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Magia do Cinema: “Capitão América: Guerra Civil”

Marina Anderi, estudante de Cinema da UFPE e Webmistress do Potterish, não pretendia assistir a “Capitão América: Guerra Civil”. Mas acabou acontecendo e ela não poderia estar mais pasma, tanto que, semanas após a estreia do filme, ela ainda quis fazer uma crítica sobre ele. Mas seria isso para o bem ou para o mal?

Temos 12 super-heróis no filme, se não me engano. Todos, sem falta, bem explorados dentro do contexto. Os diretores, os irmãos Joe e Anthony Russo, conseguem equilibrar o peso da questão em pauta com os ótimos efeitos cômicos que percorrem o filme, e o Homem-Aranha de Tom Holland é responsável por muitas delas. Juntando-se agora a esse universo da Marvel Studios, tem direito à sua própria cena inicial dentro do filme e se mostra tão ágil quanto é divertido; praticamente um fã, um espectador de tudo isso, que teve a chance de participar da ação. A sequência toda envolvendo “Star Wars” é brilhante.

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Leia a crítica na íntegra acessando a extensão do post.

”Capitão América: Guerra Civil”
Crítica cinematográfica por Marina Anderi

Em 2015, logo após começar a cursar Cinema, fiz o voto para mim mesma de que não veria mais filmes da Marvel. Não por uma mania de grandeza, agora-só-vou-ver-Godard, mas pelo lado universitário da coisa: gastar meu limitado dinheiro em filmes que vão ser mais do mesmo? Melhor não.

Eu mantive bem minha promessa e confesso que não foi nada difícil. Não tive nem um pouco de curiosidade. Mas aí veio “Capitão América: Guerra Civil”. Com seus ótimos trailers e sua promessa de grandeza, suas comparações claras com “Batman vs Superman”… Ah, eu fui fraca. Cedi. Vi sim. E olha… que ótima surpresa!

O filme já começa com uma ótima cena de ação com direito a perseguição e explosivos. Uma justificava para o enredo que logo virá, onde Os Vingadores se veem coagidos a assinar um tratado que os transforma em uma entidade pública sob a tutela da ONU. Tony Stark (Downey Jr.) apoia a ideia, após um encontro traumático com a mãe de um garoto que morre no país destruído pelo grupo em “Os Vingadores: A Era de Ultron” (que não vi e nem verei). Steve Rogers (Evans), no entanto… Ele não acha nem um pouco benéfico não poder escolher suas próprias missões. Os outros integrantes da equipe também estão divididos. Uh oh.

A ideologia por trás dessa dúvida não é amplamente discutida, mas está sempre presente. “Mas o governo é controlado por pessoas, e pessoas têm suas morais. E se em algum momento nós formos obrigados a lutar do lado errado?”, diz Rogers em um momento. “Nós temos que ser parados, precisamos ter limites”, diz Stark, em outro. É certamente tênue a linha entre super-herói e vigilante, ainda mais quando quem decide isso é um governo que invade países em busca de petróleo.

Temos 12 super-heróis no filme, se não me engano. Todos, sem falta, bem explorados dentro do contexto. Os diretores, os irmãos Joe e Anthony Russo, conseguem equilibrar o peso da questão em pauta com os ótimos efeitos cômicos que percorrem o filme, e o Homem-Aranha de Tom Holland é responsável por muitas delas. Juntando-se agora a esse universo da Marvel Studios, tem direito à sua própria cena inicial dentro do filme e se mostra tão ágil quanto é divertido; praticamente um fã, um espectador de tudo isso, que teve a chance de participar da ação. A sequência toda envolvendo “Star Wars” é brilhante.

O enredo não é complexo, mas é bem amarrado. Para um filme que consegue se dedicar tão bem aos personagens, falha bastante justamente no vilão. Quando conhecemos suas reais motivações, já é tarde demais para sentir qualquer coisa; são duas horas de caricatura para dois minutos de realização. Não é tempo o suficiente. Não sei até que ponto dá para culpar Daniel Brühl por isso, mas ele (não) fez sua parte a apenas interpretar mais um vilão da listinha.

O destaque, claro, já que estamos falando de Marvel, é as cenas de ação. São várias e de diversos tipos e todas muito bem-feitas. O plano, já mostrado no trailer, em que o Homem de Ferro se defende enquanto Capitão América e Bucky Barnes o atacam, um em cada lado, é meu favorito. As coreografias das cenas fluem de forma orgânica, com cortes que não cortam seu fluxo e com planos sequência bem acertados. Uma cena com 12 super-heróis em que todos têm sua função e nenhum parece deslocado. É realmente impressionante.

Foi agradável, por fim, encontrar um filme da Marvel que me agradou imensamente. De certa forma, só me deixa mais frustrada com a empresa que, oras, sabe sim fazer filmes bons! Só opta por não fazer isso na maioria dos casos.

P.S.: Não dá para fugir da comparação com “Batman vs Superman”. Esse promete uma discussão política que, no fim, é apenas citada. Não há aprofundamento nenhum no tópico, que seria um prato cheio para qualquer roteirista que não fosse preguiçoso. O filme da Marvel, ao menos, não se propõe a isso e só insere a discussão com justificativa narrativa. E bem… BvS nem a Mulher Maravilha consegue explorar direito; imagina se tivesse mais nove supers.

Direção: Joe e Anthony Russo.
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely.
Duração: 147 minutos.
Estreia: 28 de abril de 2016.

Marina Anderi é estudante de Cinema na Universidade Federal de Pernambuco e Webmistress do Potterish.