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Onde podemos encontrar magia

A magia é uma temática extremamente abstrata, e mesmo inserida no universo de Harry Potter, talvez não seja exatamente fácil definir a magia em si. Podemos classificá-la como um poder extraordinário de fazer as coisas acontecerem? Ou quem sabe, a magia está dentro de cada um de nós, e quem sabe ela possa ser vista em cada atitude que tomamos no dia-a-dia?

Usando elementos da série e dos contos anexos a ela, nosso colunista Arthur de Lima nos brinda nesta tarde com um ensaio a respeito da magia, seus poderes, suas consequências. Afinal, o que é magia para você?

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“Se a decepção em nós, trouxas, já nos infere consequências que atingem a pessoa que sequer imaginamos, imaginem só os efeitos com tamanho poder e tamanha depressão. Mas convenhamos: neste mundo louco e jogado às traças, sobrevivermos mais um dia sem magia é onde se encontra a verdadeira mágica.”

Por Arthur de Lima

Pensamos em magia nas facilidades da vida. Pensamos em magia com encanto e deslumbramento. Pensamos em magia acreditando que tudo, absolutamente tudo seria mais fácil. Mas, nossa amada história nos lembra que, com magia ou sem magia, a vida simplesmente sempre será a vida, com suas mazelas e desesperos, com suas dores e amores, com seu, por falta de palavra melhor, destino traçado com base nas escolhas.

Imagino que todo nascido trouxa se animou com todos os efeitos de felicidade, ou descobrir que era portador de algo tão grandioso. Mas algo deveria ser feito para que nossas pobres crianças descobrissem que o acréscimo de algo tão poderoso só gera ainda mais responsabilidades e, possivelmente, mais dores, pois em nossas frágeis mentes, conforme se prova em “Babbity, a coelha, e o toco gargalhante”, nos sentiríamos capazes de fazer de tudo, absolutamente tudo. E a dura verdade de que, com magia ou sem magia, somos meros mortais, teria um baque de proporções nada agradáveis em nossas mentes.

Algo no qual este colunista acredita piamente é que, nas enveredadas da vida, podemos moldar tudo à nossa escolha, nada, absolutamente nada pode ser considerado como previsível, e o melhor seria, ou bem menos doloroso, viver um dia de cada vez. A exceção a esta regra, repetindo que somente em minha visão, é que, da mesma forma que não escolhemos o dia em que chegamos ao mundo, não escolheremos o dia no qual partiremos dele para sempre. Nicolau Flamel, por exemplo, viveu séculos a fio, isso não quer dizer que foi escolha do mesmo. Provavelmente, algo muito maior do que o destino o fez permitiu criar e estudar a pedra filosofal e todos os seus efeitos de riqueza e longevidade, situação que o permitiu viver por tantos anos. Mas no dia marcado de sua partida, o mesmo se foi.

O conto dos três irmãos”, nos prova que a magia é limitada. Tão limitada ao ponto que tentar ultrapassar seus limites trazem consequências que a própria magia não pode controlar. Eu sou a favor de um trabalho psicológico em nosso pimpolhos filhos de trouxas, para não entrem neste conturbado mundo com tamanha desilusão. Afinal, magia não é somente soltar piparotes com a varinha. É ter um grande poder, que tem a capacidade de trazer luz e trevas, dores e amores.

Porque defendo isso? Se a decepção em nós, trouxas, já nos infere consequências que atingem a pessoa que sequer imaginamos, imaginem só os efeitos com tamanho poder e tamanha depressão. Mas convenhamos: neste mundo louco e jogado às traças, sobrevivermos mais um dia sem magia é onde se encontra a verdadeira mágica.

Que a magia seja do amor, que a vida seja a verdadeira mágica e que nossa felicidade seja nosso patrono sem varinhas, para ensinarmos aos nossos amigos de capas como realmente levamos nossa vida, com nossas dificuldades e nossos sorrisos. A verdadeira magia, é simplesmente viver! Talvez, quando todos nos convencermos disso, o movimento antitrouxa ainda existente tenha muito menos adeptos e, quem sabe, uma sociedade unida, sem medos e sem preconceitos.

Redigir textos brilhantes, caro Arthur, pode ser uma forma adorável de magia.