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Magia do Cinema: “Esquadrão Suicida”

A DC vem nessa empreitada de alcançar a Marvel desde O Homem de Aço. Porém, ao seguir uma linha mais séria e realista, seus filmes vêm pouco agradando. Batman vs Superman foi detonado pela crítica. Aí vem a esperança, o tal Esquadrão Suicida, cheio de anti-heróis interessantes e Jared Leto enviando ratos vivos para as pessoas. Deu certo?

O Coringa, por sua vez, pouco aparece, pouco importa e muito irrita. Como os flashbacks não condizem com a Arlequina do tempo presente, ele se mostra desnecessário, já que, para o enredo em si, de nada serve. Todas as suas cenas terminam com uma risada estridente, independente do contexto. Leto divulgou tanto o quão Coringa era, com pegadinhas de mau gosto com os colegas, que só conseguia vê-lo em tela, não me concentrava no personagem. Assim, assumo que ele de forma alguma foi um bom Coringa.

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Você pode conferir a crítica na íntegra acessando a extensão do post.

“Esquadrão Suicida”
Crítica cinematográfica por Marina Anderi

A história começa com a apresentação de Pistoleiro (Smith) e Arlequina (Robbie), e logo depois passa para Amanda Waller (Davis) apresentando seu projeto de reunir os criminosos mais poderosos do país para formar uma equipe capaz de defender os Estados Unidos contra qualquer ameaça com poderes sobrehumanos. Como, nisso, já há um visual de quem são as pessoas da equipe, não parece narrativamente necessário a aparição prematura de duas delas.

Talvez seja porque, como já esperado, eles são o destaque do filme. Ou melhor, são os únicos que o filme realmente se dá ao trabalho de desenvolver. Os outros têm nome esquecíveis e histórias que só se revelam para servir ao enredo, raramente para caracterizá-los. O Pistoleiro se mostra um homem bom que mata por dinheiro, que ama a filha mais que tudo – ela é utilizada como chantagem em vários momentos, ao ponto de que vira mais um artifício para o preguiçoso roteirista, que também é diretor do filme, David Ayer.

Arlequina merece seu próprio parágrafo porque… meu Deus. Margot Robbie está ótima no papel, equilibrando a loucura e o emocional instável da personagem. Ela se mostra extremamente fiel àqueles que considera seus amigos e, em meio à insanidade, parece ter uma clareza de raciocínio que falta a muitos. Entretanto, por um motivo desconhecido, o filme joga contra ela o tempo todo. Ela se mostra perspicaz, inteligente, engraçada – e lá vai o filme com flashback para mostrá-la totalmente dependente do Coringa (Leto), sem nenhuma sombra do que vemos no tempo presente. Parece que ele não acreditam na força do que ele mesmo criou e aí vai para a auto sabotagem.

O Coringa, por sua vez, pouco aparece, pouco importa e muito irrita. Como os flashbacks não condizem com a Arlequina do tempo presente, ele se mostra desnecessário, já que, para o enredo em si, de nada serve. Todas as suas cenas terminam com uma risada estridente, independente do contexto. Leto divulgou tanto o quão Coringa era, com pegadinhas de mau gosto com os colegas, que só conseguia vê-lo em tela, não me concentrava no personagem. Assim, assumo que ele de forma alguma foi um bom Coringa.

A vilã, Magia (Delevigne), é simplesmente um desastre. Seus motivos são pífios, seus efeitos visuais horríveis e não dá nem para odiá-la; é tão mal construída que causa pouca impressão além do tédio. A atuação de Delevigne também não é lá das melhores, mas isso é muito culpa da direção, que não a favorece em ângulos e momentos.

A trilha sonora é a melhor e a pior coisa do filme: músicas ótimas que parecem combinar com os personagens, mas que são mudadas tão bruscamente de uma para a outra que te tiram completamente do filme. É importante notar que quase não há trilha sonora no segundo ato do filme. Haja falta de criatividade.

Por fim, o marketing de “Esquadrão Suicida” foi muito fora do que o filme realmente é. Não há grande dinâmica, momentos engraçados e várias aventuras. Só ditos vilões facilmente domáveis atrás de uma outra vilã que não é nem um pouco interessante. A DC está falhando no requisito mais básico: entreter.

Direção: David Ayer.
Roteiro: David Ayer.
Duração: 130 minutos.
Estreia: 04 de agosto de 2016.

Marina Anderi é estudante de Cinema na Universidade Federal de Pernambuco e Webmistress do Potterish.