Animais Fantásticos e Onde Habitam

Primeiras críticas de Animais Fantásticos e Onde Habitam

[borda1]http://cdn.potterish.com/wp-content/2015/12/15070947/Primeiro_p%C3%B4ster_Animais_Fant%C3%A1sticos_Newt_Borda1.jpg[meio]Finalmente chegou o momento que todos os fãs de Harry Potter esperavam: a estréia de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”.

A imprensa, que já teve acesso ao filme antes dele chegar às telas do cinema, já divulgaram as primeiras críticas do mais novo filme do universo mágico de J.K. Rowling.

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“A feiticeira do entretenimento J.K. Rowling voltou com tudo para o mundo mágico com um banho de fagulhas do sobrenatural – e criou uma aventura de romance e fantasia gloriosa sobre os bruxos na era da proibição na América e sobre o bruxo britânico diferente que provoca o caos em seu meio com uma maleta cheia de animais exóticos.” – The Guardian

A tradução completa desta e outras resenhas podem ser conferidas abaixo:

The Guardian
Time
Enterteinment Weekly
Collider
The Wrap
IGN

IMPORTANTE:Todas as resenhas que você encontrará nessa notícia estão LIVRES DE SPOILERS

The Guardian
Peter Bradshaw
13 de novembro de 2016
Tradução: Ana Alves Rolim
Revisão: Aline Michel

O último filme do mundo mágico de Rowling, autora de Harry Potter, é uma aventura maravilhosamente divertida com Eddie Redmayne como um “magizoologista” que tropeça em uma aventura repleta de magia negra em Nova Iorque.

Nunca precisamos tanto nos animar. Apesar de estar estritamente no nível do escapismo, talvez esse filme se comprometa ao fazer um de seus personagens ser um nova-iorquino idiota rico e detestável, um inútil sem charme, ou talvez eu queria dizer mal-humorado , que depende do dinheiro do pai e nutri ambições políticas. “Ele foi citado como um futuro presidente”, alguém fala. Com certeza não…

A feiticeira do entretenimento J.K. Rowling voltou com tudo para o mundo mágico com um banho de fagulhas do sobrenatural – e criou uma aventura de romance e fantasia gloriosa sobre os bruxos na era da proibição na América e sobre o bruxo britânico diferente que provoca o caos em seu meio com uma maleta cheia de animais exóticos. A atuação de Eddie Redmayne é encantadora, e ele mesmo é um excelente animal fantástico. Há uma cena em que ele precisa “sussurrar” para fazer um animal errante ficar submisso e suas contorções deixariam Andy Serkis no chinelo.

O Newt dele é um taxonomista desatento, perito e cientista de criaturas mágicas que não fica longe de um Dr. Who com cachecol, um Harry Potter sem óculos ou um Darwin sem barba. A voz distintamente ofegante de Redmayne chega a ter algo do jovem Attenborough. Com a franqueza e a amabilidade da sua presença em cena, e a generosidade pura da energia da produção do filme, ele e o elenco nos dão um presente de natal antecipado.

Veterano no mundo de Harry Potter, David Yates dirigiu e Rowling adaptou o livro didático Animais Fantásticos e Onde Habitam, do próprio Newt Scamander: o primeiro nome é apelido para “Newton” e não tem nada a ver com o ingrediente das bruxas. O livro era uma obra ficcional de conhecimento mágico citada primeiramente em “Harry Potter e a Pedra Filosofal” e que a própria Rowling escreveu e publicou para auxiliar a Comic Relief alguns anos depois. Então, quem foi Scamander? Rowling nos responde convertendo essa enciclopédia estática em uma aventura de ação espetacular sobre a origem do livro dele, ambientado na cidade de Nova Iorque antes da guerra, 70 ou 80 anos antes da Pedra Filosofal. Isso torna o filme uma prequel? Mais ou menos. Há algumas dicas e referências, incluindo uma menção a Dumbledore.

Ele promete ser o primeiro de uma série e eu não me surpreenderia se Rowling já tivesse todos os detalhes definidos para toda a saga com detalhes arquitetônicos – e que ela tinha tudo em mente antes de escrever o primeiro Harry Potter.

Animais Fantásticos é um entretenimento rico, barroco e com detalhes complexos com algumas invenções digitais da Nova Iorque pré-guerra de tirar o fôlego. Isso é Steampunk 2.0, inspirado em “Brasil – O Filme”, de Terry Gilliam, ou em “Jejum de Amor”, de Howard Hawks, mas a Nova Iorque que ela cria também tem o olhar negro e traumatizado de Gotham. Os próprios bruxos americanos estão sujeitos a um debate interno sobre sua atitude perante os civis: na América, um Trouxa é chamado de “não-maj”. É uma separação que ameaça chegar ao mesmo nível da de X-Men.

O pedante e mundano Newt chega a Nova Iorque na caça por algumas espécies raras, e acontece que ele mesmo está carregando algumas espécies bem exóticas na sua maleta surrada com sua fivela preocupantemente pouco firme. Mas, a cidade aonde ele acaba de chegar foi ameaçada por um tipo furacão de magia negra de poltergeists, devastando ruas e prédios em seu caminho, chamado de Obscurial.

O tolo Newt provoca uma calamidade quase logo após chegar, criando um tumulto em um banco com seus animais, e um capricho do destino o faz firmar uma amizade improvável com o não-maj Jacob Kowlaski (em uma atuação sedutora de Dan Fogler), um ex-soldado preso em um emprego em uma fábrica, mas com o grande sonho de abrir sua própria padaria. Mas, Newt, nosso doce cavalheiro amador do outro lado do oceano, irrita as autoridades bruxas dos EUA e principalmente a durona Tina Goldstein (Katherine Waterston), que também tem problemas com seus superiores. Tina acaba precisando proteger Newt e Jacob e leva seus dois amigos para o apartamento que divide com a irmã telepática Queenie (Alison Sudol) que se interessa por Jacob. E pode ser que também haja uma faísca entre Newt e Tina? Enquanto isso, a arrepiante ativista anti-bruxos Mary Lou (Samantha Morton) e seu filho adotivo Credence (Ezra Miller) parecem ter uma ligação inquietante com o bruxo de alto escalão Percival Graves (Colin Farrell).

É um universo muito Rowling, denso e divertido, mas sempre levando seus perigos muito a sério e fazendo você sentir o mesmo sem esforço. Os filmes dos Animais podem de fato limpar a pouco discutida dívida de Rowling com Roald Dahl. Eles também mostram que seu universo com fauna exótica é de maneira positiva, uma prima da fauna de George Lucas.
Há um prazer estranho em ver como a magia dela está forte como sempre. O mundo Trouxa ou não-maj que estamos vendo tem quase um século, mas o equipamento e a linguagem básicos, e o procedimento da magia não são de forma alguma antigos ou rudimentares. São a mesma coisa. Eles têm as fotos que se mexem nos jornais assim como no mundo de hoje. Como sempre, a magia é um estado dentro de um estado, um segredo à vista de todos, e parte da diversão é não saber desse segredo.

Katherine Waterston é uma Tina incrível, e talvez dê ao universo de Rowling o que ele nunca teve muito até agora: uma protagonista feminina jovem e forte de verdade, que ataca os vilões em igualdade com os homens – além de também estar inclinada ao romance.

Rowling e Yates nos dão um filme incrivelmente amável, despretensioso e irresistivelmente vivo. Há uma cena em um botequim em que alguém pede “seis shots de água de risadinhas”. Esse filme fez eu me sentir com doze anos.

Time
Stephanie Zacharek
15 de novembro de 2016
Tradução: Caroline Dorigon
Revisão: Aline Michel

Há tanta coisa acontecendo no spinoff de Harry Potter que depois do primeiro ato, você quase não consegue se preocupar com o que acontece depois

O sentimento claro de antifascismo de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” – a fotografia que está chegando bem quando os Estados Unidos encaram uma mudança política sísmica – deveria transformá-lo no filme do momento. Mas não é realmente um filme para qualquer momento em particular. Enquanto esse spinoff de Harry Potter apresenta alguns efeitos encantadores e ocasionalmente impressionantes – e foi adaptado pela própria J.K Rowling, usando seu livro-texto fictício de mesmo como ponto de partida – no final é apenas comida de dragão, um produto concebido para entregar muito, muito mais daquilo que a audiência esta tanto espera.

Não há nada naturalmente errado com isso. Mas a fotografia – dirigida por David Yates, que também nos deu os quatro últimos filmes de Harry Potter, brilhantes – parece tanto espalhada quanto lotada, como se estivesse tentando colocar tanta mitologia dentro de um vão apartado. “Animais Fantásticos” é uma prequela, que acontece anos antes mesmo de Harry Potter ter a cicatriz em forma de raio brilhando nos olhos de seus pais: É nos anos de 1920 em Nova York, e Newt Scamandar (Eddie Redmayne), um magizoolista cujo conhecimento específico sobre todos os tipos de criaturas mágicas, está chegando de Londres. Nos Estados Unidos, são tempos apreensivos e preocupantes: a comunidade bruxa secreta está sob ameaça porque algo negro, giratório e desconhecido está seguindo o caminho da destruição pelas ruas da Cidade de Nova York. Para proteger sua classe, os bruxos devem ser muito cuidados para esconder seus poderes dos no-majs (termo americano para trouxas). Para ajudar, há um grupo fanático, liderado pela decorosa Mary Lou Barebone de Samantha Morton, determinado a destruir as comunidades bruxas. Além disso, o bruxo das trevas Geraldo Grindewald está desaparecido – no caso de acontecer de você achar que “Animais Fantásticos” não tem enredo suficiente para você digerir.

Entre esses passos confusos, Scamander espera pesquisar algumas criaturas mágicas novas e proteger algumas que estão ameaçadas. Ele costuma carregar algumas dessas criaturas em sua misteriosa maleta sem fundo, apesar de sua má conduta acabar levando ele, e os novos amigos que faz, a grandes problemas. Essas desventuras envolvem um sincero, amigável no-maj e aspirante a padeiro Jacob Kowalski (Dan Fogler); Tina Goldstein (Katherine Waterson), um “Estatuto de Sigilo” mandante que interpreta erroneamente o que Scamander pretende e tenta informar aos oficiais bruxos; e a irmã de Tina, Queenie (Alison Sudol), uma charmosa garota melindrosa que consegue ler mentes tão eficientemente quanto um leitor voraz da escola primária chorando durante todos os sete livros de Harry Potter.

Há tanta coisa acontecendo em “Animais Fantásticos’ que depois do primeiro ato, você quase não consegue se preocupar com o que vem depois. No mundo do filme, há uma explicação mágica para tudo, o que significa que a lógica da história muitas vezes é deixada de lado. (Nos livros de Harry Potter, Rowling fez um trabalho memorável ao fazer a lógica da magia parecer consistente e convincente, e as adaptações dos filmes seguiram os mesmos passos; a clareza foi perdida aqui.) E mesmo que o filme pregue tolerância, suas ideias nunca são completamente consistentes. Ainda assim, Yates e Rowling estão determinados a usar seus encantos em nós, e alguns de seus truques são: se a performance de Redmayne é apenas adoravelmente rebuscado, Fogler e Sudol rodopiam pelos seus papeis como parceiros na pista de dança – ambos têm atração fresca e moderada.

E os animais? Eles são frequentemente muito fantásticos. Uma criatura tipo papagaio-do-mar com uma propensão a roubo, uma coisa meio rinoceronte-hipopótamo cujo rosto esburacado brilha como se se iluminasse de dentro, um elegante galho verde cujo comportamento é ser tímido apesar de suas atitudes serem heroicas: esses são apenas alguns dos amigos que ocupam espaço na incrível maleta de Scamander, que se abre para dentro de seu próprio e vasto mundo policromado de surpresas. O mais tocante de tudo é a majestade, um grifo gigante com um rosto nobre e penas escovadas com ouro. Essa beleza de computação gráfica é a real estrela do show, apesar de não falar uma palavra. Sua magia não precisa de exposição explanatória de vento, e é por isso que é fácil de preferi-lo.

Enterteinment Weekly
Chris Nashawaty
12 de novembro de 2016
Tradução: Caroline Calzolari
Revisão: Aline Michel

Se você é um conglomerado de mídia do século 21, publicamente negociado, é fiscalmente irresponsável ignorar os lucros em uma negociação, principalmente se eles são grandes como Hogwarts. A Warner Bros., que arrecadou cerca de 10 bilhões de dólares com seus oito filmes da franquia Harry Potter, deve ter sentido uma sensação ameaçadora de o-que-fazemos-agora depois que As Relíquias da Morte – Parte 2 saiu das salas de cinema em 2011.

Sua galinha dos ovos de ouros estava sem ovos. Ou será que não? Em 2001, J.K. Rowling publicou um manual do Mundo Bruxo – sua própria versão de um Manual de Monstros de D&D – chamado Animais Fantásticos e Onde Habitam, irreverentemente escrito por Newt Scamander.

O texto, aprovado por Dumbledore, revelou-se um inesperado agrado aos fãs de Harry Potter – e outra potencial fonte de lucro para o estúdio, que decidiu estender esse fino livro de 128 páginas em nada menos do que cinco filmes longa metragem. O primeiro finalmente chegou aos cinemas, mas se ele pretende repetir o sucesso de Harry Potter, suas sequências terão que se intensificar.

Eddie Redmayne interpreta Newt, um tímido e excêntrico magizoologista britânico que viaja o mundo coletando criaturas mágicas em risco de extinção, com nomes estilo Willy Wonka como Tronquilho e Nundu. Quando o filme começa, o ano é 1926 e Newt chega à Nova Iorque, onde está à procura de novas e exóticas espécies. Ele carrega uma maleta marrom e surrada contendo uma mistura de criaturas travessas como o Pelúcio, semelhante a um ornitorrinco — que escapa, levando a uma busca frenética que atrai a atenção de uma entusiasta anti-bruxos (Samantha Morton), uma desonrada agente bruxa (Katherine Waterston), e um padeiro trouxa sem sorte (Dan Fogler).

O filme, dirigido pelo experiente em Harry Potter David Yates, se desenrola como uma versão infantil dos filmes dos X-Men. A xenofóbica população Trouxa (ou Não-Majs, como são chamados nos Estados Unidos) vivem em raivosa suspeita do mundo secreto de hocus-pocus. E como aqueles filmes, seus efeitos especiais fantasmagóricos são um deleite aos olhos. Então por que Animais Fantásticos parece, tão curiosamente, sem vida? Por que não nos enfeitiça tanto?

Primeiro, há as atuações que, com exceção de Redmayne, são surpreendentemente sem dimensão. E segundo, a escassez do material de origem dá ao filme todo um ligeiro sentimento de enrolação. Rowling, quem também escreveu o roteiro, expõe habilidosamente seu mundo, mas esse mundo não é nem de perto tão rico quanto o de Hogwarts. E os vilões (o principal deles sendo Percival Graves, por Colin Farrell) são os malvadões padrão dos cinemas. Animais Fantásticos são mais de duas horas de belíssimas imagens que não levam a lugar nenhum e parecem levemente inconsequentes. Talvez tudo isso seja exposição necessária para levar a maiores resultados nos capítulos 2 ao 5. Eu espero que seja. Porque para um filme recheado de inúmeras criaturas estranhas e maravilhosas, não há magia suficiente. Nota: B-

Collider
Matt Goldberg
13 de novembro de 2016
Tradução: Juliana Del Gaudio
Revisão: Ana Alves Rolim

Quem precisa de Harry Potter? O menino bruxo foi o herói de uma das maiores séries de livros e filmes de todos os tempos, mas com Animais fantásticos e Onde Habitam, é inegável que a verdadeira estrela é a roteirista e autora de Harry Potter, J.K. Rowling. Embora o magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) seja o aparente protagonista de Animais Fantásticos, fica claro que em vez de nos levar para outro arco da jornada do herói, Rowling quer levar seu público para uma era diferente, com conflitos específicos. O diretor David Yates ajuda a oferecer uma visão coesa, e Rowling nos traz um elenco de personagens cativantes que vamos querer acompanhar em novas aventuras.
Na Europa de 1926, o misterioso bruxo das trevas Gerardo Grindelwald está causando estrago, mas o britânico Newt Scamander viajou alegremente para a cidade de Nova Iorque, onde faz pesquisas para seu novo livro Animais fantásticos e Onde Habitam (um livro-texto que Harry Potter iria em algum momento usaria em seu primeiro ano em Hogwarts). No entanto, uma troca de maletas com o “não-maj” (que é como os americanos referem-se aos trouxas) Jacob Kowalski (Dan Fogler) leva à fuga de vários animais, que correm soltos na cidade. Newt e Jacob unem-se para persegui-los, enquanto a ex-auror Tina Goldstein (Katherine Waterston) acredita que apreender Newt e seus animais é sua passagem para voltar às graças do Congresso Mágico dos Estados Unidos (MACUSA). Enquanto isso, Credence (Ezra Miller), um jovem perturbado, está sendo coagido pelo chefe dos aurores Percival Graves (Colin Farrell) a ajudar na busca por um jovem bruxo que pode estar liberando uma força de magia negra sobre a cidade.

Embora a trama principal de Animais Fantásticos seja sobre Newt tentando encontrar e recuperar suas criaturas, há na verdade quatro tramas desenvolvendo-se ao longo do filme. Há Newt e seus monstros, Grindelwald (que parece ser o enredo a ser desenvolvido por todos os cinco filmes da franquia Animais Fantásticos), Credence e Tina. Rowling faz um trabalho admirável entrelaçando-os, e, embora os personagens individuais sejam encantadores, suas relações parecem um pouco mal exploradas, pois tempo demais é dedicado a pular entre tramas e recapturar animais.
Por exemplo, Rowling tenta construir um romance entre Newt e Tina e outro entre Jacob e a irmã de Tina, Queenie (Alison Sudol), e, embora eu acredite que todos são personagens que se gostam, temos que acreditar que estão apaixonados no final, e isso é um pouco forçado. Além disso, enquanto Graves funciona como um antagonista sólido, manter suas razões em segredo até o fim do filme faz com que ele pareça ser mal só por ser mal. Ele também faz parte da tradição de vilões que eu esperava que J.K Rowling tivesse deixado para trás após os quatro primeiros livros de Harry Potter (falar algo além disso seria revelar o que o faz funcionar).

Estranhamente, o melhor relacionamento do filme não é um dos romances, mas a amizade que floresce entre Newt e Jacob. Embora não precisemos mais de um represente dos espectadores depois de oito filmes de Harry Potter e provavelmente já conheçamos o mundo mágico, assim como seus personagens, sempre há coisas novas a serem descobertas, e conseguimos compartilhar com Jacob um deslumbramento que não conseguíamos com Harry. Para Harry, toda nova descoberta era algo do qual ele fazia parte. Para Jacob, nos deslumbramos junto com ele com todas as criaturas mágicas de Newt, mas além de feliz é frustrante, porque também estamos de fora. Somos gratos por participar da viagem, mas sabemos que ela deve ter um fim. O fato de Fogler ser totalmente cativante ajuda muito, e no lugar de apelar para a comédia física, ele conta com o espanto e o deslumbre de Jacob.

Ele também é um personagem vital no conflito temático de maior escala que Rowling explora. Para Jacob, bruxos e bruxas não devem ser temidos. Com todas as criaturas estranhas que Newt tem em sua mala, Jacob não as vê com repulsa e medo. Ele pode estar em choque, mas não enojado ou com aversão. O filme contrasta isso com a cruzada dos segundos salemianos, não-majs que buscam expor a população bruxa. Credence, o filho adotivo e abusado da líder dos segundos salemianos (Samantha Morton), é pintado como a figura lamentável de quem deseja desesperadamente fazer parte do mundo mágico que sua mãe chama de perverso. Suspeito que todos os homossexuais que forem assistir a este filme sentirão uma conexão profunda com a angústia e o tormento que Miller traz à sua atuação poderosa.

Este tipos de temas—aceitação, divisões sociais, intolerância—são tão cruciais para o mundo mágico de Rowling quanto varinhas, feitiços e aparatação. É isso que torna suas histórias especiais. Ela não inventou simplesmente um conto divertido em que pessoas com poderes mágicos vivem entre nós. As interpretações sociais sempre fizeram parte de sua escrita, e é a base de Animais fantásticos. Embora nos falte ver como todos esses fatores encaixam-se com Grindelwald (quem, como sabemos dos livros de Harry Potter, será por fim derrotado por Dumbledore em 1945), Rowling construiu um universo rico e interessante com sua estreia como roteirista.
A única desvantagem é que, ao que parece no momento, Animais Fantásticos será uma franquia sem um protagonista forte central, como Harry Potter. Não há nada particularmente errado com Newt, e fico feliz que não seja uma cópia de Harry. Ele é meio desajeitado e parece muito mais confortável com suas criaturas do que com outras pessoas. No entanto, como Rowling está tentando cobrir o máximo de coisas possíveis na apresentação dessa nova era do mundo mágico e seus muitos enredos, Newt não ganha muito tempo de tela. É por isso que temos vislumbres de um romance fadado ao fracasso que ele teve com outra bruxa, mas não há tempo suficiente para construir uma relação forte com Tina. Não há nada ruim na atuação de Redmayne, e quero ver mais dele. Porém, me preocupo que, na pressa em explorar todos os cantos do mundo mágico, Rowling possa perder de vista alguns personagens que lá vivem.

Mas isso ainda não aconteceu, e Rowling já mais do que ganhou nossa confiança com suas histórias maravilhosas. É possível, (e eu diria, provável) que ela criará na base que Animais Fantásticos oferece, e por mais que levantem-se questões sobre a relevância de Newt quando parece que Rowling está focada no conflito crescente entre Dumbledore e Grindelwald, por enquanto é simplesmente um prazer voltar ao mundo que ela nos presenteou com Harry Potter e vê-lo sob um ângulo totalmente novo em Animais Fantásticos.

The Wrap
Jason Solomons
12 de novembro de 2016
Tradução: Lucas Souza
Revisão: Caroline Dorigon

Baseado em um livro didático ensinado aos jovens bruxos em Hogwarts, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é um novo capítulo no que pode ser chamado de Potter-verso – um mundo que põe Newt Scamander, um desajeitado, cordial magizoologista de Eddie Redmayne, no centro da história.

Embora seja um prequel que se passa em 1926, “Animais Fantásticos” é certamente uma visão de J. K. Rowling, imediatamente reconhecível como parte do que oficialmente chamaram de seu “mundo bruxo”. A sensação do filme se deve, em grande parte, ao time de produção remontado por trás da franquia “Harry Potter”, incluindo o produtor David Heyman, o diretor David Yates e o incrível designer de produção Stuart Craig.

É aí que consta o triunfo e as armadilhas do empreendimento. Parece como bilhões de dólares, dos quais muito irão trazer os outros quatro filmes prometidos de Scamander. O set da Nova York de 1920, construído nos Studios Leavesden da Warner Bros, no norte de Londres, tem toda a grandiosidade e detalhes de “Poderoso Chefão 2”, “Era Uma Vez na América” ou “Gangues de Nova York.”.

Newt chega nesse mundo por rota marítima – maleta em mãos, esperando na fila na Ilha Ellis, como se tivesse acabado de deixar Oxford e não pudesse acreditar que não haviam porteiros a frente. A clássica maleta marrom é, claro, a chave de todo o filme. É como a tardis do Dr. Who, um portal para um reino completo. Como um truque de tela, ela funciona maravilhosamente – uma maleta de truques (literalmente) que pode introduzir qualquer enredo ou aventura quando necessário. É onde Newt mantém suas famosas criaturas, algumas as quais gostam de escapar e traçam seu caminho para fora de vez em quando, particularmente o bem fofo Pelúcio, uma espécie de topeira com ornitorrinco que gosta de objetos brilhantes, que ele estoca em uma bolsa de pelos sem fundo.

Kowalski é o típico No-maj – termo americano para “trouxa”, literalmente aquele que não possui magia – e é pelos seus olhos sempre grandes (e acreditados) que testemunhamos caos e maldições. Enquanto Newt traça Nova York tentando recuperar suas criaturas que escaparam (se acostume com eles pois serão mercadorias em breve: o rinoceronte-hipopótamo Erumpente; o Tronquilho, que parece com galhinhos; O Occami; Arpéus; Murtiscos que mordem; Gira-Giras e algo chamado Rapinomônio), o maior sucesso de Redmayne é em atuar adequadamente com essas criações imaginárias de efeitos especiais.

Mas a presença dele à solta na cidade, naturalmente corre o risco de expor o mundo bruxo aos No-majs, e é por isso que Tina Goldestein (Katherine Waterston) e sua irmã Queenie (Alison Sudol) se envolvem. Elas acompanham Newt ao mundo do MACUSA (Congresso Mágico dos Estados Unidos da América), onde tensões já estão fervilhando, ameaçados pela presença de um “vento negro” soprado da Europa.

Enquanto isso acrescenta uma camada de alegoria – uma suspeita de “aliens” que ressoa nessas semanas políticas mais tumultuosas – isso também significa que há muita coisa acontecendo aqui. Como a maleta de couro de Newt, está bem estofada. Enquanto o bruxo de Redmayne cerca suas criaturas, nós quase não temos tempo de conhecer a Tina de Waterson, que permanece frustrantemente em branco.

Eu nem mencionei o barão Henry Shaw de Jon Voight, e seus dois filhos, um jornalista devotado (Ronan Rafferty), e o outro, um político corrupto (Josh Cowdrey); nem Carmen Ejiogo e Colin Farrel, que trabalham no MACUSA.
Embora muitos dos episódios individuais são animadores e visualmente inventivos neles mesmos, existe uma falta geral de coesão, que pode ser compreendida já que esse é o primeiro roteiro de Rowling, uma habilidade que requer mais dinheiro do seus livros já exerceram.

O que realmente desaponta é que enquanto Harry Potter e seus filmes soaram inteiramente originais, há um sentimento de “franqueamento” em “Animais Fantásticos”. Ele tem o ritmo previsível de um filme das origens da Marvel – Nova York mais uma vez é destruída em uma explosão climática de efeitos especiais; o bar clandestino Porco Cego até parece modelado em uma cantina de “Star Wars’ – e menos do excêntrico e inocente charme inglês de Harry e seus amigos e suas batalhas.

“Eu tendo a incomodar as pessoas”, diz Newt com a boa e velha honestidade britânica. É de rir, claro, mas não é realmente a característica de alguém que teremos que aguentar por mais quatro filmes. Por toda sua desordem, apelo de escola pública e a fisicalidade de sua performance, Redmayne permanece uma figura solitária, sempre em busca de um sorriso.

Algo a mais é preciso, um pouco mais de sabedoria, talvez, ou eu ouso dizer, tensão sexual – com os humanos, não com as criaturas, claro. Não estamos mais lidando com crianças, afinal. Mas como alguém esquecer o elenco de professores e Hogwarts e a camaradagem e rivalidade entre seus alunos?

De fato, você tem que esperar uma das últimas revelações, que é uma das maiores surpresas do filme, que promete mais nos anos que virão. Eu sei que alguns críticos deixarão esse gato em particular sair da caixa – ou da maleta, eu acho – mas eu não irei estragá-lo, salvo a dizer que uma estrela majoritária está envolvida.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” tem toda a produção de um grandioso blockbuster para a família, mas também todas suas armadilhas inchadas. Ele não achou o equilíbrio perfeito, porém, como o título sugere, sabe certamente onde encontrar a fórmula mágica para os filmes seguintes. Eu verificaria aquela bolsa do Pelúcio, para começar.

IGN
Joshua Yehl
12 de novembro de 2016
Tradução: Caroline Dorigon
Revisão: Ana Alves Rolim

A autora de Harry Potter, J.K. Rowling, tem mais histórias para contar sobre o mundo bruxo, e como “Star Wars” e “O Senhor dos Anéis” antes dela, ela está criando uma história anterior a Harry Potter (e escrevendo seu primeiro roteiro) que acontece décadas antes de o menino que sobreviveu enfrentar Você-Sabe-Quem. “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, que se passa em 1926 na cidade de Nova Iorque, acompanha o magizoologista de fala mansa Newt Samander (Eddie Redmayne) enquanto ele tenta recapturar todas as criaturas mágicas que fugiram do zoológico que é o interior de sua maleta. Embora os animais sejam realmente fantásticos, assistir Newt e seu novo grupo de amigos os procurar não é tão interessante ou convincente quanto Harry, Rony e Hermione correndo por Hogwarts.

Newt foi enviado com a benção de Dumbledore para pesquisar um livro-texto que ele está escrevendo sobre diferentes animais fantásticos. Ele é introvertido e um pouco atrapalhado, mas tem uma séria sincera por criaturas estranhas e potencialmente perigosas, assim como Hagrid. Depois de deparar-se com a ex-auror desacreditada Tina Goldstein (Katherine Waterston) e com o não-maj/trouxa Jacob Kowakski (Dan Fogler), uma série de eventos atrapalhados os forçam a ficarem juntos. Um acréscimo muito tardio ao grupo é irmã que lê mentes Queenie Goldstein (Alison Sudol), o destaque do quarteto com sua atitude brilhante, voz doce e um hábito de penetrar nos pensamentos das pessoas.
O fato do grupo quase nunca estar em sintonia do jeito certo é um grande motivo para que o resto do filme não encontre seu caminho.

Newt e companhia entram em um grande número de problemas com a autoridade mágica conhecida como MACUSA enquanto tentam recapturar os animais, e durante todo o tempo, um enredo mais sombrio se desdobra enquanto o respeitável auror Percival Graves (Collin Ferrell) investiga uma família de não-majs que odeia magia, que inclui um jovem especialmente problemático chamado Credence (Ezra Miller).

Isso torna o filme totalmente confuso, pois em um momento Newt está fazendo uma dança de acasalamento ridícula para atrair um rinoceronte com uma cabeça bulbosa cheia de lava para dentro de sua maleta e no outro presenciamos abuso infantil, trauma psicológico e assassinato. Sim, a saga de Harry Potter era rica em tragédia e humor negro, mas isso era mostrado com suavidade, enquanto em “Animais Fantásticos” divide os tons contrastados até tentar juntá-los desordenadamente.

A culpa não recai nos atores ou no roteiro tanto quanto na direção do diretor de quatro filmes de Harry Potter, David Yates. Os filmes de Potter ganharam um senso de firmeza visual quando ele entrou na franquia com “A Ordem da Fênix”, e apesar de ele conseguir encontrar o ritmo para o final em duas partes de “Relíquias da Morte”, ele agora dá um passo para trás, enchendo “Animais Fantásticos com filmagens estáticas, ar parado e o uso óbvio da tela verde.
Em uma cena dentro do apartamento das irmãs Goldstein, vemos Queenie usar magia, com o jantar se preparando sozinho, pairando no ar antes de se organizar na mesa. Sendo o não-maj do grupo, Jacob está claramente pasmo com o que vê, ainda que não faça nada além de olhar com admiração. Pratos voando. Os olhos arregalados de Jacob. Guardanapos pairando. O rosto de Jacob. Strudel voador. Jacob ainda fazendo a mesma expressão, sem acrescentar nem ao menos uma exclamação de descrença. Não estamos muito impressionados com os efeitos especiais que vimos em grande quantidade nos filmes de Harry Potter, e não é exatamente isso que é vendido, então a cena cai por terra em vez de ser um passo maravilhoso e charmoso para o mundo bruxo.

Ver o lado bruxo da cidade de Nova Iorque tem seus pontos altos, mas também parece que a ambientação não foi explorada o suficiente. Nós temos que atravessar alguns lugares estranhos dentro da sede do MACUSA, magicamente disfarçado dentro do Woolworth Building, e há uma parada em um boteco de um duende (Ron Perlman) onde um performista canta uma música enquanto conjura seus próprios efeitos de palco. Visões completamente novas e interessantes, com certeza, mas o filme não abraça a cultura rica e a diversidade de pessoas que fazem a Big Apple ser o que é.
O filme não acerta no seu ponto de venda ao introduzir uma ampla coleção de criaturas mágicas encantadoramente estranhas. A melhor cena mostra Newt fazendo um tour com Jacob dentro de sua maleta enfeitiçada mostrando sua coleção de animais improvisada. Tudo, desde cobras-pássaros a baiacus-tigres, é delicadamente reproduzido e repleto de um encantamento majestoso. Realmente, toda vez que os animais fantásticos estão em cena, principalmente o ladrão e muito-fofo-para-descrever Pelúcio, o filme ganha vida, a música cresce, e temos aquela pontada de magia que você espera do mundo bruxo de Rowling.

Infelizmente, quando a atenção se volta aos personagens, as coisas voltam a parecer um pouco entediantes.
Os dois enredos diferentes finalmente se encontram, mas o filme não estabelece nenhum risco real, certamente nada tão assustador quanto o Lorde das Trevas voltando ao poder e matando o adorável protagonista, então, mesmo que uma ameaça bruxa coloque a cidade em perigo, é difícil ser conquistado por tudo isso. Quando o filme termina, alguns pontos despertam interesse suficiente para querer ver o que vai acontecer depois, mas poderíamos apenas passar algumas horas dentro da maleta?

O veredito

Enquanto as criaturas loucas são o destaque do filme, elas não são o suficiente para recapturar a magia das aventuras de Harry em Hogwarts. O culpado é o estilo tedioso de direção que não permite aos personagens se sobressaírem ou às reviravoltas animarem como deveriam. “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é bom, mas não irá exatamente te transportar para o mundo bruxo da cidade de Nova Iorque.