Não categorizado

Elenco de Harry Potter unido no combate à leucemia

Potterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling Elenco de Harry Potter unido no combate à leucemiaPotterish :: Harry Potter, o Ickabog, Animais Fantásticos e JK Rowling Elenco de Harry Potter unido no combate à leucemia

Muitos fãs talvez não saibam, mas o compositor Patrick Doyle, que compôs a trilha sonora do filme Harry Potter e o Cálice de Fogo, teve um tipo agressivo de leucemia no ano de 1997. Essa semana o Daily Mail publicou uma entrevista com Doyle na qual ele conta detalhes de sua luta pela vida durante a quimioterapia, e revela também
que muitos atores famosos iam visitá-lo, incluindo alguns de Harry Potter.Alan Rickman (Severo Snape), Kenneth Branagh (Gilderoy Lockhart), Emma Thompson (Sibila Trelawney) e Timothy Spall (Pedro Pettigrew) acompanharam o tratamento de seu amigo e estiveram sempre presentes para ajudá-lo a desabafar e superar o sofrimento.

Eu liguei para Ken (Branagh). Ele vinha me visitar duas vezes por semana enquanto eu estava doente. Ele ajudava a equipe do hospital a fazer chá, e trazia fitas de vídeos e livros para mim.

Emma Thompson e Alan Rickman apareceram usando perucas vermelhas, falando em um sotaque escocês. O departamento do hospital parecia não saber o que estava acontecendo.

Emma me enviou um pacote com uma peruca preta e barata de nylon, para quando meu cabelo caísse, um creme restaurador de cabelos, um pequeno esqueleto e uma fotografia de um filme que o marido dela, Greg Wise, tinha acabado de fazer, mostrando um necrotério. Nela, ela tinha desenhado um balão de diálogo com as palavras ‘Ai meu Deus, é o Patrick!’ As enfermeiras ficaram horrorizadas, mas eu achei hilário.

Timothy Spall ainda não tinha se recuperado direito de sua própria LMA, já que fora diagnosticado um ou dois anos antes, e ele me ajudou muito com conselhos e encorajamento. Ele dizia: ‘Como está a diarréia? Eu sei, sei.’ E sabia mesmo, porque ele tinha passado por isso.

Confiram a interessante e tocante entrevista na íntegra clicando em notícia completa.

PATRICK DOYLE
“Foi como se um facão me cortasse pela metade”: Como o compositor de Harry Potter venceu a leucemia

Daily Mail ~ Moira Petty
23 de outubro de 2007
Tradução: Bruna Moreno

Quando o compositor musical Patrick Doyle foi diagnotiscado com um tipo agressivo de leucemia, seus amigos famosos estavam perto para apoiá-lo.

Emma Thompson e Alan Rickman o fizeram rolar de rir ao usarem perucas divertidas para visitá-lo no hospital; ele subiu nos ombros de Kenneth Branagh e John Sessions; e Timothy Spall reviveu sua própria batalha contra a leucemia para ajudar Patrick a enfrentá-la.

A Leucemia Mielóide Aguda mata 85% dos pacientes em três anos.

Mas Patrick confrontou a doença e continuou a escrever partituras para muitos filmes grandes, incluindo “Assassinato em Gosford Park”, “Harry Potter e o Cálice de Fogo” e “O Diário de Bridget Jones”.

Ainda essa semana, ele voltou a pedir pelo apoio dos amigos – desta vez para ajudar a levantar dinheiro para a Pesquisa sobre Leucemia, aparecendo em um concerto de suas músicas de filme no London’s Royal Albert Hall.

Os problemas de Patrick começaram discretamente. Logo depois de seu 44º aniversário, em 1997, suas gengivas começaram a sangrar quando ele escovava os dentes.

Seu dentista o aconselhou a consultar um médico mas, apesar de estranhar o sangramento, Patrick nunca imaginou que tivesse uma doença séria.

Então ele decidiu viajar para a França por um mês com sua esposa Lesley e seus filhos Abigail, Nuala, Patrick e Elliot, que na época tinham quinze, nove, seis e três anos de idade.

A vida não poderia estar melhor. Ele já tinha parado de fumar, o que fez por toda a vida, e agora se sentia mais saudável do que nunca.

Tudo mudou ao voltarem para sua casa em Surrey, quando a família foi andar de bibicleta. “Normalmente eu tenho muita energia, mas depois de mais ou menos uns 90 metros eu estava exausto”, diz Patrick. ” ‘Será que estou ficando velho?’ eu me perguntei. Logo eu estava terrivelmente suado.”

Seu clínico-geral o tratou com antibióticos para uma suspeita infecção, mas cinco dias depois Patrick se sentia pior. “Eu ficava cada vez mais fraco.”

“Eu tinha vários hematomas no meu corpo – o menor toque causava um.

Lesley olhou os sintomas num dicionário de saúde e disse: ‘Eu não quero ser muito dramática, mas eu acho que você pode ter leucemia.’

Eu fiz um exame de sangue e o médico me ligou na manhã seguinte.

Para o meu horror, ele disse: ‘Sr. Doyle, você tem leucemia’. Foi tão casual e brusco que eu deixei o telefone cair da minha mão.”

Patrick consultou um hematologista naquela tarde no St George’s Hospital em Tooting. “No caminho, eu estava morto de choque. Tudo o que eu sabia era que era um câncer de sangue mortal.”

O hematologista explicou que ele tinha Leucemia Mielóide Aguda (LMA), um diagnóstico confirmado pela observação do líquido da medula óssea retirado sob anestesia local.

LMA é um dos quatro tipos de leucemia. É o resultado de um gene defeituoso que causa a superprodução de células-tronco mielóides, de onde todas as células sangüíneas se originam.

Elas preenchem a medula óssea, onde as células sangüíneas são produzidas, então há menos espaço para uma produção celular normal.

A falta de células sangüíneas ocasionou os sintomas de Patrick, incluindo anemia, febre, sangramentos e machucados incomuns.

Como a maioria dos cânceres, o diagnóstico precoce aumenta em muito as chances de sobrevivência e disseram a Patrick que ele teria mais de 50% de chance.

Sua idade também contribuía – as chances são muito maiores para aqueles que têm menos de 60 anos.

60% a 70% dos adultos com LMA se recuperam com tratamento.

Mas, depois de três anos, somente 15% ainda estão vivos.

“Eu liguei para Ken (Branagh). Ele vinha me visitar duas vezes por semana enquanto eu estava doente. Ele ajudava a equipe do hospital a fazer chá, e trazia fitas de vídeos e livros para mim.”

“Emma Thompson telefonou de Hollywood quando soube da notícia. Ela tinha acabado de fazer um exame de ressonância magnética por causa de um problema nas costas e me fez rolar de rir quando disse que o radiologista tinha lhe dado um roteiro que ele tinha escrito e pediu para que ela lesse, acrescentando ainda que ela era muito velha para fazer o papel principal.”

Ele começou seu primeiro dia de outros oito de quimioterapia. As drogas eram injetadas em sua veia durante três ou quatro horas por dia.

“Então eu voltava para a cama e chorava. Eu não queria morrer e sentia que fazia minha esposa e meus filhos sofrerem. Eu tinha enjôos, diarréia constante e estava muito cansado.”

Na prática, o tratamento aniquilava com as células sangüíneas saudáveis, deixando o paciente exposto a uma infecção letal.

Ele ainda preferia bater do que apanhar.

“Me disseram que minha taxa de leucócitos deveria retomar até o dia 21, e a cada dia eu os via como guerreiros na Grande Muralha da China. No dia 21, eu senti como se tivesse perdido uma batalha calvinista, quando vi que minha taxa de leucócitos não estava alta o bastante.”

Mas no dia seguinte ele melhorou. “Lesley sugeriu que eu começasse a trabalhar para uma animação da Warner, “A espada mágica”. Em 30 segundos eu imaginei um tema, e escrevi toda a partitura durante os quatro meses de tratamento.”

A equipe do hospital se acostumou com as visitas de celebridades. “Emma Thompson e Alan Rickman apareceram usando perucas vermelhas, falando em um sotaque escocês. O departamento do hospital parecia não saber o que estava acontecendo.

“Dos Estados Unidos, Emma me enviou um pacote com uma peruca preta e barata de nylon, para quando meu cabelo caísse, um creme restaurador de cabelos, um pequeno esqueleto e uma fotografia de um filme que o marido dela, Greg Wise, tinha acabado de fazer, mostrando um necrotério.

“Nela, ela tinha desenhado um balão de diálogo com as palavras ‘Ai meu Deus, é o Patrick!’ As enfermeiras ficaram horrorizadas, mas eu achei hilário.

“Judi Dench mandou cartões e Richard Briers ligou para dizer palavras de carinho.”

“Timothy Spall ainda não tinha se recuperado direito de sua própria LMA, já que fora diagnosticado um ou dois anos antes, e ele me ajudou muito com conselhos e encorajamento. Ele dizia: ‘Como está a diarréia? Eu sei, sei.’ E sabia mesmo, porque ele tinha passado por isso.

Patrick achou que o terceiro ciclo de quimioterapia foi o pior.

“Emma chegou logo depois que me deram uma droga que me fazia me sentir bêbado e hiper-sensível. Eu ficava falando para ela o quanto eu a amava. Ela chorou muito.”

Ele se afundou na depressão, o que fez piorar efeitos paralelos, que incluíam horríveis dores estomacais.

“Eu sentia como se um facão estivesse me cortando ao meio e contorcendo meu intestino.” A morfina o deixava tonto. “Eu me tornei anti-social, parei de escrever músicas e só ficava parado.

“No fim do ciclo de cinco dias de quimioterapia, eu parei com a morfina e a depressão aumentou.

“Eu sentia como se todos os meus sentidos tivessem sido cortados. A música tinha perdido qualquer impacto emocional em mim, e eu mal podia levar uma xícara à boca.

“Eu resmungava toda a hora e dizia que queria morrer. Quando eu fiquei em casa durante uma semana, Lesley não podia me deixar sozinho, caso eu fizesse alguma coisa estúpida.

“Eu briguei com um médico que me sugeriu anti-depressivos porque eu não queria tomá-los. Eu tinha vergonha.

“Ken e John Sessions me visitaram em casa nessa época. Eu já tinha chorado na frente de Ken no hospital e ele tinha me encorajado a botar tudo para fora.”

Patrick estava relutante para voltar para seu quarto ciclo de quimioterapia.

“Aquela foi a jornada mais longa da minha vida, uma maratona mental. Mas depois de um tempo eu decidi tomar os anti-depressivos e meu humor mudou.”

Isso o deu um novo efeito paralelo – dolorosas úlceras bucais. Comer era difícil e o peso de Patrick perdeu entre 2st e 9st (1) em quatro meses de quimioterapia.

“Uma vez que eu tinha voltado para casa, a menor dor me assustava, mas então eu voltava para fazer os exames de sangue regulares e checar se tudo estava OK.”

Ele foi visto regularmente por outros 5 anos, e tem se mantido saudável desde então.

O período de recuperação foi muito, muito duro.

“Eu estava bem, e então tinha aqueles flashbacks assustadores e começava a chorar. Eu não fiquei bem por cinco anos. Eu não conseguia lidar com estresse ou brigas, mas conseguia me afundar no trabalho.”

“Uma das melhores épocas foi quando trabalhei com Ken em ‘Trabalhos de Amores Perdidos’ logo depois de receber alta.”

Desde então, Patrick tem escrito músicas para outros filmes, incluindo “Garotas do Calendário”, “Nanny McPhee – A Babá Encantada” e para o remake de “Jogo Mortal”, que ainda vai ser lançado.

O concerto beneficente desta semana vai ser apresentado por Branaggh, e muitas estrelas de cinema, de Judi Dench e Catherine Deneuve e até as Garotas do Calendário vão aparecer.

“Esta doença me fez guardar um estoque da minha vida e contar minhas bênçãos. Outras pessoas merecem essa chance, também.”

(1) st = stone, medida inglesa equivalente a 6,35kg (NT)