando eu estava perto dos 20 anos que comecei a reconhecer que era bom ser gentil com as pessoas ao invés de manter uma barreira sólida e defensiva que ninguém pudesse me alcançar.

“Havia um sentido, crescendo em uma pequena comunidade judaica, que esse misterioso mundo exterior aos muros poderia apanhar você. Meus pais eram jovens quando a guerra acabou, e eles descobriram o inacreditável horror que acontecera há apenas algumas milhas dali que poderia ter acontecido a eles. Então há um sentimento de isolação…” Isso teria instilado alguma sensação de medo nele? “Acho que provavelmente sim, e levou um bom tempo para ir embora. Meu primeiro contato verdadeiro com um grande número de não-judeus foi quando fui para a universidade. Eles eram aliens e estranhas criaturas. Aquilo evaporou, graças a Deus, porque é uma mentalidade segregacionista, mas eu entendo de onde veio. Quando eu era jovem, não sentia que fosse bem-vindo em lugar algum, na verdade, que não Israel”. Ele não se sente britânico? “Eu não. Agora sim, mas isso não me importa, pra falar a verdade. Não me sinto mais inglês que americano, ou não me sinto mais judeu do que qualquer outra coisa. Tenho uma esposa não-judia e na verdade, minhas crianças não são judias. As coisas tribais têm se mostrado na maioria inúteis, [pelo que] vejo em outras pessoas”.

Ele descreve como sempre se sentiu desajustado. “Me senti da mesma forma quando fui para a universidade. As pessoas se lembram de mim como alguém confiante, possivelmente arrogante, mas na verdade eu estava terrificado. Estava rodeado por todos aqueles rapazes e garotas das escolas públicas, que eram muito confiantes. Eles tinham carros, vidas sexuais e contas no banco. Eles visavam buscar uma vida de carreiras executivas – uma seção da sociedade que eu sequer imaginava existir”. Foi na universidade em Bristol que Isaacs se envolveu com o grupo de teatro (um de seus papéis mais memoráveis envolvia ser castrado com um arame de cortar queijos). Dali, ele foi para a Central School of Speech and Drama, e logo depois de sair teve sua primeira chance na série da ITV Capital City. Desde então, ele tem trabalhado sempre. Nenhum de seus papéis pode ser descrito como líderes, mas eles são geralmente os que tem o maior interesse em liderança. Este ano haverá o relançamento de Good, o filme baseado na peça de CP Taylor, no qual Isaacs interpreta o amigo judeu de um escritor cujos livros atraem a atenção do Partido Nazista. “Estive lendo os diários de Victor Klemperer [o pesquisador judeu que manteve um diário de 1933 até o fim da guerra] e imergi em alguns dos textos dos anos 30 da Alemanha”, disse Isaacs. “Para descobrir como tantas pessoas simplesmente não puderam conceber [a ascensão do Nacional-Socialismo] aumentar tanto; pessoas boas, decentes, não podiam imaginar que esse assassino poderia chegar ao poder. Até os judeus acharam que, embora fossem bode-expiatório de diversas formas, eles poderiam sentir que o país estava melhorando, e mais e mais pessoas moderadas se uniam ao partido, e certamente essa coisa anti-semita chegaria ao fim logo”.

Ele leva sua pesquisa muito a sério. Para Brotherhood, seu personagem sofre um dano cerebral após ser horrivelmente espancado, e Isaacs passou um tempo em uma clínica para pessoas com danos cerebrais, para entender melhor as dificuldades de seu personagem. “Havia um casal em Rhode Island… Ela havia caído da bicicleta, em uma ciclovia, usando um capacete, e teve uma lesão cerebral que levou um longo tempo para curar. Algumas pessoas haviam sofrido coisas muito piores que ela, mas sua história me comoveu. Ela disse, ‘eu não estava brincando. Estou desesperada para ir a um jantar e ser capaz de dizer algo espirituoso’. Isso foi o que ficou comigo”.