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Magia do Cinema: “As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras”

Com a aproximação das férias, são lançados muito filmes de ação. “As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras” é mais um deles. Mais do mesmo? A estudante de Cinema e Audiovisual da UFPE e Webmistress do Potterish, Marina Anderi, propõe-se a discutir isso.

“A trama é marcada pela volta do vilão do primeiro filme, Destruidor, que, junto de um cientista renomado e um alien de outra dimensão, pretende acabar com o planeta Terra. April O’Neil (Fox) é quem dá conta de descobrir grande parte desses planos. Dificilmente espero um personagem útil feminino nesses filmes de ação, algo devido ao próprio gênero, cheio de músculos e mulheres indefesas, mas ela realmente se prova muito útil.”

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Para ler a crítica cinematográfica na íntegra, acesse a extensão do post.

“As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras”
Crítica cinematográfica por Marina Anderi

“Tartarugas Ninja” é o tipo de coisa que esteve presente na infância de muitas pessoas da minha geração, imagino. Trazê-las para as telas de cinema seria algo com um potencial muito lucrativo, mas, com trama genérica e pouco desenvolvimento de personagem, “Tartarugas Ninjas”, lançado em 2014, não foi visto por muitos e logo caiu no esquecimento (de quem viu e de quem não viu). É com felicidade, então, que digo que “As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras” traz questionamentos que foram ignorados no primeiro filme e, de quebra, apresenta direito os heróis que muitos aprenderam a amar quando crianças.

A primeira sequência do filme já dá noção do que eu disse. Enquanto as tartarugas competem entre si por uma caixa de pizza, aparecem letreiros com os nomes e a “função” de cada irmão na equipe. Vemos logo que eles continuam escondidos da população de Nova Iorque, deixando que outros tomem créditos por seus feitos. É algo que frustra Rapha, o impulsivo, e incomoda muito Mike, o sentimental, que quer muito viver entre os humanos. Donnie, o gênio, é imparcial, aparentemente, e Léo, o líder, não quer nem discutir o assunto. Isso é algo que percorre todo o longa e é muito bem construído. O ser quem você é VS. os valores ensinados VS. sua família. Dá para reconhecer bem quem é quem e quais são os seus dilemas e isso é ótimo.

A trama é marcada pela volta do vilão do primeiro filme, Destruidor, que, junto de um cientista renomado e um alien de outra dimensão, pretende acabar com o planeta Terra. April O’Neil (Fox) é quem dá conta de descobrir grande parte desses planos. Dificilmente espero um personagem útil feminino nesses filmes de ação, devido ao próprio gênero, cheio de músculos e mulheres indefesas, mas ela realmente se prova muito útil. A objetificação ainda é clara, sempre salientando seus seios e seu físico impecável, mas ela não é tão boneca inflável como, digamos, “Transformers”. Nivelando por baixo, né? É realmente difícil ser mulher nessa indústria.

Stephen Amell surge para fazer Casey Jones, um policial dedicado que fora expulso da polícia após alegar ver as tartarugas. Além do carisma e da clara vontade de ajudar, não faz muito mais do que auxiliar em algumas cenas de ação e, claro, para enunciar o romance óbvio com April (que nem é tão forçado assim).

O destaque fica para a ótima captura de movimentos do filme, que foi feita basicamente durante a filmagem: os atores dos personagens que não são humanos usavam fios nos rostos que capturariam suas expressões faciais, o que tornou muito realista todo esse elenco. O CGI aguenta bem todos os efeitos e torna muitas cenas bem fluídas.

É um filme divertido, certamente. Os momentos cômicos são certeiros e leves. As cenas de ação, apesar de um problema claro de posicionamento em cena, entretêm. É um resultado melhor do que o esperado. Vale um terceiro filme? Mais pelo capitalismo do que por qualquer outra coisa. Mas até que foi legal a experiência.

Direção: David Green.
Roteiro: André Nemec e Josh Appelbaum.
Duração: 112 minutos.
Estreia: 16 de junho de 2016.

Marina Anderi é estudante de Cinema na Universidade Federal de Pernambuco e Webmistress do Potterish.