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Harry Potter e Crepúsculo – luta sem fundamento

Potterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling Harry Potter e Crepúsculo - luta sem fundamentoPotterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling Harry Potter e Crepúsculo - luta sem fundamento
Em sua estréia como colunista do Potterish, Igor Silva surge com um tema bastante atual e polêmico da literatura mundial: seria Crepúsculo o novo Harry Potter no mundo dos grandes livros?
Em análise às diferentes formas como ambas fizeram a cabeça dos jovens, Igor compara brevemente as duas obras de forma racional, com uma conclusão interessante. Dêem as boas-vindas ao novo membro da equipe e não deixem de ler o texto completo aqui e comentar!

Por Igor Silva

Desde o dia 21/07/07, precisamente às 00h00min da madrugada londrina, milhares de pottermaníacos ficaram órfãos. A certeza do final da série teen mais bem sucedida de todos os tempos deixou o mercado editorial jovem sem uma obra que substituísse, com igual maestria, a série do bruxinho mais pop de que se tem registro.

Surgiu então a série Crepúsculo (Twilight), que vem arrastando legiões de fãs em torno do mundo. Ambas as obras possuem escritoras com histórias de vida semelhantes, que começaram a escrever em momentos difíceis. Ambas reinventaram a visão sobre seres mágicos como mágicos, bruxos, lobisomens, elfos e centauros.

A pergunta é: até que ponto Crepúsculo pode “avacalhar” Harry Potter? A resposta é clara: Crepúsculo vai sim virar modinha adolescente e Stephenie Meyer, inevitavelmente, será a nova deusa (rica) do mercado editorial mundial.

No entanto devemos considerar alguns fatores determinantes para medir o “sucessômetro” das duas obras. Crepúsculo é sim uma obra perfeita, mas que peca na ação. Não possui a movimentação de Harry Potter e foca muito mais o lado humano de Isabella Swan, com todas as dúvidas sentimentais características de uma jovem de 17 anos, que se muda para outra cidade e se vê envolvida pelo mistério que Edward emana.

Enquanto HP agrada a gregos e troianos, Crepúsculo, sem a menor sombra de dúvida, será voltado quase que integralmente às adolescentes.

Outra vertente é a forma como o livro chegou ao Brasil. Enquanto HP chegou no país conforme era escrito (exceto 1, 2 e 3), livro a livro, Crepúsculo tem todos os seus livros já escritos em Inglês, o que fez proliferar E-books de Eclipse e Amanhecer (Breakin Dawn), traduzidos pelos fãs.

Recentemente, até o rascunho de O sol da meia-noite (Midnight Sun), que seria Crepúsculo na visão de Edward Cullen, vazou na rede. Enquanto os pottermaníacos ficaram dias sem dormir à espera de Relíquias da Morte, algumas pessoas já sabem como termina Crepúsculo antes mesmo de Amanhecer ser lançado, o que acabou com o suspense.

HP é ícone do que um bom marketing pode fazer. A Ilha das Aventuras, em Orlando, pagou milhões à Rowling para fazer o parque temático, existem franquias de vestes e varinhas e, dia desses, encontrei um site que vendia feijõezinhos de todos os sabores (todos mesmo, de menta à remela).

Portanto, é possível concluir que Crepúsculo não ameaça o sucesso de HP, o qual tem tudo para virar clássico, ao lado de pérolas como as de Lewis e Tolkien.

Igor Silva é um colunista calouro que iniciou no cargo com classe de veterano.