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(Falta de) audácia e oitavo livro

Potterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling (Falta de) audácia e oitavo livroPotterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling (Falta de) audácia e oitavo livro
Falta mesmo audácia na produção de filmes… Harry Potter não é exceção. E um oitavo livro, então? Meu Deus, como vivem a guinchar por ele!
Sheila Vieira e Yuri Rigon, em textos curtos, desenvolvem um pouco dos assuntos, nestes textos enviados para o processo seletivo de novos colunistas. Você lê os textos na extensão, onde também pode deixar seus comentários.


A (falta de) inovação nos filmes de Harry Potter
por Sheila Vieira

Por mais que ainda tenhamos alguma empolgação com os dois (na verdade, três) últimos filmes da série Harry Potter, temos que reconhecer que a série já chegou ao seu fim. O que aguardamos já com uma certa nostalgia são as adaptações comandadas por Steve Kloves e David Yates, muito provavelmente pouco vibrantes, como a maioria dos outros cinco filmes.

Quando as estréias se aproximam e assistimos às novas cenas, temos a esperança de que David Heyman e seus colegas percam o medo de inovar e consigam transmitir, para a tela e para o público que não teve acesso aos livros de J.K. Rowling, toda a intensidade e a atmosfera dessas fantásticas obras literárias. No entanto, o que recebemos são evoluções tímidas, no que se trata da dramaticidade do filme, do estilo de filmagem e da própria atuação do trio principal.

Essa evolução cinematográfica “lenta, gradual e segura” acentuou-se após a experiência de Alfonso Cuarón em “Prisioneiro de Azkaban”. O mexicano deixou a herança dos “filmes de Natal” de Chris Columbus e introduziu uma nova fotografia, uma total reestruturação do espaço de Hogwarts, dando à escola uma sensação de verdadeira existência e correlação entre os cenários do filme. Sem falar nas mudanças nos protagonistas, tanto em termos de vestuário (os onipresentes uniformes deram lugar a roupas cotidianas), quanto de atitude (maior intimidade entre eles). Porém, o terceiro episódio foi recebido com estranheza por muitos fãs e principalmente pelo grande público (foi a pior arrecadação até agora). Para “consertar o erro”, contrataram Mike Newell e David Yates, cineastas de personalidade, mas que não comprometeriam a popularidade da série.

Mas, mesmo os que criticaram o filme de Cuarón devem reconhecer que os elementos trazidos por ele permaneceram em “Cálice de Fogo” e “Ordem da Fênix”, de forma menos exacerbada. Eles conseguiram boas arrecadações e uma certa simpatia da crítica de cinema, e era esse o meio-termo que os produtores desejavam. Entretanto, será que isso é realmente bom? A cada filme Harry Potter, aparece menos nas listas de premiações, o destaque na imprensa diminui e o público perde lentamente o seu interesse pela história. Contribui claramente para isso o final da série literária, mas observamos atualmente uma indiferença com Harry Potter vinda principalmente do público além dos fanáticos, que nunca leram a prosa de Rowling.

O que aconteceria se Alfonso tivesse continuado após 2004 ou tivesse assumido a direção alguém como Guillermo Del Toro, por exemplo? Nunca saberemos. Talvez o grande público continuasse a rejeitar alguns elementos, mas, com o respaldo das boas críticas e das premiações, quem sabe a série Harry Potter não alcançaria um novo patamar? Dessa forma, as características da série seriam mais bem transmitidas do que nas insossas adaptações de Columbus, Newell e Yates que, obcecadas por não perder “fidelidade” com a obra, renegam a sua essência instigadora, excêntrica e mágica.

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J.K. Rowling deve continuar a série com um oitavo livro?
por Yuri Rigon

Essa é a pergunta que todos se fazem. Acredito eu que a maioria dos fãs apoiaria essa decisão da autora, afinal, quem não gostaria de viajar mais uma vez por páginas e páginas de pura magia? Porém, existem alguns que não apóiam tal fato. Dizem que a autora já escreveu, em seus sete livros, tudo o que havia para ser escrito e que se houvesse um próximo, não seria tão realista quanto os outros.E agora, o que a escritora deve fazer?

Bem, os que não apóiam o oitavo livro, não se esqueçam de que já fomos surpreendidos muitas vezes pela autora e que o trabalho dela, sem dúvida, foi excelente na maioria dos livros, se não em todos (que alguns críticos não leiam isto, por favor). Há rumores de que ela poderá escrever, sim, um oitavo livro, mas não agora. No momento, a autora se concentra basicamente em dois livros, um para crianças e o outro para adultos (o que é bom, pois poderemos vê-la atuando em outra área, com um assunto diferente). Só nos resta esperar por esses livros.

Aos que querem mais um livro, saibam que concordo em parte com vocês. Como comentei anteriormente, viajar por páginas bem escritas e cheias de aventuras como as de J.K. seria ótimo. Mas, temos que nos lembrar que isso sairia dos planos da autora em relação à obra, por isso digo que concordo em parte. Afinal, todo autor que cria uma história (por menor que seja) traça uma linha de raciocínio que procura seguir à risca, e acreditem, não há realização maior do que chegar ao final de tal história e pensar:

Conclui meu trabalho da maneira que planejei.

A partir disso, vemos que se a autora quer escrever um outro livro, ela deve estar à vontade com essa idéia, não sob pressão da mídia. Afinal, só fazemos algo bem se gostamos do que estamos fazendo. Conduzindo a opinião ao ponto principal, quero dizer que dentro disso tudo, o suposto oitavo livro só sairia bem se J.K. estivesse fazendo-o por prazer. Mas, não precisamos nos preocupar com isso, pois mesmo pelo pouco que conhecemos de sua personalidade, já percebemos que a autora escreve por vontade própria e não por interesse em fama.

Assim, o que nos resta fazer é esperar pela decisão da autora em relação a uma possível continuação da série Harry Potter e acreditar em seu potencial (sobre a qual, aliás, acho que não temos dúvida) no preparo desses próximos dois livros direcionados a faixas etárias diferentes, mas que são trabalhos de J.K. Rowling e, por isso, poderemos esperar qualquer novidade.
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Sheila Vieira e Yuri Rigon são senhores de alto garbo, de estados diferentes e de mentes igualmente atiladas.