Alfonso Cuarón ︎◆ Animais Fantásticos ︎◆ Chris Columbus ︎◆ David Heyman ︎◆ David Yates ︎◆ Direto do set ︎◆ Equipe técnica ︎◆ Mike Newel

Animais Fantásticos | Quem dirigirá os próximos filmes da franquia?

Por Pedro Martins e Vinícius Bonafé, com consultoria de Evandro Lira

David Yates se apaixonou pelo Mundo Bruxo de J. K. Rowling. Diretor dos quatro últimos filmes de Harry Potter e dos dois primeiros de Animais Fantásticos, ele não deve se afastar deste universo cinematográfico tão cedo. Não se depender de David Heyman, que produziu todos os dez filmes do Mundo Bruxo.

“Seria ótimo continuar com David Yates em todos os [cinco] filmes da franquia”, afirmou Heyman em entrevista ao POTTERISH no set de filmagem de Os Crimes de Grindelwald. “Ele é o único que parece ter energia o suficiente para aguentar”, explicou, ao se lembrar dos outros diretores de Harry Potter. “Chris Columbus, [que dirigiu os dois primeiros], ficou tão cansado que não conseguiu continuar. Foi por isso que contratamos Alfonso [Cuarón, para o terceiro]. Gostamos do trabalho dele, mas ele ficou esgotado. Então contratamos Mike Newell, que também ficou esgotado após dirigir o quarto.”

Para David Yates, energia é o que não falta. Enquanto trabalhava na pré-produção de Animais Fantásticos e Onde Habitam, o diretor estava finalizando A Lenda de Tarzan. Ambos estrearam em 2016. “Desta vez, como ele está trabalhando em apenas um filme, as possibilidades são infinitas”, reflete o produtor. “Eu amaria que ele continuasse nos próximos, mas vamos ver como ele se sentirá e para onde a história vai.”


David Yates com Jude Law (Dumbledore) no set de Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (Foto: Warner Bros. Pictures/Divulgação)

Antes de Yates assumir Harry Potter, a franquia passou pela mão de três diretores. Conheça a trajetória de cada um deles:

Chris Columbus

A Pedra Filosofal e A Câmara Secreta

O entusiasmo de Chris Columbus com o universo mágico de J. K. Rowling foi determinante para sua contratação. Ele insistiu em ser o último entrevistado de uma lista com mais de 25 diretores cotados para o projeto, que incluía Steven Spielberg e Mike Newell, o futuro diretor de O Cálice de Fogo. Quem apresentou Columbus a Harry Potter foi sua filha, grande fã dos livros. Por isso, quando foi contratado ele já estava muito envolvido com os personagens e suas jornadas.

Ao estabelecer os principais elementos da identidade visual de Harry Potter, que se tornaria a terceira franquia mais rentável de todos os tempos, Columbus fez história no cinema. “Antes de Chris, ninguém sabia como era uma varinha, como era um feitiço, […] nem imaginava como jogar Quadribol”, relembra Mike Newell em entrevista ao livro Harry Potter: das páginas para as telas. “Chris, Stuart [Craig, o diretor de arte] e todos os outros envolvidos [no primeiro filme] interpretaram esse mundo para a tela e passaram para nós.”


Chris Columbus no set de A Pedra Filosofal

Alfonso Cuarón

O Prisioneiro de Azkaban

O mexicano Alfonso Cuarón assumiu a direção do terceiro Harry Potter depois do esgotamento físico e mental de Chris Columbus, que preferiu ser realocado ao cargo de produtor. Pouco familiarizado com o mundo de J. K. Rowling, ele aceitou o trabalho por incentivo de seu amigo e colega de profissão Guillermo del Toro, ganhador do Oscar por A Forma da Água (2017).

Encantado pelo viés político dos livros, Cuarón tomou decisões importantes para o desenrolar dos filmes seguintes. Com uma nova fotografia, trocando as cores quentes e alegres por tons frios e escuros de azul e cinza, a trama passou a ter um tom sombrio e de preocupação. Cuarón também adicionou um toque de realismo ao universo cinematográfico de Harry Potter, inclusive por meio da estética dos figurinos, e estabeleceu o castelo de Hogwarts como o cenário amplo e vívido que deveria ser.

Alfonso Cuarón no set de O Prisioneiro de Azkaban

Mike Newell

O Cálice de Fogo

Mike Newell já havia sido convidado para dirigir o primeiro Harry Potter, mas não estava disponível. “Fiquei muito interessado, […] mas, em uma das decisões mais catastróficas da minha vida profissional, disse com tristeza a David Heyman que não poderia aceitar o convite”, relembra. Anos depois, ele pôde aceitar o trabalho, tornando-se o primeiro diretor britânico da franquia.

As ideias de Newell para O Cálice de Fogo eram inspiradas no estilo Bollywoodiano. Embora tenha mantido as decisões estéticas de Cuarón, ele deixou sua marca por meio de elementos extravagantes e glamourosos, como a Copa Mundial de Quadribol, o Baile de Inverno e o próprio Torneio Tribruxo. Nos sets de filmagem, o diretor se tornou uma figura próxima dos atores, chegando a quebrar uma costela em uma luta com Oliver Phelps (Jorge Weasley) enquanto ensinava a ele e ao irmão como deveriam lutar depois de não conseguirem ultrapassar a Linha Etária criada por Dumbledore para proteger o Cálice.


Mike Newell no set de O Cálice de Fogo

David Yates

A Ordem da Fênix, O Enigma do Príncipe e As Relíquias da Morte – Partes I e II

Após a saída de Mike Newell, David Yates era uma escolha inusitada para assumir o cargo de diretor. Na época, ele havia dirigido apenas um filme e alguns projetos para televisão, mas sua veia política era justamente o que o produtor David Heyman buscava. Em A Ordem da Fênix, ele teria que lidar com um Ministério da Magia negligente e ditatorial, uma imprensa controlada e manipuladora e um grupo de bruxos obrigado a se rebelar.

Em seu primeiro ano como diretor, Yates, junto ao roteirista Michael Goldenberg, também estreante em Harry Potter, humanizou as tramas e os personagens. O Ministro da Magia, Cornélio Fudge, é um exemplo disso; é evidente aos espectadores que o motivo pelo qual ele está agindo de maneira ditatorial em A Ordem da Fênix é o medo. “David Yates sempre se referia a Harry Potter e a Ordem da Fênix como um filme político com ‘p’ minúsculo”, conta o roteirista. “Ninguém estava interessado em uma didática abertamente política. Era apenas o contexto.”


David Yates no set de As Relíquias da Morte – Parte II

O fator J. K. Rowling

J. K. Rowling desempenhou papel importante nas adaptações de seus livros para o cinema. Embora não estivesse ligada à produção, ela se reuniu com cada diretor para apresentar os elementos de seu Mundo Bruxo tal como funcionavam em sua imaginação. Ainda que todos tenham respeitado grande parte das sugestões e observações da autora, alguns preferiram combiná-los com as próprias decisões criativas.

“Apesar de já ter sido contratado, eu sabia que, se a primeira reunião com Jo não fosse boa, eu jamais iria dirigir o filme”, relembra Chris Columbus. “A Warner Bros. e David Heyman me disseram que eu precisava explicar a ela o tipo de filme que queria fazer.”

Alfonso Cuarón, o diretor que mais teve liberdade criativa durante o processo de adaptação, estava em contato constante com Rowling. Eles discutiam detalhes arquitetônicos de Hogwarts ao psicológico dos personagens. “Eu perguntava, […] e às vezes ela respondia que fazia todo sentido, […] dizendo que não havia pensado naquilo para o livro, mas que era fantástico e que devíamos seguir em frente. Em outras ocasiões, ela preferia que não prosseguíssemos porque iria entrar em contradição com o sexto livro, por exemplo”, explica Cuarón.


David Heyman, J. K. Rowling e David Yates no set de Animais Fantásticos e Onde Habitam

Você sabia?

As Cabeças Encolhidas, que guiam o motorista do Nôitibus Andante e decoram o Três Vassouras, são criações de Alfonso Cuarón, e não de J. K. Rowling. A autora não só aprovou a ideia, mas disse que queria ter pensado naquilo antes do diretor. Mais tarde, no livro O Enigma do Príncipe, Rowling fez uma menção a elas: quando os alunos são revistados ao chegarem em Hogwarts, o zelador Argo Filch confisca uma Cabeça Encolhida de Vicente Crabbe.

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