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Lílian Evans: muito mais do que mãe e paixão platônica

Lílian Evans desempenhou papel vital na salvação do Mundo Bruxo ao se sacrificar pelo filho e ser o grande motivo por trás das boas ações de Severo Snape. Sua morte prematura, porém, faz com que ela seja lembrada apenas por esses dois fatores. No dia em que a bruxa completaria 58 anos, o Potterish propõe que os leitores analisem a personagem escapando desses clichês. É preciso compreender que sua vida não começou (e terminou) naquela fatídica noite em Godric’s Hollow.

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Por Beatriz de Souza e Gabriela Benevides

Nascida em uma família trouxa, Lílian se surpreendeu ao descobrir que possuía poderes mágicos. Em Hogwarts, encantou a todos com sua gentileza e inteligência. Mais do que a mãe de Harry, esposa de Tiago e amor não correspondido de Snape, Lílian era uma mulher fenomenal.

“Não consigo imaginar alguém que a conhecesse e não gostasse dela… muito corajosa… muito engraçada…”

Prof. Slughorn em Harry Potter e o Enigma do Príncipe.

Durante sua vida breve, Lílian comprovou a decisão do Chapéu Seletor de colocá-la na Grifinória. Incrivelmente corajosa, ela escolheu fazer o certo em vez do fácil quando Voldemort estava no ápice de seu poder. Juntou-se à Ordem da Fênix, desafiando-o pessoalmente mais de uma vez, e teve bravura o bastante para se casar com quem amava e tentar construir uma família em meio a um dos piores momentos da história bruxa.

Sua coragem existe desde os tempos de Hogwarts. Quando xingada de sangue-ruim por seu melhor amigo, Severo Snape, Lílian manteve-se de cabeça erguida. Tiago, à época o garoto mais popular de Hogwarts, arrogante e imaturo, não foi poupado dos sermões da garota. Gentil, mas nada submissa, ela não hesitava em se afastar de situações negativas. Ao longo de rápidas aparições nos livros, Lílian demonstrou muitas facetas. Ela apresentava uma das virtudes mais valorizadas pelo próprio Prof. Dumbledore: a coragem não apenas para enfrentar inimigos, mas também para questionar grandes amigos.

“[…]
– Não preciso da ajuda de uma Sangue-ruim imunda como ela!
Lílian pestanejou.
– Ótimo – respondeu calmamente. – No futuro, não me incomodarei. E eu lavaria as cuecas se fosse você, Ranhoso.
– Peça desculpa a Evans! – berrou Tiago para Snape, apontando-lhe a varinha ameaçadoramente.
– Não quero que você o obrigue a se desculpar – gritou Lílian, voltando-se contra Tiago. – Você é tão ruim quanto ele.
– Quê? Eu NUNCA chamaria você de… você sabe o quê!
– Despenteando os cabelos só porque acha que é legal parecer que acabou de desmontar da vassoura, se exibindo com esse pomo idiota, andando pelos corredores e azarando qualquer um que o aborreça só porque é capaz… até surpreende que a sua vassoura consiga sair do chão com o peso dessa cabeça cheia de titica. Você me dá NÁUSEAS.”

Harry Potter e a Ordem da Fênix

Seu ativismo, seus valores morais e seu grande talento eram a combinação perfeita para a Ordem da Fênix. Suas virtudes eram tamanhas que impressionaram até o mais influente bruxo anti-trouxas do mundo, que tentou recrutá-la para seu grupo de Comensais da Morte. Seus princípios, no entanto, foram fortes o bastante para negar o Lorde das Trevas no momento em que ele se encontrava mais forte.

Lílian também sofreu com a irmã, Petúnia. Seus poderes, que ela sequer tinha controle, criaram um abismo entre as duas que nunca foi superado. Seus pesares, porém, não a tornaram uma bruxa amarga e cruel, como Severo Snape; pelo contrário: Lílian tinha o coração aberto para ajudar a todos.

“Ela tinha o dom de ver a beleza nos outros, mesmo, e talvez principalmente, quando a pessoa não conseguia enxergar isso em si mesma.”

Remo Lupin em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Embora sua morte tenha sido um ato de puro amor e sacrifício, Lílian merece crédito por outros motivos. Ela foi uma bruxa extraordinária, cuja bravura se estendeu para grandes ideais morais e políticos. Ignorar isso seria um insulto à sua memória. Desejamos, portanto, que seu aniversário sirva de inspiração a todos que almejam uma vida repleta de conquistas e virtudes.

Ilustração: Milton Rafael Castro.