Filmes e peças ︎◆ Parte 1

[Atualizado] Daniel convida filhas de Obama para visita ao set de RdM

Potterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling [Atualizado] Daniel convida filhas de Obama para visita ao set de RdMPotterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling [Atualizado] Daniel convida filhas de Obama para visita ao set de RdM
As filhas do novo presidente dos Estados Unidos têm uma chance de ouro em suas mãos. Um convite, enviado pelo próprio Daniel Radcliffe, foi feito à Malia e Sasha Obama para que estas visitem o set do próximo filme da franquia Potter.
Além do convite, Radcliffe se prontificou a ser o guia das garotas pelo emaranhado de equipamentos e cenários que farão parte de Relíquias da Morte – Parte I.

“Eu gostaria de aproveitar a oportunidade para lançar um convite público para Obama: se suas filhas gostariam de uma visita privada ao set de Harry Potter; eu ficaria honrado em poder ser seu próprio guia turístico” – disse Radcliffe.

Daniel ainda comentou sobre vários outros assuntos na entrevista ao The Daily Beast. Confira a tradução da entrevista exclusiva com Daniel Radcliffe em notícia completa.

Aviso: Fazemos um alerta de que a linguagem presente na tradução contém alguns termos “inconvenientes”.

DANIEL RADCLIFFE
Entrevista Exclusiva com Daniel Radcliffe

Kevin Sessums ~ The Daily Beast
19 de Janeiro de 2008
Tradução: Dérick Andrade Moreira

Kevin Sessums é o autor de Mississippi Sissy, livro campeão de vendas segundo o New York Times e uma autobiografia de sua infância. Ele foi editor executivo da Interview magazine de Andy Warhol e têm sido um editor contribuinte da Vanity Fair e Allure. Seu trabalho também já apareceu na Playboy, Travel+Leisure, e Elle. Ele atualmente é um editor contribuinte da Parade. Sua nova autobiografia, I left it on the mountain (Deixei na montanha, em tradução livre) será publicada pelo St. Martins Press no próximo ano.

Em uma entrevista exclusiva, Kevin Sessums da The Daily Beast fala com Daniel Radcliffe de Harry Potter sobre ser adorado por homens gays, a “estupidez” de príncipe Harry, e porque ele quer levar Sasha e malia Obama para um passeio particular em Hogwarts.

Em duas semanas, Daniel Radcliffe terminará seu papel aclamado pela crítica (e no qual faz nu frontal) na peça Equus da Broadway e começará a filmar seu último capítulo como o menino bruxo, ‘Harry Potter e as Relíquias da Morte’. Nesse mês de junho, ‘Harry Potter e o Enigma do Príncipe’ chega aos cinemas, e se o novo trailer (abaixo) indica alguma coisa, este será o papel mais obscuro e violento de Radcliffe como o jovem Harry até agora. Kevin Sessums do The Daily Beast encontrou Radcliffe semana passada para o chá da tarde no Hotel Algonquin em Nova Iorque, antes do ator se dirigir ao mais recente set de hogwarts.

Feliz dia de Martin Luther King.

Obrigado. Para você também.

Na terça, Barack Obama se torna nosso novo presidente. Nós estamos nos encontrando numa semana bem americana. Isso te faz sentir mais inglês que o normal por estar aqui agora, ou menos?

Eu me sinto privilegiado por estar aqui para a posse de Obama. Mas eu tendo a ficar mais inglês quando eu fico longe de casa. Eu peguei algumas frases enquanto estive aqui nos EUA que pretendo erradicar assim que chegar em casa.

Exemplos?

“Eu sei–certo?” Essa frase e o pequeno ritmo presente nela é bem americana e não é muito usada na Inglaterra. Eu comecei a dizer isso e as pessoas estão pegando no meu pé quando elas vêm pra cá. Mas voltando ao senhor Obama. Estou muito orgulhoso e feliz por este país. Ele é tudo o que o resto do mundo gostava na América e que agora gosta novamente. Ele é tanto Martin Luther King como JFK. Ele é um pioneiro. Ele é um símbolo do progresso que gostamos nesse país. O que você gosta na Inglaterra é de todos os prédios antigos e coisas desse tipo. As tradições. Eu adoro isso também. Mas isso é o que nós queremos de vocês.

E, me permite? Gostaria de aproveitar a oportunidade para fazer um convite em público aos Obamas, se suas filhas gostassem de fazer um passeio particular pelos sets de Harry Potter, eu ficaria honrado em ser seu guia particular.

Se há algo que Harry Potter proporcionou foi isso. Ele restaurou a reputação do colégio interno inglês. Fez dele algo diferente de uma estufa de homossexualidade.

A Inglaterra ganha de nós ao ter uma líder mulher. Mas poderia algo desse tipo acontecer na Inglaterra— um homem negro ser eleito como primeiro ministro. Ou um paquistanês?

Acho que isso será a próxima coisa a acontecer. Acontecerá com um cara asiático antes de acontecer com um cara negro. Não sei por que, mas a política inglesa é tão excessivamente branca. A estrutura de classes conta muito. E particularmente com o Partido Trabalhista sendo como ele é. ‘New Labour’ agora. É tão voltado para as classes altas, de verdade. Quero dizer, você não pode criticar as pessoas por nascerem na classe alta, mas essa parece ser a tendência, e você sente que alguém precisa aparecer e realmente mudar as coisas. Acontece que isso é o que a minha geração na Inglaterra sente falta na política e o que a America acabou de ganhar através desse fantástico homem, Barack Obama. Não temos uma figura atrás da qual podemos todos ficar. Os partidos na Inglaterra são agora tão próximos que as pessoas da minha idade sentem que não importa em quem eles votam, porque será basicamente o mesmo grupo de pessoas no governo. Quero dizer, veja a última eleição para prefeito de Londres: A razão pela qual Boris Johnson ganhou foi simplesmente porque ele apresentou Have I Got News for You, que é um programa satírico inglês, algumas vezes. Foi um voto para celebridade. Mas durante aquela eleição, eu fui a única pessoa da minha idade que eu soube que votou. Nenhum dos meus amigos sequer se registrou.

Página do artigo – Sessums Radcliffe 2
Warner Bros.
Voltando à possibilidade de um primeiro ministro paquistanês, qual a sua opinião sobre o príncipe Harry sendo pego usando o termo “Paki” * no antigo vídeo que apareceu? Você é monarquista?

Não. Não sou um monarquista. Nem um pouco. Sou definitivamente um republicano no sentido inglês da palavra. Eu simplesmente não vejo a utilidade da monarquia apesar de ser um feroz patriota. Sou muito, muito, muito orgulhoso de ser Inglês, mas acho que a monarquia simboliza muito do que estava errado com o país. Não que eles estejam fazendo algo de errado- mas esse símbolo de divisão de classes não é algo de que eu goste. E eu sou um jovem de classe alta. Não tenho nada contra a realeza como pessoas. Nunca os conheci. Mas em termos desse comentário particular sobre paquistaneses, o príncipe Harry disse uma coisa muito estúpida. Ele era provavelmente muito jovem na época. Espero que ele tenha aprendido a não dizer algo desse tipo ou pelo menos não ser filmado dizendo isso. O problema pra mim foi ele vestir um uniforme nazista naquela festa a fantasia.

Sua mãe é judia. Você se identifica como judeu também?

Absolutamente. Eu realmente me identifico. Meu pai é da Irlanda do Norte e minha mãe é judia. Isso é que é um sangue forte. Apesar de não ser religioso, tenho muito orgulho de ser judeu.

Isso deve ajudar você a se encaixar aqui em Nova Iorque. Você está pronto para a jornada de Equus acabar?

Eu ficarei muito triste. Os filmes de Harry Potter me trouxeram uma reputação. E fazer Equus em Londres e agora em Nova Iorque consolidou-a e trouxe-me certa quantidade de respeito. Ela sempre será minha primeira experiência no palco.

Qual será a sua segunda? Será um musical? Eu vi você fazer sua dança satírica no concurso Gypsy of the Year com sua linha do coro de cavalos de Equus. Foi muito charmoso, especialmente o final que você criou com a linha de chute das Rockettes.

Eu gostaria de fazer um musical. Muito mesmo. É só uma questão de achar o certo.

Como tem sido trabalhar no pequeno e recoberto mundo do teatro? É um ambiente muito diferente do cinema. Muito mais colegial e meio que como num acampamento e… bem, sejamos francos… gay.

E para muitos caras héteros–e eu sei que sou culpado disso às vezes—quando você sabe que um cara gay têm uma queda por você é muito lisonjeiro.

Perdoe-me, mas para ser politicamente incorreto aqui, eu raramente conheci um ator hétero que não fosse um “fag hag.” ** Você é um deles?

Ah, sim. Eu sei que eu peguei isso. Completamente. Minha mãe foi uma diretora de elenco e meu pai um agente literário, e eu vivia cercado por homens gays desde cedo. E eu era o único garoto da minha classe na escola que tinha esse tipo de relacionamento com homens gays. A maioria dos meus amigos tinha pais com trabalhos apropriados em bancos e escritórios de advocacia, então nenhum deles havia sido exposto à homossexualidade do jeito que eu fui—como sendo uma coisa natural. Por isso eles adotaram uma atitude a respeito disso um pouco diferente da minha.

Eles implicavam uns com os outros.

Bem, eu não freqüentei um internato se é isso que você está sugerindo. Se há algo que Harry Potter proporcionou foi isso. Ele restaurou a reputação do colégio interno inglês. Fez dele algo diferente de uma estufa de homossexualidade. Cada vez que um novo livro de Harry Potter sai, os números nas escolas internas inglesas aumentam.

Há um gênero completo na literatura que foca os órfãos. Seu primeiro papel aos nove anos foi David Copperfield. Há Oliver Twist. Jane Eyre. Luz em agosto de Faulkner. Quase todo super-herói. Qual sua teoria para o gênero ser tão duradouro uma vez que Harry é talvez o mais famoso órfão em toda a literatura?

Eu suponho que seja porque amamos o coitado. Eu vi James Carville falando na televisão e ele disse algo fantástico. Foi durante os últimos dias da campanha de John McCain. Eu fiquei ligado na cobertura política durante a campanha. Eu adoro aquele Joe Scarborough. Você assiste a Morning Joe? Eu gosto muito dele. O que é mesmo que ele diz? “Americano por sorte. Sulista pela graça de Deus.” Isso é que é uma grande elaboração de frases.

Mas de volta a Carville e órfãos. Ele disse que McCain deveria sair como o coitado. Ele disse que os americanos adoram um coitado, mas odeiam um perdedor. E para um órfão, da parte mais jovem, mais básica, mais primitiva da sua vida, as coisas têm ido contra você. Tudo que sabemos sobre como as pessoas trabalham e são bem sucedidas, no sentido convencional, começa com a família. Então a noção que deve ser tirada disso é que se deve trabalhar mais duro para alcançar as coisas. É estranho que quase todo papel que eu interpretei tem sido o de um garoto com uma história familiar danificada, pois eu tive exatamente o oposto disso.

Você é um filho único que conquistou fama mundial muito cedo. A fama por si própria se tornou uma presença na sua vida. Estou certo de que você tem uma relação de amor e ódio com ela. Nesse sentido, a fama se tornou sua irmã?

Não é tanto a coisa da fama quanto a pessoa que você é quando está defronte a uma platéia ou, bem, sendo entrevistado.

Então você se tornou seu próprio irmão?

Acho que de um jeito sim, porque você desenvolve duas personalidades. Não é nem uma coisa de consciência. Algo acontece. Como quando eu participei do Inside the Actor’s Studio. A adrenalina bate e sua mente começa a trabalhar muito, muito rápido. As pessoas sempre me dizem, “Ah, você é tão engraçado nas entrevistas.” E eu penso, Bem, eu realmente não sou na vida real particularmente. É isso o que a fama faz com você. Você adquire um outro Eu.

Você contatou seu colega em Harry Potter e a Ordem da Fênix***—Robert Pattinson—para dar-lhe algum conselho sobre sua própria fama repentina por causa dos filmes do Crepúsculo? Ele foi citado uma vez dizendo que se pudessem escolher entre ele e você, as garotas escolheriam você sempre.

Eu não tenho seu número de telefone, então não falei com ele. Mas eu posso dizer com segurança que as garotas não me escolheriam. Elas não escolhem. Ele é muito mais bonito e consegue ser muito mais charmoso. E ele consegue fazer aquela coisa de ser provocante e sexy.

Você é sexy, Daniel. Vamos lá. Admita.

Não posso!

Página do Artigo – Sessums Radcliffe 1
Chris Young, AFP / Getty Images
Mesmo assim em Equus você tem uma cena de nudez oito vezes por semana. Você está relampejando sua Varinha das Varinhas para o mundo todo ver.

Mas eu não sei como ser sexy. Rob consegue meio que ficar parado e olhar para alguma coisa e começar a arder lentamente. E eu simplesmente não consigo fazer isso. Eu sou nervoso naturalmente.

Você sofre de displasia—que é um tipo de dislexia física. Rotina física é difícil para você compreender. Como isso o afetou como ator?

Eu tenho uma forma muito moderada dela. Eu a tenho quase inteira sob controle agora. Eu jogava muitos videogames quando criança o que me ajudou muito. Ela basicamente aparece como uma má coordenação. Outro exemplo disso é o quão terrível minha escrita é, pois eu nunca consigo dizer quando a caneta vai alcançar o papel.

Quanto à técnica emocional de atuar, eu li que você era um grande fã do poeta John Keats.

Exatamente. O maior.

Eu estava imaginando se a teoria de capacidade…

…negativa.

Sim. Você usa a teoria de Keats de capacidade negativa na sua abordagem da atuação? Ele bolou a teoria após ver Shakespaeare—que suas verdades mais profundas são encontradas na incerteza, dúvida e mistério e não “na irritante busca por fato e razão.”

Absolutamente. Você me descobriu. A verdade é pra ser encontrada nas coisas que não são certas, sólidas, fáceis ou simples. Manter sua atitude infantil é importante também. Ter um senso de curiosidade é do que se trata a atuação.

Um dos principais temas dos livros de Harry Potter é a perda da inocência. Houve uma perda paralela da inocência na sua própria vida visto que os filmes o transformaram num grande astro?

Não houve tal perda de inocência na minha vida. Não há nada mais divertido do que ser um jovem de treze anos em um set de filmagem. É fantástico. Mas essa é a diferença entre sistemas de estrelas na América e Inglaterra. Jovens astros na América são tratados como estrelas antes e crianças depois. Mas na Inglaterra você é só tratado como criança. Sempre dizem a você para não se tornar “grande demais para suas botas.” É por isso que fui capaz de manter um nível relativo de razão através disso tudo.

Quem você está lendo agora? Eu sei que você é um grande leitor.

Estou sendo muito indulgente no momento e lendo P.G.Wodehouse. Muito Jeeves e Wooster.

Essa é a coisa mais triste que você disse o dia inteiro. Você realmente está com saudades de casa, não.

Estou. Essa manhã mesmo eu estava ouvindo Noel Coward cantando, “Eu fui a uma SEEEEEENSACIONAL festa com Nunu e nada e Nell…”

Achei que você gostasse de punk rock.

Sim. Bem. Isso é o que ficar longe de casa fez comigo.

Uma ultima pergunta. Você já transou com Dame Diana Rigg?

Ainda não. Apesar de esperar que isso aconteça, eu ainda espero o dia.

Foi legal conhecer seu irmão, Daniel.

Eu sei—certo?

Kevin Sessums é o autor de Mississippi Sissy, livro campeão de vendas segundo o New York Times e uma autobiografia de sua infância. Ele foi editor executivo da Interview magazine de Andy Warhol e tem sido um editor contribuinte da Vanity Fair e Allure. Seu trabalho também já apareceu na Playboy, Travel+Leisure, e Elle. Ele atualmente é um editor contribuinte da Parade. Sua nova autobiografia, I left it on the Mountain (Deixei na montanha, em tradução livre) será publicada pelo St. Martins Press no próximo ano.

Notas:
* “Paki” – É um termo ofensivo usado na Inglaterra em referência aos paquistaneses ou sul-asiáticos.
** “Fag Hag” – Gíria que denota pessoa que possui homens gays como amigos próximos.
*** Robert é citado aqui como atuando ao lado de Daniel em Ordem da Fênix, quando na realidade trata-se de Cálice de Fogo, apesar de uma curta participação de Robert na Ordem.