Seção Granger

Seção Granger: “A Caçadora de Bruxas”, de Virginia Boecker

Na última Seção Granger do mês de setembro, o nosso colunista Kaio Rodrigues escreve sobre “A Caçadora de Bruxas”, primeiro livro da trilogia de Virginia Boecker, lançado há poucos meses pela editora Galera Record.

“Com uma narrativa em primeira pessoa, a obra – que chegou a ser comparada pela crítica a ‘Guerra dos Tronos’, de George R. R. Martin – busca reconstruir a Inglaterra medieval dando voz a uma personagem feminina em busca de verdades.”

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Para ler a crítica na íntegra, acesse a extensão deste post.

A Caçadora de Bruxas, por Virginia Boecker
Resenha crítica por Kaio Rodrigues

Desde que a Peste assolou o reino da Ânglia, os homens do Rei se esforçam para levar os culpados à fogueira. Magia se tornou ilegal, e seus praticantes, os Reformistas, são agora perseguidos e exterminados.

Resgatada pelo jovem Caleb quando seus pais sucumbiram à praga, a pequena Elizabeth Grey foi treinada pelo seleto grupo de Caçadores de Bruxos, jurando lealdade ao Rei Malcolm e ao Lorde Blackwell, temível inquisidor do reino. Misteriosamente incriminada por bruxaria, Elizabeth é abandonada para morrer nos calabouços frios da Ânglia.

Sua salvação, no entanto, vem pelas mãos de Nicholas Perevil, o mais poderoso mago vivo. Em dívida com Nicholas, a Caçadora se vê obrigada a refletir sobre o movimento Reformista, bem como sobre todos os conceitos que os anos de caçada imprimiram em sua mente.

Partindo de um tema já bastante explorado, “A Caçadora de Bruxos”, da americana Virginia Boecker, traz uma trama de intrigas e mistério. À medida que a busca de Elizabeth avança, sua lealdade e suas certezas são postas à prova. O suspense, porém, deixa a desejar: para um leitor experiente, os movimentos dos personagens beiram o óbvio.

Os ardis políticos são profundos e bem-construídos, mas perdem o brilho em meio a diálogos rasos e personagens pouco fundamentados. Tais aspectos, contudo, sofrem significativa melhora no decorrer do livro, o que faz do romance uma grata surpresa para aqueles que insistem na leitura.

Com uma narrativa em primeira pessoa, a obra – que chegou a ser comparada pela crítica a “Guerra dos Tronos”, de George R. R. Martin – busca reconstruir a Inglaterra medieval dando voz a uma personagem feminina em busca de verdades. Questionando seus princípios mais profundos, a cada nova página a nossa Caçadora oscila entre a fragilidade e a força. Não para menos: afinal, quando deixa de caçar bruxas, Elizabeth passa a ser caçada pelos fantasmas de seu próprio passado.

Por fim, é uma leitura recomenda a todos que sentem falta das aventuras de Harry e também para os que buscam uma Visão diferente da bruxaria.

306 páginas, editora Galera Record, publicado em 2016.
Título original: “The Witch Hunter”.
Tradução Ivanir Calado.

Kaio Rodrigues é estudante de Letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e colunista do Potterish.