Animais Fantásticos

Eduardo Lima: “Se Animais Fantásticos se passar no Brasil, vou representar a gente brilhantemente”

Por Gabriela Benevides, Pedro Martins e Rodrigo Cavalheiro

O brasileiro Eduardo Lima é um dos bruxos que traduz as palavras de J. K. Rowling para as telas de cinema. Ele e sua sócia, Miraphora Mina, são responsáveis pelo design gráfico de Harry Potter e Animais Fantásticos, criando peças que vão de letreiros e rótulos ao Profeta Diário e o Mapa do Maroto.

Dia-a-dia

Há quase 20 anos, a dupla trabalha no Leavesden Studios de segunda à sexta, das 7h30 às 19h. Até A Ordem da Fênix, eles eram sozinhos. Para criar a loja Gemialidades Weasley, em O Enigma do Príncipe, precisaram contratatar três colaboradores, que continuaram nos próximos filmes e retornaram em Animais Fantásticos. Mesmo assim, nada é feito sem passar pelas mãos dos dois.

O trabalho começa seis meses antes do início das gravações, quando eles leem o roteiro e dividem as tarefas em duas listas: a dos objetos que contam histórias, como os jornais e as árvores genealógicas, e a das peças que decoram cenários, como rótulos de produtos e de frascos de poções.

Na House of MinaLima, em Londres, todos os jornais do Profeta Diário estão à venda (Imagens: MinaLima/Divulgação)

Não à toa, os objetos de decoração têm muito mais detalhes do que aparece nos filmes. “Se eu pegar um jornal qualquer e só colocar uma capa por cima, o ator pode abrir o jornal, ler uma notícia sobre política e se distrair”, explica Eduardo em entrevista ao POTTERISH durante a Comic-Con Experience (CCXP), em São Paulo.

A dupla tem autonomia para iniciar os conceitos das peças como querem para só depois pedir aprovação do diretor, que, segundo Eduardo, quase sempre acata as ideias. “Ao longo destas duas décadas, fomos nós que criamos a linguagem gráfica do Mundo Bruxo, então eles confiam muito na gente”, diz.

Eduardo, Miraphora e sua equipe criaram mais de 140 artes para a loja dos Weasley. Depois, fizeram cópias: 200 de um produto, 400 de outro, até mesmo duas mil de alguns (Imagem: Universal Orlando/Reprodução)

Por chamarem tanta atenção, os objetos produzidos para Harry Potter e Animais Fantásticos, diferentemente da maioria dos filmes, não são jogados fora após o término das gravações. Eles ganham uma segunda vida nos galpões do Warner Bros. Studio Tour e da House of MinaLima, na Inglaterra, e nos parques temáticos da Universal, nos Estados Unidos e no Japão. Muitas peças também estão à venda na loja online do estúdio MinaLima, com entrega disponível para o Brasil.

A House of MinaLima é uma exposição e loja permanente dos designers, em Londres (Foto: MinaLima/Divulgação)

Relação com J. K. Rowling

J. K. Rowling não opina diretamente no trabalho de Eduardo e Miraphora, mas sempre que visita o set de filmagens faz questão de passar pelo departamento de design gráfico. “Acho que ela faz isso porque estamos muito próximos do trabalho dela. Nós literalmente ilustramos as palavras dela”, reflete Eduardo. Eles aproveitam essas visitas para pedir mais informações das peças que têm que criar, como os nomes que compunham a árvore genealógica dos Black e, recentemente, dos Lestrange. “Não sabíamos quem eram os parentes do Sirius, então a gente perguntou à Jo. Dois dias depois, ela mandou um texto contando quem é quem, incluindo datas e quem deveria aparecer queimado”, relembra.

Imagem: Warner Bros. Pictures/Reprodução

Durante painel na CCXP, Eduardo recordou de uma visita da autora quando tinham acabado de receber os livros cenográficos de Os Contos de Beedle, o Bardo, durante as filmagens de As Relíquias da Morte. Ao vê-los, Rowling ficou encantada e perguntou se podia pegar com uma cópia. Como as peças ainda precisavam passar por um processo de envelhecimento, Eduardo preferiu enviar um para ela assim que estivessem prontos. A autora concordou, mas, depois de alguns minutos, voltou e disse: “Desculpa, mas não vou conseguir ir embora sem um exemplar.”

Imagem: Warner Bros. Pictures/Reprodução

O livro-roteiro de Animais Fantásticos e Onde Habitam é outro favorito de Rowling. Eduardo conta que recebeu uma cópia, autografada pela roteirista, cuja dedicatória dizia: “Esta é a capa mais bonita de todos os meus livros.”

Os roteiros dos filmes ganharam livros com projeto gráfico sofisticado (Imagens: Editora Rocco/Divulgação)

“Esta é a capa mais bonita de todos os meus livros.”
– J. K. Rowling

Animais Fantásticos

Animais Fantásticos demanda uma produção de artes gráficas maior do que Harry Potter. Enquanto a primeira franquia se passava predominantemente em Hogwarts, a segunda se passa nas ruas do mundo trouxa, em países diferentes, o que interfere no estilo das criações de cada filme. “Fizemos placas de sinalização, letreiros e rótulos de produtos para as ruas de Nova York e, quando fomos para o segundo filme, precisamos começar do zero com Paris”, conta.

A House of MinaLima está com uma exposição de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Foto: MinaLima/Divulgação)

J. K. Rowling publicou Tweets que indicam que o terceiro filme da franquia se passará no Brasil. De férias, Eduardo diz que está na mesma situação dos fãs, “desesperado para descobrir o que vai acontecer”, mas promete que, “se o filme se passar no Brasil, pode ter certeza que vou fazer de tudo para representar a gente brilhantemente”. Ele e Miraphora voltam para trabalhar no filme em fevereiro de 2019.

“Se o filme se passar no Brasil, vou representar a gente brilhantemente.”
– Eduardo Lima

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