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Seção Granger: “Jogo de Espelhos”, de Cara Delenvigne e Rowan Coleman

Na primeira Seção Granger de dezembro, a colunista Beatriz Franco traz a resenha crítica de Jogo de Espelhos, primeiro livro da cantora, atriz e modelo Cara Delevingne, escrito em parceria com Rowan Coleman.

“Utilizando-se de vocabulário moderno e ferramentas atuais – Facebook, Instagram, redes sociais e SMS – Jogo de Espelhos estabelece um diálogo entre seus personagens e público alvo.”

Para ler a crítica na íntegra, acesse a extensão deste post.

“Jogo de Espelhos”, de Cara Delevingne
Resenha crítica por Beatriz Franco

A estreia de Cara Delevingne nas livrarias nos introduz à amizade improvável de um grupo de adolescentes londrinos que formam uma banda na escola.

Em meio a vidas caóticas e situações delicadas, Rose, Red, Leo e Naomi encontram estabilidade no sucesso da banda Mirror, Mirror. A calmaria acaba, porém, com o desaparecimento de Naomi, que no passado possuía o hábito de fugir de casa.

Red, garota lésbica e tímida, é responsável por narrar os acontecimentos enquanto lida com a mãe alcóolatra e o pai ausente, cuidando também da irmã mais nova, Gracie.

A maneira com que a sexualidade de Red é explorada é, sem dúvida, interessante: o conflito interno e o preconceito estão por ali, mas sua orientação é retratada naturalmente, se considerada a faixa etária da personagem.

Apesar de tratar distúrbios alimentares e psicológicos de maneira séria, valorizando a recuperação e evitando romantizar hábitos como o uso de drogas e álcool pelos protagonistas, Jogo de Espelhos peca em pontos importantes.

Levado em conta o elevado número de vítimas de abuso sexual, assim como o de discriminação contra membros da comunidade LGBT+, a falsa acusação de estupro que é feita contra a protagonista lésbica é um acréscimo completamente desnecessário e prejudicial, não contribuindo para o enredo ou para o desenvolvimento das personagens.

Para qualquer um que já teve contato com o jogo Life is Strange, a resolução é previsível e insatisfatória, e a caracterização dos personagens soa familiar. Interessante à primeira vista, a utilização de mensagens de texto para desenvolver a história torna-se entediante à medida que as páginas avançam.

Utilizando-se de vocabulário moderno e ferramentas atuais – Facebook, Instagram, redes sociais e SMS –, Jogo de Espelhos estabelece um diálogo entre seus personagens e público alvo. No entanto, não apresenta um ritmo constante e pode decepcionar o leitor que espera um mistério complexo e grandes reviravoltas.

304 páginas, editora Intrínseca, publicado em 2017.
Título original: Mirror, Mirror
Tradução: Alice Mello

Beatriz Franco é estudante e tradutora do Potterish.