Magia do Cinema

Magia do Cinema: “O Caçador e a Rainha de Gelo”

Evandro Lira, estudante de Cinema e Audiovisual da UFPE e colaborador do Potterish, faz a sua estreia na coluna “Magia do Cinema” com a crítica de “O Caçador e a Rainha de Gelo”, longa-metragem que chega aos cinemas de todo o Brasil hoje (21) pela Universal Pictures.

“A Rainha do Gelo aqui é vivida pela ótima Emily Blunt, que como o resto do elenco precisa segurar as pontas de um roteiro não muito instigante e de texto pavoroso. Charlize Theron, que ganhou todo o destaque no primeiro filme, volta a brilhar como a rainha má, e a incrível Jessica Chastain faz o que pode para dar verdade a sua Sara, enquanto Chris Hemsworth não faz nada que não já faça nos filmes de ‘Thor’: ser bonito, ser forte e sorrir.”

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Leia a crítica na íntegra acessando a extensão do post.

”O Caçador e a Rainha do Gelo”
Crítica cinematográfica por Evandro Lira

Ainda que “Branca de Neve e o Caçador” (2012) tenha recebido em sua maioria críticas negativas, o filme foi bem-sucedido comercialmente, garantindo-lhe uma continuação. Por causa desse e de outros aspectos, “O Caçador e a Rainha do Gelo” acaba se mostrando um caso curioso do atual cinema hollywoodiano.

Um filme derivado do outro, que por sua vez foi baseado em um conto de fadas mundialmente conhecido e que já rendeu diversas versões para o cinema – a mais famosa, inclusive, é o primeiro longa-metragem de animação da Disney. “O Caçador e a Rainha do Gelo” tem como predecessor algo que se propõe a ser uma prequência do primeiro filme e ao mesmo tempo uma sequência. Além de uma releitura de “Branca de Neve”, o filme ainda busca adaptar o conto “A Rainha da Neve”, de Hans Christian Andersen, que inspirou o recente sucesso “Frozen” (2013).

Na trama, a rainha Freya (Emily Blunt), irmã de Ravenna (Charlize Theron), foge para o norte e constrói o seu próprio reino depois que um incidente levou à perda de pessoas que amava. Lá, ela forma seu próprio exército, que invade e domina terras, e a única regra para viver sob sua tutela no reino é: relacionamentos amorosos são proibidos. Justamente os mais prodigiosos de seus soldados, o caçador Eric (Chris Hemsworth) e a guerreira Sara (Jessica Chastain), apaixonam-se, é claro, e isso é motivo para que Freya se enfureça e os separe.

O ponta pé aqui se dá alguns anos após os eventos do primeiro filme, por causa da personagem-título do longa anterior, a Branca de Neve, que não aparece em cena, mas que envia o Caçador à missão de recuperar o Espelho desaparecido da Rainha Ravenna.

A Rainha do Gelo aqui é vivida pela ótima Emily Blunt, que como o resto do elenco precisa segurar as pontas de um roteiro não muito instigante e de texto pavoroso. Charlize Theron, que ganhou todo o destaque no primeiro filme, volta a brilhar como a rainha má, e a incrível Jessica Chastain faz o que pode para dar verdade a sua Sara, enquanto Chris Hemsworth não faz nada que não já faça nos filmes de “Thor”: ser bonito, ser forte e sorrir.

Com pouquíssimos momentos de inspiração, o roteiro de “O Caçador e a Rainha do Gelo” acaba por ser previsível, principalmente enquanto se encaminha para o final. No geral, é repleto de resoluções fáceis, diálogos ruins e um humor tão forçado que você até esquece que “naquela parte” estão tentando te fazer rir.

Cedric Nicolas-Troyan traz uma direção eficaz, não muito melhor que a de Rupert Sanders, porém mais leve e de certo modo mais tradicional. Os efeitos visuais deixam a desejar, mas não se pode dizer o mesmo do design de produção e do figurino, que estão excelentes. Destaque para a composição visual da personagem da Rainha do Gelo.

Então realmente não há nada de novo sob o sol. “O Caçador e a Rainha do Gelo” se mostra mais uma daquelas sequências que não passam de uma encomenda das produtoras, porém com um elenco melhor em roupas bonitas.

Direção: Cedric Nicolas-Troyan.
Roteiro: Craig Mazin, Evan Spiliotopoulos.
Criação dos personagens originais: Evan Daugherty.
Duração: 114 minutos.
Estreia: 21 de abril de 2016.

Evandro Lira é estudante de Cinema na Universidade Federal de Pernambuco e colaborador do Potterish.