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Stuart Craig: “a fantasia de J.K. Rowling é um presente fantástico”

Stuart Craig não é um nome desconhecido para os Potterheads, ele fez a direção de arte dos oito filmes da série “Harry Potter”, participou do design d’O Mundo Mágico de Harry Potter, tanto em Orlando quanto em Los Angeles, e agora também é o diretor de arte de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” e dos outros quatro filmes que estão por vir da nova franquia.

Em entrevista ao Correspondente do Pottermore, Craig comenta sobre os últimos 16 anos dedicados a “Harry Potter” e o que a série significa para ele em termos profissionais e pessoais:

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“O que me surpreende e me encanta é a variedade. Eu nunca, em momento algum, me senti preso. Sempre há algo diferente, novo e desafiador. Isso certamente me deixou profissionalmente satisfeito… Bem, não exatamente satisfeito… Eu ficava preocupado a maior parte do tempo, encarando uma folha de papel em branco, pensando, ‘Mas que raios eu vou fazer com isso?’ Esse tipo de medo nunca te abandona. Mas ele foi bem apoiado. O feito constante de J.K. Rowling é fazer com que cada novo livro fosse diferente de forma significativa. Embaixo d’água ou onde quer que seja, ela certamente manteve nosso desafio.”

Você pode ler a tradução da entrevista na íntegra na extensão deste post.

O correspondente do Pottermore fala com o diretor de arte Stuart Craig sobre “Animais Fantásticos e Onde Habitam” e como a fantasia de J.K. Rowling é um “presente fantástico”
Traduzido por: Roger Uchoa,
Revisado por: Ana Alves Rolim.

Stuart Craig é um dos diretores de arte mais admirados na indústria cinematográfica. As pessoas raramente falam seu nome em um volume normal: geralmente, elas sussurram. Até mesmo designers que trabalharam próximo a ele em todos os oito filmes de Harry Potter baixam suas vozes, como sinal de reverência. Eu lhe digo isso quando nos encontramos no cenário de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”. Ele sabe que as pessoas sussurram sobre ele?

“Bem, essa é uma das únicas coisas boas sobre envelhecer, não é?” ele diz, com uma risada. “As pessoas tratam você diferente.”

Aos 74 anos, Stuart merece o respeito que recebe. Sua renomada carreira inclui trabalhar como diretor de arte em “O Homem Elefante”, “Ligações Perigosas”, “O Paciente Inglês” e “Gandhi”. Mas, pelos últimos 16 anos, seu foco esteve no mundo de Harry Potter.

“Desde 2000, tem sido Harry Potter”, ele diz. “Nós fizemos oito filmes em dez anos… Foi o período mais maravilhoso da minha vida.”

Stuart estava decorando um dormitório em preparação para o aniversário de seu neto quando recebeu a ligação pedindo que ele voasse para a América e encontrasse Chris Columbus, diretor de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Na época em que Stuart finalizou os filmes, seu neto tinha 11 anos e eles assistiram a “Harry Potter e as Relíquias da Morte” juntos.

Desde 2010, Stuart se envolveu profundamente no trabalho de design na Warner Bros. Studio Tour, em Londres e n’O Mundo Mágico de Harry Potter, nos Estados Unidos.

Quando nos encontramos, Stuart estava de pé no cenário do próximo filme de J.K. Rowling que também tem seu primeiro roteiro. “Aqui estou eu novamente! Fiquei encantado por retornar”, ele conta, um largo sorriso amassando suas bochechas.

“Para esse filme, você começa essencialmente na mesma premissa que os de Potter: o mundo mágico escondido do mundo trouxa; invisíveis, um do outro. É a mesma premissa, mas maravilhosamente diferente. Para um estudante de arquitetura, o que eu sou, é fantástico construir uma parcela de Nova Iorque de uma forma levemente romântica e exagerada.”

Para Stuart, a arquitetura é uma devoção para a vida toda. Ele iniciou sua vida profissional como um desenhista arquitetônico, trabalhando em esboços de edifícios por 12 anos antes de começar a trabalhar com cenários para filmes. Ele nunca largou aquela técnica; até hoje Stuart desenha cenários, salas, edifícios e locais com um esboço rápido a lápis seguido por desenhos arquitetônicos detalhados e meticulosos. Após isso, ele entrega os desenhos a artistas para que os embelezem, antes de ficarem prontos para o filme.

“O bom é que hoje todos os filmes têm ilustradores de conceito. No nosso caso, o fato de estarmos trabalhando com alguns artistas muito bons é realmente importante. Digo, alguns desses caras desenham como Leonardo ou Raphael. Eles são ilustradores muito talentosos e essa é a chave para alcançar os detalhes e as escalas, de uma pequena criatura até elevadas peças de arquitetura. Nós fomos muito felizes em recrutá-los e isso se prova, como você pode ver pelas imagens atrás de você”, diz Stuart, fazendo um gesto largo com o braço.
Atrás de mim, cada centímetro do papel de parede é coberto em desenhos do filme. Em uma parede, há o exterior e o subsolo do edifício do MACUSA, o interior do bar clandestino Blind Pig (O Porco Cego, em tradução literal) e o exterior de blocos de apartamentos de Nova Iorque. Em outra, há cartazes de todos os animais que aparecem no filme.

Isso tudo está dentro do território de Stuart como diretor de arte, o grande e o minúsculo, o inanimado e o vivo. É extraordinário, até humilhante, olhar para um trabalho como esse. É como dar uma espiada na imaginação de J.K. Rowling com um guia turístico muito experiente.

“O que me surpreende e me encanta é a variedade. Eu nunca, em momento algum, me senti preso. Sempre há algo diferente, novo e desafiador. Isso certamente me deixou profissionalmente satisfeito… Bem, não exatamente satisfeito… Eu ficava preocupado a maior parte do tempo, encarando uma folha de papel em branco, pensando, ‘Mas que raios eu vou fazer com isso?’ Esse tipo de medo nunca te abandona. Mas ele foi bem apoiado. O feito constante de J.K. Rowling é fazer com que cada novo livro fosse diferente de forma significativa. Embaixo d’água ou onde quer que seja, ela certamente manteve nosso desafio.”

Quando Stuart diz embaixo d’água, ele se refere ao segundo desafio do Torneio Tribruxo, em “Harry Potter e o Cálice de Fogo”. Ele projetou as grandes estruturas elevadas para estudantes e professores ficarem durante o desafio, assim como as criaturas abaixo da superfície do Lago Negro. Comparado a isso, a tarefa de recriar a cidade de Nova Iorque no meio de Hertfordshire seria fácil, correto?

“Em um certo nível, a diferença não é muito grande. Design é design”, Stuart conta. “Não importa no que você está trabalhando, se trata de fazer boas imagens. Não importa se é ficção científica, fantasia ou drama, você ainda está procurando por boas imagens. A variedade arquitetônica da minha carreira foi boa, mas eu não sinto uma mudança significante de material vindo de ‘O paciente Inglês’ para ‘Harry Potter’ ou ‘Animais Fantásticos’.”

“O que eu gosto em um filme de fantasia é que você tem que construir mais [no estúdio] e filmar menos em locais externos por causa do elemento fantástico. Eu gosto de construir; gosto do controle que isso te dá quando tudo é a sua escolha. Em um filme de locações, não é dessa forma. Locações são cheias de coisas que você não se importaria se não estivessem lá. Então, nesse caso, a fantasia de J.K. Rowling é um presente. Um presente fantástico.”

Dirigido por David Yates, produzido por David Heyman e com a direção de arte de Stuar Craig, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” marca a estreia de J.K. Rowling como roteirista e chega aos cinemas brasileiros em 3D e IMAX em 17 de novembro deste ano.