Série Cormoran Strike

“Career of Evil”, o novo livro de Robert Galbraith, é publicado hoje

Os fãs de um dos detetives mais cativantes dos últimos tempos podem comemorar: Cormoran Strike está de volta!

Foi lançado hoje nos EUA e no Reino Unido o terceiro livro da série Cormoran Strike, “Career of Evil”. Escrito por J.K. Rowling sob o pseudônimo de Robert Galbraith, a série retorna ainda mais perturbadora como vocês podem conferir nos dois primeiros capítulos que a nossa equipe traduziu especialmente para vocês. Os capítulos um e dois foram cedidos para o jornal The Guardian e a revista Time.

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“A trama engloba pedofilia, assassinatos em série e Transtorno de Identidade da Integridade Corporal (TIIC) – a doença mental que faz o doente querer amputar seus membros saudáveis.” – The Telegraph

E, falando em mídia, os críticos já começaram a publicar suas opiniões sobre o novo livro, opiniões que você pode conferir aqui no Ish, no modo completo da notícia.

“Escrito em uma prosa sem adornos e não literária, Career of Evil confirma que a iniciativa pós-Potter de Rowling está se provando muito bem-vinda.” – The Independent

Sinopse traduzida pelo Potterish:

“Quando um misterioso pacote é entregue a Robin Ellacott, ela fica horrorizada ao descobrir que contém a perna decepada de uma mulher. Seu chefe, o detetive particular Cormoran Strike, fica menos surpreso, mas não menos alarmado. Há quatro pessoas de seu passado que ele acredita que poderiam ser responsáveis por tal crime – e Strike sabe que qualquer um deles seria capaz de tamanha brutalidade.

Com a polícia focada no suspeito que Strike tem cada vez mais certeza de que não é o criminoso, ele e Robin põem as mãos à obra e mergulham no mundo sombrio e distorcido dos outros três homens. Entretanto, quanto mais acontecimentos horrendos acontecem, mais o tempo se esgota para ambos…”

Amanhã ocorrerá em Londres uma espécie de comemoração ao lançamento e a nossa equipe estará de prontidão para fazer a cobertura completa. Fiquem ligados no nosso Twitter (@Potterish) a partir do meio-dia para tweets ao vivo e, mais tarde, o post completo.

A edição e tradução brasileira do livro ficará por conta da Editora Rocco, também responsável pelos dois livros anteriores e a série “Harry Potter”, com previsão de lançamento para 2016.

“CAREER OF EVIL”
Carreira do Mal por Robert Galbraith – crítica: J.K. Rowling é a nova rainha do crime
Independent – Barry forshaw

15 de outubro de 2015
Traduzido por: Carolina Portela
Revisado por: Aline Michel

O novo livro de J.K. Rowling traz uma refrescante mudança para o gênero.

“Cuidado com o que você diz – ela está aqui!” Essas foram as palavras cochichadas em meu ouvido no “Crime Writers’ Association Dagger Awards” na semana passada. Eu tinha confessado aos organizadores que tinha pensado em uma piada sobre Robert Galbraith quando li a lista.

Mas com certeza o pseudônimo de Galbraith (J.K. Rowling) não apareceria para eventos como esse? De fato lá estava ela, parecendo tanto elegante quanto vulnerável, adicionando certo luxo aos procedimentos ainda que o lugar já estivesse cheio de autores de mistério premiados.

No evento eu não fiz a piada, mas algo notável aconteceu naquela noite. A autora de dois livros que não estrelam um garoto bruxo, mas sim um detetive de uma perna só Cormoran Strike, ganhou a comunidade de escritores de mistério. Rapidamente tornou-se evidente que Rowling tinha um desejo genuíno e secreto de ser um membro dessa nova fraternidade a qual ela se juntou. Mas – deixando de lado as virtudes pessoais de Rowling – o quão bons são os livros de Cormoran Strike?

Escrito à surdina, “O Chamado do Cuco” inicialmente não criou muito interesse em 2013, mas quando a identidade de “Robert Galbraith” foi revelada (contra a vontade de Rowling, fomos informados – provavelmente porque seu primeiro livro adulto, “Morte Súbita”, em 2012, teve críticas mistas, apesar das vendas formidáveis).

Esse primeiro romance de mistério, entretanto, foi logo reconhecido como um vencedor, com o policial militar que virou detetive Strike encontrando a verdade por trás do aparente suicídio de uma modelo. Esse livro fez um uso vibrante do mecanismo de romance policial, apesar das armadilhas familiares (detetive sanguinário atravessando várias divisões de classe, mostra de uma força policial equivocada). A segunda aparição de Strike, em “O Bicho-da-seda”, foi divergente, mas menos inventiva – e, por isso, menos plausível.

Agora temos Strike número três, e, felizmente, é tão impressionante quanto o primeiro livro. Depois de uma abertura arrepiante na companhia de um assassino psicopata, nós seguimos para o Tottenham Court Road e o escritório de Strike.

Trabalhando para ele, Robin Ellacott está acostumada com surpresas. Mas nada tão macabro quanto um pacote aberto por ela que continha uma perna de mulher decepada. Seu chefe rapidamente faz uma lista de quem pode ser responsável – quatro indivíduos (todos com características diferentes) de seu passado, todos eles capazes de atos horrendos e indescritíveis – e que odeiam Strike até a alma.

A polícia tem um indivíduo em mente, mas Strike não está convencido e entra no mundo obscuro dos outros suspeitos.

Mas o tempo está passando, e mais atrocidades se acumulam, com Strike e Ellacott firmes na linha de fogo.

Escrito em uma prosa sem adornos e não literária, Career of Evil confirma que a iniciativa pós-Potter de Rowling está se provando muito bem-vinda. Ambos Strike e Ellacott são personagens multidimensionais (ela está presa em um relacionamento sem futuro), e não há nenhuma contestação em relação à satisfação com que a escritora aborda o gênero.

Há muitos elementos incomuns, como a odisseia pelo país de Strike, a história sexual ativa de sua mãe roqueira (o rock é significativo: o título do livro é de uma letra de Patti Smith) e até mesmo fantasias eróticas envolvendo amputados como Strike. A nova identidade escrita que Rowling forjou para si mesma não só é totalmente diferente de seus esforços de fantasia, mas também diferente da maioria dos colegas já estabelecidos com quem ela está fazendo amizade no mundo dos livros de mistério. Vamos esperar que o sarcástico Cormoran Strike tenha vindo para ficar.


“CAREER OF EVIL”
Crítica de “Career of Evil” de Robert Galbraith: “J.K. Rowling fica mais sombria”
The Telegraph – Jake Kerridge

16 de outubro de 2015
Traduzido por: Bruna Lopes
Revisado por: Aline Michel

J.K. Rowling gosta de apresentar a história a seus leitores de forma gentil. A série Harry Potter começou, em geral, bem alegre antes que fosse transformado em uma saga angustiante que fere o coração dos leitores. A série policial que Rowling escreve como Robert Galbraith parece estar seguindo na mesma direção.

Os dois primeiros, “O Chamado do Cuco” e “O Bicho-da-seda” foram razoavelmente gentis, usando o formato de romance policial para oferecer comentários satíricos sobre o mundo da moda e da imprensa respectivamente. Eles lembram a era refinada e há muito tempo desaparecida das histórias policiais, em que Margery Allingham e Dorothy L Sayers brilharam. Em última análise, os crimes que dirigiam estes livros eram menos memoráveis por si só do que os ganchos que permitem traçar a estranha relação entre o veterano do Afeganistão perneta que se tornou um detetive particular, Cormoran Srtike, e Robin Ellacott, uma moça graciosa aspirante a detetive.

Career of Evil, o terceiro livro da série, imediatamente se anuncia como algo diferente. O título e os nomes dos capítulos foram tirados das letras da banda americana Blue Öyster Cult, um sinal de que o livro pretende nos levar à lugares sombrios que Sayers e Allingham não teriam cutucado com uma vareta. A trama engloba pedofilia, assassinatos em série e Transtorno de Identidade da Integridade Corporal (TIIC) – a doença mental que faz o doente querer amputar seus membros saudáveis.

O romance começa com Robin recebendo um pacote contendo uma perna feminina decepada. Strike acha que é serviço de alguém que ele encontrou no passado, mas sua lista de inimigos psicopatas é muito longa para ser facilmente analisada. Interligado com a investigação deles, existem passagens contadas da perspectiva do assassino desconhecido, que está perseguindo Robin, e tramando matá-la para se vingar de Strike.

Fãs da dupla destemida preparem-se para ficar chocados com o passado deles. Conhecemos mais sobre a morte da mãe de Strike, crime pelo qual seu padrasto, um apavorante e fracassado roqueiro chamado Jeff Whittakker, foi julgado e absolvido. Whittaker, “um amante ostensivo do que é perverso e sádico”, foi embora com uma carreira digna de malfeitorias: “Strike sabia o quão profundamente estava enraizado a crença de que o mau ocultaria suas predições perigosas… Quando eles os usam como braceletes para todos verem, o povo crédulo dá risada, o chama de poser ou acha isto estranhamente atraente”.

Mas são as revelações sobre Robin que vão chocar os leitores profundamente, dando foco no motivo pelo qual ela continua com seu terrível noivo Matthew, cuja caracterização está comprovadamente se tornando cada vez menos sutil. (Será que este contador tedioso vai listar “suas estimativas do salário de todos os seus contemporâneos?”). Mesmo depois de três livros, o molejo do cuidado de Strike e Robin quanto à ausência de romance entre eles continua muito divertido.

Mas Galbraith realmente teve sucesso indo para um lugar mais obscuro? Os pensamentos internos do assassino são um pouco cafonas e o romance escorrega muito facilmente na linguagem do melodrama (“os meios pelos quais o assassino e seus planos macabros poderiam ser derrotados”). É mais agradável e emocionante do que nunca, mas a trama mais “realista” de Galbraith até agora é, perversamente, a menos convincente.