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POTTERMORE: O capítulo que nos fez amar… Severo Snape

Severo Snape é um dos personagens mais multifacetados que J.K. Rowling criou na série “Harry Potter”. Até hoje, quase uma década após o lançamento de “Relíquias da Morte”, é comum ver o fandom discutindo incansavelmente a índole do personagem. O Pottermore, por sua vez, decidiu nos lembrar daquele capítulo que fez todos os leitores chorarem e até mesmo se apaixonarem (mesmo que momentaneamente, para alguns) pelo Príncipe Mestiço.

Juntem-se a nós na extensão deste post e saiba o que o Pottermore tem a dizer sobre “A História do Príncipe” em mais um artigo traduzido pela nossa equipe.


O capítulo que nos fez amar… Severo Snape


Traduzido por: Luiza Miranda em 19/05/2016.
Revisado por: Rodrigo Cavalheiro em 20/05/2016.

Demorou muito tempo para que entendêssemos Severo Snape.

Alerta: muitos SPOILERS.

Um passeio por dentro das memórias de Snape o transformou, na mente de Harry, do explosivo Mestre de Poções ao “homem mais corajoso que ele já conhecera”. Nós demos uma olhada a fundo no capítulo de “Relíquias da Morte” que mudou tudo.

“A História do Príncipe”

O Professor Snape está morto, sob ordens de Voldemort, e Harry viu tudo. Em seus momentos finais, ele pede a Harry que pegue suas memórias e que olhe para ele uma última vez. A voz de Voldemort ecoa pelos corredores, desafiando Harry a encontrá-lo na Floresta Proibida dentro de uma hora. Esse é o fim.

Harry vai até a sala do Diretor e encontra a Penseira.

“A Penseira de pedra estava no armário onde sempre estivera: Harry carregou-a para cima da escrivaninha e despejou as lembranças de Snape na grande bacia com a borda de runas. Fugir para a cabeça de outro era um alívio abençoado… nada que mesmo alguém como Snape tivesse lhe deixado poderia ser pior do que os seus próprios pensamentos.”
– “Harry Potter e as Relíquias da Morte”

Quando crianças, Harry, Rony e Hermione haviam considerado o sarcástico e rígido Professor Snape como um tipo de vilão caricato – o amargo Mestre de Poções, circulando pelas masmorras. Já adultos, eles descobrem que Snape é muito mais complexo.

Em “Relíquias da Morte”, quando Harry se aproxima da Penseira, ele está em luto e abalado pela guerra. Ele praticamente cai dentro das memórias de Snape e descobre um menininho de rosto fino que conhecia uma menina chamada Lílian. Snape e a mãe de Harry eram amigos de infância. Tendo crescido na cidadela trouxa de Cokeworth, eles se identificaram com o poder mágico um do outro como o resto das crianças geralmente faz com brinquedos.

Uma vez em Hogwarts, os dois amigos foram selecionados em casas diferentes, e mais tarde Snape se envolveu com o tipo errado de amigos. Não apenas os típicos adolescentes baderneiros, mas futuros seguidores do mais poderoso bruxo das trevas de todos os tempos.
Nestas memórias, Harry assiste às conversas urgentes de Snape com Dumbledore sobre a profecia, e como ele implorou por uma forma de manter Lílian a salvo de Voldemort; e, então, quando a morte dela o faz desejar pela sua própria. Imagine escapar das garras de um assassino e depois trabalhar diretamente contra ele. É uma corda bamba difícil de atravessar.

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Por que isso importa

“A História do Príncipe” é uma história e tanto. Nós vemos um Snape jovem, negligenciado, com (grandes referências a) pais violentos; seu amor não-correspondido por alguém que se casa com a pessoa que o atormentou na escola; e sua vida estressante como agente duplo.

Este padrão foi tecido ao longo de cada livro – Snape é mau, Snape é bom. Snape é totalmente asqueroso. Snape salvou sua vida de novo e de novo. Quando Snape foi encarregado da detestável tarefa de matar o Professor Dumbledore, ele confirmou perfeitamente as suspeitas de todos: era a prova final de que Snape não era confiável; entretanto, descobrimos que ele tinha que matar Dumbledore por razões nobres sobre as quais praticamente ninguém sabia.

A coragem de Snape é estarrecedora. Ele sempre foi visto como um vilão de desenho animado, mas o que ele faz por Harry, furtivamente, ao longo da história, é seu segredo mais trágico – um segredo que ninguém jamais poderia imaginar. É claro, a personalidade de Snape não permitia que ele fosse habitualmente divertido, o que também não ajudou muito.

É quase como se Snape houvesse criado um tipo de efeito borboleta ao longo dos livros. Foi Snape quem entreouviu a Profecia que acabaria por definir as vidas de Lorde Voldemort e de Harry Potter pelos anos seguintes. A Profecia pode ser vista como o catalisador de tudo; resultou na morte de Lílian, seu grande amor, e Snape passou toda a vida de Harry (e a dele próprio) tentando compensar por isso. Se você parar para pensar, Snape poderia ser visto como o estopim para os eventos da história.

Janelas da alma

Snape morre olhando nos olhos de Harry. Os olhos do garoto que sobreviveu porque a mulher que ele amava morreu. Os olhos do garoto que era a cara de seu pai, o homem que o importunou e então se casou com o amor de sua vida. Imagine ter que encarar aqueles olhos naquele momento; os olhos que o machucavam intensamente ao mesmo tempo em que o fazia sentir amor mais do que qualquer coisa no mundo. Os momentos finais de Snape são talvez os mais corajosos que vimos em qualquer personagem.

Nos últimos capítulos que fecham “Relíquias da Morte”, entendemos que Snape viveu sua vida como um agente duplo atormentado, constantemente oscilando entre o lado bom e o lado ruim, como uma luz quebrada, tudo em nome de um amor eterno que foi a base de sua lealdade a Harry e Dumbledore.

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Desde o começo, em “Pedra Filosofal”, três crianças ingênuas pensaram que o professor de Poções malvado era o antagonista tentando roubar a pedra. Só ao fim é que descobrimos que ele era quem estava tentando evitar tudo aquilo: sempre o herói silencioso atuando nas sombras. Em “A História do Príncipe” nós desvendamos as camadas de um homem extraordinário. Um homem cujo nome seria dado, merecidamente, a um dos futuros filhos de Harry.

Snape nos ensinou que não existem homens bons ou maus, que nascemos cheios de fraquezas, e que complexidades são pintadas em milhares de tons diferentes. Escolher ver Snape como o professor mau, que chamou Harry de “nossa nova celebridade”, ou como o corajoso herói com um Patrono cheio de significado, é uma escolha sua. Mas como Dumbledore sempre diz, “São nossas escolhas que mostram quem realmente somos”. Snape fez escolhas ruins, e às vezes foi duro com Harry por nenhuma razão em particular. Mas ele passou grande parte de sua vida fazendo escolhas que, no fim, reparariam a escolha verdadeiramente terrível.

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