Seção Granger

Seção Granger: “O ano em que te conheci”, de Cecelia Ahern

Autora de “P.S. Eu te amo e “Simplesmente acontece”, o novo romance de Cecelia Ahern, “O ano em que te conheci”, foi lançado no Brasil pela editora Novo Conceito neste ano. Nossa webmistress Marina Anderi, que confessa ter chorado ao lê-lo, traz à Seção Granger de hoje, 04, a crítica do livro.

“Um ponto raro em relação a muitos livros é que este não é, por assim dizer, um romance. As coisas seguem de forma que o romance não é o foco, e nem deveria ser. Há tantos problemas rondando os dois que um relacionamento amoroso ser o ponto principal não faria sentido para o crescimento pessoal deles.”

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Para ler a resenha crítica na íntegra, acesse a extensão deste post.

“O ano em que te conheci”, de Cecelia Ahern
Resenha crítica por Marina Anderi

Nunca li “P.S. Eu te amo” nem “Simplesmente acontece”, mas já assisti aos filmes baseados nesses livros, então comecei “O ano em que te conheci” já preparada para chorar. Para a surpresa de ninguém, chorei mesmo.

A princípio, a protagonista, Jasmine, não é muito agradável. Na casa de seus 30 anos e morando sozinha em um bairro de subúrbio, ela acaba de ser demitida e, depois de anos trabalhando sem parar, não sabe o que fazer da vida. Matt, que mora em frente à sua casa, tem uns 40 anos e o seu próprio programa de rádio; sempre chega em casa de madrugada, bêbado, acordando a esposa e os filhos. Ao mesmo tempo em que o despreza, Jasmine se sente fascinada por ele. No Ano Novo, seus caminhos finalmente se cruzam.

Por serem personagens antipáticos de partida, não se assume que a amizade entre eles seria provável e, mesmo sendo, agradável de se ler. Pois é. Justamente pelos dois estarem em fases da vida em que nada parece estável, um parece precisar do outro. Tornam-se pessoas melhores com essa convivência.

Um ponto raro em relação a muitos livros é que este não é, por assim dizer, um romance. As coisas seguem de forma que o romance não é o foco, e nem deveria ser. Há tantos problemas rondando os dois que um relacionamento amoroso ser o ponto principal não faria sentido para o crescimento pessoal deles.

A narrativa cotidiana ajuda na autodescoberta de Jasmine, mas, em contrapartida, o livro perde muito sua fluidez. Não deixa de ser interessante, porém. A história se passa no período de um ano e é dividida pelas estações do ano: inverno, primavera, verão e outono. A própria narração de Jasmine é afetada por isso, já que, por ser um longo tempo, seu modo de contar as coisas também muda.

O destaque vai para Heather, a irmã de Jasmine, que tem síndrome de Down, mas é superindependente. Muito legal ver esse tipo de representatividade em livros deste gênero.

Por fim, é um bom livro sobre enfrentar seus problemas, dar chances para as pessoas à sua volta te ajudar e ajudá-las em troca.

Marina Anderi é estudante de Cinema na Universidade Federal de Pernambuco e chefe de tradução do Potterish.