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TRADUZIDO: Entrevista de Emma Watson e Bell Hooks para a Paper Magazine

A Paper Magazine divulgou nesta semana uma entrevista com a atriz Emma Watson e a escritora Bell Hooks. Esta publicação da Paper faz parte de uma série, onde personalidades (atores, escritores, cientistas e afins) batem um papo com outra personalidade, tratando de assuntos similares para que ambos possam falar sobre o papel da mulher na atual sociedade e assuntos correlatos.

“É assustador conhecer pessoas que você admira. Eles irão te desapontar? Irão? @BellHooks é TUDO. E muito AMÁVEL também.”

Você pode conferir tradução da entrevista na íntegra, feita pela nossa equipe, no modo noticia completa.

EMMA WATSON
Em conversa com Bell Hooks e Emma Watson
Paper Magazine – 18 de fevereiro de 2016

Traduzido por: Caroline Dorigon e Rodrigo Cavalheiro em 19/02/2016
Revisado por: Anna Constantino em 20/02/2016

Em nossa série “Girl Crush”, mulheres com admiração mútua se juntam para conversas que oferecem olhares iluminados naquilo que parece ser agora um direito de mulher.

Quando relembramos este momento como um período quando as mulheres começaram a falar sobre feminismo e se identificarem como feministas com uma paixão não vista por muitos anos, alguns dos auges do ressurgimento da quarta onda serão a performance da Beyoncé no VMA de 2014, o prêmio Nobel da Paz recebido por Malala Yousadzai e, claro, o discurso excitante discurso de Emma Watson na ONU. As palavras emocionantes de Emma e seu trabalho promovendo igualdade de gênero através do movimento da ONU HeForShe forneceram a primeira introdução real ao conceito para muitas jovens mulheres (e homens). Por parte dela, a atriz disse que é identificada como uma feminista desde que era criança, mas também credita a escritora, artista, intelectual, e ícone feminista Bell Hooks, autora de “Feminismo é para Todos” entre tantos outros textos essenciais, que a inspiraram e a ajudaram a moldar seu entendimento e crenças através de suas dissertações, livros e vídeos. E assim para Bell, ela diz que é igualmente inspirada por Emma.

Hooks: Senhorita Emma Watson, você é minha mais nova “girl crush”.

Watson: Aww, Bell. Bem, você é minha “girl crush” por um bom tempo.

Hooks: Ah, é? Como eu me tornei sua “girl crush”?

Watson: Eu cheguei até você através de minha aminha Lilah. O minuto que eu conquistei a posição na ONU, a primeira coisa que a Lilah fez foi me enviar um de seus livros. E então quando eu estava fazendo minha própria pesquisa, eu encontrei os vídeos de você falando na The New School. E eu estava tipo, “Quem é essa mulher? Ela é muito engraçada”. Eu amei muito sua atitude. Tudo o que você disse pareceu ter vindo de um lugar tão honesto. Foi um prazer ouvir você falando. Eu fiquei viciada. Eu comecei a assistir vídeo após vídeo, após vídeo, após vídeo. Então eu me encontrei com Laverne Cox, e nós conversamos sobre você. Eu havia assistido uma conversa de vocês. Foi Laverne quem disse: “Olhe, você tem que encontrá-la pessoalmente. Ela é maravilhosa. ” Então eu li seu trabalho e nós nos conhecemos. Essa tem sido minha jornada, sério.

Hooks: É muito engraçado porque eu cheguei em você pelo seu trabalho também, assistindo você como atriz nos filmes do Harry Potter. Como uma crítica cultural que escreve sobre mulheres e representação, eu estava fascinada pela personagem da Hermione. Era tanto emocionante quanto, às vezes, enfurecedor assistir a forma que a personagem da Hermione desenvolveu e ver essa imagem vibrante de uma garota que era apenas tão inteligente, que é uma pensadora, e então também testemunhar que aquela inteligência foi colocada a serviço de poder de garotos. Ainda assim, é uma importante representação para garotas.

Watson: Eu acho que é. Ela é importante porque ela – bem, certamente quando eu estava lendo Harry Potter, eu comecei a ler Harry Potter quando eu tinha 8 anos – eu realmente me identifiquei com ela. Eu era a garota na escola que levantava a mão para responder as perguntas. Eu realmente estava ansiosa par aprender de um jeito não tão legal. De um jeito nem um pouco legal, na verdade. E Então a personagem da Hermione me permitiu ser quem eu era.

Hooks: Interpretar Hermione te inspirou em ser mais inteligente? Como foi o seu crescimento paralelo ao de Hermione ao ponto de você se direcionar para “eu vou para a faculdade, vou fazer tais coisas”?

Watson: Foi muito interessante porque primeiro, apesar das similaridades óbvias, acho que eu também estava tentando separar meu senso próprio da imagem. Foi um período bastante delicado – eu tinha 10 ou 11 anos quando o primeiro filme saiu – eu estava tentando entender qual era minha identidade, mas na verdade eu ainda não tinha uma. E eu assisto a entrevistas que eu fiz quando o primeiro filme saiu e eu estava tão perdida! (risos) Eu pensava, “Sobre o que as garotas falam?” “Eu gosto de fazer compras e tenho uma queda pelo Brad Pitt“. E eu nem tinha ideia de quem era Brad Pitt! Eu não tinha visto um filme se quer que o Brad Pitt tenha participado, mas apenas me pareceu a coisa certa a dizer. Isso me deixou triste porque eu vi uma garota tentando muito se encaixar. A verdade é que eu adorava a escola. (risos)

Hooks: Todas as mulheres que vivem na cultura moderna passam por essa fase transicional de tentar encontrar imagens femininas aceitáveis.

Watson: A princípio eu realmente estava tentando dizer, “Eu não sou igual à Hermione. Eu gosto de moda e sou muito mais legal que ela”, e então eu cheguei a aceitação. Na verdade, nós temos muito em comum. Há diferenças óbvias, mas há muitas formas que somos muito parecidas. E eu parei de lutar contra isso!

Hooks: Eu estava irritada com o desenvolvimento da personagem da Hermione no filme. No último filme, ela era tipo uma dona-de-casa suburbana.

Watson: (risos) Bem, ela prossegue para ter uma carreira. E ela continua a fazer coisas boas e interessantes.

Hooks: É interessante que nas cenas finais na estação de trem, Hermione é uma imagem passiva.

Watson: Eu não tinha pensado sobre isso.

Hooks: Eu estava tipo, “por que ela está tão antiquada?“ e eu imaginava de quem tinha sido essa ideia. É assim como uma garota esperta progride? Ela deixa de ser fascinante para ser uma solteirona chata? Os filmes ainda estão tendo dificuldades em criar imagens de mulheres mais velhas, espertas, vibrantes, fortes e inteligentes.

Watson: Honestamente, de uma perspectiva prática e não de uma intencional, nós passamos por um momento tão difícil descobrindo como nos envelhecer autenticamente – pegar de onde nós estávamos – nós estávamos todos com 20 anos, e nos fazer parecer como se tivéssemos nossos 30 ou 40 anos… Nós passamos momentos realmente difíceis descobrindo como fazer aquilo. Nós nos esforçamos muito.


Hooks
: Bem, eu acho que aquela toda questão de como nós nos tornamos mulheres de poder e ao mesmo tempo capazes de projetar que somos atraentes, legais, desejáveis. Estou pensando no “Last Fuckable Day” da Amy Schumer – você viu?

Watson: (risos) Claro.


Hooks
: E eu estava pensando sobre como aquele vídeo me irrita porque no final elas parecem estar agindo como se estivesse tudo bem, é apenas outra transição. Quando eu pensei, Deus, se elas tivessem levado apenas um minuto, é muito emocionante que nós podemos continuar para sermos nós mesmos. E com imagens para celebrar que envelhecer permite (mulheres) a mudarem de objeto para sujeito que são mais reais para quem nós somos nesse estágio de nossas vidas. Teria levado apenas sessenta seguindo, ou pelo menos dois minutos, penas para celebrar sendo real, mas melhor que – para mim – teria o sabor de uma crítica realmente interessante, elas terminarem sendo tipo “está tudo bem agora”. Melhor que dizendo, “vamos proclamar o melhor é ainda estar aqui, querido. Não porque nós podemos beber sorvete derretido, mas porque é um estágio da vida maravilhoso. “ Como uma mulher mais velha, perto dos 60, é um período interessante, excitante. Muitas daquelas lutas que nós estamos falando com identidade acontecem quando nós somos mais novas. Aquela mudança acontece durante o processo de amadurecimento – você percebe que você não quer ficar neste personagem que você estava. Para mim, é muito o personagem falar sobre raça e/ou feminismo. E ainda, há muitas coisas que me interessam e me animam. Eu procuro formas para colocar tudo para fora. Eu me interesso em moda, também. Eu particularmente me interesso em modas que são confortáveis e bonitas. Eu tenho uma total obsessão na minha vida com beleza. Eu estou sempre querendo me rodear com os tipos de beleza que te animam, que vão contra alguns tipos de estereótipo de mulheres feministas.

Watson: Sim, sim. No Feminismo é para Todos, eu encontrei um alerta do que você estava falando, “para criticar imagens sexistas sem oferecer alternativas é uma intervenção incompleta. Critique aquilo que não levará para mudança“.


Hooks
: Eu estava pensado sobreo que você estava falando mais cedo — que eu sou engraçada. Várias pessoas acham que eu sou, mas a maioria acha que não. [Risos] Eu estava falando para você sobre como nos conhecemos. Há um grande estereótipo sobre feministas, que nós não somos divertidas, que não temos senso de humor e que tudo é tão sério e politicamente correto. Humor é essencial para trabalhar com assuntos difíceis: raça, gênero, classe, sexualidade. Se você não pode rir de si mesmo e se juntar a outros no riso, você realmente não pode criar uma mudança social significativa.

Watson: Eu concordo. A quantidade de coisas que você sabe, às vezes torna ainda mais difícil de falar sobre. Você quer incluir tanto e quer estar consciente de tantas coisas. É por isso que eu me impressiono. Você conhece seu assunto tão bem que você consegue ser livre sobre ele e você consegue fazer piadas e consegue ser confiante neste espectro. Eu acho que é isso que torna tão bom ouvir você falar. Você tem essa habilidade.

hooks: Mas, é claro, quando eu estou improvisando, eu cometo erros. Que nem quando eu estava falando sobre o tráfico de garotas e o tipo de adoração que as garotas tem por alguém tipo a Beyoncé, eu estava realmente falando — não sobre a pessoa da Beyoncé — mas de sua imagem de ser meio que uma terrorista. Isso apenas explodiu na minha cara pois as pessoas tiraram meu comentário do contexto. Eu quero saber sobre como você lida com como suas palavras são ouvidas e usadas, Emma? Para nós, mesmo que em diferentes níveis de celebridade, fama, nós temos que estar constantemente alertas o que dizemos e como isso será recepcionado.

Watson: É, eu sinto que tenho que ser bem alerta. Me deixa triste as vezes. Eu sinto aquele medo de eu estou vendo isso de todos os ângulos, como isso pode ser interpretado, como pode ser tirado do contexto? Mas eu tenho muito a aprender e eu deveria ser cautelosa. Mas eu concordo com você. Eu acho que é realmente difícil se comunicar pela mídia e através desse meio, às vezes.

Hooks: É, definitivamente, desafiador. Eu, diferente de você, não sou tão assídua nas redes sociais. As conversas da Nova Escola me jogaram para a mídia social de certa maneira. Eu estava ao mesmo tempo animada, mas por outro lado, você está mais sujeita a que as pessoas interpretem mal o que você diz. E isso é algo que eu tinha que aceitar. De certa maneira, especialmente para as mulheres, também, você tem que superar qualquer tipo de ligação com o perfeccionismo. Ou ser apreciada por todos a todo tempo, ou entendida por todos ao mesmo tempo. É como quando o comentário da Beyoncé estava em todos os lugares, e aí Janet Mock postou esse vídeo onde eu dançava “Crazy in Love”, e eu fui criticada por ser hipócrita. Para mim, não foi uma contradição, pois eu não estava falando de sua música. Nós vivemos em um mundo onde a maioria das pessoas não pensa de jeitos complexos, e é muito fácil haver falhas de comunicação e mal-entendidos. Falando em mal-entendidos, vamos falar sobre a palavra feminismo. Como isso entra na vida de Emma Watson?

Watson: Faz parte da minha vida todos os dias. Eu descubro que todas as vezes em que eu converso com pessoas para as quais o feminismo possa não fazer parte de seu mundo ou de sua consciência, mas apareceu no meu discurso na ONU, ou eu uso uma pulseira da HeForShe ou coisa do tipo e há um esmagador número de conceitos errados sobre a ideia. Meu discurso na ONU foi muito bem recebido, mas as pessoas que criticaram disseram que era tão básico. Que não falava sobre as coisas importantes. Eu não sei se há realmente compreensão sobre a quantidade de mal entendimento e o quão pouco entendimento há neste mundo — e sobre essas ideias — para um grande número de gente.

Hooks: Quando foi a primeira vez que você usou o termo feminismo?

Watson: Quando eu tinha 9 anos, eu acho, durante a minha primeira conferência de Harry Potter, eu disse que eu era “um pouco feminista”! Há! Eu acho que eu estava assustada de assumir toda a responsabilidade. Eu estava com medo de não entender o que significava. Eu obviamente entendia, eu estava apenas confusa sobre toda a conversa sobre a ideia.

Hooks: Emma, você é uma embaixadora tão perfeita. Você tem uma presença tão global. Quando você está falando para uma audiência global, você tem que começar onde aquele mundo se encontra. Isso significa, as vezes, começar com coisas básicas. É assim que eu percebi seu discurso na ONU. Foi um grito para as mulheres e homens de todo o mundo. É quando você vai para um país estrangeiro e está tentando se comunicar, nós geralmente usamos meios mais simples de dizer algo, para preencher essa fronteira de língua e cultura. Então me conte mais sobre sua campanha, HeForShe, e o que você almeja fazer com sua posição de embaixadora em 2016?

Watson: Em Feminism is for Everybody (Feminismo é para Todos), você escreve sobre jeitos em que o feminismo quase foi sequestrado um pouco por acadêmicos e por estudos de gênero e por ser falado apenas por esse grupo específico de pessoas. Ele pode e deve ser acadêmico, e esse tipo de pensamento é tão importante, mas você fala sobre como ele deveria ser um movimento de massa para fazer a diferença. Eu não quero reger o coro. Eu quero tentar falar para as pessoas que podem não encontrar o feminismo e falar para eles sobre o feminismo. É um trabalho realmente interessante, e é um bom assunto para se falar. Eu quero entrar no assunto com pessoas que normalmente não o fariam.

Hooks: É assim que eu me sentia quando eu escrevi Feminism is for Everybody. Eu queria escrever um livro fácil de ler, um livro simples. Eu sabia que haveria gente que diria: Isso não é muito teórico, intelectual. Mas esse não era o meu propósito. O propósito do livro era facilitar as coisas. Estudantes falavam, “Quando eu for para casa, eu tento explicar para os meus pais o que eu aprendo em Estudo Feminino, mas eles não parecem entender”. E eu pensei, eu vou escrever esse livrinho que as pessoas podem parar para as pessoas e que será a introdução para o pensamento feminista.

Watson: Eu acabei de começar um clube do livro.

Hooks: É, “Nossa Prateleira Compartilhada”

Watson: Eu estou lendo tanto e me expondo a tantas novas ideias. Parece com química e que a estrutura do meu cérebro muda tão rapidamente as vezes. Parece que eu estou tendo trabalhar de me manter em sintonia comigo mesma. É um período realmente legal para mim. O trabalho que eu faço para a ONU é claramente definido, mas minhas visões e opiniões pessoais ainda estão sendo definidas, na verdade. Então será um tempo interessante.

Hooks: Como parte de seus esforços para o ativismo e crescimento pessoal, você está tirando um ano fora da atuação. Isso é uma grande decisão.

Watson: Eu estou tirando um ano para não atuar para focar em duas coisas, na verdade. Meu crescimento pessoal é uma delas. Eu sei que você lê um livro por dia. Minha tarefa pessoa é ler um livro por semana, e também ler um livro por mês como parte do meu clube do livro. Eu estou lendo muito e estudando por conta própria. Eu quase pensei sobre ir e fazer um ano de estudo de gênero, e então eu percebi que eu estava aprendendo tanto em campo e apenas falando com pessoas e lendo. Que eu estava aprendendo tanto sozinha. Eu realmente queria me manter no caminho em que eu estava. Eu estou lendo muito este ano, e eu quero ouvir muito.

Hooks: Você está meio que se dando aulas em casa. A coisa boa é que estudando de um jeito mais institucionalizado — você não está se limitando. Você tem tempo. E agora, você pode chegar a pessoas como Gloria Steinem e bell hooks.

Watson: Tem sido maravilhoso. Eu tenho feito muito isso. Eu quero ouvir tantas mulheres diferentes no mundo quanto eu possa. É algo que eu tenho feito por conta própria, através da ONU, a campanha HeForShe, e meu trabalho em geral. Este janeiro, nossos campeões da HeForShe IMPACT são dez presidentes de empresas, que estarão liberando pela primeira vez para a imprensa como suas empresas se parecem por dentro. Então quantos CEOs são homens ou mulheres, a diferença de salário entre os gêneros. Nós faremos esses pronunciamentos de forma totalmente transparente, o que é ótimo. Nunca fizemos isso antes. Grandes empresas como Vodafone, Unilever e Tupperware vão se levantar perante a imprensa e apresentar os problemas dentro de suas empresas e falar sobre como eles pretendem corrigir esses problemas como campeões da HeForShe IMPACT. Eu estou muito interessada e animada para ver como isso vai funcionar. Nós estamos organizando uma semana de arte da HeForShe, um tour universitário, e lançando um site da HeForShe. É muita coisa. Há muito a ser feito.

Hooks: Com certeza parece muito. Conforme eu ouço isso, eu me pergunto — quando você vai parar e se divertir um pouco?

Watson: É. [Risos]

Hooks: As vezes é difícil recrutar gente para formas de ativismo que lutem por justiça e para o fim da dominação porque elas acham que não haverá nenhum tempo livre para a diversão. Todos precisam levar uma vida balanceada. Ser balanceado é crucial, pois nos ajuda e não ir muito longe ou tentar viver conforme as expectativas de outras pessoas de um jeito que você se sinta vazia. Há pessoas que são muito cínicas sobre o ativismo de celebridades. Como consequência, isso pode levar celebridades a acharem que elas precisam fazer mais para provar que são verdadeiros.

Watson: Quando eu estava falando com a minha mãe sobre ir e fazer estudos de gênero, ela ficou tipo, “parece que você está tentando provar para todo mundo que você é inteligente e tentando provar algo fazendo isso. Você está aprendendo tanto sozinha neste momento e aproveitando tanto. Você pode provar que se importa sobre isso gastando seu tempo ouvindo e falando para quantas pessoas você consiga e continuar fazendo o que está fazendo”. Eu realmente acho que tento supercompensar, às vezes.

Hooks: Um aspecto do que você está falando é que é tão bom simplesmente estar aberto e disposto a aprender. Muitas vezes, nós sabemos que no mundo de ativismo de celebridades, celebridades se jogam em uma causa, mas raramente nos dizem, “eu estou estudando, aprendendo, aos poucos, falando com pessoas”. É tão animador que você esteja fazendo isso. Você está realmente trabalhando com o que é necessário para criar um mundo sem a dominação patriarcal. Pensando sobre o problema do poder feminino, se você pudesse dar às mulheres uma coisa neste mundo no caminho para este mundo de liberação feminina e poder, o que seria?

Watson: Eu estou na minha jornada com isso e pode mudar, mas eu posso lhe dizer que o que está realmente me liberando e me empoderando através de me envolver com o feminismo é que, para mim, a maior liberação tem sido que a maior parte das autocríticas tem ido embora. Tanta energia e tempo — até mesmo de maneiras sutis – eu tenho 25 anos agora e eu tive uma longa jornada desde que eu tinha 20 anos. Me envolvendo com o feminismo, há esse tipo de bolha que agora aparece na minha mente onde esses pensamentos realmente negativos aparecem e eu consigo combate-los de um jeito muito racional e rápido. Eu posso ver agora de um jeito diferente. Eu acho que se eu pudesse dar às mulheres qualquer coisa através do feminismo — você está perguntando sobre poder — seria ser capaz de se afastar, se afastar de tudo isso. Eu vejo tantas mulheres lidando com problemas de autoestima. Elas sabem e elas ouvem e elas leem em revistas e livros todo o tempo que o amor próprio é realmente importante, mas é muito difícil –

Hooks: Eu estava pensando sobre duas cosias que eu acho que são vitais para as mulheres, mundialmente, são amor próprio e instrução. Crescendo num lar cristão fundamentalista com uma visão muito restrita sobre gênero — inicialmente, meus olhos foram abertos pela leitura.

Watson: Essas também seriam minhas duas coisas. Meu entendimento que me permitiu me sentir muito mais permissora e amante de mim como mulher — veio através da leitura.

Hooks: Geralmente, pessoas do Ocidente esquecem que massas — milhões e milhões de mulheres e meninas no mundo — não tem acesso à educação e não são ensinadas a ler e a escrever.

Watson: É verdade.

Hooks: E para mim, ler e estudar é uma das maiores paixões na minha vida. É como respirar. É o que eu gostaria de dividir. Eu senti desde o momento em que te conheci — em termos de como uma girl crush se forma, é uma das formas como nossos espíritos ressoam — que nós pensamos e sonhamos sobre paixões similares, e isso é animador. De muitos jeitos, nós vivemos em uma sociedade muito segregada, racialmente. Há tantos tipos de pessoas, e racialmente, nós não cruzamos limites. As conversas da Nova Escola eram animadoras principalmente porque eu podia escolher gente como Laverne Cox para conversar. Então trazer Laverne para minha cidade realmente pequena em Kentucky para inaugurar o Instituto bell hooks — foi tão legal. Eu sinto que parte de criar um mundo que é tão justo e diverso é desafiar esses limites que nos afastam uns dos outros. Eu estou feliz que eu não estou afastada de você, e que nós teremos mais conversas divertidas nos dias que virão.

Watson: Sim, absolutamente. Eu queria te perguntar — apenas voltando ao que você fará para se divertir — uma coisa que eu tenho trabalho por um tempo é completar meu nível 3 de yoga para ensinar meditação. Eu percebi que em All About Love [Tudo Sobre Amor] você tem uma citação de Jack Kornfield, que eu lia quando estava me interessando em meditação, e eu fiquei me perguntando, aquilo estava num livro que você já tenha lido?

Hooks: Exatamente, era o que estávamos dizendo. Às vezes eu penso, há algo que eu faça que não tenha aparecido primeiro num livro? Me faz rir.