J. K. Rowling ︎◆ Não categorizado

J.K. Rowling revela curiosidades do processo de escrita de Harry Potter

Baseado na exposição homônima da Biblioteca Britânica, o documentário da BBC Harry Potter: A History of Magic apresentou a ligação entre a verdadeira história da magia e a série Harry Potter. Em entrevista, J.K. Rowling também revelou curiosidades de seu processo de escrita.

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Por mais de um ano, a curadoria da Biblioteca Britânica procurou em seu acervo elementos de uma mitologia já esquecida que se conectam com as histórias de Harry Potter. “Muitas das ficções que lemos em Harry Potter foram implementadas e acreditadas no passado”, explica Alexander Lock, co-curador da exposição. “Crença é muito importante na magia. Se você acredita, então acontece”, completa.

Além de artefatos de uma mitologia ancestral ligada à magia, a exposição traz manuscritos e ilustrações inéditas de J.K. Rowling. Dentre as ilustrações expostas, escolhidas a dedo pelo autora, está a da Professora Sprout, que tem profunda relação com um momento importante de sua vida. Jo se recorda de estar desenhando durante a madrugada enquanto assistia ao filme O Homem que Queria ser Rei e, naquele momento, sua mãe falecia, vítima de Esclerose Múltipla. “Aconteceu algo muito importante naquela noite, há 20 anos. A série trata muito sobre perdas e, se minha mãe não tivesse morrido, as histórias seriam completamente diferentes”, diz.

Anos depois, o mesmo filme a inspirou na criação do símbolo das Relíquias da Morte. “O símbolo maçônico é muito importante naquele filme. Foi literalmente 20 anos depois que eu olhei para as Relíquias da Morte e percebi o quão similares eles são”, revela.

Na exposição, uma das primeiras relações históricas apresentadas é a Alquimia. Na Idade Média, a química procurava desenvolver a Pedra Filosofal e encontrar a cura para os males que afligiam os humanos. O verdadeiro Nicolau Flamel, que morreu no século XV, deixou até um pergaminho com instruções de como criar a Pedra Filosofal. “Estou realmente desapontada por vocês não terem tentado fazer uma”, brinca Rowling ao ler o pergaminho.

Outro elemento comum em crenças antigas é a Mandrágora. Com raízes que se assemelham à forma humana, a planta existia de forma mística muito antes de Harry Potter. “Minhas mandrágoras não são bem assim”, Rowling comenta entre risos.


Além da ilustração, feita no século XVI, o livro apresenta um guia de como se livrar da mandrágora sem sofrer as consequências que seu grito supostamente traria.

Os feitiços do Mundo Bruxo normalmente têm raízes em línguas clássicas. Por isso, o diploma da autora em Línguas Modernas lhe foi muito útil. “Dependia da importância do feitiço. Às vezes, eu só inventava”, explica. “Eu dava uma procedência mais rica aos que eram muito importantes, como as maldições Cruciatus e Avada Kedavra, que é genuinamente uma derivação de Abracadabra, cuja tradução literal é: ‘que a coisa seja destruída’. Já os mais divertidos, como Wingardium Leviosa, são irreverentes e brincalhões”, revela.

Para as varinhas, no entanto, Rowling conta que não utilizou de crenças e conhecimentos antigos. “Eu não consegui achar nada sobre varinhas, então inventei tudo, e me diverti muito, diz. “Eu me lembro perfeitamente: estava sentada embaixo de uma árvore em um dia de verão quando escrevi aquele capítulo sobre a loja de varinhas em {A Pedra Filosofal}. Inventei todas aquelas propriedades e núcleos”, relembra.

Esta é a primeira vez que um autor vivo é assunto de uma exibição na Biblioteca Britânica. “É uma grande honra e, ao mesmo tempo, um pouco assustador. Essas coisas são apenas meu instrumento de trabalho, e vê-las numa caixa de vidro é surreal”, diz.

“Muita gente me diz o quanto Harry Potter significa em suas vidas. Mas eles não fazem ideia do quanto Harry Potter significa para mim. Eu os escrevi durante o período mais turbulento da minha vida, espero, e coloquei muito mais de mim naqueles livros do que qualquer pessoa jamais saberá.”

Harry Potter: A History of Magic estreou na rede britânica BBC em 28 de outubro. A exposição homônima está em exibição na Biblioteca Britânica, em Londres, até 28 de fevereiro de 2018, quando seguirá para os Estados Unidos.

Colaboraram: Aryanne Valenzuela, Beatriz Franco, Juliana Torres, Pedro Martins e Roger Uchoa Montenegro.