Animais Fantásticos ︎◆ Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald ︎◆ David Yates ︎◆ Direto do set ︎◆ Equipe técnica ︎◆ pierre bohanna

De volta ao universo de Harry Potter

O primeiro Animais Fantásticos não tem referências diretas a Harry Potter, mas a partir de Os Crimes de Grindelwald os mundos de Harry e Newt começarão a se unir – o que, segundo o diretor David Yates, não é uma estratégia para agradar aos fãs.

“Sempre tentamos balancear elementos novos com aqueles que já conhecemos”, explicou o diretor ao POTTERISH enquanto comandava as filmagens, na Inglaterra. “Essas referências fazem parte do filme, mas nem Jo Rowling nem eu estamos interessados em focar nisso. Não temos vontade de voltar ao passado, a não ser que seja realmente necessário para a história ou para algum personagem.”


Imagem: Potterish/Isabelle Imay

Hogwarts

A referência mais marcante é Hogwarts. “O que trouxe o castelo de volta foi o próprio desenvolvimento da história. Já que estávamos trazendo Dumbledore, parecia justo trazer Hogwarts”, diz David Yates. “É um elemento importante, e não uma maneira de alimentar o fator nostalgia.”

A arquitetura do castelo quase não mudou. “Hogwarts tem quase mil anos, e há somente 70 anos de diferença entre Animais Fantásticos e Harry Potter, então não fazia sentido mudar muito”, explica o supervisor de arte Martin Foley.

A equipe precisou reconstruir sets vistos em Harry Potter, como a sala de Defesa Contra as Artes das Trevas, que, ao longo dos filmes, mudou para acompanhar o estilo de cada professor. Na época de Os Crimes de Grindelwald, o professor da disciplina era Dumbledore, então alguns objetos de decoração do ambiente, como equipamentos de astronomia, são os mesmos de seu escritório de diretor. “Foi legal tirar a poeira e trazê-los das exposições para serem usados novamente”, brinca Pierre Bohanna, que coordena a produção dos objetos de cena.


Foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação

O figurino de Dumbledore

Nos livros, Dumbledore usava “vestes longas, uma capa púrpura […] e botas com saltos altos e fivelas” – caracterização que os filmes nunca seguiram à risca. A partir de O Prisioneiro de Azkaban, as cores extravagantes perderam espaço para uma túnica cinza arroxeada e, em Animais Fantásticos, o bruxo usa roupas nas cores cinza e bege, que transmitem seriedade e simpatia.

A figurinista Colleen Atwood, que ganhou o Oscar por Animais Fantásticos e Onde Habitam, diz que a escolha dos tons acinzentados se deve às diferenças entre o Dumbledore de 1910-1920 e o de 1990. Ela e o ator Jude Law tinham em mente que, na época de Animais Fantásticos, ele era o professor favorito da escola, por ser mais próximo dos alunos do que nas histórias de Harry Potter. Por isso, suas vestes deveriam ser menos icônicas do que aquelas que ele usava enquanto diretor. Atwood então procurou o balanço entre roupas que fossem diferentes dos outros personagens, mas sem extravagâncias.


Foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação

Nagini

Outra referência marcante é Nagini. Diferentemente dos Animagos, as Maledictus nascem com uma maldição sanguínea, passada de mãe para filha, que as transforma em animais. Até certa idade, elas controlam este poder, mas aos poucos perdem a habilidade e não conseguem voltar à forma humana.

Nagini conhece Voldemort entre 1991 e 1994 – anos em que se passam A Pedra Filosofal e O Cálice de Fogo –, em uma floresta na Albânia, onde o Lorde das Trevas se refugiou após perder o corpo do professor Quirrell. Com o assassinato de Berta Jorkins, próximo à Copa Mundial de Quadribol, Voldemort transforma Nagini em uma Horcrux. Como Harry Potter se passa quase 70 anos depois de Animais Fantásticos, presume-se que ela não era mais capaz de voltar à forma humana.


Foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação

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Roteirizado por J. K. Rowling, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald chega aos cinemas brasileiros em 15 de novembro de 2018.

Pedro Martins é estudante de jornalismo e editor-chefe do Potterish. Ele viajou à Inglaterra a convite da Warner Bros. Pictures

Colaboraram: Beatriz Franco, Caroline Dorigon, Marina Anderi, Nuara Costa e Rodrigo Cavalheiro
Arte: Isabelle Imay
Revisão: Renato Ritto e Wendell Setubal