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EW revela detalhes da continuação de “Animais Fantásticos” e aparição de Alvo Dumbledore

A última edição da revista estadunidense Entertainment Weekly, que foi às bancas ontem, 12, trouxe magia não só em sua capa, mas também em seu miolo: por meio de trechos de entrevistas com os atores e a equipe técnica, o jornalista James Hibberd conduz a matéria em uma mistura de sinopse com novos mistérios, criaturas e algumas revelações dos bastidores de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”.

“Ao invés do sistema de mensagens por aviõezinhos de papel do Ministério da Magia, por exemplo, os memorandos do MACUSA se transformam em ratos de origami que correm por canos entre os departamentos.”

Pouco é falado sobre a sequência Fantástica, também escrita por Rowling e dirigida por David Yates, ainda sem nome definitivo, mas já com data de estreia – 16 de novembro de 2018. Entretanto, o ator Eddie Redmayne (Newt Scamander) diz algo que sem dúvidas anima todos nós: “Eu gostaria de ver Newt pela natureza, vê-lo propriamente na selva”.

Mas também há notícias tristes: “Parece que Newt foi expulso de Hogwarts por colocar em perigo uma vida humana com uma criatura. (Professor Dumbledore, que tem uns 45 anos nessa época, mas não aparece no filme, lutou a favor de sua permanência)”.

Com relação a imagens, somente a que retrata os bastidores da criação do Pelúcio é inédita; as outras já haviam sido reveladas pela EW no decorrer desta semana.

Para ler o texto traduzido na íntegra pela nossa equipe, acesse a extensão do post.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” é a estreia de J.K. Rowling como roteirista. Dirigido por David Yates e produzido por David Heyman, o filme chega aos cinemas brasileiros em IMAX e 3D no próximo 17 de novembro.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam”
Revista Entertainment Weekly – James Hibberd

Traduzido e revisado por: Caroline Dorigon, Juliana Torres, Marina Anderi e Pedro Martins.

J.K. Rowling entrou na sala de projeção, sozinha. O diretor David Yates esperou no lado de fora. A situação era bastante incomum.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” não estava nem perto de ser finalizado, e Yates nunca apresentaria uma versão de um filme cheia de animações cruas para alguém da importância da autora de “Harry Potter”, mas ele queria saber se a sua equipe estava no caminho certo. “Estávamos todos muito nervosos”, Yates relembra desta sessão de abril. “Esperamos, esperamos”. Quando Rowling finalmente apareceu, ela encontrou Yates em sua sala de edição, onde o fez esperar um pouco mais. Por cerca de um minuto, ela não conseguiu dizer nada. “Este filme é muito emocionante”, Yates explica. “O final, em particular, é muito delicado e comovente”. E então? “Ela ficou muito feliz”.

Naturalmente, ela também fez algumas observações – ela é arquiteta de todo o universo Potter, assim como produtora e roteirista de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (sua primeira vez escrevendo um roteiro). Quase uma década após o livro final, a autora recentemente reabriu sua câmara secreta, ressuscitando a Pottermania com um surto de histórias sobre o seu mundo no site Pottermore, a continuação em formato de peça teatral, “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”, acompanhada do seu roteiro sucesso de vendas, e agora o filme spin-off, que talvez tenha a maior importância de todos eles. A mágica de “Harry Potter” realmente pode se estender além de “Harry Potter?”

Os trailers fazem “Animais Fantásticos” parecer uma brincadeira encantadora que segue a trajetória do magizoologista inglês Newt Scamander (Eddie Redmayne) enquanto ele procura pelas suas perigosas criaturas mágicas que escaparam de sua maleta e agora estão à solta na Nova Iorque de 1926 – e isso é sem dúvidas certeiro. Mas como a reação de Rowling sugere, também seria um erro pensar nos Animais com despreocupação. Há algumas questões profundas entre os frenéticos movimentos de varinha. “Há um semblante sombrio; acredito que será surpreendente o quão comovente é”, diz Redmayne, usando a palavra com C novamente.

E como é atual. Um filme sobre bruxos que se passa quase um século atrás não deveria ter muito a ver com os eventos sócio-políticos de 2016, mas Yates diz que Rowling escolheu esse período precisamente porque ele reflete as nossas ansiedades pós-mileniais. Depois que Newt chega em Nova Iorque, uma série de eventos perturbadores ameaça expor bruxos e bruxas para No-Majs (gíria americana para “trouxas”). Os fugitivos exóticos de Newt devem ser culpados? Ou há algo sinistro acontecendo? Para descobrir, Newt se junta ao No-Maj de bom coração Jacob Kowalski (Dan Fogler), à funcionária burocrática do Congresso Mágico, Tina Goldstein (Katherine Waterston), e à irmã dela, a espirituosa leitora de mentes Queenie (Alison Sudol), enquanto se esquiva do poderoso Diretor de Segurança Mágica, Percival Graves (Colin Farrell). “Parece que o mundo está à beira de um precipício”, disse Yates. “Todos estão meio nervosos. Há coisas acontecendo que fazem todos se sentirem desconfortáveis, e as pessoas têm que escolher de qual lado elas querem ficar”.
Em outras palavras: bruxos e animais estão sendo culpados por certos eventos, resultando em um grande debate cultural sobre demonizá-los ou não. Parece familiar? “Há muito sobre segregação nesse filme, muito sobre o medo do ‘outro'”, Sudol disse. “Essas criaturas, que o mundo vê como feias, perigosas ou esquisitas – Newt as ama, e por meio do seu amor nós passamos a amá-las. J.K. tocou em assuntos realmente profundos e pertinentes.”

O enfoque nesse drama humano foi algo que Yates continuamente se esforçou para trazer ao set, de acordo com o seu elenco. “Havia dias em que ele dizia, ‘Certo, esqueçam que somos todos bruxos. Esqueçam a mágica'”, Farrell conta. “Ele apenas queria chegar ao cerne do que quer que aquela cena fosse”.

Mas, claro, tem mágica – do começo ao fim – e inserir o fantástico na realista Manhattan na época do jazz acabou sendo mais difícil do que conjurá-lo, digamos, em um castelo escocês de mil anos. O caso em questão: uma das maiores locações do filme é o Congresso Mágico dos Estados Unidos, o qual Rowling imaginou escondido dentro do enorme Woolworth Building e cheio de detalhes fascinantes. (Ao invés do sistema de mensagens por aviõezinhos de papel do Ministério da Magia, por exemplo, os memorandos do MACUSA se transformam em ratos de origami que correm por canos entre os departamentos).

Quanto às criaturas em si, o objetivo foi tê-las amplamente capazes de se esconderem à vista de todos. O Occami tingido de dragão poderia ser uma ave exótica do oriente distante (mas ela cresce e encolhe para caber em qualquer espaço); o pelúcio pode se parecer como um marsupial australiano fofinho – mas que irá roubar todas as suas moedas e joias. “Rowling pode pegar um lugar como Nova Iorque, uma cidade com a qual todos estão familiarizados, e apresentá-la de uma forma, apesar de reconhecível, completamente nova”, relata Farrell. “Ela puxa o canto da imagem e mostra um outro mundo por trás do véu”.

Ainda assim, muito do básico de “Animais Fantásticos” continua muito bem escondido. Ron Perlman está no filme, interpretando um duende que é dono de um bar ilegal – mas isso é basicamente tudo o que sabemos sobre ele. Jon Voight foi escalado para fazer o pai de um senador dos EUA, mas o propósito de seu personagem é um mistério. Sabemos que existe um grupo de fanáticos liderado por Mary Lou Barebone (Samantha Morton) chamado A Nova Sociedade Filantrópica Salém que quer trazer de volta os julgamentos a bruxos, e que Mary Lou tem um filho adotivo problemático, Credence (Erza Miller), e ele mesmo pode ser um bruxo. Graves torna-se incomumente interessado em Credence – mas por quê?

Peça a Miller para dizer qualquer coisa sobre o seu personagem e ele praticamente entra em pânico. “Se eu te falar alg- sobre o meu personagem, juro que tem um sniper lá naquele telhado que vai me matar”, ele diz. Até o cenário do filme pode ter um significado secreto – 1926 é quando Tom Servoleo Riddle, o futuro Lorde Voldemort, nasce. Isso é importante? “Não sei”, diz o produtor David Heyman.

Ao menos a estrela Redmayne pode falar… um pouco. Parece que Newt foi expulso de Hogwarts por colocar em perigo uma vida humana com uma criatura. (Professor Dumbledore, que tem uns 45 anos nessa época, mas não aparece no filme, lutou a favor de sua permanência). Para se preparar para interpretar o seu Doutor Dolittle bruxo, Redmayne conheceu adestradores de animais e viu como eles interagiam com a vida selvagem. “Particularmente, não tenho muita imaginação”, conta. Dessa maneira, o ganhador do Oscar estava totalmente alarmado quando chegou a hora de fazer feitiços em frente à câmera. Como você pesquisa algo que não acontece na vida real? “Eu sonhei a vida inteira em empunhar uma varinha, e de repente eu tinha aquela coisa na minha mão e fiquei completamente amedrontado, não fazia ideia do que fazer”, ele conta.

Então ele encontrou uma solução: Accio filmes de “Harry Potter”! “Eu tive que fazer o feitiço Obliviate e literalmente fui e vi todos os momentos nos filmes em que o feitiço foi usado, e há um momento absolutamente incrível em que Emma Watson fez esse gentil virar de mão”, conta. “Então houve coisas específicas que eu olhei e roubei”.

Lançar feitiços também foi a parte mais difícil para Waterson (“Vício Inerente”). “Você pega a varinha e se sente estúpido por, no meu caso, mais ou menos umas três semanas”, recorda a atriz. “O primeiro obstáculo é fazer parecer que ela tem poder – que você realmente está fazendo alguma coisa e que aquilo não é só uma vareta. Eu dormia feliz no fim dos dias em que tinha de fazer coisas mágicas, porque parece que você está aprendendo um idioma estrangeiro”.

É melhor eles ficarem fluentes, porque Rowling já está escrevendo uma sequência (lançamento anunciado para 2018), a qual Yates disse que levará as coisas em uma nova direção. Haverá novos personagens e talvez um cenário totalmente diferente. “Eu gostaria de ver Newt pela natureza, vê-lo propriamente na selva”, declarou Redmayne.

Seu desejo poderia ser uma dica de verdade, porque o ator sabe alguns dos segredos mais bem guardados de Rowling acerca do futuro de Newt. “Ela chega e diz, ‘Eddie, eu não devia te contar isso, mas’ – e então ela fala sobre todos os detalhes do que tem em mente”, conta o ator. “O que ela está fazendo me deixa tão entusiasmado”. E se Rowling dominou algum feitiço na vida real, ele é precisamente o de conjurar entusiasmo.

COMO FAZER UM PELÚCIO – por trás da criação da criatura mais fofa de “Animais Fantásticos”

“Olhe, algo brilhante!” Esta pequena criatura com uma fixação por objetos brilhantes é uma das criações mais adoráveis (e destrutivas) de “Animais Fantásticos”. Aqui, os supervisores de efeitos visuais Christian Manz e Tim Burke explica como trouxeram a visão de J.K. Rowling à vida.

1. SENHOR DAS HORDAS

Rowling o descreveu como de focinho longo, escavador, fofo e preto, com um “vício por qualquer coisa brilhante”. Os designers não o deixaram muito fofo, mas mantiveram o resto. “Uma das grandes inspirações foi o ratel”, conta Manz. “Nós vimos algumas filmagens de um ratel invadindo uma casa – e nada o impediria”.

2. BARRIGA DE OURO

Os primeiros rascunhos faziam o pelúcio ser parecido com um porco, mas Manz e Burke inclinaram o seu visual para um ornitorrinco aviário. Os animadores então adicionaram uma bolsa na barriga onde o pelúcio consegue colocar muito mais coisas do que parece possível. “A bolsa é como a de Hermione”, Burke diz. “Ele pode guardar uma grande quantidade de barras e moedas e joias de ouro”.

3. O REAL ARRASA

A versão final parece mais com um animal de um documentário sobre natureza que você simplesmente nunca notou do que com uma criatura exótica de fantasia – um objetivo grandioso para criar todos os moradores da maleta de Newt. “Como um trouxa, você veria essa coisa na natureza e pensaria, ‘Ah, é só um ornitorrinco'”, diz Burke.