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A carreira pós-Potter de Emma Watson


Em meio aos oito filmes da franquia Harry Potter, os atores ganharam apreço do público. Uma das maiores expectativas para o “pós-Potter” era Emma Watson, que hoje é uma das atrizes mais rentáveis de Hollywood, envolvendo-se em projetos com grandes produtores, diretores e atores da indústria. Nesta coluna, listamos os nove filmes que a atriz fez após encerrar sua participação no Mundo Bruxo de J.K. Rowling.

Por Evandro Lira


O primeiro trabalho de Watson longe de Hogwarts foi na graciosa produção televisiva Dançando para a Vida (2007), filmado nos intervalos de O Cálice de Fogo e A Ordem da Fênix. Em seguida, ela emprestou sua voz para a Princesa Pea na animação O Corajoso Ratinho Despereaux (2008). Mas foi só depois de terminar As Relíquias da Morte, que a atriz pôde começar uma trajetória interessante no cinema.

2011 – Sete Dias com Marilyn, de Simon Curtis

No mesmo ano em que a franquia Harry Potter chegava ao fim, Emma Watson atuava em Sete Dias com Marilyn. Ela havia filmado sua participação durante poucos dias, em meio aos estudos na Universidade de Brown.

Estrelado por Michelle Williams no papel de Marilyn, Eddie Redmayne (Newt Scamander) e Kenneth Branagh (Gilderoy Lockhart), o filme conta a história do homem que conheceu a mulher por trás do mito. Colin Clark, interpretado por Redmayne, escreveu um livro de memórias sobre os dias em que foi assistente no filme The Prince and the Showgirl e se envolveu com a super-estrela Marilyn Monroe.

O filme oferece novas e interessantes perspectivas sobre Monroe, como sua dificuldade de se relacionar com colegas de trabalho e sua atribulada vida pessoal, assim como promove de maneira acertada a reflexão sobre o papel significativo que a atriz teve em Hollywood.

Emma Watson tem um papel coadjuvante como Lucy, uma figurinista jovem e apaixonada que se relaciona com Colin, mas vê o homem se enfeitiçar pela lenda que é Marilyn Monroe.

2012 – As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky

No ano seguinte, ao lado de Logan Lerman (Percy Jackson) e Ezra Miller (Credence Barebone), Emma Watson apaixonou e emocionou a todos neste filme que marcou para sempre o gênero coming-of-age (histórias sobre transições da juventude à vida adulta).

Sam, que adotou o cabelo curto de Emma, é uma garota bonita e popular que, no último ano do ensino médio, precisa dar conta de seus relacionamentos, notas, vestibular, e que vê seus laços se estreitarem ainda mais com o irmão Patrick e o novo amigo, Charlie.

Aclamado pela crítica, As Vantagens de Ser Invisível provoca uma explosão emocional em qualquer um que tenha vivido a adolescência. Sua trilha sonora, com músicas dos anos 90, 80 e 70, é evocativa e tem um papel fundamental na narrativa. É, sem dúvida, um dos melhores filmes da carreira de Emma Watson.

2013 – Bling Ring: A Gangue de Hollywood, de Sofia Coppola

Emma Watson vive Nicki, uma garota rica e mimada que rouba casas de famosos com os amigos em Los Angeles. Cabelo, figurino, modo de falar e linguagem corporal totalmente novos na sua persona-fílmica.

A cultuada diretora Sofia Coppola tem em sua carreira um tema-comum: pessoas privilegiadas, vidas vazias e a dificuldade de se encontrar em meio ao mundo. Seu olhar minucioso e sem julgamento agora está diante de um caso real, denunciado pela jornalista Nancy Jo Sales para a Vanity Fair. Coppola acerta ao tornar Bling Ring quase que um filme observacional, mostrando os atos inconsequentes desses jovens e o universo narcisista que eles habitam. Uma crítica contida, mas não menos poderosa, à sociedade moderna do consumo.

2013 – É O Fim, de Seth Rogen e Evan Goldberg

“A Hermione roubou todas as nossas coisas”, diz um personagem depois de Emma, interpretando ela mesma, ter roubado todos os suprimentos dos marmanjos protagonistas do filme.

No inusitado É o Fim, diversos artistas conhecidos interpretam eles mesmos. James Franco, Jonah Hill, Michael Cera, Rihanna e outros famosos entram na brincadeira do apocalipse que destrói o mundo enquanto eles estão dando uma festa.

Bem recebido pela crítica, que destacou o humor ácido e as referências ao universo de Hollywood, o que a comédia tem de absurdo tem de divertida, e Emma é uma das melhores participações.

2014 – Noé, de Darren Aronofsky

Em 2014, Emma atuou em Noé, que narra a história bíblica já conhecida, mas por um olhar típico do diretor Darren Aronosfky, conhecido por Cisne Negro (2010) e Mãe! (2017).

No longa, Noé é verdadeiramente humano. Ele ainda precisa salvar toda a fauna e deixar que milhares de vidas humanas se afoguem em um dilúvio provocado pelo Criador, mas sem se poupar de questionamentos e dúvidas.

Emma Watson interpreta aqui a filha adotiva de Noé. Personagem que tem importância vital para a narrativa, Ila é um dos papéis mais dramáticos de toda a carreira da atriz.

A trama do filme conta com uma guinada surpreendente. Não é a mesma história que você deve está familiarizado. Este Noé transita por questões delicadas, questionando de forma sutil até que ponto alguém pode sacrificar a vida pela fé, emocionando e envolvendo do início ao fim.

2015 – Regressão, de Alejandro Amenábar

Em Regressão, Emma Watson vive Angela Grey, uma jovem que acusa o pai de tê-la estuprado. O problema é que, ainda que assuma a culpa, o homem não lembra do ocorrido. Então, fica a cargo do detetive interpretado por Ethan Hawke e do psicólogo de David Thewlis (Remo Lupin) investigar o caso, que a cada momento se torna mais misterioso.

O longa poderia ter sido um ótimo thriller caso não se mostrasse tão frustrante a cada reviravolta. Chato, anti-climático e previsível, o filme foi detonado pela crítica, não sobrando para ninguém — inclusive para Emma, que teve sua performance questionada.

2015 – Amor e Revolução, de Florian Gallenberger

Este suspense retrata um dos momentos mais terríveis da América Latina: os anos em que existiu a Colonia Dignidad, um culto religioso e fascista que serviu de fachada para um campo de concentração de presos políticos durante o golpe de Estado no Chile.

Emma Watson encarna, com toda a pompa de heroína, a protagonista Lena, uma comissária de bordo que desembarca em Santiago a fim de visitar o namorado envolvido com a revolução contra a ditadura. Tão logo o moço é preso, Lena descobre que ele foi levado a essa tal Colônia. Disfarçada, ela se infiltra no local e presencia atos covardes de tortura e humilhação por parte das pessoas que gerenciam o lugar. Sua única esperança se torna encontrar uma maneira eficaz de fugir.

O longa tem uma trama muito interessante, mas não vai nem um pouco além. É cheio de convencionalismos, com uma direção limitada que por vezes soa como um mero filme de TV. No entanto, Watson recebeu elogios da crítica especializada, mesmo que em geral não tenha aprovado o filme.

2017 – A Bela e a Fera, de Bill Condon

Em 2017, Emma Watson voltou ao cinema em grandíssimo estilo com A Bela e a Fera. Seu papel não poderia ser outro senão Bela, a garota inteligente, leitora voraz, independente e corajosa (te lembra alguém?) que se apaixona pelo príncipe transformado em monstro.

No remake de uma das animações mais queridas da Disney, Emma usou o clássico vestido amarelo e surpreendeu nos números musicais. Ela também foi responsável por atribuir muitas nuances a personagem, desde detalhes do figurino até atitudes de empoderamento feminino.

A popularidade da atriz unida aos fãs saudosos da animação tornaram A Bela e a Fera o filme de maior bilheteria de 2017, rendendo 1,264 bilhão de dólares aos cofres da Disney.

2017 – O Círculo, de James Ponsoldt

O Círculo é o pior filme da carreira da Emma Watson — e de Tom Hanks. Baseado em um livro homônimo, o longa começa interessante: Mae (Watson) arranja um novo emprego em uma empresa de tecnologia, mas aos poucos percebe que as coisas por ali não são nada normais. A partir daí, a história se torna o que um episódio de Black Mirror não é: uma história mal contada sobre o limite dos avanços tecnológicos.

É frustrante de inúmeras maneiras. Todos os personagens da trama, inclusive a de Emma Watson, tornam-se sombras de um roteiro medíocre. A protagonista tem atitudes contraditórias o tempo todo, o que nada ajuda na simpatia do espectador pela personagem e muito menos facilita o trabalho de Emma.

À medida que o filme caminha para o final, tudo está tão risível, que nada mais surpreende. O Círculo foi massacrado pela crítica especializada. A atuação de Emma dividiu opiniões, ainda que ninguém se atreva a dizer que foi a responsável pelo desastre.

Evandro Lira é estudante de Cinema da UFPE e social media do Potterish.