Seção Granger

Seção Granger: “Suicidas”, de Raphael Montes

Neste mês de férias, além dos domingos, como de costume, a Seção Granger também será publicada às quartas-feiras! Na semana que vem teremos uma entrevista, mas hoje estamos muito bem acompanhados também: Kaio Rodrigues, colunista do Potterish e estudante de Letras, traz a resenha crítica de “Suicidas”, romance de estreia de Raphael Montes, vencedor do prêmio Benvirá de Literatura.

“A escrita de Montes é cirúrgica. Em seu imenso – e intenso – quebra-cabeça, peça alguma é colocada sem motivo. Cada personagem e acontecimento é milimetricamente pensado para corroborar a revelação final. Revelação essa que não depende de um Poirot, Sherlock ou Strike: cabe ao próprio leitor juntar as tais peças a fim de descobrir o que, afinal, teria levado nove universitários bem-nascidos a findarem suas próprias vidas.”

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“Suicidas”, de Raphael Montes
Resenha crítica por Kaio Rodrigues

Trancados no porão de uma casa de campo à própria vontade, nove jovens da Zona Sul do Rio de Janeiro se suicidam em uma roleta-russa. Um ano após o fatídico dia, munidas das anotações feitas por um dos suicidas antes e durante o episódio, suas mães estão reunidas na delegacia para tentarem descobrir o que de fato aconteceu às suas crias.

A reunião acontece em clima de tensão máxima. A sala é uma metáfora para a alma das próprias mães: um lugar turbulento, onde caem máscaras sociais e restam apenas medos, anseios e culpas. Mulheres de elite, alheias ao barbarismo urbano, descobrindo que a pior violência foi aquela que seus filhos fizeram contra si mesmos.

Primeiro livro do carioca Raphael Montes – revelado pelo prêmio Benvirá de Literatura –, “Suicidas” alterna sua narrativa entre a transcrição da reunião entre as mães e os eventos ocorridos no ano anterior. Foge, contudo, da premissa engessada da maioria das ficções policiais. Não há, a princípio, um assassino entre as nove vítimas. São elas, pois, seus próprios carrascos.

A escrita de Montes é cirúrgica. Em seu imenso – e intenso – quebra-cabeça, peça alguma é colocada sem motivo. Cada personagem e acontecimento é milimetricamente pensado para corroborar a revelação final. Revelação essa que não depende de um Poirot, Sherlock ou Strike: cabe ao próprio leitor juntar as tais peças a fim de descobrir o que, afinal, teria levado nove universitários bem-nascidos a findarem suas próprias vidas.

Tendo bebido das fontes de Rubem Fonseca, Stieg Larsson e Agatha Christie – vide as referências ao “Caso dos dez negrinhos” –, Raphael Montes mostra estilo próprio ao criar personagens jovens e vibrantes. Descrições são preteridas a diálogos bem marcados e construídos. Nas quase quinhentas páginas de sua estreia, o autor nos conduz por uma teia de eventos que poderiam ter ocorrido a qualquer um de nós, e que nem por isso são menos viscerais e impactantes.

Igualmente impactante é o final do livro. Mas esse é um segredo de Raphael Montes, e eu não me atreveria a contar.

Kaio Rodrigues é estudante de Letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e colunista do Potterish.

488 páginas, Editora Saraiva (Benvirá), publicado em 2012.