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Magia do Cinema: “X-Men: Apocalipse”

Na Magia do Cinema desta quinta-feira (19), a nossa Webmistress e estudante de Cinema Marina Anderi continua falando sobre filmes de super-heróis. “X-Men: Apocalipse” estreia nos cinemas de todo o Brasil hoje pela Fox Filmes.

“A falta de exploração das personagens nesse novo ‘X-Men’ é um problema sério, aliás. Isso é inesperado, já que é uma franquia que, independente do vilão, sempre se sustentou muito bem com sua equipe de super-heróis. Noturno (Smit-McPhee) é um cara azul que reza; ele se incomoda por ser diferente? De onde vem sua religião? Onde está sua família? Não sabemos. Ele apenas se teletransporta de um ponto a outro e parece que isso é suficiente. Uma grande diferença, então, do Noturno que conhecemos em “X-Men 2”, que é absolutamente fascinante.”

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Para ler a crítica na íntegra, acesse a extensão do post.

“X-Men: Apocalipse”
Crítica cinematográfica por Marina Anderi

“X-Men: O Filme”, lançado em 2000, estabeleceu de certa maneira o formato padrão dos filmes de super-herói que viriam nas próximas duas décadas. A franquia “X-Men” em si estabeleceu-se como uma de sucesso, tanto de bilheteria quanto de qualidade (excluímos dessa conta aqui os dois “Wolverine”, onde há praticamente um consenso de ruindade) e agora, chegando ao seu sexto filme, o terceiro de sua segunda trilogia, apresenta uma estrutura tão perdida que até parece que não teve 15 anos de experiência.

O enredo principal é apresentado num prólogo que se passa 3000 anos antes da ‘era comum’ e mostra Apocalipse (Isaac) e seus quatro cavaleiros realizando um ritual para tornar Apocalipse mais forte. Eles sofrem um golpe e são soterrados. Então, nos tempos atuais, Apocalipse acorda e decide restaurar a ordem do mundo – o que, para ele, seria dizimar toda a raça humana.

Enquanto isso, na Escola Charles Xavier para Jovens Superdotados, Scott Summers (Sheridan) é admitido na instituição após destruir parte do banheiro de sua escola com os raios que solta pelos olhos. Ele está lá de má vontade e ainda não sabe como controlar seus poderes. Em sua entrada, já conhece Jean Grey (Turner), uma adolescente tão poderosa que é considerada uma aberração entre seus colegas, pois seus pesadelos causam tremores pela escola.

Além de sexto filme da franquia, é o terceiro dessa geração mais jovem, que foi apresentada no ótimo “X-Men: Primeira Classe”. Professor Xavier (McAvoy), Magneto (Fassbender) e Mística (Lawrence) são alguns dos mutantes que se mantêm na história desde sua primeira aparição. Isso é aparente de uma forma infeliz, porque parece que suas questões só se repetem ao invés de evoluir. Há um momento do filme em que um diálogo entre Charles e Magneto é repetido praticamente palavra por palavra, e mais tarde há ainda um flashback de “Primeira Classe” para comprovar isso. É exaustivo, um dilema apresentado assim pela terceira vez, ainda mais quando há novos mutantes a explorar.

“A falta de exploração das personagens nesse novo “X-Men” é um problema sério, aliás. Isso é inesperado, já que é uma franquia que, independente do vilão, sempre se sustentou muito bem com sua equipe de super-heróis. Noturno (Smit-McPhee) é um cara azul que reza; ele se incomoda por ser diferente? De onde vem sua religião? Onde está sua família? Não sabemos. Ele apenas se teletransporta de um ponto a outro e parece que isso é suficiente. Uma grande diferença, então, do Noturno que conhecemos em “X-Men 2”, que é absolutamente fascinante.”

De Jean Grey e Scott, os futuros líderes dos X-Men, só vemos a superfície também. Scott é rebelde e mal-humorado, mas nunca vemos o motivo para isso. Jean é perturbada por sonhos que mais parecem previsões e teme a dimensão de seus poderes, mas tem uma atitude praticamente passiva com relação a isso, a ponto de em cenas de luta ser a única a ficar apenas observando com cara de sofrimento. Sophie Turner faz o melhor que pode com o pouco que tem.

Com personagens tão rasos e um tempo de duração que ultrapassa duas horas, o filme se torna exaustivo. O humor é forçado e o diretor Bryan Singer parece ter se esforçado para que o longa fosse o mais brega possível. Singer dirigiu “X-Men: O Filme”, “X-Men 2” e “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido”, mas aqui só fez exagerar mesmo. A franquia, agora mais do que nunca, parece saturada. Talvez um tempo de descanso faça bem a ela, mas, tratando-se de FOX e de capitalismo, provavelmente não é isso que acontecerá.

Ah, Marina, e os pontos bons?! Bom, temos Peter (Evans), que leva as missões como um grande parque de diversões e, apesar de demasiadamente longa, tem a cena mais engraçada do filme. Seu humor não diminui seu conflito interno em relação à sua família e ele se mostra bem útil apesar de suas limitações.

O design de produção remonta ao aspecto old school dos anos 80 e não segura a mão nas locações grandiosas do Egito. Os uniformes dos X-Men são bonitos e práticos, e os trajes dos Cavaleiros do Apocalipse parecem seguir o estilo de quem o usa, apesar que dos cavaleiros em si só Magneto se mostra uma verdadeira ameaça. Isso é equilibrado pelo fato de que a formação dos X-Men também não é das melhores, tratando-se dos poderes.

E se não falei da Mística direito até agora… É porque ela é realmente muito descartável. A partir do momento que Jennifer Lawrence ganhou o Oscar, tentam colocá-la em destaque nesses filmes, mas isso simplesmente não condiz com sua personagem. Ela como líder soa completamente forçado, ainda mais quando no campo de batalha ela não se mostra grande coisa. Sua maquiagem digital azul em nenhum momento aparenta ser real, o que deve ser o que motivou arranjarem uma desculpa para ela estar em forma ‘humana’ a maior parte do tempo.

O filme diverte? Sim. Poderia ter sido muito melhor? Com certeza. É com pesar que falo mal dele, uma vez que “X-Men” é uma obsessão de longa data. Essas coisas acontecem, suponho. Há uma referência a “X-Men: O Confronto Final”, que Singer não dirigiu, que sai pela culatra. Jean Grey diz, “O terceiro filme é sempre o pior”. É, de fato.

Direção: Bryan Singer.
Roteiro: Simon Kinberg.
Duração: 147 minutos.
Estreia: 19 de maio de 2016.

Marina Anderi é estudante de Cinema na Universidade Federal de Pernambuco e Webmistress do Potterish.