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Quando a Turma da Mônica foi para Hogwarts

Por Pedro Martins

Criada há quase 60 anos, a Turma da Mônica vendeu mais de um bilhão de gibis, alfabetizou inúmeras gerações e, em tempos de smartphones, soube se reciclar para atender aos novos desejos dos leitores. Uma das iniciativas foi a série de paródias Clássicos do Cinema, das quais Harry Potter é uma das franquias homenageadas. Dando continuidade às histórias de A Pedra Distracional (2009) e A Câmera Secreta (2017), a Panini Comics publicará nos próximos meses Cascão Porker e o Prisioneiro de Alaskaban, cuja capa e os bastidores de produção foram revelados com exclusividade ao POTTERISH.

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O Menino-Que-Quase-Tomou-Banho

Foi a partir do casal Mônica e Cebolinha que o roteirista definiu quais personagens da Turma da Mônica iriam representar os de Harry Potter. Cebolinha não podia ser Harry, porque Harry se casa com Gina, e não com Hermione. Então, surgiu a ideia do Cascão Porker: o Menino-Que-Quase-Tomou-Banho e, em vez de um raio, tem uma gota de água na testa. Em Hográtis, ele conhece os amigos Cebolony Uéslei, Hermônica Granja, os professores Magaligonagal, Ex-Neipe (Do Contra), Dunimbusdore (Nimbus), Hagridão (Jotalhão) e o vilão Feidodemorte (Capitão Feio).

Cada volume do Cascão Porker acompanha um filme de Harry Potter. Os dois primeiros estão esgotados e, de acordo com a Panini, serão republicados em 2019. O terceiro será publicado nos próximos meses.

A Pedra Distracional: José Márcio Nicolosi (desenho), Carlos Kina (letras) e Mauro Souza e Camila Fernandes (arte-final e coloração)

A Câmera Secreta: Jairo Alves dos Santos (desenho), Carlos Kina (letras) Gilberto Valadares, Kaio Bruder e Marcelo Conquista (arte-final e coloração)

Linha de produção

Os três volumes foram roteirizados por Flávio Teixeira, que é fã de Harry Potter e trabalha há 28 anos nos Estúdios Maurício de Sousa. Segundo ele, paródias como Cascão Porker são um pouco mais trabalhosas do que as histórias tradicionais da Turma da Mônica. Elas começam a ser produzidas três meses antes de chegar às bancas, passando pela mão de cinco profissionais diferentes, além dos editores e dos revisores.

  • 1) Roteiro

Ao contrário dos roteiristas da Marvel e da DC, os da Turma da Mônica escrevem e desenham ao mesmo tempo. Além de indicar as ações e as falas, eles desenham o cenário, o figurino e as expressões dos personagens. No entanto, esses desenhos são apenas rascunhos, feitos à lápis ou à caneta, sem preocupação com detalhes. O roteirista de Cascão Porker prefere colorir seus rascunhos, mas não é uma obrigação do estúdio. Em média, ele roteiriza cinco páginas por dia – cada Cascão Porker tem 45. Até hoje, o próprio Maurício de Sousa lê e aprova todos os roteiros, junto de sua filha Marina Takeda e Sousa.

(Imagem: Estúdios Maurício de Sousa/Panini Comics)
  • 2) Desenho

Depois de aprovado, o roteiro chega à mesa dos desenhistas. Ali, nada de papel em cima papel: eles desenham à mão livre, usando os rascunhos dos roteiristas apenas como guia. Muitos já desenham digitalmente, com a ajuda de tablets, mas alguns ainda desenham à lápis. Especialmente no caso de Cascão Porker, o processo é minucioso, pois eles têm que recriar o Mundo Bruxo somando dois estilos consagrados: o dos filmes de Harry Potter e o da Turma da Mônica, além de deixar espaço para referências de outros universos da fantasia (Gandalf e o Mestre dos Magos fazem uma aparição em Cascão Porker!).

  • 3) Letreiramento

Os desenhos seguem para os letristas, que acrescentam, no computador, as falas de cada personagem. A tipografia usada em todas as histórias da Turma da Mônica foi desenvolvida a partir da letra do próprio Maurício de Sousa e, até alguns anos atrás, era escrita à mão.

  • 4) Arte-final

Depois de ganhar balõezinhos e falas, os quadrinhos chegam à mesa dos arte-finalistas. Com cuidado, eles definem a espessura de cada traço do desenho para dar noções de profundidade, textura, movimento e efeitos de sombra e luz. A maioria das histórias são arte-finalizadas no computador, em um programa originalmente desenvolvido para mangás (os quadrinhos japoneses), mas especiais como Cascão Porker, por terem um traço mais elaborado, são feitos à mão.

(Imagem: Estúdios Maurício de Sousa/Panini Comics)
  • 5) Coloração

Chegou a hora de colorir os quadrinhos. Para as histórias tradicionais, a maioria das cores e tonalidades são pré-definidas, como o vestido vermelho da Mônica e a camisa verde do Cebolinha. No entanto, como Cascão Porker é uma paródia, ambientada longe da Rua do Limoeiro, quase tudo muda, então o colorista precisa recriar os padrões. Magali, por exemplo, não veste mais o tradicional vestido amarelo. Afinal, agora ela é Magaligonagol, que usa uma capa verde e um chapéu de coco iguais aos da Professora McGonagall.

(Imagem: Estúdios Maurício de Sousa/Panini Comics)

Bicharada Esquisita e Onde se Esconde

Cascão Porker foi tão bem recebido pelos fãs que, este mês, a Panini publicou uma paródia do filme Animais Fantásticos e Onde Habitam. Em uma historinha menor, com 23 páginas, Chico Bento troca sua maleta com a do magizoologista Newt Scamander e solta o Pelúcio, o Occami, o Pássaro Trovão e o Erumpente na roça.

Apesar do intervalo de quase oito anos entre o lançamento do primeiro e do segundo Cascão Porker, os Estúdios Maurício de Sousa e a Panini voltaram a publicar as paródias de Harry Potter e pretendem continuar. Enquanto o terceiro volume chegará às bancas nos próximos meses, o quarto, que representa O Cálice de Fogo, ainda não tem previsão de lançamento.

Edson L. Itaborahy (roteiro), Altino O. Lobo (desenho), Danilo Batista (letras), Kazuo Yamassake (arte-final) e Miriam Tominaga (coloração)

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