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Entrevista com Carmen Ejogo, de Animais Fantásticos e Onde Habitam

A atriz Carmen Ejogo, de [Animais Fantásticos e Onde Habitam] concedeu uma entrevista à revista Vogue onde falou um pouco de sua carreira e de seu novo papel no filme canadense Born to be Blue (“Nascido para ser azul”, em tradução literal).

“Eu estou interpretando a presidente de uma associação bruxa no novo filme de Harry Potter, Animais Fantásticos e Onde Habitam. Nós filmamos na Inglaterra, e ele será lançado em novembro.”

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Confira a entrevista completa no modo notícia completa.


Carmen Ejogo: Interpretando a namorada de Chet Baker em Nascido para ser Azul
Traduzido por: Thays Martins de Paiva
Revisado por: Marina Anderi

Carmen Ejogo começou sua carreira quando era adolescente, estrelando um show de sábado de manhã na Disney do Reino Unido. Desde então, ela tem feito de tudo, desde gravar com o pioneiro trip-hop Tricky e o DJ “bateria e baixo” Alex Reece a interpretar Coretta Scott King (tanto na HBO em 2001 quanto no filme Selma em 2014), entre muitos outros papeis. Atualmente, está estrelando Born to Be Blue ao lado de Ethan Hawke, que interpreta o lendário (e lendariamente conturbado) trompetista de jazz Chet Baker.

Como você fez o salto de ser, por falta de um termo melhor, uma estrela infantil para ser uma atriz séria?

Eu me encontrei com o agente de modelos crianças quando eu era muito jovem – eu era “uma daquelas crianças”, o que quer que isso signifique, e através disso eu consegui um filme aos 10 ou 11 anos, Absolute Beginners, meio que interpretando eu mesma. Julien Temple, o diretor, encantou-se por mim por algum motivo e continuou a escrever pequenos papeis para mim. Foi um momento pivô, eu já sabia que era mais ou menos uma artista, mas eu nunca tinha tido a oportunidade de canalizar isso. E, de repente, nas férias de verão, eu estava em um set de filmagem com David Bowie, e me apaixonei imediatamente. Muitos anos mais tarde, os produtores desse filme lembraram de mim quando estavam montando um canal de música no Reino Unido, e então, quando eu tinha 15 ou 16, eu estava entrevistando estrelas pop. Eu era muito boa no que fazia, e por isso acabei por ter de tomar a decisão de mudar o foco e procurar um agente de atores – antigamente, quando você escrevia uma carta para alguém e esperava que o chamassem de volta. Mas eu encontrei um, e logo comecei a trabalhar com diretores britânicos interessantes e então diretores americanos, incluindo em um filme bobo de Hollywood – O Negociador, com Eddie Murphy.

Eu acho que eu…

Não – nem tente! Você não o viu! Você não sabe! Era meio irônico – trabalhar no filme sério de um dos maiores atores cômicos de Hollywood. Mas, eventualmente, eu comecei a trabalhar mais aqui nos EUA do que em casa.

Você sabia muito sobre Chet Baker quando você decidiu interpretar esse papel?

Ouvi pela primeira vez a sua música cerca de 20 anos atrás, mas cheguei nela através através da fotografia de William Claxton, particularmente uma imagem de Chet com Halema [Alli], uma de suas esposas… um belo retrato dele em uma janela com a sua trombeta e a esposa inclinada sobre ele. Eu apenas pensei que eles eram o casal mais bonito que eu já tinha visto. Eu não sabia quem ele era no momento, e eu certamente não sabia quem ela era, e eu ainda não sei quem ela era. Há muito sobre a vida de Chet que é desconhecido ou fabricado ou inexplicável, e isso era parte da atração desse papel; é por isso que o roteiro me atraiu. Ele fez justiça ao lado dele que era auto-mistificado.

Born to Be Blue é descrito no material de imprensa como uma “anti-biografia”, ou um filme-experimental – Como assim? Quanto do que estamos vendo realmente aconteceu, e quanto foi inventado para contar uma história?

A intenção do filme foi apresentar a vida de alguém sem ter que ser algemado aos fatos daquela vida – ser capaz de explorar a verdade emocional e dar a ela tanto peso quanto fatos. Nós não estávamos tentando apresentar a abordagem definitiva do berço ao túmulo. Minha personagem é certamente uma amálgama de certas mulheres que estavam na vida de Chet; ela é representação de alguém que estava realmente dedicado a ele, a ponto do autossacrifício. E ter que lidar com a noção de que o seu herói, talvez, não era quem você pensava que ele era é algo que estávamos realmente interessados em explorar. A ampla história e foco do filme, no entanto – do tempo em que Chet foi espancado e perdeu os dentes e estava lutando contra o seu caminho de volta a ser relevante, isto é verdade; que é factual.

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Ethan Hawke e Carmen Ejogo em Born to Be Blue

Este filme também marca a primeira vez que você trabalhou com Ethan Hawke. Como foi?

Ethan tem um entusiasmo para a profissão que é contagiante – ele está constantemente oferecendo regravações, incessantemente pratica a trombeta, vadiando em ondas. Ele ama todo o processo do início ao fim – e, uma vez que ele vem fazendo isso desde que ele era um garoto, ele é surpreendentemente incansável. Ele também é um colaborador muito generoso que parece ter um senso inato do significado daquele maravilhoso provérbio Africano “Ubuntu”, traduzido aproximadamente como “Eu sou porque nós somos.” Eu ficava muitas vezes impressionada com o fato de que ele iria procurar maneiras para ter certeza que minha personagem fosse tão plenamente realizado e tão complexo como o sua própria e então, quando nós compartilhássemos a tela, haveria uma interação muito mais sutil acontecendo para ambos os personagens. Ele é muito esperto.

Quais são seus planos futuros?

Bem, eu estou trabalhando no novo filme de Alien [Alien: Covenant, dirigido por Riddley Scott]. Eu gostaria de poder falar sobre ele, mas não posso! Mas estamos para filmar na Austrália, começaremos muito em breve. Vai ser o tempo mais longo que já passei longe de meus filhos [Ejogo tem um filho e uma filha com o ex-marido, o ator Jeffrey Wright]. Nesse meio tempo, eu estou interpretando a presidente de uma associação bruxa no novo filme de Harry Potter, Animais Fantásticos e Onde Habitam. Nós filmamos na Inglaterra, e ele será lançado em novembro. Foi muito emocionante ser parte desse legado e fazer parte da expansão dessa estética. Quer dizer, sobre o tema da diversidade, há uma faixa inteira de crianças que não sabiam que poderiam se envolver naquilo porque era uma coisa muito branca, britânica. Eu me sinto muito sortuda – eu tive a chance de me transformar e mudar de forma ao longo da minha carreira, e portanto fazer parte da ampliação deste mundo desta maneira é muito emocionante para mim.