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“De volta a Blackbrick”, de Sarah Moore Fitzgerald

O nosso colunista Kaio Rodrigues vem hoje, 24, à Seção Granger para falar sobre “De volta a Blackbrick”, romance infantil escrito pela americana Sarah Moore Fitzgerald e lançado no Brasil recentemente pelo selo Galera do Grupo Editorial Record.

“Uma leitura rápida e despretensiosa, recomendada para crianças, pré-adolescentes ou quaisquer outras pessoas em busca de conforto durante o processo de perda.”

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Para ler a crítica na íntegra, acesse a extensão do post.

“De volta a Blackbrick”, de Sarah Moore Fitzgerald
Resenha crítica por Kaio Rodrigues

O avô de Cosmo é a pessoa mais inteligente que ele já conheceu, e cuida do garoto desde a morte de seu irmão e da fuga de sua mãe para a Austrália. Com Alzheimer e sabendo que seus dias de lucidez estão contados, o velho Sr. Kevin dá ao neto a chave dos portões da Abadia de Blackbrick.

Mesmo desconfiado, o pequeno obedece ao avô e vai até o local onde este passou a adolescência, na esperança de se encontrar com ele. Quem está lá, contudo, não é o ancião Kevin. Não! Ao abrir os portões da mansão, Cosmo abre também uma janela para o passado e tem a oportunidade única de se encontrar com seu avô quando ele era um cavalariço de 16 anos. O menino pode, então, participar de suas memórias e, quem sabe, alterar seu futuro.

Escrito por Sarah Moore Fitzgerald, americana criada em Dublin, “De volta a Blackbrick” é mais que uma história sobre volta ao passado. É o relato de uma criança em busca da chance de congelar as turvas águas do tempo e salvar as memórias da pessoa que mais ama no mundo.

Choca, porém, o fato de a escritora ser especializada em psicologia pedagógica. Suas personagens nada têm de profundas e esbanjam um curioso leque de atitudes injustificadas, inverossímeis e por vezes grosseiras. Grosseiros também são os erros de revisão da obra, que não chegam a prejudicar a leitura, mas revelam certo descuido no processo de tradução.

Mas nem tudo são espinhos nos jardins de Blackbrick. As flores ficam por conta de Kevin – ambas suas versões velho e o moço –, que, em suas próprias lutas e dilemas, acaba por tornar o livro uma bela história de superação. Indo contra os desmandos dos donos da Abadia – o odiento clã Corporamore –, Kevin é, desde a juventude, um apaixonado pela vida e pela família que almeja construir. Cabe ao seu neto, Cosmo, manter nos eixos os desejos do avô.

Em seus detalhes, “De volta a Blackbrick” é uma leitura rápida e despretensiosa, recomendada para crianças, pré-adolescentes ou quaisquer outras pessoas em busca de conforto durante o processo de perda. Uma história simples, mas sobre temas nem tão simples assim: ao abrir os portões de Blackbrick, prepare-se para vivenciar luto, passado e memórias.

238 páginas, editora Record (Galera), publicado em 2016.
Título original: “Back to Blackbrick”.
Tradução: Glenda d’Oliveira.

Kaio Rodrigues é estudante de Letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e colunista do Potterish.