Magia do Cinema: “A Bela e a Fera”, com Emma Watson

//Por Pedro Martins - sexta-feira, 17 de março de 2017 às 16:45

Protagonizado por Emma Watson, a versão live-action de A Bela e a Fera estreou ontem, 16, e arrastou multidões de fãs ansiosos para as salas de cinema. Uma delas, Marina Anderi, nossa Webmistress, que hoje traz suas impressões sobre o filme.

“Felizmente, a história é forte o suficiente para o resultado final ser mais do que satisfatório.”

Para ler a crítica, acesse a extensão deste post.

“A Bela e a Fera”, de Bill Condon
Crítica por Marina Anderi

A Disney, na última década, tem se tornado uma produtora de níveis nunca antes alcançados. Star Wars, Marvel, Pixar: é tudo deles. Mas como a visão comercial não para por aí, resolveram refilmar em live-action os clássicos animados que foram essenciais para formar a Disney que conhecemos atualmente.

A Bela e a Fera não é o primeiro nessa empreitada. Começaram com Malévola, em 2014, que protagonizado por Angelina Jolie arrebatou as bilheterias e garantiu uma sequência; é um filme que falha principalmente no roteiro confuso e na direção de arte, fugindo bastante do original, A Bela Adormecida. Em contrapartida, Cinderela (2015) não causou grande comoção: além de ser um clássico dos anos 50, e por isso não ser tão presente na geração atual, possuí um elenco não muito conhecido.

Apesar de Cinderela atualizar um pouco a personalidade de sua protagonista, o resto se mantém. E esse poderia ser o grande problema de A Bela e a Fera. Afinal, vindo de uma animação extremamente popular dos anos 90, qual seria o objetivo de uma cópia? Ainda que servisse de entretenimento, do ponto de vista cinematográfico nada acrescentaria. Felizmente, isso não aconteceu.

O roteiro Stephen Chbosky e Evan Spiliotopoulos, baseado no de Linda Woolverton para a animação, mantém o que há de bom no original e acrescenta elementos que enriquecem a história ainda mais – não muito diferente do que Chbosky fez no ótimo As Vantagens de Ser Invisível, no qual também dirigiu Emma Watson. Em A Bela e a Fera, temos quatro números musicais a mais, que caem como uma luva e parecem que estavam ali desde o início – Days In The Sun, inclusive, é uma bela substituta para Humano Outra Vez.

Todos os personagens são aprofundados, até a própria protagonista. Emma Watson está muito confortável no papel: carismática, ao mesmo tempo em que busca por uma vida diferente, Bela não deixa de ver a felicidade nas coisas mais singelas. É bem difícil não se apaixonar por sua determinação e compaixão. Dan Stevens, por sua vez, entrega uma Fera raivosa devido às próprias inseguranças – o CGI em seu rosto pouco interfere nas impressões faciais. Gaston (Evans) é mesquinho como sempre, mas com um nível de arrogância verossímil e cômico quando não é amedrontador. Uma ressalva, porém, ao LeFou de Josh Gad, que parece não estar tão confortável, muitas vezes se limitando a estereótipos.

O design dos funcionários do castelo também inova e surpreende. Lumière (McGregor) ter pernas ao invés de pular por aí faz muito sentido, por exemplo. O piano Cadenza (Tucci) e sua esposa armário (McDonald) têm um design mais orgânico muito bem-vindo. Destaque para Emma Thompson como Sra. Potts, que consegue ser maravilhosa só com a voz, já que as expressões do bule não são muitas.

A Bela e a Fera é um filme muito bom. Não chega à excelência por causa de Bill Condon, o diretor. Falta inspiração. Os cenários são grandiosos demais, os sentimentos são transmitidos de forma nada sutil, e os acontecimentos da narrativa são guiados de forma que tudo parece corrido (semelhante a Malévola, aliás). Na animação, não se sabe quanto tempo Bela passa no castelo, mas imagina-se que seja algo em torno de um mês; no live-action, tudo se passa em menos de uma semana, o que diminui consideravelmente a dramaticidade da história. Há um esforço para trazer inovações aos números musicais, mas sem muito sucesso: falta a sensibilidade que a história pede.

É uma pena que o próprio diretor seja o maior problema do filme, mas felizmente a história é forte o suficiente para o resultado final ser mais do que satisfatório. Como já diria a música tema, “quando ele vem, nada o detém, é uma chama acesa.”

Direção: Bill Condon.
Roteiro: Stephen Chbosky e Evan Spiliotopoulos.
Duração: 130 minutos.
Estreia: 16 de março de 2017.

Marina Anderi é estudante de Cinema na Universidade Federal de Pernambuco e Webmistress do Potterish.

Voltar |
Categorias: Magia do Cinema, Marina Anderi
Nota 1Nota 2Nota 3Nota 4Nota 5 (6 votos, média: 1,67 de 5)
Loading...

Comentários