Animais Fantásticos e Onde Habitam ︎◆ Ezra Miller

Ezra Miller fala sobre sua paixão por Harry Potter

Em entrevista exclusiva para o SnitchSeeker, Ezra Miller falou um pouco sobre sua paixão por Harry Potter e um pouco sobre seu misterioso personagem em “Animais Fantásticos e Onde Habitam”.

Nós queremos entender que magia é real e entendemos isso através da capsula de nossos seres – nossas emoções, nosso amor e nossa capacidade de fazer coisas boas aos outros. Acredito que J.K. Rowling interliga os elementos sobrenaturais de seu trabalho com esses elementos profundamente naturais, isso que é o mais empolgante para mim.

O SnitchSeeker visitou o set de filmagens de “Animais Fantásticos” em dezembro do ano passado e teve a oportunidade de entrevistar alguns astros do filme. A entrevista completa com Ezra Miller, traduzida em português, você pode conferir na extensão da notícia.

É importante ressaltar que na época da entrevista pouco se sabia a respeito de Credence, personagem de Ezra. Agora já sabemos que há certa conexão entre ele, Grindewald e Percival Graves e que possivelmente Credence é um bruxo das trevas.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” marca a estréia de J.K. Rowling como roterirista e chega aos cinemas brasileiros em 17 de novembro.

Ator de Animais Fantásticos Ezra Miller brinca com o personagem Credence, e seu amor por Harry Potter.
SnitchSeeker – 23 de outubro de 2016

Traduzido por Caroline Dorigon
Revisado por Bruna Lopes

Ezra Miller estava muito calado sobre seu personagem e seu envolvimento nos filmes e falou brevemente sobre trabalhar com os astros Colin Farrell e Eddie Redmayne, o quanto ele amou trabalhar com o diretor David Yates, e a extensão do universo de Harry Potter e do Mundo Mágico.

Você é um dos mais jovens do elenco e interpreta um personagem ainda mais jovem. O que quero dizer é que você tem uma mãe nesse papel, então você tem–

EZRA MILLER: (interrompe) Eu não posso confirmar ou negar se meu personagem tem ou já teve uma mãe.

Você sente alguma pressão por ter quase a mesma idade dos outros personagens dos filmes de Harry Potter quando a série terminou?

EZRA MILLER: Eu acho realmente genial que J.K. Rownling escreveu personagens na mesma faixa etária das pessoas que foram mais afetadas pelo seu trabalho. Acho que isso foi uma jogada brilhante da parte dela. Estou obviamente feliz com isso porque isso me coloca no filme. É, essa é a minha resposta.

Você pode falar sobre trabalhar com Eddie Redmayne e Colin Farrell?

EZRA MILLER: É um imenso presente e privilégio. Realmente incrível. Eu admiro imensamente o trabalho de ambos. Acho que eles são realmente brilhantes, artistas geniais, e tem sido muito proveitoso. Eu geralmente uso metáforas esportivas mesmo que eu não pratique ou assista esportes. É como um jogo de tênis. É como quando você está jogando tênis, ou pelo menos como eu ouvi falar. Quando se joga tênis contra alguém que é realmente bom, isso te faz sentir como se você fosse melhor no esporte. Isso é verdade? Alguém aqui já jogou tênis?

Eddie e Colin.

EZRA MILLER: É, eles são simplesmente incríveis. É maravilhoso trabalhar com eles. Estou muito grato por trabalhar com ótimos atores. Isso torna possível ficar imerso em um claro mundo de fantasia.

Você pode falar um pouco sobre quando tudo isso começou? As conversas que teve e a percepção de que você iria fazer parte desse universo, dada à grandeza dele e o que ele já significa para tantas pessoas…

EZRA MILLER: Sem querer fazer uma confissão aqui, quando eu descobri que eu iria fazer esse filme, eu caí de joelhos e comecei a gritar preces na rua. Em uma rua de Nova Iorque, no centro da cidade. Não era o melhor lugar para isso. Eu realmente não consigo descrever o quão sortudo, abençoado, feliz e grato eu me sinto. É uma coisa incrível ser capaz fazer parte do mundo de sua fantasia de criança.
Acho que todos deveriam poder fazer isso de alguma forma, como alguém que gera esses conteúdos ou os recebe e os aprecia. Ou pelo menos na privacidade de suas próprias imaginações. Eu acho que é uma coisa linda de poder manter viva. Os mundos de metáforas que encontramos quando crianças. E conseguir literalmente estar no primeiro mundo da fantasia da minha infância—é maravilhoso demais, de uma maneira que eu nem consigo descrever.

Você já teve a chance de falar com J.K. Rowling a respeito do seu personagem?

EZRA MILLER: Eu ainda não a conheci. Ela ainda é “o bruxo por trás das cortinas” para mim.

Você tem alguma experiência pessoal de seu crescimento com a série Harry Potter que gostaria de compartilhar, como qual o seu momento favorito? Minha mãe sempre me lembra de que quando eu era criança, eu escrevi à diretora da minha escola primária dizendo que estava me transferindo para Hogwarts, que foi um prazer conhecê-la e que nos veríamos depois, eu era bem dedicado quando era pequeno, mas qual é sua parte favorita disso?

EZRA MILLER: Bem, eu me lembro de uma viagem com meu pai em que nós estávamos ouvindo o sexto livro. Pausas pesadas, momento de silêncio, suspiros profundos. É, nós estávamos ouvindo o Enigma do Príncipe e estávamos acampando. Mas eu lembro que choveu muito no acampamento. Então nós acordamos no meio da noite e simplesmente começamos a dirigir porque estava chovendo forte demais para continuar no acampamento. E ouvimos o resto do livro.
Eu tinha lido e ouvido esse livro muitas vezes, mas ele não. E tudo que eu lembro, honestamente, é de nós dois chorando, chorando e chorando. Passando por um verdadeiro sentimento de luto por Dumbledore. Sabe o que quero dizer? Juntos como pai e filho, semelhante a essas relações muito paternais, e isso foi lindo. Aqueles foram momentos fortes. São tantos. Digo, são inúmeros- eu contei algo que veio do nada na minha cabeça, mas são muitos, eu faço parte das várias pessoas no planeta que têm muitos momentos de verdadeira inspiração na infância. Sabe, com relação a essa ficção.

Havia algum determinado elemento ou parte do universo Harry Potter que você estava mais entusiasmado em fazer parte ou de experimentar no filme…

EZRA MILLER: Sim. Se chama magia. Bem, honestamente, o que é mais interessante para mim como um geek e ator é o modo como a magia nesse mundo corresponde levemente com as dinâmicas psicológicas e emocionais dos humanos. E isso é feito de uma maneira genial que eu não entendo completamente. Neste mundo a magia verdadeiramente funciona como um membro estendido da condição humana e isto é demonstrado à nós. É realmente satisfatório como artista, leitor ou espectador.
Nós queremos entender que magia é real e entendemos isso através da capsula de nossos seres – nossas emoções, nosso amor e nossa capacidade de fazer coisas boas aos outros. E eu acredito que J.K. Rowling interliga os elementos sobrenaturais de seu trabalho com esses elementos profundamente naturais, isso que é o mais empolgante para mim.

Você já parou para pensar no quão bizarro pode ser, que por causa desse filme e de outros projetos que você estará envolvido, haverá diversos bonecos seus em prateleiras de lojas de brinquedos?

EZRA MILLER: Eu penso bastante nisso. Estou ansioso pelos meus bonecos. Eu terei todos. Vou ter a coleção completa deles, e espero que tenham possibilidade de trocar roupas, ou de encaixar algum brinquedo na pequena mão de plástico. É, isso vai ser muito esquisito. Eu imagino que isso será estranho. Mas estou dentro. Sem dúvida, eu quero fazer Credence e o Flash terem uma pequena batalha.
E sobre uma parte deste processo —me refiro a ir à um lugar onde existam mil câmeras ao seu redor para que possam tirar uma foto e meio que calcular seu esqueleto, podendo assim fazer um molde do seu corpo. Isto está verdadeiramente fora do meu controle. Mas sim, estou adorando todos os aspectos do processo e—Sim, eu espero aproveitar ao máximo toda essa experiência de ter o maior número de bonecos que eu conseguir. Não apenas bonecos de mim mesmo, o que é obviamente legal, mas também os bonecos em geral de ambos os mundos que estou envolvido.

David (Yates) disse que gosta de fazer várias tomadas seguidas sem cortes, como é trabalhar com David como um cineasta e nesse estilo, nessa experiência?

EZRA MILLER: Tem sido incrível ter esta atenção ao processo por um diretor. Ele é um diretor de atores de corpo e alma. Ele tem um entendimento instintivo realmente profundo do que um ator pode precisar. Você deu um bom exemplo. O modo como ele realiza várias tomadas ao mesmo tempo permite que o ator possa mergulhar na realidade daquela cena sem as interrupções que acontecem entre as tomadas. Isso tudo ajuda a imergir na realidade emocional de uma cena. Ele é um ser humano incrivelmente calmo e focado. Eu jamais poderia imaginar uma pessoa assim, completamente tranquilo dirigindo um filme tão grande como esse.
Você imagina um diretor como alguém que tem que andar para lá e para cá gritando. Ele é incrivelmente controlado, incrivelmente inteligente, e ele consegue criar a sensação de tempo e espaço para os pequenos detalhes mais cruciais de uma cena, mesmo que esteja em um grande contexto com enormes telas verdes sendo movidas por guindastes e alguns carros. Carros autênticos do século vinte, que a propósito, emitem uma fumaça horrível. Não passariam em um teste de ignição da Califórnia.
Mas o David é incrível—um ser humano incrível. Eu o admiro muito. Me sinto muito cuidado nas mãos dele. Me sinto seguro para tomar decisões ousadas e tentar coisas extravagantes. Porque eu confio nele e em sua visão, e não entendo muito bem como ele faz quatrocentas coisas ao mesmo tempo e age como um monge Zen. Quero conversar com ele sobre isso e tentar descobrir, acho que vai ser ótimo. Mais diretores deveriam ser tão calmos e relaxados o tempo todo, porque desta forma toda a equipe fica amigável, calma e relaxada o tempo todo, e isso é tão raro.

Certo, eu ia dizer, olhando seu currículo no IMDb, você interpretou alguns personagens que são emocionalmente vulneráveis, talvez um pouco perturbados. E esse personagem parece que segue a mesma linha. Você pode falar sobre as influências, a forma como você entrou no personagem ou até mesmo influências de filmes passados?

EZRA MILLER: Eu acho que a ideia é tentar fazer várias coisas diferentes e tentar fazer coisas que me interessem. E é simples assim. Não posso confirmar ou negar que esse personagem é perturbado de alguma maneira. Mas obrigado por dizer isso, eu definitivamente sinto que uma coisa bem legal nesse trabalho é fazer diferentes descobertas em diferentes rumos.