Filmes e peças ︎◆ Não categorizado

Potterish entrevista o elenco brasileiro da peça “A Very Potter Musical”

Valesca Popozuda, Pifgarts, Malafaia, casais improváveis que encontramos facilmente nas fanfics, Harry Potter que toca violão, “É o Tchan” e até a “Saga Crepúsculo” são algumas das referências da cultura pop que foram inseridas na adaptação brasileira do musical. Acha pouco? Agora imagine que Gina Weasley esteja entrando em Hogwarts no ano em que Quirrel decide inscrever Harry Potter no Torneio entre as Casas para dar um novo corpo a Voldemort.

“Esse musical não é patrocinado, apoiado ou muito menos afiliado à J.K. Rowling ou Warner Bros. Eles nem sabem que existimos… trouxas.”

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A famosa sátira estadunidense originalmente criada com musicas de Darren Criss e dirigida por Matt Lang, “A Very Potter Musical”, foi adaptada ao Brasil! Na Cidade Maravilhosa, a direção fica por conta de Julio Ângelo e o elenco é formado pelos alunos da UniRio sob a orientação do professor Rubens Lima, que já mostrou sua magia por meio do sucesso de “The Book of Mórmons” e “O Jovem Frankestein”.

“Assim como na história do Harry, muitas coisas daquele universo aconteceram de forma muito parecida com a gente. Por exemplo, a minha química com a Gina não foi tão boa no início, mas foi melhorando ao longo dos ensaios, assim como acontece na história. Sinto que esse universo realmente entrou na nossa vida.” – Gabriel Contente (Harry Potter)

Gabriel Contente, Jeff Fernandéz e Ingrid Klug compõem o nosso trio de ouro, sendo eles Harry, Rony e Hermione, respectivamente. O nosso colunista e social media Bruno Barros teve a oportunidade de entrevistar os simpáticos atores para o Potterish. Para conferir, vá ao modo notícia completa e, é claro, não se esqueça de nos contar se vocês assistiram ao espetáculo e o que acharam!

Para mais informações sobre a peça, confiram a página no Facebook do musical.

A VERY POTTER MUSICAL
Potterish entrevista o elenco brasileiro da peça

Bruno Barros – Potterish.com
Revisão: Pedro Martins

Potterish: Ficamos muito felizes que vocês estão criando o “A Very Potter Musical” aqui no Rio de Janeiro. Como vocês acolheram o projeto? De onde surgiu a ideia?

Jeff Fernandéz: Pra mim está sendo bizarramente incrível. Eu fico afoito. É um sonho de criança, de quando eu assistia os filmes. Eu sou fã. Eu lia a livros e agora estou dando vida ao Rony, cada dia que eu acordo, acredito mais. A ideia surgiu do Julio, que assistiu o musical americano no YouTube e resolveu plantar esta ideia entre a gente.

Ingrid Klug: O Julio quis pesquisar como seria fazer uma montagem acadêmica aqui no Brasil, porque lá [nos EUA] eles também são acadêmicos. Somos todos alunos.

Gabriel Contente: A simplicidade do texto ajuda muito a acolher a ideia. É um texto que você consegue trabalhar muitos personagens. É uma zoeira com a história de “Harry Potter”. Não é um texto cheio de filosofias, apesar de a gente ter colocado bastante crítica social.

Jeff Fernandéz: Mas é um texto que não perde a essência de “Harry Potter”, aquela essência de magia. As pessoas que já viram dizem para nós que está maravilhoso. Assim como vocês que amam o mundo de Harry Potter, Hogwarts, a gente também ama, e quem não amava aprendeu a amar.

Potterish: Tem essa coisa também de que é uma sátira, é teatro…

Ingrid Klug: Sim, por ser uma sátira temos a liberdade de fazer muitas coisas.

Gabriel Contente: Além da magia de “Harry Potter”, temos a magia do teatro.

Ingrid Klug: Ou seja, duas magias juntas, muita magia pra tudo que é lado!

Jeff Fernandéz: Quando entramos no palco, nos olhamos e já estamos transbordando magia.

Ingrid Klug: Criamos uma conexão muito forte no processo. Temos um grupo muito coeso e unido.

Potterish: Ficamos muito felizes com isso. Vocês poderiam falar um pouco sobre cada personagem?

Jeff Fernandéz: O Rony. Sempre fui apaixonado por ele, apesar de ter desejado que o Harry ficasse com a Hermione desde que eu era criança. Gosto do Rony desde quando ele entregou a vida para que o Harry entrasse na sala para encontrar a Pedra Filosofal. Ele se entregou naquele xadrez de bruxo e aí eu me encantei.

Antes de fazer a audição, eu assisti o “A Very Potter Musical” e falei: “o Rony é simplesmente irado, não tem como eu fazer ele”, mas aí pensei “quero abrir a cortina do AVPM aqui no Brasil, quero estar nesse projeto de alguma forma, nem que seja só pra eu ficar levando água para os atores”. Mandei o meu material e recebi o callback. Nele estava escrito: “Cena do Rony bêbado”. Perguntei uma amiga que é atriz se callback era realmente porque eles queriam me testar, eu estava alucinando já, sabia o que significava, mas não dava pra acreditar.

E então eu conheci o Gabriel Contente. Fomos fazer a audição e ele me disse que ia tentar o Harry, eu lhe contei que ia tentar o Rony. Olhamos um para o outro e dizemos: “Cara, é a gente”. Daí ficamos cantando, esperando sentados, e tinham várias meninas para a audição de Hermione, mas decidimos escolher a nossa Hermione. Vimos a Ingrid e quando fomos brincar com ela, fomos ignorados. Então decidimos que ela não seria a Hermione de jeito nenhum.

Uma semana depois saiu resultado e com ele a curiosidade de quem seria Hermione? Liguei pra menina que tínhamos escolhido e ela não tinha pego o papel, mas pensamos que tinham várias outras meninas, aquela [Ingrid] não poderia ter sido a escolhida. No dia seguinte, descobrimos que ela tinha sido escolhida para fazer a Hermione. Ignoramos ela durante um mês nos ensaios, mas depois foi amor sem condição.

Dar vida ao Rony é o que eu sempre falo com todo mundo que me pergunta: é acordar todos os dias e não acreditar que estou dando vida ao Rony. É um sonho que todas as crianças de todas as gerações que leem gostariam de realizar. Ele é um cara que sempre foi um amigo fiel, assim como eu, então trazer e construir isso como ator é delicioso. Eu não trocaria por nada.

Gabriel Contente: Assim como na história do Harry, muitas coisas daquele universo aconteceram de forma muito parecida com a gente. Por exemplo, a minha química com a Gina não foi tão boa no início, mas foi melhorando ao longo dos ensaios, assim como acontece na história. Sinto que esse universo realmente entrou na nossa vida.

É muito bom fazer o Harry Potter. Desde criança, meu pai lia os livros pra mim, aí depois eu comecei a ler com ele e então eu passei a ler pra ele. E eu sempre amei o Harry de paixão, queria ser ele quando criança. Ele tem muitas facetas, principalmente neste musical, então eu trabalho todos os pontos do personagem. Tem a hora que eu sou pop star que fica com todas as meninas (algo próprio do musical), tem a hora que eu sou o menino que perdeu os pais e sofria, tem a hora do herói corajoso, o amigo, tudo. Exploramos bastante essa evolução do personagem. Acho ele engraçado, um personagem muito querido e gostoso de fazer.

Ingrid Klug: Fazer a Hermione é muito rico, porque ela é uma personagem muito complexa. Às vezes eu, como atriz, ficava louca só de pensar na possibilidade de ter a minha cabeça funcionando como a dela. Ela não para nunca, mas não só no sentido racional de pensar nas coisas, ser muito madura, muito responsável, mas também no lado inocente, emocional que quer ser vaidosa, vista, que se magoa e fica muito chateada quando os meninos a magoam. Quando ela responde algum professor na hora errada e o professor a corta, ela tem seu ego ferido. Por isso é muito rico, assim como Contente disse que pode brincar com muitas facetas do personagem dele, eu também posso e muito! A Hermione foi um super desafio, no início, porque eu achava que ela era completamente diferente de mim, mas depois de um tempo eles foram falando pra mim: “Ingrid, você é muito Hermione, que saco!”, porque eu sou muito metódica, chatinha, cri-cri com algumas coisas. Eu fui me enxergando nela também, e me apaixonei perdidamente.

Jeff Fernandés: O mais engraçado é que, durante o processo inteiro, eu e o Contente nunca tivemos rixas muito intensas, como eu já tive com a Ingrid, por exemplo. Igual o Rony e a Hermione mesmo. Eu e Contente nos resolvíamos na hora, mas com a Ingrid ficava horas discutindo. Acabou que criamos um vínculo e fomos pegando a essência dos personagens.

Gabriel Contente: A gente teve briga de Harry e Rony também…

Jeff Fernandéz: Tivemos uma briga de personagens linda, inclusive.

Gabriel Contente: Agora é linda, você gosta de lembrar, mas na hora foi uma bosta. [risos]

Jeff Fernandéz: A gente brigou de ele falar assim “Você não tem dinheiro, usa roupa usada”.

Gabriel Contente: Começamos brincando, aí ele soltou “Ah, mas pelo menos eu tenho pai”, e ficou bem sério.

Jeff Fernandéz: O Contente começou a chorar e eu fiquei com muito mais raiva, comecei a falar mais coisas. Paramos de nos falar durante um tempo naquele ensaio e depois conversamos e voltamos ao normal. Brigamos como personagem, estávamos muito conectados à eles. Eu já estou aqui triste porque hoje é a penúltima apresentação.

Potterish: Será mesmo que amanhã termina? Vocês não têm a ideia de estender o espetáculo?

Jeff Fernandéz: Não sabemos de nada, inclusive. O elenco não faz a mínima ideia, mas claro que esperamos que se estenda. Hoje eu quase chorei antes de sair de casa por ser o penúltimo. Amo muito tudo aquilo.

Potterish: E vocês montaram tudo com orçamento inicial nulo, certo?

Ingrid Klug: Sim, sim. Fizemos vaquinha, uma festa e conseguimos muitos apoiadores. A Ju, que é nossa produtora, diz que nós temos muitos anjos que foram se agregando ao projeto. A Isadora Zeferino, que é a nossa ilustradora, foi a nossa festa e pediu pra conhecer-nos. Ela queria uma foto nossa pra fazer um desenho. Então o Julio convidou ela pra ser nossa ilustradora oficial. Esse é só um exemplo de uma pessoa que se juntou a gente de coração aberto, sem ganhar dinheiro, como nós também estamos fazendo.

Jeff Fernandéz: Muita coisa a gente arrecadou do próprio bolso, inclusive.

Gabriel Contente: Teatro é assim, a gente sempre se ajuda.

Ingrid Klug: Acho que faz parte do processo mesmo. As nossas vassouras, por exemplo, nós que as fizemos. E eu acho isso muito rico para um grupo de teatro. Saber pensar no coletivo, fazer as coisas andarem. O workshop de vassouras que a gente teve foi o elenco inteiro sentado com cola na mão e palha para tudo que é lado! Linha de produção!

Gabriel Contente: Acho muito legal como a família e os amigos se envolvem no projeto. Teve um dia que a minha mãe saiu comigo correndo pela cidade para procurar o Chapéu Seletor, alguma coisa que parecesse o Chapéu Seletor pelo menos. Nossas famílias e amigos foram essenciais para a magia acontecer.

Potterish: Ficamos muito feliz ao ver um ver um grupo brasileiro de universitários fazendo uma adaptação nacional do “A Very Potter Musical”. Todos nós adoramos vocês, obrigado pela entrevista!